Vingador Vol. II
32 31. Caçada.
Notas iniciais

Bucareste, Romênia.
Sasuke entrou no carro, puxando a máscara de gás do rosto, inspirou, e Naruto pisou no acelerador.
— Eu disse! Eu disse! Eu disse que isso não ia dar certooooo! – Ele gritou, enquanto dava uma ré, os tiros atingindo a lataria praticamente os ensurdeciam, mas conseguiram tomar distância o suficiente.
Karin olhou por cima do ombro, vendo os carros dos romenos saindo do estacionamento, eles não desistiriam tão facilmente. Também pudera, foi uma batida “fantasma”, não havia dado qualquer sinal de que casa estava atacando.
Pois não havia uma.
Eram só ela, Naruto, Shikamaru e Kakashi tentando servir de cobertura para Sasuke.
A Casa sem Nome estava muito empolgada fazendo suas próprias buscas e não havia sinal de Izuna. Ela assumiu que ele ficou bem mais baqueado com a morte da avó.
Sasuke puxou o cartucho da sub, e puxou outra do saco.
Vieram para a Romênia pois era a casa que, assumindo por uma visão geográfica, poderia ser a aquela a quem Utakata recorreria para conseguir proteção ou mesmo trocá-la pelo bebê.
Mas o que ele realmente esperava conseguir tudo isso? Pretendia voltar para os noruegueses que lhe abandonaram na primeira oportunidade? Aliar-se a outra casa e assim conseguir ter mais de um inimigo atrás de si? Atingir Sakura? Então porque não machucou o bebê ou mesmo o matou logo?
Havia alguma chance de ele estar em contato com mais gente da alta mesa ou sendo manipulado por eles?
Sem nenhuma resposta completa, só havia um caminho a frente, e isto significava derrubar tudo através dele, antes que de qualquer forma, fosse difícil demais para encontrar Indra.
— Porque continua usando máscara? – Indagou.
Parecia estranho que ele continuasse evitando se identificar como Sakura havia decidido.
Sasuke não respondeu, e o tiro de alguma coisa potente atingiu o solo ou mesmo a traseira do carro, praticamente os fazendo bater nos tetos.
— Naruto! – Ela gritou.
— Não me culpe!
Uma rajada de tiros acertou o vidro traseiro, e ela, Sasuke e Shikamaru se afundaram entre os bancos, uma pausa depois, Sasuke se ergueu, apontando a arma, e rebatendo a rajada, Shikamaru fez o mesmo. O homem que em geral pouco falava ou demonstrava, pressionava o gatilho com força o suficiente para ter um dedo branco.
— Pode não ser algo muito animador de se ouvir, Uchiha. – Nara disse. — Mas não pretendo morrer longe dos meus filhos para que você resgate o seu.
Entre os dois, Karin alternou os olhos para ambos, consternada.
Sasuke virou os olhos em sua direção, estreitando-os por um momento.
— Filhos? – Disse. — Fez mais?
— É claro que fiz. – Shikamaru esboçou um sorriso sacana que até ela ficou desconcertada. — São sempre ótimos de fazer.
Sasuke se voltou para frente, parecia que iria concordar, era o estilo dele.
— Eca.
¤
Gulbrandsen entrou no escritório, se sentou e pacientemente esperou o telefone sobre a mesa começar a tocar.
Exatamente à meia noite e três, o aparelho tocou, ele esfregou o lábio, pensativo, mirou o copo de uísque vazio, e se inclinou, enchendo-o outra vez, então pressionou o botão de chamada em viva-voz.
— Hallo?— Indagou.
— Tenho uma coisa que todos vocês querem muito... – A voz de Saiken ecoou, abafada e sem qualquer indício de controle emocional, o norueguês estreitou os olhos afiando a audição e ouviu um chorinho de criança.
— Hm, parece que tem mesmo... – Comentou. — Quanto tempo você acha...
— Não ouviu bem o que eu disse, norueguês filho da puta? Eu tenho o que todos vocês querem. Vão comer na minha mão agora.
Utakata, para a surpresa dele, desligou.
Gulbradsen pressionou o botão mais uma vez, esperando a ligação ser retomada, mas apenas a linha caída ecoou pela sua sala vazia.
Ele tomou um gole do uísque, daí se levantou e estourou o copo contra a mesa, agarrou o aparelho, e acertou-o na porta da sala, enquanto soltava um uivo de raiva que fez toda a casa tremer.
O maldito gato de rua que ele havia adotado, tendo a pachorra de morder sua mão a essa altura do campeonato.
Parecia que não eram somente os leões que ele deveria ter se preocupado.
¤
Turim, Itália, semanas depois.
Gritos preencheram todo o corredor e Ageline se levantou da cama, onde algumas peças de uma arma desmontada continuaram, ela correu para a porta e abriu-a.
— ¡¿Lo que está sucediendo aquí?!— Berrou, mas mal teve tempo de ver um de seus homens vir correndo e levar um tiro na nuca, outro quase a atingiu e ela entrou, batendo a porta e trancando-a com a barra de madeira ao lado. — Mierda! – Angeline alcançou a arma montada, antes de contornar a cama e correr para as portas da piscina, notou que as peças da outra arma não estavam mais sobre a colcha, e se virou, deparando-se com a arma perfeitamente montada e provavelmente engatilhada sendo apontada para si.
Recuou um passo e largou a arma que segurava no tapete, oferecendo um sorriso cínico.
— Bem, não era a visita que eu esperava, mas...
Sakura Uchiha sequer piscou, seus olhos grandes e verdes brilhavam com sede de chegar ao que queria. Estranha e irritantemente, não havia sede de sangue naquele olhar e Angeline se sentiu ainda mais furiosa e ofendida por sua ousadia de lhe apontar uma arma sem levar realmente a sério o desafio.
— Esperava alguém? Nota-se. – Sakura insinuou, friamente, a mulher sorriu, levianamente, abraçando o corpo sensual travestido numa camisola toda de renda semi transparente que nada escondia.
— Sasuke adora vermelho, sabia?
— Todos eles adoram. – Sakura devolveu, com naturalidade. — Que cor fascinaria mais um assassino do que o vermelho do sangue de suas vítimas?
Angeline abriu a boca, mas ela continuou, a arma ainda erguida, era um modelo ligeiramente pesado para qualquer pessoa sem experiência segurar. O braço fino da Koyosegi manteve a arma erguida como se fosse um bastão conectado a ela.
— Mas é engraçado ouvir que Sasuke gostaria dessa cor ainda. Logo ele que se entediou com a vida de assassino e todos que estavam nela a tanto tempo.
A mulher rangeu os dentes, o som arrastado através do silêncio quebrado apenas pelos ruídos abafados de tiros e gritos em outras partes da mansão.
— O que você quer?
— Onde está o meu bebê?
Angeline revirou os olhos.
— Como eu saberia? Até onde sei foi um 2 que está fora de rastreio que levou sua bola de carne nojenta.
Sakura se limitou a estreitar os olhos e pressionar ligeiramente o gatilho.
— Porque a perda de tempo? Tanto tempo depois, ele certamente não está vivo mais... Quem comprou o pacote fedorento com seu bastardinho morto é que...
— Morto? Acha mesmo que um Uchiha morto vale mais que um vivo? – Angeline abriu a boca outra vez. — Um filho do Sasuke ainda por cima?
A mulher arregalou os olhos, e então apertou os punhos soltando um grito agudo e cheio de raiva. Sakura apertou o gatilho, O tiro atingiu a parede atrás, Angeline se movera em velocidade absurda, desviando o tronco e bateu em sua mão, a arma voou longe e ambas olharam para a que ela soltara no chão, anteriormente.
Sakura se jogou primeiro, segurou o cabo, a mulher puxou-a pelo cabelo, guinchando e ambas rolaram para trás, a arma foi sem querer chutada por Sakura para baixo da cama, Angeline se levantou e chutou-a no estomago. Sakura rolou e bater as costas contra uma mesinha. Angeline catou a arma da Uchiha, e a outra acertou um vaso na mão dela, a arma escorregou pelo chão para ainda mais longe a assassina urrou irada, sacudindo os dedos doloridos e fulminando Sakura com o olhar.
Esta se levantou, ainda atordoada e mulher avançou sobre ela, puxando seus cabelos atirou Sakura contra a parede, e ela bateu mais uma vez na mesa, Angeline acertou seu rosto com o punho uma vez, duas vezes e Sakura pegou outro objeto, uma boneca de porcelana pesada, que ao tentar revidar, fez Angeline acertar o terceiro soco na peça e recuar grunhindo de dor.
A primeira boneca se despedaçou, mas havia mais sobre a estante e mais uma foi pega, Sakura segurou-a entre as duas mãos, e gritou atingindo o rosto da mulher que cambaleou e caiu para trás, contra a cama.
A segunda boneca também se desfez e Sakura rapidamente se virou catando mais uma, foi atingi-la quando Angeline puxou a pistola de debaixo da cama e atirou em sua direção, Sakura errou a mira e correu para as portas da piscina, seguida pelos tiros de Angeline.
O pente da arma foi esvaziado, Angeline se levantou, arfando furiosamente, rosnou ainda mais quando sentiu sangue molhar sua testa e esfregou o canto da boca.
Aquela cadela destreinada ousou mesmo vir até ela sozinha? Podia ser uma armadilha, mas ela estava furiosa o suficiente para encarar.
Seguiu para as portas da piscina, como nevava forte, a piscina estava recoberta e todo o chão cheio de neve. Angeline seguiu as pegadas na areia cuidadosamente, contornou a pequena casa de mantimentos e levou uma bofetada com um cabo da vara de limpar piscina.
Sakura avançou nela outra vez, a mulher agarrou o cabo, puxando-o e dando-lhe uma cabeçada forte. Sakura quase soltou o cabo, mas não o fez devolveu para a mulher um olhar tão feroz que a deixou atordoada, puxou o cabo de volta e acertou-a com uma cabeçada tão forte que o estalo ecoou pela sacada e Angeline caiu sobre os joelhos, sentindo a vista embaçar e mais sangue escorrer para seu nariz.
Sakura puxou a vara de suas mãos, e acertou seu rosto, a mulher caiu para o lado, e ela largou a vara longe começando a caminhar, ainda tonta em direção as portas da piscina.
Mais uma informação falsa, e ela mais uma vez esqueceu qualquer proteção quando o desespero a fazia acreditar que Indra pudesse estar por trás das paredes mais próximas.
Sentiu o telefone vibrar, e puxou-o do bolso da calça, inspirou profundamente e atendeu.
— Estou bem. – Disse, arfando.
— Aonde?!— 33 exclamou, provavelmente furiosa. Sakura fugiu do carro em vez de esperar que a batida que estavam fazendo na casa de Angeline terminasse. Olhando para o quarto, ela notou que nenhum deles havia chego ainda, e presumiu que Angeline poderia não estar diretamente envolvida com Utakata ou para quem ele poderia ter entregue seu bebê, mas ainda tinha muita gente aqui com ela para protege-la.
Como se ela fosse uma cortina de fumaça.
— Estou bem, estou no... – Angeline gritou atrás dela, Sakura se virou recebendo um soco no estomago, seu telefone caiu no chão da beirada da piscina, a mulher avançou nela cega de sangue e raiva. E jogou-a contra a amurada da sacada. A piscina ficava dois andares acima na imensa casa, e a beira de um verdadeiro penhasco com apenas vegetação seca, neve e rochas em seu fundo.
Angeline bateu seu rosto contra as pedras cimentadas que formava a amurada áspera, Sakura sentiu a pele rasgar quase em cima de sua velha cicatriz ou talvez sobre ela mesmo, sua testa levou uma pressão enorme que a fez gritar e seu nariz também.
Inegavelmente recordou das cobranças e avisos de 97 sobre sua defesa pessoal.
“— Tenha absoluta certeza de que todos sempre serão mais fortes, ágeis, e treinados que você, senhorita.
— Mesmo os terceirizados?
— Quem não é cria da Folha, é esperto o suficiente para procurar se garantir de outros modos, mas eles não vão mandar capangas qualquer atrás de alguém como você, Koyosegi. Quem está atrás de você não admitiria uma falha dessas.”
— Sua vadia burra! Acha mesmo que pode comigo?! Eu sou uma digna filha do Sistema, eu sou melhor que todas vocês, vadias que o Sasuke cuspiu por aí!
— Você é uma vadia que ele cuspiu por aí. – Sakura grunhiu para ela, a mulher guinchou e atirou-a ao chão outra vez.
“— Nunca se deixe entrar num conflito físico, por isso deve aprender a atirar com precisão e nunca, nunca relute. Quando pegar numa arma diante deles, esteja ciente de que terá de usá-las ou eles a usarão.”
Angeline agarrou seu cabelo e tentou arrastá-la em direção a piscina, pressentindo o que ela faria, Sakura puxou a ponta de seu robe e chutou seu pé, a mulher escorregou e ambas escorregaram para dentro da piscina, uma fina camada de gelo se quebrou e elas afundaram sobre a lona que cobria a piscina e então na água gelada.
Sakura não sentiu o fundo de imediato e por isso bateu os braços furiosamente em direção a superfície e alcançou a beirada. Angeline puxou seu cabelo, e uma vez segura na barra da escada, a Koyosegi teve vigor o suficiente para socar seu nariz.
Não fora forte o suficiente, Sakura sentiu os dedos ferirem contra os lábios e dentes da mulher, mas foi suficiente para ela se atordoada e lhe soltar ligeiramente, Sakura agarrou a escada e escalou-a rapidamente escorregou no chão com Angeline logo atrás.
E tinha que admitir que a mulher parecia ter redobrado em vigor depois do banho, enquanto ela própria tremia por dentro e por fora. Olhou ao redor, vasculhando o chão.
“— Se mesmo assim, eu não tiver uma arma...?
— Fuja.
— Mas...
— Fuja, Sakura. – Izuna também disse. Ela fez careta. — Ouviu o que ele disse, ninguém vai vir te matar sem preparo, ninguém com que vá cruzar de agora em diante vai ter pena de você, ou suas fraquezas físicas. Isto não é um filme em que o grandão vai ficar com pena de você e te dar uma lutinha justa, quanto mais em desvantagem estiver, melhor eles vão achar.
Sakura baixou a cabeça, cabisbaixa, inspirou, relutante e ofereceu um olhar suplicante ao homem sem nome.
— Mas e se... Mesmo assim eu tiver de lutar...?
Izuna revirou os olhos e se levantou, já desistindo, impaciente.
— Então morre, porra...
Sakura voltou a fitar 97, ele se sentou no banco, olhando para as armas, e então para ela.
— Você não teria treinamento o suficiente para lidar com um assassino da Folha nem se fosse treinada arduamente, sem parar pelos próximos cinco ou dez anos. O Sistema não apenas treina, o Sistema seleciona, ao mesmo tempo em que estamos fadados a lutar pela sobrevivência como numa selva, os nossos pais e avós haviam selecionado antecipadamente o que queriam de suas proles. Os casamentos por exemplo, mesmo eles são mais do que alianças, é seleção genética básica.”
Tentou chutar a mulher quando esta se aproximou mais, mas Angeline era rápida e astuta, agarrou sua perna, caiu no chão e usou um movimento de luta, girando com a perna de Sakura e tentando leva-la para então subir sobre ela.
Sakura lutou com unhas e dentes para não a deixar travar em torno de seu pescoço.
“— E os que não são selecionados...?
— São descartados, as casas mais antigas como a Uchiha não precisam disso, mas as mais novas descartariam uma criança que parecesse débil demais sem pensar duas vezes...
— A casa sem nome...?
97 negou, pegando uma peça de arma e depois outra, calmamente montando-a.
— A casa sem nome é mais do que um lugar de descarte, não fomos para seu lixo porque não podemos ser assassinos, fomos para seu lixo porque seríamos perfeitos não fosse o fato de sermos bastardos sem nenhuma influência a oferecer. Em outras palavras, somos tão letais quantos qualquer outra pessoa da Folha.
Ele girou o braço agilmente atirou na parede a sua esquerda, três vezes, todas em cheio no alvo. Sem nem ter olhado para lá. Fitou Sakura.
— Somos mais letais até.
Sakura assentiu, ainda aflita.”
— Me pergunto quanto tempo ele vai levar para descobrir que você está morta e que o bebê vai virar uma oferenda para a alta mesa. – Angeline rosnou, venenosamente apertando o braço em torno de seu pescoço, só o braço de Sakura estava entre o dela e seu próprio pescoço.
— Oferenda? É o máximo que pode dizer...?
— Cala a boca!
Sakura tomou uma respirada e sentiu que o próprio braço iria quebrar a qualquer momento. Angeline era como o aperto de uma píton, não era atoa que este era seu codinome embora parecesse que ninguém usava realmente.
— Você... E a Píton, não é?
— Ééé, eu sou. – Ela ronronou de volta. E Sakura parou de olhar para o chão, e esperar que alguém ou uma arma se materializassem.
Nem deveria esperar uma arma, deveria fazer uma ela mesma.
— Me perguntava por que não costumam usar seu nome...- Disse, quase num fio de voz. Angeline deu uma risadinha maníaca como se tivesse agora a chance de se gabar de algo.
Sakura no entanto, só queria que ela se divertisse mais em mata-la do que em fazê-lo de fato.
— Agora pensando bem, faz todo o sentido.
— Hã?
— Píton deveria ser o nome pra um assassino, mas o que você é?
— Cale a sua...
— Uma vadia que oferece fofocas em troca de um pouquinho de atenção.
Angeline berrou, e sua mão subiu para atrás da cabeça de Sakura, puxando- no couro cabeludo enquanto lutava para agarrar seu queixo agora.
— Então Angeline combina mesmo.
Sakura conseguiu localizar onde o joelho dela estava firmado, e bateu nele com a coxa, a mulher se desequilibrou, e aproveitando as roupas e o chão molhado, Sakura deslizou para fora de seu abraço mortal, levantando-se aos tropeços e se preparando para a próxima investida da mulher.
Fechou os punhos e tentou achar uma posição em que seus pés não parecessem que escorregariam facilmente ou que pudesse desviar da mulher, arquejante, Sakura engoliu saliva misturada com sangue e sentia a visão ainda ligeiramente turva, por conta dos minutos de sufocamento a que foi submetida.
Seu coração latejava no peito.
Angeline se levantou, empurrando o cabelo molhado para trás e lambendo os lábios.
— Pra uma vadia barata. – Sakura completou.
A mulher soltou um sorriso cínico, mas a fúria e insanidade ainda queimavam em seus olhos.
— Parece até que sente ciúmes.
— Somos um casal equilibrado. Eu corro, ele vem atrás.
Angeline explodiu num grito de ódio e veio em sua direção. Sakura engoliu em seco, sentindo-se com se atira-se a si mesma a uma leoa, algo escorreu por seu pescoço e testa e duvidava que fosse água, provavelmente suor ou sangue.
“— Mas eu...
— Você não. Você deve fugir, o mais rápido que puder. Ficar e lutar, no seu caso, é suicídio.”
Suicídio?
Sakura acertou um soco no seio de Angeline quando esta segurou seu pescoço, não foi tão forte quanto o último, mas seios eram mais sensíveis que dentes. Recuando com um urro, Píton se virou, cambaleando, o rosto de um lado estava pintado de sangue, embora Sakura não pudesse adivinhar exatamente quando o ferimento foi feito, Angeline acertou-a um soco que pegou bem na maçã de seu rosto.
Não sabia se ela já estava finalmente cansada o suficiente, ou se errada, não foi forte o bastante para derrubar Sakura e ela havia dado um passo atrás, que também ajudou-a a se livrar de parte do peso daquele golpe que mais parecia que ardia do que doía.
Sakura bateu outra vez em seu seio, e tentou chutar o joelho da mulher que recuou quase tropeçando e fitando-a com receio mal ocultado.
— Sua, sua...
— Onde está o meu bebê?
— Não diria nem se soubesse! Onde está Sasuke?! – Angeline se atirou sobre ela, Sakura se agarrou a seus cabelos castanhos, firmou os pés o máximo que pode no chão escorregadio e girou com o corpo da mulher, jogando-a contra a baixa parede de pedras, Angeline perdeu o ar ao bater as costas na rocha pura, encarou-a e quando ela se aproximou, atingiu sua perna e Sakura caiu no piso ao seu lado.
Angeline montou-a novamente, e agarrou seu pescoço, Sakura bateu em seu rosto, e debateu as pernas, tentando se livrar dela. A mulher bateu sua cabeça contra o piso e socou seu nariz outra vez, sangue espirrou entre ambas e Sakura atingiu seu olho profundamente com dois dedos.
Angeline gritou e sua voz ecoou por toda a colina, caiu para o lado e Sakura engatinhou até sobre ela, tentando agarrá-la, ela se desvencilhou e Sakura lutou até acertar o cotovelo em seu rosto com real eficácia.
A mulher tombou pra trás, praticamente inconsciente, mas rolou pelo chão e voltou a tentar se erguer. Sakura se apoiou no muro, e ficou de pé.
Maldita fosse essa gente, não importava o que fizesse, nunca era o bastante para eles?
Mas não havia o que fazer, Izumi e Mikoto certamente poderia lidar com isso melhor que ela, mas Sakura não era elas, nem podia com elas contar.
— Uns chutinhos e uns soquinhos, é tudo o que tem? Haha, acha que vai conseguir salvar seu bebê? — Angeline disse, esfregando o rosto e empurrando os cabelos para trás.
— Quer saber de Sasuke? Diga-me sobre meu filho e te darei ele numa bandeja.
— Sua...
— Por que eu o tenho numa bandeja a hora que eu quiser!
Angeline a viu se aproximar, sorrindo com aquele rosto cheio de sangue e cinismo insano. Sakura lhe ofereceu outro sorriso insano e puramente cínico enquanto cambaleava com o rosto sujo de sangue.
— O que foi? Ficou sem palavras? É isto que ouviu. Nem você nem ninguém conseguem encontrar Sasuke porque ele também está atrás do nosso bebê.
— Mentira... Puta mentirosa.
— Bebê que fizemos da forma mais natural, claro, do jeito que Deus manda... – Ela proferiu com o tom de uma pessoa embriagada, praticamente.
Ambas viram a porta do quarto se arrombada, mas ignoraram e avançaram uma contra a outra.
— Koyosegi! – 32 berrou, apontando a arma para Angeline, as duas se atracaram, Sakura recebeu outra cabeçada e fitou-a, rangendo os dentes também.
— Minha vez! – Cravou as unhas nos ombros da mulher, bateu a testa contra a sua outra vez.
Angeline se desequilibrou e Sakura chutou sua perna e se jogou contra a amurada, desta vez, ambas rolaram por cima e sob o grito de 32 e também o berro apavorado da cigana, caíram para o abismo.
Suicídio? Que 97 esquecesse, tudo bem.
Mas quando ela própria havia esquecido o que talvez fosse sua verdadeira natureza?
A de uma alma suicida.
Sakura abriu os olhos, sentindo o peito voltar a encher de ar, rolou de cima do corpo de Angeline, que amorteceu sua queda contra as pedras e galhos secos da encosta, e olhou para cima, podia ver algumas estrelas, e as luzes das lanternas. Eles teriam que descer a encosta lateralmente para chegar até ali.
Sakura fechou os olhos um instante, se sentindo cansada, o sangue quente que escorreu do corpo de Angeline, esmagado contra o solo rochoso, começou a aquecer as costas de Sakura, ela olhou para a mulher, seus olhos castanhos grandes e abertos, mirando-a mesmo depois da morte.
Refletiu que esta foi a segunda pessoa que ela matara, talvez a terceira? Isto diretamente, com suas mãos.
Havia muito mais sangue derramado por suas ações e omissões. A família Uchiha, tantos outros estranhos, 90 que morreu tentando proteger ela e Indra... Talvez seu próprio bebê.
Seus olhos se encheram de lágrimas e ela gemeu quando sentiu braços puxarem seu corpo para cima, não conseguia ver nada além do céu nebuloso e com poucas estrelas.
Não conseguia sentir nada além de vontade de deixar tudo para trás e dormir para sempre, mas, sempre que fechava os olhos e tentava ficar no escuro, as risadas de Indra badalavam em sua mente, a voz rude, sensual e sarcástica de Sasuke que ficava até mesmo terna e engraçada quando ele falava com o bebê deles, a luz do sol e uma sensação de paz.
A voz além disso, soava misturadas e distantes, ela gemeu outa vez, desta, sentindo as pernas e o ombro doerem muito e concluindo que Angeline realmente fora inútil até o fim.
Ela não estava escondendo Indra, não deveria saber nada realmente sobre seu paradeiro, ou não teria ficado surpresa quando ela disse de quem o menino era filho. Também não amorteceu sua queda realmente como achara.
Sakura sentiu dedos acariciarem seu rosto escoriado, e fecharem suas pálpebras, pensou que estava realmente morrendo então. Se estava, quem salvaria Indra e lhe daria um futuro, uma vida?
¤
Quando abriu os olhos, estava numa cama macia, dentro de um quarto com janelas fechadas e de vidro. Sakura mexeu os braços, ainda lânguidos e todo seu corpo protestou de dor. Ela gemeu, e então segurou mesmo o gemido, e se recolheu uma inspiração dolorida.
Nem sequer sabia onde seu filho estava agora, se não estavam passando por qualquer coisa pior do que passara. Somente isto era suficiente para ignorar qualquer dor.
Ela também era uma criança quando o mundo lhe virara a face mais cruel, e Indra sequer tinha noção do que era o mundo. Sakura não iria recuar com qualquer dor imposta enquanto não o encontrasse.
Conseguiu sair da cama e se apoiou na barra que sustentava o soro, quando começava a arrastar um pé a frente do outro e se distanciar da cama, Martino adentrou o quarto e segurou-a antes que caísse.
— Pelo amor de deus! Mulher, deite nessa cama agora, sabe de que altura você caiu?!
Sakura grunhiu de raiva e de dor, seus braços estavam feridos o suficiente para que latejassem quando ele a segurou e por isso, retornou para a cama.
— Chame 87, agora. – Ordenou, encarando quem parecia ser o enfermeiro, o homem esbugalhou os olhos e se apressou para fora do ambiente. Martino olhou por cima do ombro e então fitou-a, ligeiramente surpreso.
— Err, como se sente?
Sakura ergueu a mão, um momento, seus olhos que para ele às vezes pareciam reunir um amontoado de peças, agora pareciam uma coisa só, embaçada e sombria.
— Duas coisas para dizer a você. – Ela iniciou, encarando o nada. — Eu não caí, me joguei. – Então encarou-o, os olhos podiam estar límpidos desta vez, mas mesmo que fosse de lágrimas, eles pareciam os de uma boneca feroz, uma cheia de arranhões e cujos olhos de vidro viram muito. — E, por que Angeline estava escondida aqui em Turim?
¤
Macau, dois dias depois.
O bebê – que até agora ela não sabia como chamar além de “bebê”, continuava chorando, era tudo o que ele fazia sempre que tinha energia e Max, alguém acostumada a trabalhar com crianças em situação de risco, estava cada vez mais preocupada com sua mente.
Diferente do que muitos achavam, bebês podiam absorver muito do ambiente e internalizar traumas desde de bem cedo, coisas que o feriram quando na tenra idade, poderiam não ser recordadas na adolescência ou vida adulta, mas ainda estariam lá, servindo de barreira para suas emoções e criando gatilhos.
Continuou seguindo Utakata através das multidões de chineses e turistas, a cidade era um completo caos, cheia de áreas para todo tipo de lazer adulto e muita barulheira e estresse visual inclusive para ela. Ainda por cima chovia muito, e ela se preocupava que o menino adoecesse.
— Quando vamos chegar?
— Fique atrás de mim. – Ele disse, em meio a calçada cheia, repleta de pessoas e guarda-chuvas, Maxine tentou cobrir a si e ao bebê com a jaqueta que usava.
Mais uma vez olhou ao redor. Deus, estavam em Macau. Ela enfrentara uma porrada de burocracia para conseguir ficar na Tailândia cuidando das suas crianças, impedindo que traficantes as levassem e agora, era basicamente uma, levando o bebê de um estranho, de um país para outro com uma facilidade assustadora.
Utakata parecia conhecer as pessoas certas, que pelas feições que ela lutara para evitar encarar na esperança de evitar implicar a si mesma ainda mais, duvidava que eram pessoas boas.
O bebê chorou mais alto, e ela tentou cantarolar algo, afagando sua cabeça, sentiu a água da chuva escorrer por sua cabecinha e sentiu ainda mais raiva e repulsa daquilo tudo e de si mesma. Olhou para seus olhinhos verdes cheios de medo e estresse e então notou a água escorrer escura de sua cabeça.
Olhou para a própria mão, vendo-a molhada daquilo.
— Utakata?! – Exclamou, horrorizada. Ele parou, e então fitou-a por sobre o ombro.
Quando ele havia trago o menino, este só tinha consigo uma roupinha, a fralda cheia de xixi, e seu cabelo parecia ser de um escuro acastanhado, agora, esta cor simplesmente escorria de sua cabeça e o cabelo ondulado parecia começar a surgir num tom claro, aloirado.
— Utakata... Quem é essa criança?
¤
Gulbrandsen desembarcou em Hong Kong ainda de madrugada, vestiu o casaco e se afastou do helicóptero.
— Alguma notícia?
— A pista ficou fria em Macau, senhor.
O homem sorriu ladino.
— Então ele estará aqui mesmo... Foi mesmo capaz de confirmar que havia uma mulher e uma criança?
— Sim.
— Ótimo.
Saiken foi sábio em arranjar uma ama para o menino, claro que desconfiariam de um homem viajando com um bebê. Embora estivesse ate surpreso de ele expor a criança, achou que a teria em mãos dentro de um jarro com álcool.
Bem, predadores como ele preferiam a carne fresca de toda forma.
— E sobre Turim. – O empregado negou.
— Píton foi derrubada.
Ele quase ficou com pena, a piranha tinha suas utilidades.
— A Casa sem Nome está cada vez mais ousada...
— Senhor. – O empregado lhe ofereceu um tablet quando ele entrava no carro. Na tela havia a imagem de uma câmera de segurança da mansão em Turim, e pode ver duas mulheres se atracando, ele reconheceu as formas curvilíneas da Píton, ficou surpreso mesmo foi de ver tal criatura minúscula se enroscando com ela.
Era como ver um roedor lutando contra uma jiboia.
De repente, invadiram o quarto e ele achou que terminaria aí, no entanto, o roedor atirou a jiboia e a si mesmo no penhasco e não pode evitar de franzir a testa em incredulidade.
Geralmente não era assim que a natureza fazia as coisas.
— Diga que ambas estão mortas.
— A Koyosegi está com a casa italiana.
Gulbrandsen suspirou e devolveu o aparelho.
— Encontre Saiken antes que este dia acabe. Vivo ou morto.
¤
Maxine andava de um lado para o outro, recolhendo qualquer coisa que pudesse ser colorida o suficiente para atrair a atenção do bebê. E exatamente como desde que teve que cuidá-lo, a criança não estava disposta a ser enganada.
Ele continuou chorando, e ela já podia ouvir batidas na porta do quarto, e vozes em chinês claramente reclamando do choro.
Estressada, impaciente e cansada, voltou a encarar as costas de Utakata, ele ignorava tudo enquanto observava o aeroporto usando um monóculo.
— Ei! Precisa comprar comida! Estamos com fome.
— De te algo no minibar.
— Para bebês?
— Basta amassar, talvez já tenha algo como dentes.
— Ele não tem dentes ainda, e ele provavelmente só mama! Precisa arranjar algo decente para ele comer ou vai morrer de fome, ele está perdendo cada vez mais peso!
O bebê não havia respondido bem ao leite integral e não comia as papinhas de fruta com muita vontade. A mãe provavelmente só o mantinha com o leite materno e o resto era oferecido ocasionalmente apenas. Claro que o menino já estava estressado o suficiente.
— Ei! – Max puxou a mamadeira vazia e atirou nas costas dele, Utakata se virou, e se veio em sua direção, ela se encolheu se cobrindo com os braços a espera de uma agressão, e ficou mais apavorada ainda quando ele se inclinou em direção ao menino, sentado na poltrona. Utakata pegou o controle quase perdido entre as almofadas e ligou a TV, imediatamente um videoclipe começou a rodar em alto som.
Maxine baixou os braços, encarando a TV e vendo as Spice Girls dançando e cantando Wannabe. Bufou e fitou Utakata.
— Isso não mata fome!
Ele largou o controle na mesinha e se afastou de volta ao posto em que estava.
— O silêncio basta.
— Silêncio? Wannabe é silêncio pra você?!
— É mais silencioso que choro de criança.
Ela abriu a boca para dizer algo, quando enfim notou que não havia nada além da música ecoando no quarto. Fitou o bebê e ele estava parado, encarando a TV, a boquinha entreaberta ainda soltava soluços, e os olhos ainda escorriam lágrimas, mas parecia realmente vidrado na música.
Seu cabelo uma vez lavado, parecia cada vez mais claro dependendo da luz, na verdade, era rosa.
Maxine afagou seu cabelo ondulado, e suspirou.
— Qual é o nome dele?
— Melhor não saber.
¤
Hong Kong estava infestada.
Sasuke não viu dificuldade em confirmar que Saiken só poderia estar lá, mas, o que ele realmente pretendia trazendo uma dezena de casas pro meio da bomba relógio que a ilha era graças aos conflitos entre governo e sociedade, era de se recear.
— Algum sinal de Noruegueses? – Kakashi indagou.
— Não que eu saiba...
Karin se aproximou deles, com o telefone.
— Consegui falar com Ino, os noruegueses estão aqui desde a madrugada. Aquele tal Gulbrandsen...
Sasuke inspirou, esfregando o rosto.
— Ela está escondida em algum armário pra dizer isso?
— 87 passou para ela. – Karin afirmou, tensa. — As coisas estão meio confusas desde Turim...
— Turim? – Sasuke se voltou para ela. — O que houve em Turim?
— Algo sobre uma batida na mansão daquela sua ex víbora.
— Qual de-...- Karin fez careta. — Ah, essa. Angeline, o que a vadia andou falando?
— Parece que não falará mais nada. Ela está morta.
¤
Gulbrandsen recebeu o telefonema que esperava enquanto ainda desfrutava do dejejum, na TV, só o que havia eram notícias sobre as passeadas que acabavam em confrontos que fechavam bairros inteiros.
Suspirando enfadado, ele largou o guardanapo e pegou o telefone.
— Onde estão?
— Num hotel perto to aeroporto.
— Pretendem viajar de novo?
— Não parece ainda. — O homem relaxou, na poltrona.
— Pegue-os agora.
¤
Utakata olhou para a rua, e sacudiu a cabeça, então fechou a cortina e seguiu até a cama, catando a mochila novamente.
— Vamos. – Atirou-a na direção de Max, ela ficou uns segundos parada, segurando a mamadeira recém feita. Estava tão cansada, que a música tocava num loop infinito em sua mente, e na sala. Os vizinhos dos outros quartos simplesmente cansaram de reclamar da música, pois era ela ou a voz da criança.
— Agora...? Onde?
Ele não respondeu, claro, mas para sua surpresa, pegou o menino no colo pela primeira vez desde que o entregara, e este claro, voltou a ameaçar chorar.
— Espere! Ele não comeu ainda!
— Agora não vai. Pegue as coisas e vamos. – Ele ordenou, enfiando a arma dentro da calça, e puxando Max para saírem do apartamento.
Andaram com pressa em direção ao elevador, antes que ela apertasse o botão, ele puxou-a contra a parede ao lado, o elevador se abriu e dois homens saíram. Utakata apontou a arma na direção deles, e um tiro atravessou ambos os crânios. Max levou as mãos ao rosto e cobriu a boca e o menino choramingou.
Sem perder tempo, Utakata catou as armas e enfiou uma na bolsa que Max levava. Então arrastou-a para dentro do elevador, desceram até o primeiro andar, saíram e seguiram pelos corredores até achar uma porta de acesso às escadas que os levou até uma porta, ele olhou pela pequena janela de vidro, se afastou e atirou nela.
A porta se abriu, e ambos tiveram de passar por sobre o corpo de outro estranho.
Chegaram até a calçada, ela viu uma multidão de estranhos vindo em sua direção, segurando placas, recordou dos protestos que ocorriam e não saíam do noticiário.
Sentiu um clique estranho e olhou para o pulso, ficando indignada ao ver seu pulso preso ao dele por meio de uma algema de corrente ligeiramente longa.
— Seriamente?!
Utakata a puxou como se fosse um cão desobediente e seguiu com o menino no colo que olhava para todos os lados, os dedinhos apertando a gola da camisa dele, e lágrimas grossas escorrendo. Ela não conseguia olhar sem querer chorar.
— Porque tem que fazer isso? – Perguntou.
Ele tirou o telefone algum momento depois e ligou para alguém.
— Tentou pegar o prêmio antes de todo mundo, agora vai ter que disputar um pedaço.
— É você quem está atraindo todos os cães, não pode reclamar, existe sempre um mais rápido.
Utakata desligou e apressou o passo misturando-se a multidão.
Iriam ver quem era mesmo o cão mais rápido.
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