Vingança

29 Descobrindo Sentimentos


Notas iniciais
Eu quase não consigo entrar para postar! Como estão galerinha? Tudo em paz? Atrasei? Óbvio, que sim! Bem, já sabem minha agenda mega lotada e minha cabeça distraída! Enviei o cap para a Lara, mas minha beta ainda não me devolveu, portanto, se acharem erros... Eis aí o motivo!^^ Quando ela me devolver, posto a correção.
Espero que ainda tenham vontade de ler, galera! Eu realmente estou na minha desenfreada busca de boas notas!^^ Por isso, tenho que estudar, e acabo demorando em postar!>
Um beijo e um abraço a:

Matsumoto Narumy (valeu por ler minha fic original ^^), Dalila Araújo (não me abandona),a curious (amo seu gato, cara), Fe Neac (uma de minhas escritoras prediletas ^^), Hana (inteligente e assistente de Urahara)e a Mirella Dalarovera (seja bem vinda de volta o/).

Eu amei,

Eu amei, ai de mim, muito mais

Do que devia amar.

E chorei,

Ao sentir que iria sofrer

E me desesperar.

Foi então,

Que da minha infinita tristeza

Aconteceu você.

Encontrei em você a razão de viver

E de amar em paz.

E não sofrer mais

Nunca mais.

Porque o amor é a coisa mais triste,

Quando se desfaz.

[Vinícius de Moraes — Amor em paz]

...

Rukia se espreguiçou na cama com lentidão. Os cabelos estavam bagunçados, e sua franja atrapalhava sua visão. Tentou se erguer, mas um braço a estava segurando pela cintura e um sorriso surgiu em seu rosto. Ichigo era possessivo até mesmo dormindo.

A noite anterior fora a mais maravilhosa que já havia sentido, desde aqueles últimos dois anos. Ichigo fora tão carinhoso e gentil, que pareciam estar em uma lua de mel, e não em um esconderijo.

A lembrança daquele detalhe a fez franzir o cenho, nervosa. Não queria ficar se escondendo a vida inteira. Suspirou com cansaço. Não havia muitas escolhas naquele momento.

Ichigo se remexeu, inquieto, e puxou a morena para próximo de si, apertando-a em um abraço possessivo e voltou a ficar quieto, para surpresa de Rukia.

“Virei bichinho de estimação, ou travesseiro”? Pensou brincalhona, tentando mais uma vez se soltar do agarre. Ichigo resmungou algo inelegível e despertou com o cenho franzido, sua marca pessoal.

– Pode me dizer por que me acordou tão cedo? – resmungou depois de observar seu relógio de pulso e após encarar a morena.

– Já são quase sete e meia, não pode dizer que é cedo demais! E eu não quis te acordar... Você que não me soltava! – respondeu zangada, juntando as pequenas sobrancelhas numa linha única.

Ichigo riu com a cara emburrada da morena e lhe roubou um selinho rápido. Sem se importar com sua nudez matinal, correu ao banheiro para um banho. Rukia suspirou com a intimidade que haviam adquirido em tão pouco tempo. Algo que ainda não conseguia acreditar.

– Ei, baixinha? Você vem ou vai ficar aí “moscando”? – Ichigo perguntou mostrando apenas a cabeça já com espuma de shampoo.

Rukia assentiu envergonhada e se levantou cobrindo o corpo com o lençol. Não estava tão liberal como o ruivo. Ainda lhe restava à compostura.

Ichigo sorriu com a aparente timidez da morena e aproveitou para irritá-la.

– Ontem a noite estava parecendo uma gata selvagem... E hoje vira uma puritana? Não sabia que estava perto de uma bipolar! – terminou com uma gargalhada.

Rukia se enfureceu com o comentário e sem prévio aviso, deu um pisão no pé do rapaz que gemeu de dor. Entrou no banheiro dando um empurrão para que o ruivo saísse e trancou a porta, com ele para fora. Molhado e nu.

– Ei? Nanica? Abre essa porta! – silêncio atrás da porta – Ora sua... Vai ver o que vou fazer quando você sair daí! – resmungou se encolhendo na porta, com frio.

Pôde escutar a garota cantarolar, impune em seu reduto e sorriu. Finalmente estava fazendo a sua adorável cliente se sentir em paz.

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Depois do banho, o casal fez um lanche rápido e comeram em silêncio, aproveitando a companhia um do outro.

– Hoje quero ir ao lago! – comentou animada.

– Claro e eu serei o maldito guia turístico! – falou irônico – Vai sonhando!

– Mas eu pensei que...

Um toque na porta os silenciou. Ichigo olhou o relógio e se lembrou de que era o momento de verificar as informações de Urahara pelo seu segurança. Levantou-se e seguiu rapidamente para abrir a porta.

Rukia seguiu-o com curiosidade. Quando a porta se abriu, Ichigo elevou a sobrancelha, curioso, e Rukia cobriu os lábios com emoção. Lágrimas começaram a descer de seus olhos violáceos.

– Kaien-dono... – sussurrou num lamurio.

Ichigo se voltou a jovem com os olhos arregalados e retornou ao rosto moreno a sua frente. Então aquele era Shiba, o ex-noivo que a abandonara?

– Olá, pequena! – falou simplesmente o visitante.

– Que raios você está fazendo aqui? – Ichigo tentou manter sua voz controlada, mas realmente estava fazendo um esforço muito grande para não partir pra cima do rapaz – Como nos encontrou? – finalizou com o rosto irritado.

Rukia pareceu reagir com as palavras do ruivo e encarou aquele que já não via há tantos anos. Uma conversa silenciosa se iniciou entre os olhares dos dois, deixando Ichigo irritado e sobrando naquele meio.

– ME RESPONDE! – gritou perdendo a calma.

Rukia levou um susto com a atitude agressiva de seu advogado e amante, mas não conseguiu falar nada. Ainda estava absorta em suas próprias lembranças e sentimentos saudosistas.

– Urahara Kisuke me mandou tirar vocês daqui! – o rapaz falou com a voz meio trêmula.

Ele também era acometido de dezenas de sentimentos complexos, como saudades, ternura, felicidade, medo, ansiedade e outros mais que seu coração acelerado não sabia administrar.

Ichigo percebeu o mutismo dos dois e resolveu tomar uma atitude. De forma acelerada, mas com cuidado, empurrou a morena para dentro da sala, tirou a chave e trancou a porta. Rukia reagiu irritada e começou a bater na porta.

– Abre essa porta, Ichigo! ICHIGO? Me ouviu? Oi? ICHIGO? – gritava desesperada.

Kaien tentou avançar, mas foi impedido com o gancho de esquerda que Ichigo lhe desferiu. O rapaz se segurou no murinho em frente à casa para não cair direto no chão. Cuspiu o sangue e tentou não se jogar contra o ruivo para brigar também. Precisavam tirar Rukia dali, antes que eles chegassem.

– FORA! – gritou Ichigo irritado com a calma do rapaz.

– Precisa me ouvir Kurosaki! Precisamos tirar Rukia daqui o quanto antes e...

– Quem garante que você é de confiança? Não confio em você e não vou deixar você se aproximar de Rukia! – interrompeu o rapaz, pegando o Shiba pelo colarinho da camisa.

Kaien encarou o ruivo, esquadrinhando seu olhar de raiva e o avaliando. Parecia ser um bom rapaz, mas era explosivo e teria problemas com isso.

Ichigo bufou irritado por esse comportamento altivo e avaliativo de seu rival e se preparava para socá-lo novamente, quando Kaien resolveu interferir.

– Se você realmente a ama, vai me ouvir! – sentenciou frio, sem deixar de encará-lo.

– ICHIGO? Abre já essa porta! Está me ouvindo? ICHIGO?

Ouviram os gritos de Rukia retornarem, já que ela ficara quieta para tentar escutar o que faziam do lado de fora.

Ichigo soltou o rapaz de forma brusca e socou a parede, para tentar se acalmar.

– Fale – falou autoritário.

Shiba limpou o canto do lábio que sangrava e inspirou fundo.

– Urahara-san me mandou aqui, pois ele tinha certeza que havia algum informante no juizado de Yamamoto. Por isso investigou os funcionários que tiveram acesso a esse endereço e, não demorou muito para entender que o traidor já passou isso para o perseguidor de Rukia – pausou para ver se o ruivo ainda lhe ouvia – Ele está vindo nessa direção, por isso precisamos tirar Rukia daqui! – finalizou e aguardou a resposta do rapaz.

– E por que você? – questionou Ichigo duvidoso e desconfiado.

– Por que eu seria a última pessoa que poderia ajudar Rukia. Sou completamente fora de suspeita para a família Kuchiki ou por esses supostos perseguidores! – respondeu prontamente.

Ichigo continuou encarando o rapaz de olhos verdes e de repente começou a gargalhar. Kaien não entendeu o motivo e por isso seu rosto mostrou surpresa. Até mesmo Rukia ficou novamente em silêncio para entender por que diabo Ichigo estava rindo.

– Simples assim? Você acha que sou idiota? Que vou acreditar em suas palavras e deixar MINHA RUKIA em suas mãos facilmente? – Ichigo falou taxativo.

Kaien suspirou e se lembrou das recomendações de sua irmã quanto ao jovem advogado. Com calma retirou um pequeno pedaço de papel do bolso e entregou ao ruivo, que mantinha a sobrancelha erguida com a atitude repentina do moreno.

Ichigo pegou o papel e o virou com desdém, mas depois de ler a frase, amassou o recado de Urahara e guardou no bolso do short que usava. Aspirou e inspirou profundamente, esfregando os cabelos rebeldes, com nervosismo. Não gostava daquilo. Não queria aceitar, mas sabia, agora, que o rapaz a sua frente não estava mentindo.

– Então? – perguntou Kaien com curiosidade, já que no papel havia apenas uma frase de Shakespeare escrita nele.

– Tudo bem, Shiba! Mas você não vai chegar perto de Rukia, entendeu? Vou entrar e preparar nossas coisas para sairmos e você – apontou-o nervoso – Espera aqui fora até terminarmos. Entendeu?

Kaien não gostou daquelas palavras possessivas. “Minha Rukia”? “Nossas coisas”? “Afinal, quem ele pensava que era”? Pensou contendo sua ira.

– Ok! – foi tudo o que respondeu.

Ichigo deu meia volta, abriu a porta e Rukia caiu pra frente, mas foi segurada antes de chegar ao chão pelo ruivo. Estava tão distraída pensando no que o ex-noivo falara, que não percebeu quando seu advogado abriu a porta.

– Vamos! Precisamos sair daqui agora! – comentou o rapaz, sem dar tempo a jovem para conversar com o Shiba.

Arrastou a morena até o quarto e não falou mais nenhuma palavra até voltarem com a pequena maleta com os pertences do casal.

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Mais uma vez estavam na estrada em direção ao desconhecido. Rukia e Ichigo estavam atrás, no banco de passageiro, enquanto Kaien dirigia em completo silêncio. Tentava manter os olhos na estrada, mas sempre observava o rosto alvo de Rukia pelo retrovisor.

Ichigo, apesar de estar preso com o cinto de segurança, abraçava a morena pelo ombro, encarando os olhos verdes pelo mesmo retrovisor, que o moreno a observava.

O ambiente hostil fazia Rukia não comentar nada. Em seu âmago muitos sentimentos a atordoava. Não sabia bem como reagir a tudo isso.

Sabia que estava nutrindo algo especial por Ichigo e não poderia negar que o estava amando. Mas também não podia esconder que ainda sentia algo especial por seu primeiro amor. E tê-los juntos naquela Range Rover, não ajudava muito.

Suspirou com cansaço. Seu paraíso novamente fora abalado. Sentiu sua mão ser apertada pela calorosa e grande mão de Ichigo. Voltou-se ao rapaz que a observava com um sorriso fraco. Muitos sentimentos foram passados naquelas piscinas amendoadas e seu coração se acalmou um pouco.

Shiba observou aquela cena com uma pontada de dor por dentro. Ele não era o responsável pelo delicado sorriso que se formou naqueles lábios, que um dia fora seu. Sabia que fora o responsável pelo primeiro beijo da garota, sua primeira paixão e amor, mas agora em que se reduzira? Voltou para a estrada, tentando se concentrar. Tentando acalmar aquele coração quebradiço e dolorido.

Percebera, com um terrível atraso, que amava demais aquela mulher.

Notas finais
Valeu por ainda acompanharem, pessoas de meu kokoro! Estou tristinha por não ter ganho o concurso de literatura, mas não vou desistir de tentar esse ano, novamente! Torçam por mim (se alguém puder me enviar um livro de como se tornar uma pessoa em paz com o português... Por favor, me enviem! ^^).
Espero vcs no próximo capítulo. Mega kissus a todos!

JJ