Vingador Vol. II
16 15. A Herdeira da Casa sem Pátria.
Notas iniciais

— Precisamos cair fora daqui se quisermos estar vivos até o café da manhã. – Naruto declarou.
— Já tenho um carro pronto esperando pra ir a Florença, de nada. – Gaara avisou.
Sasuke segurou Sakura no colo outra vez, após perceber que seu tornozelo direito estava roxo. Kakashi tocou de leve, verificando.
— Não parece quebrado, mas vai precisar de gelo e um bom exame.
— Vamos embora. – Sasuke declarou, saindo do ambiente claustrofóbico.
Eles deixaram o cemitério já com o sol instalado no alto céu.
No carro de Gaara, Kakashi verificou o telefone com pressa. O telefone de Damian também tocou e ele verificou com muito bom gosto.
— Oh...
— Parece que Lorenzo lembrou por si mesmo daquela velha história, Sasuke. – Kakashi suspirou. — Quinze milhões por sua cabeça.
— Não brinca! – Ino exclamou.
— Finalmente um número decente. – Sasuke desdenhou, afagando os cabelos de Sakura entre os dedos, ela dormiu ou desmaiou de exaustão. — E por ela?
Kakashi meneou a cabeça, guardando o telefone.
— Apenas um extra pra quem for seu cúmplice ser capturado vivo.
— Que injusto.
— Injusto nada!
*
Veneza.
Sakura despertou, sentindo o corpo e os olhos pesados de exaustão, tudo em torno e abaixo dela sacolejou ligeiramente e sua visão alcançou uma janela por onde só via azul. Moveu-se devagar percebendo estar sobre um colchão.
Sentiu um peso se aproximar e uma mão grande e quente envolver a sua.
— Acorde, amor. Você já dormiu demais. – Sasuke ciciou em seu ouvido baixinho e dócil, ela quase duvidou que fosse ele mesmo.
— É você?
Ele riu suavemente, e cheirou sua cabeça.
— Sou, tanto que quero arrancar esse vestido de você agora. Quem disse que pode usar algo tão revelador sem mim por perto?
Sakura se aconchegou mais, sentindo um breve latejar no tornozelo, mas recusando-se a deixar esse sono mais tranquilo, não dormia há dias, muito menos em paz.
— Não é revelador, e não fui eu que escolhi... – Ralhou suavemente, apreciando imagina-lo com ciúmes.
— Precisar levantar, tomar um banho, e comer alguma coisa.
— Agora?
— Sim.
— Nesta ordem? Eu posso comer... Mas banho... — Ele a pegou no colo de novo, e ela lamuriou agarrada a seu pescoço.
— Precisa de um banho sim. Ou vai ficar cheirando a um rato de verdade.
— Tão mal.
Sasuke a pousou na banheira do apertado Iate que os abrigava em torno de Veneza agora.
— Nada de dormir na banheira, ou eu venho te dar um banho.
Sakura resmungou baixinho, e ele saiu, deixando a cabine e indo para a de Kakashi.
— Ela acordou? – Kakashi indagou, todos ali reunidos com ele.
— Já, ao menos por enquanto.
— Damian vai arranjar um bom médico, e passaportes. Já pensou no que vai fazer?
Sasuke inspirou, sentando-se numa poltrona, muito reflexivo.
— Não seria melhor todo mundo se separar e dar o fora? Temos uma pequena vantagem, devíamos aproveita-la. – Ino opinou.
— Nenhuma vantagem vai durar com a Folha no encalço, querida. – Damian afirmou, tranquilamente. — Já pensou em descobrir o que Martino decidiu?
Sasuke coçou a barba, pouco convencido.
— Martino quer me encontrar em Luxemburgo. Mas também quer a minha cabeça, o que garante que não seja só uma última armadilha caso não me pegue nesse intervalo de três semanas?
— Já pensou sobre o que Itachi realmente queria?
— Eu penso... que nada justifica, mas, também penso que ele pode apenas ter enlouquecido de vez.
Essa hipótese os deixou pensativos e tensos, parecia tolo, mas quando se aprofundavam em tal perspectiva, era difícil não acolher.
Afinal, este tipo de vida, não era qualquer um que poderia suportar, e nem poucos os que hora ou outra sucumbiriam ao peso de tantas máscaras e tanto sangue.
— Grandes gênios foram chamados de loucos em seus tempos. – Damian disse, com certo tom dramático e cínico. — Não estou dizendo que confio nele, mas louco ou não, Itachi não agiria de forma aleatória.
— É? O que você acha? – Kakashi insistiu, o francês lambeu os lábios de maneira tentadora, Karin até deu uma cotovelada em Ino para que não se mostrasse tão empolgada facilmente.
— O que eu acho é que a chave pra todo esse mistério, e provavelmente nossa porta de saída para toda essa confusão, está bem ali, no outro quarto. — Declarou, encarando Sasuke em desafio. — E que você sabe disso, mas está com medo de ir adiante.
*
Sakura pulou sobre um pé até perto da cama, sentou e tentou se manter calma quando a porta abriu, ainda assim se espantou e engoliu o ar num ruído baixo. Soltou a respiração devagar quando Sasuke atravessou a porta.
Ele a fechou, fitando-a com uma expressão ininteligível, parecendo procurar lê-la, mas então suspirou e se aproximou com ar mais ameno, abaixando-se a frente dela.
— Parece que não tive que te dar banho. – Sakura sorriu suavemente, apreciando seu perfume.
Queria abraça-lo, mas sentia como se estivessem de volta à estaca zero... Pois...
Quem era Sasuke?
— Não dessa vez. – Disse de volta, apenas por dizer, ele arqueou o cenho, e aquele sorriso ordinário surgiu.
— É um convite?
Os olhos dela imediatamente molharam, para o espanto dele, Sakura sorriu, e então apenas o abraçou.
Ainda era seu Sasuke.
Por enquanto bastava.
Sasuke apertou-a e se levantou, trazendo-a consigo até uma poltrona próxima, sentou-a nela e se afastou, sentando num banquinho estofado e pegado seu pé, o tornozelo estava roxo e inchado.
— Consegue gira-lo?
Sakura esfregou o rosto na manga do robe de tom rosê que vestia em conjunto com um delicado babydoll.
— Sim, mas dói muito.
— O médico está chegando, vou mandar trazerem a comida.
— O-onde estamos? – Ela indagou, aflita e angustiada com ele estar saindo de novo, mas incapaz de dizer.
Sasuke parou na porta, dando um breve olhar para as janelas circulares e pequenas no iate, a água azul embaçada do mar Adriático agitava ligeiramente a embarcação.
— Em Veneza.
Sakura jogou os olhos imediatamente para as janelinhas, em assombro completo.
Não demorou muito para ele voltar, acompanhado de um empregado que trouxe um carrinho cheio de comida, o que a fez presumir que fosse horário próximo do almoço, havia praticamente um brunch ali.
Também veio um homem, de óculos de grau e cabelo curto portando uma maleta. Apresentou-se como médico e se pôs a verificar o tornozelo dela.
— Ela parece realmente bem. – Kakashi constatou, aproximando-se ligeiramente de Sasuke. Sakura estava muito distraída comendo e encarando o médico, arisca como um ratinho engaiolado pela primeira vez.
— Ainda tem muito que atazanar. – Disse por fim, Kakashi riu de sua incapacidade de admitir que estava pendendo entre o alívio de tê-la de volta e a preocupação com o perigo que ainda estava claramente por vir.
— Já conversou com ela?
Sasuke apenas desejou ter um maço de cigarros, ou que ela quisesse ter sexo.
— Prioridades. – Kakashi pareceu ler seus pensamentos e desejos de procrastinação.
— Não.
— Tem que falar, a cabecinha dela deve estar borbulhando... Não a deixe enlouquecer sem respostas... De novo.
Sasuke ia manda-lo se foder, mas foram interrompidos.
— Sasuke, sente aqui, temos que conversar. – Sakura pediu, a vozinha fragilizada e manhosa quase o convenceu de que ela só o queria perto para se sentir menos insegura com o homem estranho a examinando. Mas ele também reconhecia uma exigência quando ouvia, e por isso a fitou de soslaio, os olhos estreitos.
Kakashi apenas riu, bateu no ombro dele, afastando-se em direção a porta e dando a ela um olhar amigável.
Sasuke revirou os olhos e seguiu até a poltrona dela.
— Coma primeiro. – Ordenou, e por um momento pareceu que ela ia mandar uma resposta malcriada, o fitando meio indignada, ele pagou pra ver, encarando-a perigosamente e ela se recolheu, aborrecida e depressiva, mastigando o pãozinho com um bico nos lábios.
Mimada.
— Está quebrado? – Disse, o médico negou, despreocupadamente.
— No máximo foi uma torção forte, nada que algumas bolsas de gelo para desinchar e um tempo de repouso com tala e muleta não resolvam.
— Claro. – O médico se ergueu depois de passar uma camada de um gel gelado na área, e também tirou a pressão dela, achando graça da relutância dela com sua proximidade, afinal, as pessoas tendiam a confiar muito em médicos.
Ele saiu e Sakura se voltou para o noivo, que a fitou estranhando aquelas bochechas coradas naquela hora. Sakura estendeu os braços pra ele.
— Quero voltar pra cama.
Sasuke a fitou incredulamente.
— Não brinca.
— Ora...
— Não disse que queria conversar? — Ela inflou as bochechas. Com certa vergonha de dizer.
— Dá pra fazer isso na cama...
Sasuke pensou em aproveitar disso, mas decidiu que não.
Deu de ombros e contornou a mesa, indo se instalar na outra poltrona, confortavelmente.
— Não, não, aqui está ótimo pra mim. Então, qual o tópico?
Sakura o encarou longamente, emudecida, então ela fez bico de novo, e começou a chorar, escondendo rosto com as mãos.
— Você está sendo frio comigo!
Não foi nem uma indagação, sem chance de defesa, completamente culpado.
— Caralho, como eu sou fodido... — Comentou, baixo, com um suspiro pesaroso. Levantou da poltrona e foi até ela, pegando-a no colo de novo e seguindo para a porra da cama.
— Okay, chega, pode parar, estamos na cama, bendita da cama.
Sakura soluçou e fungou agarrada a ele.
— Porque tudo isso está acontecendo? – Sakura interrogou, entre soluços. Ele suspirou guardando uma careta e dando-se conta de que não haveria como escapar de lidar tudo o que ela tinha presenciado e a deixado completamente perdida e desesperada por uma luz.
Acariciou as espáduas dela, deixando rios de lágrima descerem contra a camisa até que ela estivesse muito exausta para reagir muito negativamente quando explicava a história real dos Uchiha.
Era muito cedo ainda, para que ele próprio pudesse formular uma nova versão de como os caminhos deles haviam se cruzado. Afinal, acabara deixando claro que os pais dela não eram de seu ramo, e se Sakura desconfiasse que eles sequer conheceram algum Uchiha na vida, muito menos deixariam a filha prometida a um, a rachadura entre ela e o passado real, se tornaria um verdadeiro buraco.
E ele definitivamente não precisava disso agora, ela já ficara muito abalada apenas com o assédio de Utakata, se a essa altura, recordasse do estupro...
Ele a perderia de vez.
— E o que vai fazer? – Sakura indagou, ainda soluçando. Ele suspirou e beijou sua testa, desvencilhando-se dela, Sakura o fitou atônita com a separação repentina e a indiferença que tingiu sua postura logo que se afastou.
— Dar um jeito nisso. Você vai pra um lugar seguro.
Soaram batidas na porta e o senhor de rosto semi encoberto junto de mais algumas pessoas apareceram na porta. Ela apenas apertou a mão em torno do tecido do robe, o fechando enquanto se perdia em angústia que aquelas palavras causaram.
“— O que quero que vocês façam... Você e Sasuke, juntos.”
— Conseguimos os passaportes, tudo bem? – Kakashi indagou.
— Ótimo. Vamos cair fora logo, contate o Gaara e diga que preciso de mais um favor.
— Que seria?
— Que ele providencie um jatinho daqui para a Suíça.
— Vamos pra Suíça? – Uma mulher ruiva indagou, incerta.
— Não. – Sasuke dirigiu um olhar sério, mas curto para Sakura. Ela o fitou atordoada. — Ela vai.
— O quê?! – Todo mundo exclamou.
— Tá brincando? Com o trabalho que tivemos pra encontra-la, você quer largar ela em outro lugar?!
— Quer se livrar de mim. – Ela acusou-o.
Sasuke a fitou, aborrecido e até achando graça.
— Protegendo você. De nada.
— Jogar ela na Suíça não é garantia de segurança. – Kakashi suspirou.
— No olho do furacão também não. Ela vai pra Suíça até que eu dê um jeito de saber o que Itachi queria e dar fim em quem estava com ele.
— Você sabe! – Sakura exclamou, indignada e o olhar dele se estreitou perigosamente.
— Não, querida. Não sei. Porque ele estava louco é capaz de nem haver o que saber.
Sakura sacudiu a cabeça freneticamente e fez menção de se levantar, mas uma pontada de dor no tornozelo a fez parar.
— Não! Não é assim. Você sabe que não é assim! Você tem que saber. Itachi nos queria juntos...
— Péssima forma de bancar o cupido.
— Você quer calar a maldita boca?! – Gritou, embora mais que em desespero do que raiva. — Pare de agir como se soubesse de tudo. Você não sabe!
Sasuke caminhou até ela, a postura e expressão deixou os outros receosos enquanto a engolia com aqueles olhos negros, lâminas afiadas.
— E o que você sabe? É um joguete, foi um objeto de chantagem e agora vejo que uma marionete também.
— Sasuke... — Kakashi interveio.
“— Dei-lhe a vantagem, mas precisarão um do outro.”
— Todos somos marionetes. – Sakura decretou, erguendo-se por fim, pisou com o pé saudável no chão e deixou o outro ainda apoiado na cama, perto o bastante para encará-lo com o queixo erguido. — E continuaremos sendo até que cortemos as cordas, isto, não foi Itachi que me ensinou, foi sua mãe.
“— Sua intromissão pode ser a chave da ascensão ou ruína dele.”
— Você não sabe o que Itachi queria. Eu também não sei, exatamente...
— Hah. – Ele desdenhou, mas ela não se deixou abater nem por isso nem pelo desânimo que dominou os outros estranhos.
— Eu não sei. Mas eu sou a chave para saber. Eu sou sua saída para isso. Eu sou... A Koyosegi, e mais importante que isso, eu sou sua mulher, uma Uchiha, e eu vou salvar a Kuran Uchiha, com ou sem você, Itachi não me deixaria completamente sozinha... – Arriscou no final.
— Claro. — Ele rosnou, e Sakura foi quem o fitou em raiva, desdém e desafio, desta vez.
“— Ele vai ter de aprender a confiar em você”
— A questão, Sasuke. É se você realmente é capaz de ir adiante. Se você realmente é um Uchiha.
“— ...E você em si mesma”
*
Estação S. Lucia, Veneza.
Karin sentou na única poltrona de frente para Sakura, sorrindo cordialmente, estendeu a mão.
A moça, ainda abatida, a cumprimentou também um pouco receosa.
— Karin Uzumaki. Espero que não se importe de eu sentar aqui, aquele lá só o faria pra te morder. Ele está uma fera.
Sakura olhou por cima do ombro, observando Sasuke tristemente, se encolheu sob o casaco dele.
Um acolhimento frio como o da peça parecia ser a única coisa que teria agora.
— Mas foi muito corajoso da sua parte enfrentá-lo. Este cara não está acostumado a ter alguém mandando a coisa de volta. E quando alguém o faz...
— Ele vai embora. – Sakura concluiu, mais cabisbaixa ainda. — Como quando deixou a casa, anos atrás.
Karin a fitou, compadecida, vendo um misto da Sakura que ligeiramente conheceu e de uma outra jovenzinha que não estava disposta a deixar qualquer um vê-la chorando.
Sorriu, e estendeu a mão apertando o ombro dela.
— Acredite, eu duvido muito que ele vá fugir de você, nem se quisesse ele poderia.
Sakura ruborizou fraquinho, e fez um bico descrente e pretencioso.
— Já disseram, mas nunca parece...
— Isso porque ele passa muito tempo tentando não demonstrar. Mas ele sempre sede no final. Apenas observe.
Sakura a fitou, confusa, ela se levantou e se afastou indo até a outra poltrona vazia. Logo foi anunciada a partida do trem rumo à Milão. E todos tiveram de se sentar. Ainda esperando entender a mulher ruiva, Sakura se espantou quando viu Sasuke ocupar a poltrona desleixadamente, com um cigarro entre os dedos.
Ele nada disse e ela se encolheu dentro do casaco, passando a encarar a janela. Ele soltou uma última baforada cinzenta e esmagou o cigarro no cinzeiro embutido na mesinha.
— O pé ainda dói? – Disse.
Ela quase decidiu o deixar falando só, mas reconheceria estar sendo tão infantil quanto ele.
— Um pouco... — Ciciou, de má vontade.
Sasuke encarou a janela também, e suspirou.
— Quando chegarmos, se não houver um monte de assassinos nos esperando, eu compro mais analgésicos e você vai poder ir ao banco sem estar gemendo a cada passo.
Sakura nada disse ou agradeceu, e ignorou o olhar aborrecido dele quase sem poder ocultar o sorriso que escapava-lhe dos lábios. E o calorzinho que passou a sentir dentro do casaco com o perfume dele.
*
Stazione Centrale, Milão.
— Devemos ser muito rápidos, o banco pode ter olheiros, a cidade pode ter, Martino sabe quais rotas nós poderíamos usar e esta não é a menos óbvia. – Kakashi avisou.
— Sua cara está marcada, não pode entrar com ela. – Damian alegou, parecendo gostar disso. — Agora que é um extraviado, uma bala vai estar indo na sua cabeça se ficar a qualquer distância mínima de um estabelecimento da Folha.
Sakura se sobressaltou, assustada, e encarou Sasuke enquanto caminhavam pela estação a passo rápido demais para dar conta sozinha. Então ia praticamente enroscada nele.
Ele continuou estudando a frente e outros pontos do movimentado local, com sua expressão ininteligível e olhos de rapina.
— Ela não vai entrar sozinha.
— Ela não precisa. Mas com você também não pode.
Pegaram uma limusine preta, o Banco Di Marina, era uma construção imponente e altiva, no centro mais antigo da cidade, Sakura pode divisar sutilmente o símbolo da Folha incrustrada nas paredes, passando-se por um mero detalhe arquitetônico, passando-se pelo o que não era.
Talvez fosse mesmo a aparência do prédio, a descoberta do que ele realmente era, que a deixava sem ar e sufocada só com a ideia de adentrar.
Geralmente só tendia a se sentir assim em lugares inversos, enormes e cheios de pessoas. No entanto, entrar ali a intimidava, assombrava, enormemente.
— Ela precisa mesmo ir? Alguém pode ir no lugar dela com a chave. – Ino sugeriu.
— O sistema parece antigo, mas não é. Está chave é especial, ela só vai acessar a gaveta se comprovar que é dona por meio da digital. – Kakashi disse.
Sakura baixou os olhos para a pequena chave prateada que tinham em mãos, lembrando-se das palavras de Itachi, outra vez. Se ele disse que era algo para lhe dar vantagem, e estava assegurando desta forma... O mínimo que poderia fazer era arriscar.
— Eu vou. – Decidiu.
— Bom, se você diz...
— Façamos assim. – Kakashi, abriu uma pequena maleta que tinha acoplada na tampa uma tela, e nos compartimentos broches e fios. Tirou um em forma de flor, uma presilha, na verdade e ofereceu a ela.
— Você entra, nós vemos tudo daqui, se algo acontecer, vamos invadir.
Sakura pegou o artefato, notando o miolo da flor ser um vidrinho redondo e escuro. Nenhum filme de espionagem a faria se sentir tão espiã quanto agora.
Arrumou a presilha da melhor maneira possível e aceitou um troço miúdo de silicone que foi encaixado em seu ouvido.
— Que tal Naruto ir com você? Ele não é um rosto conhecido ainda. Se bancar o segurança grande e burro, ninguém vai reparar muito nele. – Shikamaru disse.
— Aposto que vai ser bem fácil. – Sasuke enfim comentou.
— Não precisa ficar com ciúmes, Sengawa. Garanto que não vou fazer ela se apaixonar por mim agora. – Naruto devolveu.
Sakura saiu do carro, arrumando o casaco sobre os ombros, ainda vestia o traje da festa, pois só havia fora isso, uma roupa para dormir.
Naruto saiu logo atrás, e ajudou-a a mancar até o outro lado da rua e subir as escadarias até adentrar as portas giratórias.
O resto deles acompanhou através da tela da maleta.
O banco parecia ainda maior por dentro, tons de vermelho do granito e preto, o teto pintado com paisagens em estilo renascentista, a recepção composta por três lindas mulheres e um homem alto, careca e de ar polido.
Naruto seguiu mais atrás dela, fazendo a fachada de segurança mal encarado, Sakura se aproximou do balcão, muito nervosa, e recebeu um gentil sorriso.
— Signora, em que posso lhe ser útil?
— E-eu... — Ela estendeu-lhe a corrente com a chave, tentando não tremer. — Tenho algo, aqui, e quero pegar...
Ele arqueou o cenho, encarando a chave, com um olhar que pedia permissão, pegou a chave entre os dedos longos e magros, e a estudou minuciosamente através das lentes dos óculos que usava.
Ergueu os olhos, passando a estuda-la, e por fim sorriu e começou a se afastar do balcão.
— Pois queira me seguir, signora.
Sakura se moveu passando a segui-lo até um portal lateral que era fechado por portas de ferro e vigiado por dois homens de cada lado.
Eles abriram a passagem, mas negaram a de Naruto.
— Apenas os clientes. – O gerente amigavelmente explicou para ela, Sakura encarou Naruto através das grades e seguiu o homem por um longo corredor, passaram por portas onde ela viu mulheres contando dinheiro, até mesmo um carrinho repleto de ouro sendo puxado.
No fim do corredor, numa porta de puro metal, ele parou, encaixando a chave dela numa espécie de painel que se ascendeu com uma luz azulada nas extremidades, se afastou e indicou um local do aparelho.
— Sua digital, madame.
Sakura se aproximou, pousando o polegar no local, a luz azul foi para vermelho e de vermelho para verde.
— Ela foi mesmo cadastrada. – A voz de Kakashi quase a assustou. — Sabe o que isso significa?
— Senhorita Uchiha. – O gerente disse, indicando as portas que se abriram para uma sala repleta de paredes com gavetas ou portas.
Ele retirou a chave e entregou a ela.
— A sua porta é a KU, e sua gaveta é a KU001, pode usar a outra sala para avaliar o objeto, e sair por aqui exatamente como entrou.
— Obrigada. – Ela disse, entrando, ele acenou com a cabeça e as portas se fecharam automaticamente, Sakura girou no lugar, esquecendo o tornozelo e levando uma pontada. Mas era ainda maior do que parecia, e havia gavetas e portas que só poderiam ser acessíveis com uma escada. Pelo menos quatro andares de puros segredos.
— Prossiga, querida, não temos tanto tempo. – Kakashi aconselhou.
Ela seguiu, se perguntando como diabos encontraria o tal ponto.
— I-isso está em ordem alfabética?
— Em ordem de importância. – Sasuke disse. — Procure as portas maiores, KU é Kuran Uchiha, o símbolo da família vai estar gravado nela.
— O símbolo...
O leque Uchiwa.
Sakura caminhou longos metros até achar um corredor com portas mais altas, avançou por ele e parou durante de uma porta de metal escuro onde havia o leque gravado no centro e um painel.
— Sua digital. A chave apenas indica que tem algo que ela abre aqui neste banco, e a gaveta. O resto é com sua digital. Senhorita Uchiha.
Sakura pousou o dedo no painel, as portas se abriram para um espaço de cerca de dois metros. Apenas gavetas e gavetas. Ela então entendeu porque ele estava todo seco novamente.
— Oh, não precisamos mesmo nos casar para eu ser uma Uchiha. Eu já era uma antes mesmo de noivarmos... – Recordou que já usava o nome Uchiha assim que chegara à Inglaterra.
Encontrou a gaveta, apesar de ser a 001, a numeração não estava em ordem crescente, era na altura de seu estomago, ela enfiou a chave e respirando fundo, girou-a.
Duas trancas douradas abriram nas laterais, e a gaveta deu um leve solavanco para frente, indicando que poderia ser puxada agora.
O ar lá era bem gelado, o contato com o metal só intensificava. Sentiu-se mais gelada do que quando tivera de se esconder num mausoléu.
Afastou-se um passo e puxou a gaveta junto, era bem larga, pouco funda com compartimentos pretos onde haviam diversas coisas encaixadas.
— E-eu tenho que levar tudo?
— Puxe a gaveta, saia daí, vá para sala que o gerente indicou.
Sakura assim o fez, lamentando não ter Naruto agora. Aquela coisa pesava muito para alguém com 59 quilos com um pé ruim. A tal sala era menor e mais quentinha, tinha uma mesa no centro, sofá, frigobar, até um telefone.
Sakura pousou a gaveta na mesa, puxou a cadeira e se sentou.
— Abra tudo.— Sasuke ordenou.
Sakura começou por uma caixinha na lateral, era metálica e desencaixa da gaveta, pôs na mesa e abriu as travinhas descobrindo nada mais que uma arma prateada com gravuras suaves no cabo, como ramos de arvore e pétalas, do lado havia um cartucho de balas, e o que parecia ser um canivete, além de uma caixinha menor.
— I-isso é pra mim?
Sakura pegou a caixinha e abriu, deparou-se com um par de lentes vermelhas e pretas, um intricado jogo de linhas formando um desenho na íris.
— Filho de uma...— Sasuke cuspiu.
“Espero que não precise usar, mas que use se preciso for.
U.”
Estava gravado na tampa, Sakura inspirou e pôs de volta no lugar. Voltou-se ao resto do conteúdo da gaveta, tirou um pequeno notebook preto, e outra caixa maior mais chata e larga.
— Minhas joias... — Exclamou, quando abriu-a, mas foi um belíssimo colar de gemas azuis como gelo que lhe trouxe lágrimas aos olhos. — E-e as joias de Veena-sama...
— É a única dama Uchiha agora. É tudo seu. – Kakashi disse. Sakura tocou a pedra negra arrematada com brilhantes que Sasuke havia lhe dado. Até mesmo os anéis bobinhos que comprava, os brincos pequenos e delicados aos lados das pedras graúdas que Bishamonten amava ostentar e ganhar do marido.
Inspirou, tentando não ter um acesso de choro e se voltou ao resto dos itens, noutro compartimento havia pelo menos cinco passaportes, cartões de crédito, dinheiro em espécie como dólar, euro, ienes, real, notas que ela nem sabia que havia circulando no mundo, um celular novo e uma pequena agenda vermelha com o nome dela gravado abaixo do leque Uchiha.
— O filho da puta deixou toda a coisa pra ela. Até a caderneta de ações.— Damian disse. — Ela não é só Uchiha, ela é dona de tudo que pertence aos Uchiha.
— Porque eu? – Sakura balbuciou.
— Fica o questionamento. – Sasuke resmungou. — Se o que tem aí é verdade. Até eu fui deserdado.
— Você perdeu tudo a partir do momento que se tornou extraviado, filho. – Kakashi o lembrou. — Na verdade, nem ao seu nome tem direito agora. Sakura é a única Uchiha comprovadamente existente.
— Que falta de respeito...
— Hmmm, isso faz dela um partido e tanto. Me recordo que sempre quis ser da família principal, agora... — Damian comentou.
— Partido o caralho.
Sakura abriu a penúltima caixinha, onde deparou-se com um relógio de bolso dourado de aparência antiga.
— Um relógio...?
— Deus de misericórdia.— Kakashi exclamou. — Se isto for o que estou pensando... Tudo fará sentido, ou quase tudo.
— O que tem de mais?
— Querida, doce menina, não perca esse relógio. Esse relógio, se for o que acho que é, pode salvar nossas vidas, e garantir sua segurança melhor que qualquer esconderijo suíço.
— Oh, isso me agrada! – Ela admitiu.
— Que bom humor. – Sasuke observou, ameaçador. — E qual a grande coisa sobre essa velharia?
— Ah, meu rapaz... Se você soubesse...
— Oh, falta mais uma. – Sakura abriu a última caixinha, mas só havia um envelope em branco, e com o nome de Sasuke.
— Oh, Sasuke. Tem algo pra você também.
— Ah, vá.
— Dentro desse cartãozinho?— Ino achou graça. — Será que é um cartão de vale presente?
— Ou, pode ser um cheque! – Sakura tentou ser otimista. Abriu o cartão e franziu o cenho.
Havia apenas números, letras embaralhadas.
Mas na limusine, Sasuke se debruçou para encarar a tela.
— O que é isso?
— São códigos... de acesso... acesso a algum programa...
— Eh? Programa?
Sasuke afiou o olhar para a única frase no papel abaixo dos códigos.
“Mais um movimento, irmãozinho. E então será sua vez.”
— Saia daí.
— Oh?
— Saia daí. Agora. Pegue tudo e saia.
Sakura se moveu, jogando tudo de volta na gaveta, impelida pela urgência e perigo no tom dele.
— Não. Tem um conjunto de maletas abaixo da mesa. Pegue uma, jogue tudo, leve a gaveta de volta, tranque a sala, e saia daí.
Sakura se abaixou, encontrando varias maletas de metal a espera, pôs tudo dentro da melhor e mais confortável maneira possível, e saiu da saleta. Guardou a gaveta em seu lugar. Fechou a sala e se apressou para a saída. Quando as portas se abriram, ela se forçou a não parecer em pânico, pois o senhor gerente a esperava do outro lado com um sorriso gentil.
— Signora.
E a acompanhou até onde ela pode encontrar Naruto novamente, despedindo-se com toda a gentileza. Naruto pegou a maleta e ajudou-a a andar mais rápido.
— Rápido! Rápido! – Karin gritou.
— Tem alguém vindo. – Kakashi disse.
Sakura e Naruto saíram pelas portas giratórias, mas mal desceram dois degraus antes de perceberem pelo menos cinco sedans pretos pararem em frente o prédio, viram sasuke sair na limusine com uma arma em mãos e as pessoas descerem dos carros, altos homens de ternos escuros e cinzentos, sem medo de mostrar as armas, cabeças raspadas e tatuados.
Seus olhos eram como que de vidro, as expressões mais rígidas ainda. Naruto a empurrou para trás de si, mas o primeiro deles que se aproximou, segurava uma submetralhadora a qual abaixou e curvou o corpanzil em forma de reverência.
— Koyosegi-sama. – Disse, sua palavra foi repetida pelos outros que fizeram o mesmo gesto em direção somente a ela, Sakura. — Somos a Casa sem pátria, somos sua casa, para servi-la, e protegê-la, Koyosegi-sama.
Sasuke parou entre eles, sendo ignorado, mas não ao ponto de poder erguer a arma sem levar um tiro.
Percebeu o último movimento o qual Itachi se referia.
— Maldito seja, Corvo.
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