Vingador Vol. II
11 10. Caixa de Pandora, as linhas se movem. E intoxicação Uchiha.
Notas iniciais

Sakura abriu os olhos sentindo uma ligeira ardência no rosto, sua visão por um momento, foi tomada por um clarão, e seu peito se inundou com um sentimento gelado de horror.
Ela se sobressaltou sobre o colchão onde estava, e não reconheceu o quarto ou o barulho em torno. Ao mover os braços, sentiu uma leve ardência, repuxando-os, e percebeu linhas de soro conectadas às suas veias finas, bem como aqueles irritantes eletrodos em seu colo através da camisola fina.
Seu nervosismo foi captado pelas máquinas ao redor, os bipes aumentaram de frequência, e o irritante quarto branco se abriu para um corredor branco.
A figura de negro que entrou, encheu-a de alívio.
— Parece que finalmente acordou. – Sasuke disse, parecendo aborrecido, havia um pequeno curativo no canto de sua testa, e o rosto estava salpicado de riscas de sangue, pequenos cortes incapazes de macular a beleza surreal que tinha.
Ele não diminuiu o passo até ela, e Sakura já estava praticamente caindo da cama para alcança-lo, e fez questão de ignorar sua risada malvada ao cerca-la com os braços, seu tronco era quente, amplo, e ela ainda podia sentir o cheiro das bebidas que tomaram vindo dele. Um alívio sem igual aqueceu seu peito.
— O que aconteceu? – Indagou, num fungado. Sasuke afagou sua nuca suavemente, um cafuné preguiçoso que poderia fazê-la dormir em segundos se não estivesse tão nervosa ainda.
Ele inspirou profundamente, e empurrou seu corpo mais para o lado, sentando-se na beira, Sakura se ajeitou rapidamente, reclinada sobre seu peito, e sentindo melhor seu sutil perfume. Quando ele afastou a mão de suas costas para tocar a dela, viu ataduras em volta de sua mão, salpicadas de sangue, puxou-a para si, examinando preocupada.
— Estou bem, foi só o vidro estourado.
— Mas o que houve?
— Um carro bateu em nós, o idiota estava bêbado.
— Não pode ser. – Ela exclamou.
— Sempre tem um, mas ele vai estar muito ocupado lidando com os processos para voltar a encher o rabo de álcool por um bom tempo.
— Ah... Você está bem mesmo? Não bateu nada?
— Não, e você parece ter tido uma leve concussão, mas estou mais surpreso de haver um cérebro aí. Sakura bufou com leveza e se encolheu sobre ele.
— Eu já posso ir? Não quero ficar aqui.
— Hm, verei se ainda tem algum exame para fazer, caso não você vai ter alta logo. – Sasuke declarou, seu corpo discretamente indo pra escapar para fora da cama, Sakura apertou-se contra ele, empurrando uma canela entre suas pernas longas. — Eu não posso andar por aí com um ratinho no bolso. – Avisou.
— Então não ande. – Ela declarou escondendo o rosto sob o terno dele, o homem suspirou aborrecidamente, e voltou a se ajeitar melhor sobre o colchão, resmungou algo sobre o frio, praguejou, e puxou a coberta sobre os dois.
Sakura fungou, não sabendo exatamente porquê, havia um sentimento muito caloroso nessa cena que acabara de acontecer, quente o bastante para aquecê-la com familiaridade, e por fim, para encher seus olhos de lágrimas.
Elas deviam ter escorrido o bastante para molhar a camisa de Sasuke, ele respirou profundamente, e seu coração era vigoroso, as batidas, no entanto, eram perfeitamente harmônicas.
— Porquê está chorando?
Sakura apenas balançou a cabeça um pouquinho e sorriu consigo mesma, ela não sabia por que, mas sabia que, ao menos desta vez, não tinha porque se assustar com isso, nem sentir qualquer angústia e aflição.
— Estou feliz que estamos bem. – Ciciou, apertando os olhos prazerosamente quando ele voltou a fazer-lhe cafuné, agora ela dormiria, definitivamente.
— Hmmm, dormir com você é bom. – Admitiu, antecipadamente, no entanto, logo quis ter desmaiado para não ter dito aquilo, esperou com genuína esperança, que ele ignorasse ou quer tivesse ouvido seu sussurro.
Sasuke pareceu respirar normalmente, mas ela sentiu então, ele deslizar os dedos pela sua tez lateral, empurrando uma mecha de cabelo para atrás de sua orelha, ele tocou sua orelha como se analisasse ligeiramente, apertando o lóbulo com suavidade, depois deslizando pela extensão dela.
— Não faz ideia do quanto. – Ele ciciou, como um sopro maldoso. E ela fez de tudo para encolher e apertar apenas as pálpebras.
Mas mais partes de si do que estava pronta para admitir, se apertaram ante aquela frase.
Nem mesmo o que ela nem sabia estar fazendo, escapava dos olhos e sentidos peritos dele. Sasuke recostou a cabeça no travesseiro com um sorriso satisfeito e vencedor.
Ele era muito com calcular previsões.
De modo que sabia que estava bem perto dela descobrir, mais uma vez, como era estar com ele.
֍
— Ah, e realmente alguém atropelou minha gazela. – Mikoto declarou, quase dramaticamente, abrindo os braços para envolver Sakura num abraço.
Ela não pode deixar de apertar a mulher com vigor, e respirar seu perfume refinado e discreto, sentir a textura das roupas elegantes.
Quase havia perdido a chance de vez estas pessoas novamente.
Mikoto afagou seus cabelos eriçados e amassados, pondo alguma ordem neles e se afastou, segurando seu rosto e analisando os pequenos cortes em sua pele.
— Oh, nada que um bom remédio e uma boa maquiagem não deem jeito, estou mais preocupada com essa cabecinha. – Concluiu, tocando a ponta da unha do indicador no centro da sua testa.
— Eu estou bem, não bati a cabeça muito forte, apesar que não lembro de muito, acho que também foi a bebida. – Sakura disse, Veena moveu os olhos por cima de sua cabeça os estreitando na direção de Sasuke.
— Claro, bebida, não me surpreende. – Comentou, — Apesar que ao notar a demora de ambos, achei que estivessem fazendo algo bem menos barulhento e agitado...
Sakura arregalou os olhos e corou rapidamente, Sasuke as encarou com enfado, enquanto arrancava o casaco de si, com uma postura cansada que só agora parecia transparecer.
— Quem me dera. – Sasuke desdenhou, tirando o terno quase como um garotinho birrento se livra das roupas apertadas que os pais forçam a usar.
Sakura se perguntou se Mikoto pensava assim, encarando-o com um olhar brilhante de nostalgia.
Quando ele se aproximou, segurou seu rosto e também analisou.
— Oh, não serão essas marcas que vão ser grande problema. – Afirmou por fim. — Seu pai está no escritório, esperando. E você, mocinha, vá descansar no seu quarto.
— Que tratamento diferenciado. – Sasuke ironizou e Sakura riu com a possibilidade de ele estar com ciúmes da mãe.
Ele a fitou com aquele olhar ameaçador de que iria castiga-la, e fez menção de agarra-la, mas ela saiu correndo, sem conseguir evitar gargalhar travessamente, balançando o casaco de pele numa das mãos, um colar de grande pingente sacudindo em seu colo que Veena leu como mais uma provocação.
Dobrou o corredor praticamente saltitando, sua risada reverberando pelos corredores estoicos.
Mikoto arqueou o cenho bastante impressionada e encarou o filho.
— Se não fossem as circunstâncias óbvias, chutaria que ela se lembrou de você. – Declarou, Sasuke bufou seguindo para o escritório.
— Ela não vai lembrar de mim. – Decretou. — Nem de Tokyo, da Yakuza, nem do sequestro, da tutora, do Sarutobi. – Ele a olhou de lado, enviesado. — Nem do estupro.
Isso realmente não estava em questão, mas Mikoto temia que ele não fosse capaz de esquecer também, por mais que Sakura fosse esta doce criatura para ele sempre.
A questão talvez nunca tenha sido Sakura se lembrar de seu passado amaldiçoado, mas de ele ter que se lembrar e ser guardião desses segredos.
Era como uma caixa de Pandora, mas duvidava muito que houvesse esperança ou outra coisa boa também escondida lá.
O problema na verdade estava, no fato de que, mesmo assim, pessoas cada vez mais se aproximavam querendo abrir esta caixa, retalha-la, na verdade.
Por isso, ela inspirou profundamente, dando as costas e voltando ao trabalho de organizar a casa para a visita de alguns conhecidos, ditos até familiares.
Como se, pra alguém da Alta Cúpula, família significasse alguma coisa...
֍
— O que eles estão fazendo, Izumi? – Sakura indagou, mais que curiosa.
Izumi a encarou de lado, enquanto mastigava uma trufa, com um olhar entediado.
Sakura só lembrava de ter vindo a área do “dojô” da mansão quando se entediava e fazia uma pequena tour pela casa novamente, era meio que um espaço só de meninos (e Izumi) e ela não se sentia lá muito bem em ficar por lá.
Era como o robe deles com armas, mas ela ao menos agora sabia que poderia se inserir um pouco, mas nessa coisa de ficar lutando e usando espadas, não mesmo.
Ainda que fosse fascinante observar.
O espaço amplo, era constituído de piso amadeirado brilhante, paredes de um vermelho escuro, e nas paredes, muitas espadas, de todo tipo, inclusive também, alguns itens decorativos e de família como uma armadura de samurai bem antiga dentro de uma caixa de vidro. Um uniforme de esgrima também, espadas que ela não julgava ter visto nem em filmes.
Havia um tatame mais ao fundo também, no entanto, Itachi e Sasuke se encaravam no centro da sala, Shisui conversava calmamente num banco junto de Izuna que parecia com preguiça até de ficar de olhos abertos.
Sakuta também estava, era bem cedo, ainda não tomaram café, e ela iria para faculdade logo.
Observou os dois irmãos, ambos portavam espadas katana embaiadas numa das mãos, a de Itachi era repleta de discretas linhas vermelhas, já a de Sasuke, combinava com ele, completamente preta, com relevos só possíveis de notar segurando e olhando de perto.
Ah, ela queria ser capaz de prestar atenção na beleza destas armas mortais, mas só conseguia vergonhosamente focar em como ele ficava diferente, e atraente, usando uma calça moletom preta, e camisa regata branca, simples e ainda descalço, seu cabelo estava bem amassado, e tinha aquele olhar de desdém ao irmão.
Sakura nunca parou para reparar exatamente na relação dos dois, apesar de arriscar que não era tão diferente de Itachi com Shisui e Izuna.
Izumi estava sentada num amplo sofá de desenho discreto ao lado da porta, e Sakura cedeu e sentou na pontinha, acabando por se entreter em observar e tentar adivinhar o que eles tanto discutiam só pelo olhar.
Eles eram bem parecidos, admitia. Apesar de Itachi ser severamente mais estoico, era bastante amável com ela até, e sua constituição era de um homem mais alto e esguio que transpirava elegância calculismo em cada gesto, como um tipo de ser robótico.
Já Sasuke, era pouco mais baixo, mas tinha ombros mais largos, peito mais amplo, pernas mais grossas... Enfim, o que o fazia parecer menos alto que o irmão, pelo menos. E seu olhar quase sempre era como o de um diabo, enquanto Itachi tinha olhar frio e aparentava ser movido por lógica, Sasuke parecia movido apenas pelo próprio querer, um aproveitador nato, um espreitador.
Por fim, Itachi fez o primeiro movimento, ele deu um passo para trás, espalhando um pouco as pernas, se tornando mais baixo e puxando a espada de seu involucro, o som da lâmina produziu arrepios em Sakura, o brilho do metal era sem dúvidas ameaçador, mas a forma como seu cunhado manejava o artefato era tão bem feita que ela sequer poderia imagina-lo fazer o mínimo movimento errado.
E nem sabia o que diabos deveria ser certo nesta coisa toda.
Sasuke repetiu seu movimento, mas trocou a posição das pernas, ele puxou a lâmina com muito mais lentidão, e enquanto Itachi havia posicionado a dele lateral ao corpo, seu noivo posicionou a sua em frente o corpo.
Eles lentamente foram caminhando, em torno de um centro invisível, momento ou outro trocavam as posições das pernas, as inclinações e as posições das espadas, seus olhos escuros fixos apenas uns nos outros, nada mais, como se pudessem adivinhar o movimento do outro apenas por seu olhar.
À essa altura ela já nem esperava uma reposta de Izumi, mas ela finalmente veio.
— Se matando. – Ela disse, enquanto apanhava outra trufa, Sakura a fitou de lado, e no mesmo momento as espadas se chocaram o som agudo tomou o ambiente inteiro e ela se empertigou, tentando acompanhar seus movimentos insanamente rápidos, e precisos.
Seu coração parecia badalar ao ritmo de cada choque das lâminas, seus olhos absorveram a cena ao máximo.
Os dois homens não pareciam estar apenas brincando dada a clara força dos golpes, mas, eram tão precisos, como que ensaiados.
Itachi pareceu pesar mais a mão, e Sasuke recuou passos para trás, rebatendo os golpes, as armas rasparam e eles empurraram um ao outro, se separando.
Sasuke soltou uma exclamação forte e bruta, seus olhos brilhando de excitação com a atividade e um sorriso sádico aberto em seu rosto. Ele balançou a arma entre os dedos e retomou a respiração.
Sakura não fazia ideia de quanto tempo aquela espécie de “round” havia durado, ou se só a intensidade dele havia sido o bastante para fazê-los suarem. Itachi vestia praticamente o mesmo que o irmão, mas a camisa era preta, e só os fios soltos em torno de sua testa e os braços brilhantes denunciavam sua pele encharcada.
A camisa de Sasuke começava a ficar transparente e colar em seu tronco ainda mais, ela preferiu parecer que estava cobiçando os chocolates de Izumi, ao invés do homem.
Quando fora a última vez que havia ido à Igreja? Ah, provavelmente em Bibury ainda, antes de Sasuke chegar.
Ela foi muito tola de achar que poderia manter sua rotina com seu noivo por perto.
Precisava era intensifica-la...
Os dois homens voltaram a se posicionar, trocaram algumas palavras, a mesma preparação de antes foi feita, as respirações voltaram a parecerem sequer perceptíveis, e então uma nova troca de espetadas começou.
— Porquê os meninos têm que gostar tanto destas coisas? – Comentou, consigo mesma.
— Eu gosto. – Izumi deu de ombros, Sakura não ficou surpresa, encarando-a quase como um: De você já era esperado. Izumi não pareceu se importar, mas sorriu com malícia e voltou a encarar a batalha mordendo o chocolate como se ele fosse algo muito melhor que chocolate. — Seria ainda melhor se estivessem se matando por mim. – Declarou.
Sakura arqueou o cenho, incrédula.
Mais uma pra lista de coisas que detestava em Izumi.
Ela cobiçava seu noivo.
Ora, Sakura já havia percebido uma suspeita inclinação da sua cunhada. Mas havia de boa vontade teorizado que fosse questão de ela e Sasuke terem idades iguais, Itachi ser mais velho então não ter tanto em comum a se lembrarem.
E Sasuke não era estoico como o irmão. Então se Sakura havia ficado satisfeita com isso, talvez devesse ter pensando que alguém não ficaria satisfeito nesta conta.
Estreitou os olhos para ela de maneira bem irritada, mas sua cunhada, estava realmente entretida na cena que imaginava para si.
Novamente o som estridente das armas cessou, Itachi deu as costas virando a espada em direção a bainha, e então, olhando no relógio de pulso.
— Esteja satisfeito, me atrasou. – Avisou.
— De nada. – Sasuke disse, ocupado em olhar a espada, talvez verificando alguma avaria ocorrida durante sua brincadeira.
— Já está pronta? – Itachi indagou, seguindo para a porta, Izumi suspirou, fechando o pequeno baú com trufas que levava no colo.
— Estou sim.
— Ora, ora, o ratinho resolveu madrugar. – Sasuke disse, se aproximando por fim, e enfiando a espada na bainha.
Sakura se levantou, aprumando a saia meio volumosa que vestia.
— Não é como se eu acordasse tarde. – Reclamou, brincalhona — Bom diaaa. – Acenou para Shisui e Izuna que já deixavam a sala.
— Não são nem sete da matina e tenho que olhar pra essa cara de bolacha. – Izuna reclamou, como sempre enquanto Shisui soprou um bom dia e rebateu que também não era a coisa mais agradável do mundo ver a cara de Izuna sempre.
Ela riu, e encarou Sasuke, descendo os olhos para a bainha que já queria fuçar a algum tempo.
— Posso ver? – Sasuke a encarou com olhar estreito.
— Não é um brinquedo. – Itachi comentou, os olhos baixos ao desatar várias tiras de pano das mãos.
Sasuke evitou que ela desistisse empurrando a arma em suas mãos, e encarando o irmão com tranquilidade.
— Não é tão diferente de manejar uma arma de fogo. – Disse, sacudindo os ombros.
Sakura estava muito orgulhosa de ter tirado aquele sorriso empolgadinho demais da cara da cunhada para dar importância ao clima deles. Se afastou indo até onde ficava um espelho na parede, e ergueu a arma da melhor maneira possível.
Céus, era longa demais, e muito mais pesada do que aparentava! Ou talvez fosse o peso extra da bainha, que ela se dedicou a analisar como já pretendia, tocou o relevo, tentando interpretar os desenhos que formava.
De fato, a curiosidade a venceu e tentou desenbaiá-la, mas não conseguiu, era como se houvesse alguma trava.
— Isso se chama Tsuba, — A voz de Sasuke ecoou perfeitamente clara na sala agora vazia. Ela o encarou através do espelho o vendo se aproximar — É para proteger a mão, e impedir que uma coisinha tola como você se corte.
— Você tem prazer em falar mal assim comigo. – Ela declarou, não exatamente magoada, era uma constatação.
Sasuke não respondeu. Ele parou atrás dela, sua mão a circundou para segura a katana por cima dela, e o peso aliviou um pouco. Com a outra mão, ele cercou a dela, movimentando-a lentamente em direção ao cabo da espada, e Sakura observou como ele a guiava, sabendo que era isso. Então quando ele fechou sua palma em torno do cabo, com uma das mãos ele continuou ajudando-a suportar o peso, e com a outra, ele segurou a bainha. O pulso dela girou, um clique suave se fez e Sasuke empurrou a casca da arma para frente, ela deslizou pesadamente até cair no chão, num som oco, e a lâmina cintilar um reflexo da luz nos olhos dela, mais e mais abertos.
Ele então, voltou a segurou o cabo, as mãos por cima das dela, e então, a guiou para posicionar a arma em relação a si, de forma semelhante à que o vira fazer a pouco.
Sakura não pode deixar de sorrir abertamente, encantada com a brincadeira. Imaginou que um fã de Star Wars deveria se sentir assim pegando um sabre de luz. Não era como se ela fosse fã dos Samurais, mas ainda era incrível.
— É tão bonita. – Declarou, seguindo o movimento de corte que ele lentamente ensaiou com ela. — E mortal. – Admitiu, fascinada.
Era assustador pensar no estrago que aquilo era capaz de fazer, era como ter uma morte nas mãos, ou o poder dos Shinigamis.
— É, é sim. – A voz de Sasuke ressoou atrás de sua orelha mais acima. Ela se arrepiou, focando mais ainda na arma, mais consciente do calor que vinha dele por conta do exercício, da umidade de suas mãos, braços, rosto e peito. O cheiro dele parecia mais latente, ou talvez fossem os sentidos dela insistindo em se apurar num momento destes.
— Esse movimento se chama Shomen'uchi, corte descendente a partir da cabeça. – Sasuke disse, mas ela não precisava olhar para o espelho para saber que seu foco não era a espada, ainda assim, ensaiou o corte com ele direitinho. — Esse se chama Yokomen'uchi, é descendente, mas a partir do lado da cabeça ou do pescoço.
— Co-como Aikido...? – Ciciou, o rosto dele colou ao dela, a respiração acariciou sua tez e Sakura assistiu como seus dedos acarinharam suavemente as mãos dela.
— Isso. Kenjutso, amor.
— Entendo...
— Aprendeu sobre Aikido também? – Ele indagou, parecendo curioso. Ela estreitou um pouco os olhos, pensativa, e aproveitando para tentar desconcentrar-se mais dele.
— Acho que apenas lembro, talvez da época da escola.
Sasuke assentiu suavemente.
— Quer tentar um corte nos bambus?
— Acho que não... – Não achava prudente arriscar mais tempo daquele contato, quando Sasuke afastou a espada de suas mãos, baixando-a, ela soltou o ar mais calmamente.
— Ótimo então, foi um bom começo. – Sasuke, baixou a espada ao lado do corpo, e com o braço livre, enroscou sua cintura forte e preciso o bastante para trazê-la quase na ponta os pés para, si, Sakura teve as mãos meio esmagadas contra seu peito, e sua boca ficou indefesa contra a dele, sua língua foi seduzida completamente, e ela correspondeu ao beijo com mais avidez do que seu ego aguentaria depois. Apertou a camisa dele entre os dedos, ciente de que também queria se enroscar em seu corpo.
Muito.
Mais.
Sasuke afastou a boca, num estalo alto, e encarou-a seus olhos embevecidos, sua pele ruborizada, e a consciência de que estava louca pra pular no colo dele, voltando.
Ele ainda segurou-a na primeira reação de afastamento de seu corpo e obviamente, foi mal com ela.
— Logo você vai aprender a manejar minha espada como ninguém.
֍
— Eu te odeio! – Robin bateu na mesa. Sakura apertou as mãos nas bochechas que literalmente ardiam. Sabia que não deveria ter contado isso pra elas, mas precisava contar para alguém. — Como você não montou nele, nessa hora?! Como não?!
Ela ergueu os olhos suplicantes para Louise que tomava um milk-shake encarando-a com um olhar meio decepcionado.
— Manejar a espada, manejar a espada! Diz pra mim que você sabe de que espada ele estava falando! Diz! E eu vou tentar manter esperança em você ainda!
— Robin, mais baixo!
— Isso! Lá embaixo, entendeu?!
— Quis dizer pra você falar baixo!
— Desisto de você!
Sakura olhou em volta, aflita com a possibilidade de alguém em meio ao grande refeitório as estar ouvindo. Era um dos lugares do campus que menos apreciava ficar, tão amplo e cheio de gente transitando.
Mais algumas de suas colegas estavam na fila do refeitório, e ela agradeceu que por isso, os excessos de Robin quanto à sua incompetência para cair nas garras do noivo pervertido estivessem preservados entre as três.
— Louise, fala pra ela! Fala pra ela! Até você concorda, era pra ela pular no colo dele, não era?
— Ugh.
— Sakura, sinto muito, mas ela tem alguma razão. Você não pode deixar ele tão na... hum, seca, assim?
— Eu não quero deixar... Digo... Eu só não estou pronta para...
— É para isso que servem os amassos. – Louise deu de ombros.
— Oh.
— Deixe o cara se esbaldar um pouco, ora, vocês já vão se casar, não tem nada de mais em aproveitar algumas coisas.
— Pega na espada dele! – Robin exclamou, a outra revirou os olhos, e deu um olhar travesso e se inclinou para ela, falando baixo pois as outras meninas já estavam retornando.
— Não precisa pegar na espada, mas na bainha pode, sim? – Piscou.
Sakura começava a achar que elas estavam exagerando nos trocadilhos...
— Ah, encontrei uma loja de lingeries que é a cara de vocês! – Robin disse. — Podemos ir láááá, e quem a Sakura se empolgue pra brincar de espadachim.
Exageradas mesmo.
— Quem é espadachim? – Suzane indagou, sentando-se e sacudindo os grossos cachos de cabelo caramelado para trás.
— Sakura!
— Ah, asiáticos. – Anne Marie brincou. Sakura sorriu disfarçando o nervosismo e encarou Robin feio, esta fingiu-se ocupada comendo.
— Onde está a Ellie? Não que eu esteja fazendo questão. – Robin indagou, reparando que a amiga menos amiga do grupo estava ausente.
— Foi no carro buscar alguma coisa.
Ellie meio que não se dava tão bem com Robin, era bastante segura de si (pra não se usar um termo mais pesado), e tinha o péssimo habito de cobiçar muito as coisas alheias, principalmente rapazes e qualquer coisa que indicasse algum tipo de superioridade.
Sakura sempre agradeceria por ser a que menos teria algo a se invejar por ela, pois era a que estava a menos tempo no grupo, gostava de estar entre elas, e não queria perder isso, pois não se imaginava tendo que encontrar outras pessoas para se enturmar.
Louise e Robin a absorveram por vontade própria, ela não sabia como faria sem elas, não achava que os bons contatos e sobrenome da família Uchiha lhe trariam uma amizade como a que criara naturalmente com elas.
De modo que, sempre procurara estar bem fora do caminho de Ellie, e ela só parecia achar que Sakura não era muita coisa para estar noiva de um Uchiha, no entanto, não era como se pudesse fazer muito sendo que nunca tivera contato com alguém da família que não fosse Izuna, (afinal, ela gostava de rapazes.) E seu primo não era exatamente o cara mais adorável com as garotas.
Haviam boatos de que ela ficara um pouco demais no pé do rapaz depois de uma “ficada”, e ele não foi lá muito gentil em dispensa-la na frente de algumas pessoas.
Sakura teria avisado de bom grado que Izuna era bem difícil de lidar, se lhe perguntassem.
Oh, e por pensar na pessoinha.
Lá vinha ele, e numa das raras vezes em se dirigia a ela quando estavam na universidade, acompanhado dos amigos, e estranhamente parecendo de bom humor.
E por mais bonito e charmoso que seu sorriso fosse, Sakura sentia arrepios, sabendo que ele queria aprontar alguma.
— Gazela! – Ele exclamou, contornando a mesa delas e puxando uma cadeira vaga para sentar perto.
— Já pedi pra parar com isso! O que foi?!
Izuna sorriu como se ela fosse engraçada e adorável, então se ajeitou na cadeira e catou a cereja do cupcake que ela estava guardando pro final.
— Preciso da sua ajuda.
— Minha?
— Também estou surpreso, veja só, Veena disse que vamos receber uma visita hoje, não?
— Sim...- Sakura recordava que Veena-sama não havia dado a notícia lá com muito ânimo, disse que era um parente distante e que já deveria ter morrido (falou essa parte baixo, então Sakura não poderia afirmar que ouviu mesmo).
— Então, quero que me acoberte.
— Acobertar?!
— Claro, eu vou dar uma saída, e você vai reforçar quando perguntarem e dizer que ouviu que eu ia estudar para um teste.
— Você quer que eu minta? Não posso?!
— Do que está correndo? Será que existe uma noiva pra você também? – Robin alfinetou, Izuna revirou os olhos.
— Só não estou com saco pra aturar Veena querendo matar até os empregados por causa da “visita”, uma que tampouco é agradável. Vai por mim, ninguém quer.
— O que te faz achar que eles acreditariam em mim? – Sakura indagou, estreitando os olhos, ele já comia seu cupcake, porque tão abusado?!
Izuna lambeu os dedos, e isso não deixou de chamar bastante a atenção das outras garotas, então ergueu a mão e apertou a bochecha de Sakura.
— Porquê pra alguma coisa essas bochechas de hamster deve servir, qual é, faz esse favor pro seu priminho, hm?
Ela revirou os olhos, a verdade era que se fizesse real ideia do porquê dessa fuga, já teria aceitado.
Talvez fosse um pouco inclinada demais a querer agradar as pessoas, Itachi já havia dito para não deixar Izuna se aproveitar de sua boa vontade...
— Tudo...- Louise, puxou seu ombro, e segredou aos cochichos em seu ouvido, ignorando o olhar irritado que o jovem Uchiha lhe mandou. Sakura a encarou, surpresa. — Eh?! Mas porque eu iria...?
— Só faça! Não seja boba!
Sakura se balançou no lugar, nervosa, mas por fim o encarou.
— Tudo bem, eu faço!
— Ótimo.
— Mas vai ficar me devendo!
Izuna fechou a cara e fulminou Louise, que deu de ombros muito tranquila. Sorriu maldoso e se inclinou meio que ignorando Sakura entre os dois.
— Se queria alguma coisa poderia ter vindo direto, loirinha.
Louise o encarou com desdém.
— Me poupe, só estou fazendo o meu papel de não deixar um traste se aproveitar da minha amiguinha.
Ele voltou a se recostar na cadeira e deu de ombros.
— Okay, o que você quer?
— Eh?
— Tch, você nem sabe.
— Ela decide depois, ué, agora vaza. – Louise acenou sorrindo falsamente. Izuna se levantou com uma careta insatisfeita mas não parecendo capaz de dar uma resposta.
Ele passou atrás das duas, e Louise rosnou quando ele desfez seu perfeito coque, puxando e levando, o palito que o prendia.
— Insuportável!
Izuna acenou com o delicado objeto entre os dedos, os outros amigos dele, muito mais amigáveis, acenaram e cumprimentaram antes de partir achando muita graça da interação dele com a Bennet.
— Ui, eu odeio ele! – Louise protestou.
— Começo a achar que rola é uma química do caramba aí. – Anne Marie arriscou, mas o olhar matador de Louise a fez desistir de prosseguir com a teoria.
Ellie finalmente chegou, meio esbaforida, os cabelos de um castanho quase vermelho bem atiçados, trazia uma bolsa maior e livros, os olhos bem verdes muito acesos.
— Vocês não vão acreditar! – Avisou.
— Então nem conta. – Robin comentou, enfadada.
— Espero que não seja nada sobre as notas de Morfologia da língua inglesa. — Suzane implorou.
— Nada disso, eu vi um gato.
— Aaaah...- Todas comentaram.
— Mas um gato! Não, não, ô gato! Ele veio até mim pra pedir informação, e é sobre nossa turma! Aaaain, acho que vou pedir ele em casamento!
— Nossa, onde está?
— O deixei na sala dos professores...
— Será que é docente novo, então?
— Aulas de gozar visualmente? Ele deve ser PHD! Sério, minha calcinha teria caído se eu não estivesse de calça! Mas ele parecia estar procurando alguém... E! Ai! Ele á vindo, puta merda, olha esse homem!
Elas olharam pra atrás de onde Louise e Sakura estavam, Sakura até iria olhar, muito curiosa, já Louise não deu grande importância ainda fumegando de raiva de Izuna.
Ellie se pôs a pentear o cabelo entre os dedos da forma mais discreta possível. Robin arregalou os olhos e praticamente deitou na mesa, para segurar o pulso de Sakura e faze-la lhe encara.
— O quê? – A jovem sorriu quase meio sádica.
— Não olha, não olha, não olhaaa.
— Mas...- Louise olhou e se virou arregalando os olhos, literalmente agarrou a nuca de Sakura segurando-a no lugar e mordendo o riso.
Não demorou muito para Louise a soltar rapidamente e Robin se ajeitar no lugar, Sakura as encarou aborrecida, até sentir uma grande palma envolver seu pescoço, suave mas firmemente, e erguer lhe o queixo.
— Achei meu ratinho. – Sasuke lhe disse, Sakura apenas o encarou, bastante surpresa, e um pouco aborrecida até.
Ele era bonito de qualquer ângulo.
— Oh, você, o que faz aqui? – Sasuke sorriu, como se ela fosse sua presa mesmo. Ora, não era como se ela estivesse se escondendo.
— Vim te buscar, vamos.
— Eh? Ah.
Ela não tinha mais aula, mas não achou que ele soubesse, Sasuke liberou seu pescoço e se apoiou na cadeira dela, enfim dando atenção as outras pessoas, e acenou com um sorriso galante.
— Miladys?
Sakura recolheu a bolsa e se levantou.
— Ah, ele é meu noivo. – Explicou ante os olhares esbugalhados delas, que apenas ampliaram mais.
— Oi? – Ellie disse. — Ele?
— Obrigado pela a ajuda lá no estacionamento. – Sasuke disse, pondo uma das mãos no bolso do blazer cinzento e deu uma breve olhada no entorno. — Não tinha vindo aqui ainda, estudei em Cambridge.
— Já vai se gabar. – Sakura resmungou um pouco incomodada. Ora, ele era bonito, mas não era como se elas nunca tivessem visto rapazes bonitos...
Sasuke arqueou o cenho em sua direção.
— Você estava mais maleável pela manhã, o que foi? – Ela corou e Robin engasgou, embora ninguém tenha dado atenção, além de Louise que deu breves tapas em suas costas.
— Nã-não fale de mim como se eu fosse um objeto!
— Objeto? Você metida com feminista?
— Ugh, eu já vou! Até mais meninas.
— Atéééé!
— Volte sempreee. – Suzane disse, ele acenou seguindo Sakura.
— Hey! Não esquece que combinamos ir naquela festa! – Robin avisou.
— Eu não dei resposta!
— Ninguém ligaaaaa!
Sakura bufou e Sasuke sorriu presunçosamente, enquanto espetava a coluna dela com o indicador.
— Gostei dela.
— Calado!
— Mas nada de festa pra você.
— Humpf, como se pudesse me impedir. Se Veena e Fugaku-sama deixarem eu vooou.
Sasuke revirou os olhos, passando a sua frente empurrando as portas duplas do refeitório direto para o estacionamento. Frank já os aguardava em frente o carro.
— Então eu tenho uma noiva festeira? Quem diria...- Ele comentou, por alto. Sakura deu de ombros e adentrou pela porta aberta para si enquanto ele contornava e entrava.
Sakura tirou a bolsa do ombro e deixou de lado junto com o resto do material, Sasuke sentou no banco a sua frente, e ela quando se virou, notou um embrulho sobre o banco, piscou desentendida e lançou um olhar para ele, rapidamente.
Pegou o embrulho, envolto em papel de seda preto, o desdobrou, sorrindo.
— O que você está aprontando?
— Que está querendo ir pra festas não sou eu. – Sasuke deu de ombros.
— Chato.
Tirada a folha, ela arregalou as vistas ao deparar-se com uma caixa de tom pastel, e um emblema que conhecia com gosto.
— Ladureé?! – Exclamou, desacreditada e quase abraçou a caixa. — Não me diga, não pode ser! Ah! – Puxou a tampa superior, mantendo a caixa sobre o colo e o cheiro adocicado preencheu suas narinas deixando-a em êxtase. — Macarons?! – Desdobrou as folhas finas de arroz, e deparou-se com a maior maravilha que o Ocidente já poderia lhe oferecer, estes adoráveis docinhos coloridos feitos de massa delicada, sabores diferentes e refinados, docinhos e delicadinhos. — Você trouxe Macarons pra mim?! Ah, eu amo macarons!
— Perceptível.
— Como você sabia?
Havia uma Ladureé em Tóquio, e ela fazia mil estripulias para que ele fosse comprar uma caixa daquelas, vez ou outra, era uma das poucas coisas que ela mais queria, mas não tendo coragem de ir atrás ainda queria mesmo assim, afinal a loja não atendia à delivery.
Ela poderia ter esquecido até de alguns dos próprios trejeitos, mas seu vício por doces era imbatível, ao que parecia.
Estava se retorcendo o banco de tanta felicidade, sacudiu as pernas e soltou um gritinho, então segurando a caixa, foi para o banco dele, sentou-se ao lado e beijou-se seu rosto.
— Arigatô! Obrigadaaaa, eu amo macarons, são maravilhosos! – Disse, pegando um dos doces de tom rosa pastel e recheio branco, e devorando, na primeira mordida ele achou que ela teria algo como um orgasmo.
Afinal, ainda lembrava da sua carinha gozando.
Afinal, só podia lembrar mesmo.
— Eu estou no paraíso! – Sakura exclamou, balançando as pernas, ele meneou a cabeça se arrependendo de dar tudo aquilo pra ela de uma vez.
Achou que a programação mental sobre etiqueta que Mikoto enfiara nela, a faria se conter mais, no entanto... Provavelmente teria que lidar com um ratinho reclamando de dor de barriga ou saltitando como uma gazela, literalmente por conta de tanto açúcar no sangue.
— Nee, Sasuke? – Sakura indagou. — Quem está vindo nos visitar? Mais gente da família que eu não conheço?
— Não exatamente da família, temos parentes com ligações próximas e distantes dos Uchiha, mas que não são Uchihas.
— Oh, entendo...?
— Não se entupa disso, garota.
— Vou siimm.
Sasuke meneou a cabeça, e a viajem seguiu apenas intercalada entre mordidas nos macarons e beijos de Sasuke.
Ela já deveria saber que ele não estaria interessado apenas em limpar os farelos doces em seus lábios.
Mas ainda sentia uma pontada de incômodo, e rapidamente tentou lembrar logo o que era.
A imagem de Ellie, empolgadíssima com o estranho que na verdade era seu noivo, foi o que veio.
Afastou os lábios dele, e encarou a caixa agora um pouco vazia, enquanto Sasuke afundava o nariz em seu cabelo e inspirava profundamente, um dos dedos da mão em torno de seu ombro, acarinhando lentamente a pele do braço dela.
— Porquê você não usa aliança? – Indagou, pousando os olhos em sua mão esquerda.
— Por que não preciso. – Sasuke ciciou, respirando contra seu pescoço, Sakura se afastou e o encarou.
— Oh, não?
Ele suspirou enfadado.
— Eu não preciso de uma coleira.
O carro finalmente adentrou a propriedade, eles ficaram se encarando até parar em frente a casa, e Frank abrir a porta.
— Saiam logo daí, tenho muito coisa pra fazer pra ficar impedindo que façam meus netos em lugares inapropriados. – Mikoto avisou, parada em frente a porta.
Sakura ergueu a mão encarando o noivo, e puxou do pequeno anelar a aliança, Sasuke estreitou os olhos, e ela apenas se virou, levando a caixa de macarons e o anel, saiu do carro e subiu os degraus da entrada recém reformada, parando diante da matriarca e pousando o anel em sua palma.
— Preocupações acabadas. – Declarou, antes de empinar o nariz e adentrar a casa. Mikoto se voltou para frente, e encarando o anel, respirou fundo e atirou os olhos na direção de Sasuke que saia com uma cara aborrecida.
Ela segurou o anel em sua direção.
— Não sei o que fez, mas vai arrumar.
— Você mimou ela. – Ele rebateu.
— Ah, não, hoje não, alguém traga as minhas facas! – Ela bradou seguindo as costas dele, bufando de ira. — Não ouse dar as costas pra mim, moleque, eu fiz essa cara linda e eu posso desfazê-la. – Trovejou.
— Aham.
— Vá atrás daquele rato e enfie esse anel no dedo dela, ou juro que vou enfiar ele no seu...
— Ô pai?
— Não ouse chamar o seu pai.
Sasuke revirou os olhos e se sentou no sofá da sala, pondo os pés na mesa.
— Um ano eu fiquei, adulando sua garotinha pra ela aceitar e honrar esse anel, e você precisa de menos de um mês pra ela arrancar ele do dedo?!
— Você a mimou, já disse.
— O que ela queria? – Ela indagou, cruzando os braços.
— Que eu pusesse uma aliança. – Ele riu desdenhoso, Mikoto reuniu bastante compostura pra não saltar sobre aquela cria e sufoca-lo com a almofada.
O encarando mortalmente, pegou o telefone e discou alguns números.
— Eu mesma, traga uma aliança de noivado masculina, a mais grossa que tiver, se possível, medida básica.
Sasuke bufou.
— Encomenda uma coleira também.
Ela desligou o telefone e o largou noutro sofá.
— Não me tente. – Avisou. — Eu faria com seu pai, não ache que você seria de tanto trabalho. – Rebateu, arrogantemente, atirou a aliança no colo dele, e desfilou para fora do recinto.
— Mas uma foda ninguém me arranja. — Ele arengou, segurando o anel entre os dedos, analisou o metal e a pedra, e por fim ergueu os olhos, com um sorriso maldoso.
Se levantou e caminhou pela casa, assoviando pacificamente e vendo empregados arrumando a casa por todos os lados. Veena estava ainda mais insuportável.
Bem, mas era a culpa dele por ter exagerado na coisa de atirar na família.
Não se preocupou muito em bater, apenas adentrou o quarto de Sakura, ouvindo um leve rangido que percebeu ser da roda do hamster filho da puta em plena atividade.
Ele ainda ia ser ver com esse cara também.
— Eu sei! Mas ele é irritante! E cara de pau! – Sakura protestou, Sasuke fechou a porta, e caminhou um pouco, contornando o pila do dossel da cama, parou, vendo a garota parada do outro lado da cama, ela estava com o telefone contra o ouvido, enquanto deslizava a saia pelas pernas. Revezando a mão entre puxa-la e pegar um macaron sobre o pequeno banco ao pé da cama. — Não! A única espada que eu quero agora é uma de verdade!
Ele franziu o cenho, ligeiramente, mas não dedicou muito tempo à suas baboseiras, ela se ergueu, chutando as roupas com raiva na direção do cesto, vestia apenas uma lingerie de um tom laranja pastel escuro, e branco, com bojo, e uma calcinha pequena e solta arrematada apenas nas barras das pernas com tecido branco.
Sakura jogou o cabelo para trás, bufando e por fim, o encarou, congelando com os olhos arregalados.
Sasuke apenas mudou a posição dos pés, ficando mais confortável. E ela desligou o telefone rapidamente.
— O que está fazendo aqui?
Ele deu de ombros, calmamente, e ela sinceramente se perguntou se ele não notou que estava sem roupas. Era tão sem graça assim?
Sasuke se aproximou olhando em volta.
— Vim conversar, e você não atendeu quando bati, mas qual o problema?
— Be-bem... Esse é o meu quarto. – Ela ciciou, desviando o olhar e perguntando-se, caso permanecesse quietinha ele realmente não notaria, mas a vontade de correr para debaixo da coberta era maior.
Sasuke manteve as mãos afundadas nos bolsos quando girou o tronco para encara-la.
Observou o rubor preencher suas bochechas e tocar as orelhas, a postura encabulada e atenta lhe entregava que, estava realmente torcendo para que ele não tivesse notado que seu gosto para lingeries era delicioso, além de que também, fora ela a escolher a decoração do ambiente.
Ele deveria ser honesto em admitir que, fora um feito impressionante considerando que Veena era um tipinho desgraçadamente controlador, mas não era realmente nisso que estava focando.
Mikoto também conseguia ser uma ótima leitora de personalidade, e provavelmente acertaria mais de noventa por certo do que Sakura escolheria, por isso não entendia por que ela perderia tempo dando rédeas para a rata, talvez tivesse adquirido algum senso mórbido de diversão naquilo?
— Eu percebi. – Sasuke comentou, e viu seus olhos enormes se abrirem mais ainda, iluminando-se, ela também quase esqueceu que estava seminua, e ele não poderia apreciar mais nada depois do que houve no jantar.
Mas ele provavelmente fazia jus ao ventre que viera, porque não podia negar que também tinha seu próprio jeito cruel de se divertir à custa da pequena rata.
E agora, estava mais que instigado.
— Porque parece um quarto de bebê. – Ressaltou, com um sorriso bem filho da puta.
Ela ficou ainda mais vermelha, as orelhas, o colo, talvez até barriga e cochas, aquelas cochas deliciosas. Por isso, ainda levaria alguns segundos para se inflar e começar a gaguejar o quanto ele era grosseiro e tudo mais.
E por mais que isso fosse desgraçadamente bom de ouvir, Sasuke cortou o acesso e estendeu-lhe a mão.
— Vem aqui. – Sakura engoliu o ar e fechou a boca, fitando sua mão e seu rosto alternadamente. Ele chamou com um gesto e uma expressão mais amena, e ela veio, tolamente achando que pediria desculpas ou ao menos diria que era só brincadeira, e totalmente alheia a si mesma.
Sasuke pegou sua mão e a conduziu para frente, fez com demasiada força e a deu um repuxo que a fez girar de um jeito atrapalhado, se desequilibrar e cair sentada no meio do colchão.
Imediatamente ele estava em cima dela, suas mãos grandes abarcaram as cochas dela e içaram seu corpo habilmente para mais para o centro da cama. Ela empurrou seus ombros e ele apenas ficou sobre os joelhos, puxando rapidamente, o terno e a gravata. Sorrindo como um predador satisfeito em ter abocanhando a presa com êxito.
E ela ido parar sob suas garras perfeitamente.
Baby, você não vê?
Estou chamando
Um cara como você, devia ter um aviso
É perigoso, estou caindo
— Vamos torná-lo um quarto de adultos. – Não foi uma pergunta, e quando o terno estava jogado noutro canto da cama, ele puxou sua perna contra o quadril e deitou o corpo sobre o dela, sua boca a engoliu lentamente, e só então ela percebeu que não estava realmente resistindo.
E que não queria.
Não tem escapatória, não posso esperar
Preciso, baby, me dê isso
Você é perigoso, estou amando isso
— Vou te dar uma coisa bem melhor que macaron, amor. – Sasuke rosnou, apertando a pele do ombro dela, descendo a palma pelo colo e espalmando entre seus seios, e descendo pela barriga. — Mas também vai ser doce.
Sakura se arqueou agoniada com o rumo de sua mão, o toque dos dedos, e sua boca tão dominante e ao mesmo tempo, suave.
— Não estou pronta...- Ciciou sentindo culpa novamente.
Ela não sabia como dar um pouco, ao que parecia.
Sasuke deslizou a palma para a lateral, sobre seu quadril.
Talvez ele soubesse como ter pouco?
— Não precisa ainda, amor. Mas precisa confiar em mim, você pode? – Sasuke indagou, tecendo beijos em sua garganta até o maxilar, ergueu a cabeça, e encarou seus olhos tremulantes, Sakura inspirou profundamente, segurando seu rosto entre as mãos, analisou seus olhos e tentou relaxar o corpo contra o colchão, além de absorver melhor a sensação do corpo dele tão próximo.
— Eu posso?
— Até mesmo a sua vida. – Ele devolveu, erguendo o anel, Sakura fez um leve bico, e sorriu contidamente.
— Até que a morte os separe?
Sasuke pousou o anel sobre o travesseiro e envolveu o rosto dela entre os dedos antes de a beijar.
— Nem a morte vai tirar você de mim, Sakura.
Impeliu seus lábios suculentos a se abrirem e beijou-a, sugou sua língua, ela dedilhou, depois de um tempo, timidamente os botões da sua camisa, e Sasuke dedilhou sua pele cada vez mais baixo, em ventre que se contraiu suavemente.
Sakura abraçou o pescoço dele, apertou os olhos ante a sutil invasão dos longos dedos dele além da delicada barra da calcinha.
Sasuke circulou os dedos na pele oculta sobre o tecido, beijou suavemente a têmpora dela ciciando roucamente para que não apertasse as pernas ainda.
Afundou mais a palma, os dedos indicador e anelar acariciaram os lábios quentes de sua intimidade e ela estremeceu, com um gemido abafado entre os lábios mordidos.
— Shhh, amor, não precisa ter medo. – Pediu, seus dedos separaram e o do meio tocou o interior dela, acariciando a entrada mais profundamente, e deslizando até o doce botão, o choque de sua digital, lá fez Sakura sentir um choque na coluna, esquentando seu baixo ventre, ameaçando inundar seu interior, e arrancar-lhe a sanidade.
Muito alto, não pode descer
Perdendo a cabeça, girando pra lá e prá cá
Você me sente agora?
— Sasuke...?
Ele indagou seu chamado, mas cruelmente esbanjando do sabor da boca dela, enquanto seus dedos continuavam ditando todo tipo de reação enlouquecedora entre suas cochas.
— Está incrível, amor.
— Não posso respirar.
— Você pode sim, Sakura, mas você está muito concentrada querendo fugir de gozar pra mim. – Sasuke assoviou, mordiscando os lábios dela, abertos e arquejantes.
Com o sabor dos seus lábios, estou viajando
Você é tóxico, estou derretendo
Com o gosto do veneno, estou no paraíso
Estou viciada em você
Você não sabe que você é tóxico?
E eu amo o que você faz
Você não sabe que você é tóxico?
— Não posso... Não vou aguentar...- Sakura choramingou, suas pernas tremeram, ele usou um dos joelhos para mantê-las separadas, com a mão livre, puxou suavemente uma alça do sutiã, descendo a boca em direção ao seio descoberto, ele o sugou para a boca, como se a própria ambrósia dos deuses estivesse em sua língua.
Sakura gemeu, a coluna arqueando por puro instinto, ela parou de segurar-se em torno do pescoço dele ou no travesseiro, seus dedos mergulharam nos cabelos escuros e macios, escorrendo entre os dedos.
Sasuke empurrou um dedo mais profundamente em seu canal, grunhiu apertando o doce mamilo entre os dentes ao senti-la apertar seu dedo, o polegar trabalhou cuidadoso e mais agilmente no clítoris.
Está ficando tarde para me livrar de você
Eu tomei um gole, do copo do demônio
Devagar, vai tomando conta de mim
— Pare, eu vou morrer. – Sakura suplicou, e ele soprou um riso, erguendo o rosto até o dela chupou sua boca até o maxilar e orelha.
— Não tem o que temer, amor, estou apenas conduzindo você, como fizemos mais cedo com a katana.
Ela respondeu com um longo gemido, um espasmo nas cochas, as mãos puxaram o rosto dele, sua boca tomou beijos, estava viciada enquanto ele grunhia deliciando-se e torturando-se na sensação molhada entre suas pernas.
Muito alto, não pode descer
Está no ar, e está em todo lugar
Pode me sentir agora?
Obviamente ela continuava sensível, e difícil de fazer gozar como uma flor exótica, mas achou que depois de tanto tempo, estaria mais fácil de derrubar.
Mas, provavelmente quem morreria seria ele.
Com o sabor dos seus lábios, estou viajando
Você é tóxico, estou derretendo
Com o gosto do veneno, estou no paraíso
Estou viciada em você
Você não sabe que você é tóxico?
E eu amo o você faz
Você não sabe que você é tóxico?
— Porra, deixe vir, amor, deixe vir pra mim. Você sabe que precisa.
Sakura balançou a cabeça, numa negação tortuosa, seu ventre em ebulição, cada fibra de seu corpo retesando e vibrando, choques correndo sua coluna, os olhos doloridos de serem apertados até que ela os abriu e deparou-se com mais escuridão.
A ardente e necessitada escuridão dos olhos de Sasuke, deixando-a ver a própria imagem pecaminosa no reflexo da íris indistinta.
Sakura segurou seu rosto, as unhas fincando na área da barba, aquele olhar afiado como garras lhe retalhando a sanidade e despertando seu corpo para um prazer incapaz sequer de mensurar.
Os dedos dele escorregaram com facilidade em seu sexo, a fricção pecaminosa poderia até ser ouvida, sons sensuais que enfeitiçaram seus sentidos.
Sasuke apoiou a testa suada contra a dela, respirando fundo e praguejando como era bom senti-la banhar seus dedos e os apertar dentro de si.
— Vem pra mim, minha pequena delícia. – Rogou, por fim, e ela sentiu os olhos revirarem, sua cabeça afundou contra o colchão, e Sakura sentiu como se sua carne perdesse toda a vida no tempo de um suspiro.
Me intoxique agora
Com seu amor agora
Eu acho que estou preparada agora
Eu acho que estou preparada agora
Me intoxique agora
Com seu amor agora
Eu acho que estou preparada agora
(Toxic — Marie Plassard Cover (Britney Spears))
E então, sabia que estava inteiramente nas mãos de Sasuke.
Seu corpo, sua alma, sua mente, provavelmente seu coração, intoxicados pelo toque dele, completamente dependentes.
Sasuke beijou sua testa suavemente, ela apertou os olhos sentindo seus dedos arrastarem-se para fora da calcinha, a umidade encrustada neles tocando a pele de seu ventre até que Sasuke os erguesse e provasse.
— Como eu disse, melhor, e também doce.
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