Vingança
18 Covil de leões
Notas iniciais
O capítulo de hoje foi deveras fraquinho, já vou alertando, mas têm informações cruciais para chegar próximo da solução do assassinato do casal Kuchiki. Olha aí meu presente pra vocês. Entreguei de bandeja, viu? kkkkk
Lembrando que ainda não passou pela mão de minha beta, e assim que ela me enviar os outros faltantes e este, posto pra vocês a correção. Por isso: gomenasai pelos erros!;_;
Vamos lá! Um mega blaster beijo molhado a quem me deixou reviews:
Bya_Kurosaki, Jon T, Liruichi, Jheni Kuchiki, Kurosaki Rukia, Jenix, Mirella Dalarovera. Alguns ainda não mandaram, mas é claro, estão ainda embriagados pela emoção das festas de final de ano. kkkkkk
04/01/2013
“Como a maioria dos sofrimentos, esse começou com uma aparente felicidade”.
[Tarsila]
...
Rukia observava absorta em suas próprias lembranças, enquanto era levada até o quarto em que ficaria na mansão. Conhecia cada objeto decorativo, cada sala e corredores daquela que um dia ousou chamar de lar. Não estavam hospedando-a em seu antigo quarto, mas sim num dos belos quartos de hóspedes localizados ao lado sul da mansão, bem longe da ala de quartos principais.
Ichigo seguia Rukia de perto, sem perder um só detalhe de suas expressões enquanto atravessavam o que parecia ser um corredor infinito. Andaram muito até chegar à referida ala de hóspedes. Contemplou por instantes os ornamentos orientais e antigos, levando a uma viagem no tempo do Japão feudal. Tudo com requinte e suntuosidade que jamais havia visto, apesar de ser de família abastada.
Os empregados, impecavelmente uniformizados, reverenciavam a comitiva que passava. Byakuya sentia um desconforto terrível ao perceber pela visão periférica, que sua pequena irmã não soltava a mão do incômodo convidado. Tessai seguia logo atrás do trio, e por sua longa experiência, sabia que seu mestre estava à beira de um colapso nervoso. Não somente pelo fato de ter que aceitar Kurosaki, mas também pela presença de Rukia.
A aparência cansada da morena e sua palidez denunciava que demoraria muito para sua recuperação. Ichigo não estava em sua melhor forma, mas se esforçava para não transparecer e deixar a garota preocupada. Todo aquele cenário estava deixando o advogado inquieto. Afinal, ali ocorreu um crime gravíssimo e ainda não sabiam quem era o culpado e se poderia atacar a garota. Trazer Rukia para aquele lugar era o mesmo que enviar um sacrifício a um covil de leões. Por mais que tentasse ser otimista com tudo, não estava seguro.
Pararam e Tessai se adiantou para abrir a porta de onde seria o quarto de Rukia.
– Espero que esteja confortável, Kuchiki-sama! Qualquer necessidade que desejar, peça e virão empregados para atendê-la. O quarto de Kurosaki-sama fica ao lado, conforme vossa recomendação, Kuchiki-sama! – falou olhando para Byakuya.
– Não vou ficar em outro lugar que não seja com Rukia – Ichigo cortou frio o mordomo.
Byakuya sentiu a raiva percorrer por seu corpo. Por acaso aquele moleque queria dormir no mesmo quarto da Rukia?
– Meu senhor, deve compreender que para conforto dos dois foram...
– Sem essa, eu e Rukia não ficaremos nem mais um minuto nesse lugar! Ou acatam isso, ou não tem conversa! – soltou franzindo o cenho e cruzando os braços ao peito.
– Mas ora, que audácia, seu moleque encrenqueiro! Onde pensa estar? Na sua casa? – explodiu Byakuya, encarando o rapaz que não recuou um minuto.
– Já havia alertado no hospital, Byakuya-san! Rukia não fica se não for ao meu lado, vinte quatro horas por dia, enquanto estiver nesse lugar! Foi o combinado e não vou aceitar alterações no acordo! Ou isso, ou estamos indo embora!
Ichigo sorriu vitorioso com a feição de espanto de Byakuya. Alguns empregados, que passavam próximos, ficaram chocados com o que presenciavam. Parecia loucura e jamais o senhor da mansão Kuchiki conceberia isso em seu próprio território. Tessai tentava pensar no que fazer para que aquilo não virasse um escândalo, já que percebia o leve tremor de ira de seu jovem mestre.
A pequena Kuchiki não pronunciou uma palavra sequer sobre aquela discussão. Limitou-se a seguir para a cama e se sentar, aguardando o término daquele embate. Estava exausta demais até mesmo para manter uma conversa amena, e por mais estranho que parecesse, confiava em Ichigo. Algo naquele advogado a fazia se sentir segura, mesmo estando no lugar que jamais imaginou voltar. Observou o quarto de tamanho mediano e porte ocidental em que estava. O mobiliário era de madeira nobre e cor escura. O enxoval tinha cor caramelo e desenhos avermelhados na borda dos tecidos. As cortinas que tomavam toda a parede eram feitas do mesmo tecido. Uma pequena fresta da janela aberta deixava a vista à noite estrelada do céu.
Na mansão os quartos principais eram decorados com estilo orienta; somente os de hóspedes e seu antigo quarto eram em estilo ocidental, um capricho de Akemi que amava decoração e design de interiores. Todas aquelas lembranças fez uma pequena lágrima escorrer no rosto pálido, e Ichigo, apesar de estar adorando irritar Byakuya, percebeu a mudança de humor da garota e se aproximou dela, deixando o dono da casa com a frase presa à garganta.
– Rukia? Tudo bem? – falou se ajoelhando ao lado da cama e tomando as mãos dela entre as suas.
– Si-im, es-tou bem! Só... Bem...
– Te traz lembranças de seus pais, certo? Se não quiser não precisa ficar aqui, Rukia. Podemos ir para outro lugar ou voltar para o hospital, o que for melhor pra sua saúde, tudo bem? O que você quiser será feito, ok? – pronunciou com ternura.
Kuchiki e Tessai estavam sobrando naquele diálogo. Byakuya se sentiu triste por não ser o homem quem consolava sua amada irmã adotiva. Queria estar naquele mesmo lugar ajoelhado e segurando aquela delicada mão que ousou tomar enquanto ela lutava contra a morte no hospital. Mas não era ele e sim o impertinente advogado que mal conheciam. Ele estava ocupando um lugar que era dele, ou do ex-noivo da garota, por saber como alcançar seu destroçado coração.
– Contanto que... Que você esteja aqui comigo... – gaguejou pela dúvida em perguntar ou não.
Byakuya a observava detidamente, como se quisesse encontrar todos os sinais de mudanças que ela recebeu durante seu confinamento na prisão. Havia muitas, mas a principal foi a perca daquele brilho especial nos olhos violáceos.
– Sem problema nenhum, correto Kuchiki-san? – questionou altivo ao jovem Byakuya.
Kuchiki quase se entregou ao fortíssimo desejo de assassinar Kurosaki naquele quarto, e com requintes de crueldades, mas foram as lágrimas de sua irmã que o fez desistir da ideia. Assentiu desgostoso, mas sentiu seu mundo aquecer com o abraço delicado da fragilizada Rukia. Ela não resistiu sua própria emoção e o abraçou. Um misto de saudades e reconforto invadiu os dois e o gelo e a barreira criada naqueles dois anos cedeu um pouco naquele instante.
– Arigato, niisama. Arigato gozaimasu! – falou em meio ás lágrimas que caiam com mais ímpeto no rosto pálido.
Tessai sorriu com a cena e agradeceu o ruivo internamente. Por mais desconfortável que era ter aquele estranho rapaz desafiando seu senhor, estava muito feliz por ver os irmãos unidos novamente por conta dele. Aquela casa talvez tivesse vida novamente. Mas como se uma tempestade de notícias malignas se aproximassem, um pigarrear chamou atenção dos quatro.
– Posso saber o que acontece aqui, Byakuya-kun? – Ginrei disse se apoiando na bengala.
Atrás dele, Ichimaru sorria amplamente para Byakuya. Era sabido que o jovem Kuchiki não se entendia tão bem com o braço direito de seu avô.
– Odítchan? Deveria estar descansando em seu quarto. Como já havia dito antes, traria Rukia de volta para o seio da família. Foi o que fiz! – revelou com porte frio.
Rukia observou triste o desprezo no olhar opaco do avô. Nunca recebeu carinho ou atenção de Ginrei, mas sempre teve esperanças de um dia encontrar abertura naquele duro coração. Sempre soube de seu descontentamento em sua adoção. Mas o velho Kuchiki fazia tudo o que seu único filho queria.
Ichigo observou os dois novos personagens da mansão, e não gostou do rapaz de cabelos prateados. Também não teve dificuldade em perceber o sentimento desdenhoso do velhinho para com sua cliente. Aquilo não era bom sinal, sentia que de alguma forma não estariam seguros naquele palacete. Maldizia internamente pela demora de Yoruichi com seus ditos seguranças, outra condição para se manter naquele lugar. Não confiava na segurança da mansão, mesmo porque, foram eles mesmos quem depuseram contra a morena. Sentia um mal estar estranho e seu extinto dizia que era perigoso demais se manter ali.
– Entendo! Bem... Seja bem vinda de volta, Rukia-chan! – soltou com voz vazia.
Ginrei sequer mostrou contato ocular com a garota quando terminou a frase ao ar, deu meia volta e desapareceu nos longos corredores. Gin o seguiu, mas não sem antes menear a cabeça em reverência a Byakuya e sorrir de forma misteriosa para Ichigo.
– Mas o que foi isso? Ele sequer pediu perdão por ter acusado minha cliente! Isso só deve ser brincadeira...
Parou de falar quando sentiu o aperto da mãozinha de Rukia em sua camisa. Byakuya sentiu uma profunda dor em seu peito. Ele também não havia feito o pedido de perdão, queria estar sozinho com a irmã quando o fizesse, mas o ruivo não saia de perto dela. Não teve escolha, e para a surpresa de todos, Byakuya segurou as mãos de Rukia com um leve tremor.
– Rukia-chan, me perdoe por duvidar de sua inocência. Nunca mais permitirei que minhas fraquezas coloquem sua segurança e liberdade em risco! – falou baixinho, quase num sussurro.
Rukia sorriu com lágrimas nos olhos. Sabia do tamanho esforço que seu irmão estava utilizando para pronunciar cada palavra e sentiu a sinceridade delas. Mais uma vez o abraçou, mas dessa vez com mais força e carinho. Por mais medo que sentisse ao retornar aquele lugar, estava valendo a pena por reconciliar com seu amado irmão mais velho.
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– Assim fica muito mais fácil finalizar o que me pediu, né Ginrei-san? – Ichimaru perguntou malicioso ao velho Kuchiki.
Ginrei não disse nada, somente andava com dificuldade pelo corredor, seu ferimento ainda doía muito. Lembrar-se disso o deixou mais irritado. A provável causadora estava em sua casa, e seu neto sequer se preocupou com isso. Não a intimou na polícia e ainda retirou qualquer pedido da família contra a mesma. Estava protegendo Rukia, como um dia seu filho fizera.
Parou em frente ao quarto que ocupava. Estava taciturno e pensativo.
– Deixe-me sozinho, Gin-san! Não faça nada até que minhas ordens sejam dadas – finalizou entrando e fechando a porta atrás de si.
Ichimaru ficou um tempo parado olhando para o chão, mas depois de pensar um pouco saiu como pedido.
Ginrei andou calmamente até a parede atrás de seu futon e empurrou um pequeno quadro onde aparecia um pequeno garoto em seu kimono infantil. Com um ruído arrastado a parede se moveu para o lado e uma pequena passagem surgiu a sua frente. Sorriu com tristeza para uma das passagens secretas que a casa principal escondia. Somente pessoas muito íntimas da família sabiam de sua existência, e tinha quase certeza que seu filho ensinou a Rukia sobre elas. Mas então, por que continuava negando o assassinato de seus pais adotivos? Por que continuava alegando inocência? Não mostraram nenhumas das provas a favor da garota, e sequer o permitiram ter acesso às informações enquanto Urahara não terminasse seu trabalho. Já havia acionado seus advogados para receber as devidas informações sobre o caso, e logo teria a acesso a elas. Ninguém tirava de sua mente que a culpada de tudo era Rukia.
– Amaldiçoada seja, verme desprezível! Minha única lembrança de minha esposa, agora está jazendo no cemitério por sua existência pútrida nessa casa. Maldito dia em que deixei que a trouxessem. Eu jamais irei perdoá-la Tsuki, jamais...
Calou-se ao se lembrar do telefonema estranho de Aizen. Aquela trama era muita mais intrincada do que imaginava. Se por acaso as provas realmente a inocentarem, então a hipótese de Aizen possa ser real e a causa da morte de seu unigênito.
– Isso não tira sua parcela de culpa, Tsuki-chan! Sua entrada a família veio como uma praga danosa a todos. Sua existência é a causa de minha dor – sussurrou colocando a mão a boca.
Uma imagem lhe veio à mente o fez fraquejar. Segurou-se na lateral da parede para não cair. Uma linha fina de suor escorreu por seu rosto sofrido. Então aquela mulher poderia mesmo ser parenta da neta adotiva, como pensou na primeira vez que a viu? Ela também sabia de muitos segredos daquela casa, já que se tratava da esposa do futuro líder da família Kuchiki.
– Impossível... Ela está morta! Eu mandei matá-la...
Mais uma vez parou de falar, dessa vez por conta da garganta seca. A única diferença nas duas mulheres eram a cor de olhos e a altura. Hisana era um pouco mais alta que Rukia, mas parava ali as diferenças. A aparência de ambas eram como se fossem irmãs gêmeas, mas Hideki não quis realizar uma investigação sobre a dita mulher em relação a sua filha. Ele temia ter que deixá-la ir para sua família biológica. Além do que, Hisana jamais disse que possuía irmãos, sendo de uma família abastada em crescimento financeiro e em busca de alcançar títulos de nobreza para ostentar sua riqueza na sociedade japonesa.
Descartou com um menear de cabeça. Aquilo era inverossímil e fantasioso demais. Ele esteve no funeral e viu o corpo inerte de sua neta de consideração. Não havia como estar envolvida nisso, já que faleceu quase um ano antes de seu filho e nora serem assassinados.
– Bobagem! Estou precisando mesmo descansar. Já estou fantasiando como um policial de romance. Não! Terei minha vingança contra a morte de meu filho, e será essa pequena lua quem sofrerá as consequências de minha dor! – finalizou fechando a parede através da alavanca que tinha na ponta da mesma.
O quarto ficou vazio e silencioso novamente. Um suave soprar do vento invadiu o lugar, como um sinal de mau agouro para o lar dos Kuchiki.
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Vocabulário
Odítchan – Avô em japonês.
Notas finais
¬¬ É estou ficando velha mesmo. Aiai!*_*
Um grande a braço a todos vocês! Que este ano que entra seja cheio de boas surpresas e realizações a todos nós! Kissus,
JJ
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