Vinca Rosea
19 Hedera
– Eu sei que deveria ter ficado pra te ajudar, mas me desesperei quando ele me entregou aquela flor todo sorridente e… — fez um movimento com a mão, buscando a palavra certa.
– Donaire. — a flor da hera crescendo na parede próxima opinou.
Júlia fingiu que não a ouvia.
– Enfim, isso não importa. O certo era ter te ajudado, não roubado seu carro e fugir, te abandonando no meio daquela gente que te odeia. Sei que pedir desculpas não resolve nada, mas não sei o que fazer. — deixou os ombros caírem, a cabeça baixa.
Ouviu Paula respirar fundo, para logo sentir a mão dela sobre a sua que ainda estava na mesa, segurando-a firme.
– Júlia, eu sei como você é, a culpa foi minha de te levar até lá. Você não trabalha bem sob pressão e jogar seu pai na sua cara naquele momento foi mesmo uma péssima ideia. — Júlia levantou o rosto, Paula agora tinha um sorriso nos lábios. — Eu quem devo me desculpar por te jogar aquele refresco e te causar um resfriado.
– Bem, eu meio que mereci. — encolheu os ombros, sorrindo de lado.
– É, um pouco sim. — dessa vez, as duas riram.
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