Notas iniciais
HELLOU MINHAS RAMPUZEIS COMO ESTÁ INDO A VIDA DE SE ISOLAR NAS SUAS TORRES? E vamos de #QuarentenaAtts para passar esses dias de solidão!


— Estão se movendo.— Kakashi disse.

Sasuke desceu da sacada de ferro, deslizando pelas escadas se misturou com a multidão, e olhou para cima, vendo Kakashi sobre um dos prédios.

— Cuidado com essa coisa, ele está com o menino.

— Eu sei, eu sei. Cuidado também.

Kakashi deveria saber que somente o fato de a garota não estar com o bebê o impedia de atirar ele mesmo. A essa altura não importava nem se o tiro atingisse civis.

Adivinhando isto ou não, Utakata deveria saber que não poderia contar com discrição ou cuidado além destes. Sasuke podia divisar as figuras que também seguiam pela rua em busca do mesmo alvo que ele. E não duvidava que haveriam atiradores mirando-os também.

— 87 está tentando contato.— Shikamaru avisou.

— Agora não.

— É sobre Sakura.

Sasuke podia ver os cabelos da garota.

— Agora não.

Alguém pulou sobre o capô de um dos carros, chamando a atenção dos membros da passeata. Sasuke quase ignorou não fosse o brilho de algo que ele puxava da jaqueta.

Não pensou duas vezes e correu empurrando as pessoas, pulou sobre o carro e atingiu o joelho do homem com uma cotovelada e ele bateu as costas contra o capô, o estampido do tiro atingindo o poste fez as pessoas explodirem num efeito manada.

Sasuke se embolou com o homem e ambos escorregaram do carro, caíram na calçada. Ele girou sobre as costas e se apoiou nos pés, o homem fez o mesmo e avançou com um canivete. Sasuke desviou o rosto, e puxou seu braço, jogando o ombro contra ele o chocando contra o carro, bateu sua cabeça, e puxou o queixo conseguindo um estralo seco.

Soltou-o e começou a correr.

¤

Outro tiro atingiu uma pessoa desta vez, Max instintivamente se agachou e cobriu a cabeça e Utakata arrastou-a em direção a um beco. Destrancou as algemas, tomou a mochila dela e embolou com uma das mantas do bebê.

— Fique junto da multidão, onde eu possa vê-la. – Ele disse, entregando o bebê. — Vou atrasá-los, se desaparecer, eu ou eles vão te encontrar.

— E qualquer um vai me matar.

— Mas só eles vão matar o menino, se te pegarem. – Utakata enrolou a manta em torno da mochila e se afastou dela, com um olhar seco.

Max apenas caiu sentada contra a parede e com o bebê no colo. O homem desapareceu entre as centenas de pessoas que corriam em todas as direções, depredavam as coisas, escondiam os rostos com máscaras ou camisas e atiravam objetos contra a polícia.

Logo bombas de fumaça começaram a ser atiradas na multidão, e o cheiro da pimenta chegou ao nariz de Max, ela se levantou, cobrindo o bebê com a camisa de botões que vestia e ao próprio rosto, tentou ver Utakata mas acabou recuando para dentro do bebê, sentindo a pimenta arder em seu nariz.

De repente um homem alto surgiu, vestia uma calça e camisa pretas, e um colete, a cabeça coberta por uma máscara também preta e de aspecto pesado.

Ela o encarou por alguns segundos antes de recuar e ameaçar correr, ele veio em sua direção, mas foi atirado contra a parede quando um homem surgiu e bateu nele como se fosse um jogador de futebol americano.

Max gritou e correu, entrando na curva do beco, os sons do confronto entre chineses e a polícia abafaram a luta, ela chegou a outra rua, onde a briga parecia ainda mais intensa, sem alternativa, atravessou as cortinas de fumaça. Tentando chegar a uma área aberta.

Não tinha qualquer chance de conseguir dizer algo em chinês, mas se chegasse a algum consulado americano ou qualquer lugar que houvesse um, poderia haver uma chance.

¤

— Achei ela.

— Está com o menino?

— Ainda não é possível confirmar. Larson disse que estava com ele.

— Então confirme. Abata ela.

— Sim, senhor.

Gulbrandsen, pegou o copo com uísque e se levantou, aproximando-se das paredes envidraçadas, observou impassivelmente os carros da polícia passarem pela rua.

¤

Sasuke correu ao longo da avenida desviando ou simplesmente derrubando qualquer manifestante ou policial que seguia a sua frente.

Ele via as costas da camisa de Utakata, molhadas de suor, enquanto ele desviava das pessoas e ignorou mais uma vez as chamadas no fone que levava no ouvido.

Respirou pelo nariz e soltou o ar pela boca a cada passada, alcançou Utakata que parou de repente quando um tiro atingiu uma motocicleta estacionada e ambos colidiram com força.

Rolaram pela calçada derrubando duas pessoas, e Sasuke se levantou, vendo o desgraçado largar a mochila enrolada numa manta e apontar-lhe a arma.

— Escolheu o alvo errado.

Sasuke atirou o retrovisor da moto nele, e avançou para cima, ambos rolaram trocando socos e se largaram quando mais tiros acertaram a calçada.

Se entreolharam e dispararam para uma viela, buscando proteção, novamente se atracaram rolando pelas poças de água e trombando em latas de lixo.

Utakata puxou-o pelo colete para cima de si, rolou sobre as costas e atirou Sasuke para trás, ficando com sua máscara em mãos.

Saiken se levantou, olhando a máscara, encarou Sasuke por um instante e então fez matemática simples e sorriu mordaz.

— Ora, quem diria, ele veio buscar o filhinho.

— O passeio estava durando demais, ele ainda não tem idade pra ficar fora da cama até tarde.

— Imagino que a mamãe dele esteja muito preocupada.

— Eu também.

Antes que resolvessem continuar, três homens surgiram apontando armas, Sasuke imediatamente correu inclusive ignorando Saiken, não iria arriscar mostrar o rosto para o membro de qualquer casa então rapidamente cobriu boca e nariz desenrolando a gola rolê da camisa. Saiken correu também e ambos se embalaram numa corrida furiosa.

— Que inferno! Parem de me ligar! – Ele exclamou, depois de atender.

— Fique fora do caminho, Sakura está indo pra aí. – A voz de 87 o surpreendeu.

— É o quê?

— Se o rastreador que Kakashi deixou com você estiver certo como o meu, vocês vão se encontrar em três, dois...

Sasuke e Saiken atravessaram a rua, a adrenalina e o caos criado pelos manifestantes e policiais era ensurdecedor, eles ouviram o som do motor de um carro segundos tarde demais.

O veículo deu uma freada brusca somente depois de atingi-los, Utakata rolou por sobre o capô e caiu atrás e Sasuke bateu duro na frente caiu mais adiante.

— Um.

— Eu notei. – Ele gemeu num ofego.

Sakura saiu do carro, ele inicialmente só viu sua cabeça cor de rosa e então ela mancar e contornar a porta do carro e vir em sua direção apontando uma sub. O rosto dela estava cheio de marcas e arranhões, os olhos ardendo de ódio, ele não viu mais porque logo o estreito cano da sub estava em seu ângulo de visão.

— Espere! – Gritou, começando a se levantar, ela soltou uma rajada de tiros, quatro que acertaram seu colete e o atiraram para trás.

— Onde está o meu bebê?!

— Sakura! – Sakura atirou no chão ao lado de sua cabeça e definitivamente não era hora de adivinhar se foi um erro ou uma ameaça. — Sakura! Sou eu! – Gritou puxando a gola e revelando o rosto. Ela parou quase em cima dele com a arma apontada, arquejando como um tourinho. — Sou... Eu... Sasuke, agora abaixe a arma.

Ela apertou ligeiramente o cenho, o encarando, não pareceu que o reconheceu, apenas que viu que não era quem procurava, ela deu as costas e seguiu em direção ao carro.

Sasuke se levantou, dolorido e procurando Utakata. Antes que ela entrasse no carro, este surgiu e pegou-a pelo cabelo.

— Me procurando?

Ela gritou ao vê-lo e não foi de medo, pulou nele com as unhas e Sasuke correu em sua direção batendo contra o corpo dele antes que acertasse a cabeça de Sakura contra o carro. Ela caiu no chão, e ambos rolaram pela rua.

Sasuke viu 33 chegar enquanto se embolava com Saiken numa posição de judô e gritou.

— Tire-a daqui! Tire-a daqui!

A mulher agarrou Sakura e enfiou dentro do carro, ligou-o e deu ré bruscamente na direção deles, Saiken o empurrou de cima de si e se levantou, levando outro esbarrão do veículo. Caiu pra frente e Sasuke, ao se levantar, tomou duas cacetadas da polícia, um pequeno batalhão que veio pra cima deles e do carro. 33 deu outra ré e acelerou quase atropelando-os. Sasuke se encolheu no chão, recebendo golpes, viu por entre os braços Utakata socar o pescoço de um dos homens, roubar o cassetete e acertar o outro para então voltar a correr.

Sasuke puxou a arma e atirou na perna de um dos homens, os outros recuaram e ele se levantou, chutando um, atracou o pescoço do outro e jogou seu corpo contra mais dois e começou a correr, na direção contrária.

— Onde está a garota?!

— Estamos buscando.

— Não deixe as casas chegarem até ela!

— Não se preocupe, tem mais gente aqui do que imagina.

¤

— Senhor.

— Diga. – Gulbrandsen esfregou o rosto, cada vez mais impaciente.

— Stevan Savió, Martino D’Âmico e Florence St. Gale acabaram de desembarcar em Hong Kong.

O homem pousou o copo de volta na mesa, coçou a barba e inspirou.

— Juntos?

— Acabo de confirmar que outro barco chegou com homens das três casas.

— E a Casa sem Nome?

— Já foi confirmado.

Gulbrandsen acertou a parede com a garrafa e voltou a se sentar.

— O circo está armado.

Utakata querendo ou não, teria um belo show a partir de agora.

¤

Maxine caminhou esbaforida entre as pessoas, a maioria já dispersa da multidão, caminhava tão sem fôlego quanto ela.

O bebê não parava de chorar e ela decidiu que nunca mais reclamaria das Spice Girls, uma pessoa a olhou com dó e lhe oferece uma garrafa de água. Ela agradeceu e se recostou na parede ao lado de uma loja, ofereceu um gole ao bebê que engoliu bastante e ficou soluçando. Ela bebeu mais um bocado e ficou soluçando também.

O soluço e o choro emudeceram quando a puxaram para trás, com uma mão fechada em sua boca. Ela só pode então agarrar-se ao bebê, e ver a parede de concreto onde estava recostada ser atingida por um tiro.

Não houve sequer chance de pensar na sorte que teve, ou mesmo se havia sido salva. A pessoa atrás dela a puxou no giro vertiginoso que a atirou no chão e ao mesmo tempo, de modo que ela se quer foi capaz de processar, tomou o bebê no outro braço.

Max quase bateu o rosto no chão, mas conseguiu se apoiar nas mãos e sentar para encarar a pessoa. O bebê voltou a chorar, claramente assustado, o estranho que o tinha em mãos balançou o corpo esbelto que tinha e cantarolou baixinho, afagando seu rosto com a mão enluvada.

A médica abriu a boca para protestar, calando-se ao ver que havia mais gente ao redor, olhou para trás e recuou, apavorada ao deparar-se com tanta gente e armas apontadas para si.

O bebê soluçava alto agora, mas parecia um tanto mais calmo. Se isso ajudasse Maxine a ficar viva, ela esperava que ele pudesse ajuda-la. Ficou mais uma vez chocada ao identificar que quem segurava o bebê não era um homem como imaginou, apenas uma alta mulher delgada e de olhar envolto numa doçura arrepiante.

— Ah, olhe só para ele... Não é uma graça? – Ela disse, com uma suave voz cheia de requinte aristocrático. Fitou Maxine com um sorriso satisfeito. — Ele é a cara do pai quando chora!

¤

— Perdi o alvo.

Gulbrandsen se levantou bruscamente, arremessando o copo contra a parede, os empregados e os familiares abaixo de si, o fitaram aturdidos.

— Matem o maldito menino e quem estiver no caminho! – Rugiu.

¤

Max caiu no interior de um carro luxuoso não por opção, mas não podia negar que tudo parecia mais fácil de lidar uma vez sentada em bancos de couro macio, sob ar-condicionado. Inspirou, ainda nervosa com os dois grandalhões ameaçadores que se sentaram cada um de seu lado. E sem outra alternativa, olhou para o banco a sua frente, a mulher requintada ajeitava com muita perícia e cuidado a criança na cadeirinha de transporte apropriada, uma cadeirinha azul, com estampa de ursinhos que se opunha totalmente ao resto do carro.

Era como se um mafioso tivesse tido que virar babá por um dia. Coisa de filme de comédia fanfarrona e familiar.

— Bem, bem, espero que isto o satisfaça. Sinto muito, mas vai demorar para que possa estar com sua mãe novamente. – Ela disse, oferecendo uma mamadeira para o bebê. Este primeiramente empurrou-a, ainda estressado demais para comer, além que não havia aceitado muito bem os alimentos que Max tinha oferecido, no entanto, uma vez aceitando a mamadeira na boca, ele começou a sorver deliberadamente esfomeado.

— É o leite da mãe dele? – Indagou Max, a mulher segurou o fundo da mamadeira para ajudar o menino, observando-o comer como se fosse a coisa mais fascinante do mundo.

— Leite de burra.

— Oi?!

— É de uma espécie que vive nos Balcãs, meu conhecido de lá disse que é altamente nutritivo e que o ajudou muito enquanto cuidava dos filhos pequenos...

— Leite de burra...- Max nem sabia porque estava surpresa, dadas as últimas semanas, isto deveria ser a coisa mais normal que ela viveu. Suspirou, balançando a perna nervosamente, aquele caro se movia tão silenciosamente que, parecia que estavam flutuando, mas ainda podia assistir a confusão através das ruas. — Hm, então você é parente do bebê...?

— Ah, que grosseria a minha, chamo-me Florence St. Gale, herdeira da casa Galesa, e madrinha deste adorável rapazinho aqui.

— Casa Galesa...?

A mulher a fitou, surpresa.

— Oh, parece-me que seu parceiro não a contou os pormenores do plano? Hm...- Ela ficou muito pensativa, mas Maxine congelou por outro motivo.

A mulher disse “parceiro”?

Isso queria dizer que consideravam Max uma participante ativa na empreitada bizarra de Utakata?

Deste modo... Significava então que ela e o bebê não foram salvos... Apenas o bebê?

Maxine olhou para os dois homens ao seu lado, estes a enviaram olhares indiferentes como se lidassem com algo rotineiro, ela podia ver o cintilar dos cabos das armas em seus cintos.

— Quem... Exatamente é esse bebê?

Ela só tinha uma ideia de quem seria falando de forma estética, superficial, uma vez que o cabelo do bebê parecia cada vez mais rosa.

Florence voltou um olhar para ela, um sorriso perigoso, uma mescla de maldade e humor.

— Diga-me, sabe qual a peça mais importante do xadrez, minha cara?

Maxine inspirou, sentindo o peito arder numa explosão de memórias calorosas, sabia de xadrez mais do que admitiria, embora não jogasse a anos. O xadrez para ela, era o mesmo que uma tarde gostosa na varanda da casa dos avós na Florida. Ela já havia dado adeus ao avô que a ensinara a jogar, mas não queria pensar que talvez não fosse ser capaz de se reunir com a avó para uma partida em memória a ele.

Não queria nem pensar em como toda essa bagunça poderia repercutir na vida da família que deixou nos EUA.

— É o rei. – Respondeu, contrariada.

— Exatamente. – A srta. Florence confirmou, esfregando os dedos nos redemoinhos de cabelo do menino, agora segurando a mamadeira vazia, ele ergueu os olhos e encarou a madrinha, curioso, o narizinho avermelhado e um beiço enorme. — Oh, exatamente a cara do pai.

— Vai leva-lo até ele...?

— Se tiver sorte, encontraremos ele primeiro...

Mas, quem precisaria desta sorte? Ela ou Maxine?

A resposta deveria ser óbvia, mas preferia se apegar a qualquer tipo de esperança.

¤

— Onde ela está?!

— Ah, agora quer saber. – 87 respondeu, um tom de escárnio tão irritado quanto o de Sasuke. — Está tudo sobre controle aqui...

— Não! Não! Diabos, parem ela! – A voz de uma das mulheres ecoou abafada ao fundo e Sasuke parou no meio da rua, respirando fundo.

— Você dizia?

— Ela pegou o outro carro...

— Porra! – Ele se pôs a caminhar novamente. — Onde ela aprendeu a dirigir tão bem?!

— Até onde sei, seu tio Madara.

Sasuke engoliu outro xingamento. Ao menos ficou claro que ela como ela havia ficado boa em atropelar pessoas.

Madara sempre dizia que não havia trabalho mais tranquilo do que atropelar uma pessoa. Um bom carro, alvo desatento e se podia culpar um estranho tanto quanto uma ex enfurecida.

— Espere...? – 87 exclamou, e seguida um forte suspiro de alívio subiu no áudio. — A casa St. Gale desembarcou em Hong Kong.

— Claro.

— Eles recuperaram o Marshmallow de morango.

Sasuke estacou, franzindo a testa.

— O qu-?

— Seu filho.

Desta vez, como se ele congelasse por dentro, e ao mesmo tempo parecia derreter, ou esvaziar como um balão que estava a ponto de estourar. Isso era o mais próximo de como conseguia descrever essa coisa.

— Sálvia tem o Marshmallow em segurança. Repetindo, Sálvia recuperou o Marshmallow, alguém copiou?— 87 seguiu repetindo, porém, nenhuma resposta veio das outras linhas. — Alguém copiou ou não?

— Hah... Copiamos sim, só queríamos ouvir você repetir isso.— Uma das gêmeas respondeu, seguida de outras risadas.

— Quem inferno escolheu esse código mesmo?— 87 ralhou.

— Onde eles estão? – Sasuke disse, voltando a caminhar, as pernas aos poucos recuperando o vigor.

— Seguindo de volta para o porto.

Ele parou para olhar o smartwatch que levava no pulso e verificar a rota mais adequada, a confusão dos protestos parecia ter finalmente acabado, mas ainda não era bom ficar perambulando na rua.

De repente, o chão tremeu, Sasuke olhou para a direita, vendo sem seguida, colunas de fumaça começarem a subir acima dos prédios.

— Ouviu isso?

— Sim.

— O que tem lá?

—... O porto.

Sasuke começou a correr.

— Não consigo contato com a Sálvia, algo está errado, precisamos localizar a Koyosegi rápido!

Sakura.

Que diabo ela estava fazendo agora?

¤

Maxine começou a tossir quando o cheiro de fumaça se infiltrou em seus pulmões, um zumbindo persistente ecoava em sua cabeça e desorientada, ela lutou contra o cinto, onde estava pendurada. O choro de bebê soava em algum lugar, mas não sabia dizer se era perto ou longe, o zumbido era mais alto.

Caiu contra a superfície cheia de vidro do carro e rastejou pela janela, antes que se sentasse, seu tornozelo foi agarrado e ela foi arrastada como um tipo de bicho para abate por vários metros, aos poucos o zumbido foi sumindo e o ar ficou menos quente ela então ouviu mais estampidos de tiros e gritos, os estalos da lataria do carro ardendo em chamas.

Quem a arrastava parou atrás de um contêiner e ela conseguiu se virar bem o suficiente para o encarar. Ódio explodiu dentro dela, desde a cabeça até a ponta do pé que usou para puxar de volta e empurrar Utakata para longe de si.

Surpreendido, ele caiu para trás e encarou-a.

— Seu desgraçado! Vai pro inferno! – Berrou, se começando a se levantar, ele avançou, puxando-a pelos cabelos da nuca e jogando-a contra o contêiner.

— Bom te ver também, parece que sobreviveu bem sozinha, onde está o menino?

— Vai pro inferno!

— Nós dois iremos pra lá se continuar entregando nossa posição assim, Max.

Maxine parou de se debater e tentou olhar ao redor e por a cabeça no lugar. Se livraria dele assim que pudesse.

Até onde sabia, estavam seguindo para as docas, pegariam um barco onde o menino ficaria longe do conflito.

— Eu não sei onde está o menino. – Cuspiu. — Estava com ele no carro, mas...

— Ah. – Utakata baixou a arma, ofegava o tempo inteiro, como se estivesse correndo ainda. — No carro, hein?

Ela se virou quando ele a soltou, o encarou fervendo de indignação.

— Aquilo foi você?

— Não poderia deixar que chegassem ao barco, mesmo não sabendo de quem era... Mas você está viva, hum?

Ele quase falou como se estivessem falando de ela ter dado conta de uma coisa fisicamente difícil como um sedentário aguentando uma corrida matinal.

Lembrou de ter ouvido o bebê chorar, mesmo não sabendo se fora delírio, torceu para que ele estivesse bem, mas não contaria isso para esse bastardo.

Utakata puxou-a de repente e eles se esconderam atrás de umas latas que fediam a peixe podre, enquanto recarregava a arma ele espiava a movimentação.

— Tem gente demais aqui... O velho desgraçado não está brincando, vai matar tudo o que encontrar pela frente até chegar ao menino.

— Que velho?

— Bem...

Ele continuava com aquela respiração apressada, Max sentia que ele passaria mal a qualquer momento, mesmo os olhos escuros dele denunciavam o banho de adrenalina correndo em suas veias, sem parar.

E ele estava gostando.

Tanto quanto quem gostava de bungee-jump ou de nadar com tubarões.

Por isso estava tão falante.

Se era isso que era necessário para que esse tipo de pessoa se tornasse íntima de alguém, ela definitivamente não estava aceitando o convite.

— O velho para quem eu trabalhava.

— Claro.

— Ele me jogou fora quando achou que eu não fosse útil. E agora eu estou fazendo ele sacrificar mais alguns peões para chegar ao prêmio que ele quer.

— O menino.

— O menino é apenas uma peça...

— O “Rei”? – Ela indagou, ele fitou-a de lado, com um ar de desprezo.

— É questão de ótica.

¤

Sakura seguiu por ruas muito mais do que tranquilas. Com restos de uma manifestação carregada de depredações pelo caminho, mais parecia um cenário de fim de mundo.

Ela continuou seguindo, trocando o olhar apenas para o GPS e para o telefone.

Viu um bar com amplas vidraças, numa esquina, algo como um pub inglês, ao menos por fora. Ela passou por cima de um dos canteiros, invadiu a calçada e atravessou uma das vidraças com a metade do veículo.

Saiu do carro olhando ao redor, viu uma movimentação atrás do balcão e imediatamente atirou, o homem caiu segurando a garganta, em seguida haviam dezenas deles.

Ela não abaixou a arma, mesmo assim, olhando ao redor até ouvir palmas.

— Entrada triunfal.

Sakura estudou o homem rapidamente antes de focar-se no outro, sentado numa das mesas de fundo voltadas para uma pequena pista de dança, e um barman fazia coquetéis e tremia ao mesmo tempo. O ambiente parecia uma espécie de discoteca, móveis vermelhos e paredes escuras, luzes, decoração neon que ainda brilhava suficientemente mesmo ainda sendo dia.

Ela se fixou no homem na mesa.

— Savió.

Apontou a arma em sua direção e avançou, os outros ao seu redor avançaram com suas armas, canos encostando em sua cabeça, ombros e costas.

O outro homem de olhos tão azuis que pareciam acesos como o neon do bar abanou a mão, os obrigando a se afastar, e a arma dela apenas foi tomada e entregue a ele.

— Belíssima arma. – Ele disse. — Foi ele, não foi? Ele tinha um baita bom gosto.

Sakura ignorou o homem novamente e encarou Savió.

— Me pergunto quantos bons motivos acha que tem para isso, Stevan. – Avisou. — Onde está a minha criança?! – Rosnou.

Stevan suspirou quase constrangido com sua animosidade.

— Por favor, senhorita. Apenas se sente. E quanto aos meus motivos? Bem... – Ele deu de ombros. — Creio que já tinha numerado naquele documento que me entregou, recorda-se?

— Fez sua escolha. – Sakura concluiu, seguindo em direção a mesa, se sentou de frente para ele e outro.

— Não me deu outra escolha, Sakura.

— Tudo o quero, é que quando estiver para ser morto, se recorde que teve todas as escolhas possíveis. – Ela se inclinou para o encarar bem. — E escolheu a pior delas.

Stevan a fitou de volta, em silêncio. O outro homem pousou a arma dela sobre a mesa e Sakura jogou o olhar para ele.

— Eu sei quem é você.

— Ótimo! – Ele exclamou, diferente do que ela vira em fotos, parecia distante da criatura gelada que sua constituição afirmava. — Por que eu já estava absolutamente louco para conhece-la.

Sakura o observou quase rodopiar e se aproximar do balcão para trocar palavras com o apavorado barman. Ela pôs as mãos sobre a mesa, Stevan assistiu aquilo e fez uma careta de aborrecimento, catou a arma dela da mesa e guardou no colete, ela o mandou um olhar fulminante e ele desviou os olhos como um típico cafajeste que finge não ter sido pego no flagra.

— Gosta de tango, senhorita?

Sakura inspirou, vendo o barman dedilhar um aparelho de som, se levantou.

— Não espere muito de mim. – Avisou, seguindo para a pista de dança.

O homem de olhos neon não escondera o demônio dentro deles quando segurou sua mão e puxou sua cintura tão firme que os quadris deles fizeram mais do que encostar, ela o encarou, sentindo a carne da face estremecer em uma ira insana contra qualquer olhar ou gesto desrespeitoso que um completo estranho ousasse lhe dedicar.

Quando a fitavam como se ela fosse um rosto ou um corpo sobre um balcão com placa de “amostra grátis”. Era impossível conter sua vontade de se tornar um veneno em suas malditas bocas gananciosas.

— Ao contrário, eu espero muito.

¤

Dois caminhões em chamas bloqueava a entrada das docas, Sasuke passou por funcionários que corriam para longe e ainda avistou um helicóptero começando a se aproximar da área.

Não parecia haver um único ponto perto da água que não estivesse no caminho de uma bala ele se esgueirou como pode para alcançar os destroços da limusine, obviamente de Florence. Se agachou, vasculhando dentro sem qualquer sinal.

Estranhos surgiram dos dois lados do carro, Sasuke se levantou rapidamente, trocando olhares com os rostos encapuzados.

— Usar uma máscara não vai impedir de descobrirem suas Casas.

— O mesmo para você. – Um deles rebateu. Sasuke respirou fundo e afastou um pouco as pernas, punhos fechados.

— Eu não tenho Casa.

O outro começou com um chute, Sasuke bloqueou o golpe na altura de sua lombar, enviando a perna livre para o segundo adversário, uma troca de socos e pontapés ensaiada pela experiência de três assassinos de berço.

Um soco atingiu o rosto de Sasuke e ele caiu de lado, imediatamente jogou o tronco para trás quando o assassino tentou pisotear seu joelho. O outro puxou um canivete da meia e ele deu uma cambalhota que estranhamente o lembrou de Indra tentando ficar de pé e caindo para trás com seu grande traseiro, o menino se deitava no chão e então tentava jogar as pernas por cima do tronco numa tentativa de giro que só fazia a mãe endoidecer de alegria um pouco mais.

Ficou sobre os pés e quando um deles veio para cima, Sasuke partiu para agarrar seu tronco e o jogar para trás, ambos rolaram pelo chão, ele agarrou-o, dois punhos fechados em torno de sua camisa quando ficaram de pé, giraram entre passadas, ele usando o assassino para impedir a aproximação do outro que ainda tinha a faca.

O homem também se agarrou a sua veste eles entraram numa partida de judô, levando um chute forte na canela, Sasuke o empurrou de volta e mandou outro na coxa dele, ambos grunhiram de dor e ele tentou girar seu corpo para o alcance da faca do outro.

Um tiro fez o homem e a faca desabarem a metros deles, e ambos se largaram, antes que ele alcançasse a faca, Sasuke chutou seu estomago, puxou o braço abaixou o tronco, agarrou a perna, rolou na direção oposta, levando-o ao solo. Se ergueu, segurando-o pelo tornozelo, pisou sua virilha, soltou a perna e chutou o nariz dele.

Antes que pegasse a faca, mais homens surgiram e ele teve que correr, contornou o carro em chamas e seguiu na direção dos contêineres de onde havia vindo o tiro que o ajudou antes.

Passou por vários corredores e mais um homem surgiu atirando seu peso sobre ele, ambos se chocando na parede de metal, uma mão se firmou na nuca de Sasuke, e um tiro veio por baixo bem no flanco de seu colete a prova de balas, ele urrou com o choque e falta de ar, rangeu os dentes e acertou o tornozelo na canela do homem, pisou o pé dele com o outro pé e com o pescoço livre, mandou uma cabeçada par atrás.

O rival recuou e ele girou, avançando em sua arma, eles lutaram por ela até caírem no chão, dedos se embolado suados, Sasuke deixou as costas beijarem o solo e usou-a para impulsionar as pernas e o empurrar pelo quadril pois ele era mais baixo. O homem perdeu equilíbrio e as mãos instintivamente soltaram a arma, ela girou agilmente entre os dedos de Sasuke e ele puxou o gatilho em direção a sua cabeça.

Empurrou o corpo para o lado e se levantou, antes que tomasse outra respirada, Martino surgiu, ofegante e com um belo corte na testa.

— Achei que não viria mais de lá.

— Onde ele está?

— Seguro enquanto estiver com Florence.

Ele não estava seguro com qualquer pessoa se Sasuke não tivesse ao menos um olho sobre ele.

Martino parou por um instante e o fitou com expectativa.

— Sabe onde Sakura está?

— Esperava que soubesse.

— Idem...

¤

— O que dizem sobre expectativas muito altas realmente é triste, não?

Sakura se limitou a demonstrar o quanto estava desmotivada a cooperar com outro suspiro aborrecido.

— Eu já tinha avisado. – Ela se soltou dele mesmo antes da música dar seu acorde final.

Tudo o que aprendera sobre dança de salão, canto ou tocar instrumentos fora lhe ofertado num espaço muito curto de tempo, mesmo Mikoto tendo sido bastante rigorosa com suas aulas.

O seu parceiro liberou-a após apertar sua mão e pressionar os dedos no quadril de Sakura como se quisesse deixar uma marca duradoura nela, quiçá, permanente.

Homens como ele não se importavam em machucar ou destruir no processo desde que houvesse algo para exibir no final.

— Ao menos não me decepcionou como ouvinte, senhorita. – Ele disse, seguindo para o balcão e pegando uma dose no copo cheio de gelo. — Espero que também tenha entendido satisfatoriamente.

Como se fosse um sinal, Savió se levantou, deixando a arma dela na mesa e indo embora do restaurante.

— Presumo que ele também fará parte do acordo.

— Ah, Stevan? Ele é do tipo aresta. – O outro declarou, humorado, Sakura o fitou. — Às vezes podemos aparar ou não. – Tomando um último gole, ele inspirou, satisfatoriamente, e olhou para ela com ar de despedida relutante. — Bem, infelizmente teremos de nos separar.

— Nenhuma das minhas crianças está no acordo. – Sakura adiantou, ele franziu a testa achando graça, desconfiado, apontou para ela.

— Crianças, está grávida outra vez, senhorita?

Sakura captou quando um dos homens dele pareceu se preparar para puxar a arma.

— Claro que não. – Rebateu. — Mas ainda tenho material suficiente para ter mais um. O que estou dizendo é, se quer brincar de usar sua família como isca para a morte, fique à vontade, mas a minha a não.

— Ah, mulheres.

Ele estalou os dedos, reunindo os homens para o acompanhar para saída.

— Quando não são lindas Liliths como Evangeline, são lindas Evas loucas como essa daí. Deus fez dois tipos de mulher, e ambas loucas. Bem que meu avô dizia...

Sakura os assistiu ir embora enquanto se aproximava da mesa e pegava a arma, verificou a munição e deixou engatilhada ao seguir para dentro do carro novamente.

Se Eva ou Lilith eram dois tipos distintos da mesma loucura.

Ela podia dizer que tinha ambas dentro de si.

Quanto a Adão.

Deus só fez um.

Pior para eles.

¤

Algo estava acontecendo.

Primeiro que a Tríade Chinesa não iria se envolver em nada relacionado a Folha, considerando que eles sabiam quem estava permitindo tudo isso acontecer.

Gulbrandsen.

Agora eles estavam aqui mandando parte dos homens do desgraçado pro inferno o que não significava que eram aliados agora.

Sasuke continuou agachado mesmo quando o tiroteio acabou.

— Florence? Melhor que não saia daí.

Ela estava mais atrás, levando Indra dentro de uma mochila própria para carregar crianças. Era além de uma visão estranha nela, como ela parecia estranhar ainda mais a dinâmica de se movimentar com alguém pendurado em si como um filhote de canguru.

Também não era exatamente alguém que ficava na retaguarda.

— Parece mesmo...

Martino gritou.

Nǐ hé wǒmen zài yīqǐ ma?!

Bùxíng. – Um deles respondeu, sarcasticamente. — Bùxíng dànshì tāmen kěyǐ chūxiàn.

Sasuke e trocou um olhar com Martino, inspirou profundamente e se levantou de uma vez. O que viu não foi bem algo que poderia dizer que era bom, mas sua cabeça não foi estourada de uma vez.

— Eu odeio chineses.

— Achei que fosse os alemães.

— Não tem alemães aqui, então eu odeio mais os chineses.

— Vai ver porquê estamos em Hong Kong! – Sálvia lembrou-os, de muita boa vontade.

— Valeu, Sálvia. – Sasuke suspirou, deixando as armas na visão dos gangsters enquanto contornava a barreira.

Martino veio depois e então 87, os três pararam de frente a um pequeno exército de no mínimo cem integrantes de Tríade, olhando mais para o alto, ele viu mais deles subindo nos contêineres e nos prédios administrativos do porto com armas penduradas nos ombros e espadas nas cinturas.

— Só viemos pela criança. – 87 disse.

O representante chinês sorriu para ele, sardonicamente.

— Então não deviam ter perdido a mãe também. – Declarou, estalando os dedos.

Sakura brotou de algum ponto do monte de chineses eles abriram caminho para ela de boa vontade, veio acompanhada de Shisui.

— Solte-me! – Ela protestava, tentando se soltar do agarre dele prendendo seus pulsos para trás.

— Vou soltar quando por a porcaria da sua cabeça no lugar. – Ele rosnou para ela, os chineses adorando a briga. Sasuke queria esganar todo mundo ali mas tinha de fingir que não era alguém importante o suficiente para desejarem arrancar seu capuz. — Ela estava zanzando na cidade a cem por hora, quase bateu em mim!

— Eu devia ter batido mesmo.

— Perdão pela Koyosegi. – 87 disse. — Ela só veio pela criança.

— Ela tem sorte de o chefe atual não odiar japoneses como o antigo. Hoje em dia é mais o contrário.

— Seu chefe está aqui? Eu quero falar com el-... – Sasuke puxou-a pela nuca, num movimento que mais pareceu que ele iria atira-la contra o solo e quebrar seu pescoço.

Girou com ela na direção oposta, levando-a no ombro.

— Saíam de Hong Kong com seu lixo. Foi o aviso dele. – O representando avisou. — “Nossos interesses não vão se cruzar ainda”.

Sasuke parou, olhando para eles, Sakura olhou também, embora não muito bem, e de cabeça para baixo, o representante de olhos apertados, mas cheios de um brilho cruel a fitou.

— Foi o que ele pediu para avisar para você, Xi Shi.

E dito isso, deu as costas e partiu com seu exército.

Sasuke a pôs no chão, bufando.

— Eles têm muita gente...- Sakura refletiu, antes que ele lhe desse um cascudo, Florence se levantou, esticando as costas e Indra soltou um suspiro lamurioso.

Ela girou sobre os calcanhares e caminhou até a mulher.

— É ele.

— Oh, sim.

— Me dê ele. – Sakura implorou arranhando a bolsa desesperadamente tentando arrancar o bebê dali, Florence desprendeu-se dela e puxou para baixo, liberando o menino que voltou a chorar roucamente ao ouvir a voz da mãe. — Meu bebê?! Meu bebê?! – Ela gritou, o levantando um pouco para encará-lo, e então o abraçando e embalando enquanto os dois choravam. Florence afagou seu ombro.

— Pronto, pronto... Tudo termina bem quando...

Um estampido, dois gritos, Sasuke caiu no chão, Martino e abaixou perto dele, o encarando estupefato, ele puxou o capuz piscando ainda atordoado.

— Alguém leva um tiro no final?

— Por que tem sempre que ser eu? – Sasuke disse, mal reconhecendo a própria voz, mas que a parte em que que ardia era o pescoço, Martino se apressou para segurar o buraco ali.

— Bem, bem como não seria?!

Sasuke conseguiu levantar a cabeça suficiente para ver Sakura no chão, escondendo Indra, mas muito focada nisso para notar quem levou o tiro.

Mas os dois estariam bem desde que Florence os protegesse.

Nesse instante ele se perguntou porque e desde quando confiava tanto na Sálvia.

Não podia ser por ela fazer parte de um passado mais pessoal e praticamente não ter mudado como todo o resto desde então.

Não podia ser que confiasse nela mais do que deveria confiar em Martino ou Savió, estavam todos ligados a ele a através de tratos e chantagens.

Ah... Talvez fosse isso.

Ela tinha o mesmo jeitão de Itachi, estava sempre com ele e Shisui, a tríade que Sasuke admirava. A tríade que ele confiaria a vida e foi ensinado que confiaria a segurança do futuro de sua família e da cadeia natural em que viviam, desde muito antes de ele próprio se revoltar contra esse sistema.

Sakura abriu os olhos ainda brilhando de alívio e amor incondicional e ele desejou que ela não visse nada mais naquele momento.

Mas assim que o viu ela gritou e tentou vir em sua direção, mesmo com Indra pendurado em si.

Ele mandou um olhar de aviso para Florence não soltá-la ou deixar na mira de Saiken e o encarou.

— Tudo isso para chegar até aqui e morrer? – Rosnou.

Utakata deu de ombros, já com o olhar de um cachorro lunático.

— Era para vocês se matarem até o final, não teria vindo para Hong Kong se soubesse que a Tríade iria se meter.

— Seu desgraçado. – Izuna rugiu indo em sua direção. — Eu queria mesmo por minhas mãos em você.

— Por causa da velha? Por que está zangando com isso? – Utakata desdenhou, ele o puxou pela camisa. — Eu não a teria achado de você não tivesse se comunicado com ela primeiro.

— Seu...

— O quê? – Martino exclamou.

Sasuke sorriu furiosamente.

— Combinou que a deixaria cuidar do menino se ela te cedesse a cadeira, não é?

Izuna soltou Saiken, o fulminando com o olhar.

— Como é? – Sakura interrogou, entregando Indra para Florence outra vez. Ela se levantou e se aproximou dele. — Você disse a ela onde estávamos?

— Eu não estava de acordo com o ataque.

— Deixou ela levar o bebê.

— Se ela me desse a cadeira, eu estaria em cima da casa Nórdica! – Ele rugiu de novo, ela o empurrou batendo em seu peito.

— Fez isso por você! Traiu todos nós pra ficar do lado da alta cúpula?!

— Não existem lados, apenas perspectivas nesse mundo.

— Oh, e obviamente seguiria a sua! – Ela rugiu de volta, bateu mais vezes no peito dele, não se importando se haveria efeito. — Vendeu meu filho pelo direito de sentar com as cobras!

— Eu não o vendi. Ele é um Uchiha! E um Romanov também! Eu o entreguei para quem poderia fazer dele o que ele é de verdade.

— Quem você é para dizer o que o meu filho será?!

— Eu sou um Uchiha! Ele é um Uchiha! Isso já basta!

— O que o que você pensa que eu sou?!

— Uma porra de uma reprodutora!

As pupilas de Sakura ficaram tão pequenas que quase desapareceram dentro do choque em seu olhar.

O rosto dela tremeu bem como os lábios quando eles se entreabriram.

— Nunca entendi se Itachi realmente simulou errar os tiros, embora parecesse mais fácil considerar que ele estava apenas rearranjando as peças que já tinha usado para serem usadas de novo.

Izuna franziu o cenho, desarmado.

— Por quê?

Sakura puxou a arma que ganhara de Itachi. Por que ela era uma da Uchiha.

A única.

E nem mesmo outro Uchiha tiraria isso dela. Ou um homem.

— Por que algumas peças não servem uma segunda vez. – Ela apontou a arma para ele, mas desviou para a testa de Utakata e ele sorriu como se já esperasse.

— Sem segundas chances desta vez, gazela?

— Só criaram um Adão. – Ele franziu a testa ligeiramente, o dedo dela foi para o gatilho, e ele encarou seus olhos verdes malditos novamente como se tudo o que quisesse no fim, de verdade, fosse isso. — É Koyosegi agora, Utakata-san, e obrigada, pelas aulas.

— Você era uma péssima aluna.

Sakura puxou o gatilho, o sangue do homem espirrando em sua face, ele caiu e uma mulher surgiu gritando.

Sakura olhou para seu corpo e rosto, e ele lhe parecia verdadeiramente melhor.

Talvez só assim desse para se livrar do peso de tantas máscaras. O erro dela foi tentar dar-lhe outra mesmo que fosse para libertá-lo.

— Eu vou melhorar, Utakata-san. – Prometeu, encarando Izuna em seguida. — Eu vou melhorar.

Principalmente depois que podasse algumas arestas.

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Gulbrandsen esmagou o corpo entre os dedos e só então se levantou.

— Tínhamos um trato.

— Um trato temporário. – O representante da Tríade rebateu, dando as costas primeiro e abandonando a sala. — “Apareceu um melhor”, o chefe disse.

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— Parece que o show acabou. – Utakata disse.

Max desejou que fosse verdade, se eles só se mantivessem escondidos aquela gente iria embora e alguma coisa boa poderia finalmente acontecer.

Quando voltou sua atenção para ele, o viu apontando a arma novamente e instintivamente segurou seu ombro.

— O que está fazendo?! Quer morrer?!

Ele sacudiu o braço desvencilhando e pressionando o gatilho, Max ainda puxou seu braço novamente e arma desceu um pouco, o tiro ressoando mesmo assim.

Utakata bufou, irritado e se levantou enquanto ela ficou sentada no chão com as mãos nos ouvidos assistindo aquele homem perseguir a morte obsessivamente.

Até conseguir alcança-la.

Ela desviou os olhos para o pacote preto no canto da sala, e se perguntou que destino ele teria. Enterrado como um indigente, entregue a um familiar ou mesmo largado pelo caminho que esse iate agora fazia.

— Não precisa ficar aqui. – Uma mulher japonesa de cabelo tingido de ruivo disse, parada na porta. Ela ofereceu um olhar de compaixão para o saco preto e suspirou vindo até Max com uma coberta. — Sinto muito, mas seja o que for que ele tenha dito, provavelmente foi uma mentira para mantê-la colaborando.

— Ele não mentiu.

Mas ela se perguntou se mesmo assim não havia colaborado. Se não havia lutado menos por que simplesmente queria ver onde tudo isso ia dar. Se tinha mesmo uma desculpa para ser sequestrada, usada como mula para carregar uma criança rapta e cooperar com uma espécie de briga entre sindicatos de crime secretos.

— Então não tem porquê se sentir mal por ele. – A mulher repetiu, abraçando-a com a manta. — Poderia acabar bem pior, ou morta ou envolvida demais para voltar a sua vida de antes.

— Eu posso?

— É o mínimo, você cuidou do bebê.

— Não era como se tivesse outra opção...

— Ainda assim, quanto menos souber e mais rápido puder voltar para sua casa melhor. Podemos garantir isso, mas terá que fazer sua parte.

Max esfregou o rosto, com vontade de chorar.

— Que droga é essa...? Faz ideia de como isso se parece a linha do roteiro de um filme ou sei lá?

— Entendo sim, ainda é o mesmo para mim. Comecei isso tentando prender um criminoso qualquer e acabei vindo parar no mundo distorcido deles.

Karin afagou suas costas sorrindo compassivamente.

— E você tentou ajudar um... Não foi a única.

Max fitou-a, interrogativa e então seguiu Karin para fora dali, subiram para os andares mais luxuosos do iate a todo momento passando por um daqueles sujeitos mal-encarados que os visitara na Tailândia.

Chegaram até a porta de uma das cabines e espiaram pela redonda janela de vidro, o quarto era espaço e requintado, na cama o homem que Utakata baleou se recuperava parecendo inconsciente, como estava sem camisa, podia-se ver a série de hematomas e cortes que ele tinha e a faixa que envolvia o pescoço.

— Utakata quase o matou, de verdade. É quase difícil de acreditar.

— Quem é ele.

— Alguém como Utakata? Todos eles são. – Karin disse, cruzando os braços. Maxine assistiu a deslumbrante mulher de cabelos cor de rosa surgir de um canto trazendo o bebê nos braços, ele mamava afoito e ela se sentou na beirada da cama, arrastando a mão livre para acariciar o rosto do homem. — Mas nem todos eles encontram uma saída.

— Ele fez tudo isso para encontra-la... E ela o matou.

A outra a encarou, parecendo surpresa, e falou mais baixo.

— Você também acha?

— Você acha?

Karin limpou a garganta e olhou ao redor, o corredor vazio.

— Não fazia sentido. Depois que Gul-... Enfim, depois que o chefe dele o dispensou, ele deveria se revoltar só contra ele. Sakura até mesmo arranjou-lhe uma forma de sair do sistema, mas ele voltou e levou o bebê, tentou matar Sasuke e por todos nós diretamente em confronto com o outro cara. Mesmo que a intenção dele fosse os ver se matando entre si... Havia outras maneiras de conseguir isso sem envolver o bebê.

Essa gente era manipuladora ao extremo, Karin nunca se deixava esquecer disso pois Sasuke ensinou em primeira mão e Utakata não era alguém de nível inferior. Ele era bom o suficiente para adivinhar seus passos, usou Izuna bem quando ele tentou usar a todos para herdar a cadeira da avó, fez todos seus planos irem por água a abaixo e provocou uma guerra em solo alheio, o que já poderia resultar em outra guerra.

Ele certamente queria se vingar de Gulbrandsen também, usar o menino para chegar até ele, mas não fez isso antes de chegar até Sakura ou Sasuke, porquê?

Porque não usar o menino de isca para a casa nórdica primeiro?

Porque tanto ressentimento contra Sakura quando ela havia sido vítima de sua atuação primeiro? E mesmo o tiro que lhe deu antes foi para salvá-lo?

Ela nunca fora uma romântica nata, e sua ingenuidade nesse campo se foi a bastante tempo, era por isso mesmo que a opção que vinha a sua cabeça parecia ainda mais racional.

Max continuou olhando pela janela.

— Ele não machucou o bebê e nem a mim...

— Isso é algo bom.

— Mas ele não estava nem aí pra si mesmo. Simplesmente nos fazendo passar por cima de tudo até aquela pessoa, até provoca-la ao limite.

— Ele conseguiu...

— Por quê era tudo o que ele poderia fazer...- Max balbuciou e fitou Karin. — Para ter sua atenção...?

A outra assentiu lentamente.

— O problema do mundo deles é esse... Vivem tão mergulhados em seus esquemas complicados, suas vidas duplas e triplas, conspirações mirabolantes que coisas simples como essas simplesmente não são vistas realmente são.

Maxine concordou, suspirando, olhou para o perfil da mulher e então do homem.

— Ele estava perdidamente apaixonado por ela, não é?

— Perdidamente e obsessivamente...

— Eles conviveram bastante, não é?

— O coração dela era de outro até mesmo quando ela não se lembrava.

— Entendo. É algo difícil de vencer.

— E torna a derrota mais difícil também, suponho.

Difícil o suficiente para se ficar louco.

Mas no fim, nenhuma delas saberia a verdade ou poderia confrontar Utakata mais.

Só restavam as teorias, porém Max decidiu se apegar a essa, pois, se houvesse a possibilidade de ela ser real. Então a morte de Utakata teria sentido, mesmo que fosse muito distorcido pro conceito de amor que ela acreditava.

Ainda era melhor que uma morte por perseguir a morte.

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— Shhh, shhh, shhh, não chore, não precisa chorar.

Sasuke abriu os olhos, embaçados e incomodados com a claridade, sentia a cabeça e o pescoço muito pesados quase dificultando sua respiração.

— Não chore, sim? Está tudo bem agora. – Sakura disse, a voz soando um pouco distante, mas ele sentiu sua carícia no rosto e respirou profundamente, sentindo o peito estremecer, piscou mais algumas vezes e olhou para o lado, localizando-a, ela sorriu para ele e desviou os olhos para Indra, Sasuke olhou bem o menino, cochilando no colo dela. — Não precisa chorar, está tudo bem.

— Ele...- Balbuciou, e mexeu os dedos procurando saber medir a sensibilidade deles e se podia mover os membros.

— Hum?

— Ele... Não está chorando. – Disse, limpando a garganta, conseguiu ergueu o braço e gira-lo para tocar o pé de Indra e então notou Sakura o fitar com a boca entreaberta. — O quê?

Ela expirou, e sorriu docemente, então levou os dedos até os cantos dos olhos dele.

— Não estava falando com ele, estava falando com você, meu amor.

Notas finais
ÉOQ??? Sasuke chorando e não é de tesão??????????????? Utakata MÓ-RREU. Baby Indra voltou pro ninho dos papains ♥ VAMOS DE FÉRIAS EM FAMÍLIA? Vamos sim pq aqui Corona vai ser só cachaça e olhe lá! Sakura levou três, três, TRÊS facadas num mesmo cap e ainda teve que aguentar bolinada de macho escroto. Meus amigos... Essa mulher, essa mulher vai matar a Eva dentro dela e encarnar a LILITH de uma vez por todas, então vamos todas agradecer ao Utakata por seu valoroso sacrifício. Então quer dizer que o Stevan tá dando uma de joão sem braço? Mais um pra lista de sacrifícios em honra a Sakura Lilith? Então quer dizer que Izuna tava querendo o assento vago na alta cúpula? ~ANÁLISE~ PS: Quem será no nosso dançarino de tango bulinar (deixa só o Sasuke saber disso) ? Esperando as teorias, não me deixem enlouquecer sozinha nessa quarentena, taokey?! PS2: A Florence dando leite de burra do Indra é minha meta de ser a tia madrinha rica. Até maaaais!