Vinca Rosea
26 Lathyrus Odoratus
Havia ido dormir com o som dos carros que passavam na rua abaixo da sua janela. Acordou com o maravilhoso silêncio de uma madrugada, a diferença era que era já quase dez horas da manhã. Espreguiçou-se lentamente, esfregando os olhos antes de pegar o celular e olhar a hora no relógio digital dele. Não estava aceitando o que seu relógio de pulso mostrava.
Abriu a boca para fazer um som de susto e foi recebida com apenas mais silêncio, levando a mão livre até a garganta enquanto se sentava. Percebeu não muito tarde que o problema não estava em sua voz. As mãos caíram ao lado do corpo, sobre os lençóis, quando viu uma pétala de ervilha-doce ao lado de seu travesseiro.
Júlia pegou a pétala com cautela, desejando que a flor tivesse sido mais resiliente sobre o fato de não se despedir.
“Não é que eu não possa, é que não gosto de despedidas.”
Era o que havia dito há dois dias, enquanto Júlia comia mais um pacote de salgadinho em frente à TV.
Deixou os dedos percorrerem a pétala solitária, abrindo um sorriso melancólico ao perceber que agora nem mesmo o som dos pássaros lá fora conseguia ouvir.
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