Vidas Em Guerra

11 Visita Inesperada


Notas iniciais
Meu primeiro leitor disse no seu primeiro comentário q se perguntava como a família da Sarah acabou naquela pequena vila como agricultores.
Bom, essa é a primeira parte dessa resposta, espero q gostem =D

–-------------------3 Anos Depois--------------------

(http://www.youtube.com/watch?v=HO4e4nCYBEo)

Sarah Hawkey tinha agora 18 anos. Se você não a olhasse atentamente é provável que não a reconhecesse. A garota de olhar curioso, que estava sempre a pregar peças nos outros, que sorria sempre que olhava para o céu e que tinha sempre um sorriso irônico que fazia as pessoas se perguntarem o que ela tinha aprontado, já não existia mais. No lugar dela havia agora uma mulher ríspida, séria e que já não sorria há muito tempo. Os olhos cinzas eram agora tão frios que mais pareciam uma tempestade de neve no inverno mais gelado. Mas isso não muda o fato de que era bonita.

Nos últimos três anos não houveram sorrisos, brincadeiras ou piadas e mesmo as conversas se tornaram raras. Eliot estava preocupado com a filha, mas não havia nada que ele pudesse fazer. Ele sabia que não havia um modo dele reduzir a dor e a tristeza dela, até porque ela mesma ainda não conseguia lidar com a própria dor. Ele também sabia que não era só isso. Havia remorso e ressentimento guardados no coração de Sarah.

Todos os dias ela se levantava, preparava o desjejum, fazia todos os serviços da casa e saia com o pai ajudar na plantação. Voltava ao meio-dia, preparava a refeição, ajudava o pai até a metade da tarde e depois sumia na floresta até o anoitecer. Normalmente ela só escolhia uma arvore bem alta, subia até o galho mais alto possível e chorava. Todo o choro que ela tinha segurado durante a madrugada, depois de sonhos ruins e pesadelos, saia sem impedimento nenhum. Choro esse que ela não queria que o pai visse; que ninguém visse.

E todo fim de tarde ela voltava torcendo para que a noite seguinte não trouxesse os mesmos sonhos. Poucas vezes isso acontecia. Você pode estar se perguntando se ela voltava ao velho carvalho, a resposta é não. Não havia mais porque voltar, afinal, nos últimos momentos em que esteve lá, ela destruiu as duas espadas de madeira e tudo o mais que pudesse lembrar os dois. Quanto à vila, as coisas voltaram a seus lugares e tudo parecia o mesmo. Uma diferença era que agora todos os rapazes pareciam atraídos por ela. Em parte por Sarah ser realmente a jovem mais bonita do vilarejo e em parte por causa do jeito frio e indiferente que ela usava sempre que falava com as outras pessoas. Mas o interesse deles não faria diferença; Eliot tinha decidido a deixar a filha escolher o próprio marido, e que ela levasse o tempo que quisesse para isso. No fundo ele já não ligava se ela iria escolher alguém ou não.

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Era começo de outono quando os rumos do destina dela começaram a se definir. Eliot tinha terminado mais cedo o serviço e estava em casa. Sarah estava em algum lugar na floresta. Depois de quase dez dias de sono tranquilo ela havia sonhado com “ele” outra vez. Naquela tarde ela estava em cima de uma arvore com a última das cartas dele nas mãos. Entenda que John ainda a amava, assim, quase que de seis em seis meses chegava uma carta. Sarah dizia ao pai que as jogava fora sem ler, mas a verdade era que ela lia todas e as guardava. Em todas John dizia que a amava, que não a havia esquecido e que sentia saudades. Sarah nunca escreveu uma resposta, John nunca esperou por uma.

Eliot estava sentado em frente à porta de casa quando viu o rapaz chegando.

–-Olha o que temos aqui. Como vai rapaz? Não sabia que tinha voltado – disse Eliot quando o jovem se aproximou.

–-Boa tarde, Sr. Hawkey. Vou muito bem, obrigado por perguntar. Cheguei há dois dias apenas – respondeu o rapaz.

–-E a que devo a visita? – perguntou Eliot curioso.

–-Vim pedir a mão de sua filha em casamento – respondeu o outro diretamente e sem hesitação.

–-E por que tão cedo? – Eliot arqueou as sobrancelhas surpreso – Você não a vê há anos.

–-Se me permite, senhor, eu sempre a achei bonita. Sei também, segundo os boatos, que Sarah é a moça mais linda das redondezas. E, agora, sem o John por perto, penso que sou o melhor partido que ela poderia arranjar – disse o outro orgulhoso.

Aquela declaração deixou Eliot irritado. Afinal, o que aquele garoto pensava que sua filha era? Uma mercadoria a ser negociada? Mas mesmo assim ele não demonstrou nada.

–-Vai ter que falar com ela, então – respondeu Eliot simplesmente e voltou a se sentar (tinha se levantado para cumprimentar a visita).

–-Mas – começou o outro confuso – o senhor é o pai dela. Ela se casa com quem o senhor disser.

–-Sarah se casa com aquele a quem ela escolher – respondeu Eliot firme.

–-Mas ... – o mais jovem tentou argumentar.

–-Não há “mas”, garoto – cortou-o Eliot.

–-Posso falar com ela agora, então? – perguntou o outro tentando manter a calma.

–-Poder você pode. Mas ela não esta aqui agora. Se quiser esperar fique a vontade – disse o mais velho se divertindo com a expressão indignada do mais novo.

–-Como não está aqui? – perguntou ele um pouco exaltado – Ela deveria estar cuidando dos afazeres da casa e não passeando por aí. Afinal, é isso o que uma mulher deve fazer.

–-Não a minha filha – disse Eliot sério e encarando-o – E é bom que entenda agora que ela não é como as outras mulheres. Assim, talvez, você saia daqui andando depois de conversar com ela. Agora, se for mesmo espera-la, fique perto da floresta. Tenho mais o que fazer e não quero ficar olhando para essa sua cara.

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Sarah caminhava tranquilamente voltando para casa. Vez ou outra ela olhava para o céu por entre as folhas das arvores. O jovem encostado a um dos troncos das ultimas arvores a olhava atentamente, constatando que os boatos não eram apenas boatos no fim das contas. Ele nunca teria imaginado que aquela pirralha se tornaria uma mulher tão bonita, mas seus olhos não se enganavam. Sarah Hawkey era, provavelmente, a mulher mais bonita que ele já vira. Ele esperou que ela se aproximasse mais antes de sair de trás da arvore e dizer:

–-Como vai, Sarah.

Ele, provavelmente, achou que iria assustá-la e por isso tinha um sorriso que, ele achava ser encantador, mas que para ela era apenas convencido e prepotente. Sorriso esse que sumiu assim que ela passou por ele como se nem o tivesse visto ou ouvido.

–-Ei, Garota!! – gritou ele chamando-a.

–-O que quer aqui, Bris – perguntou ela parando, ainda de costas para ele.

–-Vim pedir a sua mão – respondeu Bris como se aquela fosse uma grande novidade.

–-Pois já pode ir embora, então. Não vou me casar com você – ela respondeu categórica.

–-Você não esta esperando que ele volte, está? – disse Bris num falso tom de cumplicidade, isso fez Sarah se virar e encara-lo – Sarah, Sarah – ele continuou, agora tendo a atenção dela – Nós dois conhecemos o pequeno John bem o bastante para saber que, depois de você mandá-lo embora, ele não se atreveria a voltar.

–-E quem lhe disse que estou esperando ele voltar? – ela perguntou estreitando os olhos.

–-Ora, então não está? – perguntou Bris com uma expressão de falsa surpresa que não mascarava o sorriso sarcástico que ele tentava não demonstrar.

–-Não que isso lhe diga respeito, mas não, não estou. O que não significa que você tenha alguma chance devido a isso – respondeu ela com uma expressão mais do que irritada.

–-Sou o melhor partido da região. Posso ter a mulher que quiser – disse ele perdendo o sorriso.

–-Então corra atrás de uma dessas, porque EU não quero você nem coberto de ouro – ela disse e se virou para ir embora.

Bris tentou agarrar o braço dela, mas Sarah se soltou antes que ele pudesse prendê-la.

–-Por que insiste nisso? – disse ele irritado – Vai esperar o tempo passar até que ninguém mais a queira? – ela não respondeu e isso o deixou furioso, então, como vingança e tentando machucá-la, ele disse – A essa altura o Snown já deve estar morto.

–-Não acredito em você – ela respondeu imediatamente, mas podia-se notar o desconforto dela com a possibilidade.

–-Pois devia – continuou ele com um sorriso, vendo que havia ferido-a – A guerra finalmente estourou. E pelo que eu ouvi, Lorde Clinfort e seus homens estão nas linhas de frente – Bris sorriu vitorioso quando ela abaixou a cabeça.

–-Foi por isso que voltou? – ela perguntou de cabeça baixa, mas sua voz parecia calma.

–-Como é? – perguntou Bris confuso, ele não esperava essa reação, aparentemente, tão calma.

–-Você não mudou nada não é, Bris – disse ela se aproximando devagar e olhando-o com aparente interesse – Voltou porque não queria ir para a guerra, Bris? – agora ela estava a centímetros de Bris e, ficando na ponta dos pés disse perto do ouvido dele – Continua o mesmo frouxo covarde – logo depois acertou uma joelhada entre as pernas do rapaz fazendo-o cair e se contorcer de dor.

–-Vai pagar por isso, Hawkey – disse ele entre dentes e cheio de raiva.

–-Não, ela não vai – disse Eliot parando ao lado da filha. Ele havia assistido tudo de longe, até aquele momento – Saia daqui, garoto, e não volte mais.

Quando o rapaz já estava bem longe ele se voltou para a filha. Tirou do bolso um papel dobrado. Era uma carta. Entregou a ela.

–-O garoto, Bris, não mentiu numa coisa. Desculpe-me por não ter entregado antes e por ter lido ... mas, sempre que uma dessas cartas chega você fica ainda mais triste. Eu só queria saber o que ele escrevia para te deixar assim.

Era uma carta de John. Naquela carta, como em todas as outras, ele dizia que a amava. Mas nessa, disse também que seu esquadrão estaria ido para as linhas de frente e que não sabia se poderia escrever outra vez. Depois de ler a carta Sarah se lembrou do dia em que voltou para casa, depois de John ir embora. Lembrou-se das palavras de seu pai:

Flashback: on

–-Sei que não é o melhor momento, mas há coisas que você precisa saber – ele tinha dito com uma expressão resignada e calma – No dia em que achar que esta pronta para saber me pergunte. E eu vou te contar a historia da nossa família. Talvez assim você entenda um pouco mais de si mesma.

Flashback: off

–-Pai – chamou ela, encarando a floresta com a carta nas mãos – Acho que está na hora de me contar o que há para saber sobre os Hawkey’s.

Notas finais
Espero q tenham gostado =]
Bom, só divulgando a fic de um amigo antes de ir.
Pra quem curte os livros do Rick Riordan, mas precisamente "Percy Jackson e os Olimpianos", creio q vão gostar dessa história. Pra quem tiver vontade de dar uma olhada, esse é o link:
http://fanfiction.com.br/historia/366520/O_Herdeiro_Do_Mundo/
Tchau, tchau