Vinca Rosea
27 Crocus Vernus
Suas mãos estavam sujas de terra, tinha a língua um pouco pra fora, demonstrando o quanto estava concentrada no que fazia, numa careta no mínimo engraçada. Se encontrava no jardim da casa de Paula, ajeitando algumas flores no lugar abandonado que a amiga nem ao menos se dava ao trabalho de olhar. Júlia não era uma jardineira excelente, mas sabia o mínimo que se precisava saber sobre flores para poder plantá-las sem perigo de matá-las.
Sentiu alguém cutucar no seu ombro com um dedo indicador e virou o rosto para ver quem era, tirando as mãos da terra na qual enfiava mais uma crocus. Era o sobrinho de Paula, um petiz de sete anos que mordia o lábio inferior e tinha as mãos atrás do corpo. Ele abriu a boca para falar algo, mas logo franziu o cenho e a fechou. Isso fez Júlia sorrir, esperando pacientemente que ele pensasse em como faria para pedir o que queria.
As pequenas mãos do menino se moveram em movimentos picados, tentando formar cada letra das palavras que queria expressar.
Me ensina?
Era o que ele tentava dizer. O sorriso de Júlia apenas aumentou, levantando uma mão suja de terra para respondê-lo.
Claro.
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