Vijukei No Monogatari

32 Capitulo 24 – Como Deveria Ser - parte 3.1 - Final


Notas iniciais
Oi! *tira teias de aranha*
Boa sorte, leia com tempo, pq neh... ¬¬
Betada por mim, pq estava desesperada para postar logo, espero não ter erros... revisei bastante O.o Se tiver me avisem =]
E neh, Lissa, leia a MP que eu vou te mandar sim?
beijos. Espero que gostem.
Finalmente o FINAL! o/
Dividido em 2 por ultrapassar limite de palavras do Nyah

Capitulo 24 – Como Deveria Ser — parte 3 — Final



–Chegamos... – Kazuki assentiu ao se encontrarem a lateral da propriedade central, não tinham enfrentado muita resistência por aquele caminho, apesar de ser naturalmente o mais longo e mais perigoso devido à cadeia de precipícios e montanhas.



–Uruha está logo a frente, ainda não entrou – Manabu informou ao tomar seu lado — ... parece que a contenção final está impedindo a entrada principal.


–Tanto faz, vamos prosseguir e acabar com isso de uma vez – Kazuki assentiu ao mirar as centenas de mercenários atrás de si. Depois do destacamento ameniano aqueles homens infectados por uma droga ocidental era o que a resistência tinha de mais poderoso. Voltou o olhar para o amado e sorriu convincente — estou ansioso para o nosso felizes para sempre.


Manabu franziu o cenho e resmungou para o lado como de costume apenas para tomar a frente e continuar a marchar em direção às paredes de pedra e madeira da propriedade que parecia uma mescla tradicional do país junto à fortaleza dos materiais ocidentais de construção.


“Com certeza, intimidadora”.


O ameniano concluiu ao olhar para cima e notar que além de muito extensa o “castelo” era ainda muito alto.


–Você até que gosta de ser minha primeira dama, admita Buu-chan– o dono de Gather Roses voltou a provocar enquanto seguia o menor.



–Ser o Kagema* exclusivo do dono do puteiro sempre foi meu sonho – o ameniano comentou em um tom desdenhoso e irônico, mas um sorriso discreto era visto em seu rosto.


–Sempre viveu pelas vontades e ordens dos outros Buu-chan... passou da hora de viver pelas suas, não?



A voz firme e gentil daquele que sabia muito bem ser uma pessoa esperta demais para se confiar, e ainda assim seu coração parou um segundo para disparar como louco logo após.


Kazuki segurou o pulso do menor e o puxou para si assim que percebeu este tomar postura para correr à frente, trazendo as costas alheias para se chocarem contra seu peito.


–E você sempre viveu pelas suas próprias vontades e ordens... por que eu deveria acreditar que estaria disposto a viver pelas minhas? – o ameniano contestou de volta ao erguer o rosto e tentar mirar os olhos do ex-cortesão de baixo pra cima.


Os acessórios metálicos nos cantos da boca do maior se contorceram em um sorriso, mas este não vocalizou resposta alguma.


–Kazuki-sama? – a voz distorcida de um dos homens chamou em alerta e foi então que o líder se dera conta de que um fedor horrível começava a se espalhar pelo local, apesar das gotas grossas de chuva.


–Mas o que... – Manabu praguejou ao voltar seus olhos adiante e mirar o exército rastejando seus pés logo a frente enquanto saiam de dentro do imenso portão... quando ele tinha sido aberto?


O ameniano empunhou sua espada enquanto um grupo do destacamento mercenário saltava para a sua frente. Inconscientemente tampou Kazuki com o seu corpo, ainda que fosse menor, obrigando-o a recuar. Mesmo que o ex-cortesão fosse o líder daquela parte do ataque e tivesse a fidelidade mercenária devido ao vicio em sua droga e ao dinheiro, o proprietário de Gather Roses era o ser mais vulnerável dali, sendo o único totalmente humano.



–Como não os sentiram antes? – Kazuki rugiu para um dos homens encapuzados logo a sua frente.



–Eles não têm presença viva... – Manabu respondeu ainda que a pergunta não tivesse sido para si — ... não é como os mercenários que camuflam sua aura... essas coisas não têm a presença de um ser vivo, apenas a presença normal de um objeto, eles não poderiam sentir, eu posso ... eu deveria ter sentido-os antes, me desculpe, me distraí...



–São os mortos vivos dos quais Uruha falou? Pensei que não tivesse mais deles... – o ex-cortesão rugiu em estresse... aquilo com certeza não estava nos planos, era para o ataque principal distrair a maior parcela da defesa inimiga e eles chegarem até Yuuto primeiro....


“Yuuto deveria estar desesperado em arrancar a cabeça do Uruha agora... não em proteger uma entrada lateral quase inacessível....”


–Nao-san falou que Yuuto conseguira o apoio chinês... não enfrentamos nenhum estrangeiro até agora, pensei que Yuuto concentraria sua força para matar Uruha-san de uma vez, mas... – o ameniano começou a explicar enquanto recuava passos cuidadosos atrás da primeira linha mercenária.... aquelas coisas eram lentas daquele jeito?



–Hunf... então foi isso que Yuuto fez a seus aliados... – Kazuki sorriu em ironia — ... eles são lentos assim mesmo?



–Não foi o que Uruha-san disse... – Manabu respondeu.



–Não parecem grande coisa – Kazuki deu de ombros ao se manter parado e forçar o menor a não mais recuar — ... vamos avançar, arranquem as cabeças fora e abram caminho — ordenou ao seu exército que assentiu unissonante e saltou direto para cima da marcha mórbida inimiga, iniciando um ataque voraz e rápido onde pedaços de carne e ossos começaram a voar para os lados de modo contínuo.



Kazuki voltou a segurar o pulso ameniano ao notar que este também se projetara para fazer o mesmo, novamente trazendo-o para si.



–Você fica ao meu lado, vamos juntos até Yuuto – o ex-cortesão ditou em firmeza e elegância enquanto puxava o menor consigo em uma trajetória à frente.



Manabu não contestou, mas usou sua força vantajosa para puxar o maior de volta e em um segundo Kazuki se viu sendo acomodado duramente nas costas menores.


–Vai ser mais rápido assim, não se ache o macho alfa aqui – o ameniano bufou de lado e o ex-cortesão só pode sorrir audivelmente antes de sentir o impulso do menor saltando em direção à majestosa construção inimiga, passando entre os focos de lutas na batalha contra aquela bizarrice de mortos caminhantes.



Um pouco mais ao longe, um grupo considerável vestido em vermelho e preto se mantinham parados, apenas observando o disputa grotesca entre mercenários e aquelas criaturas mórbidas.


A “jovem” sacerdotisa cerrou o olhar, se Yuuto tinha descartado seu “apoio chinês” daquele modo... só significava uma coisa.


–Jóia das lamentações... Ele pretende tentar abrir o portal para o mundo imortal novamente... sem o sangue de um imortal, como...?



Os orbes castanhos se alarmaram em suas órbitas e por um segundo a imagem de uma sala muito escura e protegida por diversos selos dentro da barreira da resistência, há muitos quilômetros dali, veio a sua mente.


–Como? – a mulher questionou para si mesma — ... não há como retirá-lo de lá e ainda que o consiga, não há como desfazer o selo sem ...


Mais uma vez a mulher se sobressaltou. De fato o filho o Takashima estava “desaparecido” de acordo com o próprio ameniano...


“Maldição...”


–Vamos avançar sem nos envolvermos nisso, o número dessas coisas é grande, mas não parece nada intimidador – Oboru ditou para seus subordinados — ... nosso objetivo é Yuuto, e o quanto antes.



–Hai – as mulheres e homens assentiram antes de desaparecerem.



“Aproveitar o caos desse ataque estava em seus planos desde o inicio.... seu maldito...”


O bruxo jamais pensara em vencer contra o exército resistor.


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A respiração funda veio do peito do líder ameniano apesar de que provavelmente ninguém notaria tal indício de nervosismo. Não com a tensão quase palpável ali.


Kouyou ergueu sua espada e a abaixou em sentido posterior dando o sinal para a frente de batalha hibrida avançar. E foi o que esta fez, junto aos restantes guerreiros da extinta Akai Ame e poucos mercenários presentes.


–Preparem-se – Aoi ditou para seus homens a sua frente e laterais. Dera tempo somente da ordem ser finalizada antes que o primeiro meio youkai tivesse seu golpe bloqueado por um de seus soldados modificados.


Em compensação seus subordinados humanos pareciam se esforçar muito para se agruparem em equipes e resistir ao ataque inimigo.


Como Yuu previra, o número deles não era vantajoso, eram poucos, isso era visível, mas a foça desses poucos era uma ameaça e tanto. Por sorte haviam apenas 4 daquelas criaturas mercenárias que arruinaram seu antigo exército dragão. Só não gostava de não saber onde estava o resto...


–Protejam a entrada, assim que Kai mandar o sinal nós partimos, até lá... não deixem ninguém entrar, verifiquem a entrada leste também – Yuu ditou ao Sakamoto e ao Amano e estes apesar das faces torcidas assentiram em confirmação.


–A entrada leste é responsabilidade de Yuuto e dos chineses, não será nossa responsabilidade se algo entrar por lá, vamos apenas proteger essa entrada — Tora corrigiu em firmeza, e Aoi somente dedicou um assentir compreensivo, não era como se quisesse se esforçar para proteger aquele bruxo, se ele não estivesse com seu pai e filho sob controle...


Os olhos do general fitaram novamente o líder Takashima ao longe, e, apesar da distância, sabia ler exatamente o que a expressão do outro lhe dizia.


–Uruha ainda não se movimentou... – Saga apontou em curiosidade – geralmente ele se voluntaria para estar na frente de batalha não?


–Pelo visto ele compartilha de sua opinião – Yuu sorriu fraco em amargura – ele está me esperando – o shiroyamiano ditou por fim, dando poucos passos certos para frente, empunhando sua espada de lâmina negra enquanto o tecido escuro e molhado de seu kimono de mangas curtas se movia estranhamente na região de suas costas. Logo o pano era rasgado e estruturas bizarras também de coloração enegrecida saiam dali.



–Argh! – Saga torceu o rosto em uma careta, só havia visto aquilo uma vez em sua vida e não queria ver de novo – ao menos ele está mesmo levando isso a sério...


Só então os novos membros nas costas do general pareceram tomar forma e a semelhança com asas feitas de ossos, carne e uma pele enrijecidamente em coloração preta era vista, se abrindo majestosamente para os lados.


Kouyou inconscientemente deu um passo para trás quando os onixes do Shiroyama brilharam em vermelho e este levantou voo ao literalmente bater suas enormes asas com força. O corpo ameniano tremeu em antecipação, de algum modo, dentro de si, algo sabia que naquele momento... Aoi levaria o confronto a sério.


O metal prata da armadura shiroyamiana reluziu opacamente debaixo da chuva e o cabelo negro ensopado se colava a sua testa e nuca. Em uma batida de asas o general já estava acima do líder da resistência, ainda que os pingos grossos da precipitação lhe diminuíssem a estabilidade.


–Kou... – Yuu chamou uma última vez, mas antes mesmo de terminar seu apelo o ameniano já concentrava sua energia e saltava em meio a um redemoinho de vento e água para lhe desferir um ataque.


Aoi bloqueou a lâmina rubra com a sua negra e mirou os orbes carmesim em frente aos seus. Opacos... estavam completamente opacos. Dezenas e choques entre suas espadas, provavelmente eram poucos que poderiam acompanhar a velocidade do confronto.

Uruha voltou ao solo, apenas tomando mais um impulso e retornando à frente do general totalmente confortável em planar àquela altura. Desferiu mais uma golpe e prendeu o fio negro com a sua arma rubra, levando uma das mão sutilmente para cima.


Aoi sentiu os dedos finos se aproximarem de seu rosto moreno e o virou em reflexo ao identificar um estranho selo começar a se desenhar diante de seus olhos. O início de uma explosão foi sentido e o general shiroyamiano foi rápido ao arrastar sua espada para baixo e atingir a barriga desprotegida do amaniano, cortando o tecido de sua roupa e carne, impedindo-o de finalizar seu ataque e provocando a sua queda imediata ao descer o punho livre em uma martelada.


Ainda assim a metade do selo feito entrou em combustão e antes que pudesse se afastar a figura incompleta explodiu, seu rosto sendo atingido. A estrutura de metal que cobria parte de sua face esquerda e pescoço estourou em pedaços, a pele e carne de sua bochecha se queimando junto.



Uruha também já não hesitaria mais.



Um grito mudo saiu da garganta ameniana quanto este chocou seu corpo e costas no solo enlameado, provocando uma erosão significativa do local, a mão de dedos finos foi involuntariamente ao ventre em resposta ao corte fundo ali. Por sorte sua regeneração estava incrivelmente rápida, os selos vinhos em suas coxas não foram atingidos, além de que, nada parecia estar realmente doendo.... oTakashima em si não estava sentindo muito daquilo.


Os olhos se fecharam e ao se abrirem o globo anteriormente branco começara a se tornar negro, assim como os símbolos gêmeos em suas pernas começaram a diminuir de tamanho. Antes que sua ferida terminasse de se curar Uruha já se colocava de pé, era a primeira vez que aquele corpo era atingido desde o inicio daquela batalha.


Aoi retirou a franja molhada da pele queimada, sentindo-a arder como ácido enquanto esta se regenerava, ainda não havia se acostumado totalmente àquele corpo hibrido e monstruoso. Os rastros das cicatrizes anteriores ainda se mantinham como sempre, e a marca negra que Uruha lhe deixara anos antes também se destacava no meio da carne esfumaçada ainda por se regenerar. Impulsivamente o shiroyamiano arrancou o pequeno pedaço de metal restante em sua nuca e cobriu a metade do rosto deformada com o braço. Voltou a mirar o ameniano já de pé abaixo de si, desafinando-lhe com um olhar de pura ânsia assassina, e sorriu fracamente para seu ítimo. Idiota de sua parte ainda querer esconder suas ‘feiúras’ do outro quando tudo que este via era apenas um inimigo.



Liberou o fragmento metálico no ar e retirou seu braço livre da frente de sua face, a pele amorenada já nascendo novamente para cobrir a queimadura profunda, mas as linhas vermelhas e altas em seu pescoço e mandíbula assim como o desenho negro próximo ao canto esquerdo do olho permaneceram ali.



Kouyou tomou forma uma terceira vez e saltou, desta vez golpeando a espada do moreno três vezes antes de se movimentar no ar em uma rajada molhada de vento, se pondo às costas do mais velho e tomando parte da roupa rasgada ali atrás em sua mão, puxando-o para baixo consigo quando começara a despencar novamente.



Aoi saltou verticalmente para trás, manobrando habilidosamente com suas asas, e ao invés de descerem, levou o ameniano consigo para um voo mais alto e rápido. Kouyou acabou por soltar o tecido entre seus dedos, mas antes que pudesse agilizar sua volta ao solo o shiroyaminano virou-se para si, flutuando rapidamente para trás, deixando o cabo da espada entre dois dedos enquanto formava com as duas mãos um selo no ar — um dos poucos que aprendera com a leitura traduzida do livro que seu irmão lhe dera poucos meses depois de transformá-lo naquilo.


Logo uma barreira se formou a sua frente, envolvendo o Takashima e impedindo-o de seguir sua rota para baixo, prendendo-o.


Kouyou sentiu o corpo se chocar contra a parede translúcida em vermelho e assim que colocara sua mão sobre o limite para desfazê-lo a fronteira transparente se tornou fogo, obrigando-o a se afastar. Porém, logo o domo ao seu redor também se inflamava e chamas o circundavam por todos os lados, prendendo-o ao centro muito limitado da esfera.


Uruha fuzilou o general, que planava a sua frente, através das chamas e Aoi não refreou um olhar triste para si, se mantivesse aquilo por muito tempo o ameniano simplesmente morreria por falta de ar. O fogo também o impedia de ter contato com oxigênio suficiente para realizar algum selo, já que sua força provinha do ar atmosférico... então...


Os dedos shiroyamiano falharam por um segundo e as chamas foram reduzidas por um momento, apenas para não esgotar o ar restante para seu companheiro dentro da cela em globo.


Aoi respirou fundo e seus orbes vermelhos se alarmaram quando notou o Takashima se lançar contra a parede inflamada de sua barreira, queimando-se a si e à sua roupa, mas tocando suas mãos no limite e parecendo utilizar o pouco oxigênio restante ali dentro para desenhar um selo e desfazer sua prisão.



As paredes foram se desintegrando gradativamente e a menor oportunidade de escapatória Uruha trespassou pelo buraco crescente, agilizando sua volta ao solo. Nos céus não tinha vantagem alguma, nem que flutuasse seria tão rápido quanto asas totalmente feitas para aquilo.


O pouso foi sentido devido às queimaduras no corpo, o joelho avermelhado batendo ao chão. Pedaços de sua armadura de couro despencaram no solo de lama e assim que se pôs de pé Uruha também fizera questão de se livrar de metade de sua parte de cima do quimono, que já tinha as chamas apagadas pela chuva forte. As calças também haviam queimado até o joelho e a água que caía do céu impedira de mais de seu traje ser consumido pelo fogo. A pele esfumaçada e vermelha começou a voltar a sua forma anterior e o ameniano não esperara o findar de sua recuperação para fazer sua espada desaparecer e juntar suas mãos com exatidão.



A respiração pesada, a mente em branco, vozes estranhas lhe falando ao ouvido... então tudo se tornou completamente vermelho...


A criatura de asas que planava a metros acima de si deveria morrer... todos deveriam morrer...



Reita terminou de ajudar seu companheiro a finalmente matar um daqueles rápidos e fortes estranhos soldados e por um momento se permitiu lançar o olhar para a batalha que fazia seu shamas estremecer... presenças fortes e ameaçadoras demais vinham daquele ponto.



Saga e Shinji também olhavam assustados o confronto ao longe, tentando acompanhar a velocidade com que tudo acontecia sem ter muito sucesso. O Sakamoto foi o primeiro a conseguir desviar o olhar e analisar a situação do resto da batalha... eles estavam avançando... não conseguiram muito mais tempo. Os orbes hanianos olharam nervosamente para trás, em direção às majestosas portas duplas escada acima...



–Onde está aquele maldito cientista maluco? – rugiu entre dentes, despertando o abobado Amano ao seu lado.


De repente o vento começou a se tornar mais forte e as gostas misturadas a ele abriram uma fenda pequena no rosto do tigre, chamando sua atenção novamente para a luta.



Um selo vermelho era desenhado ao chão, paralelo com o selo que as mãos do ameniano emanava e tudo ao seu redor começou a se tornar terrivelmente tempestuoso, como um furação.



–Ele vai fazer isso com a gente aqui?! – Ruki exclamou em espanto, mirando o Suzuki ao seu lado com expressão semelhante.



–Jin, vamos recuar e nos afastar... – Reita se apressou em gritar para o líder meio youkai alguns metros ao seu lado – Uruha está fora de controle, todos vamos morrer se ficarmos próximos.



Jin terminou de arrancar uma última cabeça do corpo de algum soldado e assentiu ao comandante ameniano, ditando a ordem para seus subordinados e avançando em direção àquela onde o Takashima se encontrava.



–O que ele está fazendo? Eu disse para ele se afastar – Reita rugiu em um avançado descontrole também.



Ruki segurou o pulso do companheiro com força e o trouxe para perto de si.



–Vamos sair daqui, Jin provavelmente vai tentar passar por Uruha e sair dos muros para parar o avanço de Byou e dos outros.... eles já devem estar chegando e se entrarem enquanto Uruha ainda estiver desse jeito... – a raposinha começou a explicar enquanto puxava o maior consigo na intenção de se distanciarem.



–Argh... tanto faz.... – Akira vociferou por fim, pegando o menor em seus braços e agilizando sua fuga depois de saltar o alto muro que protegia aquele pedaço de território.



–Eles fugiram...? – Saga questionou em estranheza.



–RECUEM, RECUEM, SE ABRIGUEM DENTRO DA PROPRIEDADE CENTRAL – ouviu um desesperado Shinji gritar enquanto passava por si, tomando seu pulso entre os dedos e obrigando-o a ir consigo enquanto subia as escadas.



–O que está fazendo? Não podemos abri-la.... – Saga questionou em nervosismo.



–Se ficarmos aqui morreremos.... – o tigre vociferou para o amante – até mesmo eles fugiram.... boa coisa não é – continuou ao jogar o menor de um lado das grandes portas enquanto corria para o outro para acionar a abertura – anda rápido – gritou em direção ao Sakamoto.



Saga assentiu em confirmação ao colocar suas mãos sobre o pequeno suporte de pedra a sua frente, enquanto o Amano colocava as suas sobre o suporte do lado oposto. Um olhar rápido e nervoso foi trocado antes de ambos se utilizarem se sua força para empurrarem os dois suportes para baixo, fazendo-os entrar no chão molhado ao que as portas duplas se abriam.



Os soldados corriam em direção aos dois lideres, subindo a escada de modo rápido, mas apenas aqueles do destacamento dragão e os mais próximos já haviam chegado.



O vento se tornou cortante e ao seu redor qualquer coisa era despedaçada logo após de ser mandada para o ar. Alguns soldados que haviam se mantido na frente de batalha tiveram seus corpos dilacerados e Jin avançou rapidamente para o lado, saltando o muro antes que a tempestade de ventos lhe alcançasse, conseguindo escapar por muito pouco enquanto mirou há alguns metros o avanço de seu ex-dono, correndo para alertá-los a fugir.



Aoi se envolveu em uma barreira e subiu mais alto, se mantendo fora do alcance do ameniano... seu coração batia como louco e depois de tudo ele mesmo não queria acreditar no que via... Uruha faria o mesmo que fizera com seu exército quatro anos antes? E agora sem nenhuma barreira para delimitar o campo de ataque? Simplesmente mataria qualquer coisa a sua volta? Seus soldados, amigos, parceiros... todos?


Aquele não era o Kouyou que conhecia.


“Ele não é o Kouyou.... ele não é....o meu Kouyou”



Um olhar de fúria se abateu sobre o semblante do general shiroyamiano ao ver mais de seus subordinados serem despedaçados assim que os ventos os atingiam, ao ponto que suas unhas se tornaram garras e seu globo também começar a se tornar escuro. Sentia seu peito arder.


O moreno fizera a esfera que o rodeava se inflamar, desta vez com as chamas voltadas para o lado de fora, o rosto se deformando em veias negras enquanto o fogo ao seu redor se expandia e se mesclava aos ventos cortantes.



–Merda...! – Tora exclamou ao prever o que diabos aconteceria ali e em um passo rápido chegou ao lado oposto das portas, puxando seu ‘neko-chan’ consigo enquanto adentravam junto aos soldados que já haviam chegado a propriedade central, na qual supostamente não deveriam deixar ninguém adentrar.



O fogo se alastrou nas correntes de ar muito rapidamente e os homens que ainda não haviam subido a escadaria foram tragador para o centro do furacão escaldante, tendo sua carne queimada logo após de despedaçada.


Tora e Saga sentiram seu sangue virar gelo.... aquela com certeza era uma forma muito dolorosa de morrer... num surto amedrontado ordenaram o fechamento das portas. O material espesso e pesado destas começou a se fechar, mas os ventos em chamas pareciam se aproximar mais rapidamente do que estas se cerrariam. Tora institivamente segurou a mão do Sakamoto ao seu lado e o puxou para caminharem para a lateral do corredor de entrada.


Assim que saíram da reta das portas o fogo e vento ainda conseguiram adentrar pela fresta restante para o trancamento, atingindo aqueles que puxavam os suportes laterais de dentro para fechá-las e alguns soldados que não haviam se afastado o suficiente.



Tora previu que não daria tempo e jogou o amante no chão enquanto protegia este com seu corpo ao jogar-se por cima dele. Sentiu o primeiro corte quente em suas costas e mordeu o lábio para não gritar, apertando os punhos com força enquanto enfiava o rosto dos cabelos curtos do amado.


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A pequena fingia se manter calma apenas para não desesperar as duas amigas. Se não tivesse que protegê-las provavelmente teria dado um jeito de se embrenhar na marcha do pai adotivo e ir até seu irmão por conta própria, mas Uruha fora esperto ao fazê-la responsável pela segurança de Lovelie e Jewelie.



Os moradores e civis que haviam ficado também estavam temerosos. Do resultado daquela guerra dependia a vida de todos ali. Maya sentia o medo deles toda vez que saia às ruas para visitar o ameniano que ficara no comando de tudo, até o retorno dos outros, em busca de notícias e tinha vários moradores curvando-se para si como se de algum modo ela pudesse ajuda-los a se livrar de todo aquele temor.


Assim como as pequenas que dormiam agarradas a si depois de chorarem por saudades de Ruki-san e Reita-san...


–Eu não posso aliviar o medo e a dor de ninguém... – a pequena hibrida murmurou tristonhamente e uma lágrima humana saiu de seus olhos — ... eu também estou com medo...Papai...



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O sussurro do subordina ao manter o cientista a par das notícias deixou o caçula Shiroyama terrivelmente mal humorado. Kai levou as mãos aos vários frascos de cerâmica em cima de uma mesa próxima e o barulho destes despedaçando-se ao chão fez o pobre soldado se retesar.


O Yutaka então respirou fundo e ajeitou o cabelo curto atrás das orelhas, desenhando um sorriso fino e falso no rosto.


–É pedir demais para que mantivessem tudo sobre controle por mais dez minutos? – o cientista rugiu entre dentes, caminhando em passos rápidos até o corpo deitado do Kazamasa – não podia se regenerar mais rápido também? Assim não vai suportar nem uma hora...– destilou em enfado, ainda que soubesse que a culpa da demora em finalizar o fechamento da ferida do maior se devia a não total eficácia do “veneno” que inventara.


“Amostras de teste nunca são total sucesso...”


–Argh! Vai assim mesmo – ditou ao mirar o pequeno buraco ainda presente no peito desnudo de Kohara. Por fim pegou uma das seringas de metal sobre a mesa lateral próxima e a fincou no coração ainda não completamente regenerado do maior, embebendo o corpo alheio com mais uma de suas substâncias.


–Saía daqui e libere todo o caminho até o salão principal – o Shiroyama ditou para o subordinado ainda petrificado dentro do laboratório e este assentiu prontamente antes de sair correndo porta a fora.


O olho presente no Kazamasa se abriu ao que este se arqueou em uma respiração funda e desesperada, a ferida no peito liberou um esguicho fino de sangue e o Yutaka se apressara em colocar um pedaço de curativo de pano, colando-o com algum condimento espesso ali.


–Odeio usar brinquedos tão uteis nesse estado, mas a situação requer algumas adaptações – Kai suspirou em chateação – e Nao tinha me dado um presente tão bom... espero que ele não se chateie ... – sorriu em ironia.


“Como se essa não fosse a intenção!”


Shou começara a gritar desesperadamente, as mãos indo para o buraco na face onde deveria estar um globo ocular e apenas um espaço negro se encontrava.


–Aguente, ele já deve estar a caminho... – o Shiroyama resmungou diante do escândalo do maior — ... esse olho simplesmente não permite que seu portador viva sem si... – sorriu de lado – deve estar doendo como o inferno... – se muniu de mais um tecido, dessa vez embebendo-o de um líquido alucinógeno, forçando-o contra as narinas alheias — ... escute, Kohara – rugiu ainda que o outro não tivesse parado de agonizar. Kai levou os dedos ao olho direito do maior, observando a pupila dilatada e o avermelhar dos capilares no globo branco – ótimo... ouça, Kohara, você vai seguir minhas ordens, minhas ordens entendeu? Me diga agora o que você vai fazer?


Um barulho estrondoso foi ouvido e algo passou pela porta maciça do cômodo, abrindo um buraco nesta.


O globo ocular preso no objeto de metal se manteve flutuando acima do rosto de seu portador e antes que o Kazamasa o pegasse Kai tomara a aranha metálica que o prendia em sua mão.


–Me diga Kohara, o que você vai fazer? – perguntou novamente e um entorpecido e agonizante Kazamasa rugiu em resposta


– Seguir suas ordens...


Yutaka sorriu satisfeito e apertou o centro do objeto em sua mão, a aranha abriu suas oito patas e o globo praticamente desapareceu dali enquanto voltava a se encaixar no lado esquerdo da face de seu hospedeiro.


Shou sentiu sua córnea e ligamentos se entrelaçarem ao olho e repentinamente sua insuportável dor desapareceu, restando apenas a tontura e falta de foco provocados pela droga que inalara.


Kai retirou uma singular armação com pernas de madeira e lentes transparentes nos lugares dos olhos, observando cuidadosamente seu brinquedo se levantar.


Kohara colocou o cientista em seu campo de visão, franzindo o cenho para este, mas não manteve o olhar por muito tempo, ainda mais quando estranhamente não surtira efeito algum no Shiroyama e quando seu cérebro parecia simplesmente absorto com a voz do menor.


–Não adianta, essa coisa precisa de contato direto com a retina ocular – o cientista sorriu em contentamento — ...me diga... o que você vai fazer agora? – questionou ao tomar o rosto suado do Kazamasa em sua mão, mirando o olho negro selado em vermelho bem de perto.


–Ordens... vou seguir suas ordens...


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O bruxo sorriu eufórico ao pegar o pergaminho que flutuava acima do portal aberto pelas amenianas. O peito batia excitado e finalmente seu objetivo e de seu Joshua estava a um passo de distância.


Trilhou triunfante para fora das portas duplas da sala acoplada, e seu sorriso morreu assim que adentrou seu salão principal e notou a falta do artefato contendo o olho e de Fukaku ao lado de seu trono, além das portas laterais direitas abertas.


– O que você fez? – rugiu para o amante parado na extremidade esquerda da grande sala, enlaçando o pescoço deste entre os dedos de sua mão livre, apertando-o em asfixia enquanto levantava o corpo levemente menor do chão.


–Não fiz nada... – Rui respondeu em um fôlego falho – o olho saiu voando e... Fukaku-san... apenas correu atrás dele... quem deu a ordem para ele protegê-lo foi você...


O bruxo arremessou o monge em direção à parede lateral. Rui aterrissou de forma atrapalhada, abrindo um sorriso charlatão para o feiticeiro.


Yuuto respirou fundo e mirou o pequeno Takashima ainda tentando lutar contra sua barreira média que o prendia ao redor de sua adorada mesa redonda. Apertou o pergaminho entre seus dedos e se lançou em um flutuar rápido até o pequenino, fazendo este o encarar de modo fechado ao que dava passos para trás.


Mas o bruxo já não tinha mais paciência nem tempo para nada.


Adentrou a própria barreira e estendeu o objeto selado em direção ao menor.


–Abra – ditou em um rugir menos furioso.


Porém, o pequenino hibrido apenas deu mais passos em recuo, topando suas costas na grande mesa atrás de si e cruzando os bracinhos em negação.


–Riki-kun não sabe, e mesmo que soubesse não obedeceria o homem mau.


Yuuto bufou audivelmente em um olhar totalmente impaciente, erguendo sua mão de modo rápido.


Por dentro da manga longa da manta algo parecido com uma lâmina fina e escura tremendamente longa saiu, acertando o espaço entre a cabeça e ombro do pequenino em sua frente.


Para sua surpresa e ira a ameaça não fizera a criança nem ao menos piscar os olhos.


Riki sorriu fino em desafio... não havia dúvidas de que a prepotência Shiroyama habitava ali.


– Se homem mau fizer mal a Riki-kun, quem vai abrir o pergaminho? – Riki questionou espertamente e o feiticeiro arqueou uma sobrancelha, retribuindo o sorriso confiante do pequeno. O garoto tinha talento e fibra... mas crianças eram apenas crianças no final das contas.


Logo a lâmina do bruxo se recolheu e voltou a se esticar, agora em direção a lateral onde acertara em cheio o lado direito do peito do mumificado Hitoru de pé naquela posição.


O velho Takashima reclamou mudamente de dor. Porém, o ataque não parau somente naquela ferida e logo a lâmina se recolhia e crescia para distribuir mais buracos por seu estômago e barriga.


Os olhinhos negros do pequeno hibrido liberaram lágrimas humanas involuntariamente e apesar deste ter se esforçado ao se lançar contra o bruxo e tentar mudar a direção do braço deste, sua força parecia ser menos que uma picada de inseto ao maior.


–Se Riki-kun não obedecer, o vovô do Riki-kun sofre – Yuuto voltou a falar friamente – ou Riki-kun já quer se despedir do vovô mesmo que tenha acabado de conhecê-lo? Eu sei que já Riki-kun sabe usar selos complicados ...


O pequeno em pranto e sem escolha soltou o braço estirado do adulto, o rostinho encharcado e os olhinhos entristecidos.


–Riki-kun abre – o pequenino assentiu, provocando um sorriso satisfeito do feiticeiro que recolhera sua arma por definitivo, deixando o corpo completamente esburacado do ameniano despencar ao chão, enquanto começava a se regenerar lentamente.


Voltou a estender o pergaminho ao menor. Riki engoliu o choro de modo muito lento e levantou sua mãozinha em direção ao objeto.


Um trespassar cortante de vento se infiltrou na barreira e atingiu o pergaminho na mão do bruxo antes que o pequenino o tocasse, fazendo-o voar.



Yuuto fuzilou a origem do golpe e apertou os dedos vazios com muita força.


–Quase... não sei como conseguiu isso, mas não vai ser do jeito que você quer Yuuto... – os olhos de Kazuki sorriram de modo convencido já que seus lábios eram ocultados pela máscara – você cuida do monge? – perguntou em direção ao amante ameniano e teve sua resposta assim que o menor se materializou na frente do charlatão religioso.


Logo alguns dos mercenários que haviam finalizado a batalha anterior se colocaram ao lado do proprietário de Gather Roses e este empunhou sua nova e singular espada de tamanho exagerado e ainda assim de aparência leve.


–Sabem o que fazer – ditou aos subordinados, estes não tardando em avançar para cima do bruxo que baforou audivelmente em ira antes de reforçar a barreira ao redor do pequeno hibrido e sair para o confronto, explodindo a cabeça de uma das criaturas ao enlaçar o pescoço deste com um dos tentáculos que lhe começavam a sair pelas mangas... não deveria ter feito tanto estrago em Hitoru... ao menos lhe pouparia de lidar com aquela escória.


Kazuki se apressou em correr pela lateral e fixar uma discreta estaca ali, um circulo familiar desenhado na extremidade desta. Yuuto captou o movimento do ex-cortesão e deixou um urro de ódio sair de sua garganta ao finalizar mais uma das criaturas que ousava lhe atacar.


Até parece que cairia naquele truque.



Manabu encarou Rui muito cuidadosamente, estranhando a falta de reação deste.



–Não vai ajudar seu senhor? – o ameniano questionou ao maior.


–Eu vou? – Rui respondeu em um sorriso de lado, sumindo diante de seus olhos e reaparecendo na outra extremidade do grande salão, onde o pergaminho repousava, pegando-o entre seus dedos antes que Kazuki chegasse até este.


O ex-cortesão fincou a terceira estaca no ponto certo e fuzilou o monge mais a frente em posse do selo que não fazia ideia de como havia parado ali.


–Buu-chan, pensei ter ouvido que cuidaria dele amor – repreendeu o amado de modo enfadado — ... tanto faz.... – deu de ombros ao apontar a espada em direção ao religioso e antes que este pudesse desaparecer novamente um jato curto e cortante de vento saído da arma atingiu sua mão, cortando os dedos que seguravam o médio papiro branco e preto entre eles.


Rui franziu o cenho com a dor e se apressou em saltar na direção onde o pergaminho e seus dedos voavam, mas teve sua trajetória impedida por um golpe certeiro de Manabu, sendo arremessado contra a parede.


–Não entendo aonde quer chegar, se não está fazendo isso por amor a esse bruxo... por que... – Manabu questionou em um cerrar de dentes.


Rui apenas voltou a sorrir e fez seu báculo surgir na mão não dilacerada, apoiando-se no instrumento acobreado para se por de pé.


Kazuki ergueu as sobrancelhas em alarde ao ver o bruxo feroz despedaçar seu último mercenário... tinha sido mais rápido do que planejara. Onde estavam os demais? Ainda lutando com aquelas coisas?


“Maldição... sem chance do Uruha fazer sua entrada triunfal por agora?”


Olhou o pequeno herdeiro preso ao lado do trono, diante da mesa redonda. Deslocou o olhar até o ponto onde deveria colocar a última estaca para preparar tudo, atrás da poltrona de metal, e, finalmente mirou o pergaminho embebido de sague e dedos mortos mais a esquerda desta... tinha que decidir o que seria prioridade ali... impedir Yuuto de pegar o papiro e finalizar a armadilha disputavam a frente de sua escolha.


“Como isso foi parar aqui?”



Se decidiu por ir em direção ao pergaminho e apressou sua corrida em um cálculo rápido de se conseguiria ou não tal coisa antes do bruxo chegar a si. Deveria arremessar o objeto para seu amado e sabia que este seria bem sucedido em sair dali sem ser pego.... só esperava conseguir fazer o mesmo antes de ser esmagado por aqueles tentáculos do feiticeiro.


Se arriscar a tal sacrifício por algo não era do seu feitio, realmente não sabia o que estava acontecendo consigo.


Saltou para se empunhar do papiro e o arremessou em direção ao ameniano assim como planejou. Rolando para o lado antes que os tentáculos de Yuuto o alcançassem e utilizando sua nova espada para se proteger enquanto arremessava a última estaca no ponto certo. Infelizmente não a acertou e se rastejou desesperadamente para trás da barreira feita pelo próprio bruxo na intenção de se defender.



–Kazuki-san – Riki chamou ao se lançar contra o limite da prisão translúcida, mas o ex-cortesão só tinha a saída do salão em sua visão... teoricamente o plano era apenas colocar as estacas nos lugares e fugir, o resto era responsabilidade de Uruha, mas a presença daquele pergaminho com certeza fizera sua “estadia” ali mais longa do que devia. Estar sem mercenários e apenas com sua espada – que de fato fora um ótimo investimento — ... não era uma situação nada favorável.


Tinha habilidades em lutas, mas até mesmo ele sabia que não tinha chance alguma contra Yuuto, simplesmente porque ainda era humano. Foi então que seus olhos foram mais para o lado e identificaram a figura que já não deveria estar mais ali.


–Que merda você está fazendo? – Kazuki rugiu para si mesmo e voltou a rolar para o lado em intenção de fugir do ataque do bruxo.


Manabu sabia que deveria ter corrido para longe e mantido aquele pergaminho em segurança... como não reconheceria o selo de Omi-sama ali?... entretanto...


Saltou em direção ao ex-cortesão e livrou este de mais um ataque dos tentáculos grotescos antes de coloca-lo para trás de si.



–Era para você ter fugido, idiota – o proprietário de Gather Roses rugiu em ira – nem eu nem você vamos conseguir derrota-los sozinhos...



Mas antes que o ameniano pudesse responder qualquer coisa uma lâmina negra e fina lhe perfurou próximo ao ombro, atravessando seu corpo e acertando em cheio uma de suas marcas a mostras nas costas.



Yuuto recolheu sua lâmina entre seus tentáculos e trouxe o corpo do menor para si diante de um olhar desesperado do ex-cortesão. Tirou o pergaminho da mão cerrada do ameniano e jogou o corpo para o lado, lançando um olhar totalmente entendível em direção ao monge em ordem de que ele deveria terminar com aquele chamando Manabu.


–Espere... – Kazuki gritou do outro lado do salão — ... eu posso ajuda-lo... – lançou a mentira em uma concentração tremenda de não demonstrar seu nervosismo em ver o monge apontar seu báculo ao peito de seu amado.


–Quem disse que preciso de sua ajuda? – Yuuto rugiu em retorno, fincando sua lâmina novamente no ameniano caído, desta vez acertando-lhe a outra marca ao atravessar sua carne.


O Ex-cortesão se desesperou e forçou sua espada contra a barreira diante de si, penetrando-a com muito custo devido o artficio de sua espada, tomando o pequeno herdeiro Takashima em sua mão antes de força sua lâmina contra o pescocinho deste.


–Se o garoto morrer, você não tem como abrir isso... – gritou em direção ao enfurecido feiticeiro.


Mas seu plano não durou muito, já que seu pescoço fora apertado e puxado para trás por mãos ensanguentadas enquanto sua mão soltava sua arma mesmo sem querer.


Hitoru ergueu o ex-cortesão do solo e continuou ao sufocar este, retirando sua máscara e arremessando-o para fora da barreira média que prendia seu neto.


–Vovô? – Riki indagou ao mais velho, porém o olhar mórbido deste revelava que este ainda estava totalmente sob o controle do feiticeiro.


Yuuto arremessou o pergaminho de sua mão em direção ao Takashima mais velho, em intenção de fazê-lo obrigar o neto a abri-lo o quanto antes, mas este novamente fora repentinamente abstraído de sua rota, desta vez por um vulto negro que se materializara atrás de seu trono.



–Oboru... – Yuuto rugiu em impaciência, e, antes que pudesse se dar conta, logo vários monges e sacerdotisas o cercava.


Recolheu suas lâminas e se virou para mirar ao seu redor, contando rapidamente quantos haviam ali...


O bruxo respirou fundo novamente, levitando seu corpo há alguns metros do chão enquanto youkais lhe saiam por entre a manta... estava guardando energia para quando chegasse ao mundo imortal, mas novamente... insetos demais lhe obstruíam o caminho...


Estava tão perto...


### ###


Não era possível acompanhar, ainda que alguém tivesse olhos afiados o suficiente para captar as esferas em cinza e vermelho se chocarem no céu, qualquer um que arriscasse a chegar um quilômetro perto daquele foco de luta teria seu corpo dilacerado e queimado instantaneamente nos ventos e chamas por todo o ambiente.


Uruha sentiu o fogo lhe romper o domo e carbonizar um de seus braços e Aoi sentira o vento lhe cortar a esfera inflamada ao dilacerar-lhe uma asa, abalando-lhe o equilíbrio e fazendo-o despencar ao solo.


Ambos ofegavam desesperadamente em cansaço, ainda que suas expressões não parecessem demonstrar abalo algum. Os globos negros em ponto vermelho de ambos se sobressaltando de veias também carmim enquanto suas vestes rasgadas e corpos feridos tentavam se regenerar.


O Takashima não conseguiu manter seu selo com a ausência do braço direito ainda não recuperado, voltando ao chão o quanto antes para se aproveitar da baixa guarda da criatura deformada que tentava se levantar sem equilíbrio pela ausência de uma de suas armações naturais de voo. A pele morena havia se tornado horrivelmente escura em um negro sobressaltado de veias e algo como escamas.


Ao perceber o ameniano se aproximar Aoi rugiu animalescamente e levou sua garra a asa ainda restante, arrancando-a em um urro mudo de dor, já que esta estava lhe atrapalhando, arremessando-a para o lado.


A parte do corpo dilacerada continuou a se mover ainda que não estivesse junto ao resto do dono, em sinal de que voltaria a se acoplar ao maior se colocada de volta.


Ambos os domos se desfizeram por economia de energia, os dois guerreiros entraram em uma luta corporal sem espadas, apenas utilizando suas mãos e garras como armas em socos velozes e fortes.


O braço ainda semi carbonizado do amenino mostrara sua desvantagem quando as unhas afiadas do shiroyama e fincaram nele, puxando o amontoado de carne e osso na óbvia intenção de arrancá-lo por completo do corpo alheio. Fora quando o ameniano completamente possesso reagira em total desespero, refazendo um selo explosivo diante do estômago do outro.


O selo entrou em combustão e explodiu em rajadas de vento, dilacerando a carne abdominal da criatura shiroyamiana. Sangue e pedaços de órgãos lhe escapavam da barriga e Aoi ajoelhou automaticamente no chão enquanto urgia em dor plena ao sentir seu corpo tentar regenerar o estrago absurdamente enorme em si... precisaria de tempo, de muito tempo. Mas o Takashima não daria mais nem um minuto.


Kouyou aproveitou o general abatido e tomou a face de pele escura e escamosa entre as mãos, fazendo o olhos vermelhos deste focarem o seu enquanto iniciava mais dois selos explosivos ... sem cabeça nenhum ser vivo no mundo continuaria de pé por mais aberração que esta fosse.


As presas sobressaltaram da boca cheia shiroyamiana em um urro desesperado para se movimentar quando percebera os círculos negros se desenharem as laterais de seu rosto, mas seu corpo simplesmente não tinha condições de se mover.


Levou suas garras às mãos alheias, e por mais que fincasse suas grossas e afiadas unhas no pulso do outro, o Takashima não o soltava. Um urro animalesco escapou pela garganta de Aoi, e, como se não conseguisse evitar, os olhos perdidos do ameniano rolaram involuntariamente para o desenho em auto-relevo próximo ao olho esquerdo do rosto abaixo de si.... o entrelaçar de duas linhas por entre uma haste central... duas vidas construindo o mesmo caminho... duas almas se unindo em uma...



“Desculpe, Yuu.. eu te amo tanto...”


“EU AMO VOCÊ...”


Seu corpo sendo invadido por ele... seu ser sendo completamente tomado por ele...a dor, o prazer... o amor... o destino...


“EU AMO VOCÊ...”...Ele gritou, deveria ter acreditado...


O beijo, a saliva, o calor... os fluídos e os toques de quando faziam amor...


“Vai se condenar a solidão eterna? Vai tirar a vida daquele a quem estamos ligados pela eternidade?”


De quem era essa voz? Seu Shaman? Ele nunca vocalizara nada antes. Como ele ainda tinha alguma consciência nesse estado? Como ele mesmo tinha ainda algo de consciência?


–Cala a boca... – a voz distorcida saiu da garganta ameniana, mas os selos se recolheram estranhamente ao que o ex-loiro levou os dedos à cabeça — ... eu não quero ouvir.


“Não vamos fazer isso... esse não somos nós... esse não é você... não é como deveria ser...”


–CALA A BOCA... – Uruha gritou, seus joelhos cederam e se viu também ajoelhado contra o solo enlameado... quando o vento ardente e cortante havia parado de circular por ali?


Os pingos da chuva voltaram a lhe molhar o corpo, antes impedidos de chegarem ao solo pela quantidade de energias naquela área. Kouyou levantou a face para o céu e dentro de si um conflito incessante queria lhe partir o peito e mente. Aquela voz... não era seu Shaman?


Aquela voz era... dele? Dele mesmo?


Sentiu garras sendo fincadas nas marcas diminuídas em suas coxas nuas, quase sem pano devido ao traje completamente mutilado.


Sua voz já não falava mais, seu conflito já não o incomodava mais... porém, seu corpo e energia também já não estavam mais ali...


Perdera... perdera, cometera o mesmo erro, perdera novamente, por hesitar, por se deixar guiar por emoções egoístas... perdera, arruinara tudo novamente... arruinara tudo...todos morreriam por sua fraqueza novamente, todos iriam perecer por sua culpa mais uma vez... arruinara tudo...


O corpo fora puxado para frente e o Takashima sentiu suas costas indo ao chão enlameado enquanto os olhos que voltavam à coloração chocolate se fechavam para de protegeram das gotas de chuva. Sua carne havia sido rasgada, sentira toda sua marca ser dilacerada até o início de seu joelho... não devia ter hesitado, devia ter acabado logo com aquilo. Não conseguia se mover mais, não conseguia mais sentir nada de sua força...


Abriu as pálpebras ao sentir a respiração pesada acima de si e mirou o olhar franzido da criatura escamosa e de presas sobressaltantes ...


Aoi retirou as unhas da pela rasgada nas coxas alheias e ergueu um dos punhos até o pescoço fino do ameniano, rugindo ao apertar ali, sentindo os dedos tremerem enquanto começavam a rasgar a cútis delicada e alva.


Kouyou mirou sua marca no rosto escamoso mais uma vez e sorriu em ironia antes de voltar a fechar os olhos...


Ele sim não hesitaria...


“Acabou”



–Kou...


A voz gutural mansa invadiu sua audição e o ameniano se sobressaltara ao que seus orbes voltaram a se abrir. As unhas que lhe cortavam o pescoço afrouxaram seu aperto e seguraram bruscamente na lateral de seu rosto.


Kouyou não acreditava no que estava vendo.


Lágrimas transbordaram dos globos negros da criatura acima de si ao que estes começaram a retornar a sua coloração branca original, a íris vermelhas voltando à cor ônix enquanto a pele de escamas gradativamente parecia querer retomar sua textura e cor natural.


–Kouyou... – a voz ainda rugida voltou a sair dos lábios cheios do shiroyamiano ,e, ainda que as unhas o machucasse, os dedos na bochecha e maxilar ameniano pareceram fazer uma carícia – Kou... – repetiu antes de cerrar os olhos em pranto e forçar seus lábios contra a boca pequena e pálida do Takashima abaixo de si.


Um beijo.


O beijo mais puro que já trocaram.


Os ventos se acalmaram definitivamente e a chuva molhava os corpos que transmutavam de volta as suas formas originais.



“Yuu...”



### ###


As aranhas milimetricamente pequenas adentraram pelos olhos, nariz e ouvidos enquanto o ex-senhor de Shiroyama era pregado à parede por estranhos ganchos de metal. Não demoraram muito para que as máquinas milimétricas voltassem a sair pela boca de Fukaku, trazendo consigo um pedaço de madeira incrustado de um fio de cabelo e embebido em fluido cerebral.


Kai retirou o pedaço de madeira enquanto permitia às suas queridas invenções a retornarem para o pote pequeno em sua mão. Observou o objeto cheio de esporos pontiagudos... com certeza passara muito tempo enfiado na cabeça de seu pai... franziu o cenho e atirou o pedaço de madeiril em direção à chama branda que queimava dentro de um pote grande encostado ao canto do corredor.


–Yutaka... – a voz sussurrada chamou sua atenção de volta ao seu progenitor pregado à parede fria e o caçula Shiroyama se apressou em recolher os arcos metálicos dos pulsos do pai, ajudando-o a se equilibrar no chão quando este vacilou ao sentir os pés no solo.



–Meu pai... que bom tê-lo de volta... – Kai sorriu verdadeiramente ao abraçar o mais velho, não que seu pai fosse de demonstrações de carinho, mas o ex-senhor de Shiroyama não apartou o abraço de seu caçulo.


– O que aconteceu?... havia uma voz... e eu... eu... – o senhor totalmente desorientado começou a questionar ao afastar-se do aperto do mais jovem.


–Conto tudo durante o caminho meu pai – Kai sorriu para o progenitor, retirando uma das espadas de sua cintura e colocando-a na mão do homem — ... pronto para matar um usurpador e reclamar nosso trono de volta?


### ###


A batalha parecia favorável para aqueles do santuário, e Yuuto com certeza demonstrava estar impaciente com o atraso em seus planos.


Oboru tentava chegar até o pequeno Takashima preso na barreira, mas a cada vez que tentava tinha de enfrentar um novo youkai, sem mencionar interferência do ex-senhor de Akai Ame na proteção do neto... deveria matar os dois o quanto antes, só assim qualquer risco de um portal ser aberto seria totalmente extinguido...


Falar era mais fácil do que fazer já que não tinha abertura para tal.


Kazuki se adiantou entre lutas e lutas para chegar até o amado que tentava se recuperar das feridas, encostado à parede de uma das extremidades do grande salão, e com habilidade já havia conseguido chegar até tal local, ajudando o ameniano a se levantar por mais que o corpo deste parecesse ainda não obedecer.


–Buu-chan... não me assuste assim novamente... – o ex-cortesão brincou, como se não tivesse uma completa guerra atrás de si — ... vamos dar o fora daqui... venha.


–Eu aceito... – Manabu sussurrou ao retribuir o sorriso do maior — ... péssima hora para dizer isso, mas eu aceito ser seu para todo o sempre...


O proprietário de Gather Roses ampliou o sorriso em humor e a alegria, jogando o braço do menor em seus ombros enquanto o auxiliava a caminhar.


–Falei que era só questão de tempo – Kazuki deu de ombros em uma fingida e exagerada auto-confiança, o que novamente fez o menor sorrir.


Yuuto baforou em ira no centro do salão e finalmente observou a maioria dos vermes ali dentro já sem máscaras devido às lutas intensas. Demorara muito, com certeza.


–Está na hora de parar de brincar... – o bruxo fechou o cenho e mirou o monge se recolher dentro de sua barreia próxima a seu trono, junto com a marionete ameniana e o pequeno herdeiro Takashima... por que ainda se preocupava com aquele traidor?



Oboru estranhou quando o ataque youkai cessou e estes retornaram a fazer parte do corpo podre do feiticeiro. A sacerdotisa respirou fundo e tentou entender o que se passava, até mirar as mãos do milenário bruxo se unirem em um selo diferente. Um brilho marrom surgiu por entre os dedos de Yuuto e uma cortina singular de poeira começou a ter origem ali.


–As ideias daquele cientista maluco... às vezes são uteis ... – o feiticeiro sorriu de lado e logo a cortina de areia se espalhou rapidamente pelo grande salão.


Só então Oboru percebera estar sem máscara, havia deixado esta cair no meio de tanta luta e em desespero tentou correr em direção à barreira que aprisionava o pequeno Riki uma ultima vez, não chegando a tempo.


Seu sistema foi invadido e em alguns segundos seu corpo se convulsionou e se arremeteu ao chão... junto a maioria dos monges e sacerdotisas ali.


Manabu sentiu o perigo assim que vislumbrara o primeiro grão de areia sair do selo no centro das mãos do bruxo e ao notar a ausência de máscara no maior foi quase impulsivo de si retirar a sua própria proteção e acopla-la na face bonita do amado.


–Não... – Kazuki gritou em reflexo, tentando ao menos terminar de vencer a distância até a saída do salão antes da cortina venenosa os alcançar, sem sucesso. A poeira os rodeou antes mesmo que se aproximasse das portas duplas abertas, e ainda que saíssem, provavelmente o corredor também se infestaria em poucos segundos... fora estúpido e burro de sua parte, totalmente irracional... por que deixara se guiar por reflexo? Por quê?


–Buu-chan – o maior chamou ao abraçar o pequeno em seus braços, em uma inocente e desesperada tentativa de que pudesse protegê-lo de algum modo, mas foi ao sentir o corpo deste se convulsionar que teve a inutilidade de suas ações totalmente jogadas em sua cara. Os dedos do corpo em espasmos, sufocado em seu abraço, apertaram-lhe os braços e ainda que não quisesse, o maior afastou o rosto avermelhado em asfixia natural de seu peito, acariciando a face em dor, sem saber o que fazer. Sem realmente saber o que fazer.



Um sorriso torto e difícil se desenhou no semblante agonizante de Manabu antes de finalmente todo seu sistema parar e seu corpo despencar sem vida. Kazuki voltou a abraçar o corpo agora completamente morto do amado contra si, as lágrimas jorrando com naturalidade de seus olhos enquanto a dor em seu peito queria lhe sufocar... mirou suas costas... mais gente morrendo e os poucos que ainda possuíam suas máscaras começavam a ser esmagados pelos tentáculos e lâminas de Yuuto... queria matá-lo, queria matar aquele maldito bruxo com toda a sua força... e infelizmente não tinha poder o suficiente para aquilo...


Engoliu sua ira e puxou o corpo mole de seu amado consigo ao se adiantar em uma fuga vergonhosa para fora dali antes que o bruxo se desse conta de sua presença...


“Buu-chan...”


### ###


– Sério mesmo que não conseguiram manter as coisas minimamente aceitáveis por apenas alguns minutos? – Kai rugiu ao se deparar com o total caos de corpos em pedaços queimados na entrada da propriedade... – SAGA... – chamou em um grito impaciente... “Onde diabos está o Yuu?”


O general sentado e recostado a uma das paredes ergueu a cabeça e um olhar totalmente mórbido era visto em seu rosto. O cientista franziu o cenho, só então notara o corpo inconsciente do Amano nos braços do haniano.


–Faça-me o favor... – Yutaka rugira, como tudo podia ter dado tão errado daquele modo?


–Onde está o Aoi? – questionou ao general haniano, sem se importar com a obviedade da morte do “namoradinho” do Sakamoto.


–Lá fora... lutando com Uruha... – Saga respondeu em um tom tão desinteressado e sem vida que o cientista considerara totalmente deprimente – esse tigre idiota...


–Ao menos o novo destacamento dragão está aqui – Kai respirou fundo ao mirar os soldados mais adiante, em formação.... — ... sem Aoi eles não vão obedecer nenhum comando...


–Uruha-san atacou mesmo nosso feudo? – Fukaku questionou ao tampar as narinas do fedor fétido de carne queimada — ... amenianos não fazem isso...


–Meu resumo não foi muito explicativo, meu pai, peço perdão, mas amenianos, além de extintos, também são terrivelmente malignos agora... – o caçulo argumentou enquanto caminhava em direção às portas duplas completamente cerradas e analisava algo com a audição ao se aproximar delas — não ouço nada...


–Os barulhos terminaram tem poucos minutos, não estamos confiantes em abrir os portões — ... Ryou relatou ao se aproximar do Shiroyama, tinha sido um dos poucos soldados humanos a conseguir se abrigar ali antes de tudo se tornar aquele caos.


–Abra-os ... – Kai ordenou.


Ryou respirou fundo e deu a ordem para os menos de duas dezenas de soldados humanos ainda restantes, estes cumpriram o mandato prontamente e logo a primeira fresta era vista entre a junção dos portões. Não houve nenhuma invasão da tempestade anterior, por isso os soldados continuaram a empurrar os controles para baixo em maior velocidade.


Uma vez totalmente aberta, Kai andou pelo espaço livre, a chuva logo lhe molhando enquanto os olhos se arregalavam.


– O que diabos aconteceu aqui? – Yutaka deixou escapar de sua garganta ao mirar o cenário completamente destruído e decorado de torrões de carne humana, até mesmo o muro de proteção se encontrava parcialmente ao chão. Os orbes atrás das lentes voltaram a se recompor e se estreitaram para visualizar melhor dois corpos ao longe... caminhando... e logo identificou também muitos pontos pequenos bem mais atrás... um exército... pensou primeiramente ao recuar, se fosse Uruha era melhor deixar apenas este chegar até Yuuto o quanto antes, mas foi ao reconhecer o irmão ao lado da figura ainda distante do ameniano que o caçulo Shiroyama abriu um sorriso triunfante — ... ótimo...


### ###


Yuuto recolheu seu selo e poeira antes de voltar os olhos novamente para a barreira ao redor de sua mesa onde Hitoru, o pequenino herdeiro e seu amante se encontravam.


–Parece que ratos sempre dão um jeito de se manterem vivos... – o bruxo vociferou entre dentes em indireta ao monge enquanto caminhava por entre os corpos no chão, em direção ao pergaminho caído seguro pelos dedos da sacerdotisa que tanto odiava.


–Finja que não aguardou que eu estivesse aqui dentro para utilizar aquele selo... – Rui sorriu de modo convencido, ganhando um franzir ameaçador do amante — ... exagero de energia, melhor não usar novamente...


Nem Yuuto mesmo sabia por que diabos havia feito aquilo.


O feiticeiro então pegou o papiro entre seus dedos e se adiantou rapidamente para frente da barreira, adentrando-a e indicando o pergaminho novamente ao pequeno Takashima.


Riki voltou a recuar, porém foi apenas ao dar um passo para trás que avistou a lâmina acoplada ao braço do bruxo sair de suas vestes e se encostar no pescoço de seu avô atrás si.


O pequenino franziu o cenho em choro mais uma vez, e esticou a mãozinha em direção ao objeto. O desenho negro no papiro começou a se movimentar ao toque do menor e Riki mirou o selo se modificar atentamente antes de desenhar no ar alguma espécie de símbolo. A tinta negra no papel então se tornou vermelha e o pergaminho se abriu rapidamente ao se manter flutuando no ar enquanto uma densa corrente de sangue vermelho escorria pela página totalmente em branco.


“Finalmente”


### ###


Uruha respirou fundo ao alcançarem o topo da escadaria da propriedade central, o olhar franzido de Yutaka lhe deixava receoso e totalmente com uma estranha vontade de matá-lo ali mesmo... foi impensado o modo como se adiantou em direção ao cientista para tal intento, porém a mão do companheiro segurou a sua, trazendo-o para si por um instante.


–Não é momento para isso, Kou ... – Aoi sussurrou a sua orelha e ainda que aquela voz e aquela presença parecessem surtir efeito sobre si, o ameniano não aparentava estar calmo.


–Só porque concordei em nos unirmos para destruir Yuuto, não quer dizer que perdoei seus atos... – Kouyou respondeu em um rugir entre dentes, caminhando firme e completamente recuperado para dentro da propriedade, apesar da roupa esfarrapada a revelar suas pernas, já que Akira lhe dera ao menos de uma pequena manta superior, não que aquilo importasse.


E foi ao passar ao lado do homem que fora responsável em parte pelas mortes de todo o seu povo que sentiu seu intimo mudar de ira para tristeza ao mirar a cena diante de si.


Saga tinha os braços sujos de sangue e segurava o corpo morto do contra o peito, não parecendo sequer notar sua presença ali...


Aoi se adiantou ao pai mais ao lado, dando um abraço respeitoso neste depois de reverenciá-lo.


–É tão bom tê-lo de volta meu pai...


Uruha não tinha o Sakamoto na mais alta conta, mas sabia que ele em si não tinha culpa de nada que havia acontecido...


–É tão injusto... – Saga murmurou, só então Kouyou parecera notar que talvez o Takashi tivesse sim dado conta de si — ... que tenhamos que lutar contra coisas que não pertencem ao nosso mundo humano... que chance temos? Não é uma batalha justa... não é... – Saga ergueu os olhos lacrimejantes para o Takashima e focou seu olhar nos orbes chocolates do loiro — ... esse mundo seria bem melhor se esses imortais e youkais não tivessem nos metidos em seus problemas... é tão injusto... ele... ele era só um humano também...


–Saga-san... – Kouyou tentou falar, ainda que não soubesse o que dizer, mas fora totalmente interrompido pelo grito descontrolado do haniano.


–CALA A BOCA... – Takashi vociferou — ... eu queria poder me levantar daqui, colocar a culpa toda em você e te matar, mas eu não tenho poder para isso, você poderia me despedaçar em um piscar de olhos e o que esse idiota fez para me manter vivo seria totalmente inútil e nem sequer vingança eu posso oferecer a ele, porque eu... EU SOU SÓ UM HUMANO TAMBÉM, MERDA! – o general deixou suas lágrimas rolarem em um choro pesado e voltou a abraçar o corpo ensanguentado do tigre contra si – ao menos mate aquele maldito bruxo, e, se tivermos sorte, todas essas aberrações que jamais deveriam ter existido acabam morrendo também ...


–Não temos tempo para ficar ouvindo as lamentações dele, ele não é mais útil – Kai ditou em um sorriso fino.


–Você poderia calar a sua boca? Agradeça por eu ainda não ter te matado – Uruha rugiu em direção ao cientista – vamos... – o líder ameniano ditou para seu exercito atrás de si, e Reita se adiantou para ficar ao lado do amigo.


– Kazuki... – Kouyou comentou repentinamente ao parar o inicio de marcha. Avistou ao final do largo corredor circular o ex-cortesão caminhar em passos rápidos enquanto trazia em seus braços um corpo do qual não sentia vida ou presença alguma, respirou fundo ao reconhecer Manabu como o cadáver.


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“Não há nada de bom que a guerra possa oferecer....”


Sorriu em ironia, sempre soube daquilo... sempre soube, e ainda assim... por que cometia tantos erros?


– Se apressem, ele tem o pergaminho e Riki ... – o proprietário de Gather Roses alertou ao parar diante do líder Takashima.



Kouyou sentiu seu coração falhar e seu ser todo se contorcer em dor e assombro. Seus olhos fuzilaram o companheiro atrás de si e Aoi não desviou o olhar, aceitando completamente a culpa e a raiva que os orbes alheios lhe atribuíam.


–Você deixou que ele pusesse as mãos no nosso filho? – Uruha rugiu entre dentes, os olhos chocolates brilhando rapidamente em vermelho, e as mechas molhadas loiras voltando à coloração negra.


Fukaku lançou um olhar interrogativo ao caçulo atrás de si, e este apenas balançou a cabeça em sinal de que explicaria tudo mais tarde.


–Poderíamos começar outra luta e arruinar tudo mais ainda, tentando decidir de quem é a culpa de quê... quer mesmo fazer isso ou quer salvar nosso filho e nosso mundo? – o general shiroyamiano argumentou de volta e o ameniano voltou a respirar fundo... tinha que se controlar... ele tinha razão.


–Conseguiu terminar as marcações? – questionou ao ex-cortesão.


–Faltou uma – Kazuki respondeu ao repousar o corpo do amado no chão, fechando os olhos deste sucintamente.


–Tudo bem – Uruha assentiu – obrigado pelo trabalho...


–Só mate aquele desgraçado de uma vez – Kazuki interrompeu o líder.


Uruha assentiu e partiu na frente, logo seu exército o acompanhando em uma corrida incerta. Aoi e seus soldados modificados foram atrás, o velho Shiroyama também se adiantando para ir junto com Ryou e os demais guerreiros.


–Meu pai... – Kai pousou sua mão no braço do progenitor — ... não acho seguro o senhor...


–É o feudo da nossa família... não pense que ficarei parado e deixarei o maldito que ousou me fazer de criado e usurpou o nosso trono nas mãos de outros — o ex-senhor de Shiroyama estatuou ao caçulo, não esperando resposta deste e continuando sua marcha.


Kai franziu o cenho e respirou fundo... se importava com sua família e era assim que eles lhe retribuíam?


–Não vai com eles? – Kazuki questionou em direção ao cientista que se manteve parado em frente aos portões abertos.


–Estou esperando alguém – Yutaka lhe ofereceu um sorriso fino.


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Riki chorava caladinho enquanto se mantinha sentado no chão e com os bracinhos enlaçando os joelhos. O homem mau sorria assustadoramente alegre e o pequeno sentia seu peito doer em saber que tinha feito algo muito ruim. O pequenino levantou a cabeça para mirar o avô lhe montando guarda logo ao seu lado, um fio de esperança de que o homem de algum modo voltasse a si e parasse o selo e energia sinistros, que o bruxo realizava poucos passos mais a frente diante da mesa, queria insistir dentro do herdeiro Takashima.


–Vovô...


Mas Hitoru não se moveu.


A mesa coberta de sangue rubro e as mãos esqueléticas do feiticeiro se mantinham perfeitamente estiradas enquanto um imenso círculo negro entre seus dedos e o tampo de pedra se expandia quase que tomando todo o domo de proteção médio.


–Finalmente... – Yuuto sorriu e viu seus olhos brilharem quando o centro do selo se tornou turvo e um círculo prateado e luminoso começou a surgir, podia sentir a áurea e a energia que aquele lugar emanava... – Finalmente...


Um vulto pequeno cruzou o salão abarrotado de corpos e uma estaca discreta se fincou no ponto determinado atrás do trono, causando uma pequena distração no bruxo que franziu seu cenho ao mirar as portas principais e laterais da imensa sala serem tampadas por invasores. Mas sorriu de lado ao ter certeza de que não importasse o que eles fizessem, já era tarde demais, por via das dúvidas tratou de fortalecer seu domo de proteção novamente.


O único que poderia ser alguma ameaça ainda, seria o estranho loiro de traje destruído e olhos começando a brilhar em vermelho, no centro da formação das portas principais, mas para isso tinha uma distração eficaz.


–Hitoru-san – o feiticeiro ditou ao ameniano atrás de si, e o velho senhor se apressou em sair da proteção da barreira, se materializando no centro da grande sala.


–Pai...? – Uruha questionou em surpresa, olhando de seu pequeno preso para o progenito, que acreditava estar morto, em confusão e dor.


–Yuuto o está controlando assim como fizera com o meu pai – a voz do Shiroyama mais velho invadiu sua audição — ... mantenha-o ocupado, eu pego o nosso filho...


Kouyou franziu o cenho para o companheiro e virou os olhos em direção ao meio youkai e ao Suzuki a sua direita.


–Vocês pegam Riki — ordenou ao subordinados — ... você... vai parar aquele bruxo – voltou a retorquir em direção ao moreno e o general shiroyamiano apenas assentiu.


O velho Fukaku observava tudo com muita estranheza, parecia que havia dormido por séculos e simplesmente não reconhecia nada e nem ninguém desse novo mundo...


Kouyou deu um passo à frente e se lançou contra o próprio pai, as mechas curtas e loiras se tornando negras, os olhos vermelhos e então dera apenas dois golpes antes de se materializar nas costas do mais velho e lhe prender os braços com os seus, impedindo-o de se mover.


Akira, Jin, Ruki e mais dezenas de híbridos avançaram em direção ao domo de proteção ao lado do trono, na extremidade funda do salão, mas tiveram sua corrida totalmente bloqueada pela fronteira maciça da barreira do feiticeiro.


Yuuto gargalhou diante do fracasso daqueles que tanto se esforçaram para lhe arruinar os planos, vendo com agrado seu portal crescer e crescer diante de seus olhos, enquanto o pequenino Riki apenas se encolhia e chorava ao tentar se jogar contra as paredes que lhe aprisionavam, chamando pelo pai shiroyamiano que forçava sua espada contra a barreira sem conseguir rachá-la.


Aoi recolheu uma mão e tentou desenhar um selo, mas este também não surtiu efeito contra os limites maciços e translucidamente negros a sua frente, por mais que sentisse seu sangue ferver e seu intimo querer se descontrolar, não era capaz de destruí-la, e, ver seu pequenino chorar e chamar por si daquele modo estava começando a desesperá-lo.



–URUHA – Yuu gritou ao lançar a cabeça para trás – AJUDA.



O líder ameniano franziu o cenho e num movimento impensado arremessou o pai contra uma das paredes, se apressando em correr até o perímetro isolado pelo domo, pegando sua espada rubra e golpeando a parede com força. Um trincar muito pequeno foi visto e Yuuto fuzilou o Takashima por isso.



–HITORU – o bruxo gritou.


Em um impulso Kouyou olhou em direção ao progenitor de pé na extremidade oposta do salão e seus orbes se alarmaram em assombro ao ver o pai sacar suas próprias espadas e aponta-las para o próprio pescoço.


–Não... – Kouyou sussurrou, implorando com o olhar para alguém em suas tropas fazer algo e estes de fato se adiantaram contra o ex-senhor de Akai Ame.



Nenhum chegaria a tempo, Uruha sabia disso... eram todos humanos.... o destacamento hibrido e seus guerreiros estavam ao seu lado tentando colocar aquela maldita barreia abaixo.... não chegariam a tempo...


As espadas começaram a se fincar nas marcas laterais do velho Takashima, mas repentinamente os pulsos deste foram virados para trás por um dos soldados modificados sob o comando do general shiroyamiano.


Uruha sentiu seu coração voltar a bater novamente e mirou rapidamente o olhar do companheiro ao seu lado em agradecimento, não se demorando em retomar sua missão em se desfazer daquela maldita proteção do bruxo.


As mãos soltaram a espada e desenharam um selo, ao explodir o desenho aumentou o trinco da redoma negra, mas não a desfez.



–Maldição... – Uruha rugiu entre dentes, voltando a refazer seu desenho...


–Tarde demais... – Yuuto sorriu ao que se afastoy do círculo luminoso crescente, totalmente satisfeito.


O salão foi invadido por uma ventania anormal e os humanos ali presentes foram arremessados repentinamente contra as paredes. Em reflexo aqueles que tentavam destruir a redoma negra pararam suas ações, receosos do que fazer diante daquilo.



Yuuto se virou para todos os pares de olhos que lhe fuzilavam e sorriu triunfante.


–Querem ficar com esse país? – o bruxo questionou entre seu riso — ... ele é todo de vocês....


A atenção de todos fora chamada para as portas duplas de uma sala acoplada mais ao fundo e por elas menos de duas dezenas de sacerdotisas amenianas começaram a sair em uma marcha rápida.


–Serão o suficiente – destilou em um puxar convencido de lábios.


Os olhares de Aoi e de Uruha fuzilaram o bruxo em ira e novamente o ataque contra a barreira fora iniciado em ações que beiravam o desespero.


Yuuto gargalhou, achando graça.



–Acabou, eu venci – o feiticeiro estatuou em triunfo, não se importando com o trincar crescente de sua proteção, estariam lhe fazendo um favor em permitir sua “armada” feminina ameniana de entrar.



A ventania pareceu se tornar mais forte e os soldados humanos se viram obrigados a baterem em retirada do grande salão, caso contrário morreriam esmagados contra as paredes de concreto como já havia acontecido a alguns.


Jin lançou o olhar cuidadoso em direção a Byou que devia estar se misturando àqueles que fugiam, mas idiotamente insistia em tentar avançar ao fincar e retirar sua espada do solo duro e pavimentado.



–Imbecil... – rugiu entre dentes, deveria tê-lo convencido a ficar para trás.


Decidiu-se rapidamente entre continuar a tentar invadir a barreira alheia ou ajudar seu idiota ex-dono a sobreviver. Optou obviamente pela segunda opção e se lançou em direção ao ex-senhor de Vegas, protegendo este ao abraça-lo com força, mirando atentamente toda a situação em volta.


–Não tem mais jeito.... – o líder meio youkai murmurou, sentindo o vento querer carregar até mesmo a si próprio — ... RECUEM – gritou em direção aos seus subordinados e em um instante os meio youkais, que antes insistiam em se lançar contra as paredes translucidas do domo, se materializaram ao lado do líder, com exceção da raposinha que permaneceu ao junto do companheiro, totalmente descrente no que vira.



–Jin, seu maldito ... – Ruki rugiu entre dentes.


–Vá com eles – Akira gritou para o menor, levando uma das mãos ao rosto quando o vento começara a lhe fazer um pequeno corte na face.



–O quê? – Takanori questionou em indignação.


–Quer deixar Lovelie e Jewelie órfãs novamente? VÁ COM ELES – Suzuki gritou mais uma vez, os olhos vermelhos forçando-se a se manterem abertos, enquanto os cabelos negros esvoaçavam sem que o maior parasse de brandir sua espada avantajada contra o domo trincado.


–Cala a boca seu idiota, nós não vamos morrer aqui... – Ruki rugiu em retorno, o olhar branco se tornando amarelado, o corpo pequeno querendo ser arremessado contra as paredes, mas o Matsumoto se manteve firme e continuou a golpear o trincar de barreira a sua frente – vamos voltar juntos.... só saímos daqui juntos...



Os soldados do destacamento dragão de Aoi foram repentinamente vencidos pelo vento cortante, e jogados para o ar, acertando o concreto do teto, abrindo buracos neste e voando para fora do cômodo. O mesmo aconteceu com as paredes e ainda que Yuu e Uruha se mantivessem firmes, Ruki não conseguira mais ir contra a força estrondosa da tempestade, também sendo arremessado teto a fora.



–RUKI – Akira gritou, hesitando por um segundo em ir atrás do companheiro ou ficar ao lado de seu amigo e seu povo e terminar com aquilo.



–Vá – ouviu a voz do líder ameniano lhe responder e em um reflexo totalmente desesperado se lançou para cima, em direção ao teto esburacado, sumindo por dentre uma das aberturas forçadamente feitas.


–Papai... – Riki choramingava entre prantos, estava com medo de tudo aquilo, estava com muito medo.


Yuuto sorriu discretamente e rumou em direção ao portal circular e grande a sua frente, suas marionetes amenianas se esforçando para seguir em direção ao seu mestre sem serem arremessadas para fora do cômodo.


Uruha e Aoi não cessaram seus ataques, os poucos guerreiros amenianos também não o fizeram, e, como se fosse mágica, toda aquela tempestade devastadora cessou em um milésimo de segundo.


Pares de olhos miraram surpresos de fora da completamente trincada barreira de proteção, enquanto um específico par de olhos castanhos estrangulavam em dor e assombro ao sentir o coração cravado por um báculo acobreado.


O corpo do bruxo despencou para trás e Rui retirou sua arma da carne estranhamente macia do feiticeiro, saindo de detrás deste e permitindo que as costas alheias se chocassem contra o chão duro do salão.


–Rui... – a voz esganiçada de Yuuto saiu da garganta agonizante, sua manta se movendo em vários pontos como se seu corpo começasse a querer se dividir em vários pedaços animalescos.



O monge apenas voltou a fincar seu báculo no peito do bruxo e este estrangulou um grito de dor com o ataque.



–Yuuto meu amor... você sempre foi deprimente... – o religioso sorriu de lado — ... inútil, previsível e muito emocional... devia ter sido você a ter seu corpo carbonizado e sua alma aprisionada a mil anos atrás... não eu...


Os olhos do feiticeiro voltaram a se alarmar e um rosto conhecido por si, junto a um sorriso que sempre acreditou ser verdadeiro, lhe invadiram a mente.


“Quando conseguirmos o que queremos, seremos deuses e ninguém poderá nos dizer o que fazer... não quer ir embora desse mundo maldito? Não quer ser aquele com mais poder e força no mundo? Não quer viver para sempre, sem medo, sem preocupações....” Ele dizia animado em suas noites de conspirações.


“Se for ao seu lado” Yuuto respondeu em um sorriso sincero.


“É claro...” Ele assentiu antes de lhe dar um beijo sedutor, sorrindo maliciosamente ao se sentar no colo do maior de modo totalmente ousado.


Foi capaz apenas de ver o vulto de Omi-sama tragar completamente seu amado para o centro de um selo e antes que pudesse fazer qualquer coisa seu Joshua fora carbonizado em uma chama negra diante dos seus olhos. Ele deveria tê-lo protegido, ele deveria.... mas estava com medo, estava com muito medo. Não eram imortais, não eram páreos para uma imortal, eram apenas humanos.... monges humanos...


Por isso Yuuto fugiu, por isso Yuuto se deixou consumir pelos youkais que haviam manipulado para ajuda-los. Ser humano o impedira de ter a força necessária, o impedira de realizar o sonho dele, o impedira de salvar a vida dele... do seu Joshua... do seu Joshua...


Um ataque, seu braço direito já não estava mais ali, outro ataque... suas pernas... rastejou pela lama até o final do precipício... estavam perto, Omi-sama estava perto... ela iria matá-lo também.... não podia permitir, tinha que conseguir o poder, tinha que trazer seu Joshua de volta... se fosse um deus, se fosse um imortal.... poderia trazê-lo de volta... nada é impossível para um deus... nada.... sentiu o corpo despencar dentro das águas violentas do mar aquela noite...


Se tornaria um deus... traria o seu Joshua de volta.


–J-Joshua...?


A face de Rui se contorceu um sorriso irônico.


–Algo assim...


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–Veio nos recepcionar? – O Murai sorriu ao identificar o cientista assim que adentrara os portões da propriedade central.


Kai sorriu fino e venceu a distância entre ele e o ex-conselheiro chefe em alguns passos, apertando desrespeitosamente o corpo menor contra si e tomando a boca alheia em um beijo lascivo e desejoso. Enlaçou os fios curtos da nuca do mais velho entre seus dedos e puxou o cabelo deste no intuito de força-lo a mover a cabeça e boca como queria e gostava. Liberou os lábios inchados do menor e desceu os dentes para a pele fina do pescoço, marcando ali enquanto descia a outra mão para a coxa pequena e impulsivamente começava a puxar o manto do Murai para cima.



–Não acha que não é momento e nem lugar adequado para isso? – Naoyuki sorriu em humor.


Hiroto deixou uma tosse seca lhe escapar enquanto mirava as faces surpresas dos soldados que os seguiam e balançava a cabeça em negativa.



– Quatro anos, Nao... malditos quatro anos sem ao menos uma pista de que o veria ... o mundo está um caos, não há momento e nem lugar não adequado pra qualquer coisa – o cientista respondeu em um sorriso rugido, não se importando com o espectadores e empurrando o menor com seu corpo até que este se chocasse contra uma das paredes maciças de pedra e madeira.


O Murai olhou por cima do ombro do maior, sorrindo nervosamente quando este lhe levantara e prendera suas pernas em sua cintura. Mirou o Dono de Gather Roses e Saga lhes encararem com expressões distintas e suspirou em cansaço.



“Jovens...”



–E como está a situação? Fazendo bom uso de Shou-sama? – Questionou em compostura plena, ainda que as mãos alheias voltassem a lhe apertar as coxas.


–Com certeza... adorei o presente, até te perdoo por ficar tanto tempo sem entrar em contato – o cientista assentiu, não parando a trajetória da boca e da língua na jugular alheia.


–Onde estão os demais? Yuuto já foi derrotado? – o ex-conselheiro parecia mais interessado em conversar do que retribuir a libido do maior, o que fizera Kai bufar em desagrado e soltar o corpo pequeno repentinamente, se afastando de modo impaciente.


–Tudo correndo como você queria, Uruha e Yuuto acabarão matando um a outro, Kohara sobreviverá, e agora sob controle do poder daquele olho será apenas questão de “mate-os” para se livrar de todos os outros que poderiam ser uma ameaça para o trono do seu estúpido pupilo Kazamasa... se eles não morrem por agora, estou certo? Inclusive meu irmão, meu pai e até mesmo eu...


Os olhos do Murai se alarmaram rapidamente, e o pequeno ex-conselheiro chefe sorriu amarelo em um bom disfarce de seu sobressalto.


–Por que eu faria isso? – Naoyuki questionou ao erguer uma sobrancelha.


Kai gargalhou rapidamente e caminhou um pouco mais em direção ao ex-cortesão Kazuki, sentado ainda ao lado do corpo morto de Manabu.


–Seu soldado da direita está apenas esperando o seu sinal para que avancem contra Kazuki-san, por que outro motivo estaria com um pequeno exército quando se mantivera apenas esperando toda essa guerra se findar? – o cientista continuou – e principalmente... por que estaria escondendo isso em suas vestes? – questionou ao levantar uma das mãos e mostrar dois frascos transparentes com uma substância de coloração esbranquiçada.


O Murai novamente se mostrou discretamente sobressaltado ao levar a mão em reflexo até a parte de trás da vestimenta. Um sorriso fino se desenhou na face mais velha.


Kazuki se levantou de modo imponente e sério. Era só o que lhe faltava...


–Então estava pensando em se desfazer de mim também, Murai-san? O que o dono de um prostíbulo teria de mal para oferecer contra o trono de alguém? – o ex-cortesão contestou.


–Kai está apenas especulando – Naoyuki assentiu em um sorriso convincente, mas que não agradou em nada o proprietário de Gather Roses.


–Que perverso você... – Kai retribuiu o sorriso fino do amante — ... e eu que vou até te ajudar... – finalizou ao puxar sua espada em um movimento muito rápido, enfiando-a entre o peito e estômago do maior atrás de si.


Kazuki cuspiu sangue com o golpe, levando as mãos ao ferimento por reflexo. O Yutaka puxou a arma num movimento mais lento, deixando o corpo do ex-cortesão cair ao chão em um baque mais pesado.


Naoyuki franziu o cenho numa demonstração de estranheza... onde seu “adorado discípulo” queria chegar?


–Devo dizer que você quase me enganou... – Kai sorriu de lado, os guardas que seguiam atrás de Hiroto montaram guarda rapidamente enquanto um confuso Saga observava tudo sem nada fazer, apertando o cadáver parcialmente queimado do Amano em seus braços — ... eu realmente cheguei a pensar que você teria aberto mão de Kohara em prol do bem estar de toda Vijukei... se Yuu não tivesse me contado sobre “estranhos artefatos” utilizados pela resistência para bloquear as minhas “invenções”... eu teria realmente seguido tudo como você esperava que eu seguisse...


O Shiroyama respirou fundo e jogou ambos os frascos em sua mão contra o piso, estilhaçando-os em fragmentos e fazendo o líquido neles escorrer.


–Posso dizer a composição disso só de ver a cor e sentir o odor... – sorriu em um retroceder cuidadoso de passos para trás — ... por que estaria tão preocupado em bloquear minhas armas se estava contando comigo e com elas para vencermos? Há quanto tempo rouba informações de meu laboratório?... E o mais importante... há quanto tempo mantém contato com os mercadores ocidentais? Já que conseguiu cópias das matérias-primas que Vijukei simplesmente não é capaz de produzir?


Naoyuki liberou um bufar em escárnio e sorriu de lado. Levantou uma das mãos firmemente, os soldados atrás de si, assim como Hiroto, ameaçaram avançar contra o cientista.


–Foi então que me dei conta... você nunca abriu mão desse inútil Kazamasa... – Kai rugiu entre dentes — ... você não o enviou como um brinquedo para mim... na verdade, eu era o brinquedo dele... você estava me usando.... apenas me usando para colocar aquele maldito retardado no poder de todo o país... e pra quê, Nao? Pra quê? Por que considera tanto esse imbecil e despreza seu discípulo mais bem sucedido?


–Acho que você já sabe a resposta – o Murai rebateu em calma, o exército avançando mais um passo.


Kai sorriu amargo, estranhamente guardando sua espada de volta à bainha e pegando um par de armação de metal de lentes.


– Quatro anos... quatro anos foi o que precisou para estar onde precisava estar, fazer o que precisava fazer... preparar tudo já que o plano original tinha ido pelos ares, certo? – o cientista continuou, não parecendo intimidado com o avanço do destacamento contra si, ajeitando pausadamente a armação contra o rosto — ... eu devia ter percebido antes... quando suas visitas frequentes simplesmente acabaram quando a esposa de Yuu morreu, é esse o seu sinal, não é? Se afasta e confunde amigos e inimigos ao simplesmente atacar de surpresa... provavelmente Shiroyama estaria em problemas se Hana não tivesse sido aquela a ser invadida no começo de tudo... provavelmente agora todos estaríamos sob o comando de um ridículo imperador Kazamasa que chegaria até o topo sem nenhum talento ou vontade, apenas pelo trabalho árduo de um conselheiro e mestre que parece estranhamente acreditar que seu mais fracassado discípulo mereça ser o maior líder de todos os tempos...


–Nao-san...! – Saga exclamou em confusão... do que o Shiroyama estava falando?


–O que houve? Saga-san era só uma peça também? – Kai sorriu — ... e ainda assim uma peça que consideravas mais digna que eu?


–Seu sentimentalismo sempre foi o que o impediu da perfeição... – o Murai se pronunciou em enfado.


–Hunf... você não está mais próximo disso do que eu... – Yutaka rebateu em humor -... afinal seu próprio e tão querido Kohara foi aquele a arruinar tudo... mesmo depois de você ter se esforçado tanto para ter tudo sob controle ainda que um inimigo inesperado e acontecimentos tão inusuais acontecessem... como a existência de um bruxo que estava cavando seu terreno há muito tempo... mais tempo que você.... me pergunto como você teria se virado se Kohara não tivesse te traído e te avisado sobre a “suposta ameaça” de meu pai antes de tomar decisões burras e te obrigar a recuar e brincar de “subir um novo líder” até que pudesse readaptar o plano novamente...será que Uruha-san sabe que ele também só era um objeto provisório e seguro? Será que toda a Resistência sabe que eles também são meramente ferramentas para limpar o caminho? Hunf... provavelmente não, certo? Afinal você readaptou tudo tão bem... quatro anos foram bem proveitosos...


–Eu preferia ter tido mais, quatro anos não foram o suficiente para te impedir de me ler pelo visto, mas algumas pessoas simplesmente saem do nosso controle... – o Murai levantou os braços em um humorado comentário.

–E até mesmo fora de controle elas são uteis... como meu conhecimento e habilidades para que Kohara utilizasse aquele olho... Posso supor que você inicialmente planejava respeitar a vontade dele de não tocar naquilo, e também não brincar com coisas das quais não tinha informações o suficiente, mas com Kazamasa te jogando pra escanteio e com toda a verdade do submundo de Vijukei diante de nossos olhos... utilizá-lo foi o plano mais assertivo... estou enganado, sensei?


–Não... não está – Naoyuki assentiu, sorrindo para o quão patético o shiroyamiano parecia ao atuar como um aluno que almejava surpreender seu mestre — ... quer um beijo de parabéns?


–Eu vou aceitar sim ... – Kai retribuiu o sorriso do menor, gargalhando escandalosamente quando os soldados deste lhe cercaram, encostando-se o máximo que podia contra o muro gelado atrás de si — ... que você vá tão longe para que alguém, que nem ao menos deseja isso, seja o imperador de todas essas terras... é realmente um desperdício Nao... você é tão sentimental quanto eu... ele nem ao menos tem o seu sangue...


–Eu fiz uma promessa quando aquela criança nasceu... – a voz séria o Murai seguiu seu semblante carregado — ... uma criança tão rejeitada pela própria família e condenada a jamais ter nada no mundo... ele não precisa ter meu sangue para isso...


Kai também franziu o cenho.


–A morte do irmão mais velho dele então deve ter o seu dedo no meio... – o cientista bufou — ... que pena...Mate-os.... – bradou em um olhar sério e ameaçador.


Um grito escandaloso foi ouvido do canto esquerdo e o Yutaka sorriu ao apontar o dedo para a origem do som, levando Hiroto e os demais soldados a olharem na direção apontada. Kai escapou espertamente para o lado oposto e se manteve distante enquanto o sério e sem vida Kazamasa avançava contra a formação de homens, cortando alguns com a espada que trazia em sua mão, enquanto outros apenas cortavam suas próprias cabeças quando diante do poder e aura vindos do olho esquerdo deste.


Hiroto sentiu seu sangue congelar e se forçando a ser racional fechou suas pálpebras, dando passos para trás de seus homens.



–Você não disse que ele estaria lutando contra Yuuto? – O Ogata gritou em direção ao Murai — ... coloque-o sob controle agora...


–Ele não pode... a imitação de minha droga que ele tinha está agora evaporando no chão ... – Kai sorriu em triunfo, caminhando rapidamente até o desprotegido Murai, evitando que este lhe atacasse ao lançar-lhe as mesmas estruturas metálicas que usara para aprisionar seu pai anteriormente, colando-o à parede ao lado dos grandes portões.



–Shou...! – Saga exclamou entre os pedaços de carne e sangue que jorravam diante de seus olhos. Seu corpo parecia paralisado e em reflexo ele se levantou, se recusando a deixar o corpo pesado e morto de Shinji para trás, tentando levá-lo consigo ao se adiantar em fuga.



Um soldado que antes havia tido suas pernas cortadas pela lâmina do Kazamasa segurara no pedaço de tornozelo carbonizado do Amano numa tentativa falha de pedir ajuda. Saga rugiu e novamente puxou o corpo morto do amante para si, se virando para fuzilar o maldito subordinado alheio que ousava fazer aquilo, só então percebendo que o amigo de infância, aquele que servira há anos ... já estava matando um dos últimos soldados, a menos de um metro em sua frente.


Deveria correr... aquele não era o Shou, ele o mataria... com certeza o mataria.... tornou a puxar o corpo de Tora, mas o soldado aleijado simplesmente não parecia querer larga-lo... Saga permaneceu naquela guerra... não podia deixa-lo para trás, não podia... ainda que ele não estivesse mais vivo... aquele tigre idiota... não podia deixa-lo...


O descontrolado Kazama se virou então para o amigo de infância, Saga ainda teve a consciência de auto proteção ao fechar os olhos e abraçar o cadáver do amante contra seu peito, desistindo de vez de tirar os dedos do maldito soldado de seu tornozelo.


Shou então finalizou o pobre aleijado ao cortá-lhe a cabeça, e, como se desconhecesse totalmente o amigo em frente a si, também ergueu sua espada contra este.


“Tora...seu idiota...”


Foi a única coisa que o Sakamoto pensou ao espremer os olhos e ouvir o brandir da lâmina no ar.


A espada acertou em cheio o pescoço do ex-general de Hana e o corpo deste caiu junto e ainda agarrado ao cadáver em seus braços antes do Kazamasa se virar finalmente para o único de pé ali.


–Kohara... – Hiroto chamou ao desviar o olhar do globo negro e vermelho, sentindo suas mãos tremerem em sua espada.


Nao se forçou contra os trincos de metal e diante de uma singular armação metálica em seu pulso os pinos cederam, fazendo o menor aterrissar calmamente ao chão.


Kai franziu o cenho e se adiantou em direção ao amante, porém este arremessou com exatidão um pequeno vidro em direção ao Ogata, lhe desferindo um golpe no rosto logo em seguida, antes de lhe apontar a espada média contra o pescoço.


–Ainda tinha mais um? – Kai questionou ao cuspir o sangue da ferida na boca para o lado.


Hiroto pegou o vidro em mãos e se abaixou para fugir do ataque do maior contra si, se munindo rapidamente de um lenço, derramando o liquido neste antes de correr e se esquivar de outro ataque, circundando o Kazama e subindo nas costas deste ao forçar o lenço contra suas narinas.


–Kohara... me escuta... pare o ataque... pare o ataque... – Hiroto começou a gritar enquanto um desorientado Kazamasa se debatia — .... Kohara.... volte a si... pare o ataque...


O maior deixou a espada cair ao chão e o corpo cedeu, os joelhos indo de encontro ao piso coberto de sangue. Os olhos piscaram muito rapidamente e a mão esquerda foi impulsivamente se por contra o olho negro, tampando-o...


–KOHARA... – Hiroto gritou mais uma vez.


Shou tornou a piscar os olhos e, como se despertasse estranhamente de algum lugar, mirou confuso toda a cena ao seu redor.


–Pode soltar Hiroto – o Murai ditou em direção ao mais jovem, o loirinho de pele amorenada o obedeceu, tirando o tecido do rosto do maior e dando alguns passos para trás.


–Então essa é a “rainha” que você treinou para ficar ao lado do seu “rei”? – Kai sorriu debochado em direção ao amante e este forçou mais a lâmina contra o pescoço do shiroyamiano, provocando um leve corte neste — ... por que tanto esforço por alguém que nem mesmo pode deixar descendentes ou sequer tem o desejo de governar? Por que você sempre o escolhe? Por que não eu? NAO – gritou em uma voz rouca e grave, arrancando um sorriso de lado do Murai.



– Eu não preciso te responder, certo? – Naoyuki rebateu, se abaixando para depositar um último beijo na boca ferida do cientista – eu amo você... – sussurrou cinicamente.


–Mentiroso – Kai sorriu de volta e antes de sentir o fio da lâmina alheia lhe perfurar a jugular ouviu com deliciar o grito do Ogata invadir sua audição.


Nao olhou por um segundo para a origem do som e Kai aproveitou a brecha para se levantar e colocar a lâmina de uma pequena adaga contra a cútis do menor logo após prendê-lo contra seu corpo.


– Não era só a droga, amor... tive quatro anos muito promissores também ... – sussurrou ao ouvido do Murai e este estagnou um rugido ao ver a espada na mão do Kazamasa fincada no peito do Ogata enquanto agulhas saiam do cabo desta e se ligavam aos nervos da mão do maior — ... caso queira saber... esse metal veio do país próximo ao polo, mas a tecnologia é completamente minha... mereço dois beijos agora?


–Hiroto... – Shou exclamou ao ver sua mão empunhar a espada cravada no peito do ex-amante – eu não... eu não fiz isso... eu....


Hiroto engoliu o sangue que lhe subia pela garganta e sentiu o corpo cair assim que a lâmina saiu de sua carne. Shou tentou tirar a espada de seus dígitos, mas os fios de metal pareciam totalmente grudados em seus nervos...


–Não, não... Hiroto... ei... – Kohara se adiantou para o corpo caído do menor, e sem que seu corpo ordenasse sua mão se moveu e voltou a fincar a ponta da lâmina contra o já fatalmente ferido moreninho – Não... não... – o Kazamasa repetia ao puxar a espada de volta e tentar tirá-la a qualquer custo.


O que estava acontecendo? O que tinha acontecido? Por que Hiroto estava ali? Por que ele estava ali? Onde ele estava? Por que sua mão não o obedecia?


–Kohara... – um sussurro fraco chamou a atenção do maior para o menor novamente, e este tivera o cuidado de tampar o olho negro em seu rosto ao mirar a figura agonizante do ex-amante — .. estava me perguntando quando ...iria deixar sua aura de bom moço...


Com um fraco sorriso de lado os olhos do Ogata se fecharam antes de seu peito subir e descer pela última vez.


–Hiroto... – Shou chamou atônito, levando a mão ao rosto infantil do Ogata e acariciando a bochecha deste de modo lento ... o que havia significado tudo aquilo? Era um pesadelo?


Num rompante de consciência mirou em volta e viu muitos corpos e sangue no chão... ele tinha feito aquilo também?


Os orbes então pararam na figura de seu mestre e mentor em frente ao corpo do cientista que odiava, tendo uma espada contra seu pescoço segurada pelo último.


–Oi Kohara... – Kai sorriu — ... teve bons sonhos?



Shou franziu o cenho e se colocou de pé, decidido a, pela primeira vez em sua vida, tirar a vida de alguém por vontade própria. Porém, foi ao se levantar que o peito doeu, o ar faltou e o corpo voltou a se ajoelhar no chão.


Levou a mão ao foco da dor no lado esquerdo, mirando com a estranheza o sangue que saía dali através de um curativo médio no peito nu.


–Não... – Naoyuki rugiu ao se adiantar contra o pupilo, tendo a lâmina em seu pescoço tirando-lhe sangue enquanto o braço do Shiroyama ainda lhe prendia.


–Lembra-se de quando me disse que adaptações nunca são tão boas quanto o plano original? – Kai questionou retoricamente ao amante — ... o seu teve readaptações de mais... estava certo de que eu não abriria mão de ter uma arma tão útil quanto esse olho de Kohara em minhas mãos, não estava? Por isso contava que acontecesse o que acontecesse, eu o manteria vivo... ele durou mais do que esperei...


–Kai... – o Murai chamou ao virar a cabeça para o lado — ... amor...


O cientista deixou se deixou acometer por gargalhadas e acariciou o rosto contra as madeixas castanhas do amante de forma contempladora.



–Eu devo realmente ter te pegado nessa... Ah... Nao... – mordeu levemente a cútis depois de fazer o menor inclinar a cabeça pro lado oposto — ... você perdeu...


Shou sentiu sua força sumir e antes que pudesse se situar direito sua mão se moveu novamente sem seu consentimento, apunhalando-lhe o peito, terminando com as batidas de seu coração de uma vez por todas.


O corpo morto do Kazamasa despencou contra o piso e o olho negro deste gradativamente assumiu uma coloração completamente branca e cega.


Nao mirou o corpo do discípulo favorito com pesar e uma lágrima involuntária lhe correu pelo rosto... tanto que fizera, vivera e lutara para que aquela criança fosse o maior líder que a história já teve... e agora... havia perdido... havia perdido...


–Tem sorte de você ter sido bem sucedido ao menos em se impregnar em cada parte do meu corpo ao ponto de que eu não suporte a ideia de estar em um mundo onde você não exista... – o cientista cochichou ao ouvido do desolado menor, jogando-o contra o chão. Nao o encarou em desafio e o Yutaka voltou a sorrir de modo insano — ... ou talvez tenha muito azar...


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“Deveria se sentir renascido por receber uma oportunidade dessas depois do que fez” as palavras escapavam em tom mórbido da boca da imortal antes que esta recolocasse a pequena alma em sua mão dentro do corpo da criança recém-nascida.


“Ele virá por você... logo... realize meu desejo e você poderá viver mais uma vida humana limitada e breve... Joshua...”.


–Ajude Yuuto a conseguir poder o bastante para acabar com a minha existência... – o monge sorriu de lado ao puxar novamente o báculo do peito do bruxo, olhando com desagrado a outra mão sem dedos lhe fazer perder sangue — ... foi o que Omi disse... aquela vadia lésbica, achava mesmo que me manter nesse corpo compartilhado com esse monge resolveria tudo? – rugiu, voltando os olhos para o agonizante feiticeiro no chão.



–Que merda está acontecendo? – Aoi questionou em confusão, rolando os olhos para o companheiro logo ao lado.


–Não importa, vamos quebrar isso de uma vez – Uruha ditou ao refazer mais um selo e explodi-lo... mirando com afinco o rostinho assustado de seu pequeno bem diante de si.... faltava tão pouco...



–Ficar preso dentro da mente desse boa vida foi quase uma tortura, sabia? – Joshua rugiu para o quase inconsciente bruxo que não conseguia regenerar suas feridas, provavelmente pela energia do religioso contida na arma. Os youkais centrais de sua composição se contorciam para tentar se separarem e abandonarem sua carcaça antes que fosse tarde demais.... porém, estes também não estavam tendo sucesso — ... ainda que ele tenha em partes crescido como eu... ver minha vida se repetir pela segunda vez não foi nada divertido, ainda mais tendo o cérebro subdesenvolvido de um monge tão cego e confiante nos mandos daquela imortal.... – baforou em tédio ao rodar os olhos — ... e idiota o suficiente para crer que tudo que sua mestra queria era somente um espião ao seu lado que conseguisse confiança o suficiente para te matar assim que eu fosse acordado dentro dele... faça-me o favor... ele foi até mesmo idiota o bastante para se apaixonar por você... – gargalhou em escárnio, dando as costas para o ex-amante e caminhando em direção ao portal ainda aberto e luminoso — ... devo ser grato por tê-lo feito te amar, Yuuto, amor... foi o inútil sentimento por você que deixou nosso querido Rui confuso e fraco o suficiente para que eu o expulsasse para o confins dessa mente limitada.... e te deixou mais burro do que o normal....hunf... não percebeu nada... e eu que de inicio achei que essa sua falsa imortalidade fosse alguma coisa... inocência minha pensar que naquele tempo alguém como você seria de ajuda...- sorriu — ... mas toda essa limitação humana... está prestes a acabar....


O olhar divertido do monge se estreitou em animação ao sentir o outro lado do portal tão próximo de si e este fechou os olhos em contemplação da energia que fluía dali. Sentiu um leve comichar em suas costas e se virou em sobrancelhas franzidas, notando que o caído e agonizante bruxo ainda ousara levantar um dedo em uma inútil tentativa de lhe acerta um golpe, fraco demais para causar danos.


–Seu amor por mim não era tão forte e útil afinal – Joshua sorriu de lado — ... me trocou tão facilmente....depois de tudo que tive que passar por sua incompetência...



Yuuto tremia em colapso e suas entranhas pareciam querer se abrirem por si mesmas... aquele... aquele era por quem dedicara todos aqueles séculos?


“ Engraçado como mesmo depois de morto Joshua continua te manipulando...”


Um sorriso sem sentimento, apenas divertido com a própria existência sem sentido. De repente as palavras de Omi faziam sentido...


“...sua confiança está ligada com o seu amor, e você não me ama ...”


Quem lhe dissera aquilo? Seria Rui ou Joshua?....


“Parece que estava errado afinal...”.



Sentiu o corpo ser atravessado novamente pela lâmina do báculo do religioso e sorriu... o rosto era o mesmo... mas aquele olhar... aquele sorriso de escárnio... não era em nada igual a sorriso charlatão do monge... por que não percebera?


“Rui...”


Joshua retirou sua arma do peito alheio pela última vez, encarando numa feição enigmática o corpo corrompido do bruxo se tornar lama negra e derreter...


–Não é relevante... – o religioso sussurrou em uma aparente reposta mental à rápida e fisgada dor no peito.


Um estrondo tirou sua atenção do estado atônito que se deixara ficar e mirou com nervosismo o fato de uma abertura considerável ter sido feita na barreira viva do bruxo... tinha que se apressar. O olhar encontrou os olhos negros e vermelhos do lider ameniano e Joshua sorriu... em vitória, saltando para trás, para bem próximo do portal.


“Ajude Yuuto a conseguir poder o bastante para acabar com a minha existência... e não permita que ele entre no mundo imortal...”


Tinha sido esse o acordo com Omi.


–Bem... como queira... Yuuto jamais adentrará o mundo imortal...– se projetou para se deixar cair dentro do circulo luminoso.


Um tintilar muito rápido e alto de algo semelhante a vidro, um vulto negro rajado empurrou seu corpo para o lado o impedindo de adentrar o circulo de passagem para o que almejava há um milênio.


Uruha sentiu seu corpo querer colapsar pelo exagero de energia que usara até ali, mas teria que aguentar... o joelho esquerdo encontrou o solo gelado por necessidade e o peito do ameniano arfava em falta de ar... por pouco não conseguira a tempo.


Mirou o monge que acabara de empurrar para longe e calculou rapidamente o quanto demoraria para seus guerreiros restantes e seu companheiro o cercarem.... tempo mínimo para muitos, mas demais para o religioso que não pensaria duas vezes antes de se lançar contra o portal assim que saísse dali ainda que fosse para pegar seu filho ou ativar a barreira que daria fim naquilo tudo...


Um plano muito falho lhe veio à mente quando o general shiroyamiano o seguira e também adentrou o domo pela grande fenda lateral que conseguira fazer, pegando seu pequeno Riki nos braços. E foi sem dar nenhum pensamento ao impulso que o ameniano levantou as mãos ao liberar rajadas de vento, inundando a barreira quebrada, impedindo seus guerreiros de entrar, arremessando o companheiro e filho para fora desta e do limite que precisava.


Se ajoelhou, o corpo e energia escassos... não aguentaria mais, ainda que estivesse naquele estado... não suportaria mais... não com o que estava prestes a fazer.


Levou as palmas ao chão e um círculo vermelho se desenhou embaixo delas, logo os quatro pontos nas paredes do grande salão brilharam, cercando o perímetro do portal, ameniano e monge em um triângulo translucidamente vinho.


Aoi se adiantou para frente assim que a ventania parou, assim como os demais guerreiros amenianos, porém foram totalmente impedidos de se aproximarem devido à nova barreira formada naquele espaço tão pequeno.


Mirou com desespero o amado ofegar, ajoelhado a frente do circulo luminoso... ele estava cansado.... por que?



–Essa barreira... – a voz de um dos guerreiros da extinta Akai Ame chegou a sua audição enquanto seu pequeno parecia inquieto em seus braços ao chorar compulsivamente e gritar enquanto batia as mãozinhas no limite vinho.


–Não, papai... não... – Riki gritava entre as lágrimas, sabia o que aquilo era.


Uruha sorriu sem graça pelo desespero do filho... pelo visto seu pequenino havia lido coisas suas sem permissão...


–Desculpe amor... – o lider ameniano dedicou um olhar choroso ao pequeno, ao se esforçar em se colocar de pé, cambaleando por sentir a energia fluir para fora de seu corpo e se unir ao fortalecimento da barreira que fizera.



Só então Aoi parecera notar que o portal atrás do companheiro havia assumido uma forma irregular... pontas de energia saiam como fios grossos... em direção a fronteira translúcida de cor vinho...


–Aquilo... – Aoi começou ao se dar conta do que estava se passando ali.


–Está sugando toda energia contida nela ... – o guerreiro ameniano respondera em uma voz triste, se ajoelhando numa estranha postura lamentadora. Logo os poucos guerreiros ali faziam o mesmo, enquanto as amenianas apenas se mantinha como bonecas vazias a espera de ordens.


Aoi sentiu seu sangue congelar.


–Sem energia... ele vai... – se desesperou e se uniu ao filho em tentar de algum modo golpear a pirâmide vinho que o impedia de chegar ao amado.



–Não... – Joshua rugiu entre dentes, se lançando com desespero contra o portal que se dissipava, sendo impedido novamente por um ofegante Uruha que se colocara a sua frente.


–Você... não vai passar... – Kouyou ditou, os olhos vermelhos voltando à coloração chocolate, os cabelos escuros retornando ao tom loiro original.



–VAI MATAR A NÓS DOIS! – Joshua gritou ao se sentir ser consumido compulsivamente — ... estava tão perto...


–Que seja... – Uruha sorriu entre a respiração descompassada — ... sem mais problemas... esse mundo já sofreu demais...



–Não mesmo... não mesmo... – Joshua murmurou entre dentes, se jogando contra o ameniano com tudo que tinha, tendo o corpo deste a bloquear o seu. Mirava com insanidade o portal diminuir cada vez mais atrás deste, estendendo suas mãos como se ao se esticar pudesse alcançá-lo antes que se fechasse... jamais conseguiria ter outro aberto daquele modo... não podia deixar aquela chance escapar... não podia... estava tão perto...


O Takashima sentia o outro querer lhe atravessar a base da força, mas por sorte ainda restava o mínimo de energia para impedi-lo. Faltava pouco para que aquilo estivesse terminado, logo sua barreira teria consumido toda a energia dentro dela... e tudo estaria acabado...


Tudo... Inclusive ele mesmo. Não podia permitir que aquele mundo sofresse ainda mais com toda aquela confusão imortal...


–Não é justo... – sorriu ao se lembrar das palavras do general haniano...


Mirou os olhos chorosos e desesperados de seu pequenino, rolando a íris mais para cima e vendo expressão semelhante no rosto do general shiroyamiano... sorriu de lado em ironia... seu peito, seu coração, sua cabeça e corpo pareciam se negar a aceitar a morrer ali... eles queriam viver, viver e cuidar de seus filhos, viver e fazer amor com o homem que amava... viver junto dos amigos que ainda lhe sobravam.... queria viver... queria tanto viver...



–Não é justo... – sussurrou novamente, uma lágrima completamente rubra em sangue lhe descendo pelo rosto enquanto o monge se debatia contra si — ... não é justo...


O corpo fraquejou repentinamente, e o esforço do religioso em lhe empurrar tivera sucesso no que pretendia.


Ambos os corpos foram lançados para dentro da pequena figura luminosa.



Os Orbes avermelhados do Shiroyama se alarmaram em incompreensão e desespero ao ver o amado e o monge sumirem dentro do fraco traço no centro da pirâmide e atonitamente continuou a assistir enquanto as paredes vinhos sugavam o que restava do portal luminoso ali dentro, antes que este simplesmente sumisse completamente e a barreira finalmente se desfizesse, jogando o shiroyamiano apoiado nela ao chão... atônito enquanto seu pequeno também expressava sentimento semelhante em sua face.


–Papai? – Riki questionou em sua vozinha rouca e rasgada pelo pranto — ... para onde o papai foi?


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Notas finais
* Kagema: Masculino de Gueixa