Vidas Paralelas

4 Encontro a plataforma fechada


Notas iniciais
Olá pessoal, desculpem a demora. Estou voltando para dar um pouco de respostas (ou mais perguntas) a vocês! :) Divirtam-se!

Olha, uma coisa que não é nada, nada fácil, é ficar em dúvida sobre quem acreditar em uma situação. Dessa vez havia cem por cento de chance de eu estar errada. De eu estar ficando louca. De eu estar sendo vítima de um feitiço muito poderoso. Não haviam dois Snapes. Não havia carro, atropelamento, diabretes. Livros. Magia. Eu era uma paciente maluca voltando em uma ambulância que, jurava eu, ser roxa por dentro. Ali estava eu dentro de um táxi, em silêncio, olhando para minhas mãos enquanto os dois homens discutiam sobre o verdadeiro objetivo de se carregar Diabretes/araras pelas ruas.

Snape argumentava que não estava ciente de animais silvestres, e que estava voltando da França, então não era fisicamente possível estar vindo de Londres. O gigante teve de concordar, apesar de ter certeza que os dois só podiam ser gêmeos que nunca haviam se conhecido. Eu pensei um pouco nisso.

–- Snape, hum, você se lembra quando era criança e afirmava que queria ter tido um irmão gêmeo?

–- Que história é essa? Eu gosto de ser filho único.

–- Eu me lembro — disse — eu lembro bem quando ficávamos à beira do lago pensando sobre como gostaríamos que nossa vida fosse. Lembro que você falava seus desejos para as folhas e as soltava no ar, enquanto elas voavam por conta própria.

Ele parou para pensar por um momento. O carro continuava em movimento, enquanto passávamos pelas paisagens secas do caminho entre Folkestone e Londres. As janelas, agora abertas, permitiam as lufadas de ar dentro do veículo, e faziam meu cabelo voar e se emaranhar. Eu estava me ajeitando no banco, quando Snape me deu um susto.

–- Lílian! — ele exclamou — eu nunca falei isso. Eu não falo com plantas! Você disse que eu falava com “folhas que voavam por conta própria”. Mas isso não existe. Mais um pouco de imaginação hein...

–- O que está acontecendo? — perguntei, preocupada — é sério, deve haver um grande feitiço de azararão aqui, ou até mesmo Poção Polissuco ou...

–- Lílian? Lilian vamos! Sou eu!

–- Com licença crianças, mas ouvi na rádio que a Ponte de Londres teve que ser interditada. O homem com arma de energia decidiu atacar por lá. Vou ter que deixá-los aqui, para evitar a pista principal. Não acho que esteja voltando a Londres hoje, se é que me entendem.

–- Mas como assim! — gritei. O motorista já estava diminuindo a velocidade — estamos na metade do caminho!

–- Vamos descer Lilian, eu conheço aqui. As Cavernas de Chislehurst. — Snape disse com uma expressão estranha.

–- Chislehurst! Menos de uma, UMA, hora pra chegar em Londres. Eu não vou descer. — me virei para o motorista — siga o caminho, pagamos a diferença.

–- Vou dar uma volta maior, para evitarmos qualquer contato com ele.

Continuamos no carro enquanto o gigante serpenteava pelas ruas estreitas e cheias de plantas e árvores do Reino Unido. Snape parecia decepcionado por não ter descido para ver os morcegos nas cavernas, mas eu tinha coisas mais importantes para fazer. Já haviam muitos imprevistos nessa viagem. Snape começou a folhear meus livros de forma automática, acreditando que não passavam de informações da mente de um autor de ficção. Remexi em minha bolsa me lembrando de algo que talvez eu fosse ter a necessidade de usar.

Fora da escola. Ainda hoje.

***********

Chegamos em Mayfair, um dos distritos de Londres, que fica a pelo menos 8 km da Ponte de Londres. Pagamos uns galeões a mais, com a certeza de que estávamos mais seguros. Snape fez questão de carregar todos os livros e bagagens que eu trazia, enquanto eu fiquei encarregada de levar as diabretes. O motorista me deu desconto por se livrar delas.

Andamos a pé por ruas retilíneas por certo tempo, até avistarmos um outro táxi. Um táxi trouxa. Fiz menção para o motorista, que continuou em seu lugar. Entramos.

–- Por favor, nos leve até a Estação King's Cross.

–- Apenas tome cuidado com essas araras. — o motorista olhou do espelho retrovisor.

–- Sim, tomarei. — disse, enquanto Snape fitava os prédios do distrito com certa desconfiança.

–- Eu morei num lugar assim. Não era tão agradável. Haviam pessoas perigosas com roupas extravagantes.

Essa definição: bruxos. Pela visão de trouxas.

–- Ah, sim garoto, essas pessoas são vistas com muita frequência em Londres. Parece até uma convenção de pessoas estranhas.

Me senti ofendida.

O carro partiu de forma silenciosa e todos estavam calados quando o motorista ligou o rádio. Ele comentou conosco que não é algo muito comum a se fazer em Londres, mas eles estavam sob ataque aquele dia.

–- Sabem — disse ele quando chegamos, quinze minutos depois — eu espero que vocês cheguem em seu destino. Soube que alguns trens estão sendo desativados esta tarde.

–- Obrigada.

***********

A estação estava vazia. Não era de costume. Eu estava cansada demais para continuar aquela brincadeira, então me movi até a minha plataforma. Snape me seguiu, se perguntando para onde eu ia. Eu estava cansada, descabelada, aturdida, acalorada e com fome. Para completar um trouxa com cara de galã veio me seguindo desde a França afirmando me conhecer. Eu estive esse caminho todo tentando desvendar esse mistério.

–- Para onde vamos?

–- Eu vou para minha escola.

–- Eu te acompanho. — ele arrumou os livros contra o peito.

–- Não será possível, e nem preciso eu imagino. Siga agora seu caminho.

–- Quanta rudeza, Lilian. Eu levo seus livros e você me apresenta a escola. A cozinha, os locais interessantes, os dormitórios...

Olhei de soslaio para ele. Ele deu um sorriso torto. Droga. De novo.

Parei no meio do caminho, atordoada. Havia uma folha, um pergaminho, colado na Plataforma 9 ¾.

“Estamos fechados por motivos de segurança”

Respirei fundo.

Era só o que me faltava.

–- O que aconteceu Lilian? Parece decepcionada.

–- Não é nada. É só que estou presa em Londres.

–- Então vamos achar um jeito de ir a essa escola. — disse ele, mexendo em sua própria bolsa e retirando de lá um diário.

Um pequeno diário preto.

Notas finais
Vish, por essa nem eu esperava.