Vida de Um Escritor
4 Capítulo 4 – Confia Em Mim...
Notas iniciais
Capítulo 4 – Confia Em Mim...
Acordou cedo, trocou de roupa, colocou Cerberus no carro e partiu rumo a casa do ruivo, ainda estava sonolento, mas o sorriso em sua face demonstrava o quão satisfeito se encontrava naquele momento. O animal ao seu lado apenas o encarava calmo como se compreendesse o sentimento do dono.
– Não sei se sou inconsequente, ou eloquente demais Cerb… Só sei que ele me faz bem, tantos anos sem sorrir dessa forma, e só a menção do nome dele me faz ficar bobo. — comentou com o cachorro que lhe lambeu o braço — A vida é engraçada, eu esperava que ele me ensinasse como é ser um escritor escrito, e agora percebo que este mesmo homem, vai me ensinar a ser feliz por amor. — o sol começava a dar mostras do quão intenso seria naquela manhã, apesar da época do ano, ele queria alegrar o dia dos dois para um bom banho de praia e conversas agradáveis.
O trânsito livre facilitou sua chegada até o apartamento do ruivo, desceu do carro com cão e esperou o mais novo atender ao interfone.
Completamente desnorteado Kamus levantou correndo para saber quem lhe atrapalhava no sonho bom que estava tendo, ainda de roupa íntima atendeu com voz embargada.
– Sim… — sussurrou escorando na parede da sala.
– Ainda ta dormindo Ruivo? — riu divertido e a voz mansa fez o aquariano despertar e perceber que tinha um compromisso.
– Ai céus, eu acho que desmaiei, entra Milo. — confessou e liberou sua entrada no prédio — Olha meu estado, enfer. — rosnou, mas com o sono que estava nem raciocinava direito, e quando deu por si sua campainha tocava. Correu no quarto colocou um short e abriu, dando de cara com um grego de regata branca e uma bermuda de sarja bege, uma sandália de couro e os fios soltos, uma visão deslumbrante.
– Bom dia, Belo Adormecido. — adentrou no local dando um beijinho estalado nos lábios carnudos — Trouxe visita. — o ruivo encarou o enorme animal na porta e abriu um lindo sorriso.
– Ai meus Deuses, que cachorro mais gostoso. — e antes que o pobre animal pudesse pensar fora agarrado e apertado pelo outro, mas parecia que tinha gostado, o lambia freneticamente em retribuição — Bom dia Milo, que surpresa mais fofa. — comentou fechando a passagem e afagando o cachorro.
– Bom saber que a surpresa foi o Cerberus e não eu… Me senti um nada agora. — fez drama vendo o outro sorrir.
– Pardon, mon cher, é que… Cães grandes, cães pequenos, cães médios, cães… São tão… Fofinhos! E gatos também. — comentou se aproximando dele, lhe dando um abraço tranquilo sendo abraçado de volta.
– Mais um motivo para prestar atenção em mim, mais gato que eu, impossível. — riram divertidos e o francês o encarou encantado.
– Sua modéstia é linda. — ironizou e se afastou — Milo, Cerberus ataca gatos? — perguntou com receio.
– Ele foge de gatos na verdade, e de ratos, e de mariposas, e de qualquer coisa menor que ele. — caíram na risada — Cadê o bonitão persa? — questionou escorando no sofá.
– Lá no quarto, vamo pra lá, o ar tá ligado. — saiu na frente com o grego em seu encalço, este reparou em tudo no aposento arrumado, e no gato folgado na cama.
– Por mim você poderia ficar só de short… — comentou deitando na cama e afagando o felino manhoso, imagem que agradou e muito o outro que escorou na porta e sorriu.
– Vou ignorar sua frase grego e vou pro banho, já tomou café? — perguntou guardando na mente aquela visão magnífica, ele ficava tão bem ali, parecia seu lugar.
– Não, vim mais cedo para tomar contigo. — confirmou, impedindo seu cachorro de subir na cama.
– Ei, deixa ele subir. — brigou e se aproximou batendo no colchão chamando o animal que rapidamente pulou e se aproximou com medo de Alaska, este apenas fez charme e o deixou deitar — Pronto, agora eu fui, já volto. — se afastou sorridente deixando o loiro em seu quarto.
Não demorou muito e o ruivo voltou com uma calça de treino verde escura, sem camisa e os fios num rabo de cavalo alto, encarou o homem moreno ali deitado com seu gato em cima de seu peito e um enorme cão ao lado, os olhos fechados como se cochilasse e um sorriso bobo.
– Eu adoro esse cheiro. — sussurrou ainda sem abrir os olhos.
– Achei que tivesse dormido. — comentou se aproximando dele e sentando a seu lado.
– Estou apenas aproveitando o conforto do seu lar. — confessou o encarando apaixonado.
– Fico feliz em saber que gostou. — estava meio sem saber o que fazer, era estranho estar com ele, abaixou a cabeça envergonhado.
– Ainda temos tempo? — perguntou retirando o felino de seu corpo e colocando Cerberus pro chão, dando espaço para o ruivo deitar ao seu lado.
– Bastante. Só o pegarei de dez horas, ainda são sete e meia, Milo. — riu e aceitou deitar ao lado dele, mas, mesmo assim, mantinha certa distância.
– Cheguei mais cedo pra ter mais tempo com você, queria um momento só nosso. — ficou de lado afagando seu rosto.
– Você é tão natural. — sorriu ficando vermelho.
– Sou um poeta, e quem comanda o coração e a alma de um poeta quando se enamora? — aproximou devagar alcançando seus lábios — Ainda posso? — indagou rente a boca pequena.
– Sim. — sussurrou enfiando sua mão na nuca dele aceitando o ósculo calmo, saboreou o beijo, e o calor que aquele lindo europeu emanava, a mão afoita do loiro desceu por seu tórax em uma carícia suave, lhe arrepiando, chegando até suas nádegas o forçando a colar os corpos.
Ouviu um gemido baixo do francês e se afastou descendo seus beijos pelo pescoço alvo, deixando pequenas marcas, sentindo o clima esquentar, parou quando percebeu que perderiam o controle.
– Desculpa. — gemeu em seu ouvido e fitou seus olhos de rubi.
– É difícil manter o controle contigo. — assumiu e deitou no peitoral forte.
– O engraçado sou eu mantendo controle com alguém como você, mais uma prova do quanto é especial para mim, Ruivo. — o aconchegou em seu corpo — Não quero nada no calor do momento, nem nada que vá se arrepender depois, quero tudo ao seu tempo. — afirmou afagando seus fios.
– Conseguiu tantas coisas de mim tão rápido Milo, nem me reconheço. — acariciava seu peito com cuidado e gentileza.
– Quero conseguir ser parte você Kamus. — era intenso não apenas suas palavras, mas seu olhar.
– Tem como não ser? — sorriu suave buscando seus lábios com carinho, num beijo sereno e apaixonado — Nunca aconteceu comigo antes, mas eu quero apenas viver, sem regras, sem medos, sem reservas. O escritor se deixará ser marcado pelo sentimento que tanto prega e que nunca sentiu. — o quanto desejava aquele homem, nem mesmo mil páginas de pura poesia poderiam explicar.
– Deseja então o mesmo que eu, meu anjo. — beijou sua testa e o abraçou forte — O que estou sentindo, meu Ruivo, é mais intenso que as páginas borradas de lágrimas em um final emocionante de um de seus livros, é ter o coração inundado de tudo de mais belo na terra, é imaginar seus olhos e ganhar a benção dos céus em pura alegria. — sussurrou como se quisesse que suas palavras adentrasse na alma daquele escritor.
– Que seja eterno enquanto dure. — afirmou beijando o pescoço moreno.
– E que dure pela eternidade do que nos enche o peito. — voltou a tomar sua boca dessa vez mais desesperado, mas rapidamente se afastou quando a cama fora invadida por um cão e um gato ciumentos — Ou até nossos animais atrapalharem.
– Em breve serão crianças, se acostume. — abraçou o cachorro e Milo o gato.
– Kamus… — chamou o fitando de lado.
– Oi Milo. — sorriu levando lambidas do cachorro.
– Namora comigo!? — se arrepiou por completo com o pedido e nem sabia o que dizer.
– Eu… Eu… Ai céus… — mordeu o lábio inferior e corou.
– Não te quero como amigo e amante, te quero em cada momento de minha vida, te quero tanto. — sorriu sincero.
– E como eu negaria tal pedido vindo de lábios tão sedutores? Teu sorriso é o motivo de fim de guerras, início de paz, meio de uma eternidade de sentimentos. Eu aceito. — abriu seu sorriso mais lindo e segurou sua mão.
– É tão impossível não se encantar com você, Ruivo… — puxou sua nuca e o beijou apaixonado sendo muito bem retribuído.
– Achei que demoraríamos mais para sermos mais que amigos. — comentou apertando as bochechas de Cerb.
– Eu desejei isso desde antes de ontem quando te vi no skype. — confessou mostrando a língua sapeca.
– É um escorpiano mesmo. — fechou os olhos, risonho — Acho que estou preso em suas garras. — brincou.
– E você me prendeu em seu coração e em seu sorriso. — afastou os animais mais uma vez e o puxou para um abraço confortável — Ainda temos tempo de ficar assim? — enlaçou sua mão acariciando e o apertando contra si.
– Ainda temos uns minutinhos. — ajeitou-se melhor ouvindo os batimentos dele, acariciando-o, se sentindo amado como nunca. O silêncio durou algum tempo, até que o francês decidisse romper — Por que eu Milo?
– Tem que achar explicação pra tudo ruivo? — riu segurando seu rosto — Porque no momento que li seu texto eu sabia que algo mais estava reservado pra mim, e eu soube desde que me respondeu, que era você, não poderia e nem poderá ser outro ser. — não tinha como resistir a tentação de beijá-lo, era tão intensa a ânsia que tinha de sentí-lo sempre mais perto.
Subiu no corpo menor buscando com cuidado seus lábios, mordendo, sugando e aproveitando para provocar o francês com movimentos sensuais, mas antes que as coisas esquentassem o telefone do mais novo tocou.
– Alegria demais acaba rápido. — rosnou e se afastou dele a contragosto – Alô.
– Vêm buscar teu filho que hoje quero passear sem ter hora pra voltar.– ouviu a desagradável voz da ex e suspirou.
– Natasha, o seu dom de ser insuportável está piorando, non se preocupe, em meia hora estarei ai. Prepare roupa para Hyoga, ele passará o fim de semana comigo. — ordenou e esta, irritada desligou o telefone.
– Ela é bem simpática né? — ironizou esparramado na cama.
– Tanto que acho que até o anjo do Cerberus vai rosnar pra ela. — concluiu e se levantou sendo puxado de volta pra cama e recebendo o corpo do grego sobre o seu e sorriu.
– Prometa-me que vamos aproveitar nosso dia sem pensar em nada ruim… — pediu enlaçando seus dedos e beijando seu nariz.
–Estarei com as melhores pessoas do mundo, não me estressarei com nada Milo… — buscou sua boca com carinho dando um beijo demorado, se afastaram e o ruivo fora terminar de se arrumar.
–Vamos ruivo, assim podemos tomar café com seu filho, falar nisso, ele não tem problemas com cachorros, ou com o fato do pai dele levar um “amigo”? — indagou vendo o mais novo pegar a carteira e a chave do carro, a retirando da mão dele — Meu carro tá lá embaixo, deixa o teu, senão ficará cheio de pelos do Cerb. — informou e deu um beijinho em sua testa, observando que o mesmo já se encontrava com uma camiseta de malha bem suave preta e quase transparente.
– Hyoga sempre quis um cachorro, mas à mãe nunca permitiu, já foi demais conseguir criar um gato… Por mim tudo bem ir no seu carro, só não queria que se sentisse na obrigação de ficar conosco caso se canse. — sorriu manhoso.
– Nunca me cansarei tenho certeza, mas não respondeu a outra pergunta. — pressionou, vendo o escritor cruzar os braços e suspirar calmamente.
– Não lhe apresentarei como amigo… Isso seria uma mentira que rapidamente cairia por terra. — abriu a porta e saiu com o loiro e o cachorro.
– Tá me dizendo que vai dizer que estamos juntos? Pro seu filho de sete anos? Pirou? Sua ex mulher mata você. — parecia meio inverosímil a ideia do ruivo.
– Ninguém tem nada a ver com minha vida, e não permitirei que meu filho interfira em minhas escolhas sentimentais, nunca tive preconceito e Hyoga não será diferente, cria minha não terá problemas com sexualidade, cor, credo e afins. — sua firmeza de postura era o que naquele momento deixava Milo mais encantado.
– Como pode tão doce e tão firme? — o agarrou no meio da escadaria o fazendo sorrir.
– Coisas de aquariano. — roubou um selinho e chegaram ao carro, o grego abriu a porta para ele e em pouco mais de meia hora chegaram na casa da ex mulher — Sei que é um mau momento para perguntar, mas eu falei com você ontem de noite né? — já imaginava que estava dormindo e falara demais, tinha apenas flashs.
– Sim. — gargalhou assanhando seus fios — Mas acho melhor não saber nada de ontem de noite, vai pegar teu filhote. — piscou para ele e notou o rubor em sua face — Calma, você não disse nada demais. Na verdade você disse o suficiente para mim. — inclinou-se e lhe beijou suave, o ruivo se afastou e olhou pro carro.
– Quer me dizer porque ainda está ai? — cruzou os braços e o encarou, o loiro trancou o carro depois de sair e escorou nele.
– Achei que não era adequado sair dele. — deu de ombros e recebera uma olhada fulminante.
– E eu te trouxe de choffer? Gracinha! — ironizou e fora tocar a campainha e não demorara muito para dar de cara com sua ex, está encontrava-se com um vestido curto de cor grená, que não cobria nem metade das coxas bem torneadas, o decote ia quase ate o umbigo e o batom vermelho junto com os olhos traçados de negro davam-lhe um ar fatal.
– Não vai ficar com ele o fim de semana todo, não. — afirmou tentando fazer charme e agindo como se fosse natural, arrancando um sorriso incrédulo de Milo.
– Mas não lembro de ter perguntado se permitia, é meu direito, você gostando ou não, então facilita Natasha, eu ando com pouca paciência. — rosnou tetando soar menos agressivo, mas aquela criatura o estava tirando do sério.
– Não ligo pra você, é um irresponsável, um inútil, um pai omisso, não serve nem de mau exemplo. — proferiu com ódio, mesmo que no fundo apenas o quisesse de novo, o amava intensamente.
– Satisfeita? — perguntou agastado — Ok, agora chama o Hyoga. — a fitou irritado, mas antes que ela o fizesse olhou para o loiro, e algo em si despertou, encarou seu ex marido, e cobriu a boca em espanto.
– Não era outra, era outro? — sussurrou escorando no batente da porta, fazendo o ruivo arregalar os olhos.
– Pirou? Enquanto eu estava com você não teve ninguém. Começamos ontem. Quer me dizer porque esse ataque? Não sou mais nada seu e minha vida pessoal não te diz respeito, até porque se vai reclamar de ser um homem, lembre-se, sua juventude te condena. — piscou ameaçador.
– Foda-se meu passado, eu não acredito em você! — empurrou ele e seguiu até Milo, que notando a situação ajeitou-se em pé esperando a aproximação dela, logo atrás o francês vinha incrédulo.
– Bom dia senhorita! — disse educadamente e a russa que queria brigar fora corrompida pela doçura dele.
– Não tem nada de bom. — rebateu, mas menos agressiva do que queria.
– Não sei porque… Vejo em minha frente uma bela dama, que nem de longe parece ter um filho, com feições suaves e tenho certeza que seus olhos gentis, apesar da cólera, são reflexos de sua aura. Então posso dizer que é um dia excelente, ver uma bela mulher é sempre um prazer. — sorriu gentilmente para ela que apesar de não querer, lhe retribuíra.
– Queria te bater por estar com meu homem… Mas… Não consigo, você é malditamente encantador… Mas ainda te odeio pôr o ter tirado de mim. — aproximou-se e Kamus mesmo que assustado com tudo fora pra cima dela para a impedir, mas Milo fez sinal para que não o fizesse.
– Senhorita… Eu não o tirei, eu nem o conhecia quando se separaram e se quiser posso provar, e não quero que pense que farei o possível para mantê-lo longe da senhora ou de seu filho, jamais faria isso, porque tenho um filho e depois de anos finalmente tenho a chance de recomeçar com ele. Sei que é uma boa mãe, mas dê uma chance para que ele lhe mostre que é um bom pai também… Todos merecem uma segunda oportunidade. — a encarou firme.
– Então não interferirá se ele e eu voltarmos? — indagou esperançosa, mas atrás dela Kamus surtava com o absurdo da situação.
– Juro-lhe que nem ao menos abrirei minha boca, e sumirei de suas vidas, desejando o melhor para vocês. Caso deseje posso ir embora e não me aproximarei de seu filho, ou da senhorita, ou de sua casa… Não quero lhes criar problemas! — a sinceridade com a qual proferia as palavras acabaram por desarmar à russa que abaixou a cabeça envergonhada.
– Perdoe-me… Nem ao menos tive educação de me apresentar… Sou Natasha Yuryevna. — estendeu sua mão e fora aceita.
– Milo Nickos Kalomiris! Prazer em conhecê-la. — beijou-lhe a delicada tez alva como neve, ação que não fora bem-aceita pelo namorado.
– O escritor? — questionou mais envergonhada ainda e vira ele confirmar — Céus perdoe-me, eu adoro seus livros… E independente disso, estou agindo como uma maluca e não quero fazer isso, é um péssimo exemplo para Hyoga… Estou de fato sem graça, tenho agido de forma imprudente, e envolver mais alguém que nada tem a ver com isso é ainda pior, espero que possa desculpar minha reação, minha relação conturbada com Kamus não envolve mais ninguém… E foi preciso tanta gentileza para que pudesse ver como estou me comportando… — baixou a cabeça quase chorando.
– Natasha… — o loiro chamou segurando seu queixo — Finjamos que isso nunca aconteceu, está tudo bem, uma jovem tão bela jamais deveria chorar ou encher os olhos com lágrimas, prefiro sorrisos. — sorriu-lhe acolhedor e tivera sua retribuição dela, e um ruivo prestes a matar os dois encarava tudo.
– Não tenho nem jamais terei problema com sua aproximação com meu filho e muito menos com o fato de ser namorado do pai dele, mesmo que prefira manter ele longe do pai, não o farei, diante de tanta delicadeza, farei o que diz, uma segunda chance, mas prefiro de verdade ficar longe do Kamus! Já que dificilmente o terei novamente. — confessou resignada.
– Entendo, mas um filho, precisa de ambos os lados, e em brigas eternas é difícil criar. — piscou pra ela que sorriu e se afastou.
– Gostei de você Milo, mas ainda te odeio Kamus! — informou encarando o ex, que ignorou — Pegarei Hyoga, mas não se acostume, não serei sempre boazinha com você, mas hoje passei dos limites com quem não merecia. — saiu irritada com o ruivo e encantada com o loiro.
– Que gracinha Milo, quer ficar com ela? — ironizou com um sorriso dissimulado.
– Calma, eu só queria que ela entendesse as coisas e grosseria não funcionaria, ela é uma dama, machucada e que te ama, eu a entendo Kamus. — afagou seu rosto com delicadeza — Mas lembre-se meus olhos são seus e meu coração também, só queria amenizar pra vocês! — receberá um beijo na mão em resposta.
– Aquele é seu filho? — chamou sua atenção e abrira a boca, era lindo, parecia um anjo, de fato era a cópia da mãe, em poucos segundo estavam em sua frente, o pequeno era sério, a mesma feição triste do pai e da loira, segurava uma malinha e não sorria.
– Olá Hyoga. — o ruivo abaixou-se e depositou um beijo na testa do garoto que sorriu fracamente.
– Oi pai. — respondeu baixinho encarando o grego de soslaio, curioso.
– Meu filho esse aqui é o… — antes que Natasha contasse pro filho o que ele era do francês, Milo se adiantou e ajoelhou-se em sua frente.
– Sou um bom amigo de seu pai e de tanto ele falar de você quis muito te conhecer, sou Milo! — estendeu a mão e sorriu abertamente e algo que não se esperava aconteceu.
– Oi Milo! É bom conhecer um amigo do meu pai. — aceitou a mão que lhe era oferecida e sorriu abertamente. Os pais arregalaram os olhos, nem mesmo com eles o menino se soltava tanto, era como se perto do moreno todos revelassem seu melhor lado.
– Hyoga, se importa se eu passar um tempo com vocês? — retirou uma mecha do rosto menor, e normalmente ele afastava todos que o tocassem, mas não daquela vez, ele sorrira delicado pelo gesto.
– Não. Acho que será bom! — começava a se animar e Natasha suspirava, escorada no muro, desconstruindo toda imagem de garoto introspectivo que tinha do filho e descobrindo que a culpa era sua e de Kamus.
– Eu tenho uma surpresa pra ti! — levantou e abriu a porta do carro — Cerb, vêm! — ordenou e o grande cachorro saiu, pobre mãe, quase desmaiou, mas o ruivo tratou de acalmá-la.
– É manso. — informou, rindo da cara dela.
– Ideia ruim, ideia muito ruim. — disse com a mão no peito — Eu vou morrer Kamus, num ri! — sussurrou e antes que piscasse seu filho estava atracado no pescoço do cão — AHHHHHHHHHHHHHHHHHH… — antes que ela realmente caísse, o ruivo a segurou — Ele vai matar meu loirinho.
– Abra os olhos e pare de crise, é só um cachorro, não um monstro. — ordenou sem muita paciência e ela o fez, abrindo os lábios em surpresa, o animal estava babando a criança, como se fossem velhos amigos — Deixe-o viver isso. Você não o deixa ter cachorro, ao menos ele pode se divertir com esse. — a endireitou e sorriu pra cena.
Percebia que Milo não dizia nada, apenas o deixava apertar, beijar, abraçar, alisar e sorrir com as lambidas, a felicidade dele mostrava que era apenas uma criança no meio de um fogo cruzado, e que não poderia ser feliz daquela forma.
Com o coração estraçalhado Natasha saiu de lá correndo, machucava demais finalmente perceber o quão cruel era com seu único filho. Kamus encarou a moça correr e suspirou estressado.
– Milo, ele vai estressar o Cerb, não? — questionou se aproximando do loiro que afastou-se um pouco para falar com ele.
– Ele gosta, minha preocupação é que seu filhote anda solitário demais, precisa ou de um irmão, ou de amigos, ou de um animal de estimação, ou de tudo isso, somado aos pais relapsos e que brigam e deixam o coitado no escanteio. — lhe encarou firme.
– Grazie, por mostrar de forma tão sútil o quão idiota sou. — cruzou os braços — Já sei que to agindo errado, o complicado é achar o jeito certo. — suspirou e escorou no muro observando a interação do pequeno com o cão.
– Parar de agir como uma pedra de gelo facilita bastante, Hyoga é quase uma xerox tua, sinto que estou entre a geleira do alaska e a geleirinha da frizzer. — fez troça e notou um ar de riso — Se solta tanto comigo e não o faz com ele, tem algo errado, Ruivo. — completou retirando a mecha ruiva que lhe caía na face.
– Tudo anda errado… Se importa de ficar com ele um pouco, preciso falar com Natasha. — viu o loiro sorrir e aceitar, chegou na entrada da casa esperando que ela atendesse a campainha.
– Não quero brigar mais! — afirmou com os olhos vermelhos de tantas lágrimas.
– Eu menos ainda, precisamos de um acordo, estamos fazendo tudo ficar pior pra ele, não quero Hyoga frio como eu, nem amargo como você. — percebeu o olhar fulminante dela e corrigiu — Pardon, você está machucada, magoada, triste, irada, não lhe tiro à razão, mas ele não tem culpa do nosso casamento ter ido pro fundo do oceano. — seus olhos mergulharam nos dela e à russa suspirou.
– Não posso ficar vendo você toda semana, eu não suporto, gostei do Milo, ele é legal, mas é doloroso, muito doloroso, se quer ficar com Hyoga nos fins de semana, ok, mas não quero te ver mais, Kamus, ver você é como me matar todas as vezes, porque ainda te amo e ainda acho que é meu. — assumiu tudo de uma vez sem o olhar.
– Eu sei, e peço perdão, não era minha intenção, o problema é que… Não podemos voltar, eu nunca te fiz bem Natasha… Nem me fiz bem… Precisamos recomeçar. — cruzou os braços — Diga-me de que forma deseja que pegue Hyoga e o que posso fazer para que nossos problemas não prejudiquem o menino.
– Pedirei para minha mãe o ficar esperando e será ela a entregar nosso filho, quero você longe de mim, porque se dependesse de mim eu te sequestrava e não importa o que diga, eu era feliz com você, eu morri quando você me esqueceu. — uma lágrima escorreu e ela logo recolheu — Vá embora, e não volte mais. — rosnou com uma ira tremenda tomando conta de si.
– Mais uma vez, pardon Natasha… Por tudo. — deu as costas e saiu sentindo-se o pior dos homens. Parou quando ouviu as vozes de Milo com o russinho e ficou escutado de longe.
– Milo… — chamou o garoto e o loiro ajoelhou-se para ficar na linha de visão dele.
– Diga… — sorriu sapeca.
– Vocês pretendem esconder que são namorados de mim? Por qual motivo? — os olhos do loiro se abriram em total espanto e sua boca caiu, Kamus ficou paralisado, sem ter pernas para sair dali — Desculpe-me, sei que não é da minha conta, que meu pai faz o que quiser da vida dele, mas eu sou um rapaz agora, e eu entendo que a gente não manda no coração. — cada vez que o menino falava assustava mais o grego.
– É… É… É… — gaguejou sem saber o que dizer — Na verdade… Não era para esconder, era pra não lhe chocar… Normalmente os filhos querem os pais juntos, ai seu pai aparece para te buscar com um homem, são muitas novidades. Apenas ficamos preocupados que você não aceitasse. — explicou totalmente atônito.
– Sabe, não podem esconder que estão juntos, vocês se olham com carinho. Vou te contar dois segredos… — o moreno pediu aos céus força para suportar o que viria — O primeiro: Eu não suportava mais, papai e mamãe morando juntos, era ainda pior. — fez cara de pavor e prosseguiu — E bom… Eu sei como se sentem, porque também estou namorando um rapaz. — aquilo sim fora uma bomba nas mãos do escorpiano e um punhal no coração do pai.
– Mas hein? — respirou fundo, enquanto o francês permanecia imóvel — Meu anjo, você não é muito novo pra isso? — perguntou delicado.
– Sou sim, mas o amor não tem idade, e nem sexo, e nem cor, e nem credo… Mas a gente ta feliz… Eu estava com medo que meu pai não aceitasse, porque é um garoto, mas percebo que não será um problema, ele me entenderá bem. — sorriu de orelha a orelha pro loiro — Por isso Milo, eu quero dizer que não precisam esconder de ninguém que estão juntos, é algo natural, e quem achar ruim problema deles, eu só quero que meus pais sejam felizes… E meu pai está… E é por sua causa. — abraçou o grego que o apertou no colo o erguendo, depositando muito carinho no ato.
Fechou os olhos se aproveitando da doçura do menino supostamente frio, era uma pureza e um amor que sabia que sentiria quando pudesse fazer isso com seus filhos, o loirinho o abraçava com força, relaxado em seu colo.
Quando os abriu se deparou com um ruivo com lágrimas nos olhos, e um sorriso bobo, retribuiu, e pode ter certeza que a vida de ambos estava destinada a mudar totalmente e para melhor.
– Posso interromper? — perguntou se aproximando e notando que Hyoga estava tranquilo com Milo, era assim que ficava quando estava perto dele… Leve, feliz.
– Papa… — sorriu fraco e tencionou descer, mas uma mão em suas costas o impedira.
– Você não precisa ser igual a mim Oga, eu quero que seja você, cometi muitos erros, mas não pretendo os cometer outra vez, me perdoe se exigi de você algo que nem mesmo eu poderia dar. — beijou seu rosto — Não precisa me agradar, porque ter um filho como você já é o melhor agrado que existe, não preciso de mais nada, só do seu sorriso e da sua liberdade infantil… Não lhe tirarei isso. Nunca mais! — viu o sorriso dos loiros se expandir e abaixou a cabeça emocionado, odiava quando isso acontecia.
Hyoga jogou-se em seus braços o apertando forte, recebendo um superabraço de volta.
– Você é o melhor pai do mundo, foi uma fase ruim, papa, mas ela já tá passando, e eu sei que o Milo vai ajudar muito nisso. — beijou seu rosto diversas vezes, estava finalmente reatando laços com seu pai, e aquilo era tudo que precisava, seu pai era sua vida, amava sua mãe, mas o amor que sentia por Kamus era incomparável.
– Como soube Oga? — perguntou segurando seu rosto.
– Seus olhos brilham perto dele… E você sorriu. — aquela simples resposta resumiu bem toda situação deles, como uma criança percebia isso bem e de maneira pura — Papa, quero que seja feliz, e… Eu gosto dele. — apontou pro grego e piscou.
– To vendo que gosta… Isso me deixa mais calmo. — o ajeitou no colo e suspirou cruzando o olhar com o namorado, ele em tão pouco tempo, se tornara seu pecado, seu delírio, sua paixão adolescente — Vamos pra praia? — indagou feliz.
– Posso correr e brincar com Cerb lá? — olhou pro loiro que afirmou.
– Você pode fazer o que quiser… Ou quase tudo. — corrigiu rindo em conjunto com eles.
Adentraram no carro, Hyoga atrás com o cachorro e os dois mais velhos na frente. Conversas amenas e divertidas surgiram no carro, Milo evitava olhar pro ruivo, não o tocava, não queria forçar nada, deixaria tudo ao natural, deixaria que tudo fosse devagar.
No meio do caminho o russo sentiu-se confiante para falar sobre algo que estava lhe deixando feliz.
– Papa, eu tenho um namorado. — falava como se Kamus fosse seu melhor amigo, porque pra ele, o pai era e sempre seria mais que um pai. O ruivo se segurou para não gritar ou surtar, respirou fundo e segurou na perna de Milo com força.
– Respira. — sussurrou, ele o fez, se controlando ao máximo para não colocar o filho de castigo, ou lhe fazer uma sabatina, mas tinha certeza que se Hyoga procurara alguém, era pra suprir sua carência familiar, mais especificamente paterna.
– Oga, você é novo demais para isso, deveria se preocupar com seus estudos, sua diversão, e não com coisas que são para pessoas mais velhas. — tentou soar o mais carinhoso possível.
– Eu sei pai, mas lembra o livro que me emprestou de psicologia? — Milo encarou o namorado de olhos arregalados.
– Dirige apenas, me interroga depois. — rosnou olhando para trás — Lembro sim. Você gostou?
– Muito, ele me fez ver muitas coisas, que toda tristeza que eu sentia era uma carência afetiva não suprida por meus familiares, e que toda confusão que se passava em minha cabeça com relação a sexualidade era apenas medo, porque no fundo eu sou quem sou, e não quem esperam que eu seja. — falava como um adulto, deixando os mais velhos apavorados.
– Congratulations, Kamus. — ironizou o loiro o fitando de lado.
– Não me faça sentir pior. — pediu agastado — Prossiga filho.
– Pois bem, quando eu o conheci, senti realmente algo diferente, minhas mãos gelaram, acreditei que era pelo fato de que apenas ele tivera um interesse genuíno em fazer amizade comigo, mas eu precisava de respostas, e como não tinha coragem de falar sobre isso com vocês, fui reler o livro, e entendi, me entendi e me dei essa chance, porque descobri que estava apaixonado, mas algo suave, nada muito passional. — ele se expressava tão bem que os dois estavam zonzos.
– Hyoga, você não tem idade pra pensar dessa forma. — exasperou-se.
– Idade não define minha mente, papai, e tenho certeza que sou mais velho mentalmente do que muitos homens, e sei que puxei isso de você, que me ensinou a ser um homem independente da idade, que devo assumir minhas ações e arcar com as consequências, e é o que estou fazendo. Eu sei que isso só aconteceu pelo fato de precisar de um tipo de apoio que não achava, não culpo vocês, porque sei como foi difícil superar essa separação, mas foi um doloroso momento para mim, agora… Sinto-me mais em paz. Ele me faz bem, e se preocupa comigo, e assim eu não dou tanto trabalho a vocês dois. — o francês estava prestes a surtar quando sentira o carro parar e Milo descer abrindo a porta pra ambos descerem.
– É… Hyoga façamos um acordo, você vai correr pela praia com Cerberus, enquanto seu pai assimila tudo que ouviu, porque você sabe muita coisa, e se expressa muito bem, bem até demais, e o coitado está em choque, então dê um tempinho que eu garanto que ele conversará com você tranquilamente. — o escritor nem se mexia do banco do carona, se encontrava anestesiado, culpado, envergonhado, irritado, frustrado e orgulhoso do filho.
– Tudo bem Milo, eu imaginava que ele precisaria pensar sobre isso, mas tenho certeza que ele me entende, agora mais do que nunca e ficará do meu lado, porque ele é meu pai, eu o escutarei com prazer, sei que ele me guiará pelo melhor caminho até eu achar o meu. — afastou-se com o cão e foram correndo pra água sobre os olhares do grego.
– Bela adormecida, acho bom se recuperar, porque seu filho quer um pai e um amigo e terá que aprender isso bem rápido. — informou o puxando do carro e o encostando no mesmo, prensando seu corpo sobre ele.
– Diga-me que estou num pesadelo… — pediu desnorteado.
– Nops. É real e você precisa resolver isso, você ensinou para ele que ações trazem consequências, essa é a sua e a de Natasha. Precisa saber mais dessa história Kamus, precisa ser firme para parar com isso rápido, ele está se desenvolvendo pelo lado errado, e acredite, disso eu entendo. — o encarou deixando claro que já havia vivido aquilo.
– Não quero saber o que eles fizeram, ou se brincaram de médico, eu não tenho estrutura psicológica para saber que meu filho tão novinho está com um namorado e nem estou preocupado com o gênero e sim com a situação. — suspirou e sentira dedos gentis segurando seu queixo.
– Você melhor que ninguém sabe que coisas assim acontecem, Hyoga é adulto demais, ele desenvolveu a mente muito rápido, apenas isso, ele está fazendo o que a cabeça dele diz que pode fazer, apenas isso. Apenas seja honesto com ele, mas nesse momento agir com repreensões não resultará em nada, apenas o deixará indignado, pense com calma, e seja amigo, é assim que reatará essa relação, mas deixe para conversar sobre o assunto quando chegarem em casa, sozinhos, ele vai precisar desse tempo contigo. — sorriu — Esqueça isso e vamos nos divertir. — olhou para os lados tendo certeza que o menino estava longe e o beijou delicadamente, apertando sua cintura, mordendo seus lábios, segurando e massageando sua nuca, beijar aquele homem lhe trazia sensações diversas todas as vezes e era incrível cada uma delas.
– Está agindo como um anjo. Nem sei como te pagar. — sussurrou rente a boca carnuda.
– Não se preocupe, você terá que me resgatar quando meus filhotes vierem. Estar de fora sempre ajuda, estou fazendo o que sei que fará por mim. — o apertou e voltou a dominar seus lábios — E sabe… Tem várias formas de pagamento. — piscou sacana.
– Ai… Safado. — riu divertido, mas rapidamente a cara se desfez — Será que eles se beijaram de maneira adulta? Ou pior, será que se tocaram, digo de maneira mais… Carnal? Ai vou morrer. — outra onda de desespero lhe acometia, o que fizera o grego gargalhar.
– Kamus, deixe de ser pudico, eu na idade dele ficava levantando à saia das minhas amigas de classe e sinceramente, não precisa de tanto floreio para dizer coisas simples como: Beijo de língua, e masturbação, tu escreve livro com putaria e não diz nada disso em voz alta. — ria mais alto — Controladinho lindo. — provocou recebendo um soquinho no ombro.
– É que são palavras fortes quando se trata de imaginar meu filho fazendo isso. — confessou emburrado.
– Acredito que nada disso aconteceu, ele quer carinho não sexo, ainda estão na fase do namoro antigo, mãos dadas, selinhos e só, Hyoga não me parece querer passar disso. — realmente acreditava naquilo, o loiro mais novo era carente e centrado, mas ainda possuía uma alma infantil.
– É o que espero. — deu de ombros cansado — Vamos, não quero deixá-lo só. — afastou-se e retirou a camisa esperando que o loiro fizesse o mesmo e este o fez, retirando a bermuda depois e ficando apenas de sunga, para total deleite do ruivo.
– Que foi? — perguntou sacana voltando a prensar o copo menor.
– Não estava preparado para ver tudo isso. — brincou se segurando para não o tocar.
– Eu também não quando cheguei em sua casa. — piscou beijando sua bochecha — Agora tira tudo e vamos. — se afastou pegando as coisas no carro e esperando ele ficar apenas de sunga, parou o que fazia para secá-lo descaradamente.
– Ok, vamos, vou tirar as roupas daquela criança antes que ele mergulhe com elas. — riu, mas antes de sair, fora agarrado pelo loiro e tivera sua boca devorada mais uma vez.
– Tenho dúvidas ferrenhas sobre quanto tempo suporto com você me atiçando dessa forma. — sussurrou mordendo de leve o pescoço alvo e em resposta recebera um gemido.
– E quem disse que deve suportar? — deu-lhe um beijinho no nariz e saiu atrás de Hyoga que corria pela praia jogando um galho para Cerberus.
Cada passo que davam cabeças se viravam para admirar, homens, mulheres, crianças, todos abriam à boca pela beleza de ambos, o que deixava o tímido Kamus envergonhado.
– O que você tem? — questionou notando o rubor na face do namorado.
– Creio que estou pálido demais e que estão me confundindo com aquela fadinha do filme que brilha na luz do sol e tem presas, ou talvez estejam achando que eu sou aquela fadinha e você é o cachorro-lobo do mesmo filme e estão pensando em porque estamos juntos se nos odiamos. — brincou para amenizar o clima, mas por dentro estava louco para voltar pra casa.
– Porra Ruivo. — riu alto, imaginando tal coisa — Crepúsculo é fodinha, mas admito que há uma semelhança, mas eu garanto que estão na verdade se perguntando de onde saíram tais deuses gregos, nesse caso um grego e um francês. — piscou acariciando suas costas e ouvindo um suspiro de alívio.
– Deixo o lance do Deus para você, mon cher, porque to mais pra fadinha com essa cor de nuvem em dia ensolarado. — os olhares eram tão insistentes que nem sabia o que fazer, tentava ignorar, mas parecia impossível, aproximou-se mais de Milo e este automaticamente lhe segurou a mão com força.
– Pronto, agora sabem que você está comigo e quem olhar muito arrumará confusão. — sorriu sincero e com os olhos piscando em maldade pura.
– Agora sim, vão achar que Edward e Jacob baixaram aqui e largaram à mocinha com cara de limão azedo numa ruela para ser comida viva por vampiros gays. — deu de ombro fazendo o loiro gargalhar.
– Adoro seu humor ácido. — dirigiram-se para o bar onde Milo costumava frequentar nos fins de semana — Shura, vêm cá. — chamou o dono do local que rapidamente apareceu com um avental e sem camisa — Quero te apresentar duas pessoas. — sorriu satisfeito, mas o ruivo parecia tenso.
– Olá venenoso, diga-me quem é esta beldade de mãos dadas com você. — abriu um lindo e encantador sorriso para Kamus que retribuiu fraco.
– Tira o olho Shura, ou eu te capo e Matteo também. — informou num rosnado — Ele é Kamus Chevalier, meu namorado. — e o espanhol abriu a boca em espanto, rapidamente se recompôs e estendeu a mão para o visitante que aceitou.
– Um enorme prazer, sou Shura Daragon, dono do bar e amigo desse escorpião marrento, um enorme prazer lhe conhecer… — estava totalmente sem reação, não imaginaria que Milo lhe apareceria com um namorado.
– O prazer é meu, o seu bar é lindo e agradável. — elogiou sentindo-se mais calmo — Aquela coisa loira e pequena na praia é meu filho, Hyoga. — apontou sorrindo pra felicidade do filho — E por falar nele, vou tentar passar protetor antes que fique tostado. — afastou-se, mas antes de se distanciar demais sentiu uma mão segurando a sua.
– Por favor, deixe para conversar com ele depois… Apenas curta … — afagou seu rosto e recebeu um aceno em resposta, o deixando ir.
– Como isso aconteceu, Milo? — indagou o curioso espanhol.
– Traz o coquetel de frutas sem álcool, que temos muito assunto. — e em poucos instantes conversava animadamente com o amigo.
Kamus grudou em Hyoga e em Cerberus, tivera a melhor manhã de sua vida, se deixara levar pela leveza que sentia por dentro, Milo lhe fizera um bem tremendo e agora via tudo com mais clareza.
Parecia que tudo ao seu redor de pior havia ruído e apenas seu filhote e seu namorado existiam em seu mundo. Estava deitado na areia enquanto o loirinho corria pela praia com o enorme cachorro, ambos molhados e cheios de grãos, mas estavam felizes, isso era o que importava.
Haviam almoçado entre conversas divertidas, risadas e gargalhadas, sorrisos furtivos e enamorados, Milo entendia-se bem demais com Hyoga, em poucas horas, pareciam que se conheciam desde que o menor nascera.
O grego se aproximou de Kamus fazendo sombra em cima dele, este o encarou e sorriu suave.
– Desse jeito permanecerei alvo como neve. — fez troça sentando na saída de praia e o deixando ficar atrás de si, recostou-se nele tranquilo aspirando o cheiro do loiro.
– Eu gosto de você alvo como neve, assim as marcas que pretendo fazer ficarão visíveis, assim todos saberão que tem dono. — sussurrou beijando seu pescoço.
– Milo, Milo… — gemeu em reprovação, mas não tinha força para tirar ele de perto — Não tenho como te agradecer por estar comigo aqui hoje, e por me ajudar a lidar com ele. — apontou pro menino deitado em cima do cachorro poucos metros deles.
– Não me agradeça, eu que devo dizer que você me resgatou… Nos fazemos bem… Isso que importa. — afirmou pegando o protetor e afastando um pouco o ruivo — Agora deixa eu passar isso, pra que não queime muito. — beijou sua nuca e riu com o arrepio que percorreu o corpo menor.
– Só pelos deuses, não transforme isso em algo muito erótico. — brincou se controlando para não perder o controle, sentiu os dedos longos passarem por suas costas espalhando o creme branco nelas, o moreno aproveitava para massagear o francês, que apenas suspirava satisfeito.
– Pronto… — sussurrou beijando sua bochecha — Eu não lhe deixarei animado agora… — piscou e entregou o protetor para ele terminar de passar no resto do corpo.
– Deixa eu passar em você. — levantou e se prostrou atrás dele, já havia terminado de passar em si, queria aproveitar para retribuir o carinho do loiro.
– Seja rápido, meu autocontrole é quase nulo. — brincou enquanto o sentia acariciar suas costas, era bom, ele era gentil e suave, acabou se perdendo na imagem mais bela que vira durante todo o dia, Hyoga estava na beira do mar sendo molhado suavemente pela água e seu cachorro atrás dele como travesseiro — Será que meus filhos serão incríveis como ele? — sussurrou sentindo o ruivo segurar sua mão.
– Verá que sim… Estarei por perto para ajudar. — beijou seus fios e o abraçou.
– Isso me conforta. — aproveitou o contato, era bom estar com ele.
Não demorou muito para o pequeno infante correr até o casal e se jogar em Milo, que prontamente o agarrou fazendo cócegas nele, que ria alto. Kamus se divertia observando os dois, Cerberus deitou-se ao seu lado procurando carinho.
– Milo vem nadar comigo… — levantou puxando o mais velho que o seguira — Papa vêm… — chamou com carinha de anjo e o escritor foi junto com o cachorro que entrou com eles.
– Daqui a pouco nós vamos embora, Oga. — informou o aquariano depois de mergulhar e voltar com os fios molhados e gotas pingando por seu rosto, a boca do grego secou e ele precisou de muita calma para não tomá-lo em seus braços.
– Eu fiz algo errado? — fez bico e agarrou o namorado do pai.
– Não filho, é pra não tomar tanto sol. — respondeu calmo.
– Mas… Ai o Milo vai embora também? — fez menção de começar a chorar, não queria que aqueles bons momentos acabassem nunca, e rapidamente o escorpiano o abraçou.
– Ei, não vou pra lugar algum, nem eu e nem ele. — apontou pro rottweiler que nadava ao redor deles.
– Não quero que vá… Eu queria morar com vocês… E ai eu seria mais feliz… Parece que eu faço vocês felizes… Minha mãe não é feliz comigo… Acho que não sou um bom filho. — pro russo o pai e o moreno já eram uma família e estavam morando juntos, ao menos ele queria que estivessem.
– Hyoga, isso não é verdade sua mãe adora você, mais que a própria vida. — afirmou, acariciando seu rosto com carinho.
– Mamãe recebeu um convite para trabalhar longe daqui, bem longe mas, disse que não podia pra cuidar de mim. — deu de ombros, mas seus olhos continham uma tristeza inimaginável. Os mais velhos se encaram sem saber exatamente o que fazer.
– Olha pra mim, Hyoga. — pediu o ruivo com carinho, sendo prontamente obedecido — Nunca mais na sua vida, cogite duvidar do amor da sua mãe por você, os problemas que ela e eu temos, em nada tem a ver com você, nós somos felizes e completos, pelo simples fato de você existir. Sem você meu loirinho, sempre faltaria um pedaço. — secou a gotinha salgada que escorreu dos olhos azuis.
– Ela anda muito triste. — resmungou, escondendo o rosto no pescoço de Milo, que apenas o apertava com amor.
– Isso não é com você, adultos são confusos, estranhos, complicados e cheios de problemas, mas você não é nada disso pra gente, sua mãe está preocupada, apenas isso. — aproximou-se mais buscando apoio nos olhos do grego que sorriu incentivando-o — Confia em mim? — questionou acariciando seus fios.
– Claro. — virou-se para o encarar.
– Prometo que resolverei tudo isso. — sorriu confiante e finalmente vira o rosto do filho se iluminar — Agora brinque mais um pouco antes de irmos. — o pequeno pulou de novo na água e passara a nadar agarrado ao cão.
– Gostamos de problemas, não é? — sussurrou pro ruivo segurando sua mão.
– Muito. Só quero resolver tudo, ando cansado de tantas pontas soltas na minha vida. — permitiu-se ser abraçado pelo namorado.
– Pelo menos não passaremos por isso sozinhos. — beijou-lhe o rosto com carinho.
– Agradeço aos céus por isso. — deixou-se repousar nele, aproveitando os raios fortes não somente do sol, mas do loiro ao seu lado.
Ficaram assim por longos minutos, precisavam do silêncio e da paz que traziam mutuamente, mas sabiam que em algum momento teriam que enfrentar o resto dos problemas.
– Vamos? — perguntou suave fazendo carícias suaves no tórax de Kamus.
– Sim. — suspirou e encarou o filho boiando com Cerb — Oga, vamos. — o menino obedecera de imediato.
– Papa… Posso fazer milk shake quando chegar em casa? — perguntou já no carro, após se despedirem de Shura.
– Pode… — sorriu, relaxando no banco do carona, olhando pra trás e vendo o filho praticamente dormindo com o cachorro.
– Hyoga… Você quer me ajudar a comprar as coisas pros quartos dos meus filhos, amanhã? — o loirinho sorriu de olhos fechados.
– Quero muito. — e dormira pesadamente, com um sorriso lindo.
– Amanhã é dia de conhecerem minha casa. — afagou a testa do ruivo, que estava quase dormindo também.
– Será um prazer. — riu — Acho que teremos tempo para o planejamento, o bonitinho dormiu.
– E você está quase lá. — brincou, estacionando na casa do ruivo, o olhando de lado — Kamus, vou pra casa, posso deixar o Cerb se quiser, mas vocês precisam de um tempo. — retirou o cinto, e se virou.
– Você não vai passar a noite, qual o problema de ficar até de noite e jantar conosco? Não cozinho tão mal. — fez bico, mas estava enfadado pelo sol — Quando ele acordar, não dormirá antes de uma da manhã, então… — deu de ombros, fazendo uma carinha sapeca.
– Ai, ai, ai… Está bem. — beijou sua testa, descendo do carro, e vira o ruivo fazer o mesmo, pegando o filho e lhe jogando a chave do apartamento, chegaram rápido no andar de cima, Kamus pegou Hyoga e o levou para um banho morno.
– Quero dormir. — sussurrou, se agarrando nele.
– Vai dormir, mas primeiro vai tirar o sal do corpo. — dera um banho bem rápido, colocando uma roupa fresquinha e o depositando na cama do quarto do pequeno, ligando o ar e encostando a porta, mas antes que realmente a fechasse, o enorme cachorro adentrara se jogando na cama dele, sendo prontamente abraçado, suspirou, deixando-a entreaberta.
– Acho que Cerb, vai ficar por aqui. — estava na sala, esparramado no sofá, enfadado pelo sol.
– Bem provável. — sorriu e estendeu a mão — Podemos tomar banho e dormir um pouco, depois fazemos planejamento de tudo… — viu os olhos do grego brilharem — Milo, falei banho, e soninho. — brincou, sendo abraçado pelo moreno.
– Entendi… Não faria nada com seu filho no quarto do lado. — beijou seus lábios, o puxando pro aposento do ruivo, fechando a porta sem trancar — Vai na frente… — mas lembrara de algo — Ruivo, não tenho roupa. — comentou, sentando na cama enquanto ele voltava enrolado na toalha, chegando no guardarroupas, jogando peças limpas e uma boxer nova.
– Agora tem. — piscou e saiu antes que o olhar devasso que recebia se transformasse em ações devassas.
– Gracias. — sorriu, se controlando para não o agarrar. Suspirou e o esperou sair, roubando-lhe um beijo e seguindo pro banho, não se demorando e ficando feliz por vestirem o mesmo número, pelo menos na parte de baixo, e pelo calor, se manteve sem camisa, chegando na cama e o encontrando deitado, quase dormindo.
– Milo… Merci pelo dia. — sussurrou se aconchegando no peitoral forte, recebendo os carinhos dele, relaxando.
– Um prazer, sempre… — parou um pouco pra pensar — Quando vai atualizar o blog?
– Hoje de madrugada… Quando o pequeno dormir de novo. — estava praticamente dormindo.
– Tudo bem… Até mais tarde… — o apertou em seus braços, acabando por não suportar o sono e dormindo.
Já passava das sete da noite, Milo ouvira o celular escandaloso tocar, tentou se mexer, mas sua posição era bem louca, estava de conchinha, com o corpo do ruivo acomodado no seu, seu braço embaixo da cabeça dele, e o outro, sendo muito bem seguro pelos do namorado, que ressonava tranquilo. Acabou por rir satisfeito, conseguindo desvencilhar um membro, alcançando o aparelho.
– Sim. — sua voz era sonolenta, vendo o mais novo acordar e lhe encarar manhoso, em outra época, dispensaria a pessoa sem nem saber quem era, mas ao ouvir o tom desesperado de Marin desistira.
– Milo… Me perdoa… Mas… Daqui à três horas mandarei Ikki e Shun, eles chegarão ai amanhã de tarde, me perdoa, mas peguei Ikki querendo fugir de casa com o irmão, não tive escolha.– ela chorava do outro lado da linha, vendo os filhos brincando para se distrair no aeroporto, na área reservada, como era difícil se ver sem eles.
– Ma… Calma… Ta tudo bem… Irei buscá-los, mas Marin… Por favor, não chore, cuidarei bem deles, meu amor, se acalme. — tentou tranquilizar ela. Kamus o libertou de seu peso e o viu sentar agitado.
– Ele me odeia, Mi… Me odeia… Me olha com ódio… Não posso fazer isso. — começava a lhe bater um desespero.
– Marin, pare, é o melhor no momento, prometi que lhe mandava uma passagem caso não suporte, e não menti, ela já está em suas mãos pra hora que quiser, assim como minha casa, então, respire, confie em mim… Confiou uma vida toda, não será diferente agora, será, bonequinha? — chamou pelo apelido de adolescência, ouvindo um suspiro.
– Está bem, confio em você… – afirmou, resignada.
– Ótimo… Agora, vá curtir eles e me mande as coordenadas por mensagem. Tudo dará certo, Ma. — na verdade não tinha grandes certezas, mas não queria enlouquecer a moça.
– Ok… Mi… Eu te amo… Obrigada. – confessou, mais leve, ele tinha o dom de lhe acalmar.
– Também te amo… — desligou, se lembrando do ruivo, virando para encontrar uma feição nada amistosa — Posso explicar.
– Non se preocupe… Entendi, seus filhos estão vindo pra cá, chegam amanhã? — viu o loiro confirmar e suspirou, realmente não gostara de ouvir como ele falava com a mulher, mas ele precisava de apoio, não de ciúme.
– Sim, mas olha, não é o que está pensando, ela estava chorando, Ikki queria fugir com o irmão, ela teve que adiantar as passagens, nós éramos amigos, melhores amigos, desculpe, não queria que ficasse chateado. — tocou seu rosto com carinho, se aproximando.
– Tudo bem… Só… — mordeu a boca — Nada… Vamos cuidar bem deles… — sorriu segurando sua nuca.
– Não precisa sentir nada… Ela é minha amiga, apenas isso… — buscou seus lábios, se acomodando no corpo menor, sentindo que o ruivo abria mais as penas, para lhe acomodar, intensificou os toques, sugando sua língua, sentindo carícias mais fortes por parte dele, mas antes que se empolgassem demais, ouviram batidas na porta, se afastaram com pressa, vendo Hyoga abri-la com cara de sono, correndo pra cama e se jogando nela com o enorme cão e um gato que adentrava calmamente até pular na mesma.
– To com fome… Quero milk shake de chocolate com menta. — disse risonho, se aconchegado entre eles, sorrindo feliz.
– Oga… Os filhos do Milo chegam amanhã. — informou, respirando pesadamente, pelo beijo de instantes.
– Legal, brincaremos muito. — se animou na hora, pulando na cama, fazendo os mais velhos rirem.
– Sim… É o que espero. — um loiro preocupado sussurrou, tentando se distrair com o russinho.
É… Seriam dias turbulentos até se entender com Ikki…
“Vai molhando, como pequenas porções de sensações,
Vai explodindo, como minas de esperança,
Vai encantando, como saborosas estrelas de ilusão,
Vai revelando, como estranhas conchas no meio da areia,
Vai prendendo, como erva traiçoeira no meio dos campos,
Vai exalando, como perfume alucinante de rosas venenosas,
Vai enamorando, como toda beleza das manhãs de primavera,
Vais, enfim, existindo...
Transbordando-me com gotas de paixão.”
Continua…
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