Vidas Paralelas
5 O perigo aparece às avessas
Notas iniciais
— Eu não compreendo.
— O que você não compreende? — Severo disse.
Snape caminhava a passos rápidos a caminho da biblioteca francesa. Ele sabia que sua amiga estava em algum lugar, perdida e em perigo. Seus cabelos compridos e oleosos, e seu nariz absurdamente grande o destacavam na multidão. Aquele era Snape. E, do lado dele, uma garota de cabelos acobreados o acompanhava, vestes normais e cabelos presos. Ela o vinha acompanhando desde a Inglaterra. Era Lílian. Mas não podia ser ela.
— Eu preciso avisá-la que alguém está atrás dela. Esse era o objetivo das diabretes! — ele gesticulava, ainda estarrecido pelo problema que essas criaturas causaram no caminho para a França.
— Mas o que são diabretes? — ela pensou um pouco — você está falando das araras? E quem está atrás de mim?
Mas Snape não estava mais ouvindo. Passava em frente à Loja dos Duendes Anciãos de Coquelles. Alvo Dumbledore, cujo nome era deveras respeitado, gostava de chá de baunilha especialmente temperado com pé de mandrágora. E só eles têm. Faltava alguns metros para chegar à biblioteca. Snape procurou sua varinha no bolso. Era um caso de extrema urgência.
Mas Lilian segurou seu braço. Os dois pararam no meio da rua.
— Por favor, eu preciso ir pra casa. — ela disse nervosa.
Ele puxou o braço e voltou a dar passos largos.
— Mas eu não posso fazer nada. Você não é minha amiga. Você é uma Lílian, definitivamente — ele afirmou enquanto caminhava mais rápido, o rosto um misto de suor e oleosidade — mas não é a Lílian que eu conheço. Assim como eu — ele ofegou — não sou seu Snape. Não sou seu amigo.
E então Snape deu de encontro. Havia um homem, de aparência ofídica.
Severo engoliu em seco. Era ele. O homem da profecia.
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