Vinca Rosea
28 Calluna Vulgaris
Júlia sabia que Lucas estava se esforçando. Podia ver como de vez em quando ele tentava começar a falar as coisas com as mãos, pouco antes de pegar o celular e digitar tudo ali mesmo, com um resmungo indignado. Apenas achava graça do desespero do amigo, aguardando o momento em que ele viraria a tela na sua direção.
Quero que saiba que ainda acho super estranha essa sua história.
A garota deu de ombros, levando a xícara com seu café até os lábios, tomando um longo e demorado gole ao perscrutar Lucas enquanto ele voltava a futricar com o celular. Tinha mesmo que segurar o riso ao vê-lo irritado com o fato de não poder falar com ela do jeito que deveria. Não demorou a que o celular fosse enfiado na sua face outra vez.
Mas, uma pergunta, por que você continua cheia de flores ao seu redor?
Júlia franziu o cenho, olhando ao seu redor, notando então que a xícara em que tomava seu café tinha um desenho de uma urze na alça. Arrancou o celular das mãos de Lucas para poder respondê-lo de um jeito que ele pudesse entender.
Deve ser efeito secundário, ou ela está com saudades.
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