Vingança
16 Deixe-me ir embora!
Notas iniciais
Esse cap foi pequeno, mas como havia dito antes, agora inicia uma segunda fase, que chamarei de "revelações". Isso mesmo! Saberemos em cada capítulo o que realmente ocorre ao redor de Kia e seu destino bagunçado! Espero que gostem. A primeira parte e algumas falas de personagens, eu deixei em itálico, para destacar o tempo do fato e alguns pensamentos! Assim, quando o parágrafo estiver em itálico, considerem um momento especial no texto, ok?
Quero, como sempre, agradecer os comentários que me escrevem, ajudando sempre a melhorar e me aperfeiçoar! Claro, que: mada, mada da ne! Mas chego lá! kkkkk
Kissus para:
Ise Yuki,bya_kurosaki,Anna Kuchiki,Sarah Ariel, Mirella Dalarovera, sensei Amanda Catarina, Feh Nanda, Jon T, Jenix e Sarah Kurosaki, todos muito fofos e lindoooooos! Valeu galera! Ainda sinto falta de alguns reviews, mas sei que logo chegam!^^
JJ
As coisas passam, e o melhor que fazemos é deixar que elas possam ir embora. Deixar ir embora. Soltar. Desprender-se.
[Fernando Pessoa]
...
– Está sozinha, querida?
A velhinha questionou a pequena garotinha que parecia perdida naquela rua praticamente vazia já que o inverno ameaçava ter uma madrugada com nevasca.
– Eu não sei... Eu não me lembro... – falou esfregando as pequenas mãozinhas que estavam vermelhas como sangue, devido o frio congelante.
O vestido de lã que a pequena usava estava sujo e tinha muitos rasgos ao longo do tecido. Os cabelos longos e pretos pareciam encharcados com algo viscoso que a velha senhora não pôde reconhecer naquele momento. Agora a preocupação daquela moradora era pela segurança da pequena, pois aquele bairro não era considerado seguro para estar na rua naquele horário. Muitos bebiam demais e acabavam perseguindo garotas desavisadas, muitas vezes incorrendo em estupros e morte.
– Venha comigo, pequena. Amanhã cedo procuraremos por seus pais, tudo bem? Qual seu nome? – questionou levando a menina de olhos violáceos pelo pulso e praticamente correndo para uma rua paralela. Estava muito escuro e frio.
– Não me lembro! Você não é minha mamãe?
As lágrimas correram nas bochechas avermelhadas. O pequeno nariz arrebitado estava ferido e o tremor do corpo já demonstrava o efeito de hipotermia. A velhinha retirou seu casaco de lã e cobriu a menina. Tomou-a no colo e avançou assustada. Acabara de escutar algumas vozes de homens que pareciam bêbados, e não queria esperar para ver o que aconteceria. Aquele bairro era muito violento e pobre, mas fora esquecido pelos governantes que não pareciam se importar com os moradores dele; uma verdadeira terra sem lei. O conhecido distrito de Inuzuri.
– Então ficará segura aqui comigo, minha pequena. Sou Sayako Okito, e pode contar comigo para encontrar sua família, ok? Bem... Depois de um banho iremos te dar um pouco de missoshiro e umas roupas quentinhas, tudo bem? – perguntava enquanto ajudava a pequena garota a tirar o vestidinho.
A casa era muito pequena, composta de apenas um cômodo. No meio havia um futon envelhecido, no canto, próximo à porta da cozinha, nela havia somente um pequeno fogão de duas bocas com um botijão de 3 quilos e uma mesa japonesa de chá. No fundo havia uma porta sanfonada, onde se podia avistar um banheiro, com uma pequena tina de madeira que já vira dias melhores. Okito carregou a menina no colo e a colocou na tina. O susto pela água fria fez a velhinha bater a mão na testa ao se lembrar de que não havia aquecido a água, mas a garotinha não reclamou, ficou imóvel tentando se acostumar com aquela frieza. A senhora Sayako ligou o chuveiro no mais quente, e retirou a menina para que não ficasse com mais frio, enrolando-a numa toalha felpuda.
– Você é tão branquinha e linda, minha pequena. Com certeza seu nome deve ser Tsukihime, uma princesa da lua! – soltou animada.
– Tsuki? Esse é meu nome... Sim, Tsuki-chan... Não sei quem me chamava assim, mas era esse o nome que usavam pra falar comigo!
Abraçou a velha senhora que sorriu com a conveniência daquele nome. O banho foi realizado em silêncio, onde Tsuki obedecia a tudo o que Okita pedia. Após este, a sopa de missô foi servida e recebida com alegria pelo faminto estômago da menina.
O tempo passou, e as duas novas amigas não perceberam que já fazia mais de três meses que estavam habitando juntas naquele distrito perigoso. Tsuki aprendeu com quem deveria ou não falar. Todos do bairro amavam muito a garotinha, que agora apresentava um curto cabelo negro, fruto de piolhos que havia adquirido quando foi encontrada. Nenhum conhecido ou parente veio procurar a garota, então Okito já a tratava como sua pequena filha. Não sabia bem a idade da menininha, mas não deveria contar mais que quatro ou cinco anos de idade.
Mesmo sabendo que seus dias cinzentos haviam se esvaído com a presença calorosa da garotinha corajosa, Okito sabia que ali não era um bom lugar para uma princesinha viver. E foi com esse desespero que passou a procurar pessoas para ajudarem a garota, talvez encontrar os pais, ou mesmo um novo lar.
Tsuki brincava com algumas crianças do bairro, quando uma limusine surgiu formando um quadro pitoresco, devido à pobreza do lugar. Sayako correu até as crianças que brincavam de roda no meio da rua, preocupada com aquela estranha aparição. Mas relaxou quando o vidro fumê desceu e uma linda mulher sorriu para a ela. O motorista desceu o vidro dele e chamou-a para perto.
– Por favor, minha senhora! Poderia me dizer como faço para sair na Avenida cinco. Não conheço muito essa região e acabei me perdendo! – perguntou o descontraído motorista, confiante de que havia encontrado uma boa pessoa.
Okito o repreendeu mentalmente, já que ali não era um dos melhores lugares para se confiar nas pessoas. Mas explicou como pode o caminho, e enquanto conversava, Tsuki aproximou-se curiosa daquela senhora que parecia estar acompanhada de alguém misterioso.
– Olá! A senhora é muito bonita! Vem morar aqui com a gente? – questionou inocente, balançando o pequeno coelhinho de pelúcia que ganhou do padeiro.
Eram inseparáveis, e mesmo o pobre boneco estando muito velho, era o bichinho que Tsuki levava a cama para dormir abraçada. A bela senhora, que trajava roupas delicada e social não resistiu ao encantador sorriso da pequena, e mesmo diante dos protestos do acompanhante, abriu a porta para conversar com a menina.
– Akemi-chan, já disse que aqui é muito perigoso. Volte pro carro! – o homem de terno italiano repreendeu a mulher que pouco se importou com o comentário.
– Hideki-san, pare com isso! Ela é só uma linda garotinha. Ela não parece à princesa da lua, amor? Qual o seu nome, garotinha?
Acariciou as bochechas da menina, que sorriu mostrando o brilho diferente em seus olhos violáceos. Uma cor de olhos que Akemi jamais havia visto. Tão vivos e inocentes.
– Tshiki-chan! Estamos brincando de roda, quer brincar também? – falou enquanto apontava os garotos, que por medo, se esconderam na pequena mureta do que parecia ter sido uma casa. Várias crianças deixavam somente as cabecinhas aparecendo. Por mais que tivessem medo, a curiosidade sobre aquele imenso automóvel os faziam correr o risco de serem vistos.
– Oh! Mas são tão lindas! Olhe, Hideki-san, várias criancinhas por ali! Mas onde está sua Okaasan? Não pode ficar por aí sozinha, é muito perigoso, Tsuki-chan!
Hideki saiu irritado com a displicência e despreocupação da esposa, mas não permitiria que ela ficasse sozinha num lugar desconhecido daqueles.
– Eu não conheço minha mamãe, mas tenho Okito-san! Né, Okito-san?
A menina girou nos calcanhares para observar a velhinha que ainda permanecia parada ao lado do motorista. Sayako se manteve silenciosa observando aquele contato curioso. Contemplou a beleza e graciosidade daquela senhora, além da ternura que aquela mulher demonstrava a sua pequena protegida. Sentiu que seria maravilhoso, sua menina ter uma família como aquela.
– Tsuki-chan não têm pais! Eu a encontrei na rua há alguns meses, mas ninguém veio buscá-la! Coisa muito comum nesse nosso mundo! – soltou triste observando alguns garotos que também eram órfãos.
– Vamos, Akemi-chan, precisamos ir, ou Byakuya-kun irá se zangar por nosso atraso! – tentou persuadir a esposa.
– E onde ela vive? Não me diga que ela passa fome ou mora nessa rua assustadora? – ignorou olimpicamente o marido que já apertava as mãos, irritado.
– Ela vive comigo numa casinha, mas não tenho muito a oferecer a minha pequena princesinha! Não é mesmo, Tsukihime?
Espalhou os cabelos da menina, que irritada, inflou as bochechas e virou-se com os braços em concha. A franja caia entre os olhos e deixava a cena muito engraçada e descontraída.
– Akemi-san...
– E se nós cuidássemos dela? Poderíamos, não é mesmo, Hideki-san? A nossa família Kuchiki poderia procurar o paradeiro dos pais, e enquanto isso, cuidaríamos para que essa linda menina tivesse uma boa educação e cuidados! O que acha, senhora?
– Sayako Okito! Seria maravilhoso, não acha, Tsuki-chan?
Apesar de tentar sorrir, a voz saiu triste e trêmula. Por mais que quisesse o bem da menina, temia muito a distância dela. Mas não permitiria deixar seu egoísmo atrapalhar uma oportunidade como aquela.
– Mas... Okito-san virá comigo? – comentou baixinho e com os olhos brilhando.
Mesmo Hideki não resistiu aquele olhar esperançoso e cheio de alegria. Observou a pequena de cima a baixo. Suas roupas eram muito pobres e gastas, e a aparência magra denunciava uma subnutrição.
– Hideki-san, eu sei o que vai me dizer, mas...
– Se quiserem nos acompanhar, não vejo por que não! Mas teremos que verificar com a polícia, se não existe alguma queixa de busca dessa pequena, o que acha? – perguntou um pouco encabulado por ceder à vontade de sua esposa.
– Então nós vamos morar todos juntos? Com essa moça bonita, Okito-san? – soltou animada a pequena que rodeava alegre Sayako e Akemi.
– Com certeza, pequena! Seremos uma família, com toda certeza! Você irá amar conhecer meu menino, Bya-kun. Ele é muito bonitinho e irá adorar brincar com você, o que acha?
A animação foi geral. Todos torciam pela menina. Queriam que fosse feliz. E com a promessa do Kuchiki em enviar ajuda para as outras crianças, Tsuki e Okito deixaram aquele distrito pobre para trás.
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O sorriso de Okito sumiu mais uma vez, como no dia em que faleceu em seu quarto. Rukia e Sayako foram inseparáveis na mansão Kuchiki, e para a morena era como sua avó querida, aquela que a ajudou num momento tão triste e solitário.
As imagens de Hideki e Akemi também sumiam em meio aquele enevoado ambiente. Não conseguia entender o que diziam ao redor. Pessoas de branco e de rostos inteligíveis, passeavam de um lado a outro naquele estranho lugar.
Rukia sentiu seu corpo aéreo, como se tivesse se tornado um ser etéreo e sem vida. Foi em meio a esse torvelinho de sensações, que sentiu tudo escurecer e as vozes sumirem de seus ouvidos.
O silêncio imperou. Não sabia mais definir se estava viva ou morta. Tentou abrir os olhos, mas não conseguiu. Ouviu risadas ao redor de seu corpo.
– Tsuki-chan, viemos te buscar, meu amor!
Aquela voz carinhosa e cheia de ternura fez uma lágrima escapar no rosto alvo e sem vida.
– Minha menininha já está uma mocinha, tão linda como no dia em que a encontramos!
Os dedos da mão esquerda passaram a se mexer sozinhos, como se quisesse alcançar aquele rosto que flutuava a sua volta. Parados acima de sua cabeça, estavam seus pais sorridentes e de braços estendidos. Rukia queria abraçá-los também. Mas outro ser surgiu com rosto alegre, abraçando o casal que se viraram assustados.
– Tsuki-chan ainda precisa viver! Nossa princesinha ainda não conseguiu realizar seus sonhos. E agora precisa voltar, já que muitas pessoas ainda dependem dela. Não é mesmo?– Okito comentou alegre, segurando firme o casal para que não se aproximasse muito da morena.
Aquela imagem era estranha, mas calorosa e saudosista.
– Okaasan? Otousan? Obaasan? Como podem estar aqui? Por favor, me levem com vocês! Por favor... – falou chorosa, sem conseguir mover o corpo ou controlar as lágrimas que saiam em cascatas.
– Estaremos sempre em seu coração, minha pequena! Tome cuidado com aquela menina malvada... Tome cuidado com sua irmã...
Um brilho forte fez Rukia se levantar da cama, enquanto o bipe espaçado da máquina voltava a soar na CTI.
– Rukia? Vai ficar tudo bem, minha querida. Vai ficar tudo bem agora!
Aquela voz grossa e pacífica, o olhar sério e caloroso. Fazia muito tempo que não ouvia a voz de seu irmão mais velho. Contemplou as lágrimas rolarem naquele rosto que um dia foi apaixonada e se deitou novamente a cama, sendo mais uma vez rodeada por médicos e enfermeiros que agora comemoravam o retorno da garota.
A porta da CTI foi aberta, e dois enfermeiros lutavam para conter o rapaz de avental que correu até Rukia.
– RUKIA? Tudo bem com você? Me disseram que estava aqui... E... Como você está? Eu te machuquei? Meu Kami-sama, fui eu quem fiz isso? – falava com voz trêmula e lágrimas.
O jovem Kurosaki estava abatido, não somente pelo colapso que teve, mas também pela dor ao escutar do pai, que sua querida morena estava entre a vida e a morte na sala de emergência. Byakuya observou irritado como um pequeno sorriso se formou nos lábios esbranquiçados de sua irmã. Não havia soltado a mãozinha que insistia em tomar para si, garantindo que não era ilusão e que ela estava viva.
– Ichi-go? E-u est-ou bem... Não fo-i vo-cê... Co-mo você es-tá? – falou apreensiva, já que a última coisa de que se lembrava, era que Ichigo corria risco de morte no hospital.
– Agora estou melhor... Graças a Kami, você está bem... Nunca... Nunca mais irei te deixar sozinha... Nunca mais!
Ajoelhou-se ao pé da cama e tomou a mão livre, depositando beijos rápidos na palma, o que fez Kuchiki Byakuya reagir.
– A partir de agora, Rukia-chan virá comigo a mansão. E não aceito um não, Kurosaki-san! Ela quase perdeu a vida, e tudo por conta de sua displicência!
– Senhores, por favor, acalmem-se! A paciente ainda está em recuperação. E isso serve ao senhor, Kurosaki-san! Olhe o senhor quebrou uma veia por arrancar o soro! Vamos... Acalmem-se...
Tentava um dos médicos, ficando entre os dois jovens que pareciam iniciar uma briga.
– Terá que me levar junto... Não vou deixar minha cliente correr riscos nessa mansão maldita! RUKIA SÓ FICARÁ COMIGO... PORTANTO TERÁ QUE ME LEVAR JUNTO!
– ISSO JAMAIS!
– Senhores, por favor!
– Onii-sama... Por favor...
Os olhos violáceos banhados pelas lágrimas fizeram os dois se acalmarem e uma terrível vergonha consumir Byakuya, que jamais havia gritado com ninguém daquela maneira. O pedido era muito claro: Rukia não sairia de perto daquele rapaz impertinente. E ele não poderia negar, já que havia sido um dos primeiros a abandoná-la. Não queria admitir, mas invejava a coragem de Kurosaki. Independente das condições precárias que o rapaz se encontrava agora, ele queria estar perto de Rukia.
– Então, os dois serão levados para a mansão! Contratarei os melhores médicos para que estejam com cuidados adequados – soltou amargo, já que era óbvia a confiança de sua amada irmã por aquele advogado punk.
– Assim é melhor mesmo. Porque não vou deixar Rukia sozinha em nenhum momento, entendeu? Eu... – parou devido à dor no corpo que agora cobrava o descuido do rapaz.
– Ichigo? Por favor, cuidem dele... Eu estou bem agora... Cuidem dele, por favor... – implorou Rukia, para assombro de Byakuya.
Era mais do que perceptível à aproximação daqueles dois. E mais uma vez sentiu uma imensa ira crescer dentro de si. Mesmo sendo um Kuchiki, se sentiu tolo e desenfreado em seus sentimentos. Mas ver aquele olhar perdido o fazia relegar sua própria vontade. Ela lhe havia dado uma chance de se redimir e novamente se aproximar dela, já que não rejeitou sua ordem de levá-la de volta a mansão. Independente de sua própria vontade, faria tudo o que estivesse ao alcance para fazê-la sorrir novamente.
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Vocabulário
Inuzuri: Não existe no mundo real.
Tsuki: Lua em japonês.
Missoshiro: caldo de soja fermentada, formada por duas palavras onde misso significa "soja fermentada" e shiru, "caldo".
Okaasan, Otousan e Obaasan: Mãe, pai e avó.
CTI: Centro de Tratamento (ou Terapia) Intensiva.
Fontes: Wikipédia.
Notas finais
Ainda temos meu querido Urahara, que virá com força total no próximo, para quem é fã dele!^^ E só, não abro mais. Como pode ser que eu demore a postar - desculpem por isso - deixarei vcs com menos curiosidade, certo? ^^ Ou talvez, não! ¬¬
Enfim, espero que tenham uma ótima semana! Divirtam-se (eu estou adorando mudar meu estilo de vida!Uhu!Agora até o almoço virou motivo de viagem a outras culturas - hoje teremos comida mexicana, chicos! kkkk Façam isso tb, é ótimo!)!
Espero que curtam! Lembrem-se de escrever e me avisar os erros e falhas, ok? Mega kissus pra vocês! Fui!
JJ
PS: Ainda sigo assistindo Gintama (perdoe-me Bleach, vc ainda mora em meu kokoro); eu estou morrendo de rir com esse anime, viu? Experimentem quem ainda não o fez!^^
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