Vingador Vol. II
34 33. Yuki Onna.
Notas iniciais

A dispersão foi vista como a melhor ideia por enquanto.
Karin, Naruto e Shikamaru retornaram mais uma vez ao Japão, Kakashi de boa vontade desapareceu com a companhia das gêmeas e uma parte dos outros números, 87 e o resto também desapareceriam em destinos diferentes.
Em questão de semanas seria Natal, mas até que Damian arrumasse a casa para eles na França, o que havia adiante era apenas mar.
— Você tem certeza de que pode mover essa coisa até a Europa? – Sakura perguntou, Sasuke beijava seu ombro, abraçando-a por trás enquanto um estonteante pôr do sol começava a frente deles.
— Meio tarde para duvidar das minhas habilidades de velejador. – Ele rebateu.
Agora eram só eles três nesse navio enorme em águas internacionais até darem a volta no continente e chegar à costa francesa. Uma definição estranha de viajem de família.
Mas era isso, família.
Sakura girou, o abraçando e suspirando.
— Ao menos temos muita comida.
— Sim, não vemos comer a perna um do outro antes de chegar.
— Você não teria um gosto muito bom...
— Você e o bebê são macios.
— Tão mal!
Eles escutaram Indra chorar lá dentro, se entreolharam trocando um suspiro. O menino não ficava mais sozinho sem espernear, enquanto acordado não largava de Sakura, provavelmente ainda aflito pelos dias que passara longe dela e do estresse que isso causou. Ele não queria nem o colo de quem já estava acostumado, fora a mãe.
Ambos voltaram para dentro, o encontrando de pé no berço fazendo um berreiro que deixava até Plum agitado em sua roda.
— Mamãe está aqui, tudo bem. Oh, você tem que dormir mais, sabia? – Ela o pegou, ninando-o outra vez enquanto ia para a cama, Sasuke se sentou do outro lado. Não havia muito que pudesse fazer além de avaliar mais uma vez a rota que traçara. O mar estava tranquilo no momento, porém o vento logo ficaria forte e ele teria que cuidar das velas e do timão.
Quando chegassem ao oceano ártico as coisas ficariam mais difíceis de manejar e frias, exigindo que estivesse com o corpo a cem por cento.
Nesse meio tempo, Indra se acalmaria e também se acostumaria com a dinâmica mais agitada de um veleiro e a companhia do pai, que ele parecia ter esquecido depois de ficar longe de Sakura.
Olhou para o menino, mamando de novo, e revirou os olhos.
Pelo menos um deles não estaria preocupado com a falta de suprimentos nessa viajem.
— Se ele ficar mais gordo poderemos usá-lo como isca de baleia, o que acha?
— Hahaha! Ele nem está com fome, só não quer largar o peito.
— E pensar que cogitei exame de DNA...
— Ca-cale a boca!
¤
Semanas depois. Estrasburgo, França.
O interior da Alsácia durante o inverno e em clima de Natal conseguia ser verdadeiramente adorável.
Sakura inspirou o ar frio daquela tarde e embora a vista fosse bonita, amasse a neve e o clima natalino, ainda sentia falta de estar no veleiro. Lá eram só ela, Sasuke e Indra, e nem mesmo o oceano em seus piores dias a deixou com mais medo do que a terra firme oferecia.
Enquanto velejavam, ela poderia esquecer dos planos que precisava fazer, que precisava acabar por mais tempo, agora, estava de volta a esse mundo torto e sangrento, e o jeito era se preparar para ele.
Observou Indra com o bumbum na neve já a tempo demais, e não sabia se ele parecia gostar do frio ou se realmente não conseguia ficar de pé como ultimamente.
— Vem cá, vem? Aqui. – Chamou, estendendo as mãos para ele, Indra encarou-a, e mais uma vez tentou ficar de pé, caiu sentado e deitou no chão.
Sakura tentara ensiná-lo a fazer anjos na neve, não deu muito certo. Talvez quando ele fosse maior.
O menino rolou outra vez, voltando a se sentar, deu uma risadinha satisfeita e veio engatinhando mesmo, parecendo um rolinho dentro das roupinhas de frio e com um gorro escondendo seu cabelo, Sakura o segurou e se levantou, decidindo ir para dentro.
Passou pela porta de correr e fechou-a atrás de si. Ela e Indra foram recepcionados por uma lareira quentinha e o perfume de fondue de chocolate.
A espiriteira os esperava sobre uma mesinha perto do sofá.
— Olha, bebê! Chocolate! – Sakura se sentou no tapete felpudo junto com ele, tirou-o do casaco grosso que vestia e pegou um garfo com um grande morango molhado no chocolate e começou a soprar para esfriar. — Ei! Ainda não! Vai se queimar. – Disse, quando ele puxou sua manga.
Deu-o para ele morder, seus dentinhos de leites eram branquinhos, brilhantes e ainda meio espaçados.
— Cuidado com todo esse chocolate, ou seu Sasuke de morango vai ficar obeso. – Damian afirmou ao entrar na sala.
A família Blancheflour era a origem oficial de Mikoto Uchiha, ela era a filha mais velha da Casa Normanda, mas abriu mão da liderança para se tornar uma Uchiha, e deixou o legado dos assassinos franceses seguir na mão da irmã mais nova, Marrie Shizuko, mãe de Damian.
Atualmente os normandos não pretendiam se envolver no que ocorria com os Uchiha, algo que a própria Mikoto fizera questão desde muito cedo. Agora o quadro era outro.
Sakura não tinha seu apoio confirmado, mas não pretendia fazer uso das informações que Itachi lhe confiou para chantagear os parentes. A não ser que fosse estritamente necessário.
— Oh, até você? Quantas vezes tenho que dizer que ele só é fofinho?
Damian riu, ele ainda lhe parecia um cara muito cruel e frio principalmente quando se via perto de coisas frágeis como Plum ou mesmo Indra, mas ela tinha que admitir que ele estava sendo um anfitrião muito adequado.
Ele se sentou na poltrona, cruzando as pernas e inspirou.
— Onde está o sequelado?
— Sasuke?
— Ahahahahaha! Até você admite! – Sakura arregalou os olhos e tapou a boca no mesmo instante, Indra ergueu a cabeça e a fitou, interrogativo.
— E-eu não quis dizer isso!
— Hahahahahaha! Você quis!
Ela nem conseguiu reagir, Indra foi roubado de seu colo e tudo o que pode fazer foi encarar Sasuke com um pedido de desculpas. Ele lhe mandou um olhar do tipo como “queria derreter sua cabeça nesse fondue”. E levou o menino consigo para o sofá.
— Está sentindo esse fedor de queijo, filho? Franceses...
— Pelo menos o queijo aqui não está cheio de buracos.
— Disse alguma coisa, Ratatouille?
— Quem gosta de ratinhos aqui, não é você? – O outro rebateu, cinicamente. Sakura franziu a testa quando recebeu um olhar de Sasuke.
Ele olhou para o filho também e suspirou.
— Touché.
— Hahahaha!
— Como assim, touché?! – Ela protestou, esmurrando a canela dele. Indra se refestelava no morango que roía, todo sujo de chocolate.
— Você não tem que ir se arrumar? Ou esqueceu da festa, madame Uchiha? – Sasuke rebateu.
— Ah... Bem, que seja. – Ela se levantou, fazendo questão de pegar outro garfo com morango e também o menino. Sasuke não fez muita questão já que o moleque estava todo melado. Ela que o limpasse.
O sistema patriarcal e suas vantagens.
Cheia de si, ela saiu da sala, ele tinha vontade de rir, mas não se arruinaria agora.
— Você também não tem que se ajeitar? – Damian indagou, estreitando os olhos.
Sasuke suspirou, se levantando, não pode deixar de olhar para lá fora e fazer careta.
— Que frio do caralho.
— Talvez você que esteja muito quente?
Sasuke lembrou das últimas semanas, e decidiu que a coisa era bem o contrário.
¤
A festa de natal que a Folha estava promovendo aconteceria num luxuoso hotel longe da cidade, os convidados foram incentivados a usar o tema “inverno” para aparecerem trajados em roupas extravagantes e o salão todo parecia mais como um filme da Disney que Sakura assistira com o filho mais cedo.
Antes de sair do carro, não pode deixar de olhar para Indra e estremecer de aflição.
Sabia que hora ou outra isso teria de acontecer. Indra era o verdadeiro herdeiro da Kuran, ela própria se encargou de reivindicar isso. Agora tinha que aceitar que ele teria de aparecer diante outras casas hora ou outra.
Gostaria de ao menos esperar mais um ano, talvez até dez. Mas, o que houve em Hong Kong não podia ser totalmente ignorado.
Muita gente lá dentro queria pôr as mãos nesse bebê, mas ninguém ousaria fazê-lo no meio do salão. Ao menos ela esperava poder contar com isso.
— Senhora? – O motorista indagou, ela suspirou, e assentiu, ele saiu, abrindo a porta e ajudando-a a descer do carro. Sakura pegou Indra no colo e novamente se atrapalhou um pouco com os trajes que vestia e também o peso dele.
— Precisa de ajuda, senhora? – Ela se virou, assentindo, e quando encarou tal rosto, quase quis se desfazer em lágrimas.
Indra olhou para ela, curioso e então direcionou o olhar para 90 que acenou para o bebê com um sorriso animado.
A última vez que ela o vira, ele estava dando a vida para a ajuda-la a fugir enquanto estava dando à luz a Indra. Ninguém deixou-a sequer visitar 90 enquanto ele estava em coma.
Diziam que não era para ela se afligir mais, porém Sakura sabia que no fundo, nem 90, 87, as gêmeas ou qualquer um da casa Sem Nome queria ser visto daquela maneira.
Eles cresceram sem receber uma única gota de empatia, tendo somente a si mesmos para contar e com seu direito à vida resumido a servidão de um Sistema que lhe era injusto desde antes de nascerem. Então era difícil para eles aceitar a compaixão ou a preocupação de estranhos, ou falharem e se ferirem e não verem isso como uma derrota.
Sakura queria agarrar as bochechas de 90 até ter certeza de que ele estava mesmo bem e manda-lo tirar mais férias. E sabia que seria bobagem sua. Sorriu e ofereceu Indra para ele.
— Preciso, sim, obrigada.
Indra se debateu um pouco no colo do estranho, e ficou encarando-a como que para ter certeza de que estava tudo bem, Sakura afagou seu cabelo, penteando-o para trás. Parecia que ele também não escaparia de ter um cabelo rosa encaracolado.
— Wow, ele é pesado mesmo. – 90 concluiu, com ar de quem comprovava algo que já lhe haviam dito várias vezes. Sakura fez muxoxo.
— E-ele está no peso ideal!
— Imagine o não ideal...
— Ugh.
— Melhor entrarmos. – Damian disse, após sair do carro atrás do dela, ofereceu o braço para Sakura que aceitou, inspirando profundamente.
O salão, como ela já havia visto numa foto de celular, estava todo decorado com o tema invernal, tapetes e cortinas brancos, decoração com cristais, esculturas de gelo e flocos de neve. A maioria dos convidados vestia branco, ou azul gelo, e outros tons puxados para o frio.
— Agora que estou olhando melhor seu traje. – Damian começou, olhando-a apreciativo. — Está tentando voltar às origens?
Sakura piscou, pensativa e então puxou o leque do obi de seu longo e bonito quimono de inverno o abriu em frente o rosto, sorrindo com os olhos.
— Talvez?
Ela também usava extensões no cabelo, mexas de fios louro platinados que se misturaram com seu cabelo rosa e o alongaram como o de uma verdadeira Hime da antiguidade. O quimono tinha várias camadas de seda, do azul profundo nas camadas internas ao branco com bordados de flocos de neve na camada de cima.
Ela nunca tivera muitas oportunidades de vestir quimono, só recordava de ter vestido quando ainda morava com os pais, quando adolescente ou adulta, não.
Não havia nada de especial na escolha do traje, a Folha era basicamente uma alta sociedade de assassinos, em eventos como esse, chamar a atenção de todos com extravagância e ostentação não era diferente do que faziam os ricos de um modo geral.
— Como está sua mãe? Ela virá?
Sakura não teve a oportunidade de conhecer Marrie desde que chegara, a mulher não estava em Estrasburgo por aqueles dias, porém Sakura concluiu que ela viria para estar nessa festa. E tinha muita curiosidade acerca da irmã da sua sogra. Quem sabe ela fosse muito parecida com Veena-sama?
Talvez Sakura só quisesse ter novamente uma figura materna para a aconselhar, mas estava ansiosa para conhecer a mãe de Damian, e torcia para não a desagradar.
Damian deu de ombros, sempre tão embaçado e cínico quanto Sasuke era.
— Quem sabe?
Ela não insistiu, embora aborrecida.
Indra estava muito entretido olhando ao redor, Sakura notou, com alívio, que havia outras crianças na festa, meninos e meninos bem vestidos correndo por aí, como crianças normais, mas já eram velhos demais para querer brincar com seu bebê.
Sakura não fez muito para transitar pelo espaço, não deixando de cumprimentar a todos de maneira mais extrovertida enquanto permitia que conhecessem Indra.
“Ele não parece tanto com o pai ou os avós” tanto quanto um relutante “Ele lembra o pai” foram os extremos de tudo o que ela ouviu durante a noite. Traduzia o sentimento geral das pessoas ao redor. Parecia que simplesmente admitir a origem de Indra era realmente como invocar o grandioso fantasma da Kuran para aquelas pessoas.
O perigo estaria em torno de seu menino enquanto ele levasse o peso do nome e sangue com os quais nasceu. No entanto, Indra também carregaria um poder e um respeito, até mesmo temor, que beiravam a veneração.
Era muito bom confirmar isso. Tornava os planos futuros muito mais consistentes na visão dela. Embora Sasuke ainda relutasse.
Bem, ele sempre relutava quando se tratava de seguir o que ela pedia. O que era engraçado considerando que fora este aspecto, ele sempre a estava seguindo em todo o resto...
No entanto, Sakura sabia que ao menos no momento, não poderia desejar cobrar confiança dele. Não neste momento.
— O representante da casa Holandesa gostaria de falar com a senhorita. – 90 avisou para ela, perto de seu ouvido. Sakura arqueou a sobrancelha ligeiramente, olhando ao redor, disfarçando um pouco. Localizou um homem de cerca de quarenta anos, baixo e um pouco corpulento, usava um terno todo cinza e camisa preta por dentro e apesar de ter um tom de pele naturalmente branco, levava manchas ainda mais brancas no rosto e mãos.
Sakura suspeitou que a aversão social ao vitiligo fosse a causa da clara carranca que ele levava, mas quando ele a fitou, o homem cumprimentou-a com uma expressão tão indiferente quanto, de certa forma, cordial e respeitosa.
Talvez ela só notasse a abertura pacífica em sua postura agora porque, devido a quem ele era filho, já houvesse criado a impressão de que ele também seria detestável.
— Sr. Ruiter, hum? – Comentou, pensativa. — O sobrenome da casa holandesa é Ruiter, por quê? Não deveria ser Brunswick? – Indagou, voltando-se para 87.
Ele desviou seus olhos de águia para ela. Sakura também poderia estar sendo um pouco exagerada ou metida, mas sentia que com Indra em público, 87 agia de forma muito mais protetora do que normalmente era só com ela.
— Rutger Brunswisck era sobrinho do anterior chefe da casa Dinamarquesa, ele se casou com a filha dos Ruiter da casa Holandesa que morreu de uma complicação do parto decorrente de um câncer já avançado quando engravidou. Ele assumiu a casa Holandesa, com o tempo, se tornou parte da alta cúpula, e deixou o comando para o filho, o resto da família Ruiter sempre o aceitou, mas nunca o deixou de considerar apenas um reprodutor útil para a casa. Ele não pode interferir nisso mesmo se tornando membro da alta mesa.
— A linhagem das casas está acima de tudo nesse aspecto. – Damian disse. — Não importa se o primogênito é homem ou mulher, o filho dele vai levar seu nome. Por tal motivo, minha tia só se tornou Uchiha após deliberadamente abrir mão de seu direito como primogênita e passar o poder para a minha mãe. Os segundos ou terceiros filhos só servem para estreitar alianças, mesmo que tomem o controle da casa como Brunswick fez, o nome dele jamais conseguiria se impor sobre o nome da herdeira.
— Oh, entendo... Por isso Itachi ia se casar com Izumi? Para não aceitar gente de fora junto do herdeiro? Veena-sama e Fugaku-sama já adivinhavam o que viria, talvez?
— Izumi era uma prima em quarto grau, sendo que a mãe dela era uma assassina associada, sem família, ela era como... Aquele cara, Utakata. Então Izumi não teria consanguinidade suficiente com Itachi para pôr em risco a linhagem, os Uchiha sempre foram um pouco mais bizarros se comparados com o resto. – Damian deu de ombros. — A eles sempre importou somente três coisas: Se o casamento não ameaçar a linhagem, se o casamento não ameaçar o nome, e se o casamento for de interesse realmente sincero.
Independente de qual o interesse. Desde que o casal soubesse qual fosse de forma clara...
— Oh, sim? – Ela bateu palmas, encantada.
Claro que ela confundiria isso com a ideia de “casamento por amor” e se empolgaria, eles pensaram. Por mais que na prática pudesse ser bem diferente. O casamento de Fugaku e Veena teve tantas vantagens para os Blancheflour quanto para os Uchiha, o amor entre eles era a cereja do bolo.
E voltando mais atrás, no tempo, o exemplo oposto se fazia claro, a mãe de Fugaku não se uniu aos Uchiha por amor, mas por sobrevivência. Se a casa czarina não tivesse perdido seus principais chefes por questões políticas, ela poderia ter se casado com algum segundo filho. Quando a mãe de Antanasia sobreviveu aos bolcheviques, não havia sobrado muito da casa czarina para se vangloriar, casar a filha com Fugaku foi o melhor que ela pode pensar para manter sua linhagem viva, mesmo que sob a de outra família.
Talvez sempre tivesse sido plano da velha Antanasia, ou apenas sua revolta, ela nunca aceitou que os filhos fossem apenas Uchihas. Não aceitou até o fim.
Fim da casa Czarina.
— Hm... Com quem Sasuke deveria se casar então...? – Sakura se perguntou, muito pensativa, enquanto passava a mão no cabelo de Indra numa inútil tentativa de domá-lo.
Damian e 87 se entreolharam, já pressentindo coisa ruim. Mas como geralmente ela se direcionaria a Sasuke...
— Os tios não chegaram a definir nada como foi para Itachi. Eles sempre deixaram as coisas em aberto.
— Mas candidatas não faltaram...- 87 comentou, por alto, mesmo de perfil eles podiam ver as bochechas dela crescendo.
— Quem eram? As irmãs italianas?
— Talvez...?
— Píton tinha chance?! – Sakura exclamou, mais falando consigo mesma.
— Não acho que agora tenha... – Damian recordou, mas ela seguiu pensando sozinha.
— Aquelas meninas gregas também estavam cheias de si na minha festa de aniversário, humpf. – Sakura encarou Indra, e apertou sua bochecha. — E você? Também ficaria bem de cabelo preto, não?!
— Uh. Acho que já podemos ir até Ruiter. – 87 avisou.
— E a irmã da Florence?! – Sakura os encarou, Damian pigarreou, e ela afilou os olhos em sua direção. — Ela parecia se achar uma noiva traída!
— Não é como se o Sasuke a tivesse dado um anel...
— Mas?
— Não é como se uma aliança estreita entre a Kuran e a Casa galesa não fosse super desejada...
Ela ficou vermelha.
— Quer dizer, até chegaram a cogitar unir Itachi com Florence mas, seria o mesmo que tentar juntar dois lobos alfa, sem falar que levando em conta a tradição de linhagem, acabaria havendo uma guerra para definir que nome e casa o filho desses dois herdaria, e se unissem as casas, haveria uma guerra com o resto da Folha. Deixar o comando nas mãos de Estela? Sabemos bem a merda que daria...
87 deu uma cotovelada vigorosa em Damian, ele baixou os olhos e recebeu o bebê nos braços sem ousar dar um pio.
Sakura deu as costas, bufando.
— Tch, eu devia ter usado o material de Itachi mesmo. – Ela saiu arengando. Damian observou 87 segui-la rindo baixinho e fitou o bebê.
— Hora de ir pra caminha, seu projetinho de destruição em massa. – Deu as costas estalando os dedos e seguindo para fora do hotel na companhia do menino.
¤
Sakura esperou o sr. Ruiter acompanhá-la para a saída de um dos salões de festa que oferecia vista para um grande gramado, circundado por árvores e atualmente coberto por vários centímetros de neve.
Os homens dele e os dela cobriam os arredores para que sua conversa continuasse privada.
— Pretende voltar para Amsterdã depois da festa, senhor? – Ela indagou, amigavelmente. Embora incomodado pelo frio, o homem que tinha praticamente a altura dela não se deixou abalar e parou ao lado, segurando uma taça de champanhe rosé.
— Já estive viajando o suficiente, hora de voltar a segurar as rédeas. – Ele respondeu, um tanto áspero e mal-humorado. Sakura disfarçou o pequeno sorriso que lhe veio.
Parecia ser verdade que o chefe holandês não apreciara a intervenção do membro da alta cúpula num assunto que só dizia a respeito à casa Holandesa.
Quando foi apelar por ajuda para resgatar Indra, é claro que ela queria a mão de alguém da mesa, mas Rutger Brunswichk fez questão de se sentar na cadeira do filho para respondê-la, além que em Amsterdã, mesmo ele deveria respeitar a autoridade do chefe da casa antes de se acomodar e receber reuniões de fora.
O fato de ser pai do chefe de uma casa não podia influir nas decisões da Alta cúpula bem como nas decisões individuais daquela casa. Ou todo mundo iria exigir ter um representante de sua casa na alta mesa e tudo se tornaria um caos rapidamente.
Também lhe parecia que Rutger subestimava um pouco demais esse filho dele. Talvez seja pela aparência, ou por não ser um desgraçado misógino como ele.
Na verdade, agora que sabia melhor a história, ela entendia por que Rutger desdenhava tanto do poder de uma mulher. Ele não teria chegado aonde chegou se não fosse por uma, e parecia incapaz de aceitar isso, bem como talvez não aceitasse que o filho não fosse mais fiel a ele do que era ao nome da progenitora.
— Entendo. Eu ainda pretendo continuar viajando. – Comentou. — Não quero perder tempo com meu bebê. Tampouco é como se eu pudesse fazer algo sobre as mudanças que vêm ocorrendo...
— Não sozinha. – Ele pontuou, ela assentiu, mantendo o bom-humor.
— Não sozinha.
— Para onde pretende ir? Um lugar mais quente, eu presumo?
— Oh. Fui muito bem recebida na Grécia, mas estava pensando em aceitar o convite dos Bennett. Eles têm crianças como o meu bebê, e parecem fazer questão de estar distantes dessas marés agitadas.
— Austrália, hm? Sim, são uma casa muito fechada... Como a dos Balcãs... – Ele disse, fitando-a de soslaio, estreitando os olhos enquanto bebia. — Isso me lembra, não vi Stevan por aí ainda.
— Oh. Sr. Savió? Imagino que tenha preferido passar o natal com suas crianças. Ele nunca as leva a esses eventos, certo?
Harvard Ruiter teve que concordar. Savió nunca trouxe os filhos a luz, embora qualquer um que investigasse com mais afinco poderia obter fotos dos meninos, não era como se houvesse um motivo forte para invadir a privacidade da casa Balcã. Eram outra casa considerada muito fechada, e não costumava se meter com assuntos de estranhos.
Bem, a casa Senegalesa era da mesma forma... E agora havia sido extinta num único ataque.
Porém, não havia nada que ligasse ambas as Casas, ou que, principalmente, ligasse elas a essa mulher.
Ainda assim, ele não confiava nela. Apenas esperou que ela fosse um pouco mais mordaz, principalmente após a desfeita que seu pai a fizera.
Talvez os boatos de que era uma criatura muito torpe para esse mundo fossem verdade. Ela poderia ser capaz de traçar alguns caminhos aqui e ali, com orientação dessa gente com ela, mas nunca de ir tão longe...
Como fazia parte da comissão que se responsabilizou por investigar o incidente da casa Senegalesa, ele dava certa importância a apuração dos fatos.
Talvez houvesse sido uma briga interna, talvez aqueles que os senegaleses prejudicaram tivessem se unido, e talvez tivessem caído na armadilha de outra casa.
Mas seja quem fosse que tivesse dado um jeito neles, fez com muita perícia. Sabia o que estava fazendo melhor do que a motivação.
Sakura deu mais alguns passos, caminhando na neve, uma nova nevasca ameaçava cair, criando vendavais de neve por toda a paisagem e sacudindo a longa trança dela.
— Hm, mau lembro como foi meu último Natal... Parecem anos... – Ela suspirou, olhando para o céu nublado.
— Se me permite a pergunta. – Ele disse, olhando um tanto curiosamente para os padrões de bordado e cores que constituíam o quimono dela. — Está vestida inspirado no folclore ou apenas no tema da festa?
— Oh, o senhor me pegou. – Ela disse, sorrindo por trás da manga do quimono. — É folclore. Já ouviu falar de Yuki Onna?
— Nem.
— Meu vovô Sarutobi lia tudo de mitologia para mim, ele era xintoísta, me fez acreditar em deuses... Em Shinigamis... Yuki Onna é a mulher da neve. Ela atrai homens tolos para a nevasca onde eles morrem...
Sakura deu mais alguns passos, uma risadinha baixa quase imperceptível soou dela, olhou para ele por sobre o ombro, e seus olhos verdes sorriam como uma perfeita armadilha.
— Me pergunto, que homem tolo me seguiria para a morte esta noite?
¤
Sasuke estalou a língua enquanto se acomodava na sua cama de neve. Só de ver as luzes quentes do hotel o deixava irritado.
Ele era como a menina da caixa de fósforos hoje, se ficasse mais tempo ali, terminaria que nem ela.
Cobriu-se com a capa de camuflagem bem como o rifle. Se acomodou e olhou pela mira. A nevasca estava engrossando, e ele procurou a cabecinha rosa de Indra entre os braços de alguém e estranhou não ver. Se o pedaço de pecado original estivesse rolando por aí na neve ele ia deixar todo o catarro para aquela rata da mãe dele recolher.
Pelo o telefone, discando para Damian, pôs a escuta no ouvido.
— Onde está o projetinho de meliante?
— Roncando aqui do meu lado. Mon dieu, ele parece ainda mais com você assim. Sakura devia mesmo ter usado o material do Itachi.— Damian disse, Sasuke notou o ruído leve do motor do carro.
— Estão voltando.
— Achei melhor. O pentelho fica fora do risco de bala e de quebra a mãe dele não o manda pra adoção.
— Que diabo esse elefantinho cor de rosa aprontou? Golfou em alguém?
Sasuke meio que esperava que sim.
— De repente entramos numa conversa sobre com quem você teria se casado para fortalecer a família e Sakura talvez tenha deixado de amar o garoto por uns dias.
— Puta que me pariu. Ela surtou, não é?
— Aham.
— Será que não dava pra ter avisado a ela, que a cabeça da minha quase “noiva” surtada agora é enfeite na estante da Florence? Estela já morreu, porra!
— Bem como a Evangeline, embora ela também tenha ignorado essa parte. Ei, fale com Martino, acho que as irmãs dele e aquelas gregas gostosas estão em perigo.
— As gregas gostosas?! Como ela soube das gregas gostosas?!
— Ela não fez aniversário lá?
— Puta que me pariu sete vezes.
— Enfim acho que a reunião já está acabando, não?
— Tsc. Mantenha o mensageiro do apocalipse dentro de casa.
— Desde que ele não faça tudo pegar fogo.
Sasuke desligou e voltou a atenção para a busca do algo.
Não foi difícil ver Harvard, ele continuava um baixinho, e isso sempre lhe fez ter dificuldades para impor respeito. Embora todo mundo soubesse que ele estaria melhor sem o desgraçado do pai por perto.
Ajustou a mira para Sakura. Aproveitando para estudar seu traje, lambeu os lábios, pensativo.
— Hm... Posso pensar em outras coisas para queimar.
Quantas camadas de quimono ele poderia tirar dela antes de amansá-la por completo?
Só esperava retirar camadas o suficiente para encontrar as verdadeiras intenções de Sakura por trás desse plano.
A conversinha dela com Harvard já estava longa o suficiente, Sasuke vasculhou o hotel com a mira. Percebendo a disposição dos holandeses e também dos homens que acompanhavam Sakura, sabia que havia escolhido o ponto certo para atirar.
Haveria tempo para escapar, e o alvo não estava esperando por um ataque pois estava focado em outra coisa. Também em descobrir as intenções de Sakura em falar com o Ruiter.
Sasuke encontrou a janela dois andares acima de onde Sakura estava, não demorou para Rutger surgir empurrando a cortina e olhando para baixo como uma verdadeira serpente.
Ele nunca deixaria Harvard dar um passo sem sua supervisão.
Era uma típica falha paternal. Quando os pais focavam mais em monitorar e controlar os passos de suas crias do que os seus próprios passos. O desejo de segurar as rédeas do filhote culminando da morte do pai.
Sasuke ajustou a mira mais uma vez.
Rutger já havia protegido Harvard além do suficiente, era hora de descansar. Sasuke por outro lado, ainda tinha um longo caminho cuidando da sua cria.
Brunswichk caiu para trás, e o som da janela estilhaçando alertou os homens ao redor de Sakura e Ruiter, eles agilmente os cercaram e levaram para dentro, Sasuke ainda deu mais dois tiros na direção de Harvard na tentativa de fazer a ameaça soar estendida para ele também, acertou a cabeça de um dos seus seguranças.
Seu trabalho estava feito. E rapidamente abandonou o posto, junto com o rifle e a capa de neve.
¤
Quando voltou para a mansão Blancheflour, Indra já deveria estar dormindo, mas Sakura foi verificá-lo mesmo assim. Ele ainda não dormia a noite toda sem ela por perto.
Antes de entrar no quarto, a primeira coisa que ouviu foi a risadinha do filho e Sasuke estalar a língua, em seguida.
— Agora você acha graça, não é? – Ela empurrou a porta discretamente e localizou ambos sentados no sofá, Sasuke desmontava e limpava a arma que havia provavelmente usado mais cedo enquanto Indra o observava, sentado no sofá, balançando as pernas vestindo o pijama. Ele soltou uma pequena quantidade de verbos da sua língua de bebê sobre Sasuke, que parou o serviço e ficou olhando-o falar parecendo até admirado.
— Uhum... – Antes que Sakura considerasse que ele pegaria o menino pelo tornozelo e depositaria no berço, Sasuke deu de ombros e começou a falar também. — Pois é, foi o que eu disse, porque usar uma L115 A3 se posso ter um disparo superior com essa Barret M82 A1? Não faz sentindo, não é? Aqueles caras adoram dar pitaco, mas era o meu rabo que estava congelando na neve em troca do tiro perfeito.
Indra falou de novo, balançando os bracinhos, entusiasmado, alternando a atenção entre ele e as peças.
— Eu sei, cara. E daí se eram no máximo duzentos metros? Estava nevando, esses idiotas acham que acertar um tiro de longa distância é simplesmente usar a mira e atirar reto? Pft, tão amadores.
— Ibslglslasbuablugbsh!
— Exatamente! Uma elipse! Você tem que levar outros fatores em consideração antes de prever a trajetória da bala. Você sabe como é, o modelo do rifle, a bala, a resistência do ar, a velocidade do vento e a curvatura da porra do planeta. Coisa básica!
— Bleblahgh, shushiabahsuashau.
— Aham. Exatamente como nas aulas de física, coisa básica, coisa bá-... – Sasuke ergueu a cabeça de repente e encarou o garoto. — Espero que lembre tudo isso quando chegar ao colegial...
Sakura levou as duas mãos à boca para impedir a si mesma de explodir numa gargalhada, ficou sem ar.
— Uma visão adorável... – Ela ouviu, e se não estivesse descalça e tapando a própria boca, seu grito teria sido escutado em toda a mansão. Pulou para o lado, deparando-se como uma mulher de robe cinzento, belíssima pele pálida e cabelos tingidos de loiro parada ao seu lado, espiando a fresta na porta assim como ela.
Se Veena-sama fosse um fantasma, talvez se parecesse assim? Sakura sabia quem era no momento em que teve esse pensamento.
— Se-senhora Blancheflour...- Murmurou, com a voz esganiçada. Marrie voltou a atenção para ela. Tinha uma constituição esbelta, Sakura também sentia que ela parecia pouco saudável, tinha bolsas de olheiras debaixo dos olhos, as rugas acentuavam-se quando sorria, mas era exatamente o mesmo sorriso de Mikoto.
— É o tipo de visão pela qual ela morreria para que acontecesse. – Marrie concluiu, voltando a observar Sasuke dialogar com o bebê. Suspirou, com um ar que parecia de satisfação. — E ela sempre conseguia o que queria.
Sakura de repente sentiu-se envergonhada. Que em sua própria dor e por conta de sua falha, havia esquecido que outras pessoas também tivessem sofrido mais que ela.
— Sinto muito, por sua perda. E, sinto muito por só dizer isso agora.
— Não curve sua cabeça diante outra, criança. – Marrie disse, um pouco do tom professoral e rigoroso de Veena que poderia fazer Sakura facilmente chorar. — Não esqueça que enquanto aquele bebê não for capaz, você terá que manter a dignidade e hombridade da Kuran vivas.
Sakura assentiu, completamente enrolada pela vontade de curvar a cabeça como uma japonesa normalmente faria ou seguir o conselho.
— Mãe? – Ouviram Damian sussurrar, surgindo no corredor. — O que faz fora da cama a essa hora?
Marrie se limitou a dar de ombros e seguir na direção dele.
— Estou velha, não aleijada. Pare de me amolar, mon dieu.
Ele inspirou contendo-se para responder, e acompanhou-a. Sakura ficou no corredor mais algum tempo, pensando em tudo isso, até se lembrar de olhar para porta e ver Sasuke e Indra aparentemente num debate sobre pistolas de fabricação soviética.
Bem, ela ainda poderia dar-lhes mais um tempo e ir buscar um chocolate quente. Indra realmente estava acostumado com a presença dele.
Quando retornou ao quarto, com uma caneca onde bloquinhos de marshmellow boiavam e se desfaziam, Sasuke acabava de deitar o menino no berço.
— Oh, ele já dormiu? E sem querer peito? Parabéns! – Ciciou ela, orgulhosa. Ele a fitou, parada a seu lado. Ela ainda não tinha se livrado das roupas.
Sakura arrumou a manta sobre o bebê e então foi puxada por Sasuke, para longe do berço.
— Eh? O que foi?
— Vamos pro outro quarto.
— Mas...
— Hoje ele fica sem peito, eu não.
— Oq-?! – Ela entalou com o chocolate. — Se-seu pervertido! – Sasuke riu, abraçando-a por trás enquanto atravessavam o corredor, Sakura respirou curto ao sentir suas mãos esfregarem a amarra do obi, e sua boca beijar sua orelha.
— Vamos, não acha que tem que me pagar pelo servicinho de hoje?
— Vo-você... Fez muito bem... A casa holandesa não desconfia de nós ainda... Mas a alta cúpula... – Sakura soltou um gemido esganiçado quando ele mordeu seu pescoço e sugou, suas mãos perderam a força e a xícara quase foi ao chão se ele não tivesse segurado.
— A alta cúpula agora deve estar surtando. E não só os velhos. Todas as casas vão estremecer... Agora que há uma cadeira vaga na mesa.
Sakura não conseguiu deixar de sorrir, deliciada de várias formas. Aquelas cobras traiçoeiras teriam uma prova do que era uma ameaça de verdade. De que não poderiam sair apagando a existência das pessoas sob seu poder da forma que bem quisessem. Este era um jogo para muitas pessoas jogarem, mais do que se podia cogitar.
Gulbrandsen finalmente entenderia quão bem armada ela estava para essa partida, as outras casas ficariam desnorteadas entre se defender e empurrar um candidato que lhes favorecesse.
E claro, que ela tinha sua própria marionete para atirar nesse teatro de bonecos, perfeitamente preparada para a ocasião.
— Chega de conspirações por hoje, amor. – Sasuke disse, girando-a bruscamente para si enquanto largava a xícara na estante.
— Tudo bem.
Sasuke a empurrou para a cama, ela se virou, engatinhando para trás e sendo puxada pela canela. Sentando-se, Sakura o encarou de perto.
— Quero pedir uma coisa! – Disse, ele segurou seu cabelo, no tronco da trança.
— Você não pede mais nada por hoje, amor. – Ele decretou, atacando seu pescoço em seguida, Sakura estremeceu, quase cedendo. — Apenas pra gozar.
— Hmmm, e se eu não quiser? – Retrucou ela, girando para engatinhar no colchão e escapar de seu agarre outra vez. Sasuke emitiu uma de suas risadas predatórias e puxou a perna dela, fazendo-a desabar no colchão. Desatou o obi tão rápido que ela mal poderia notar se não tivesse o visto largá-lo a seu lado na cama. Sasuke puxou cada uma das camadas do traje enquanto ela se debatia igualmente Indra fazia quando tinha que vestir uma roupinha.
Geralmente Sakura era obrigada a desistir por ao menos quinze minutos, Sasuke era, claro, muito mais determinado.
— Hm. – Ele ciciou, roucamente, derramando um olhar apreciativo quando encontrou a última peça, tão apreciativo que a deixava desconcertada mesmo depois de tantos anos – e experiências. — Não vai fugir mais, rata?
— Co-como se fosse adiantar...- Sakura resmungou entrecortado pelos beijos que ele distribuiu por suas espáduas e nuca.
— Pena, eu adoro perseguir você. — Sasuke suspirou, puxando a fina camisola por sobre sua cabeça, seus beijos se tornaram mais e mais intensos, estalando na pele voluptuosa dela em direção a sua coluna e cada vez mais em baixo.
— Como a serpente que é... -
— Certamente há uma cobra aqui.
— D-deixa de ser pervertido! – Sakura reclamou, afundando o rosto quente no travesseiro, as orelhas dela continuavam ficando vermelhas, mas Sasuke as morderia depois. Afagou suas ancas de carne tenra e beijou um globo, ameaçando morder, o suficiente para ela se arrepiar em suas mãos e soltar um gemido vago contra a fronha.
Puxou a calcinha vagarosamente ao longo de suas pernas, Sakura tentou se virar e ele firmou a mão em sua coluna, mantendo-a como estava para em seguida empurrar o rosto entre suas coxas e chupá-la lentamente.
Ela se contorceu, espalhando as pernas institivamente e se agarrou ao travesseiro ainda mais forte. Os gemidos aumentando mesmo abafados na fronha macia.
Sakura sequer tentou conter-se, e não somente por não estar em posição de exigência, considerando que isto era um pagamento. Foi ao orgasmo tão rápido que chegava a ser vergonhoso. Sentia tanta saudade dele assim? Eles passaram semanas juntos no veleiro, honestamente, compartilhando uma intimidade tão tranquila e profunda como a dos tempos em Birdcage, experiência ainda mais rica pela existência de Indra entre eles.
Francamente, parecia que nunca alcançaria uma proximidade com Sasuke que a fizesse deixar de desejar sexo com ele. As pessoas normais falavam de rotinas chatas e do quanto uma rotina que incluísse crianças poderia abafar o fogo de um casal, então porque parecia que quanto mais convivia com Sasuke e se dividia entre ele e Indra, mais desejável ele se tornava?
— Tão rápido? – Ele murmurou, satisfeito, puxou pela perna virando-a de estomago para cima, já sem camisa e com a calça aberta, segurou as pernas dela espalhadas o suficiente para que a luz do abajur não ocultasse nada de seu corpo. Sakura escondeu os olhos com as mãos após um vislumbre de Sasuke lambendo os lábios maliciosamente. — Estava assim de saudade, amor? – Provocou, roçando os dedos em sua entrada, ela estremeceu outra vez e segurou um gemido quando dois dedos entraram. — Ah, isso parece mais gostoso a cada vez. – Como que para comprovar isso, ele beijou-a lá outra vez, puxando sua carne entre os lábios com vigor e um gemido gutural, uma outra mão encontrou os seios dela e Sakura gritou com o contato de sua palma áspera fazendo um agarre firme.
Sasuke empurrou a língua mais fundo dentro dela, antes de deixar apenas os dedos e migrar para o outro seio túrgido e sensível quase ao ponto de dor. Os sonhos molhados que vinham cada vez mais altos do encontro de seus dedos ao sexo dela, a fez ficar vermelha de vergonha. O prazer, contudo, a impedindo de sequer considerar pedir que parasse.
Rindo baixinho, ele esfregou os dedos melados em sua pele, em direção aos seios, as palmas grandes e ásperas os abarcaram e massagearam, deixando-a ganir de prazer ao mesmo tempo em que sofria pela falta do estímulo de antes.
— Estão sensíveis, amor? Parece que eu posso te fazer gozar só tocando neles?
Se inclinando, ele a beijou, Sakura abraçou seu pescoço, sem qualquer objeção quando ele passou os braços por baixo de seus joelhos e a penetrou, apenas um grito agudo morrendo entre sua língua dele.
— Nem sequer fui embora ainda, e já não vejo a hora de estar na Austrália, comendo sua boceta, amor.
Sakura choramingou contra seu pescoço a cada arremetida dele, as unhas fincando-se entre os músculos de suas espáduas, apenas o prazer e a saudade que já sentia dele, comandando seus instintos. Sasuke mordiscou cada pedacinho de seu pescoço, colo, dos seios e estômago e ela já queria desistir de se separar dele, de separar Indra dele, mesmo que por pouco tempo.
Quando eles iriam ter uma vida normal? Perguntou-se.
Não queria viver mais assim, não queria que Indra vivesse assim, como ela, apenas obtendo pedaços do amor de Sasuke, entre cada tentativa de não morrer nas mãos de inimigos.
Queria-o perto deles, para sempre, se possível em paz, e ainda que não fosse, ao menos juntos. Sempre.
— Diga que vai gozar. – Sasuke murmurou entre dentes, a testa pressionada contra a sua, Sakura arquejou, apertando os olhos e seu pescoço.
— Só se... Se... Se prometer uma coisa.
— Sua...? Eu devia deixar você na mão. – Sasuke rosnou, desfazendo-se de seu agarre, ficando firme sobre os joelhos enquanto ofegava. As gotas de suor escorriam por seu tórax marcado de cicatrizes, a mais recente ainda escura no concavo de seu pescoço. — O que pode ser tão importante para que não queira tremer um pouquinho primeiro, hm? – Indagou, puxando um pé dela para beijar. A mão escorregando para o interior de sua coxa.
Sakura riu do termo utilizado, era estranhamente leve para o vocabulário dele, o e nem por isso, menos verdade...
Ergueu a mão, alcançando estomago dele, até descer aonde poderia envolver seu membro com as pontas dos dedos. Respirou fundo, fascinada com como apenas tocá-lo a deixava lânguida e excitada, viu o estomago dele tensionar e ergueu os olhos para os dele, tão escuros e voluptuosos como os de um demônio sexual.
— Você promete ou não?
— “Cumprimentando” desse jeito, como eu poderia negar? – Ele rebateu, mordiscando os lábios, puxou-a pelo pulso, Sakura se ergueu, ficando sobre os joelhos também. Trocaram beijos e carícias, Sasuke afagando suas costas e então seu braço, descendo a mão até a dela, dizendo-a o que fazer mesmo que ela já soubesse. Baixou a cabeça, sugando seu mamilo entre os lábios para ela estremecer. — Faço o que quiser, não já estamos brincando assim faz um tempo, Koyosegi?
— Hmmm. – Ela ciciou, puxando seu cabelo suavemente entre os dedos. — Gosto disso... – Sasuke sorriu, enquanto a beijava, bruscamente empurrando-a para o colchão em seguida, ela caiu sentada, o fitando com desconfiança.
— Trato feito, então, madame. Agora faça sua parte... – Sasuke deitou ao seu lado, puxando seu quadril contra o próprio e de lado, Sakura se apoiou num cotovelo, com a mão livre, puxando o rosto dele. Com um beijo em sua boca e em seguida na curva do pescoço, apertou um seio, a outra mão ergueu a perna dela por sobre a sua, em seguida segurando o pênis contra sua carne. — E goze, hm? – Ele disse, penetrando-a em seguida, Sakura deixou a cabeça descer para trás e seu gemidos ecoaram cada vez mais alto em sincronia com cada estocada dele.
Sasuke não a deu um segundo sem enlouquece de prazer. Sua boca decadente seguia murmurando coisas ao ouvido dela, um braço envolvi-a com força, sem nunca deixar de brincar com seus seios e o outro, mantinha sua perna levantada, facilitando suas investidas cada vez mais insanas.
— Quando se tornou tão devassa, amor? – Sasuke interrogou, os dentes entrecerrados. Sakura se esticou, com um espasmo, derrubando um travesseiro no chão, e apertando as pernas juntas, ele apertou seu quadril com força, se recusando a desconectar-se dela.
Sakura gemeu em satisfação, estremecendo e se derretendo contra o colchão enquanto ele se liberava dentro dela com um gemido rouco. Sasuke a puxou para si, apertando-a contra o próprio corpo e beijando seu ombro. Entre suspiros longos, deixando o ar do ambiente esfriar seus corpos aos poucos, eles trocaram beijos e afagos e ela girou para se acomodar sobre seu peito.
— O que você queria tanto?
Sakura inspirou, sorrindo modestamente, até como se já estivesse esperando receber um não. Acariciou o maxilar dele e beijou.
— Que estivesse lá, no aniversário de Indra.
— Ah... Era só isso?
— Bem, considerando a situação...
Não era como ele se negasse, mas de certo era prático o suficiente para enxergar tal coisa como desnecessária.
Fazer festinhas de aniversário enquanto ao menos metade de uma organização internacional de assassinos, queria a cabeça deles?
Não que Sasuke desprezasse o deboche nisso, mas até ele sabia quando parar...
— Se eu disse que não, ainda teria outra rodada?
Sakura olhou bem para ele e sorriu.
— Sabia que eu estava lendo um livro ma-ra-vi-...
— Era só uma suposição. – Sasuke cortou, ela sorriu, satisfeitíssima e se aconchegou mais contra ele. Com um longo suspiro.
Antes que Sasuke a recordasse que ela ainda devia outra rodada, Sakura se ergueu outra vez, apoiando-se no peito dele ainda mais, deitou a cabeça de lado, e traçou desenhos em seu peito, a unha arredondada pareceu arrastar-se cada vez mais pesada a medida e que ela parecia mais imersa em pensamentos. Sasuke arqueou a sobrancelha quando seu indicador se encravou com bastante força no centro de seu tórax, e ela ergueu os olhos para o encarar.
— Á propósito... Já que falávamos de ocasiões festivas, eu sempre quis saber mais... – Sakura ergueu o queixo, apoiando-o no punho, dessa vez foi seu cotovelo que fez pressão nele enquanto ela o mirava como se pudesse rasgá-lo a qualquer momento para encontrar a resposta que queria, olhos verdes vidrados. — Sobre os casamentos na Folha, poderia me falar?
Sasuke olhou para a porta e depois para a sacada. Então para ela.
— Depois de outra rodada...?
¤
Melbourne, Austrália, alguns meses depois.
— Haru no urara no sumida gawa
Nobori kudari no funabito ga
Sakura cantarolou, batendo palmas se balançando ao ritmo da música, Indra a observava, empolgado enquanto brincava com blocos de madeira, arriscando imitar suas falas, ainda mais enrolado.
— Kahi no shizuku mo hana to chiru
Nagame wo nani ni tatoubeki.**
— Já quer ensiná-lo japonês? – Ino indagou, segurando uma revista entre as mãos.
— Ah, eu gostaria de mantê-lo familiarizado, é de minha raiz também... E eu gostava dessas músicas quando era pequena.
— Entendo, bem. Imagino que de qualquer forma, ele terá uma educação de ponta, falar japonês, inglês ou francês, será fichinha...
Sakura assentiu, pensativa. Embora não fosse como se não quisesse oferecer o melhor do melhor para a sua criança, o problema não estava em quantas línguas ele aprenderia... Mas no outro tipo de educação que ele teria de ter.
Indra viveria sempre com um alvo nas costas enquanto levasse o título de último Uchiha. Ela não poderia negar-se a permitir que ele aprendesse tudo o que fosse necessário para se defender e atacar... Só não conseguia ficar em paz com a ideia da dor e sofrimento que inquestionavelmente viriam com isso.
Balançou a cabeça, desanuviando esses pensamentos, não era momento de pensar nessas coisas sombrias.
— Senhora. – 87 entrou na sala. O hotel em Melbourne, era de propriedade dos Bennet, uma família surgida de uma ramificação antiga de casas anglo-saxônicas, também eram informalmente bem próximos a casa galesa, o que fazia Florence garantir ao menos que eles não seriam precipitados de ataca-los sem um bom motivo.
Além do mais, a morte do senhor Rutger Brunswichk ocasionou uma verdadeira onda de caos por todo a organização. A maioria das casas praticamente suspendeu todas as suas atividades, os assassinos mais perigosos pararam de circular e se concentraram ou nas suas sedes ou nos hotéis da folha, áreas neutras, a espera da vinda de novas ordens do andar superior.
Como o restante da Alta mesa reagiu a tão descarado ataque?
Depois de alguns meses, Sakura ao menos poderia considerar que, nada bem.
Suspirou, afagando a cabeça do bebê, e recebeu de 87 um envelope de carta branco selado com ouro.
— O que é...? – Indagou, antes de notar o símbolo gravado naquela gota de ouro prensada.
— Uma mensagem oficial da alta mesa... – Ele disse, oferecendo a mão para que ela se levantasse. Sakura ficou de pé. — Os Bennet também receberam, e parece que querem conversar com você sobre isso.
— Tudo bem... – Sakura olhou para filho, ansiosa e se agachou para beijar sua cabeça. — Espere a mamãe aqui, certo? – Dando um olhar Ino, pedindo que ela o vigiasse, seguiu 87 para fora do quarto.
O hotel estava praticamente desocupado agora, felizmente, todos os assassinos hospedados nesta área neutra haviam partido para suas Casas. Ela se sentia mais segura assim.
Rasgou o envelope enquanto caminhava.
— Por que eles enviariam algo para mim...?
— Não é qualquer coisa, senhora. Esse envelope só pode significar uma coisa: Que reconhecem-na como autoridade principal da casa Uchiha. – Ele afirmou, olhando bem no fundo de seus olhos. — Agora é oficialmente chefe da Kuran, como mãe e tutora do menino, até que ele cresça, as decisões e opiniões da Kuran dentro da organização, serão suas.
Chegaram até o salão onde os Bennet se encontravam, era uma família bastante numerosa.
Um chefe, sua esposa, vários irmãos deles, filhos, alguns ainda crianças, mas havia na sala, apenas o casal, à espera de Sakura.
Ela entrou, com os olhos presos no pequeno cartão laminado.
Os cantos de seus lábios quase tremeram quando ela tentou conter o sorriso que lhe atingiu o âmago. Mas, diante os Bennet, não poderia deixar tal coisa ser vista.
Não encaixaria muito bem, a mais nova chefe de uma Casa, receber tal notícia com tanta energia ou bom gosto. Ao contrário, isso deveria deixa-la ainda mais confusa, dadas as ondas que viriam em seguida e que faziam mesmo os mais experientes diante dela estremecerem.
Apertou o cartão entre as mãos, os fitando com um nervosismo quase infantil.
— O-o que isso quer dizer? O que está havendo?! – Indagou-os, com a voz tremendo.
Ainda que no fundo, fosse de êxtase.
Ela sabia bem o que estava havendo.
Foi ela que ocasionou tudo isso.
¤
A jovem chefe da Kuran ficara tão enervada e intranquila com as últimas notícias que fugiu do hotel da Folha, em Melbourne, para uma mansão luxuosa em Sidney. Uma residência de três andares, com piscina com vista para a baía e uma passagem direta para a praia.
Sasuke baixou os binóculos da frente do rosto, lambendo os dentes, enfiou-os dentro da jaqueta de piloto que vestia, e colocando os óculos escuros, ligou a moto e acelerou através da praia de Gordon’s Bay.
A harley de pneus grossos, marchou rugindo pela areia, espantando alguns poucos turistas, Sasuke invadiu o caminho em direção à mansão, recebendo um olhar aborrecido de 87, que vigiava a região a partir do telhado.
Sasuke parou a moto no jardim, ao lado da piscina, ainda era bem cedo, então quando entrou na mansão, não estranhou presumir que Sakura ainda dormia.
Indra estava bem acordado no berço, balançando as pernas, sem usar meias, apenas no pijama, seu cabelo, se Sasuke não estivesse tendo esperanças demais, parecia estar ficando um pouco mais liso...
Não que fosse fazer uma grande diferença comparado a cor.
Olhou para cama, vendo que Sakura ainda dormia, envolta de um bocado de enfeites de aniversário azuis, placas feitas e pintadas a mão.
Pegou o menino no colo, e seguiu até a cama, olhou para ela, dormindo com o rosto sujo de tinta.
Ouviu um ranger familiar e estalou a língua, sobre um criado, aquela ratazana gorda dos infernos corria em sua rodinha como uma energia admirável até.
O som do rangido atraiu a atenção de Indra que apontou a mão, balbuciando algo. Sakura se remexeu na cama, com um suspiro e Sasuke recuou, em direção a porta do quarto.
— Vamos deixar esses dois ratos aqui, hm? Os gatos vão dar uma volta. – Murmurou para o menino. Saiu do quarto, seguindo pelo corredor e se deparando com Ino, que deixava o quarto, com 90 logo atrás. Revirou os olhos, cobrindo a vista do menino.
— O que está fazendo debaixo do mesmo teto dessa criança não pura assim, hein?
— Pft, vai se ferrar. — Ino bocejou, 90 encolheu os ombros enquanto se afastava levando o que ainda tinha de roupas fora do corpo sobre os ombros. — E onde vai com o menino? Sabe que dia é hoje?
— Sei que a exatamente um ano atrás eu e ele quase morremos. – Apontou 90 que pareceu refletir e assentiu, concordando.
— Se ela acordar e ele tiver sumido, hoje vai ter outra lembrança de quase morte. – Ino avisou.
Sasuke deu de ombros indo embora.
— Vocês não têm que preparar um baquete? O rei vai fazer uma passeata antes da festa.
Ino cruzou os braços, observando-o partir com o menino, caminhando enquanto beijava sua cabeça. Concluiu que desta vez, ao menos, o narcisista Sasuke Uchiha não chamava a si mesmo de rei, e riu.
¤
— Eu vou matá-lo, é isso, vou matá-lo. – Sakura concluiu, com bastante frieza, considerando a situação.
A sala estava tão azul quanto a piscina lá fora, todos meio que esperavam que anoitecesse logo para ver se a luz refletindo naquele azul todo ficasse menos intensa.
Sakura andava de um lado para o outro, arrumava os docinhos na mesa a cada vez que se aproximava, até encheu mais balões que o necessário, nada diminuía seu fôlego que parecia reviver sempre que lembrava que ela iria matar Sasuke.
— Eu avisei que ele iria aprontar... – Ino disse, enquanto olhava para as unhas, recém pintadas de azul, uma homenagem que na cabeça dela parecia muito boa.
Karin suspirou. Não bastando todo o cansaço da viagem, ela só queria comer, e não mentiria que adoraria afundar a faca no belíssimo bolo de aniversário de Indra agora.
— Aonde ele pode ter ido?! – Sakura exclamou, sacudindo os punhos. — Como ele pode ter simplesmente sumido com o bebê nessa cidade?! E como ninguém acha eles?!
— Bem... Sasuke sabe ser furtivo... – Kakashi disse.
— Ele sumiu em cima de uma moto barulhenta levando meu bebê de cabelo rosa! Como diabos ele pode ser furtivo assim?!
— Inegável que é um desafio e tanto...
— E ele adora desafios...
— Essa não é a droga da questão!
— Acalme-se, eles vão aparecer.
— Mas se algo tiver acontecido?!
— O pior que pode ter acontecido é alguém ter feito o favor de matar Sasuke por você. – 87 afirmou.
Isso quase a consolava, no momento.
Ouviram o rugido de uma motocicleta de bem distante ainda, mas conforme parecia aumentar, confirmaram antes mesmo de um dos seguranças entrar na sala para dizer isso. Sakura quase passou por cima deles e marchou em direção ao jardim.
Chegou à praia quase ao mesmo tempo em que Sasuke se aproximava na motocicleta, usando uma jaqueta de couro para pilotar, usando óculos escuros. Ela podia ver seu sorriso de cafajestes mesmo de longe e tomou uma respiração profunda seguindo em frente sem nem cogitar temer a potência da moto quando esta freou quase que bruscamente diante dela.
— Heeey! Não vê que tá no caminho? – Sasuke indagou.
Sakura apertou os punhos, tão vermelha que o segurança perto chegou a tirar um lenço do bolso e abanar ela com ele.
Sasuke baixou um pouco os óculos para mirá-la, sem entender muito embora parecesse bem engraçado.
— Eu vou matar você. – Ela rosnou entre dentes.
— Sexy e fofa, do jeito que eu gosto. – Sakura literalmente rosnou dessa vez e girou para mostrar a mão exigindo uma arma.
Sasuke revirou os olhos e se preparou para simplesmente dar a volta e seguir para a mansão, acelerou um pouco, a vibração do motor fazendo Indra gargalhar de alegria.
Sakura parou de espernear por uma arma e se aproximou da moto, segurando o guidão para fitar Indra, preocupada. Ficou momentaneamente em confusa ao encontrar seu bebê, ainda de pijama – aparentemente sujo de algum doce ou bebida, usando um pequeno par de óculos escuros no rosto.
Sasuke acelerou mais alto, e o bebê gargalhou, as bochechas vermelhas com tomatinhos, bateu as mãozinhas no tanque, como quem pede mais.
— Blasblashchasas!
— Oh...
— É isso aí, ouviu o homem, saía da frente que ele tem uma festa pra ir. – Sasuke cortou, ela o mirou furiosa de novo, também revoltada e já com vontade de chorar, estava com o cabelo trançado e bagunçado, usando um vestido velho sujo de tinta, e talvez glacê, ela cheirava a doce.
— Festa que você estragou, sumindo com ele?! – Protestou, ameaçando soluçar.
— Foi só uma voltinha pra esquentar o sangue. O cara foi só dar um passeio, cantar umas australianas, ganhar drinques de graça...
— Usou meu bebê pra conseguir bebida de graça... De novo?! — Sasuke fez careta e recuou com a moto, rapidamente, manobrando sobre a areia quente e desviando dela para seguir adiante. — Sasuke! Volte aqui! Devolve o meu bebê!
As gargalhadas de Indra não a aliviaram, ao contrário, ficou mais revoltada ainda.
Completamente preocupada com ele e estava assim, de conluio com aquele descarado do pai.
— E como assim, cantar australianas?! – Berrou, apressando-se para perseguir a moto. Sasuke acelerou sem dó dessa vez, o pneu traseiro cuspiu areia em todo corpo e rosto de Sakura e ela parou, e apertando os olhos, sentindo areia úmida entrar até na boca, encharcando seu rosto, roupas e cabelo.
Ele olhou para trás, abaixando o nariz e erguendo os olhos acima das lentes dos óculos. Indra parou de rir.
Isso era um péssimo sinal.
Sakura abriu os olhos.
Sexy e fofa, Sasuke pensou novamente, quando ela estendeu a mão para o segurança, exigindo uma arma, este nem sequer cogitou negá-la dessa vez.
E mortal.
Sasuke acelerou através da areia escaldante, ouvindo a garota berrar junto de uma saraivada de tiros que atingiram areia, pedras, os muros em torno da mansão, obrigando os homens da vigília a se abaixarem para se proteger, e provavelmente alguma parte da moto.
Indra voltou a gargalhar.
O garoto não tinha noção do perigo. Ainda menos o que pai.
Eis o primeiro ano de vida completo dessa serpentezinha que ele ralava feito um desgraçado para manter segura.
— Hora de assoprar uma vela, najinha cor de rosa.
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