Vijukei No Monogatari
33 Capitulo 24 – Como Deveria Ser - parte 3.2 - Final
Notas iniciais
“Não é justo...”
–Ele está acordando... nosso irmão ainda não chegou com a resposta de nosso pai? – uma voz desconhecida e totalmente irregular chegou ao seu subconsciente e Kouyou respirara fundo ao se sentir deitado em algo macio, mas pinicante
Havia morrido?
–Devemos matá-lo? E se ele for como aquele Joshua? – outra voz, mais grossa também lhe chegou aos ouvidos e num rompante o ameniano abrira os olhos, mirando duas criaturas estranhas e luminosas, totalmente sem forma acima de si.
Se apressou em se afastar dali e se colocar de pé, notando com espanto que seu corpo já estava completamente recuperado e sem nenhum sinal de fadiga ou cansaço.
–O que são vocês? – Kouyou questionou ao puxar suas espadas duplas do ar.
–O que somos nós? – a voz distorcida mais fina sorriu — ... quanta arrogância contra seres superiores...
–Ele não é tão inferior a nós, não com o poder que tem... – a voz mais grossa continuou e Uruha estreitou os olhos em estranheza, levando as íris rapidamente para um lado e para o outro, mirando a grama verde do solo, a floresta espaçada e viva ao seu redor e o céu em tons coloridos junto ao ar quase palpável de tão fresco...
–Esse é... – os lábios pequenos se abriram para perguntar.
–Sim... é o mundo imortal... – a voz mais grossa respondeu — ... não muito diferente do mundo humano? Apenas mais límpido e puro, certo?... é porque o mundo no qual você nasceu é uma imitação do nosso, assim como vocês são imitações inferiores de nós...
Kouyou mirou com cuidado a estranha criatura luminosa... esta então pareceu se moldar em uma forma humana masculina, sem rosto, um sorriso pequeno parecia se desenhar em sua face.
–Não nos mostraríamos tão fácil assim – o imortal novamente respondeu seu questionamento, desta vez nem sequer esperando vocaliza-lo — ... está aqui agora, o que pretende?
Kouyou balançou a cabeça rapidamente e piscou algumas vezes ao tentar se situar, voltando a abrir seus orbes em um rompante de lembrança.
–Rui... quer dizer, Joshua...
–Sim... este também é o nosso problema – a voz fina respondeu e a criatura dona dela se moldou em uma aparente forma feminina — ... o acordo foi violado e um humano adentrou o nosso mundo... eu sabia que Miko ainda levaria todos nós a destruição...
–Não pragueje contra nossa irmã, ela já não existe mais nesse mundo ou no outro – o imortal censurou.
–Há quanto tempo estou dormindo? – Kouyou interveio em questionamento, tinha que saber o que de fato estava acontecendo ali.
–Aqui não existe algo como o tempo, isso é uma coisa do mundo humano – a imortal rebateu em um tom impaciente -... basta saber que o humano insolente que ousara invadir nossa casa está próximo demais de chegar a origem das existências e ser o imortal e Deus mais poderoso que esse mundo e o outro já conheceram... o que ele fará depois disso? É o que nos preocupa.
–Por que não o detiveram? São imortais... – O Takashima rugiu ao imaginar o que aquele louco monge faria ao mundo onde aqueles que amava estavam uma vez que tivesse poder suficiente.
–Não podemos... – o imortal respondeu antes de liberar algo como um suspirar profundo — ... qualquer humano que consiga adentrar o mundo imortal não poderá ser tocado, caso contrário nosso mundo e nós mesmo... seremos destruídos... é essa a única regra absoluta dada a nós...
– Por quem? – o loiro cuspiu em indignação, não acreditava que seres tão poderosos simplesmente não fariam nada para impedir o colapso do próprio mundo e do mundo no qual nascera.
–Pelo criador... – a criatura feminina completou — ... pelo ser que deu origem a nós todos, jamais vou compreender porque criar o mundo humano se ele tinha nós...
–Aquele que nos criou, também é o criador do mundo no qual você nasceu e dos humanos que vivem nele, assim como animais, plantas... tudo... – a criatura masculina continuou, ousando flutuar até o ameniano — ... ou quase tudo... seres como youkais e você foram apenas travessuras feitas por nós...
–Nosso pai decidiu que era injusto os humanos viverem uma vida tão sem propósito e criou os seres que vocês chamam de youkais para... oferecer alguma animação, nós assistimos tudo daqui e... – a imortal bufou em enfado — ... ele achou que acabaria com nosso tédio vê-los lutar, mas as coisas saíram do controle e o criador se zangou com nosso pai, nossa mãe teve sua existência extinguida como punição a nós e nosso pai declarou que nenhum de nós poderia interferir com o mundo humano novamente... mas aquela Miko... tinha que desobedecer e levar nossa Omi com ela...
–Já disse para não praguejar contra nossa irmã – o imortal retorquiu ao ofuscar rapidamente em uma coloração azul.
–Se ela não tivesse se intrometido no mundo humano, isso tudo jamais teria acontecido, o poder e energia necessários jamais teriam chegado às mãos deles e jamais um humano seria capaz de invadir a nossa casa, você não pode negar a verdade – a criatura feminina retorquiu em um ofuscar violeta e Kouyou parecia presenciar uma estranha situação de tensão ali.
Repentinamente o vento ao redor se tornou ligeiramente mais rápido e antes que pudesse se dar conta Kouyou se viu completamente cercado por mais criaturas luminosas naquela clareira elisíaca.
–É este um dos filhos de Miko? – uma voz grave e imponente veio de sua frente e Kouyou mirou o imortal de aparência indefinida e masculina se colocar por entre os dois que anteriormente discutiam.
–Sim, meu pai – a imortal feminina respondeu ao dar espaço para a figura maior e este virou seu rosto sem forma em direção ao ameniano diante de si.
–Ela jamais deveria ter dado margem a humanos terem dado a luz a seres como você... nunca pensei que um dos vários erros da minha filha mais rebelde teria alguma utilidade algum dia – um risada distorcida e o Takashima dera um passo para trás em recuo.
–Aprova o acordo, meu pai? – uma outra voz no meio de tantas criaturas luminosas questionou e Kouyou voltou a olhar em volta rapidamente antes de fixar os orbes chocolates no ser supremo diante de si.
–Do que estão falando? – questionou em um tom estranhamente respeitoso e novamente o patriarca sorriu.
–Diga-me, criança... o que queres para acabar com a existência daquele que ousou invadir nosso mundo? – o imortal questionou e Uruha não disfarçou a surpresa e estranheza com aquilo.
–Meus filhos já devem ter explicado que isso não é possível para nós, porém, por sorte, um outro ser passou pelo portal... não existe regra alguma que impeça esse outro ser de ser aquele a nos livrar dessa ameaça, sei que aqueles do mundo humano são muito adepto de acordos e que trabalham com algo que chamam de “preço”... por isso... diga-me, criança, o que queres para que nos livre daquele Joshua?
Kouyou não se impediu de sorrir e por um momento pensou que seriamente havia perdido a cabeça... estava mesmo no mundo imortal? Estava mesmo ouvindo um deles lhe propor um “acordo” em troca de que matasse alguém?
“Humanos e imortais não são tão diferentes afinal...”.
Aparentemente a escuridão podia brilhar até mesmo em um mundo tão claro.
Por fim o ameniano se forçou a parar de gargalhar diante do silêncio completo daqueles que lhe cercavam.
–Eu não sou um humano, de acordo com vocês... – começou ao assumir uma feição séria — ... não há regra alguma em relação a mim, então devo supor que se eu rejeitar a proposta vocês me matarão...
–Nos negamos a ter algum vinculo com seres inferiores... – o patriarca interrompeu em um tom grave — ... se fosses um mero humano provavelmente preferiríamos sermos extintos a aceitar em nossa existência que alguma vez fizemos um tratado com uma daquelas réplicas de baixa qualidade... – o imortal exageradamente grande se projetou em direção ao Takashima.
Kouyou sentiu seu braço ser segurado por uma presença morna e forte, só então notando que algo como uma mão se moldava em seu pulso e o imortal se encontrava muito próximo de si.
“Rápido”
Ele era muito rápido.
– ... teu corpo é basicamente humano, mas há tanto de nós dentro dele que arriscaria dizer que te aproximas de um deus... nos daria trabalho caso se negasses a colaborar... – o patriarca continuou — ... tornemos as coisas mais fáceis para nós, o mundo no qual nascestes também está sendo ameaçado, não acreditas que és uma gentileza de nossas partes oferecermos algo em troca de tua ajuda quando de ti também dependes o bem-estar do mundo no qual aqueles que lhe são importantes vivem?
–Gentileza?- Kouyou liberou um sorriso pequeno e suspirado... há muito tempo que havia parado de acreditar em gentilezas... – arrisco dizer que apenas preferem fornecer algo em troca da minha ajuda a terem em suas existências o fato de que alguma vez ficaram por dever algo a um ser que não era humano, mas que também não era um de vocês...
O silêncio foi a confirmação que precisava e o ameniano voltou a sorrir de modo discreto.
Realmente... imortais não eram em nada diferentes dos humanos.
–Agradeço a oferta e a aceito com honra – assentiu em respeito e educação ao soltar seu braço do aperto alheio — ... apenas gostaria antes de saber se o meu pedido é possível para seres tão grandiosos como vocês.
O patriarca se afastou singelamente e se manteve calado por um instante.
–Qual o seu desejo, criança? – questionou em seriedade e Uruha se mostrou de volta a sua educação natural ao assentir respeitosamente.
“...não é justo, não somos brinquedos e muito menos sacrifícios no meio dessas intrigas de vocês...”
“... esse mundo seria bem melhor se esses imortais e youkais não tivessem nos metidos em seus problemas... é tão injusto...”
“... eu queria poder me levantar daqui, colocar a culpa toda em você e te matar, mas eu não tenho poder para isso, você poderia me despedaçar em um piscar de olhos e o que esse idiota fez para me manter vivo seria totalmente inútil e nem sequer vingança eu posso oferecer a ele, porque eu... EU SOU SÓ UM HUMANO TAMBÉM, MERDA!”
O olhar despedaçado de Saga e a voz em desespero que vinha de sua garganta...
“Ele tinha razão...”
–Uma vez... um humano me disse que era injusto eles terem de lidar com coisas além de suas forças e possibilidades, coisas que não eram humanas e que não deveriam existir no mundo deles... – começou a falar em uma voz branda antes de respirar fundo — ... acredito que esse humano tenha razão – mirou o imortal a sua frente — ... podem considerar os humanos seres inferiores, mas não é certo de que eles têm o direito de serem aqueles a ditarem suas vidas no mundo que foi dado a eles, assim como vocês são aqueles a ditarem suas existências em seu mundo?
–Ousa compará-los a nós? – uma voz ofendida veio do meio de uma das figuras ao seu redor, mas o patriarca a sua frente levantou um dos braços em sinal de que este deveria se calar.
–Aonde pretendes chegar? – o imortal questionou.
–Por que não retirou os youkais quando estes saíram do controle a primeira vez que interferiram no mundo humano? – o Takashima questionou.
–Obedecemos o preceito de que o que está feito não pode ser desfeito... – o primeiro imortal com quem estivera foi aquele a responder a pergunta no lugar de seu pai – nos faz pensar mais profundamente em nossos atos antes de realiza-los e mantém nossa harmonia equilibrada.
–Então de fato podem desfazer as suas intervenções no mundo humano, apenas vai contra aquilo que acreditam .... – ameniano pontuou em atenção, recebendo baforadas nada satisfeitas daqueles que o cercavam.
–Seja claro criança, logo Joshua chegará à origem das existências e toda essa conversa será uma completa ocasião irrelevante – o patriarca interrompeu.
–Se os imortais não tivessem intervindo no mundo humano... as coisas poderiam não ter sido melhores, mas... ao menos... teriam encontrado seus caminhos por conta própria de um jeito ou de outro... – Kouyou continuou — ... todas essas desigualdades e diferenças foram aquilo que assustaram as pessoas, a fizeram se sentirem em desvantagem e se recolherem em cautela e ofensa... desigualdades causam medo, desentendimento, incompreensão... e todos eles juntos causam o caos... eu me pergunto se acaso eu fosse um humano completo... seria capaz de ser alguém melhor do que fui? Se todos fossem apenas humanos... teríamos chegado a tantas batalhas e guerras sem sentido? Pode ser que sim, mas... se esse fosse o caso, ao menos... tudo seria justo, porque seriam problemas humanos, dentro de um mundo humano com partes e soluções que coubessem apenas aos humanos...
–Entendo seus pensamentos, criança, mas preciso que faça o pedido para que o acordo seja selado – o patriarca ditou em altivez, levemente impaciente, estendendo a mão luminosa; um círculo multicolorido se desenhou acima da palma deste – o que queres em troca de livrar nosso mundo da existência de Joshua?
Uruha respirou fundo e colocou a mão por cima do selo, sentindo sua energia e sistemas se colarem ao desenho abaixo de sua pele.
–Em troca de livrar seu mundo daquele que o ameaça, eu... desejo que tudo aquilo que não seja por completo do mundo humano desapareça, youkais, energias, símbolos, sangue... e aqueles que foram infectados por essas coisas enquanto vivos deverão se tornar aquilo que originalmente seriam se tivessem tido a oportunidade de nascer em um mundo sem intervenção alguma... apenas humanos... meio-youkais, híbridos, amenianos... e até mesmo eu, devemos nos tornar humanos comuns como deveria ter sido... como deveria ser...
Uma luz radiantemente clara se alastrou ao redor de Kouyou e ele se sentiu ser envolto em um acordo inegável.
–Nosso acordo está selado, atenderemos seu desejo em retribuição de nosso pedido... – a voz do patriarca ecoou em todos os lugares — ... aquilo que foi feito... não poderá ser desfeito.
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–PAI – Kai gritou ao encontrar entre os corpos do pátio central a face de olhos fechados e ensanguentada de seu progenitor, correndo para este sem se importar com os soldados aliados e “inimigos” pelo caminho.
–Ele foi arremessado contra a parede quando a tempestade começou... – um dos soldados humanos de sua tropa reportou em cautela – quando conseguimos chegar a ele, Fukaku-sama já estava...
O cientista se apressava em checar os sinais vitais do patriarca, chegando até mesmo a retirar o frasco de algo em sua roupa e puxar uma seringa metálica, aplicando a substância no corpo morto do mais velho, tentando reanima-lo ao pressionar suas mãos no peito ferido com força... sem resultado...
–Maldição... tanto trabalho que tivemos para trazê-lo de volta, você não pode morrer... não pode... pai.... – permaneceu na reanimação sem utilidade, forçando as mãos com mais afinco, uma lágrima involuntária lhe escorrendo pela bochecha avantajada — ... eu te pedi para não ir, não pedi? O senhor não pode morrer assim, não depois de tudo... não pode...
–Kai-sama... – a voz de um de seus assistentes lhe chegou a audição, trataria de castigar o insolente mais tarde, mas por agora não daria ouvidos a ele — ... Kai-sama... a cabeça de Fukaku-sama...
Kai fuzilou o subordinado com um olhar totalmente demoníaco e o jovem soldado apenas se recolheu para trás em medo.
O cientista voltou a mirar o pai, só então se dando conta de que de fato não havia dado apoio adequado à cabeça deste.
Maldição. Agir impulsivamente tirava sua razão, isso era um erro, um erro enorme.
Segurou a parte de trás do crânio do mais velho para levantá-lo singelamente e o líquido quente lhe inundou a mão de modo rápido, só então percebeu que seu tato tocava um trauma fundo e o crânio estava irregular. Com desespero o caçulo virou o corpo desacordado do pai em um rompante irracional, mirando com assombro e falta de esperança a cabeça deste completamente amassada desde a nuca até o corte cervical central.
Não tinha mais jeito.
Kai se colocou de pé e respirou fundo, limpando as lágrimas que haviam se unido à sua primeira, virando de costas.
–Levem o corpo dele para uma limpeza e o envolvam em seda – ditou aos soldados que assentiram prontamente e pegaram da maneira mais cuidadosa possível o corpo do ex-senhor feudal.
O cientista respirou fundo novamente e olhou em volta, precisava se colocar sob controle, tudo aquilo ainda não havia terminado, precisava saber o que tinha acontecido naquele salão, só então saberia como agir dali para frente.
Caminhou com rapidez pelo pátio lotado de soldados meio youkais e humanos, tanto seus quanto da resistência, o que havia perdido ao ir trancafiar seu Murai em um local adequado? Por que todos estavam ali?
O olhar curioso se fixou no atônito Takashima mais velho preso entre as mãos de seus soldados modificados mais ao fundo e escondido do amplo campo de lama.
–Hitoru-san? – questionou ao se aproximar da figura conhecida – o que houve?
–Ele atacou quando entramos e apenas parou de se mover um pouco depois de sermos arremessados para fora da sala – Ryou respondeu a pergunta do Yutaka — ... não sabemos se é seguro voltar, mas a tempestade parece ter parado a alguns minutos, enviei soldados para checar...
Kai não esperou a conclusão da fala do comandante, identificando também com curiosidade aquele que reconhecia como Byou e o líder meio youkai de Uruha do outro lado do extenso plano de lama úmida, já que a chuva havia parado há algum tempo. Seguiu o rumo do palácio principal e caminhou rapidamente pelos corredores sujos de sague e corpos, parando ao chegar ao perímetro próximo do salão central, olhando por entre um buraco enorme do conjunto de pedras e madeira da parede, identificando seu irmão mais velho junto ao sobrinho, ajoelhados mais ao meio enquanto poucos amenianos se mantinham na mesma posição e jovens amenianas permaneciam de pé, com olhares perdido... “também marionetes”... Sem sinal de Yuuto ou Uruha.
O cientista adentrou o local, encontrando dois soldados mais a frente, parecendo aguardar alguma palavra dos homens ajoelhados no centro daquela sala.
–Yuu... – Kai chamou o irmão, e este despertou de algum transe ao virar a cabeça de lado, olhando o caçulo com o canto dos olhos – o que aconteceu? Onde está Yuuto?
–Morto – Aoi respondeu ao apontar um conjunto de gosma negra mais a frente, perto da mesa redonda que o bruxo costuma usar.
“Menos mal”
–E Uruha-san? – o cientista continuou.
–Ele e aquele monge... Rui... sumiram dentro de um portal... – o general voltou a responder ao retornar seus olhos para o centro do salão.
–Ele também morreu? – Kai questionou.
–Papai não morreu, ele vai voltar – Riki foi mais rápido que o pai shiroyamiano ao responder o tio de modo totalmente irritado e firme – ele vai voltar assim que resolver as coisas.
Kai sorriu fino pro sobrinho e assentiu.
–É claro... – confirmou — ... bem, se tudo já está parcialmente resolvido... eu vou cuidar da arrumação das coisas. –avisou ao dar as costas e rumar para fora do grande salão, sem realmente receber resposta de nenhum dos ocupantes dali. Cruzou com o Suzuki e o antigo mensageiro de seu feudo assim que chegou ao corredor, sorrindo fino para estes que não lhe retribuíram o cumprimento — ... Acho melhor ficarem ao lado de Riki-kun... se Uruha-san não voltar, ele vai precisar de vocês... – falou enquanto parava seus passos por um breve momento.
–O que aconteceu com o Uruha? – Reita rugiu para o cientista.
–Eu também não sei – Kai respondeu simplesmente e continuou seu caminho.
Ainda que o ameniano e aquele monge tivessem ido ou não para o mundo imortal, tinha que cuidar daquele mundo e da posição de sua família nele...
Voltou ao pátio central e se aproximou o velho Takashima novamente, reconhecia aquele olhar mórbido, ele tinha um daqueles artefatos em seu cérebro e aparentemente com o controlador morto a marionete apenas se tornava um boneco catatônico, como as sacerdotisas amenianas... poderia tirá-lo de sua cabeça assim como fizera anteriormente com seu pai... poderia...
–Não acha injusto que o pai dele tenha sobrevivido enquanto meu pai e de Aoi tenha tido sua cabeça amassada contra uma parede? – perguntou em tom médio, sabendo que o comandante atrás de si ouviria.
–Kai-sama? – Ryou questionou em confusão e logo seus olhos se arregalaram o ver o caçulo Shiroyama puxar sua espada, girando sobre seu eixo e decepando a cabeça do velho Takashima com força, derrubando-o no chão e cortando o resto do pescoço fora ao ter a lâmina presa na carne e ossos deste.
–Seu... – Ryou rugiu ao se adiantar contra o cientista, mas este apontou a lâmina para si e sorriu amplamente.
–Só líderes Shiroyama podem sobreviver... a única família a governar será a nossa, quem se opor, vai simplesmente sofrer um pequeno acidente... de que lado você vai ficar?
Ryou respirou fundo e assentiu com insatisfação ao dizer do Yutaka.
–O lado que Aoi-san escolher – respondeu, provocando mais um riso do cientista.
–Por certo que é o nosso então, boa escolha, meu jovem – Kai assentiu.
–Não tenho certeza de que Aoi-san lhe perdoará se souber que Kai-sama matou o pai de Uruha-san... – o comandante provocou ao ter o shiroyamiano passando ao seu lado.
–Ele não precisa saber, Hitoru-san apenas cortou a própria cabeça no meio de toda a confusão... – o cientista sorriu fino — ... como estava sob o poder de Yuuto, ele apenas se matou como ultima ordem de seu controlador assim que nos distraímos... qualquer um que tente apresentar uma versão diferente desta deve estar preparado para as consequências.
–JIN? – Byou gritou em espanto ao ver o meio youkai cair ao chão, se contorcendo em uma dor anormal. Logo aqueles que o seguiam também se jogavam ao solo sujo do pátio central e o ex-senhor de Vegas junto aos seus soldados humanos se viram sem saber o que fazer.
Não demorou muito para que os soldados do destacamento dragão também fossem ao chão para espanto do cientista próximo àquele lado do pátio; e ao observar o estranho pó avermelhado sair de seus sistemas e subirem ao céu, que já anunciava outro amanhecer, enquanto os corpos destes pareciam se tornar menos robustos e suas cicatrizes desapareciam o cientista se viu irremediavelmente curioso.
Voltou os olhos para o outro lado do grande campo aberto, sorrindo para a comprovação de seus pensamentos ao notar que somente aqueles que não eram totalmente humanos estavam sofrendo tal inusual reação.
–Atenção soldados – ditou para os poucos homens de seu destacamento que restara e estes, apesar da surpresa com os gritos ao seu redor, bateram continência em confirmação — ... matem todos aqueles do destacamento hibrido, estão saindo de controle... e me tragam a cabeça de Byou – ordenou ainda que desconfiasse com propriedade de que o mal-estar geral não tinha nada a ver com alguma espécie de descontrole dos meio-youkais.
No amplo salão, Aoi, Riki, Reita, Ruki e os guerreiros amenianos também se retorciam ao sentir suas veias e músculos estalarem e queimarem em dor.... o que estava acontecendo?
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“Acredita mesmo que eles vão cumprir o que prometeram? Tanto tempo com Miko o levou a considera-los em alta-estima? Eles jamais se importaram com qualquer coisa relacionada aos humanos... eles nos odeiam, nos odeiam por sermos a prova de que eles não foram o bastante... não somos nada para eles além de brinquedos, por que te ajudariam?”
Foi o que Joshua gritou ao se ver ao chão e impedido mais uma vez por si de alcançar seu objetivo.
Uruha apenas sorriu fracamente, era verdade que apesar de tudo não poderia afirmar com certeza de que o acordo seria cumprido do modo como estatuara...
Engraçado que a decisão do bem estar de ambos os mundos estivesse justamente em suas mãos... aquele que provavelmente fora o líder que mais cometera erros e equívocos na história, levando ao perecer de muitos por sua inocência, egoísmo, arrogância... tantos defeitos acentuados em situações diferentes que haviam o colocado como motivo de grandes ruinas...
“Seria pedir demais para minhas decisões prejudicarem somente a mim, não seria?”
Mas...
“Eu posso não ter certeza se tudo ficará bem, se eles cumprirão o acordo, ou se tudo pode ser resolvido apenas com as minhas mãos manchando-se mais uma vez com sangue alheio, mas... tenho certeza de uma coisa... deixar o mundo nas mãos de alguém como você... isso sim seria um erro!”
E então sua espada se fincou no peito do corpo do monge, finalizando sua vida e existência de uma vez por todas enquanto a pulsação parava gradualmente e a respiração já não se fazia presente em seu ser, assim como o sopro de vida.
Kouyou respirou fundo e retirou sua espada rubra, o cabelo preto voltando ao tom loiro, os olhos à cor chocolate.
“Acabou!”
Suspirou ao abrir as pálpebras e mirar aquilo que os imortais chamaram de a origem das existências... parecia somente uma arvore grande completamente branca inundada de folhas prateadas e brilhantes em sua copa... aquilo era mesmo a origem de tudo?
“O acordo será cumprido...” a voz do patriarca imortal chegou a sua audição. “... podes voltar para o mundo no qual escolheu ficar...”.
Sentiu seu corpo cair em um abismo sem fim e seu seus músculos queimaram e arderam enquanto suas veias pulsavam em estalar, o pó avermelhado de seu DNA ameniano lhe abandonava ao que se sentia rodear e passar pelo que talvez fosse um portal? Estava diferente da sensação de quando fora parar ali... estava muito diferente....
“Maya, Riki...”
Queria vê-los, queria tanto vê-los novamente.
A inconsciência lhe atingiu... tudo ficou negro...
“Yuu...”
A sensação era diferente, e seu corpo parecia horrivelmente cansado, machucado e fatigado. Sentia o solo duro em suas costas e cabeça, frio e nada confortável.
–Onde ele está? – ouviu uma voz... conhecida? Sim... era a voz dele... a voz do seu...
–Yuu... – murmurou ao se esforçar em abrir os olhos, por que sue corpo doía tanto?
–Kou .... – a visão do rosto conhecido tornou sua vista ainda meio embaçada e o Takashima sorriu em reflexo ao olhar e olhos transbordando felicidade para si...
Ah! O quanto desejou ter a oportunidade de poder viver ao lado de sua família?
Recebeu ajuda dos braços fortes para se sentar no chão, só então notando que realmente seu corpo estava muito dolorido, o que não era normal... já deveria ter se regenerado.
–Ele também está completamente humano – outra voz conhecida e virou a cabeça em direção a ela, a tempo de reconhecer o rosto de Akira em um corpo menos robusto do que o de costume, sem a quase inseparável faixa no nariz e com o cabelo mais curto e completamente preto – por onde você andou todo esse tempo? Vamos querer explicações do que aconteceu.
Kouyou reconheceu também um baixinho de cabelos negros ao lado do Suzuki, e apesar dos olhos castanhos e da falta de garras, soube que se tratava de Takanori. Ainda que não lembrasse de seu rosto, só o fato deste estar confortavelmente segurando a mão de seu amigo de infância já o denunciaria isso.
–Deu certo... – o Takashima puxou os lábios pequenos em um sorriso aliviado – eles cumpriram o acordo...
–Papai... – a voz fina chamou sua atenção e o Takashima quis saltar em direção ao pequeno filho e filha que estavam um pouco maiores do que se recordava, além de sua princesinha ter também as madeixas escurecidas, mas seu corpo cambaleou quando se forçou a por de pé, se não fosse os braços do companheiro provavelmente teria votado a cair no chão.
–Maya, Riki... – sorriu ao estender os braços, enlaçando os filhos em um abraço quando estes correram em uma velocidade totalmente humana para si. Apertou os pequenos contra o peito, e distribuiu beijos incontáveis em suas cabeças, bochechas e testas.
–Ei, eu também quero um beijo... – a voz conhecida reclamou às suas costas e o ex-ameniano se pôs em postura ereta novamente, voltando a mirar o general shiroyamiano logo atrás — ... faz um ano que você desapareceu... eu venho todos os dias aqui nessa sala, esperando que você voltasse para esse mesmo ponto e você decide chegar justamente quando não estou aqui? – reclamou em um franzir de olhar totalmente intencional, puxando a cintura fina do companheiro em sua direção, tomando a boca deste em um beijo saudoso, invadindo seu céu com a língua e provando da saliva que tanto sentira falta durante todo aquele tempo.
Kouyou sentiu suas pernas tremerem e vacilarem, seu corpo meio dolorido onde o moreno lhe apertava, mas seu peito e sangue completamente imersos na sensação e no sentimento daquele beijo.... fazia mesmo tanto tempo? Um ano? Por que demorara um ano para chegar ali?
“Aqui não existe algo como o tempo, isso é uma coisa do mundo humano...”.
Sorriu quando o general, ainda poucos centímetros menor que si, findou o ósculo com selinhos que demonstravam o quão “disposto” estava em descolar sua boca da sua.
–Se estou mesmo há um ano fora, tenho muitas perguntas... não podemos deixar isso para mais tarde? – questionou em humor ao ter a boca cheia do companheiro voltando a se colar a sua.
–Papai Yuu, divide o papai Kou com a gente também... – Riki protestou ao puxar o pai Takashima consigo – papai, seu cabelo cresceu...
Kouyou sorriu para o filho e levou à mão as madeixas, puxando uma mecha e comprovando que estas estavam um pouco abaixo de seu peito, talvez tivesse mesmo passado tempo demais “viajando”... seria por isso que seu corpo doía? Notou também a coloração negra e de repente ligou em sua mente de que se Reita, Ruki e seus pequenos eram humanos agora, por tabela ele e Aoi também eram.
–Ah.... eu fiquei muito feio como humano? – indagou ao se virar para o shiroyamiano moreno e este abriu um sorriso totalmente divertido com a pergunta do maior.
–Acho que precisa de um banho para relaxar e um espelho para parar de pensar besteiras – Aoi ditou em firmeza e autoridade liberando uma tosse proposital — ... eu te levo até o nosso quarto.
–Nosso quarto? – Uruha sorriu, ao ser conduzido pelo salão completamente reformado até sua saída, ouvindo risadas animadas do amigo atrás de si enquanto venciam o corredor.
–Esse cara, ainda que tivesse milhares de outras responsabilidades em consolidar todas essas terras e organizar tudo teimava em adiantar uma festa e cerimônia para vocês... seu casamento está preparado há uns oito meses, Uruha... provavelmente ele te faça subir ao altar semana que vem.
–Um Rei precisa de outro Rei para mostrar uma família unida e forte, subiremos ao altar amanhã, seu manto matrimonial talvez fique um pouco folgado, você está mais magro Kou... – general e imperador Shiroyamiano continuou a falar, parecendo ignorar completamente o fato de estar despejando informação demais em cima do amado — .... você, mande o alfaiate apertar três dedos na cintura do manto do Takashima-san ... – ordenou a um dos vários serviçais que os seguiam pelos corredores largos em pedra branca e este assentiu ao virar para uma outra direção.
–Papai Yuu, você está assustando o papai Uru – Maya contestou ao puxar a mão do pai shiroyamiano e força-lo a parar de guiar o maior pelos vários corredores – deixe ele respirar, o que acha? Ele ainda não contou o que aconteceu...
–Onde já se viu uma filha usar esse tom e falar deste modo com o seu pai? – Aoi estreitou o olhar para a pequena que sorriu em resposta.
–Se eu não falasse assim não seria filha dos meus pais – Maya replicou ganhando um assentir divertido do general.
–Imperador Aoi-sama... os mensageiros chineses estão esperando-o para as negociações – uma das damas entre o grupo de trabalhadores comunicou ao senhor de Vijukei assim que se colocou a frente deste.
Aoi respirou fundo e mirou com cuidado e adoração o amado diante de si, lhe dedicando mais um beijo apaixonado e rápido antes de se afastar.
–É importante, estamos negociando transações comerciais e a vida da população de Vijukei melhorará muito se tudo correr bem, teremos mais comida e matéria-prima para todos, passamos por meses difíceis com toda a destruição e ainda não estamos completamente recuperados... pode me dar uns minutos? – perguntou ao Takashima que apenas tentou entender do que o companheiro falava antes de sorrir e assentir.
–Você é o imperador, eu sou apenas um humano recém-chegado, por que devo te dar permissão para algo? – Kouyou questionou de volta e Yuu bufou em degrado, lançando um olhar cerrado para o amado.
–Você manda nesse imperador e sabe disso, um ano foi tempo o bastante para me deixar louco em esperar, mas não o suficiente para diminuir o que eu sinto por você.... – o general rebateu em uma seriedade que mais parecia algum tipo de ordem — ... tal tempo não existe, se limpe, coma, descanse... eu quero você disposto hoje a noite... – sussurrou ao seu ouvido e Kouyou sentiu os pelos da nuca se eriçarem com a implicação daquela frase... tudo parecia ter acontecido a tanto tempo, e ainda assim parecia ontem que o caos pairava incansavelmente sobre si... como se tivesse acordado de um pesadelo horrível e se desse conta de que o mundo era perfeito e nada de mal aconteceria.
–Tudo bem, Yuu... – assentiu também baixinho ao ouvido alheio e Aoi lhe dedicou um último beijo rápido antes de se apressar pelo corredor em sentido oposto, sendo seguido pela gama de serviçais e soldados.
–Tenha paciência com ele, está se esforçando muito para ser um bom líder... o Aoi-mal-encarado-san de vez enquanto ainda aparece, mas sinto que com você aqui ele vai embora de vez – Reita sorriu ao lado do abobalhado amigo a mirar com admiração as costas do companheiro marchar para longe.
–Vamos Uruha-san, eu e as crianças te levamos pro seu quarto – Ruki puxou o Takashima consigo para continuarem seu caminho.
–Lovu-chan e Jew-chan? – Uruha perguntou e Ruki respondeu em um sorriso orgulho sobre suas filhas estarem bem, frequentando as aulas normais da instituição de ensino recém aberta da agora Cidade Imperial de Vijukei.
Reita lhe contou sobre ainda terem problemas com a aceitação do governo de Aoi nas terras da Resistência, já que muitos não acreditavam em um Shiroyama, mas que acreditava que com a volta dele e com o casamento as tensões melhorariam e Vijukei se tornaria de fato um país completo com apenas um governo.
Enquanto tomava um banho em um recipiente absurdamente grande de porcelana Ruki lhe contava sobre como foi difícil reconstruir tudo depois de toda a destruição, sobre a desconfiança do povo, sobre como Aoi tinha melhorado muito sua forma de ver a população...
–Mas essa coisa de ainda possuir servos e não pagar soldos adequados... conto com você para mudar a cabeça dele em relação a isso – o pequeno ex-meio-youkai reivindicou e Uruha sorriu ao mirar seus pequeno filhos brincarem e lhe jogarem água no rosto enquanto sorriam.
–Meu pai, Miku-chan... – Uruha perguntou e a feição do Matsumoto assim como os rostinhos de seus pequeninos entristeceram.
–Miku-chan se tornou um soldado oficial da guarda três meses atrás, para ficar perto de Ryou-san, mas... Hitoru-san... – Ruki respirou fundo — ... ele morreu no meio do caos daquele dia, junto com Fukaku-sama, e,... Kazuki-san, Manabu-san e Saga-san... foram mortos por Kai-sama.... – o pequeno queria acrescentar que também desconfiava da morte do Takashima mais velho ser obra do cientista assustador, mas não quis entristecer mais o ex-ameniano e provocar discórdia entre ele e Aoi.
–Hiroto-san e Shou-sama mataram um ao outro, Byou e Jin-san... – Ruki voltou a suspirar- Kai-sama disse que eles ofereceram “resistência” e que pensou que todos os meio-youkais estavam saindo do controle, quando na verdade estávamos apenas nos tornando humanos, e acabou por ordenar a morte de todos eles...
Uruha fixou o olhar sério no Matsumoto.
–E onde Kai está? – inquiriu em um tom que deixava claro sobre ele mesmo ter chegado a conclusões de que Kai era culpado de coisas demais.
Ruki sorriu de lado em frustração, o quão feliz ficaria se aquele cientista pudesse ser punido direito por tudo que fizera! Ainda que Uruha obviamente não fosse nem perto de uma ameaça física, com um corpo tão magro e humano, com certeza a influência que tinha sobre Aoi daria uma lição ao menos mais justa no caçulo shiroyamiano.
–Aoi-san não gostou nada quando ficou a par de tudo que ele fez, mas tirando uma surra, uns dias preso e limitações de poder e autoridade não foi capaz de puni-lo com mais rigorosidade... afinal é o irmão mais novo dele... – Takanori rodou os olhos em compreensão — ... quando Kai-sama ficou sabendo que como punição Aoi-san tinha libertado Nao-san do calabouço no qual aquele cientista maluco o trancou e que estava em um navio com rumo certo para o ocidente Kai-sama simplesmente fugiu e desapareceu, provavelmente para perseguir Murai-san... eu sinceramente não compreendo muito de pessoas como eles...
–Eu... prometi a mim mesmo que Joshua, ou Rui, seria o último que eu mataria...- Kouyou respirou fundo — ... Aoi que diga e faça o que quiser, mas se Kai cruzar meu caminho novamente.... eu vou estar disposto a sujar minhas mãos mais uma vez...
Ruki sorriu e Kouyou estranhou o menor achar graça naquilo.
–Não me leve a mal Uruha-san, você em breve será imperador também e eu vou te servir e te obedecer fielmente, mas mentir é algo que não faço e apesar de desejar muito que alguém der a Kai-sama o que ele merece, o que acha que poderia fazer com um corpo humano, cheio de limitações e não treinado?
Por um momento Uruha pareceu ter caído em si, colocando uma face surpresa em seu rosto e repreendendo-se por só agora ter se dado conta daquilo. Se pôs de pé, sem se importar com a nudez, não era como seus pequenos tivessem idade o suficiente para se chocarem com aquilo, e além disso era pai deles. Também não era como se Takanori não tivesse visto nada dali antes.
Ruki se apressou em cobrir o maior com um pano de secagem e Uruha caminhou para fora do quarto de banho, abrindo a porta direta para o amplo quarto muito bem decorado e requintado, com uma cama ocidental no centro e mobília mesclada em tradicional e coisas que nunca vira antes. Andara até o espelho grande mais a esquerda, estava não sedento por um banho que havia se esquecido de verificar como exatamente era o seu “eu” humano.
Um corpo realmente muito esbelto, uma pele muito branca, pernas delineadas e um quadril magro que mostrava alguns ossos... tinha que arranjar um jeito de engordar, parecia doente. Um peito reto, sem definição... um pescoço fino, o rosto quadrado em traços masculinos apesar da boca e nariz pequenos e dos olhos chocolates puxados e muito fechados, moldados pela franja grande lateral junto ao fios longos e negros;
–Eu preciso de alguma pintura... urgente... – estatuou para o Matsumoto atrás de si — ... me diga que tem alguma nesse quarto imenso....
Ruki gargalhou, seguido da pequena Maya e de Riki.
–Papai, você está lindo... – Maya arguiu em firmeza.
–Mas... eu pareço...
–Um homem? – Ruki sorriu – é porque você é um homem, não um neko com alguns traços afeminados devido ao seu sangue imortal... pare de desespero, Aoi-san aprovou não aprovou?
–Cala a boca e só me passa alguma pintura vai – Uruha rugiu de volta, provocando mais gargalhadas nos filhos e no pequeno ex-hibrido.
Kouyou respirou fundo, sentindo o macio em suas costas e o quente das cobertas sobre si... estava cansado e Yuu ainda não havia voltado, tinha colocado seu filhos para dormir e tentado digerir toda a informação que recebera aquela tarde... as felizes, as complicadas e principalmente...as tristes...
Era justo que estivesse bem depois de ter causado dor a tantos? Era justo desejar e ser feliz?
–Parece que tudo aconteceu ontem...- suspirou, mirando as portas duplas do grande cômodo, aparentemente seu companheiro havia ficado ocupado demais com os seus deveres... deveria arrumar um jeito de aprender tudo rapidamente e ajuda-lo, já que ficaria ao lado dele para sempre.... – para sempre ... – sorriu bobamente com o pensamento.... ainda “ontem” tentava se convencer de que o certo seria mata-lo e se tornar um líder imparcial para o mundo... – Kouyou, seu idiota...
–Ninguém pode te chamar de idiota além de mim.... nem você mesmo – reconheceu a voz do shiroyamiano e virou novamente o rosto para as portas a tempo de vê-lo fechar discretamente a da direita e se adiantar para si — ... desculpe, os mensageiros foram mais difíceis do que pensei, deveria me ajudar da próxima vez, de algum modo sei que vai ser apenas você abrir a boca e sorrir que qualquer um já o ouviria sem pestanejar...
–Sei... não foi bem assim com um certo alguém... – o Takashima pontuou em um sorriso de lado.
–Esse certo alguém era um idiota que estava tentando se negar muitas coisas na época – Aoi deu de ombros, subindo em cima dos lençóis, descobrindo o corpo vestido por uma manta muito fina, admirando-o antes de se encaixar ousadamente entre as pernas semi-abertas deste.
–Ei, ninguém pode chamar esse certo alguém de idiota além de mim... nem ele mesmo – Uruha rebateu humorado antes de puxar a nuca alheia em sua direção, deixando que o moreno se apertasse mais contra seu corpo, lhe invadindo a boca com vontade.
–Por que você pintou o rosto para dormir? – o sussurro lhe chegou ao ouvido antes de uma mordidela em seu lóbulo e Kouyou não conseguiu se reprimir em corar com a indagação do moreno, ainda que não fosse por este levantar sua manta com rapidez e lhe apertar as coxas com ânsia.
–Eu só... achei que como humano eu... hum... – tentou responder ao sentir os dentes do companheiro em seu pescoço, as mãos grossas deslizando para a parte interna de suas pernas, seguindo um caminho óbvio — ... eu fiquei parecendo mais...
–Homem? – Yuu completou ao enlaçar a ereção do amado com os dedos da mão direita, arrancando um gemido rouco deste – estava receoso de que eu não gostasse? – sorriu em humor ao fitar o rosto corado do Takashima.
Uruha desviou o olhar a assentiu afirmativamente, gemendo quando os dedos ríspidos do companheiro lhe acariciaram com mais vigor.
–Ei... – Aoi sussurrou ao seu ouvido — ... eu me apaixonei por um homem, sabia? E mais importante... eu me apaixonei por você, mesmo que você me aparecesse com uma calda, dois chifres e um bico eu ainda te amaria... – provocou ao descer sua mão repentinamente até o períneo do ex-ameniano, pronunciando um dedo na entrada alheia.
–Para de brincadeiras... – Kouyou censurou, meio sem graça, mas colocando um sorriso provocador na face – se está certo de que ama um homem, provavelmente não se importe de ficar por baixo algumas vezes, certo?
Aoi sorriu e forçou novamente o dedo para dentro do corpo do amado, desta vez penetrando-o de vez.
–É um caso a se negociar.... – respondeu ao mover os quadris no ritmo lento em que estocava o interior alheio com seu digito, fingindo uma penetração diferente, recebendo gemidos muito bem aproveitados em resposta — ... depois que eu tiver a minha vez... – finalizou ao tomar a boca do Takashima na sua mais uma vez.
Naquela noite provavelmente não dormiram sequer duas horas em incansáveis demonstrações físicas de amor, e ainda assim, como prometido e organizado há meses, o casamento dos dois líderes aconteceu na tarde do dia seguinte, no mesmo dia em que Vijukei assinou parceria comercial com o terceiro país além do mar de suas terras e foi reconhecido como uma unidade própria de governo.
O reinado Shiroyama durou mais uma geração com o casamento da princesa Maya com o príncipe Riki, mas estes não deixaram descendentes e gradativamente as sucessões familiares foram se modificando.
Ruki e Reita morreram em idade avançada, vendo com orgulho as irmãs Ishiharas se tornarem professoras e ensinarem os menores. Ryou e Miku foram designados com cargos militares e ambos mantiveram um relacionamento discreto.
Não se sabe se Kai encontrou de fato Murai-san, apenas que os dois nunca mais foram vistos nos domínios de Vijukei.
A humanidade rapidamente foi se esquecendo de muitas coisas e de repente um passado de youkais, guerras e magia começaram a serem contadas de modo tão extraordinário que muitos acreditaram ter sido apenas uma história. Uma lenda...
A lenda de Vijukei.
FIM
Notas finais
Então, depois disso só tem um epilogo a pedido da becca-chan que aviso ser dispensável a história principal. Ele já está começado e é bem mais simples do que foi desenvolver essa fanfic monstra, então virá mais rápido do que esse capítulo veio.
Pq a demora de quase um mês? Por que eu adicionei e mudei coisas e as cenas finais simplesmente me travaram, se não fosse a ajuda da Becca-chan não sei se teria saído. Mas espero que tenham gostado do final, foi difícil fazê-lo! T.T
Bem, como todos sabem essa fanfic era um presente de aniversário para uma pessoa, mas foi abandonada por ela lá pela metade, quis muito desistir desse troço difícil de se escrever, mas devido aos leitores se mostrarem tão lindamente apaixonados pela história e me ajudarem muito a continuar foi possível finalizá-la.
Em especial a Takashima Lissa , A lissa-chan que se mostrou muito envolvida com toda a trama e aceitou ter a fic como presente ainda que de inicio a história tenha sido feita para outra pessoa. Não sei quanto a muita gente, mas quando faço algo de presente para alguém, eu costumo usar essa pessoa e a vontade de querer causar emoção a essa pessoa específica como base para fazê-lo. Por isso manter um fanfic presente sem ninguém para entrega-la e usar como base estava terrivelmente desanimador. Obrigada por aceita-la Lissa. Desculpe sumir, eu prometi a mim mesma que não poderia falar com vc até ter a fic terminada, ainda assim demorei muito para finalizá-la, sinto muito mesmo. Espero que naõ esteja chateada?
Além disso vcs sabem que eu curto muito os J music da vida e tê sempre tentando marcar presença nos eventos e shows aqui no Brasil neh? Então em época de shows fica tenso pensar em fic para escrever, peço mil desculpas, mesmo, mesmo, mesmo. Mas a miniminisan também estuda, trabalha e tira carteira de motoristas então, tentem perdoá-la por atrasar tanto sim? Onegai?
Queria agradecer imensamente a todos vocês leitores que acompanharam e dedicaram atenção a essa fanfic de 932 páginas de word ( sim aaaaaaaaaa, Deus, meus dedos). Com agradecimentos especiais a vcs que deixaram reviews , MPs, metions no twitter ... podem acreditar quando eu digo que foi o carinho e o apoio de vcs a história os motivos de eu não ter desistido apesar das mil e uma coisas que aconteceram.
E agradecimentos mais especiais também, as lindas pessoas que deixaram recomendações para Vijukei no Monogatari:
Paola R
Lolly_chan
Takashima Lissa
Havena
Catarinne e Lacy
Ruu-sama
Yuuki
Anônimo
Sooky Eldst
PsychopathUsagi
paola13
Elijane Alexandre
ShimaYuu_Azumi
monalovesasuke
Metamorphosis
Yuyo
Liz Shiro
Ringo-chan
Apple_Miih
Bea Balfer
Tutfrut
A fic recebeu 21 recomendações (recorde de uma fic escrita por mim), com um total de 86 leitores e 53 favoritações. Muito obrigada. É de vocês!
Mas confesso que estou aliviada e feliz por finalizá-la. Vou colocar finalizada nela, e o Epilogo posto até Domingo. Beijos.
Bye!
MOMENTO ANUNCIO: Então, pessoal eu lê Tsumi to Batsu... eu realmente tenho que terminar a fica da minha anjinha neh? Não sei nem quando nem como, desculpe. Estava planejando me aposentar desse mundo de ficwriter e voltar a ser uma leitora mais efetiva ( por causa de escrever a gente deixa de ler e comentar muitas fics T.T), até memso por causa dos estudos e do trabalho. Mas vou tentar cumprir minha promessa em TTB e a promessa que fiz à Azumi de terminar a fic dela de Uruha prosti ( a coisa mais clichê do GazettE e eu nunca escrevi... O.O hauahua). Mas essa ai só vem depois que eu terminar toda, sem matar ninguém como fiz com Vijukei.
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