Vingança.

2 Capitulo 1


Notas iniciais
Ficou um pouquinho grande, kk Mas é porque teve duas lutas em um capitulo... Leiam, acho que vão gostar :3

Morgana acordou sobressaltada e ofegante, mas se acalmou ao ver seus livros na prateleira da parede oposta e as velhas cortinas em tom de vinho balançado levemente com a brisa da rua. Estava em seu quarto, toda a angústia que sentira momentos antes não passava de um mero pesadelo, levantou-se sonolenta e abriu as cortinas, observando o céu escuro acima dela. Voltou para dentro e olhou o relógio em cima do criado mudo ao lado e percebeu que tinha acordado muito antes do despertador. Cansada, sentou na borda da cama e deixou escapar um longo e profundo suspiro enquanto, por algum motivo, tentava lembrar-se de seu pesadelo.

Por mais que uma parte dela não quisesse lembrar, outra parte insistia que aquele pesadelo, poderia de alguma forma, ajuda-la em sua vingança contra os Zarkov’s, mas Morgana ficava em duvida sobre isso, ela sabia que tinha sonhado com o pai, e isso não era ruim, ela gostava de sonhar com o pai, era a única maneira que ela tinha de poder revê-lo, mas ela lembrava alguma coisa sobre morte, embora não soubesse se era a morte do pai, ou se era o pai a matando, e isso, além de ser muito ruim, não servia para nada além de atiçar sua raiva contra as criaturas.

Afastou o pensamento e ficou observando o quarto. Morava ali há dez anos e nunca tinha reparado na simplicidade do lugar, todos podiam decorar o quarto de acordo com suas preferências, mas Morgana nunca tinha feito nenhuma mudança, afinal, diferente dos outros, gostava do lugar do jeito que era originalmente: A cama ao lado da janela, o criado mudo ao lado da cama e embaixo da janela, um baú na ponta da cama que usava para guardar seus sapatos, uma cômoda simples ao lado da porta que servia como roupeiro e uma pequena mesinha de escritório na parede oposta da cama com os livros em uma prateleira logo acima.

Ainda pensativa Morgana deitou a cabeça no travesseiro e ficou olhando para o teto por um longo tempo, esperando que o sono viesse, ela sabia que teria que ficar bem descansada, pois um longo dia a aguardava. O primeiro dia dos quatro piores no ano. Eram os dias em que suas habilidades seriam testadas, assim como as habilidades de todos os outros. Durante os quatro dias ocorriam lutas na arena, em que os professores observavam e avaliavam cada aluno.

Todos costumavam ficar ansiosos por esse dia, menos ela. Já tinha participado de inúmeras lutas desde que chegara e conhecia o seu potencial, mesmo que nunca ganhasse esses torneios, os professores também conheciam esse potencial e todos os anos lhe pediam para que mostrasse do que era capaz, para assim dar um incentivo ao resto dos alunos, mostrando o quão poderosos podiam ser, mas ela simplesmente balançava a cabeça negativamente e dava de ombros, voltando ao que quer que estivesse fazendo.

Entediada, Morgana levantou novamente e foi até a janela, observando as árvores na floresta lá fora. E só então, percebeu que há tempos não via sua antiga amiga, nem sabia se ela ainda estava dentro das muralhas da escola. Assim, decidiu descer e ir procura-la. Como ainda faltava muito para o amanhecer, Morgana não se importou em trocar de roupa, todos ainda estavam em seus quartos, dormindo, ninguém a veria. Fora que, não poderia abrir as gavetas sem produzir barulho, então, colocou apenas sua capa que estava na ponta da cama para proteger-se do ar gelado da madrugada.

Saiu do quarto e foi até a escada pé ante pé, tentando ao máximo, não fazer barulho, desceu até o térreo iluminado por apenas algumas das tochas nas paredes e saiu porta afora. Olhou para o lado e avistou o castelo, ele parecia quase tenebroso naquela noite sem lua, mas nada que pudesse realmente assustar. E a sua esquerda ficava a arena, onde aconteceria o torneio, estremeceu ao pensar que teria que lutar em menos de vinte e quatro horas e que teria que ver o ar de desaprovação de seus professores.

Foi até o começo da floresta e passou pelas primeiras arvores, quando se deu conta que talvez fosse perigoso andar por ali de noite, deu meia volta e caminhou até um banco na frente do pequeno prédio de dois andares onde ficavam os dormitórios, e sentou-se, assoviou fracamente torcendo para não acordar ninguém e ficou esperando pelo que pareceram horas até que avistou o animal dentre as arvores da floresta a sua frente e não conseguiu conter um sorriso ao ver a loba branca de olhos azuis se aproximando. Saphira baixou a cabeça como que em um cumprimento e sentou-se aos pés de Morgana.

– Oi pra você também... Estava com saudades. – Ela sussurrou com uma leve risada e abraçou o pescoço do animal – Vem, vamos entrar. Você me fez esperar demais e agora estou com sono.

Ao dizer isso, Morgana levantou e foi em direção ao prédio novamente com Saphira atrás dela, parou na porta e olhou para o animal, fez um sinal com o dedo indicador nos lábios, pedindo silencio. Não sabia se ela tinha compreendido, mas entrou logo no aposento e subiu para seu quarto.

Abriu a porta e Saphira imediatamente entrou no quarto e pulou na cama, Morgana deu uma ultima olhada no corredor, mas logo foi atrás do animal. Atirou-se ao lado de Saphira e ficou-lhe acariciando os pelos até pegar no sono.

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O despertador ao seu lado finalmente tocou e Morgana o desligou preguiçosamente. Levantou, arrastou os pés até a cômoda e abriu uma das gavetas, pegou uma calça jeans qualquer e uma blusa azul celeste, quando lembrou que hoje era o torneio, ou seja, teria que se vestir formalmente, como uma maga. Desanimada, tocou as roupas dentro da gaveta novamente e a fechou. Abriu a gaveta de baixo e pegou uma saia longa verde escura da mesma cor de sua capa e uma regata marrom, de um tecido grosso, semelhante a couro.

Tirou a camisola e a capa e jogou tudo em cima da cama, relutante, colocou a saia e em seguida a regata, foi até o baú na ponta de sua cama e pegou suas botas de couro, sentou na cama ao lado de Saphira, colocou os sapatos e a capa novamente. Levantou, foi até a cômoda e pegou seu cajado, que estava encostado ao lado do móvel.

Chamou Saphira, que ainda estava deitada em sua cama e abriu a porta do quarto. Agora, bem diferente de algumas horas atrás, os alunos de diversas raças transitavam pelo corredor do dormitório, animados e provavelmente ansiosos pelo torneio. Queria procurar John ou Lucy para irem juntos até a arena, mas não estava disposta a ficar vagando entre a multidão de alunos. Com uma ultima olhada, tentou encontrar seus amigos, mas não obteve sucesso. Deu de ombros e desceu as escadas em espiral até o térreo, onde esperava ficar até todos estarem prontos, mas o andar de baixo estava tão cheio quanto o de cima.

Morgana abriu caminho por entre os alunos e saiu do aposento. Com os olhos semicerrados por causa do Sol, foi andando pela estrada de chão batido em direção ao castelo com Saphira ao seu lado. Entrou no corredor principal — um grande corredor que atravessava todo o castelo -, e ficou parada um instante, se acostumando com a pouca luminosidade ali dentro.

Observou o lugar e sorriu satisfeita, como esperado, não havia ninguém além dela, passou pelas varias portas uma atrás da outra com os passos ecoando no ambiente e parou nas escadas que se encontravam no fim do aposento. Subiu-as apressada, virou e subiu as escadas da direita novamente, observou o saguão e a estatua no meio dele, os olhos de pedra da primeira diretora a encaravam fixamente. Morgana não sabia por que, mas aquela estatua sempre havia lhe dado medo, a senhora aparentava estar cansada, mas mantinha uma postura firme e o olhar duro e bravo, por varias vezes Morgana imaginou o que teria acontecido com ela, afinal, até onde sabia, todos ali eram imortais a não ser que usassem mais energia do que fossem capazes ou que fossem atacados com a mesma ou por um Zarkov... Era para todos terem vida eterna. Mas, alguma coisa havia acontecido com aquela diretora e por mais que Morgana pesquisasse nunca conseguiu descobrir, ninguém na escola parecia saber.

Passou por varias salas e entrou na ultima porta, na biblioteca. Transitou um tempo pelas estantes e foi até um canto onde normalmente ficavam os livros novos, mas desfez o sorriso ao ver que não havia nem sequer um único livro ali. Procurou a bibliotecária para que pudesse perguntar quando chegariam livros novos, mas não a encontrou, pelo visto, nem mesmo a bibliotecária estava no castelo, o que era raro.

– Deve estar no torneio... – Resmungou revirando os olhos enquanto saia de lá.

Caminhava em direção à arena desanimada, torcendo para que não precisasse lutar hoje. Não estava com a mínima disposição para isso. Saphira caminhava ao seu lado, mas ela não poderia entrar na arena, então Morgana afagou levemente sua cabeça e a mandou ir para floresta, para em seguida continuar seu caminho até a arena.

Ao chegar, ela notou que uma luta já havia começado, era Jenny, uma vampira, contra Tommy, um demônio. Jenny estava com vantagens evidentes, alta e bonita, com seus cabelos louros esvoaçando a cada golpe, não usava espada, preferia lutar de mãos nuas, usava apenas sua armadura, um pouco amassada em um dos cantos e evidentemente polida de maneira desleixada, não continha adornos, era provavelmente a mais simples que Morgana já vira, e mesmo assim, a beleza da garota não diminuía nem um pouco. Morgana imaginou-se naquela armadura e riu ao perceber a careta que havia feito, era melhor deixar a armadura com Jenny, ficava muito melhor. A venustidade da garota certamente estava deixando Tommy confuso, o garoto baixinho e gordinho era novato ainda, não tinha muito controle sobre suas habilidades, Morgana tinha certeza que mais algum tempo de treinamento e o garoto derrotaria Jenny talvez até com certa facilidade. Demônios eram uma raça rara e poderosa, tanto quanto os magos, se não até mais, os alunos não podiam simplesmente escolher ter o sangue de um demônio, eles já nasciam assim, só não tinham as habilidades desenvolvidas. Mas, por enquanto Tommy estava perdendo feio e a beleza de Jenny ainda parecia desconcentrar o garoto mais ainda. Morgana abafou uma risadinha e desviou os olhos da luta, no fundo ela até sentia pena de Tommy.

Subiu a arquibancada e olhou ao redor, procurando por Lucy e John, os avistou há apenas alguns metros de distancia e foi até eles. Lucy estava concentrada na luta, com seus cabelos louro-prateados presos em uma trança, estava vestida como uma fada, parecia ter saído dos livros, ela era a única que realmente lembrava uma verdadeira fada, tinha as feições do rosto que lembravam os elfos e fadas da mitologia, ficava muito bonita quando se vestia daquela maneira, mesmo que achasse que aquelas roupas de fadas costumavam ser curtas até demais.

A garota não tirava a atenção da luta, mas ainda assim foi a primeira vê-la, acenou com um sorriso simpático, fez um gesto para que se juntasse a eles e rapidamente voltou a olhar para o centro da arena, onde Tommy tinha acabado de tentar desferir um soco na barriga de Jenny, mas infelizmente não teve sucesso e acabou levando um soco no rosto. Morgana sorriu e sentou-se ao lado da garota, que dava risadas nada discretas cada vez que Tommy levava um golpe.

Morgana não queria ficar olhando a luta, bem diferente de Lucy, ela gostava de lutar, mas não gostava de vê-las. Só não gostava de ser vista lutando, por isso não queria participar do torneio, sentia-se como se fosse um animal de circo, fazendo seu melhor apenas para agradar a plateia.

Estava fazendo uma pequena replica de Saphira com o gelo, quando notou que John tinha saído do lado de Lucy e agora estava sentado ao seu lado.

– Ficar com a Lucy durante uma luta é muito chato, ela quase nem fala comigo! – John se esforçou o máximo possível para parecer triste, mas logo soltou uma risada e Morgana não conseguiu evitar um sorriso.

– Você deveria falar mais sabia? Falar faz bem. Acho que você passa muito tempo lendo. – Ele disse com um sorriso irônico e a examinou de cima a baixo. – Alguém já te disse que você fica ótima nessas roupas de feiticeiras? É sério, eu gosto delas, são bonitas.

– Você me diz isso todo o ano John... – Ela murmurou com um sorriso discreto. – E eu não falo muito porque você já fala o suficiente por nós dois.

– Ah, verdade, mas...

– Prestem atenção na luta vocês dois! Olhem isso, Tommy acabou de tomar um choque da Jenny! – Lucy o interrompeu enquanto apontava rindo para o garoto eletrocutado no chão.

– Lucy, você sabe que não é nada educado ficar rindo assim dos outros. Se continuar vou ter que chamar certa pessoa pra te acalmar. – Morgana arqueou uma sobrancelha fazendo o possível para não sorrir quando as bochechas da garota ficaram vermelhas. John desatou a rir quando viu o rosto de Lucy envergonhado e Morgana deu um tapa em seu braço para que ele se controlasse.

– Não, não! Eu paro! Mas fica sentada ai Morg, por favor! — Ela falou tão apressada que mal dava para entender suas palavras, mas Morgana estava acostumada com isso, já que toda vez que Lucy ficava com vergonha ou nervosa, começava a falar rápido e misturar as palavras.

Lucy era apaixonada por um garoto chamado Lyon, um vampiro como Jenny. Ele realmente era muito bonito, tinha cabelos castanhos e olhos verdes que ficavam vermelhos quando estava irritado – O que acontecia frequentemente –. Ele era legal e simpático, mas levava quase tudo para o lado pessoal e estava sempre causando problemas. Lucy nunca tinha nem sequer falado com o garoto, mas desde que ele havia chegado morria de amores por ele.

Enquanto John e Morgana riam do rosto envergonhado de Lucy, a luta de Tommy e Jenny já tinha acabado e algumas pessoas tiravam da arena o corpo do garoto eletrocutado inconsciente. A diretora anunciava os próximos combatentes e subitamente, o sorriso de Morgana se desfez ao ouvir seu nome, Lucy e John também tinham parado de rir, mas se forçavam a continuar sorrindo, tentando encorajar a amiga, eles sabiam o quanto Morgana odiava lutar em torneios.

Morg desceu para arena, mas deixou o cajado com John e Lucy. Não tinha intenção de usar seu cajado, mesmo sem ter ouvido quem seria sua oponente, até porque não tinha interesse de saber. Ficou no meio da arena encarando a diretora, que sorria para Morgana em um pedido de desculpas, sabia que ela não gostava de lutar logo no primeiro dia, muito menos ser uma das primeiras a lutar.

Do outro lado da arena Tsurara caminhava com seu machado na mão em direção ao centro, seus longos e lisos cabelos ruivos e olhos felinos encarando Morgana fixamente. Ela era antiga na escola, era tão poderosa quanto a Morgana, porém diferente da feiticeira, a Firefox não se importava nem um pouquinho em mostrar seu potencial.

Pôde ouvir Lucy prender a respiração quando Tsurara entrava na arena, e virou para ver a amiga, que encarava a oponente de Morgana assustada. Lucy tinha lutado com ela há alguns anos atrás e não tinha boas recordações disso, Morg acenou para amiga e lhe abriu um sorriso confiante para logo depois voltar sua atenção na arena novamente.

Morgana se colocou em posição de luta, quando sentiu alguma coisa atingindo sua cabeça, sentiu uma leve dor e olhou para trás novamente, procurando o que a tinha acertado, quando viu seu cajado no chão, pegou-o e olhou para cima, onde John e Lucy estavam, encarou Lucy com frieza e viu por um breve momento, medo nos olhos da garota, mas a mesma logo abriu um sorriso evidentemente forçado e desviou o olhar. Morgana bufou brava e se virou para Tsurara com o cajado na mão.

– Vai lutar com o cajado? – Tsurara abriu um sorriso satisfeito. – Então parece que essa luta será interessante...

Dito isto, ela fez sua transformação, com garras afiadas, uma cauda flamejante e duas orelhas na cabeça, que aguçavam sua audição.

Morgana não disse nada, apenas suspirou e se preparou para luta, faria o possível para não usar o cajado e terminar a luta o mais depressa possível.

O gongo soou alto e rapidamente Tsurara veio em sua direção, tentando desferir um golpe em seu braço com o machado. Por sorte, Morgana tinha bons reflexos, assim desviou do golpe com certa facilidade e contra atacou acertando um chute na barriga da garota, para que ela se afastasse um pouco, mas quase que ao mesmo tempo em que ela foi jogada para trás, se aproximou novamente e conseguiu cortar o ombro de Morgana com suas garras, assim, Morgana teve que se afastar por causa da dor e colocou o cajado na sua frente.

– Ayre Kinesis – Morgana murmurou e a ponta do cajado tomou uma cor arroxeada. Ela nunca tinha sido ferida em tão pouco tempo de luta, e não poderia facilitar as coisas para a Firefox, era difícil admitir, mas Morgana era muito orgulhosa, mesmo que perdesse as outras lutas, todos sabiam que ela não estava nem sequer esforçando-se. Mas, desta vez era um pouco mais sério, aquela garota ganhava a maioria das lutas, não que fosse muito poderosa, mas tinha talento e experiência com lutas... Infelizmente tinha se distraído demais pensando e percebeu tarde demais que Tsurara retribuía o chute na barriga, ela tentou recuar novamente, mas não adiantou muito, só conseguiu fazer com que o impacto não fosse tão forte. Morgana sentiu uma dor imensa na boca do estomago quando percebeu que o chute da garota tinha vindo com fogo junto, sua blusa fumegava e ela ainda sentia seu ombro latejando. Lenta demais, lenta demais. Morgana pensou fazendo uma cara de desaprovação. Concentre-se garota.

– divinae sanationes maximum. – Os ferimentos no corpo de Morgana se transformaram em cicatrizes, embora ela ainda sentisse fortes dores. – Proluit Spiritus.

Morgana também começou a usar magia, ela sorriu desafiadora, mas o sorriso logo se transformou em uma careta por causa da dor. Colocou a mão na barriga respirando com dificuldade, mesmo que os ferimentos não estivessem abertos, a dor que sentia era praticamente a mesma. Mas Morgana sabia que, a menos que Tsurara a fizesse ficar muda, não teria como vencê-la, conhecia inúmeros feitiços, contra o fogo – Principalmente contra o fogo — e qualquer outra coisa e a Firefox não conseguiria ganhar.

Um redemoinho de ar se formou em volta de Tsurara, impossibilitando-a de usar fogo por pelo menos um tempo, até que se recuperasse. Quando o redemoinho se dissipou Morgana viu Tsurara de joelhos na arena tossindo e arquejando, mas ela pôs-se em pé rapidamente e correu em direção a Morgana, tentando atacar-lhe o braço com uma mordida, mas Morg foi mais rápida e fez uma barreira de energia antes que Tsurara a alcançasse, a impedindo de mordê-la. Ficou observando a garota tentando passar pela barreira enquanto pensava no que fazer, então, notou o machado da garota lá atrás, onde a tinha prendido no redemoinho, segundos antes, provavelmente tinha ficado sem forças para pegar o machado ou simplesmente o tinha esquecido ali.

Utilizando a telecinese, Morgana fez o machado levitar e o atirou em direção a garota, sem tentar acertar em um lugar especifico. Mas a mesma notou seu movimento e desviou, fazendo com que o machado batesse na barreira de energia.

– Vai tentar me acertar com a minha própria arma? Poxa... – Ela fez uma carinha de criança triste, mas logo voltou a abrir o sorriso debochado.

Novamente Tsurara correu em sua direção e, com o braço em chamas, tentou lhe acertar um soco na barriga, mas Morgana desviou e tentou acertá-la com o cajado na barriga da garota, que segurou o mesmo com uma das mãos e com a outra tentou arranhar o rosto de Morgana, de modo que, para desviar ela teria que largar o cajado, mas preferiu ficar com os arranhões a soltar sua arma.

– Hidro kinesis. Jet Undo. – Instantaneamente a ponta do cajado se tornou azul esverdeado e um jato de água saiu da ponta do cajado, atirando Tsurara para o outro lado da arena, ela rosnou e em seguida tocou uma bola de fogo na direção de Morgana, que desviou por pouco e acabou ficando com uma leve queimadura no braço. – Hidro Circuitu Globi – A feiticeira criou cinco esferas da água que foram em direção a Tsurara e atacaram ao mesmo tempo, distraindo-a tempo suficiente para que Morgana se aproximasse e lhe desse um soco no estomago seguido de uma rasteira, fazendo a Quimera cair de costas no chão. Ela levantou tossindo novamente, mas rapidamente foi em direção a Morgana e tentou-lhe acertar as garras em chamas em sua cintura, Morg tentou se afastar para evitar o golpe, mas infelizmente não foi rápida o suficiente e começou a sentir sua barriga ardendo e fumegando novamente, mas desta vez a dor estava mais intensa, afinal, já era a segunda vez que sua barriga era acertada com fogo.

Morgana sentiu uma lagrima escorrer do seu olho ao lembrar que quase morrera exatamente assim, com a barriga queimando, e principalmente, que o pai tinha sido morto exatamente daquela maneira, com o fogo. As imagens pareciam mais nítidas em sua cabeça, as memórias voltaram juntamente com o que ela havia sentido, parecia ter nove anos novamente, lutando contra as lagrimas. Ouviu Tsurara murmurar alguma coisa que ela não entendeu e voltou à realidade. Involuntariamente, uma onda de raiva percorreu seu corpo, e seus olhos, que antes eram verdes agora tinham se tornados roxos. Seu corpo levitava e todos a encaravam assustados, menos os professores, eles a olhavam e assentiam com um ar de aprovação.

– Quod super te malum... – Ela começou a recitar o feitiço em latim e notou que alguns dos professores ficaram assustados também, enquanto outros apenas a olharam desconfiados. -... Elevasti pythonissam ira, irritaverat deorum! Et afflictus est damno et in aeternum, subtrahuntur. – Seu corpo ficou envolto por uma aura que variava do roxo bem escuro para o preto e logo em seguida, uma rajada do que pareciam ser sombras ou alguma outra coisa escura atingiram Tsurara.

Morgana caiu de joelhos na arena arquejando, olhou para Tsurara e a viu deitada na sua frente, inconsciente. Tentou levantar, mas acabou caindo de joelhos novamente, toda a arena estava silenciosa. John e Lucy desceram das arquibancadas apressados, foram até a feiticeira e a ajudaram a ficar em pé e sair dali.

Lucy tentou ajudar a levar sua amiga, mas era desprovida de força desde sempre, então deixou que John levasse Morgana no colo. Quando chegaram à porta da arena, ouviu a diretora anunciando que os próximos a lutar seriam Lyon e Nakamura, parou e olhou de relance para a arena. Avistou seu príncipe de olhos verdes se preparando para luta e não pode evitar um suspiro apaixonado. Quando deu por si já estava caminhando em direção ao centro da arena, provavelmente teria passado muita vergonha se não tivesse ouvido John rindo.

– Vai lá fadinha, pode deixar que eu a levo até a enfermaria.

Lucy parou subitamente e virou para John com as bochechas coradas e caminhou até seu amigo novamente.

– Ahn... Não, desculpa! É que... O Lyon... Ele... Ah! Você entendeu... – A garota baixou a cabeça envergonhada e John riu novamente.

– Eu disse que você podia ir ver, sei o quanto é importante para você. – Ele piscou carinhosamente e sorriu. – Mas depois da luta vai visitar sua amiga hein.

– Ok! Pode deixar. – Lucy sorriu animada e beijou o rosto de John – Obrigada!

A garota foi caminhando até arquibancada, mas antes pegou o cajado da amiga que havia sido esquecido ali... Encontrou um lugar próximo a onde os professores estavam e sentou-se, assim poderia ter uma visão privilegiada da luta. Observou John saindo da arena com Morgana no colo e por um breve momento, sentiu-se culpada, deveria estar acompanhando-os até a enfermaria e estar preocupada com a amiga. Não que estivesse totalmente despreocupada, mas sabia o quão forte era e sabia que ela se recuperaria.

Decidiu que depois se desculparia com os dois, afinal, John havia dito que não teria problemas se ela ficasse para olhar a luta e eles entendiam o quanto ela gostava de Lyon. Mesmo que nunca tivesse tido coragem para sequer falar com ele...

O gongo soou e no lugar onde deveriam ser os dedos de Nakamura encontravam-se garras. Até hoje Lucy não compreendia como uma cobra poderia ter garras, mas pôde ver que Lyon sorriu ao vê-las. Nakamura era tão ágil e inteligente em batalhas quanto Lyon, mas o vampiro estava em vantagens quando se tratava de habilidades.

A Quimera foi a primeira a atacar, tentando dar um golpe na barriga de Lyon, mas o vampiro recuou, evitando as garras e Lucy suspirou aliviada. Toda vez que o garoto lutava era sempre a mesma coisa, Lucy ficava preocupada e suspirava aliviada cada vez que ele evitava um ataque ou ficava mais preocupada ainda quando acabava recebendo o ataque.

Lyon desembainhou a espada e esperou um próximo ataque. Nakamura tentou acertar o braço do vampiro, mas Lyon desviou e com um golpe rápido cortou as garras da Quimera com a espada, que imediatamente ficou cheia de um liquido verde nojento e que parecia estar corroendo a espada.

O garoto jogou a espada longe quando viu os efeitos do veneno no aço e sorriu para Nakamura. O vampiro queria divertir-se pelo menos um pouco, sem precisar utilizar suas habilidades, mas a Quimera não estava facilitando as coisas, Lyon sabia que, uma gota daquele liquido na sua pele e ele provavelmente morreria instantaneamente.

Não queria terminar a luta tão rápido, mas pelo que parecia, não teria escolha. Fechou os olhos por um breve momento e quando os abriu novamente, estavam vermelhos. Ele olhava fixamente para Nakamura, que fazia o possível para desviar o olhar, mas não parecia obter muito sucesso.

A Quimera sibilou para Lyon e tentou atacá-lo novamente, mas o vampiro recuou rindo e não precisou nem sequer contra atacar, Nakamura caiu de joelhos na sua frente com as mãos nos ouvidos. Lucy podia ver o terror nos olhos do garoto, que olhava para todos os lados e gritava por seus pais.

A garota olhou para o lado e avistou Yukino, a irmã gêmea de Nakamura, com seus longos cabelos escuros como a noite e sua pele branca como a lua, estava voltada para luta, demonstrando uma preocupação evidente. Seus olhos estavam cheios d’água, ela se forçava a não chorar, mas, quando notou que Lucy a observava não conseguiu evitar as lagrimas, Lucy a acolheu em seus braços de uma maneira protetora, mesmo sem entender o motivo do choro. O fato de que seu irmão estava lutando não era motivo de tanta preocupação, afinal, ele lutava todos os anos, e todos os anos se machucava um pouco.

– Ele está lembrando... – Yukino sussurrou, deixando Lucy mais confusa.

– Lembrando? Lembrando de que?

Não obteve resposta e voltou a olhar a luta. Lyon já tinha vencido, mas Nakamura continuava no chão chorando e chamando pelos pais. O que quer que ele tivesse visto, certamente envolvia seus pais... Provavelmente o dia em que ele foi encontrado na ilha. Lucy não sabia muito da história dos gêmeos, mas sabia que tinham sofrido um acidente de avião e que seus pais haviam morrido no acidente, ou talvez tenham sido devorados pelos Zarkov’s... Não tinha certeza.

Lucy estremeceu quando lembrou que, fora das muralhas da escola, os Zarkov’s dominavam tudo, se conseguissem entrar ali, seria o fim para ela e todo o resto. Nem as habilidades dos alunos faria efeito neles, eram praticamente imunes a magia, para matar um deles, seria preciso uma grande quantidade de energia, e isso provavelmente esgotaria quem quer que estivesse tentando usar.

A luta tinha sido pior do que ela imaginava, esperava um pouco mais de Lyon, mas talvez estivesse sem paciência e quisesse terminar logo o duelo... Mas isso não importava, tinha que ver como estava sua amiga.

– Vai ver como ele está, a luta já acabou, seu irmão deve estar sofrendo. – Lucy sorriu para Yukino, que imediatamente saiu de seus braços e correu escada abaixo até onde seu irmão estava. Mas não ficou para ver o resto, desceu da arquibancada logo atrás da japonesa e saiu da arena em direção ao castelo.