Vidas Em Guerra

10 Triste Despedida


Notas iniciais
Oiê =]
Mais um cap, espero que gostem

Era começo de tarde e ela ainda estava lá. Tinha fome, mas não o bastante para se forçar a procurar algo para comer. Queria subir no velho carvalho até o ultimo e mais alto galho possível, mas sabia que não teria forças. Por isso Sarah apenas continuou parada, olhando o rio em que passou grande parte de seus momentos na infância e sob a copa do velho carvalho que ainda guardava entre suas raízes as espadas de madeira com as quais eles haviam duelado na manhã de dois dias atrás. Tão pouco tempo e ainda assim parecia estar tão longe no passado. Sem a permissão dela sua mente voltou aos últimos acontecimentos. Parte dela queria gritar para si mesma o quão idiota tinha sido. A outra parte sabia que não faria diferença, então só continuou ali até ouvi-lo. Eram passos naquela floresta silenciosa se aproximando cada vez mais. Ela sabia que eram os passos dele. Os anos de convivência tornavam impossível ela os confundir, ainda assim Sarah não se moveu. Ela o ouviu sair da floresta e entrar embaixo da copa do carvalho, logo depois o som de uma bolsa sendo colocada no chão. Ela fechou os punhos. Sabia o que viria a seguir e não queria ter de encarar, mas sabia também que não tinha escolha.

–-Eu sabia que estaria aqui – disse John se aproximando.

–-Você me conhece bem – Sarah respondeu fechando os olhos.

–-Talvez não o bastante – seus passos vacilaram, mas ele continuou se aproximando.

–-Para, John. Por favor – ela pediu baixando a cabeça mordendo o canto direito do lábio inferior.

–-Certo – ele parou e abaixou o rosto – Eu só... – suspiro – Eu só não quero que você me odeie.

Aquelas palavras a tiraram da imobilidade que ela tinha imposto a si mesma. Sarah virou-se e o encarou, ele parecia muito triste. Ela andou até ele sem fazer nenhum som, até ficar frente a frente com John.

–-Por que nunca ouço você andando quando estamos na floresta? – ele perguntou voltando a olhar para baixo depois de ter erguido o rosto e a visto a sua frente.

–-Porque sou eu a responsável por armar as brincadeiras, não lembra? – disse ela segurando o rosto dele com as duas mãos e erguendo-o até que pudesse olhar nos olhos dele. Deu um sorriso triste e disse – Eu machuquei você – não foi uma pergunta.

–-Bem menos do que a si mesma – ele respondeu enquanto segurava a mão esquerda de Sarah fechando os olhos e depositando um beijo na palma da mão dela.

Com muito cuidado e usando as pontas dos dedos da mão direita ela traçou os contornos do corte na bochecha dele.

–-Queria que isso não deixasse uma cicatriz, mas parece que não vai ser assim, não é? – ela disse ainda contornando o ferimento.

–-Você não vai voltar atrás em suas palavras – ele queria que a frase fosse uma pergunta, mas ela saiu como uma afirmativa.

–-Você não vai voltar atrás em sua decisão – ela disse e ele soube que não era uma pergunta.

John abriu os olhos e encarou os olhos cinzas dela pensando que era a primeira vez que os via tão escuros. Por um tempo eles se permitiram ficar assim: um olhando dentro dos olhos do outro, vendo os próprios reflexos. Viam nos olhos do outro também dor e tristeza que eram tão grandes quanto a que sentiam.

–-Então essa é a nossa despedida – disse John, Sarah não respondeu então ele continuou – Acho que é minha ultima chance de dizer essas palavras – suspirou – Então: eu te amo. Amo como nunca amei nada na vida. Pode parecer idiota, mas seus olhos não saíram da minha mente desde o dia em que nos conhecemos. Você passou da garotinha irritante que me deu uma surra para a pessoa em que eu mais confiava tão rápido que eu nem notei a mudança. E, te conhecendo como eu conheço, sei que você vai achar utópico da minha parte, mas eu sei que não existe outra mulher no mundo que me faça sentir o que eu sinto por você. Quero deixar bem claro para você que saber que você não vai me esperar não vai me impedir de continuar te amando.

Quando John terminou de falar ele já estava chorando, mas era um choro mudo, denunciado apenas pelas lagrimas que escorriam até encontrarem as mãos dela. Durante todo o tempo em que ele falou Sarah tentou achar as palavras que o fizessem compreender o que ela sentia, mas não conseguiu. Então fez a única coisa que ela sabia que o faria entender. Assim que ele terminou ela puxou o rosto dele para mais perto encostando sua testa na dele. Ela encarou aqueles olhos marrom-chocolate que tanto adorava. Por um tempo ficaram os dois assim, tempo no qual ela tentou passar pelo olhar tudo o que sentia. Por fim ela o beijou e, dessa vez, era exatamente isso o que ela queria fazer. E se, no começo, o beijo parecia ser igual ao primeiro, bastou poucos segundos para se mostrar diferente. Eles não sabiam bem o que estavam fazendo, nenhum dos dois. Só sabiam que era aquilo o que queriam, então só deixara as coisas acontecerem.

As mãos dele na cintura dela trouxeram-na para mais perto. Uma das mãos dela se perdeu entre os fios negros e mal cortados do cabelo dele, a outra parou na lateral esquerda do pescoço dele. Se o primeiro beijo deles foi superficial e tímido, esse foi profundo e apaixonado, mesmo sendo triste também. Triste porque tinha um gosto de despedida misturado ao salgado das lagrimas dos dois. Sim, Sarah também tinha começado a chorar. Nenhum dos dois saberia dizer quanto tempo durou. O fato é que aquele beijo foi longo e, enquanto durou, tudo em volta sumiu para eles. No mundo só haviam os dois, mas uma hora o ar faltou e eles tiveram de se separar. E, enquanto o ar voltava a seus pulmões, a realidade voltava as suas mentes.

Por um tempo eles se encararam. Cada um torcendo para que o outro dissesse algo, mas nenhum deles disse nada. Não disseram nada porque não sabiam, não poderiam saber, o efeito que aquele beijo teve em ambos. Depois daquele beijo, se ela tivesse pedido para ele ficar, ele teria ficado; mas ela não sabia. Assim como ele não sabia que se pedisse outra vez para ela esperar ela teria dito sim, mas nenhum deles disse nada. Por estarem esperando que o outro dissesse algo nenhum dos dois disse coisa alguma. Até que a realidade disso também os atingiu e, lentamente, eles se soltaram. Rostos marcados pelas lagrimas, olhos vermelhos e outra vez o silencio. John fechou os olhos, abaixou a cabeça e se virou. Pegou a bolsa com os poucos pertences que ainda tinha e andou para dentro da floresta. No fundo ele esperava que ela o chamasse de volta. No fundo era exatamente isso que ela queria fazer. Mas como ela mesma já havia dito: orgulho era o seu defeito, e por isso ela o deixou ir. Quando seus olhos não o viam mais e o som dos passos dele já estava sumindo a voz dela resolveu aparecer. Sarah decidiu que não valia a pena se controlar, então gritou:

–-EU TE AMO!!!

Ouvindo isso ele parou e olhou para trás. Mas sabia que os dois já tinham ido longe demais para parar. Enquanto as lagrimas dele voltavam John sussurrou para si mesmo:


–-Seria mais fácil se não amasse. Eu sofreria menos sabendo que você estaria me esquecendo.

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O grupo partiu naquela mesma tarde, mas só na manhã do dia seguinte foi que Sarah voltou para casa. Daquele dia em diante tudo foi diferente. E se há algo que eu posso garantir foi que ela não sorriu mais. Sarah decidiu que viveria um dia de cada vez até que... Êpa! Bom isso fica mais para frente, de toda forma as coisas se tornaram bem mais tristes para ela.

Notas finais
E a história finalmente começa a chegar na parte interessante rsrsrsrsrs