Vingança

2 Advogado


Notas iniciais
Aqui vos deixo mais um cap!Sem revisar, mas antes de postar o próximo semana que vem eu reviso! Um beijo ultra especial as minhas adoradas leitoras que não me deixam nunca na mão: Jujy, RukiaBleach e Feh Nanda. Estou aguardando outros reviews (isso te inclui senhorita Clara ><... mas não pare de estudar,viu?). JJ

— Tóquio, escritório Kurosaki. Quem diria? Será a mesma pessoa?

Unohana seguiu seu caminho um pouco duvidosa ao adentrar o prédio espelhado que tinha à frente. Passeava um pouco, desconsolada, pela bela cidade, quando uma placa prateada lhe chamou atenção. Queira verificar se realmente era quem estava pensando. Só de fazê-lo vinha um sentimento saudosista. Não demorou muito, e graças à informação do educado segurança estava no sexto andar em frente a uma porta com o sobrenome que conhecia. Tocou levemente a campainha e uma bela atendente saiu com um sorriso encantador.

— Bom dia! Sou Ise Nanao, em que posso ajudar?

A mulher de aparência jovem e impecável alinhamento social lhe ofereceu caminho para dentro do enorme escritório. Havia alguns quadros de paisagens nas paredes de tom bege. O mobiliário era moderno e de cor escura, contrastando com os vasos altos de folhagens coloridas. Uma mesinha de centro convidava para tomar o conteúdo fumegante do pequeno bule que fazia conjunto com as delicadas xícaras de procedência chinesa. Existiam mais três outras portas, que ocultavam seu interior por estarem fechadas. Nanao aguardou a senhora entrar e esperou que se apresentasse.

— Retsu Unohana, prazer em conhecê-la Ise-san. Pode parecer estranho, mas fiquei curiosa com o sobrenome do dono. Perdoe-me, mas é um escritório de advocacia?

Um brilho de esperança assomou no olhar daquela estranha senhora. Seus longos cabelos estavam alinhados em uma trança, mas que fora do usual era colocado à frente do corpo, trançada no próprio pescoço, o que deixou a jovem atendente mais curiosa com a figura maternal que ela representava.

— Sim, o senhor Kurosaki Ishin é o responsável... Algum problema? Está se sentindo bem? – Ise perguntou aflita já que a visitante agora estava trêmula e com uma mão tapando os lábios.

Os olhos pareciam encher-se de lágrimas e Unohana teve que sentar-se no macio estofado de couro que tinha próximo da entrada. Nanao tomou uma xícara com um pouco do chá e levou-a para a Retsu. Levaram-se alguns minutos até que ela estivesse mais calma.

— Por Deus! Isso não pode ser uma coincidência. – sussurrou a uma atenta Nanao que teve que puxar os óculos para não derrubá-lo ante a própria curiosidade — Sou uma conhecida dele. Por favor, teria como me anunciar... Se não for incomodá-lo, claro? – soltou mais animada.

Ise pensou um pouco. Isso não era muito comum num movimentado escritório como aquele, mas não custava ajudar. Foi até a porta situada no meio, adentrou e logo retornou com um sorriso no rosto.

— O senhor Kurosaki está aguardando!

Dirigiu-se a uma pequena mesa que tinha um notebook vermelho.

Unohana levantou-se e com um suspiro seguiu até a sala. Não demorou a ver o rosto conhecido e sorrir.

— Não acreditei em Nanao-chan, mas não há duvidas. Como está, Unohana-san? Que alegria ver um rosto amigo depois de tantos anos. Quantos mesmo? Vinte anos? Você não mudou nada. Continua lindíssima!

Galante Ishin Kurosaki deixou sua cadeira executiva para beijar a mão de sua antiga amiga. Vestido em seu terno azul marinho, camisa amarela clara e uma gravata de mesmo tom do terno, Ishin mostrava que ainda mantinha todo o charme que Unohana conheceu há anos atrás.

Abraçaram-se e Ishin ofereceu a cadeira oposta em sua mesa. Ofereceu chá e café, mas que foi gentilmente rejeitado pela amiga.

— Vinte anos? Não mudou nada também, Ishin-san! Como está Masaki-san? E seu menino, já deve ser um homem bonito? Vinte e cinco se não me engano?

Mais animada com o reencontro, explodiu sua própria curiosidade com o velho companheiro.

— Minha doce Masaki está ótima. Tenho duas filhas agora, Karin e Yuzu. Lindas, precisa conhecê-las. Meu moleque é um rebelde sem causa, mas trabalha aqui comigo. Hoje ele não está, pois saiu para verificar alguns negócios. Nossa... Tenho tanta coisa pra perguntar! Como está seu irmão Yoshida?

E entravaram uma conversa demorada para colocar as novidades em pauta. Depois de algumas horas, a expressão de Unohana mudou para uma mais triste, percebida em seguida pelo advogado brincalhão.

— Ficou sabendo da morte dos Kuchiki?

A forma fria e automática que a amiga falou, alertou o Kurosaki que se levantou e tomou as mãos nas suas ajoelhando-se ao seu lado. As lágrimas voltaram ao belo rosto que apesar da idade não denunciava o efeito do tempo.

— Sim, minha querida. Sinto muitíssimo. Lembrei-me de você quando ouvi sobre o caso há dois anos. Realmente uma pena. Não sabia se ainda trabalhava pra eles, e quando liguei não obtive retorno ou resposta dos empregados da mansão. Que lástima terrível o que aconteceu – falou um pouco sussurrante, como se não quisesse que mais ninguém ouvisse, Ishin continuou — Foi mesmo a filha deles quem fez isso?

Unohana levantou-se com olhar furioso.

— MINHA MENINA JAMAIS FARIA UMA ATROCIDADE DESSAS!

E mais lágrimas saíram, sucumbindo o corpo pesado na cadeira e soluços como acompanhamento.

Ishin ficou atordoado, pois não sabia como reagir. Tudo o que sabia fora a própria mídia quem informou anos atrás. O caso ficou exposto na TV por meses, até a suposta culpada ser presa na Sereitei e nenhuma notícia mais sobre a mesma. Mas ver a expressão derrotada da antiga amiga, ao qual sabia a força e coragem que tinha o deixou duvidoso quanto àquela informação proclamada.

— Então... Acredita que ela seja inocente? Desculpe-me, mas não conheço muito sobre ela, mas pelas provas...

Ficou inerte quando o olhar ferino de Retsu lhe cravou. Conhecia muito bem o que aconteceria se continuasse.

— Minha menina não é uma assassina. E não teve nenhuma prova conclusiva contra ela. A não ser uma: ser adotada. A família Kuchiki nunca a aceitou, e quando meus senhores foram mortos, ninguém quis verificar quem era o verdadeiro assassino. Eles a jogaram na prisão como sempre quiseram – falou mordaz e cheia de mágoas.

— Bem... Entendo minha querida, mas como posso ajudá-la? Ela deve ter algum advogado, certo?

A negativa da amiga o deixou pasmo. Era uma aristocrata, não teria um apoio? Não. Como bem lembrou Unohana, ela era só uma criança adotada.

— Precisa me ajudar, Ishin. Por favor! Ela nem sequer teve chance de se defender. O advogado que a auxiliou foi contratado pela família e a abandonou assim que encontraram algumas digitais no quarto. Meu Deus... Ela vivia naquele quarto. Era o quarto dela, claro que teria as digitais dela em todo lugar. Isso não prova nada... Nada.

E voltou a chorar.

Apesar da confusão em seus pensamentos, Ishin jurou a si mesmo que ajudaria a jovem que sua amiga tanto amava.

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— Cara, você já não acha que usou bastante por hoje?

Hirako não costumava arguir seus colegas quanto ao uso das drogas, mas o ruivo já estava muito drogado com a última dose.

— Não enche Shinji. Já usei essa quantidade antes. Além do mais isso não é crack, então vai ver se eu estou na esquina e me deixa sair um pouco desse mundo chato.

Ichigo puxou a manga da camisa social branca ate o máximo permitido de seu braço. A agulha com o liquido estranho e viçoso foi espetado na pele morena e firme do rapaz. Uma onda de calor percorreu do local da injeção ate as pontas dos pés. Não demorou muito para estar completamente “ligado”.

Hirako rodou os olhos e deixou o companheiro e amigo terminar seu próprio martírio. Usavam drogas há algum tempo e sentia que estavam perdendo o controle para elas. Estavam no apartamento do companheiro de balada, num bairro um pouco afastado do centro de Tókio. Os dois quartos eram ocupados por dois casais que com certeza não faziam nada além de se drogar e fazer sexo.

Ichigo estava na sala com sua própria viagem, deitado no sofá com a pequena mesinha de centro recheada de pó e algumas ampolas contendo drogas. Hirako seguiu para a cozinha americana que precisava urgente de uma limpeza, já que parecia ter sido esquecida por seus habitantes. Abriu a pequena geladeira branca, o único objeto limpo da cozinha, e tomou uma latinha de cerveja. Sorriu ao lembrar-se que há alguns anos atrás, esse era o maior pecado que possuíam. Afinal eram filhos de pessoas ricas, e alcoolismo não fazia parte de uma boa educação.

Um grito feminino ecoou em todo o apartamento o que fez o loiro franzir o cenho. Estava ficando irritado com a vida em que levavam. Voltou para o amigo que já sentia o efeito colateral da droga. O rosto estava encharcado de suor e os lábios roxos. Parecia ter dificuldade de respirar. Os olhos cor de mel estavam arregalados o bastante para saltar do rosto. Uma cena realmente deplorável. Esperou o ruivo recuperar-se e tentou fingir não escutar os gritos em coro dos dois quartos. Parecia que o festim estava mais animado que de costume. Terminou a latinha e jogou no canto do sofá onde Ichigo estava sentado. Estalou o beiço e tomou o controle da televisão para ligá-la em qualquer canal o mais alto que ela podia.

— Ei! Dá pra abaixar o som? Minha cabeça está estourando, Shinji. Droga! Desliga essa merda, droga!

E lá estava a irritação ensandecida de Kurosaki que tanto odiava. Sempre acontecia depois que ele se drogava. Shinji ignorou o ruivo e começou a trocar de canal sem parar. Mais um urro inundou o lugar, mesclado com o barulho da TV. Ichigo com raiva de ser ignorado pegou a enorme TV de plasma e a sacudiu no chão. O estrondo chamou atenção e quatro pessoas nuas se fizeram presentes para ver o que ocorria.

— Polícia?

Uma ruiva escultural apareceu acompanhada de um rapaz esbelto. Tinha apenas um lençol cobrindo parcamente o corpo bem feito. Tinha seios enormes, e os cabelos longos ruivos tapavam um pouco a nudez da mesma. Parecia uma menina, mas já tinha o bastante para uma mulher muito vivida. O rapaz de olhos arroxeados e cabelos de mesma cor estava em sua forma impecável. Nu e não parecia se importar. Veio mais porque a ruiva insistiu. Do outro lado, uma garota de corpo pequeno e delicado se escondia atrás de um rapaz que parecia ter saído do colegial. Os cabelos brancos e rosto infantil contrastavam com a irritação que demonstrava. Ambos tinham um lençol cobrindo o corpo. Esse era o grupo de sempre e fez Shinji se irritar mais com a patética situação em que estavam. Ainda faltavam outros, mas esses eram seus amigos mais próximos. Todos de classe média e alta.

— Parece que foi mais um surto idiota de Ichigo! Não falei, Momo! Vamos voltar antes que a gente pegue um resfriado por ficar aqui exposto!

O garoto pegou com violência a mão delicada de Momo Hinamori e a arrastou de volta para o quarto.

— Shiro-chan... Está me machucando!

E um baque de porta se ouviu atrás dela. O outro casal aliviou a própria expressão. A ruiva aproximou-se de Kurosaki e o abraçou pelas costas. O rapaz ainda respirava com dificuldade. Rechaçou-a de forma brusca e voltou ao sofá com cara emburrada.

— Deixa, Orihime. Isso é por causa da droga que ele usou. Kurosaki é fraco pra qualquer coisa. Vamos continuar onde paramos. Ainda tenho um projeto a terminar.

O rapaz esbelto voltou-se para o quarto vazio. Os olhos cinzentos da jovem pareceu mostrar tristeza ao ver o ruivo com uma aparência acabada.

— Claro, Ulquiorra-san. Também tenho que voltar pra clínica. Se quiser qualquer coisa me fala, tá Kurosaki-kun!

E num giro de calcanhar voltou-se para o quarto que foi trancado atrás de si.

Hirako bufou irritado.

— Quanto tempo vamos ficar nessa estupidez, Ichigo? Acha isso legal? Gosta dessa droga de vida que estamos sofrendo? Não vejo mais graça nenhuma. Estou indo. Sabe onde me encontrar.

E quando estava com a mão na fechadura da porta da sala ouviu o comentário do melhor amigo.

— Vai correr pro consultório do papai, Shinji? Ah! Não passa de um filhinho de papai idiota. Se não quer, não venha dep...

O soco levado o fez ser jogado do sofá. Esfregou irritado a bochecha que iniciava a vermelhidão por onde fora machucado. Estava espantado com a revolta do amigo que conhecia desde pequeno.

— Odeio esse Ichigo. Prefiro meu amigo que tinha vergonha na cara e sonhos. Quando irá acordar pra vida, Ichigo? Você é tão igual quanto ela sabia? Não... Acho que atualmente ela é melhor que você.

E sem esperar resposta saiu, batendo a porta atrás de si.

O jovem Kurosaki cuspiu um pouco de sangue e tentou arrumar a calça jeans surrada. Esfregou os cabelos de tom laranja e bufou irritado. Seus olhos tristes denunciavam a dor que tais palavras despertavam.

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— Onde você estava Ichigo? Liguei o dia todo para seu celular e nada. Mas deixa pra lá. Precisamos ir para Narita tomar um avião. Temos um caso importante!

Ishin resolveu esquecer pelo momento o atraso do filho. Já tinha em mente o motivo, mas teria que trabalhar isso se não quisesse perder o rapaz. Ichigo, que agora vestia terno preto e camisa azul, parecia mais calmo que há horas atrás. Sentado à frente da mesa do pai, parecia não perceber o que o mesmo falava.

— Ok! – foi tudo que soltou.

Levantou-se para pegar a maleta no próprio escritório, que ficava ao lado esquerdo. Cruzou com Nanao, mas passou direto como se não a tivesse visto. Um suspiro da jovem foi ouvido pelo mais velho dos Kurosaki.

— Tem certeza que quer levá-lo, Ishin-san? Ele não parece muito interessado.

Sempre era direta com o chefe que já conhecia há mais de cinco anos, desde que iniciou a faculdade de direito. Ishin soprou irritado com a resignação de que concordava com a jovem.

— Quem sabe não consigo trazê-lo de volta pra luz. Desmarque qualquer entrevista de hoje e amanhã. Ligue para minha casa e confirme minha viagem. Liguei de manhã, mas Masaki não tinha muito tempo, portanto não expliquei o motivo da viagem. Estarei em Sereitei à noite para uma reunião rápida com o diretor. Confirmou minha visita à presidiária? Como é fora do horário de visita, preciso de uma aprovação! – soltou rápido arrumando a própria maleta com a documentação entregue por Retsu em sua visita de manhã.

Ise confirmou com a cabeça e ajudou o Kurosaki a arrumar toda a papelada e processos grossos amarrados com barbante.

— Claro! Pode ir sossegado que aviso Masaki-san! – pontuou para acalmar o mais velho.

Ichigo apareceu arrumado e de maleta na mão. Novamente não falou nada, somente esperou o pai para pegarem o carro para seguir ao aeroporto.

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Prisão Feminina de Sereitei, ala norte...

— Levanta pirralha Tsuki. Você tem visita! – a policial falou áspera para surpresa de Rukia que estava tentando dormir na cama abaixo da de Saya.

Outras duas bi camas presas na parede formavam o quarto-cela. Um pequeno banheiro sem porta, contendo unicamente um vaso chumbado no chão finalizava a decoração. Rukia levantou-se assustada. Nunca recebeu visita àquela hora antes. Eram quase dez da noite. Só tinha uma pessoa que a visitava uma vez por semana, e era sua querida babá e amiga, Retsu Unohana.

— Quem? – soltou com receio.

— Seus advogados! Arrume essa cara e tente esconder essas escoriações. Senão irão pensar que nós somos as que batemos em você! Pegue uma roupa e vá tomar banho nos chuveiros. Te dou quinze minutos para estar pronta e com cara de gente.

A policial saiu, recebendo alguns assobios de jovens que acordavam com a visita noturna inesperada.

— Ficou importante, Kia, meu amor? Parece que alguém te ouviu lá em cima.

Riu Saya com alegria. Apesar de tudo era a que mais torcia pela morena, mesmo sem demonstrar.

— Advogado? – gaguejou tentando compreender tal palavra que há algum tempo havia esquecido existir.

Notas finais
E corta!Gostaram? Não sei, ainda não estou satisfeita!Mas terei tempo para arrumar aqui e ali!Não esqueçam a review!Não me deixem aqui roendo minha adoradas unhas... Beleza? Mega kissus, JJ