Vida de Um Escritor

3 Capítulo 3 - Chão de Estrelas!


Notas iniciais
Notas Inicias Da Raposa: Quero começar pedindo desculpa pela demora, sei que deveria postar toda semana, mas como todos devem saber a morte de Eduardo Campos acabou abalando todos os pernambucanos, e eu não fiquei de fora, foi difícil escrever esse capítulo porque perder um homem como ele foi como perder uma esperança pro Nordeste que só estava se reerguendo por mérito dele. Então por este motivo demorou mais do que eu gostaria. Explicações: Esse capítulo não tem o blog do Kamus, mas terá a vida dele em off, e lógico eu compensei vocês pela demora, e tem umas coisinhas bem gostosas. Espero que gostem, non me matem e comentem. Segue o link da musica que me ajudou a escrever esse capítulo. Emílio Santiago - Essa Fase do Amor: https://www.youtube.com/watch?v=pBLxZ_I6Wqg Boa leitura!

Capítulo 3 – Chão de Estrelas!

Acordou sobressaltado, achou que tivesse sonhado, ou estivesse ficando louco, olhou pro despertador, uma hora adiantado, suspirou, encarou o celular ao seu lado relendo a mensagem do loiro e mais uma vez sorriu bobo.

– O que ta dando em mim Alaska? — deitou olhando pro teto lembrando dos olhos azuis, a voz que mesmo forte era quase uma melodia marítima — Como vou trabalhar com esse sorriso imbecil na cara? — riu sozinho — Não estou me reconhecendo, mas sinceramente, não sei se quero me reconhecer, talvez eu deva me redescobrir! — fechou os olhos tentando dormir mais um pouco antes de ir trabalhar.

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No apartamento do loiro tudo estava silencioso até o telefone tocar insistente, encarou o relógio e suspirou, antes das sete da manhã e já o tiravam do sério.

– Quem é? — rosnou arregalando os olhos ao ouvir a voz suave de uma velha amiga — Porque ta me ligando Marin? — não entendia o motivo do “ressurgimento” dela.

Milo… Preciso de ajuda…– sussurrou triste, tantos anos longe de seu grande amor e só de ouvir sua voz sentia uma dor dilacerante, respirou pesado e prosseguiu — Estou com problemas bem sérios… Ikki!

– Você nunca me quis perto dele, porque me liga agora? — não estava bravo, entendia o motivo da ruiva o desejar longe do filho, mas o que estava havendo?

Ele não tem controle mais, Milo estou desesperada, apenas o irmão mais novo consegue manter seu filho calmo, ele não nega à linhagem, não tenho mais domínio sobre Ikki, e ele anda se metendo com quem não deve. Estou vivendo no Japão desde que me afastei de você, e nem isso ajudou com ele.– ela estava desesperada.

– Marin… De alguma forma imaginei que voltaria para perto de seus pais. — não sabia se tinha condições de cuidar de uma criança, mas era seu filho, e a conversa com Kamus tinha lhe ajudado, e apenas lembrar do nome do ruivo lhe fez abrir um sorriso largo — Mande-o para mim, vou resolver isso, o culpado fui eu, fui omisso, relapso, e sou um pai de merda, quero poder mudar isso. — suspirou apenas vira o menino por fotos, queria tanto conhecer ele, saber tudo sobre ele — Marin, me perdoa por todo mal que eu fiz pra vocês. — sussurrou envergonhado.

Milo meu anjo, eu afastei Ikki de você porque sempre soube que não me amava, e que não tinha estrutura para saber que tinha uma responsabilidade tão grande, mas nunca por raiva, quando engravidei de você o fiz porque quis, tanto que nunca lhe pedi nada, eu queria uma parte sua comigo, só não sei como conduzir ele, assim como nunca soube conduzir você ao meu lado.– confessou cansada.

– Eu amava você minha ruivinha, mas não como você merecia, eu era e em partes ainda sou um filho da puta egoísta. — como machucava ser tão inconsequente.

Você mesmo não sendo o homem que eu pedi, foi o que eu escolhi para ter perto, independente da forma Miluxo, como amigo, amante, sexo casual, irmão, o importante é ter você, e esse tempo longe, foi apenas para que eu pudesse me dedicar aos meus pimpolhos, mas eu falhei.– a voz da moça estava tão derrotada que o loiro quase morre.

– Nunca mais repita isso. — rosnou firme — Você é um anjo Marin, meu anjo, e eu entendo você, nunca falhou e nunca vai falhar, você fez o que era melhor, mas quem puxa aos seus não “regenera”, Ikki é realmente meu filho querida, talvez apenas eu tenha a fórmula de cuidar dele. — no fundo queria tanto poder cuidar do menino, parecia que a vida lhe dava uma nova chance de recomeçar — Você ta casada? — perguntou finalmente querendo saber do pai do outro filho dela.

Não. Shun é meu filho mais novo, tem seis anos, foi fruto de um casamento sim, mas o meu marido me trocou por uma mais novinha e sem um filho estressado. Ele abandonou a mim e ao filho também Milo! Mas Ikki apesar de novo supre tão bem a falta do pai dele que Shun nem toca no nome do genitor.– sorriu feliz encarando o menino de fios castanhos que brincava na sala com o furão de estimação.

– Marin… Se eles são tão ligados assim, como acha que vai separar os dois? — começava a se preocupar com a situação total — Acho que Shun já sofreu demais sem pai, deixar sem irmão será o fim, pra ambos. E para nós dois. — recostou-se na cama afagando Cerberus e suspirando pensativo.

Eles precisam se adaptar Milo, não posso manter os dois juntos assim, até porque Ikki precisa do pai.– deitou no sofá grená e fechou os olhos, seria um caos sem o filho mais velho.

– Você pirou né? Marin como você acha que vai ajudar nosso filho se separa ele do laço mais forte que ele tem? Já basta afastar de você, ai tu decide separar do irmão, isso não é uma opção florzinha. — ironizou como se a mais nova fosse uma criança.

Ah claro, então querido gênio, diga-me qual sua brilhante ideia? – rebateu a ironia esperando uma resposta milagrosa do loiro.

– Você vai me mandar os dois! — para ele era bem simples.

Agora você enlouqueceu Milo Nickos, como assim mandar os dois? Tu já vai ter problemas com o Ikki, ai quer Ikki e Shun? Pirou legal!– nem ela acreditava na ideia absurda.

– Pensa comigo, se quero um laço com Ikki, não o farei se ele pensar que eu sou o vilão que o separa do irmão, ele odiará você e eu, e Shun precisa de um pai, eu to disponível, não vejo problema nenhum com isso. — de alguma forma aquela ideia lhe era tão boa que seu coração sentia-se reviver.

Milo, é loucura, ficar sem meus dois filhos, eu não suporto. – mordeu o lábio nervosa sem querer chorar — Já vou sofrer sem meu enfezado, imagina sem ele e sem meu anjinho?

– Meu amor, eu sei, mas façamos um acordo, você é mãe há tantos anos, que tal se tirar férias de três semanas? Tudo bem que Ikki fique por tempo indeterminado, mas no caso do Shun ele fica apenas por um tempo, e você pode ter um momento pra você como mulher, aproveitar as férias deles e dar isso de presente, acho que vão adorar. — ele sabia o quanto ela era uma mãe dedicada.

E se eu não suportar ficar sem meus filhos Mi? – perguntou baixinho.

– Eu compro um apartamento perto do meu e você vem morar aqui. — deu a solução.

Promete que não vai roubar eles de mim? – no fundo sabia que poderia confiar em Milo, ele jamais faria aquilo, mas era mãe, e tinha tanto medo de ficar sem eles que iria ate o submundo para ficar perto.

– Lógico meu anjo, imagino que por motivos óbvios não queria sair do Japão, mas eu infelizmente não posso ir morar ai, não tem espaço pra mim, e sabe disso. Mas se você realmente não suportar podemos revezar, você vem morar aqui comigo, sei lá Marin, a gente decide na hora. — na verdade sabia que acabaria com a ruiva morando perto novamente, e nem ligava, gostava dela.

Eu… Está bem! Três semanas, se eu pirar muito, vou parar ai, mas não no seu apartamento, alugarei um lugar e talvez peça transferência pra Barcelona, pra te ser honesta, eu aceito qualquer lugar perto deles. Mas estás certo, preciso de um tempo para mim.– concordou e sorriu pro pequeno que mostrava um desenho do furão.

– Me dá apenas uma semana para organizar tudo aqui para eles. — encarou sua casa e suspirou, daria trabalho — Marin, eles tem medo de cachorro? — aquele detalhe era importante.

Acho mais fácil os cães terem medo deles, Shun acha que pode apertar todos os animais que encontra, e Ikki tem uma atração assustadora por animais grandes e perigosos.– contou lembrando da vez que ele queria brincar com um leão no zoo.

– Menos mau, porque tenho um rottweiller chamado Cerberus. — riu sem graça.

Puta merda Milo, nada contra a raça, mas Cerberus? Que coisa tão assustadora grego.– ria alto e Shun só olhava sem entender.

– Porra, sou grego, o nome tinha que combinar, é melhor que Hades que era o nome que havia escolhido antes. — brincou e ela riu concordando — Não se preocupe ele é muito manso e social.

É seu, tava implícito querido, conheço você, ladra, mas não morde, manteiga derretida. – estava mais leve, falar com ele era assim, suave, gostoso, saudoso.

– Ah, maldade Mari, agora me diz uma coisa, o Ikki sabe que vai ficar comigo? — tinha receio da resposta.

Não . Porque… Esse foi o detalhe que eu esqueci de contar… Ele não gosta muito nem do seu nome Milo. – sentia que aquilo seria um grande problema.

– Uou, pressinto problemas grandes, mas tudo bem, grandes merdas, igual à grandes consequências. Eu mereço. — fechou os olhos pensativo.

Fica ai, ele chegou.– correu até o menino que lhe abraçou forte e lhe beijou o rosto.

– Mãe posso levar o Shun pra tomar sorvete? — não podia negar ele era um bom filho, obediente na medida do possível, mas impulsivo e descontrolado quando com raiva, coisa frequente.

– Pode, mas antes quero que fale com uma pessoa. — segurou sua mão e o levou ate o telefone — Fale com ele. — entregou o aparelho e o rapazinho colocou no ouvido.

Alô … — a voz de Ikki lhe fizera estremecer, uma emoção sem tamanho, uma sensação tão gostosa e assustadora.

– Ikki… — começou devagar — É o seu pai. — uma lágrima escorreu de emoção, dizer aquilo para ele era tão bom. Do outro lado o mais novo gelou, ficou pálido, era à primeira vez que o ouvia, já que não lembrava do último encontro, segurou com força o telefone sob os olhares atentos da mãe e do irmão.

Eu Não Tenho Pai.– rosnou entre a raiva e a tristeza.

– Ikki, eu sei que não mereço o título, sei bem… Mas eu quero melhorar como pai. — não se espantou com o que ouvira em seguida.

Não preciso de você para nada seu filho da puta, eu tenho mãe e irmão, nunca precisei de você, você não passa de um merda pra mim, quero que morra Milo, quero que queime no inferno e esqueça de mim e de minha família.– havia tanto ódio nas palavras do mestiço de japonês que sua mãe se assustou e Shun também. Jogou o telefone no sofá e encarou Marin magoado — Não tinha o direito de fazer isso comigo Mamãe. — pegou Shun no colo e saiu correndo pro quarto.

Do outro lado o loiro chorava em silêncio, as gotas mornas caindo fortes, uma dor dilacerante, um arrependimento com gosto de sangue.

– IKKI VOLTE AQUI AGORA. AGORA IKKI. — gritou irritada pelo comportamento dele, e mesmo sem querer ele voltou até a metade da escada dizendo magoado.

– Não Mãe, eu não quero saber nada dele, quero que me deixem em paz. — e trancou-se no quarto com o irmão.

Milo, não o eduquei dessa forma, me desculpe, estou envergonhada.– dizia derrotada no sofá.

– Marin meu amor, não é você que tem culpa, sou eu, Ikki me deu o que eu merecia, e mereço. Não brigue com ele, não há necessidade, ele não tem motivo para me respeitar. Não se pode exigir aquilo que não se deu, eu não dei motivos para ele me respeitar ou para gostar de mim, fiz o oposto. Estou colhendo o que plantei. — tinha consciência de sua culpa — Vá conversar com ele ruiva, com certeza Ikki está confuso e Shun assustado, vou começar a resolver as coisas aqui para eles. Me ligue se quiser ou precisar de algo. — precisava desligar antes que desabasse — Marin… Mando as passagens, envie o endereço para meu celular.

Está bem Milo. E sei que não perguntou, mas eu dei um tiro no escuro ligando para você nesse número, mesmo famoso, não seria fácil conseguir seu telefone, então eu procurei o que você me deu antes deu ir embora. – sentia necessidade de contar a verdade.

– Imaginei, por isso que nunca quis trocar de número, eu tinha a expectativa de você me procurar. — sorriu — Boa noite Marin, precisando me ligue. — ela se despediu e ele desligou desabando derrotado.

Ficou assim por longos minutos, chorando sem silêncio no quarto ainda meio escuro.

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Kamus levantou angustiado, tomou banho, e antes de sair aquela maldita sensação não lhe largava, suspirou e sentou na cama, pegou o celular para ligar para a mãe e saber se estava tudo certo, ligou o visor e sorriu ao ver a mensagem do loiro, e algo em seu coração lhe gritava que Milo não estava bem.

– To ficando doido, o conheci ontem, e sinto que algo está errado… — mordeu a boca e mandou uma mensagem de bom dia, não queria ligar, achava invasivo, meio apressado, e poderia parecer carente.

Sentou na cama e suspirou, o que poderia dizer na mensagem sem parecer atirado? E porque sentia que o loiro precisava de palavras de conforto?

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Ouviu assustado o barulho do aparelho ao seu lado e abriu os olhos inchados pelas lágrimas que ainda caiam — mais fracas — e imediatamente abriu um sorriso.

“Bom dia Scorpion, rss.

Ontem eu estava meio dormindo meio acordado quando me mandou msg, mas… Eu gostei. Obg, é bem menos formal assim!

Espero que tenha dormido bem, e que sua manhã seja boa e tranquila.

Eh… Milo, não sei se é loucura minha, mas acho que tem algo acontecendo, e minha intuição nunca falha, acho que é com você, mas pode realmente ser loucura minha.

Sendo ou não… Se precisar de algo, é só me ligar… Ou mandar msg…

Bem, descanse,

Bjs

Aquarius!”

– Céus… Como ele sabe? — abriu um sorriso e mais lágrimas, ficou um tempo parado relendo a mensagem, pensando o que fazer.

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– Isso foi idiota demais, mas eu já mandei mesmo. — deu de ombros, tentando não pirar com o que tinha feito. Mal levantou da cama ouviu o toque escandaloso do celular, pegou-o e sorriu.

– Bom dia Milo. — disse suave voltando a se deitar, esquecendo que tinha que trabalhar.

Ruivo… Nem sei como dizer o quão maravilhoso é te ouvir e ter lido tua mensagem.– não fazia questão de esconder seu desespero e sua dor, coisa que fora muito bem sentida pelo mais novo.

– O que houve Milo? — ficara preocupado, queria poder ajudar ele.

Meu filho ruivo, ele me odeia, e eu me sinto um lixo, sou um ser humano desprezível, ele não tem porque gostar de mim jamais…– mais gotas mornas escorriam.

– Milo, não, por favor, não fica assim. Liga o notebook. — ordenou fazendo o mesmo, o tirando da bolsa e ligando rapidamente.

Não quero me veja assim. – tentou melhorar a cara, mas doía tanto.

– Por favor. — implorou suave, como sentia que ele sofria, e quando ele esteve naquela situação ninguém lhe estendeu a mão, não faria isso com o loiro.

– Já estou ligando. — fora vencido pela voz mansa e deliciosa, em poucos minutos estavam se vendo.

– Mi… — o rostinho vermelho, inchado e tão triste machucava o ruivo, que o chamara pelo apelido sem perceber — O que te fizeram?

– Eu me fiz Ruivo, eu me fiz. — abaixou o rosto envergonhado — Ikki virá morar comigo, e falei com ele por telefone, ele me odeia Kamus, me odeia com razão, mas perceber o mal que fiz aquela criança, meu sangue, minha continuação, me matou intensamente. Sou um crápula! — não conseguia parar de chorar — Como posso acusar meu pai de ser um filho da puta, se estou sendo um com o meu filho? — tentou em vão secar as lágrimas.

– Eu não sei o que ele disse, mas lembre-se é um garoto, e que o que ele sente não é ódio Milo, é uma saudade, e um amor que ele se recusa a mostrar… Petit, olha pra mim. — aquela dor no loiro parecia sua — Ikki é seu filho, mais cedo ou mais tarde, ele vai amar você abertamente, toda essa raiva dele, é amor mal direcionado, eu sei do que falo, e sobre seu pai, não sei o que ele fez, ou deixou de fazer, mas se você ainda sofre por isso, é porque ele não quis mudança, você quer, e vai conseguir se redimir com seu filho, eu tenho certeza. — céus como queria tocar nele, abraçar, tirar aquela angustia, olhar firmemente para os olhos azuis. Estava delirando, era uma insanidade, mas Milo era diferente de todos que haviam em sua vida.

– Acha mesmo? — depois de alguns minutos em um choro silencioso ele encarou à câmera com um pequeno brilho de esperança.

– Sim, eu tenho certeza. — sorriu, coisa que poucas vezes fazia, mas ele conseguia tão facilmente lhe arrancar tais reações.

– O irmão mais novo e inseparável dele vem junto, não tive coragem de afastá-los Ruivo, a mãe disse que o Shun fora esquecido pelo pai, e que Ikki age como um para ele, eu queria fazer a diferença na vida dele também. — confessou mais calmo.

– Eu tenho certeza que Shun será o passaporte para o Ikki. “Quem a boca de meu filho beija, a minha adoça!”, ele pode não ser o pai do irmão, mas o cuidará e amará quem cuidar bem dele. — piscou vendo o grego relaxar e sorrir.

– Eu espero… Você me ajuda? — perguntou incerto.

– No que precisar. — respondeu sincero, mas o grego parecia não estar satisfeito.

– Kamus… — o ruivo o encarou firme — Onde você mora? Eu… Quero te ver! — o francês ficou vermelho, estava pensando no mesmo, mas faltava coragem, e naquele momento, sentia-se perdido.

– Também quero! — baixou a cabeça — Moro em Barcelona. Milo não acha apressado? — tentava ser coerente.

– Eu moro em Barcelona! — aquilo era tanta coincidência, ou não — Não somos apressados, somos necessitados, acho que precisamos disso. O destino, os deuses, quem você quiser, está nos unindo Kamus. — sua tristeza havia sumido, e saber que estava perto do seu ruivo, sim porque já o considerava seu, era algo esplêndido.

– Não sei Milo… Parece inconsequente. — ponderou, mas encarar o grego fora sua derrota.

– Moro perto do Parque… Estou em La Barceloneta, se morar no outro lado de Barcelona, estupidamente longe, saberei que não nos veremos nunca, porque não é certo, porque é apenas coincidência mesmo estarmos no mesmo distrito. — Kamus estava ainda mais pálido, o fitava incrédulo.

– Milo… Você está, na verdade estamos há… Menos de uma hora e meia um do outro! — afirmou encarando o loiro que sorriu abertamente — Moro em El Raval. — era tão improvável aquilo tudo que nem conseguia acreditar.

– Como porra nunca te encontrei? Eu visito os restaurantes dai pelo menos uma vez por mês. — estava com o coração aos pulos.

– Eu não saio de noite, eu não passeio muito e peço comida pelo telefone. — riu — Sei que sou estranho, mas são problemas antigos, não sou bom interagindo. — recostou-se melhor na cama e suspirou encarando o relógio — Puta merda… Pardon! — recuperou-se escutando a risadinha do escritor — Estou muito atrasado, e eu nunca chego atrasado. — estava inconformado, mas Milo parecia lhe fazer esquecer tudo.

– Kamus… Obrigado, pelo apoio, pelo consolo… Pelo carinho. — corou um pouco — Parece que te conheço há tanto tempo Ruivo, que somos amigos há anos.

– Eu sinto o mesmo, e sempre que precisar estarei aqui. — não queria ir.

– Janta comigo hoje? — Milo não ficava ponderando nada, ele apenas se deixava levar.

– Milo… — suspirou resignado — Nos vemos no La Verònica Restaurant às 8:00, até lá, descanse. — sorriu.

– E até lá… Pensa em mim. — falava sério, muito sério.

– Escorpiano! — afirmou risonho — Bye. — acenou e mais uma vez o grego lhe mandara um beijo estalado, desligou todo envergonhado tentando recobrar o juízo.

– Fiquei louco de vez. — comentou afagando Alaska e correndo pro trabalho.

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Milo por sua vez começava a se dar conta do que estava acontecendo entre eles, nunca havia se apaixonado, mas sentia que era daquela forma, aquela emoção, e imaginar que o veria era uma tortura deliciosa.

– Virei adolescente com quase trinta na cara. — riu de si mesmo.

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Apesar de tudo, o dia transcorreu tranquilo para ambos, mesmo que em pensamento estivessem enlouquecidos de receio, de curiosidade, de vontade de se verem rápido, e de medo por conta de toda a expectativa.

Quanto mais se aproximava da noite, mais o ruivo surtava, e Milo, ficava mais ansioso para ver seu aquariano. Não puderam se falar por conta do trabalho do francês que o ocupava totalmente, e o grego por sua vez aproveitou para arrumar um dos quartos da casa pra seu filho.

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Finalmente estava largando do trabalho, e se encontrava uma pilha de nervos por dentro, mas por fora, era o mesmo de sempre, não deixara transparecer para ninguém o que estava sentindo, ou qualquer tipo de emoção.

O trabalho perto de casa ajudava e muito, chegou as sete e correu para se arrumar, nem sabia o que usar, e sentia-se uma menininha procurando o vestido do primeiro encontro.

– Respira e não pira Kamus! — disse para si mesmo numa tentativa vã de recobrar o autocontrole — Alaska vou pirar. — afirmou sentando na cama e encarando o closet aberto e sem saber o que escolher — Ok, farei o que faço sempre, agirei normalmente, é apenas um amigo, e é um encontro de amigos, e eu como uma pessoa controlada, farei o de costume. — recuperou um pouco sua lógica e pegou peças neutras jogando na cama e correndo pro banho, tentaria relaxar neste, mas um sorriso bobo surgia sempre que o nome “Milo” se insinuava em sua mente.

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Depois de um dia de limpeza na casa o grego arrumou-se sedutoramente, queria seduzir Kamus, corpo, alma, mente, tudo, e o faria, era um escorpiano com objetivo, e seu objetivo era o coração do ruivo. Saiu de casa cedo e aproveitando a beleza da cidade seguiu ate seu destino.

O som no carro era suave, nada como uma boa música brasileira para lhe acalmar e lhe inspirar, aquela sensação gostosa de estar perto de encontrar um sentido para sua vida errada, lhe ajudavam a entoar a melodia tranquila.

Essa fase do amor

É bonita demais, lua cheia

Se Netuno quiser

Posso me transformar em sereia.

Essa fase do amor

É bonita demais, é nascente

Se o sol me queimar

Posso me transformar em poente.

Que nem recheio de bombom

E as estrelas de néon sobre a aldeia

Nas veias um licor de anis

Me leva as ruas de Paris e incendeia.

E eu me sinto assim como um Deus Grego

Como um barco indo de Veneza pro oceano

Como um corcel dum beduíno

Como a emoção dos violinos dos ciganos.

E eu me sinto assim como um Zeus Negro

Convidado pra sentar na mesa dos Arcanos

E cear com toda realeza

E beber o vinho da nobreza dos humanos. – cantava e seu coração viajava para expectativa de ver e de ter o ruivo ao seu lado — Ah Kamus, nunca me senti dessa forma, pareço tão inconsequente pensando nisso. — suspirou e antes que se desse conta estava em frente ao restaurante, assanhava os fios nervosamente notando que faltavam vinte minutos para o horário marcado.

– Maldito tempo que não passa. — reclamou e saiu do carro entrando no restaurante e escolhendo uma mesa reservada para os dois, pediu uma dose de whisky e olhando pela janela ficou a divagar, divagava tão profundamente que se perdeu do tempo, do espaço e de si.

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Terminou de se arrumar e encarou o relógio do quarto.

– Dez pras oito? O tempo resolveu voar agora? Chronos sacanagem comigo. — rosnou e voltou pro banheiro ajeitando os fios assanhados depois de tê-los seco no secador — Oh maravilha, me sinto Natasha irando porque o cabelo nunca ficava legal quando saia. — nada parecia lhe agradar, então levando em consideração a hora fez um rabo de cavalo mal feito no alto da cabeça, deixando mechas escaparem pelas laterais do rosto.

Colocou seu perfume e pegou as chaves para sair, até seu telefone tocar.

– Alaska, hoje ta complicado. — encarou o felino deitado no sofá e suspirou — Alô…

Por que ainda não depositou meu dinheiro?– a voz esganiçada da ex esposa lhe deixava louco.

– Depositei hoje Natasha, seja paciente e aguarde ate amanhã, até porque não conseguirá pagar nada hoje. — respirou fundo.

Ah, mas eu ia sair com minhas amigas, e sem dinheiro não dá, seu imprestável, não serve pra nada mesmo, nem pra fazer sexo.– ela gritava pelo celular e o ruivo preferia atender e resolver certas coisas dentro de casa, sem plateia.

– Não estou preocupado com suas palavras, já que toda vez que me encontra tenta desesperadamente me levar pra sua cama, coisa que nunca mais ocorrerá, agora se você já terminou o discurso brega e de mulher mal amada, estou desligando pois tenho um compromisso. — não esperou resposta desligou e deixou o telefone em casa, sabendo que a loira morreria de raiva.

– Estou três minutos atrasado, enfer. — resmungou e saiu correndo.

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Chegou no restaurante mordendo a boca, incerto do que fazia, curioso, um pouco irritado depois da ligação de Natasha, mas com uma expectativa insana de como seria ver o loiro frente a frente.

– Olá Minos, há uma pessoa me esperando. — não encarou o amigo que trabalhava no restaurante, estava com vergonha, e este apenas sorriu.

– Eu sei, o loiro selvagem está aqui faz tempo, mas meio que se perdeu no tempo, vou te levar até lá. — riu sacana pro ruivo que corou e desviou do albino.

Seu coração falhou uma batida quando viu o grego sentado na mesa encarando a rua e perdido em pensamentos, poderia negar com a mente, mas seu coração estava enlouquecido pela beleza, pelo charme, pela essência que se desprendia dos fios loiro quando o vento da noite lhe batia no rosto.

– Milo? — sussurrou, e imediatamente o mesmo lhe encarou com um sorriso aberto e nada inocente, os olhos azuis brilhando como estrelas, estava tão vidrado no rosto do loiro que não perceberá quando este se levantou e ficou a centímetros de si lhe tocando a face com os dedos longos. O grego usava uma baby look negra e uma calça jeans azul clara, tênis preto e os fios soltos caindo em cascata, os músculos delineados, o perfume amadeirado, céus, surtaria só com aquela visão e aquele cheiro impregnante e enlouquecedor.

– Céus… Você é ainda mais perfeito pessoalmente. -nesse instante se dera conta do quão perto ele estava, mas não tinha forças para recuar, apenas sorriu fraco. Reparou na forma do outro vestir e se perguntou se ele sabia o quão sexy era. Uma blusa de seda três quartos branca com um decote em V, as pernas delineadas pela calça negra e um tênis cinza, os fios vermelhos presos no alto da cabeça caindo pelas costas e alguns fios rebeldes emolduravam seu rosto, o perfume cítrico compunha o look e o homem a sua frente bem até demais.

– Já vamos começar nossa conversa com você me deixando sem graça Milo? — virou o rosto tímido percebendo que Minos ainda estava ali sorrindo divertido — Minos… Já pode ir. — informou encarando o outro que deu uma risadinha sacana e se afastou.

– Começo a gostar de te deixar vermelho Ruivo, fica tão gracioso. — provocou e continuou afagando seu rosto.

– Milo… — sua voz parecia uma advertência, mas seus olhos vermelhos pareciam um convite — É um prazer conhecê-lo. — tentou ser mais formal, mas percebera que aquilo não funcionaria com ele.

– Já nos conhecemos, então pulemos as formalidades chatas. — beijou a bochecha do escritor mais novo e sorriu.

– O que está fazendo? — olhava pros lados esperando que alguém os estivesse olhando, mas tudo parecia normal.

– Quebrando o gelo. — piscou sacana — Venha sente-se. — segurou sua mão e afastou a cadeira a sua frente para que este se sentasse.

– Sabe que não sou uma dama, que somos dois homens, e que nos conhecemos ontem né? — era impossível ficar bravo com ele, apenas ria do jeito animado e sedutor do escorpiano, Milo era um encanto.

– Sei sim, mas gentileza não tem sexo, dois homens podem ser mais do que amigos grosseiros e sem delicadeza um com o outro, e não importa quantos dias, importa o que mudou nesse tempo. — Kamus arregalou os olhos admirado, ele visivelmente era um homem com alma de menino, mas de uma sabedoria invejável, e o sorriso aberto e verdadeiro eram uma marca registrada do jeito do grego.

– Concordo com você… E muita coisa mudou Milo… Acho que mais do que eu imaginava. — confessou, aquele ser tinha o dom de lhe tirar verdades, e de lhe afogar em sentimentos, e tudo isso em tão pouco tempo.

– Mais do que você gostaria também? — perguntou segurando sua mão por cima da mesa e decorando cada traço do outro, os olhos vermelhos, os fios caindo desleixados pelo penteado, o sorriso contido, o perfume delicado que detalhava ainda mais sua alma gentil e frágil.

– Eu não gostaria de nada, porque também nada me desgosta, então, ainda non sei. — não retirara sua mão, e aos poucos ia se soltando e encarando mais fixamente o grego.

– Olha só, o escritor apareceu. — riu suave sendo acompanhado por ele — Seu sotaque é ainda mais carregado de perto, e seus olhos mais vermelhos… E mais… Tristes. — constatou tentando dedilhar sua mente.

– Pare de me ler Milo, sou um livro pouco apreciado, eu diria que ninguém nunca o quis terminar de ler. — sentia-se desnudo pelos olhos inquisidores que lhe vasculhavam tudo.

– Costumo adorar os livros que ninguém aprecia, porque, com certeza, quem o leu antes de mim não possuía capacidade suficiente para entender cada frase codificada em frases poéticas e tristes, gosto de imaginar que ao passar dos primeiros capítulos estarei de fato na melhor parte da trama, que a partir dali me enamorarei perdidamente por seus mistérios, segredos e lágrimas, estas que marcaram as páginas e os poemas dolorosos. — enlaçou sua mão na dele e sorriu — Mas me sinto ainda mais honrado de imaginar que o final nunca lido, também nunca fora escrito, e que serei eu a terminar de narrar, de dentro, não mais como espectador. — o ruivo lhe encarava fascinado, aquele homem lhe mudaria a vida, e talvez fosse ele a lhe resgatar das sombras.

O silêncio imperou por um tempo, um tentando ler o outro, decorando cada detalhe, aproveitando do momento tranquilo.

– Sou quase um livro aberto ruivo. — comentou baixinho.

– Pros que não sabem te ler Milo. Para estes és apenas um livro de romance e sedução, mas para olhos sensíveis, é um livro de contos antigos e marcantes, com um toque de drama ácido e com romances carnais, mas indo mais além, é uma profundeza de sentimentos difusos e confusos, mesclados em rimas e versos transbordando sangue em cada letra, e lágrimas vermelhas em cada página amarelada pelo tempo sem leitura e sem cuidado, é um livro que tenta reescrever o meio, mas sem um único fim, mas com muitos, com tantos recomeços, que mais parece um labirinto, onde se lê, e lê, e lê, mas acredito que apenas um chegará onde está realmente você. Diferente de mim, seu fim original fora escrito com amargas frases de dor, mas que sutilmente implora para um novo final, com direito a segundo livro, escrito a quatro mãos. — apertou sua mão e esperou resposta.

– Eu já o achei. — sorriu calmo — Será você Kamus Chevalier a reescrever meu fim, serei eu, a lhe ajudar a narrar o seu, até que o segundo livro seja uma continuação de nós dois. — segurou seu queixo acariciando seus lábios com o polegar.

– É ousado na convicção Milo… É ousado nas palavras… É ousado nos sentimentos. — permanecia preso nos olhos revoltos e belos.

– Sempre sei o que quero, sou ousado no que sinto, e se sinto, como sinto, não me privarei de nada, menos ainda das palavras, feita para expor um coração, feitas para explorar abertamente as almas trancafiadas por medo. — céus como ansiava beijá-lo, tocá-lo mais, estava perdido de paixão pelo ruivo, e podia afirmar, era recíproco.

– Nem sempre elas atingem seus objetivos, as vezes elas assustam, intimidam, tolhem, humilham, as vezes restringem, as vezes são impuras, insanas, incertas, as vezes são vãs, e as vezes iludem… E quando estas falham tão miseravelmente, o que resta a um escritor que vive delas? — indagou curioso e provocativo, mas antes da resposta o garçom se aproximou sem perceber nada.

– Já escolheram senhores? — perguntou só então encarando os dois e percebendo que o loiro segurava a mão e o queixo do ruivo, ruborizou e encarou o bloco em suas mãos.

– Ah, não, mas por favor, traga-me o melhor vinho francês da casa. — encarou o rapaz de aparência singela e sorriu, mas sem soltar a mão do mais novo.

– Sim senhor. Com licença. — retirou-se rápido, deixando os outros dois risonhos na mesa.

– Acho que piramos demais Milo. — brincou, mas sem querer largar do grego.

– Não ligo, não devemos nada. — sorriram e conversas amenas começaram a surgir, coisas em comum, risadas, toques suaves. Milo explicava sua situação com Ikki, Kamus explicava a sua com Hyoga, e ambos falavam das mães dos meninos, decidindo por fim que precisavam da ajuda um do outro.

– Com licença. — pediu o rapaz depositando as taças na mesa, e apenas nesse momento o enlace se desfez suavemente.

–Agradeço. — sorriu sedutor o loiro pro jovem de fios igualmente loiros — Seu nome? — perguntou educadamente.

– Alone. — disse suavemente sorrindo para ambos.

– Lindo nome. É novo não é? — o ruivo não o conhecia.

– Sim. Comecei hoje, estou nervoso. Me perdoem se fizer algo errado. — baixou a cabeça abrindo o vinho e depositando nas taças com cuidado.

– Não se preocupe, Alone. — o grego piscou matreiro aliviando a tensão do mais novo.

– Seremos bonzinhos com você. — sorriu doce um francês mais livre.

– Agradeço. — sussurrou e se afastou sem saber como reagir a lindos homens como eles.

– Seduzir é como respirar pra você né Milo? Natural! — comentou aspirando o vinho suavemente.

– Sim… Maldito signo. — riu observando o francês — E quem é esse tal Minos? São amigos? — era descarado, não daria voltas, e não gostara da intimidade dos dois.

– Escorpianos. — olhou pra cima sorridente — Sim, estudamos juntos há muitos anos, mas apenas isso. — piscou e elevou sua taça para o centro da mesa — Um brinde?

– Claro… — fez o mesmo — A nós ruivo! — ouviu-se o tilintar e os olhos se fixaram felizes e extasiados.

– Ao que o destino nos reservar. — afirmou o aquariano mais reservado sorvendo de sua taça. Novamente os assuntos fluíram, e pareciam que nunca acabariam, jantaram, sorriram, se conheceram ainda mais, se enamoraram ainda mais. Tão perdidos estavam que só notaram a hora quando o restaurante começava a esvaziar.

– Onze horas Milo. Amanhã pego Hyoga para passar o dia comigo. — mesmo sem desejar esboçou uma ponta de tristeza por deixar o escorpiano.

– Eu ainda to de folga, será que podemos nos ver amanhã depois de deixar seu filho? — afagou sua mão e sorriu acenando pra Alone.

– Quer passar o dia conosco? — rebateu sério.

– É uma brincadeira? — indagou meio incerto.

– Não Milo, Hyoga é meio fechado comigo, e quem sabe esse seu jeito escorpiano não liberte um pouco meu filho. — deu de ombros vendo o menino se aproximar com a conta. Antes do ruivo pegar a fatura o grego fora mais rápido.

– O convite foi meu. — piscou deixando o aquariano revoltado, mas risonho. Tirou as notas da carteira e entregou pra Alone, discretamente deixou uma nota alta em sua mão e segurou as mãos do rapaz depois de devolver — Agradecemos pelo cuidado que teve conosco, esperamos vê-lo quando voltarmos rapazinho. — piscou e deixou a cédula com ele que sorriu envergonhado pra Kamus e pra Milo.

– Eu que agradeço por serem tão gentis comigo. Anseio ver vocês de novo. Uma boa noite. — sorriu abertamente e saiu feliz da vida.

– Por um instante até pensei que daria seu telefone para ele pela delicadeza do gesto. — levantou risonho e tivera sua mão segura e seu corpo puxado de encontro ao do outro.

– Diga-me como poderei olhar para outro ser, quando um anjo habita agora em minha vida? Diga-me como imaginar outros olhos a me ler, quando achei um que me desvenda a alma? Diga-me, por fim, de que forma poderei eu, ansiar outros lábios, quando os meus ressecam apenas por vislumbrar o contorno dos teus? — sussurrou em seu ouvido apertando sua cintura.

– Milo… — não tinha como rebater estava tão entregue, mas rapidamente recobrara sua consciência e se afastara suavemente, mas sem deixar que as mãos o abandonassem o corpo, estavam num lugar público, e aquilo já era demais — Preciso ir.

– Posso te levar em casa? — queria estar ao lado dele, por longas horas, dias, meses, anos, vidas.

– Pode! — afirmou e se afastou saindo na frente com ele ao seu encalço, saiu cumprimentando Minos que apenas sorriu cúmplice chegou na calçada e aspirou o ar fresco da rua pacata.

– Seu filho não se importará? — indagou passando o braço pelos ombros do ruivo, que mesmo tímido abraçou a cintura do grego e saíram andando lentamente.

– Não… Nem ele e nem eu Milo. — parou encarando o loiro — Chegamos. — informou já na frente do prédio que morava, não queria deixá-lo — Eu adorei o jantar… Obrigado. — sorriu e respirou fundo.

– Eu adorei estar com você. — afagou mais uma vez seu rosto e encarou o ruivo — Posso soltar seu cabelo? Estou incomodado com ele preso desde que te vi, tive ganas de soltá-lo e não o fiz por educação, eu gosto dele solto, lhe deixa mais angelical. — sua mão já estava no prendedor negro.

– Faça o que quiser. — nem sabia porque dizia aquilo, mas os olhos de mar revolto lhe tiravam do eixo, e do controle. Percebeu o delinear suave do sorriso sacana do loiro, mas não se importara quando a mão que soltava seu cabelo passou a lhe acariciar e assanhar os fios vermelhos, a mesma mão desceu lentamente até sua nuca, e mesmo sem querer no racional, rendeu-se aos toques e entregou-se ao que viria.

– Respondendo sua pergunta Kamus Chevalier... Quando palavras não surtem efeitos, ações o fazem... — sussurrou aspirando seu perfume e deixando alguns beijos em seu pescoço, ouvindo um gemido baixo.

Após algum tempo de carícias gentis, enlaçou a cintura delgada e permitiu que sua boca finalmente tocasse na dele, com calma, com carinho, com um sentimento avassalador. Apertara o mais baixo e o sentira estremecer, os corações batiam mais fortes, descompassados, e o toque casto começava a se intensificar, Milo sugava a boca pequena, mas sem pedir passagem ainda, primeiro o seduzia, apertando seu corpo, acariciando sua nuca, mordendo seus lábios.

Kamus já não pensava, apenas sentia, sentia-se perder os sentidos lógicos, e tudo que estava ao seu redor havia parado para viver Milo, o que sentia era tão insano que lhe deixava sem ar, mas não queria pensar, queria sentir, queria ele.

Percebendo a ânsia do ruivo exigiu passagem e rapidamente já vasculhava cada canto do francês, sugando, atiçando sua língua, mordendo seu lábio inferior vez por outra, sentindo o aquariano lhe seduzir com sugadas nos lábios, um rebolar suave do quadril, uma entrega de alma.

Aos poucos o beijo calmo e apaixonado dava lugar a um mais carnal e necessitado, atiçando a líbido de ambos, e desnorteando o mais novo que quando percebera que perderia o controle de seus atos o afastou gentilmente, arfando e com um pouco de saliva escorrendo, recolheu-a e o encarou, este possuía um sorriso iluminante, radiante, tão perfeito e único que se o braço forte não o estivesse segurando teria caído pelo êxtase que corria em suas veias.

Estavam atiçados, animados, carentes, em chamas, mas era tão perigoso se envolveram tão intimamente logo no começo, que era melhor parar e deixar o tempo lidar com o resto da situação.

Deixou-se abraçar por Milo e enlaçou seu pescoço escondendo seu rosto na curva do pescoço afagando seus fios dourados, aspirando seu perfume, sorrindo suave e livre, livre de seus medos, naquele abraço sentia que poderia esquecer de tudo, e lembrar apenas do que era felicidade.

O loiro por sua vez, conseguia ver que com aquele homem podia sentir que tudo ao seu redor era ínfimo, que qualquer tristeza se esvaia apenas por ver aquele sorriso tão discreto e tímido, tinha certeza que reconheceria a felicidade pelo calor daquele corpo.

Não queriam se largar, o conforto e a paz eram tão grandes que pensar em deixar tudo partir com o vento frio do outono era desesperador.

– Sei que precisa ir, mas não quero te deixar sair daqui. Por mim Chronos poderia parar tudo eternizar esse momento, essa noite, esse perfume impregnado em minha pele, esses olhos cravados em meu coração. Por mim isso seria nosso pra sempre. — sussurrava contra seu pescoço, arrepiando o outro.

– Eu sei. Mas pra um único dia, já foram tantos avanços, e mudanças, e sentimentos, vamos com calma, sou menos intenso do que um escorpiano, por mais que no fundo algo me grite ser isso o correto a se fazer. — saiu do calor gostoso do moreno e o encarara apaixonado — Boa noite Milo… — depositou um beijo rápido em seus lábios e saiu.

– Não desistirei de te fazer ser impulsivo e viver tudo ao meu lado, meu Ruivo. — afirmou em alto e bom som vendo o ruivo correr pelas escadas sorrindo, mas parando antes de subir até a porta da portaria.

– Me avisa quando chegar. — pediu e voltou a correr para não cometer uma loucura e o chamar para entrar.

– Aviso meu anjo, meu Kamus. — comentou para si e saiu para pegar seu carro com um sorriso bobo.



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Entrou esbaforido em casa, escorando na porta e rindo feliz, de olhos fechados ainda sentindo o gosto e o cheiro do loiro.

– Deuses, perdi a noção, perdi o juízo, perdi tudo… — sussurrou perdido em pensamentos deliciosos, mas que rapidamente foram interrompidos pelo gato que se esfregava em suas pernas — Pardon Alaska. — abraçou o felino e correu pro quarto vendo as 35 ligações de Natasha — Nem você me tirara a alegria. — jogou-se na cama cama com o animal em seu colo sorrindo, lembrando, e ignorando todos os pensamentos lógicos — Só me culparei amanhã, hoje não, hoje quero aproveitar, quero apenas sentir tudo. Céus beijei um homem, e que homem... Enfer... Foi o melhor beijo da minha vida! — e tão concentrado estava em lembrar que acabara por dormir segurando o telefone.

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Fora todo o caminho sonhando acordado com o ruivo, em como parecia perfeito, e louco, e mesmo assim, incrível, romântico, em partes proibido, mas extasiante.

Chegara em casa e fora recebido com lambidas e festa.

– Ah Cerb, achei meu caminho dourado, nesse caso ruivo, eu finalmente quero me reinventar, com ele, apenas com ele. — apertava o animal que estava igualmente feliz, fora pro quarto jogando os sapatos de qualquer jeito e tirando a calça jeans deitando na cama discando o número do mais novo, estranhou que o mesmo dera mais de 3 toques e nada dele atender, mas insistiu até ouvir a voz sonolenta.

Oi… — ainda estava atordoado, mas sabia que era ele.

– Oi, dormiu ruivinho? — perguntou carinhoso.

Uhum… Nem sei como Mi…– estava realmente com muito sono, chamara-o pelo apelido de novo e nem percebera e o grego apenas riu, mas não comentaria nada pra não deixar o outro envergonhado sem poder vê-lo vermelhinho.

– Eu liguei pra dizer que já cheguei, e te desejar uma boa noite. — abriu os botões da camisa que usava e respirou pesado — Já ta deitado Kamus? — imaginava que este fora deitar de roupa e tudo.

Num sei…– encarou tudo ao redor e viu que sim — Ainda to de roupa, muitas emoções hoje… – ele ficava tão manhoso com sono, e aquilo só encantava mais o grego.

– Vá tirar isso, e descansar, hoje foi um longo dia, amanhã também será. E por mais que eu queria muito ficar com você, acho que é dia de você ficar com seu filho, não quero ficar no meio. — disse triste, mas tinha que ser sensato.

Mas… Eu queria tanto que estivesse aqui…– disse tristonho e choroso, o que deixara claro pra Milo que ele ainda dormia.

– Kamus, você ta dormindo querido, amanhã de manhã eu te ligo e vemos como será. — tentou não rir do muxoxo que o outro dera.

Preciso que venha… Ele vai gostar de você… Vem ficar comigo… Por favor. – nem tinha noção do que dizia, apenas livrou-se da calça e dos sapatos e ajeitou-se melhor na cama com o celular no ouvido e os olhos fechados.

– Está bem meu anjo, amanhã estarei com você. Durma bem ruivo, sonhe comigo. — sussurrou imaginando o quanto queria estar com ele o abraçando e o colocando para dormir, por mais que o desejasse, desejava muito mais a presença dele de qualquer forma.

Já estou!– afirmou já desmaiando — Sonha comigo também. Beijos. – e apagou sem nem desligar o telefone.

– Também estou ruivo, beijos. — ainda ficou um tempo ouvindo o ressonar tranquilo da respiração do escritor, até desligar e adormecer abraçado ao cachorro ao seu lado.

“Entre sorrisos tortos,

Almas desvairadas,

Corações marcados,

E lembranças doloridas,

Você chegou entre tudo isso,

Você chegou ligando os pontos,

Você me brindou com longos e loucos sonhos.

E enquanto tudo parecia sumir

Foi você que ressurgiu

Tudo tão mudado, tão mundano,

Tão profano!

Meu sentimento leviano, toma forma, cor e gosto,

Agora tem cheiro, tem abraço, tem calor

Meus sentidos aguçados ficam falhos, há você, apenas você.

Piso sem saber como, flutuo nos olhos vivos

Me perco na boca sedutora de amante apaixonado,

Viajo entre detalhes, teus detalhes, meus detalhes,

Tudo tão nosso, tudo tão teu, tão meu...

Até me despertar, e perceber,

O chão de estrelas que acreditei pisar,

Mora ao meu lado, mora dentro de mim.!”

Continua…

Notas finais
Notas Finais da Raposa: E ai, querem me matar ou mereço coments fofinhos? kkkkkkkk, mais uma vez o texto saiu como eu não planejei, mas depois de reler o capítulo 3 vezes eu acabei gostando e consertando algumas coisas, acho que ficou legal, o texto do final como sempre é meu, espero que tenham aprovado, e anseio saber a opinião de vocês. Agradecimentos e muitos beijos para: Sagitarius, Keroneiko, Kamyly, Iris D S, Dally e Axl4k7 meus amores, eu preciso agradecer a vocês pelo carinho, pelo apoio, e quero dizer que sem vocês eu não seria nada, eu nem teria chegado até aqui, esse capitulo é pra vocês também meus amores. E fantasminhas, beijos para vocês também ;)