Vinca Rosea
25 Zantedeschia Aethiopica
Júlia sorria ao passar a página do livro. Sentada na biblioteca da cidade, em um dos cantos mais afastados para ouvir o mínimo do que as outras pessoas faziam. Barulhos de passos e folhas quase não chegavam aos seus ouvidos, e estava adorando a sensação. Era como se estivesse num homizio perfeito em meio aos sons do lado de fora.
Fez uma careta ao pensar naquela comparação. Não exatamente nela, mas na palavra que aparecera em sua cabeça. A copo-de-leite que enfeitava a mesa, e lia com ela, reparou na mudança em sua expressão.
– O que foi? — quebrou o silêncio.
– Nada, só percebi que passo tempo demais com você.
– Isso é óbvio.
Soltou um suspiro, levantando os olhos do livro e apoiando o queixo na mão.
– Sabe, acho que não vai ser tão ruim. — murmurou.
– O que?
– Daqui pra frente, acho que vai dar tudo certo.
– Posso saber porque a mudança drástica de pensamento?
– Não sei, acho que decidi concordar um pouco como você. Meus problemas não precisam ser resolvidos levantando a voz, só com um pouco de paciência.
– Demorou a perceber.
Júlia passou o dedo indicador pelas pétalas da flor, sorrindo outra vez.
– É, demorei até demais.
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