Notas iniciais
Como prometido, a pedido da Becca e de mais alguns leitores por review!
Epilogo, como eu falei é totalmente não necessário para a história orginal, pode até mesmo ser lido como uma one-shot independente, mas foi algo que pensei depois de ver alguns videos, ler mangás e fic ( geralmente indicação da Becca-chan). Então... Espero que gostem.

Epilogo

“A humanidade rapidamente foi se esquecendo de muitas coisas e de repente um passado de youkais, guerras e magia começaram a serem contadas de modo tão extraordinário que muitos acreditaram ter sido apenas uma história. Uma lenda...



A lenda de Vijukei.

FIM”

O menino de olhos negros e puxados, e, pele levemente mais escura do que o pálido normal japonês levantou a cabeça da leitura na qual passara horas demais sem perceber. Os orbes ônixes surpresos com tudo que lera... Ao virar a página encontrou algo que o deixou mais assustado ainda.

“Escrito por ShiroyamaTakashima Riki em seu leito de morte.

‘Nossa lenda sempre será verdade’”.


–Os nomes são... – a voz ainda fina da puberdade não vivida saiu de seus lábios, sendo interrompida pelo grito preocupado de alguém do lado de fora da sala empoeirada.


–Riku-kun, onde você está? – o tom brincalhão se aproximou da porta de correr da tradicional moradia e o pequeno se sobressaltou, escondendo o livro em decomposição e velho dentro da fenda no piso que encontrara, encaixando o chão falso de volta no lugar.


–Riki... – o homem sorriu ao abrir o cômodo e encontrar o pequeno pré-adolescente de pé no meio de toda aquela velharia — ... seu pai está feito um louco atrás de você, por onde andou?


–Vendo algumas coisas da nossa família, tio Aki – o pequeno sorriu, tentando esconder o nervosismo.


O Suzuki estreitou o olhar e ajeitou as madeixas negras e curtas ao jogar a social franja para trás, desconfiado.


–Está escondendo algo... – Akira apontou e o menor se viu pressionado a inventar algo melhor.


Por sorte passos quase corridos foram ouvidos pelo corredor e um ofegante homem, mais alto que o primeiro, com fios falsamente castanhos e um pouco acima das orelhas se fez presente na porta do cômodo, o olhar nada contente.


–Riki, te procurei feito louco, por que não atende o celular? – Kouyou questionou ao respirar fundo e arrumar a camisa social nervosamente, tentando alinhar sua gravata.


–Eu... me distrai vendo as relíquias do vovô... – o pequeno respondeu ao abaixar a cabeça, não gostava de dar trabalho ao pai, mas tudo que passara a tarde lendo estava lhe deixando levemente confuso.


Tinha onze anos já, não podia sair acreditando nessas histórias de livros, mesmo que fosse um secretamente guardado no “depósito” de coisas antigas de sua família... Entretanto, ver nomes conhecidos escritos neste tinha com certeza o assustado. Não poderia ter lido errado, sempre foi louco por leitura desde que aprendera a ler e interpretação da escrita antiga japonesa não era tão difícil para si desde que começou a ter aulas desse tópico avançado com seus tutores particulares.


–Não mexa nessas coisas, tem muita velharia enferrujada aí no meio, não sei por que meu pai ainda não se livrou de parte disso... – o maior contestou ao adentrar o empoeirado cômodo, suspirando mais uma vez ao ver o olhar acuado do filho... estava fazendo errado, Riki não fizera nada de mal, mas pensar que algo de ruim poderia acontecer ao seu menino o deixava totalmente sem cabeça — .. venha, seu avô já está estabilizado, vamos pegar o voo de volta pra Tóquio.


–O vovô... está melhor? – Riki questionou ao pegar a mão do pai, seguindo-o para sair da sala escura, ganhando o corredor ao lado deste e do Suzuki.


–Infelizmente não... – O Takashima mais velho respondeu, prometera jamais mentir ou tentar enganar seu filho, e respeitava essa promessa com seu pequeno — ... mas não podemos perder as esperanças, os médicos disseram que ele não viveria nem para te ver nascer, e olhe só... você já está todo crescido – sorriu em direção ao rosto infantil em conforto.


Riki assentiu e continuou a caminhar pela luxuosa casa de seu avô, passando por diversos empregados e seguranças pelos cômodos amplos e espaçoso hall principal, descendo as escadas da entrada vistosa seguindo, para dentro do carro preto onde um baixinho de cabelos descoloridos em tom loiro escuro e curtos se curvava em um cumprimento ao manter a porta aberta.


–O voo parte em duas horas Presidente-san – o secretario alertou o chefe que sorriu em agradecimento.


–Obrigado Miku-san, confirmou minha agenda para amanhã? – questionou ao se sentar no banco traseiro do luxuoso automóvel, trazendo o filho consigo enquanto Akira ocupava a ultima vaga ali atrás e o secretário fechava a porta.


Logo Miku se sentou no banco da frente, ao lado do motorista e respondeu a pergunta do superior ao virar a tela do IPad em suas mãos para si.


–Reunião com os diretores às 11h, reunião com os compradores norte-americanos às 14h e o jantar de aniversário do filho de Shiroyama Fukaku-san às 19h...


–Ahrg... cancele o jantar, já nos basta financiarmos as campanhas deles há gerações... – Kouyou cortou ao bufar em cansaço, acariciando os cabelos curtos do filho e trazendo a cabeça deste para descansar em seu peito.


– Seu pai e Fukaku-san sempre foram muito amigos, não sei por que seu desgosto por ele – Akira apontou em humor.


–Só o vi uma vez, há muitos anos atrás, o desprezo com o qual ele me olhou foi o suficiente para saber que eu não iria querer nada com aquela família, se ainda permito nossa empresa financiar as campanhas dele é por respeito ao meu pai e a nossas gerações passadas – o maior respondeu – além disso, são uma família de políticos... nada de bom pode vir disso.


–Mas não é aniversário dele – Akira contestou – é aniversário do filho dele...


–E a diferença é? Eu nem mesmo sabia que aquele homem tinha filhos, provavelmente deve ter criado o garoto fora do país em um internato e sob vigilância de um exército – brincou em acidez, arrancando uma risada do amigo de infância e vice-presidente.


– Entendo que odeie política, mas me preocupo com nosso presidente não estar a par sequer das movimentações do ramo que estão acontecendo em nosso país... – o Suzuki censurou em um sorriso instigador, ganhando um olhar franzido do amigo e presidente — ... sua empresa fornece verba para a família Shiroyama há 5 gerações e você nem ao menos sabe que “seu candidato” está concorrendo a primeiro-ministro?


–Oh, então Fukaku decidiu fazer da política do nosso país uma sucessão hereditária e colocar seu filho no lugar já que não pode mais se reeleger? – Kouyou sorriu em ironia – hunf... previsível... ao menos nosso grupo continuará recebendo facilidades nos negócios, não que precisemos... poderíamos muito bem nos virar sem apoio nenhum do governo e...


–Pensei que tivesse superado isso há mais de onze anos, quando aceitou entrar nesse mundo e assumir o lugar de Hitoru-san, não reclame agora – o Suzuki interrompeu o amigo – negócios são negócios.


O Takashima mais velho encarou o amigo e se deu por vencido, não adiantava trazer conflitos passados a tona novamente.


–Voltando ao assunto, entendo que não goste de Fukaku-san, mas seria bom que mantivesse algum relacionamento amigável com o filho dele, o cara em breve será primeiro-ministro e apesar de sermos antigos financiadores das campanhas deles... eles há anos conseguiram muitos outros, seria vantajoso para nosso grupo se os Shiroyamas não se esquecessem de nós e mantivessem os bons “acordos” conosco...


–Já entendi, já entendi – Kouyou cortou em voz notavelmente estressada -... eu vou a esse maldito jantar e puxo o saco do cara, Miku-san, compre algum presente caro, qualquer coisa serve, essas pessoas só veem os zeros que custou mesmo, feliz? – finalizou o fuzilar o amigo, arrancando uma gargalhada deste, o Suzuki sabia o quanto desprezava todas aquelas “ações pretensiosas” daquele mundo... o mundo no qual aceitara entrar visto todos os acontecimentos, como a doença de seu pai e o nascimento de Riki.

Não era mais um adolescente sem responsabilidades e livre... pensava que já tinha deixado aquele urgir de liberdade para trás no dia em que desistiu de seus sonhos e assumiu a paternidade da criança no ventre da garota que tratou de se afundar em drogas e morrer logo depois do nascimento de seu filho... no dia em que também descobriu que seu pai sofria de câncer e que precisava se tratar, mas ainda permanecia na presidência do grupo Takashima, trabalhando como louco porque seu único filho era um jovem de dezenove anos inconsequente e rebelde que achava que podia se tornar músico e adorava beber e foder garotos e garotas por aí.


Akira percebeu o olhar pesado se abater sobre o amigo e sabia exatamente no que este estava pensando, apesar dos onze anos passados, Kouyou jamais deixara de se sentir preso em um mundo do qual não gostava... não lhe agradava ver o amigo de anos assim, ainda mais porque em parte compartilhou dos sonhos e aventuras dele em sua adolescência, mas até mesmo ele sabia que aquele mundo e aquela vida jamais teriam algum futuro... aparentemente Kouyou pensava mesmo que naquela época a felicidade estava naquele caminho e a frustração de não poder segui-lo por vezes o abatia e o estressava desse modo.


–Qual o nome dele? – a voz do Takashima mais velho tirou o Suzuki de seus pensamentos e este piscou os olhos em incompreensão antes de se dar conta do que o amigo estava falando.


–Ah sim! Fukaku-san tem dois filhos: o caçulo se chama Shiroyama Yutaka, mas aparentemente os dotes políticos ficaram para o mais velho e o mais novo se tornou somente o assessor do irmão, pode nos ajudar mantê-lo em bons panos também, bem... nosso atual “colaborador” e candidato a primeiro-ministro se chama...


–Shiroyama Yuu...


A resposta completada por Riki causou um leve estranhar nos adultos dentro do automóvel e este sorriu nervoso ao se ver alvo dos olhares.


–Eu li na internet, ele aparece muito no Google noticias – o pequeno respondeu mentirosamente os questionamentos mudos e soltou um suspiro ao notar ter convencido os maiores.


–Até seu filho de onze anos sabe mais sobre política e atualidades do que você – o Suzuki alfinetou ganhando outra carranca do amigo de infância.


–Cala a boca vai, eu sou o presidente e você o vice-presidente do grupo Takashima, teoricamente sou seu superior e você deve me respeitar – o Takashima bradou em um tom humorado e acompanhou a risada do amigo.


–É claro – Akira deu de ombros.


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A tela era plana e de ótima resolução acoplada à parede da sala em mogno e azul marinho. A televisão de 48 polegadas mostrava um rosto arredondado em uma expressão gentil e um sorriso pequeno enquanto o dono de tais atributos discursava num palanque médio frente ao que se assemelhava a uma multidão jovem.


“Proponho uma nova abordagem para o país. Chega do sistema antigo e ultrapassado de governo, esse é o mundo do século XXI e se não nos adaptarmos às instabilidades do planeta seremos pisoteados pela força das mudanças....”

Um homem de estatura baixa, era visto ao lado do político, um sorriso fino e olhos pequenos no rosto redondo de bochechas avantajadas. Ternos impecáveis e esbanjo de simpatia. Em um instante a tela se desligou e os dedos longos que apertava o botão do controle deixaram o objeto em cima do tampo da mesa mogno com lentidão, indo se colocar em um ângulo pensativo sobre os lábios cheios.


–Kazamasa Kohara... não pensei mesmo que ele fosse se candidatar, nunca levou jeito nem ao menos para assumir cargos no parlamento... – Yuu comentou como se falasse consigo mesmo, porém para quem olhasse dentro da sala espaçosa e formalmente decorada veria mais dois homens engravatados parados aos lados da cadeira confortável do político.

–Murai Naoyuki... – o homem da direita se pronunciou ao pousar um sorriso fino no rosto — ... ele se uniu à campanha de Kohara há dois anos atrás, os contatos e ações dele foram o que convenceram os conselheiros do partido de Kazamasa a colocá-lo como candidato a primeiro-ministro ainda que jamais tenha vencido eleições de cargos altos dentro do parlamento... devemos tomar cuidado com ele.


–Há boatos de que Murai-san possui muita influência dentro do submundo e mantém contato com a máfia do grupo Vegas... – Ryou se pronunciou ao lado esquerdo.


–Aquele grupo não é problema, a fidelidade de Byou pertence àquele que pagar mais, e eu tenho mais recursos que Kohara para comprar os serviços dele se acaso quiser... – o Shiroyama mais velho bradou ao girar a poltrona para mirar seu assessor e irmão e seu secretário — ... mas aquele Jin... o que chamam de “cachorro louco”, desde que ele apareceu dentro do grupo Vegas, Byou tem feito muito barulho.


–Seu nome jamais poderá ser envolvido com o dessa gente, e se derem trabalho apenas pagamos ao grupo rival para dar cabo deles – o Yutaka assentiu para o irmão – está se preocupando atoa, meu irmão, o grupo de Kazuki-san poderia exterminá-los em um piscar de olhos se assim fosse pedido.


–No que o dono de prostíbulos pode ajudar? – Yuu bufou em escárnio — ... quero que alguém dê cabo desse Jin ...


–Se preocupe com seus discursos, em como agradar os eleitores jovens e roubá-los de Kohara, eu cuido desses assuntos, tudo bem? – o Shiroyama caçulo interrompeu ao expandir seu sorriso de covinhas — ... não subestime o poder e influencia de Kazuki-san, ele é alguém que tenho sob total controle.


–Aquele Manabu, o jovem que me apresentou meses atrás... – Yuu franziu o cenho – acaso o mandou servir de espião na casa desse puto? Quando vai parar de agir sem pedir a minha autorização? – rugiu entre dentes.


O Yutaka manteve o sorriso fino, não parecendo se abalar pela demonstração de desagrado do irmão.


–Algum interesse pessoal naquele garoto? O estilo dele te lembra certa pessoa? Pessoa que nem soube que você existia? – o caçulo fechou o sorriso e o cenho, encarando o irmão mais velho em análise — ... não ouse foder com a nossa família por causa de amores platônicos de sua juventude, Yuu... pensei que isso fosse coisa de um passado muito distante...


–Não sei do que está falando – o maior velho bradou ao retornar a cadeira para a posição inicial.


–Você se saiu muito bem durante todos esses anos, mas desde a morte de Tsuna-san que anda suspeito demais... – o mais novo continuou – não gosto disso, não gosto nada disso, sua anormal simpatia com Manabu-san me deu a certeza... algo em você ainda insiste nessa paixonite platônica pela foto de um garoto que nunca soube da sua existência. Tem noção do que pode acontecer se acaso se meter em algum escândalo do tipo a essa altura do jogo? Nosso pai não foi claro o suficiente quando o mandou para fora do país? Me diga, acaso estava nos enganando até agora? Estamos todos depositando muito em você, você não pode arruinar tudo.

–Eu disse que não sei do que está falando, aquilo foi uma loucura idiota de um garoto de dezoito anos, eu já tenho 36 anos Yutaka, sou mais velho que você e exijo que meça as palavras antes de me acusar de algo. Sabe mais do que ninguém que o que mais tenho feito durante toda a minha vida é prezar pela nossa família e nosso poder.


O caçulo respirou fundo e abriu um sorriso sincero ao ouvir o irmão ditar aquilo com firmeza e confiança.


–Ótimo, então faça como sempre fizemos até agora, foque-se em ser o líder perfeito e eu te erguerei até lá irmão, pela família – assentiu em uma pequena reverência respeitosa.


–Tudo bem – Yuu deu por fim – Ryou...


–Sim, Yuu-san? – o secretario atendeu o chamado do chefe e amigo de anos.


–Busque Maya na escola e a leve para se arrumar, a quero no horário na recepção – o candidato ordenou. Logo o secretário assentiu e saiu da sala porta a fora em intenção de cumprir aquilo que lhe fora ordenado.


–Deveria tentar passar mais tempo com sua filha, faz apenas dois anos que Tsuna-san faleceu, deixá-la na mão de empregados o tempo todo não é o mais adequado, nem para sua posição como pai e nem para a sua imagem como político – o caçulo alfinetou, desta vez não recebendo nenhuma repreensão do mais velho.


–Eu simplesmente não sei mais como lidar com ela, ela não quer conversar, não quer falar, não quer brincar com os amigos... – o Shiroyama mais velho suspirou — ... pensei que se apenas a deixasse ter um tempo consigo mesma gradativamente ela melhoraria, mas... já fazem dois anos...


– Você pode ter se casado com Tsuna-san por conveniência, mas para Maya ela sempre foi uma ótima mãe – o menor pontuou, mirando o irmão passar a mão pelo cabelo curto e social nervosamente com a situação, soltando um suspiro cansado de lado — .. deixe, não se preocupe com isso agora, pense em fortalecer os laços com os investidores e financiadores de nossas campanhas hoje e em conseguir mais popularidade e apoio para as votações. Nosso pai não poderá comparecer já que o mal-estar dele piorou.

–Sim, sim... eu sei – o mais velho assentiu, mirando o irmão passar ao seu lado e seguir para a porta de saída.


–Ah! E... – o Yutaka parou ao batente – provavelmente ele não venha, mas um último teste seria bom para verificar seu comprometimento com o seu dever, então... eu enviei convites a ele para a recepção de hoje.


–Para “Ele” quem? – o candidato a primeiro-ministro perguntou.


–O garoto da foto por quem se apaixonou em sua adolescência, ele está bem mudado agora, é o presidente do grupo de refinaria de petróleo pertencente à família Takashima há onze anos... não lembra em nada à foto que você costumava levar para todos os cantos – o mais novo respondeu em um sorriso fino, e Yuu tentou disfarçar a surpresa em seus olhos — ... Takashima Kouyou, é o nome dele, provavelmente não tenha sequer acompanhando nada relacionado aos Takashimas durante todos esses anos por motivos óbvios, mas ele é um dos importantes investidores em nossa família, seja cordial, mas mantenha distância... Feliz Aniversário – dito isso bateu um das portas duplas da entrada da sala, deixando um atônito e pensativo Yuu para trás.


O japonês puro de pele em um tom parcialmente mais escuro do que o tradicional e olhos onixes cerrou as pálpebras por um segundo, imagens tolas de quando tinha 18 anos e vira a foto do filho de um importante amigo de seu pai.


O garoto deveria ter 13 anos, mas já tinha o cabelo descolorido e usava maquiagem enquanto segurava uma guitarra próximo a amigos. O coração do jovem de 18 anos disparou e uma sensação morna e agradável lhe tomou o corpo. Parecia que aquele garoto era especial, e não era apenas por tocar um instrumento e fazer parte de uma banda aos 13 anos de idade... porque lhe chamava tanta atenção? Por que os olhos chocolates, a pele branca, a boca pequena lhe encantavam tanto? Por que não conseguia tirar os olhos daquela imagem?


“Esse filho de Hitoru... está dando tanto trabalho a ele, tenho pena do meu querido amigo...” Seu pai comentara ao também mirar a foto pequena em uma revista sobre música. “Ainda bem que você jamais me deu problemas... Yuu”.


Naquele dia o patriarca Shiroyama lhe sorria orgulhoso, muito diferente do dia em que descobriu o recorte da foto da revista, onde apenas a imagem do garoto havia sido deixada, dentro de seu caderno de anotações da escola, junto a um idiota coração desenhado a caneta e um “Por que te amo se nem ao menos te conheço?” logo embaixo.


“Você vai estudar no exterior, acho bom que quando voltar tenha esquecido essa estupidez e essa vergonha! Você é um Shiroyama e terá um futuro brilhante na política desse país assim como todos em nossa família. Nosso nome e respeito dependem de você, não nos decepcione!”


E naquele dia o patriarca lhe dedicava um olhar mesclado em desprezo e autoridade... naquele dia decidiu que não queria aquele olhar para si uma segunda vez.


“Sei que você nunca me amou... sei que há alguém em seu coração, alguém que você mesmo parece fingir que não existe... não é tarde demais Yuu... eu fui feliz ao seu lado, ainda que você jamais tenha me amado, eu pude feliz... você merece ser feliz também, a vida só é uma e se eu tivesse tido mais tempo, com certeza te deixaria livre e iria atrás de uma pessoa que pudesse me corresponder... a vida só é uma Yuu...não há segunda chance...ela é curta demais....”


Foram as últimas palavras de sua esposa para si antes que o tumor cerebral a tornasse um vegetal e por fim a levasse de vez.


O herdeiro Shiroyama clicou no cursor do mouse do microcomputador, fazendo a proteção de dela desaparecer, e como se estivesse a cometer um crime, olhou para os lados antes de digitar na caixa de pesquisa o nome da pessoa que se esforçara para fingir que jamais viu em sua vida durante os últimos 18 anos.


“Takashima Kouyou”



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– Gente rica para todos os lados... com certeza terá algo que possamos usar de notícia essa noite – um baixinho homem de pele amorenada com um penteado repicado de fios negros estatuou em um sorriso ao ajeitar a câmera escondida discretamente na manga de seu paletó de médio valor – Tora... está observando tudo?


–Sim, estou observando tudo muito atentamente... – o Amano assentiu vocalmente, os olhos ainda fixados em um ponto específico enquanto o sorriso luxurioso não se reprimia em desnudar o alvo de seu olhar imaginariamente.


Hiroto então seguiu os olhos do parceiro jornalista, sorrindo em incredulidade ao focar quem exatamente o maior estava encarando.


–O chefe de polícia Sakamoto-san... – o Ogata pontuou em uma risada gozadora — ... gostou tanto assim de quando ele nos prendeu por invadir propriedade privada no caso daquele escândalo do diplomata?


–Há algo em um homem tão sério, certinho e autoritário desse jeito que me faz querê-lo aos meus pés, me chupando e gemendo enquanto enterro meu pau nele... – Shinji respondeu o amigo de trabalho, provocando uma risada que precisou ser contida pela mão do menor.


–Por que esse cara está perto do meu neko-chan? – a voz rugida do maior chegou a sua audição, chamando a atenção do Ogata para voltar os olhos à cena.


Aparentemente outro homem havia se aproximado do sério e aéreo chefe de polícia que degustava cordialmente de um drinque, sem perceber os olhos felinos do Amano sobre si.


–Kazamasa Kohara... candidato concorrente de Shiroyama Yuu-san... – Hiroto pontuou ao identificar o jovem candidato que havia recém completado 35 anos* sorrir educadamente para o chefe de policia Sakamoto – por que Shiroyama-san convidaria um adversário para seu aniversário?


–Não conhece essa gente? Gosta de manter os “amigos” perto, e os inimigos mais perto ainda... – Shinji bufou em enfado – isso pode nos dar algo interessante, mas o que eu quero saber é porque ele está conversando com o “MEU” neko-chan...

Hiroto gargalhou novamente, apontando o braço para tirar uma foto dos dois homens muito bem trajados que trocavam uma conversação aparentemente leviana.

–Ouvi dizer que estudaram na mesma escola, Kazamasa, Sakamoto e Shiroyama... não é irônico? – o pequeno jornalista questionou retoricamente em humor – Kazamasa e Shiroyama são rivais agora e Sakamoto provavelmente não sabe em quanta lama seus ex-colegas de classe estão metidos... se conseguíssemos boas provas, seria interessante ver o chefe de polícia-san ter que prendê-los... e por falar em manter inimigos mais perto ainda... Shiroyama-san com certeza está exagerando....


Shinji então tirou o olhar fuzilador do objeto de desejo e voltou para a direção onde o parceiro de trabalho apontava, mirando rapidamente a câmera escondida em seu relógio para os dois homens que adentravam o salão de modo discreto.


–Yuuto ... o terceiro concorrente, seu secretário e assessor Rui... – Tora pontuou em um sorri fino — ... ouvi dizer que os dois se comem em qualquer canto que puderem, e que Yuuto tem parte com o demônio, que foi assim que conseguiu ocupar uma das cadeiras no parlamento como suplente depois de seu antecessor misteriosamente morrer carbonizado...


–Uma ótima história, consiga provas e nós ficaremos ricos – Hiroto aprovou ao também apontar a câmera para o político recém-chegado.


No amplo salão repleto de mesas, convidados, música ambiente e empregados de Buffet Kouyou suspirava em tédio, Riki parecia muito ocupado com um jogo em seu PSP e Akira simplesmente tinha sumido por entre toda aquela gente chata enquanto Miku se mostrava demorando demais ao ir ao banheiro. O Takashima sorriu em humor par ao filho ao seu lado e acarinhou os fios deste antes de passar os olhos pelo enorme salão luxuoso, avistando algumas mulheres muito bonitas se mostrarem “receptíveis” a si. Talvez tivesse sido melhor deixar seu pequeno em casa, poderia ao menos consolar seu tédio e descontentamento de estar ali com uma das dispostas damas. Afinal mulheres era a única coisa que poderia ter depois que aceitara se tornar um homem com imagem a zelar, então se privar disso que não iria. Porém, o pequeno havia insistido em ir, só para cansar de procurar não sabe-se o quê pela festa e se recolher em seu vídeo game quando não pareceu encontrar.


–Takashima-san – sua atenção foi chama por uma voz feminina e foi ao mirar a mulher ao lado do marido e acompanhada das duas filhas de idades semelhantes ao seu Riki que Kouyou abriu um sorriso e se levantou para cumprimentar os conhecidos.


–Takamasa-san, Melody-san – cumprimentou educadamente ao oferecer uma reverencia discreta, repetindo o mesmo processo para as duas jovens daminhas, sem notar seu Riki parecer avistar algo interessante no outro lado do local, se levantando sem aviso e correndo em direção do que vira enquanto seu pai se entretia numa conversa com um antigo amigo de sua adolescência e a esposa deste.


Yuu se aproximou de umas das entradas laterais do salão, se mantendo escondido atrás de uma coluna, não queria fazer sua “entrada triunfante” ainda, deveria esperar uma hora mais adequada, quando todos os convidados estivessem presentes e ele pudesse ter toda a atenção do local para si na intenção de mostrar sua firmeza Shiroyama e facilitar conversas para negociações e fidelizações de votos e apoio. Depois voltaria para a entrada principal e entraria como o dono da festa, mas por enquanto... ao menos um segundo, queria ver pessoalmente o Takashima pelo qual se apaixonou somente por uma foto em sua adolescência...


O odiava! ah como odiava o fato de algo totalmente insano e ridículo o chamar para aquele homem.


Ainda mais um homem que parecia animado demais em conversar com um produtor musical convidado apenas para popularizar o evento... mas um produtor que ele sabia ter “trabalhado” com o Takashima antes... sabia tudo dele, toda sua vida, escândalos e tragédias, pelo simples fato de que o que evitara fazer durante 18 anos ter sido completamente violado em apenas algumas horas de pesquisa na internet. Ele havia pesquisado sobre o maldito garoto demônio que havia lhe feito decepcionar seu pai e sua família pela primeira e única vez em sua vida... o maldito garoto que o tinha tornado durante um tempo em algo muito doente e vergonhoso...o maldito garoto que agora era um maldito homem. Ele não iria conseguir, não iria arruinar sua vida e sua família, não iria deixar... não iria se render àquele maldito calor no peito... não mesmo. Foi quando sua atenção foi desviada para o lado oposto da festa onde sua pequena parecia conversar animadamente com um garoto... sua filha Maya que não falava consigo ou falava qualquer coisa há dois anos... estava... conversando e sorrindo?



Akira não acreditava no que estava fazendo, mas de algum modo simplesmente seu corpo se moveu e começara a seguir o curioso baixinho de cabelos descoloridos em loiro quase branco que caminhava socialmente trajado de um lado para outro, parecendo procurar uma das saída laterais para o amplo jardim da mansão de festas.


Era notável que os cabelos do pequeno chamavam a atenção, ele mesmo já tinha usado aquela cor quando inventara de tocar em uma banda com Kouyou e sabia o quão inusual era aquela tonalidade na alta sociedade, o que o fizera se questionar quem exatamente era aquele garoto. O menino acendeu um cigarro e sugou o cilindro com nervosismo antes de liberar a fumaça para o ar noturno gelado.


–Ei, menores de idade não deveriam fumar – o Suzuki contestou em um tom brincalhão, ousando se aproximar do pequeno. Não sabia o porquê tanto interesse, mas não era homem de recear fazer algo.


O menor apenas virou os olhos castanhos para si, franzindo o cenho numa carranca.


–Eu já tenho 29 anos, se é com isso que está preocupado – o pequeno rebateu em uma voz rouca e rude — ... você é algum fiscal de festa por acaso?


Akira gargalhou e se aproximou mais ainda, se portando de frente para o menor, colocando suas mãos no bolso e mirando bem as íris castanhas deste...


–Já nos conhecemos de algum lugar? – o Suzuki questionou.


–Seu nome – o outro perguntou.


–Suzuki Akira


–Não, nunca ouvi falar – o menor rebateu por fim, voltando a tragar mais uma vez de seu cigarro.


Akira sorriu animado. O que era aquele calor em seu peito?


–Posso saber seu nome também? – indagou ao pequeno.


–Matsumoto Takanori, sou o responsável pela segurança digital do gabinete de campanha de Shiroyama-san se o que te fez me seguir o salão inteiro até aqui fora foi a curiosidade de saber quem diabos é uma cara com o cabelo loiro numa festa tão chata e cheia de pessoas chatas como essa – Takanori respondeu em notável estresse – Ryou-san insistiu que eu viesse, caso contrário estaria muito mais confortável em casa.


–Ryou, o secretário? – o maior questionou.


–Sim, ele quem me contratou – o Matsumoto respondeu.


–Hum... então você deve ser muito bom no que faz – assentiu em um sorriso gentil — ... eu sou vice-presidente do grupo Takashima, não sei se conhece...


–O terceiro maior grupo de refinadores de petróleo no Japão? Não, com certeza não conheço, eu sou tapado, desculpe... – o menor interrompeu em um bufar impaciente.


–Você é sempre tão arisco assim? Eu estava tentando te fazer uma oferta de emprego – o maior sorriu com a reação estourada do outro.


– Não me leve a mal, eu sei que você deve ter uma tara muito grande por comer caras novinhos para me seguir desse jeito, mas como eu disse, eu não sou um “garoto” e eu não curto caras, já tentei quando era adolescente e não gostei, então porque não tenta azarar outro? Eu juro que não conto pra ninguém que você debanda para o lado rosa da força – Takanori voltou a interromper, o rosto começando a se enrubescer em demonstração de impaciência.


Akira apenas voltou a gargalhar, não era sua intenção se interessar por alguém naquela festa, muito menos por outro homem já que não podia colocar sua imagem em risco, mas com certeza estava bom demais para resistir.


Tirou o cigarro dos dedos do menor, recebendo um praguejo nada educado deste em resposta, e antes que este pudesse saltar para cima de si e pegar o cilindro de volta, puxou a cintura pequena com força, tomando a boca alheia com a sua e adentrando os lábios abertos em palavrões com a língua sem se importar com o gosto de tabaco e hortelã ali.


Takanori se debateu e tentou cerrar a boca, mas a língua do cara era realmente habilidosa para lhe permitir isso, o braço e mão lhe apertavam tão cerrado que mal conseguia respirar e ainda que tenha movido os braços para golpear o maior seus socos simplesmente morreram nos braços deste por falta de ar e má posição para tal.

O Suzuki se aproveitou para aprofundar ainda mais o ósculo, jogando a bituca roubada no chão e forçando a nuca alheia contra o seu rosto, ditando movimentos ao pescoço do outro, sugando o ar de seus pulmões junto à saliva de sua boca. E foi ao sentir o menor fraquejar em seus braços e a língua desde corresponder minimamente com um toque na sua que o maior sorriu, liberando os lábios do pequeno que instantaneamente ofegou por ar.


–Tem certeza de que não gostou de homens ou apenas não souberam te agradar direito?



Yuu sentiu seu coração se aquecer em ver o sorriso de sua pequena daminha de 12 anos de idade mais uma vez depois de tanto tempo, ainda que ter conhecimento de que este não era para si fosse terrivelmente frustrante. Porém, foi ao ver o menino que conversava com a sua pequena se adiantar de um modo muito intimo para uma “criança” e beijar a boquinha de sua menininha ousadamente em um selo que seu gênio difícil e ciúmes de pai transbordaram ao máximo.


O Shiroyama cruzou o salão sem se importar se chamaria a atenção ou se seria visto, andando em passos firmes e postura ameaçadora até o ousado pivete que insistia em ainda deixar os lábios colados nos lábios da sua filha, da sua menininha...


–Seu moleque... – puxou o garotinho de baixa estatura pela gola do paletó pequeno, separando-o bruscamente de Maya.


Os olhos de todos no salão se voltaram para cena, mas o candidato a primeiro-ministro não se importou e jogou o garotinho no chão de qualquer jeito, fazendo este cambalear e levantando a mão para desferir um tapa contra o rosto da criança desconhecida, quando seu pulso foi seguro por dedos finos e brancos e uma voz rugida entre dentes veio de suas costas.


–Ouse fazer isso e eu juro que essa festa vai acabar num ringue de luta – Kouyou ameaçou e os olhos negros do moreno se alarmaram rapidamente, voltando para se franzirem em uma carranca de ódio antes que este virasse o seu rosto e encarasse o rosto bonito e os olhos chocolates do Takashima.


O mundo parou por um segundo e Kouyou sentiu seu peito falhar uma batida antes de simplesmente disparar como louco. Sua boca, antes aberta para ameaças e praguejos, secou em emudecimento e ele só queria entender porque estava sentindo aquilo.


–Com certeza apenas um mal entendido, um pai ciumento naturalmente não gosta de ver sua pequenina ser cortejada de modo tão moderno – Yutaka surgiu no meio do estranho embate congelado, desenhando um sorriso na face pálida e acalmando os convidados surpresos com o acontecido.



–Não falei que uma festa assim com certeza ia dar história? – Hiroto sorriu ao apontar o braço para a cena junto do parceiro jornalista.


–Com certeza, primeira página amanhã.



Um soco foi sentido na face do Suzuki e Akira fraquejou o aperto com o golpe, o que permitiu o pequeno a sair de seus braços e se afastar.


–Vá tentar comer outro rabo sua bicha maluca – Takanori gritou em um fôlego falho, o rosto se avermelhando de ira e constrangimento enquanto o pequeno dava as costas e praticamente corria de volta para o salão cheio que se encontrava estranhamente congelado ao mirar o pequeno “show” do outro lado do local. Porém, o Matsumoto apenas passou direto para a entrada e saída principal, decidido a ir embora de uma vez por todas.



–Olá Takashima-san, desculpe a ação precipitada do meu irmão, tente entender o coração de um pai ciumento – o caçulo Shiroyama ainda tentava apaziguar a tensa situação ao que Miku se aproximava do chefe e lhe segurava o pulso de um modo intimo demais, o que não passou despercebido pelo olhar do Shiroyama mais velho, inflamando-o até transbordar.


–Eu não vou me desculpar, se ele não ensina modos para o filho alguém tinha que ensinar – Yuu bradou em alto e bom tom.


Kouyou então soltou o pulso do mais velho com força, fuzilando-o com o olhar.


–Meu filho é muito bem educado, o senhor que exagerou demais por um simples beijo de crianças – bradou em resposta – estou em sua festa, por isso vou levar isso somente até aqui, melhor não cruzar meu caminho novamente, feliz aniversário – finalizou ao puxar o filho consigo e dar as costas, rumo a sair do salão, ainda sob os olhares surpresos e chocados dos demais convidados.


Miku seguiu atrás do chefe, falando ao celular, provavelmente com o motorista. E foi ao avistar Kouyou marchar como bala em direção à saída que Akira apressou o passo em também acompanhá-lo.


– O que houve? – O Suzuki indagou enquanto corriam em direção ao carro preto já estacionado na frente principal do local.


– Ótima ideia me obrigar a vir, Akira, parabéns, leia os jornais e as revistas de amanhã, ou os sites de noticias daqui duas horas – o Takashima rugiu de volta, sentando-se como ancora no banco traseiro e puxando Riki consigo.


Akira se sentou ao lado do sobrinho de consideração e fechou a porta, mal Miku se acomodou no banco carona e Kouyou ordenou que o motorista saísse dali o mais rápido possível.


– Por que fez aquilo Riki? – o maior indagou ao pequeno assim que saíram do primeiro portão principal do local da festa.


–Maya-chan... eu gosto da Maya-chan, ela está destinada a ser minha – o pequeno respondeu ao enfrentar o olhar censurador do pai.


Kouyou respirou fundo, Riki não costumava enfrentá-lo daquele jeito, mas se tratava-se de algo como “amor juvenil”, com certeza não poderia tratar daquilo com a cabeça quente como estava.


–De todas as meninas no mundo você tinha que gostar de uma Shiroyama, e logo a filha de um cara como aquele? – resmungou em tom audível, arrancando uma risada humorada do Suzuki que apenas começava a entender toda a situação – Do que está rindo?


–Parece que essa noite não foi bem sucedida para nenhum de nós – Akira respondeu ao mostrar a boca cortada e a mancha vermelha naquela região da face.


–O que foi isso? – Kouyou indagou em um franzir de cenho preocupado.


–Levei um soco... por beijar alguém a força – o Suzuki respondeu, deixando-se acometer por uma gargalhada.


Kouyou respirou fundo e mirou as ruas em movimentos lá fora, voltando a fechar os olhos em uma tentativa de se acalmar.


–Shiroyama Yuu... eu odeio aquele cara...



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Sabiam que era errado, sabiam que havia muita coisa em risco ali, mas simplesmente foram incapazes de evitar.


O moreno fechou a porta do quarto de seu apartamento com o pé enquanto sua língua não se deixava sair de dentro da boca do de pele alva e cabelos castanhos. As mãos grossas apertavam a cintura magra e rasgavam o tecido da camisa social deste, já que o paletó e gravata haviam ficado pelo caminho da sala espaçosa do imóvel até ali.


Era errado, era terrivelmente errado.


Os chamavam de “inimigos mortais”, desde o episódio na festa de aniversário do mais velho dois meses antes. Episódio que foi contornado com o humor de “ato de um pai ciumento” se tornando até mesmo popular e fazendo o Shiroyama subir nas pesquisas. Logo se os dois iriam se encontrar em um mesmo evento chovia de reportes e fotos de carrancas de um para o outro, o que gradativamente construiu o conceito de “inimigos mortais”.

Agora só faltava um mês para as eleições e Yuu tinha ciência de que se aquilo fosse descoberto ou se o outro desse com a língua nos dentes, estaria arruinado, e teria arruinado o nome e prestigio de sua família para todo sempre também, mas simplesmente não conseguiu se segurar aquela noite. Não quando o Takashima invadiu o seu carro, se fingiu de seu motorista e lhe falou tudo aquilo.


“Meu filho acredita que estamos destinados a sermos um do outro desde tempos antigos, mesmo que ele conte sobre uma lenda que eu nem sequer conheço ou sei se existe. Pode sorrir, falar que eu estou louco ou o que quiser, mas até mesmo eu sei que há algo estranho entre nós. Porque não é como se meu passado fosse limpo e o fato de me atrair por um homem fosse novidade, mas sentir meu peito aquecer e meu corpo inteiro me sugar para você toda vez que te vejo, isso sim já está mexendo com a minha cabeça. Por isso, me diga, o que você pensa sobre isso?”


A resposta do mais velho? Foi simplesmente dar seu endereço e dizer um rápido “dirija até lá”.


Kouyou sabia que estaria jogando o trabalho de todas as gerações de sua família e principalmente os esforços de seu pai e os seus próprios em manter uma boa imagem para o sucesso de seus negócios caso aquilo fosse descoberto, e havia muitas falhas naquilo que possibilitariam tal coisa. Mas não tinha como evitar, não tinha... seu corpo, coração, mente queriam ter aquele homem para si mas do que quis qualquer coisa na sua vida.


Não conseguia pensar.


Não conseguiam pensar.



Já não havia mais volta.


–Tira a merda dessa roupa de uma vez ... – Kouyou rugiu entre o ósculo intenso ao se ver sem camisa, mas sentir o tecido da camisa, colete e paletó alheios em seus dedos quando tentara apalpar a pele torácica do moreno.


Yuu sorriu de lado e num único movimento deixou o paletó escorregar pelos braços até o piso. Kouyou se adiantou e estourou os botões do colete em um puxão, fazendo o mesmo com a camiseta social do outro ao rasgá-la violentamente, não demorando sequer um segundo até tocar o tórax parcialmente definido, descendo pela lateral da cintura e colando seu peito nu no alheio ao apertar as nádegas macias, ainda cobertas pelas calças, com vontade.


–Kami!... como você é gostoso... – o Takashima gemeu ao sugar o ar com os dentes, sentindo a mão ríspida do moreno lhe segurar as madeixas médias com força e novamente a língua molhada lhe invadir a boca, voltando a lhe sugar o oxigênio a medida que o forçava dar passos para trás.


As panturrilhas encontraram os pés da cama grande e o corpo se sentou no colchão macio por reflexo, separando seus lábios dos lábios cheios.


Kouyou beijou a pele da barriga morena em frente a sua boca e a mordeu deliciosamente como se provasse de algo realmente saboroso. Yuu deixou que o gemido subisse por sua garganta e continuou a segurar os fios alheios em seus dedos direitos enquanto os esquerdos desfaziam o botão de sua calça e desciam seu zíper, abaixando com desespero as peças de roupa, conduzindo a boca ousada que lhe lambia e mordiscava o umbigo mais para baixo.


O Takashima entendeu a mensagem muito facilmente, usando suas mãos para terminar de abaixar as calças sociais e a roupa intima do candidato a primeiro-ministro, sugando com vontade a ponta gotejante da ereção alheia assim que essa se revelou desnuda, afundando o membro até onde conseguia dentro da boca. Fazia anos e anos que não estava com um homem, com certeza tinha perdido a prática.


Mas parecia ser o suficiente para o herdeiro Shiroyama que jogou a cabeça para trás e gemeu languidamente ao empurrar o quadril com força contra os lábios pequenos.


–Boooom... – grunhiu rouco e por mais que pudesse gozar com aquilo, o moreno simplesmente separou a cabeça que lhe dedicava a indecente caricia de si ao arremessar o tronco alvo direto pro colchão, se abaixando para arrancar os sapatos e meias do Takashima antes de lhe puxar calça e roupa intima pernas a fora. Revelando a pele branquinha dali, junto a um bem dotado par de coxas e a ereção rosada no meio delas – Suba – ordenou autoritariamente enquanto finalizava a retirada de suas vestimentas inferiores ao se apoiar consecutivamente em uma perna e em outra, arrancando-as junto com os sapatos caros e meias de algodão. Ao mesmo tempo Kouyou fora andando de costas sobre o tecido macio dos lençóis, mirando com atenção e desejo enquanto o moreno se desnudava e engatinhava sobre a cama, lhe seguindo sem também desviar seu olhar.


Foi só o Shiroyama se pronunciar entre suas pernas que o Takashima tratou de abri-las bem ao que dobrava os joelhos, acomodando o quadril do moreno entre elas, sentindo-o se colar ao seu, e friccioná-los com força, relando suas ereções nas peles alheias.


–Huummmm, por favor... me prepara logo e entra dentro de mim ou eu juro que te jogo de costas e te obrigo a me comer – Kouyou gemeu e ofegou em desejo , ainda que estranhamente jamais tivesse assumido o “papel” de mulher em sua rebelde juventude.


–Odeio seriamente os homens que te fizeram deles... quero matar cada um, e provavelmente o faça se descubro os nomes e identidades... – Yuu respondeu ao erguer o tronco e mirar o rosto e corpo alvo a sua disposição.


Kouyou sorriu de lado e se apoiou nos cotovelos, se esticando para um dos lados a fim de pegar o vidro de qualquer coisa que tinha em cima do criado mudo do candidato, se surpreendendo por se tratar de um lubrificante, levando os olhos indagadores ao provável amante.


–Tenho me masturbado todas as noites pensando em você, tive que comprar um ou minha mão ficaria seriamente inutilizada para os cumprimentos – O Shiroyama respondeu, devolvendo um sorriso totalmente intencional e provocante.


Kouyou lambeu os lábios lentamente, jogando o vidro para o moreno e voltando a se apoiar nos cotovelos.


–Ótimo... – sorriu — .. vai precisar me preparar com cuidado, posso ter comido alguns rabos quando era um rebelde sem causa, mas esse buraquinho ai nunca foi de ninguém... até agora...


O Takashima sorriu do olhar do outro ter se dilatado completamente em luxuria com o que disse, seu corpo todo estremecendo ao ver o moreno em uma feição séria e muito provocante abrir o vidro e despejar em exagero em sua mão, deixando que a substância semi-consistente escorresse e caísse em sua ereção e coxas. Kouyou se deitou e gemeu com o contato frio, abrindo-se mais e deixando sua entrada visível para o amante.


Yuu jogou o vidro para o lado e se apoiou na mão limpa ao se projetar cima do corpo completamente entregue de Kouyou, observando atentamente, com deleite, cada expressão que este fazia ao deslizar seus dedos por suas entre coxas, espalhando o gel até pronunciar um digito pela fenda das nádegas, chegando ao orifício entre elas e finalmente enfiando um dedo. Grunhiu com o modo como o outro estremeceu, gemeu e ainda assim se esforçou para não tirar os orbes chocolates de suas ônixes.


Dali para um segundo e terceiro digito foram minutos proveitosos de olhos nos olhos, gemidos e grunhidos.


–Já ta bom... – Kouyou ofegou ao se sentir ser alargado por três dedos firmemente – se continuar eu... ahh... vou gozar...


Yuu sorriu de lado e retirou seus atrevidos dedos repentinamente, provocando uma reflexiva reclamação do Takashima.


Levantou os joelhos deste contra o abdômen alvo e encaixou seu membro pulsante na entrada que também pulsava, desejosa... lhe chamando...

Começou a se enfiar ali muito lentamente, aproveitando muito bem cada expressão de dor e prazer que o outro fazia ao fechar os olhos e voltar a abri-los. Até que topou o fundo e o calor e compressão eram demais... demais para se manter parado.


Instintivamente mirou o olhar chocolate num estranho pedido de permissão e Kouyou assentiu, liberando completamente a libido do Shiroyama em se arremeter para trás e voltar para lhe estocar até o fundo, repetindo a ação algumas vezes em um ritmo lento, para só então acelerar.


Os corpos suados se chocavam com ânsia e Kouyou se agarrava aos ombros e costas já marcados por seus dedos e unhas, as pernas moles e abertas enquanto os dedos do pé se contorciam nos lençóis desalinhados como se quisessem segurá-los. Gemiam como loucos e provavelmente o estivessem por estarem fazendo aquilo.


–Eu vou... – o jato quente sujou os abdomens próximos em fricção e movimentação, as paredes internas se comprimindo ao redor do membro incrustado dentro do corpo alvo e então o líquido quente também preenchia os espaços existentes ali, levando o moreno a gemer e ofegar por ar após parar seus movimentos.


Yuu se apoiou nos braços trêmulos e mirou fundo as íris chocolates, nunca pareceu que o mundo estivesse tão errado e tão certo quanto naquele momento.

Beijou a boca do amante com devoção e paixão, e, por mais que seus corpos não fossem se recuperar rapidamente, os dois mantiveram-se beijando-se e acariciando-se até que seus organismos voltassem a se ativar.


Como prometera, o Takashima cavalgou o Shiroyama num ritmo intenso que infelizmente os fizera chegar ao segundo ápice rápido demais. Sorrisos cúmplices se desenharam nos rostos cansados e suados, os dedos das mãos unidos enquanto deitavam suas costas nos lençóis e voltavam a se olhar.


Ainda não era o bastante, seus corpos podiam ter um limite, mas seus íntimos simplesmente queriam mais.


Não eram mais adolescentes ou jovens, ter limitações era tão frustrante e ainda assim, naquele momento, parecia que tinham todo o tempo do mundo para esperar.


–Minha vez... – o Takashima sorriu quando sentiu seu baixo ventre fisgar e diante de um interrogador Shiroyama teve certo problema em preparar e penetrar o amante escandaloso e boca suja, sorrindo maravilhosamente com o quão delicioso era lhe fazer amor ainda que este reclamasse e gemesse ao mesmo tempo.


Fazer amor?


Fazer amor?


–Ei... – a primeira a falar fora a voz rouca e quase sem som do Takashima após o terceiro clímax ao meio da madrugada.


Yuu virou a cabeça para o lado e encontrou os olhos chocolates cravados em si novamente.


–Eu não aguento mais, sou mais velho que você... – o Shiroyama sorriu em resposta ao supor que o olhar fixo do outro em si seria um pedido de “mais um”.


–O que nós fizemos? – Kouyou interrompeu, deixando o sorriso na face alheia se fechar em uma expressão séria e pensativa — ... vou perguntar melhor... você me ama?


Um silencio estranho se fez presente e quando o Takashima fechara os olhos em desistência de ter uma resposta, foi quando esta veio.


–Amo.


Kouyou voltou a abrir as pálpebras e sorriu amplamente sem saber exatamente por que.


–Vamos viver o inferno daqui em diante, porque eu também te amo.


Foi a vez do moreno sorrir e forçar o corpo exausto a se mover para mais perto do amado, se apoiando com dificuldade sobre os braços e beijando os lábios pequenos e inchados deste de leve.


–De repente o inferno me parece um bom lugar, se for com você.


FIM



Notas finais
* Mais uma vez eu não tenho conhecimento da Constituição Japonesa, então usei a idade mínima brasileira para candidatura a presidente como regra.
Ok, agora acabou com direito a cereja em cima neh?
O lemon que eu cortei no ultimo cap foi para que não enjoasse ao ler esse lemon, que seria do mesmo casal, então acho que isso responde as perguntas de alguns reviews sobre "deveria ter um lemon hard ali no final neh" hhehe.
Bem, acho que não dei tempo de todo pessoal que curte a fic le o ultimo capitulo, por isso talvez não tenha recebido muito reviews, e eu deveria esperar um feedback maior antes de postar o Epilogo, mas eu to querendo terminar tudo logo, desculpe.
Então, por gentileza se você leu a fic, acompanhou ou apenas leu depois de terminada, deixa um comentariosinho? Faça uma pessoa aqui feliz o que acha?
*-*
Beijos!
Mais uma vez agradeço a todos que dedicaram atenção à história e....
ALELUIA que isso terminou!
o/ o/ o/ o/ o/
Bye!
Você chegou ao fim do livro. Parabéns!