Vida de Um Escritor
2 Capítulo 2 - Entre Conquistas e Sorrisos!
Notas iniciais
Capitulo 2 – Entre Conquistas e Sorrisos!
Estava tão atordoado com seu trabalho na construtora que nem lembrava do blog, tudo em sua vida parecia tão estranho desde a separação, não sentia falta dela, mas de Hyoga, queria ser um pai melhor, mas se nem conseguia conversar com a ex de maneira tranquila, imagina convencer seu filho que a culpa era de ambos pelo término da relação.
Era noite seu corpo exigia descanso, deitou–se depois de um longo e relaxante banho, os pingos de água caiam pela casa, estava quente e as vezes ter cabelo grande ajudava para o aumento da temperatura, ligou o ar–condicionado e enrolou uma toalha nas madeixas ruivas, com apenas uma boxer cinza se sentia confortável e tenso ao mesmo tempo.
Alaska tratou de deitar ao seu lado e dormir profundamente, após alguns afagos no bichano pegou o notebook e resolvera que era hora de saber de seu blog, depois de 4 dias longe que susto não tomou quando viu quantos comentários e seguidores havia ganho e pela primeira vez na semana sorrira verdadeiramente.
Respondeu aos mais de 50 feedebacks, agradecendo e dizendo quando postaria de novo, respondendo algumas dúvidas, ate que chegou no primeiro comentário que tivera, Scorpion…
— Scorpion? – sussurrou começando a ler o que lhe fora escrito, não sabia porque, mas aquelas palavras lhe foram tão úteis e carinhosas, queria tanto poder ajudá–lo, fora ele, o leitor mais intenso e honesto, ele precisava de ajuda tanto quanto si mesmo.
Sorriu satisfeito e passou a responder ao rapaz…
“Olá Scorpion,
Bom, primeiramente me desculpe pela demora de resposta, estou um pouco… Atordoado. rss
Bem, preciso te dizer que seu feedback pra mim é muito importante, suas palavras me fizeram pensar bastante, e se é de ajuda que você precisa, a darei com prazer. Posso te afirmar de cadeira, que ainda podes se libertar, mas não posso afirmar que é fácil, pelo contrário, é um problema enorme, mas aos poucos você se acostuma com isso. Vou postar algumas coisas hoje, e espero imensamente lhe auxiliar nessa mudança que parece tão necessária para sua alma.
Espero outro coment seu, até a próxima ;)
Aquarius!”
— Alaska, já se sentiu obrigado a ajudar alguém que nunca viu? – o gato o fitava sem entender nada – Pois estou com isso agora, quero ajudar mais pessoas, quero fazer a diferença! – sorriu e começou a digitar freneticamente sua próxima postagem.
“Boa noite para todos e todas,
Sei que demorei um pouco, mas nem sempre consigo o tempo que preciso para escrever, começarei essa postagem de maneira diferente, primeiro quero agradecer a vocês pelo incentivo, pelo carinho e por terem gostado.
Mas em especial hoje, quero agradecer a Scorpion, que me deixou o primeiro comentário, suas palavras intensas me fizeram ter ainda mais vontade de escrever esse blog, e de me esforçar ao máximo para ajudar.
Eu poderia (deveria) falar sobre: “Como se transformar em escritor escrito”, mas não acho que será útil, então como muitos de vocês me relevaram coisas sobre suas escritas, e suas vidas, hora do blogueiro aqui fazer isso também.
Scorpion, essa parte vai diretamente para você, dizem que ensinamos mais por exemplo que por palavras, pois bem, lá vamos nós.
Há alguns anos, eu era apenas mais um rapaz de classe média baixa (muito baixa), que tinha o sonho de ser alguém, mas que não sabia fazer nada, apenas cuidar da família, o estranho é que eu sabia, sim, fazer algo bom, eu sabia escrever e meus professores gostavam disso.
Fui crítico demais uma vida inteira, comigo e com os outros, em determinado momento eu já não tinha opção, não conseguia emprego e faltavam coisas em casa, até que uma pessoa me ofereceu dinheiro para escrever contos como os que eu fazia para redações escolares.
Aceitei de cara, porque acreditei que seria minha salvação, faria algo que amava, e ganharia por isso, mas não levei em consideração as cobranças, meus problemas pessoais e a dificuldade de conciliar escola e livro, aos 17 anos me vi refém de editoras e de pessoas que me obrigavam a escrever coisas longe de um bom padrão de qualidade, apenas para não perder prazos, e aumentar as vendas.
Eu o fiz, mas aquilo me matava, cada novo conto que escrevia sem sentimento e verdade, eu morria por dentro, eu apenas escrevi, durante mais de quatro anos eu apenas escrevi e acabei esquecendo o que era ser escrito.
Casei, fiz fortuna e fama, às custas da minha vida, eu desconhecia a palavra “Felicidade”, tive um filho, um anjinho loiro, meu anjinho, mas por dentro estava tão frustrado, tão cansado, tão infeliz que não fui e não sou o pai que gostaria.
Dei tudo para meus pais e meu irmão mais novo, eu fiz o que fiz por eles e apenas por esse motivo me arrependo menos, mas eu me sacrifiquei nos níveis mais altos, achei que amava minha esposa, me enganei, a fiz sofrer, rejeitei meu filho e tudo começava a ruir.
Minha mente implorava loucamente para que eu fosse escrito novamente, mas não permiti, minha mulher dizia que o importante era vender e lá dentro eu tinha certeza de que não era aquilo que queria.
Mas então vocês devem se perguntar o que me fez pirar e voltar ao normal né? Pois bem, há três anos, meu pai faleceu de um tumor no pulmão, rápido, doloroso para a família, meu irmão fugiu para longe, e minha mãe definhou.
Meu mundo ruiu, meu apoio havia ido embora, e em minhas mãos a responsabilidade de reerguer todos, mas eu não tinha e não tenho maturidade emocional suficiente para manter em pé os lados de minha vida.
Em mim algo se quebrou em mil pedaços, e eu joguei tudo pro ar, gritei com editoras, gritei com chefes, me demiti e quase fali, tudo isso em um espaço de 3 meses depois da morte de papai.
Meu pequeno sentia falta do avô e sua vó parecia num mundo a parte, minha mulher querendo me matar por ter deixado minha carreira que tendia a subir ainda mais, ali meu casamento oficialmente ia pro espaço.
Para reestruturar minha mãe e meu irmão deixei filho e esposa de lado, e para me recuperar das dores internas me enfurnava no quarto escuro e escrevia, era escrito, despejava pelas madrugadas regadas a café tudo que sentia, eu precisava daquilo.
Com o passar dos dias fui ficando mais recluso em mim, em meu universo de escritor frustrado, me sentia um lixo, muitos me procuravam para saber sobre mais livros, e me sentia um inútil por não fazer nada direito, eu não podia continuar enganando ninguém, muito menos a mim.
Devagar uni mamãe comigo e com meu irmão, mas ela e minha mulher se odiavam, eu omisso e relapso não percebi que minha frieza afastava todos, e deixava meu pequeno sem o carinho necessário da avó e do pai, minha inercia emocional me separou deles, e então voltaram a se separar.
Brigas, gritos, confusões, com todos os seres que me cercavam, me cobravam atitude, me cobravam dinheiro, me cobravam livros, me cobravam… Amor! Não tem como se dar aquilo que não se tem mais.
Um ano se passou e eu mal saia de casa, me escondia no quarto e com mais café escrevia, freneticamente escrevia, mas eu ainda não era cem por cento escrito, estava um caco, uma sombra do homem que fui.
Barba por fazer, pálido, fraco, inspirado, mas sem conseguir passar sentimento para meu novo trabalho, dessa vez, um trabalho feito lentamente, com toda minha dedicação e tempo, meu livro, meu sonho de escrita, que estava longe de ser como eu queria, mas eu chegaria lá.
O problema, era que faltava algo, eu não estava satisfeito, havia sim me livrado das cobranças profissionais, mas não das emocionais.
Era madrugada, acordei assustado, a imagem de meu pai tão viva, e suas palavras de carinho para mim me fizeram acordar pra vida, lembrei de quantas vezes ele me implorou para seguir meu coração, era um aviso.
Corri para o quarto e depois de na escuridão tomar todas as decisões necessárias para encontrar meu caminho dourado eu fui escrito, plenamente escrito, por horas e horas, e mais horas, quase doze horas sem sair do quarto, sem ver meu filho e minha esposa.
Com quatro anos meu loirinho se tornou frio e alheio aos outros como eu, sua mãe me culpava, depois de escrever quase todo livro sai do cômodo e encontrei as malas dela prontas, ela sentada no sofá com meu filho olhando pro nada.
Era aquilo que eu queria, me separar dela, não dele, mas eu sei não fiz por onde ser diferente, não cativei meu pequeno, e não a amava, a fiz sofrer, com um casamento de mentiras e interesses.
Deixei que dissesse tudo que queria sobre mim, nada era mentira, covarde, fraco, mentiroso, idiota, frio, sem escrúpulos, cruel, egoísta. Tudo verdade, então era o fim para nós. Mas jamais deixaria que ela saísse de casa, aquele lindo lugar era deles, me mudei para casa de mamãe, e passei a morar com ela e meu irmão.
Mais um ano se passou, publiquei meu livro, mas dessa vez sem assinar contratos, ou esperando fama, ou grandes quantias, eu apenas quis que lessem a verdadeira face de um homem escrito.
Minha ex afastou–me ainda mais de meu filho, alegando que sou eu uma má influência para ele, para ser sincero eu concordo, então me contentei em vê–lo de longe todo dia, sorrindo tão pouco no parque, e sua mãe… Distante dele também.
Aos poucos reconstruo meu patrimônio, mas não com meus livros, mas com outro emprego, e sabe, eu gosto agora do que faço, gosto de ter tempo pra mim, de ter tempo para desfrutar de minha família, de poder escrever sem cordas no pescoço.
Mas o que me dói é ter feito tudo errado com meu filhote, hoje depois de dois anos de separado já o pego uma vez por semana para passear, lentamente reconstruo os laços que perdemos por incompetência minha.
O que quero mostrar para vocês é que uma escolha errada levada por muito tempo pode ser um efeito dominó, no começo de minha vida fiz uma maldita escolha, ela reflete ate hoje, mas não quer dizer que não seja impossível recomeçar, devemos pagar pelos nossos atos, estou pagando pelos meus, mas ao menos posso afirmar me sinto mais firme e certo do que faço, feliz e seguro de que estou no caminho que era meu desde o começo.
Scorpion, e todos vocês que querem recomeçar, mas tem medo do que vão sofrer, quanto mais tempo demorarem para limpar sua mente e sua vida daquilo que lhe mata por dentro, mais difícil será encontrar o caminho certo para voltar a sorrir.
“Um homem que tem seu coração ferido e sangrando, não tem forças para lutar novas batalhas; aquele sábio que se retira para sarar suas feridas volta revigorado e mais certo de sua conquista!”
Espero que vocês tenham gostado, e que possam ver que falo por experiência.
Em breve mais postagens, dessa vez não sobre mim exatamente, mas sobre como se libertar de verdade de dentro pra fora.
Anseio saber um pouco sobre vocês também, agradeço aos que chegaram ate aqui, até breve, meus amigos.
Com Carinho,
Aquarius!”
— Acho que está bom. – sorriu suave e postou, de alguma forma estranha ansiava que Scorpion lesse antes de todos, não entendia, mas aquele simples nick lhe causava um tipo de excitação curiosa. Suspirou cansado e antes que pudesse pensar no que faria para comer o telefone tocou.
— Oi Natasha. – estava animado e jamais trataria a ex mulher de maneira grosseira.
— Oi uma merda Kamus, que conversa é essa de guarda partilhada? – gritava desesperada do outro lado da linha.
— Calma querida… – suspirou – Acho que também tenho direito de passar mais tempo com meu filho, não quero tirar ele de você, só quero o direito de viajar, de trazê–lo para passar as férias. – tinha certeza que em algum momento ela piraria.
— Eu não vou deixar! – à loira estava enlouquecendo.
— Natty, meu amor… – isso sempre funcionava.
— Não faz isso Kamus. – pediu perdendo as forças de brigar.
— Eu jamais, ouça bem meu anjo, jamais vou tirar Hyoga de você. Mas não quero que meu filho pense que não fiz nada para mudar todas as burradas que cometi. Sei que não posso concertar o que fiz com você, e me arrependo amargamente disso, mas posso não machucar mais meu loirinho. – havia tanta dor em suas palavras que desarmaram à médica.
— Kamus… Você ainda pode… Concertar as coisas comigo… – sussurrou ansiosa – Ainda podemos recomeçar meu amor, eu nunca te esqueci Kamus, e assim poderíamos criar Hyoga juntos. – mordeu os lábios nervosa.
— Natasha, já falamos sobre isso… Não posso fazer isso nem com você e nem comigo. – estava tão cansado de dizer que não haveria volta.
— Pois então sinto lhe informar que você e sua amante não terão a chance de influenciar meu filho contra mim. – rosnou inconformada.
— Que amante Natasha? – nem ao menos sabia de onde ela tirara aquilo.
— Não se faça de idiota, você tem outra, por isso não me tocava mais, por isso me ignorava, por isso quer Hyoga, e é por isso que não me ama mais. – chorava copiosamente.
— Olha, neura com relação a nossa separação é demais, eu nunca tive outra pessoa Natasha, já cansei de jurar isso, eu não quero lhe fazer mais infeliz do que já fiz, eu sempre amei você, mas não como mulher, nosso casamento foi um equívoco, eu não te amava como merecia. – não estava mentindo, mas era doloroso assumir.
— Pare de mentir… – ser rejeitada era algo que à russa não aceitava bem.
— Não estou mentindo, eu só quero que seja feliz Natty, você e o Oga, mas dentro de casa não farei isso com nenhum dos dois. Só quero ter um tempo a mais com meu filho que tanto amo.
— Sinto muito lhe informar que vou entrar com todos os recursos, mas não vai ter Hyoga por mais tempo que já tem. Eu fujo com ele pra longe de você se o juiz permitir isso. Ou volta pra casa, ou tirarei até o direito que já tem. – desligou sem dar tempo do ruivo retrucar.
— Ok, como manter à calma em um momento desses? – suspirou pesadamente tentando não destruir tudo ao seu redor – Alaska vou matar alguém. – o felino lhe encarou e rapidamente estava em seu colo.
— Não quero mais erros, não quero mais ser infeliz, mas é meu filho… Natasha é vingativa, pode conseguir… O que faço? – ouviu o barulho de mensagem do notebook e correu para ver, sorrindo descaradamente ao notar que Scorpion já o havia respondido.
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Igual ao ruivo depois de um dia difícil, de entrega de livro – finalmente – e merecidas “férias” de uma semana deitou depois de um banho na espaçosa cama com seu fiel companheiro do lado.
Correu para ver se havia nova postagem, e se surpreendeu ao ver que não apenas uma postagem constava em suas atualizações, mas uma resposta, leu tudo sorridente, mas alargou ainda mais quando viu o que ele revelava em seu texto.
Assanhava os fios sentindo um aquecer estranho em seu corpo, mas não era algo normal, sua alma parecia enlouquecer de alegria e uma excitação estranha, nada carnal, apenas emocional.
— Cerb… Ele dedicou a mim a postagem. – sentia–se uma criança que consegue atenção do professor – Acho que ele merece uma resposta rápida. – afagou o animal – Vai achar estranho se eu disser que queria conhecer ele melhor? – sabia que falava sozinho, mas precisava falar, para conseguir se entender.
“Olá Aquarius,
Sabe preciso confessar que não imaginava nada do que revelou na postagem de hoje, preciso dizer também que não tenho grandes certezas sobre minha força de vontade, e posso afirmar, que não tenho tanta garra quanto você.
O tempo nem sempre é bom conselheiro, mas ele lhe fez milagres, imagino que ainda tenhas teus fantasmas para lidar e mil problemas que não confessastes ainda, mas não consigo nem mesmo vislumbrar alguém com seu perfil apenas escrevendo, entendível seu tormento e seus problemas.
Sinto muito por seu casamento, mas sobre seu filhote, você pode, com certeza, recuperar todo tempo perdido, ainda é novo, sei que estás se esforçando para ser um bom pai.
Alguns erros não podem ser esquecidos, mas podem ser reparados, de alguma forma, eles podem minimizar os danos. Só lhe digo uma coisa, não desista dele, jamais, não importa o quão difícil pareça, o quão complicado possa se tornar ficar com ele por conta de fatores externos, nunca desista do seu filho, não o deixe esquecer que tem um pai. Creia, sei do que falo.
Não sei se você lerá esse também, mas quero agradecer demais por lembrar de mim, e por me ajudar, e bom… Gostaria de conversar mais com você, meu nick de skype está no meu blog.
Como todo bom escritor, já imagino que não dormes cedo, então desejo a ti boa madrugada.
Até a próxima Aquarius.
Scorpion!”
— Cerb, ou sou um idiota insano, ou estou arrumando sarna para me coçar, ou preciso de terapeuta. – ria sozinho assanhando os fios e deixou o note na cama indo até a cozinha.
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— Olha Alaska, ele já comentou. – sorriu abertamente em cada frase dele, mas quando este comentou do filho uma curiosidade insana lhe assolou, e por mais que sentisse que era loucura, que ele poderia ser um louco psicopata, desejava conhecer ele. Mordeu os lábios incerto e correu para ver o nick do skype dele.
— Ele tem um blog somente de poemas… – acabou por encontrar um, seus olhos se arregalaram pela intensidade do mesmo – Escuta isso pequeno. – comentou como se o gato fosse prestar atenção.
— "É o tempo passou meu caro anjo,
Ele não teve piedade de nós,
Foi cruel, traiçoeiro, e posso afirmar que foi sábio também.
Ele levou com seus segundos, as horas que tínhamos,
Ele levou com seus minutos, os anos que ainda nos cabiam,
Ele levou com seus anos, a vida que nós restava.
O que dizer então da distância?
Ela fez parceria com o tempo
Arrematou para ela nossos abraços
Sequestrou nossos sorrisos em noites enluaradas
Sufocou as palavras ditas em momentos de felicidade
É, ela levou de nós um pouco de alma.
E agora, depois de tanto tempo, de toda a distância
Te encontro a esmo pela rua, vagando perdido, a procura de algo,
Não volta… Nada vai voltar
O percurso foi longo, foi vadio, foi vazio, e me calou
Me calou no silêncio de sua ida de mim.
O que poderia ter acontecido se tudo não nos fosse roubado?
Talvez nada, talvez tudo
Já não sei, e também já não interessa
O que vejo hoje não sou eu, muito menos reconheço o meu eu em você,
Foi–se o tempo, a distância já não é física,
Acabou… Pois simplesmente, hoje, posso notar que tudo fez diferença,
Já não há nós, em nós!" — respirou pesado engolindo em seco – Puta que pariu, ele tem mais talento que eu em dias de inspiração extrema, esse homem é um pecado com as palavras. – pegou o nick e o adicionou correndo no skype, achando o momento ideal para lhe comentar sobre o belo poema.
“Olá Scorpion,
Achei não apenas seu nick, mas seus poemas, se apenas lendo um fiquei sem fala e sem ar, estou com receio de não respirar mais ao ler outros.
Preciso te dizer que você é um homem escrito, estás apenas retraído, mas com o incentivo certo, deixarás corações enamorados e destroçados, depende do que escreveres.
Admito, conseguistes de mim ambos, uma dor tão forte que toca de ambas as formas, não sei quem foi o culpado ou à culpada que lhe fez escrever dessa forma, mas ficou divino, intenso, com notas de um amor que não se acaba. Ao que me parece você conheceu o amor de perto, ele e suas vertentes dolorosas, sinto muito.
Bom, vou vasculhar mais alguns, espero conversamos em breve.
Com carinho
Aquarius!”
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— Cerb, acho que já tenho alguma reposta, né? – gritou enquanto adentrava no quarto, vendo o cachorro abanar a pequena cauda – Sinceramente depois de homem–feito, me sinto um adolescente. – sorriu mordendo sua barra de chocolate.
Voltou a deitar e leu tudo que lhe fora escrito, sorriu abertamente.
— Nossa ele consegui achar um dos piores que eu tenho, mas fico feliz em saber que gostou. – baixou a cabeça meio envergonhado – O que ta dando em mim? – comentou rindo.
Correu pro skype e encontrou o convite dele aceitando rapidamente, percebeu este online e movido por uma coragem que nem sabia de onde vinha chamou para conversar.
Scorpion: Boa noite, atrapalho?
Por dentro tudo estava agitado, mesmo que tentasse manter o controle. O chocolate não demorara muito para ser devorado completamente, estava tão estressado que comia tudo rapidamente.
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Demorou um pouco para notar a janela aberta no computador, tão entretido estava com os poemas do rapaz, mas não pode conter um sorriso enorme ao ver quem era, procurava mil razões pela felicidade e animação, mas não achava nenhuma, talvez o fato de encontrar alguém que tivesse algo em comum.
Aquarius: Non, non atrapalha. Boa noite. Desculpe a demora, acabei me distraindo com seus poemas. Parabéns.
Do outro lado o loiro suava frio, mas correu para responder.
Scorpion: Fico feliz que tenha gostado, obrigado, não apenas por ler as coisas tocas que escrevo, mas por me add. rssss
Ambos estavam nervosos, não sabiam porque, mas estavam.
Aquarius: Non son “toscas”, são lindos. Muito lindos.
Scorpion: Faz tempo que não me sinto inspirado ou bem para escrever, nem mesmo poemas.
Aquarius: Já passei por isso, parece que nada dá certo, ou te inspira, vem com o pacote de escritor. rss Não fique triste, uma hora isso passa.
Scorpion: Muitas coisas deveriam passar, principalmente à culpa.
— Culpa? O que ele quis dizer com isso? – assanhou os fios rubros e prosseguiu no assunto.
Aquarius: Culpa?
Scorpion: Sim, por erros que não se podem reparar, consertar, ou esquecer, apenas podem ser relembrados e remoídos como forma de nunca mais repetir.
Aquarius: Acho que disso entendo, apesar de muitas vezes querer esquecer, não dá, sempre tem alguém para lembrar e passar na cara.
— Será que temos tantos pontos em comum assim? – o grego queria desvendar todos os mistérios dele.
Scorpion: Sei que é rápido e que pode me achar meio insano, mas queria saber teu nome. Sou Milo Kalomiris, e não sou um psicopata atrás de vítimas.
Brincou para quebrar o clima entre eles, queria e precisava conhecer ele. Kamus ria alto sozinho no quarto, relaxando como não fazia há tempos.
Aquarius: Você leu meus pensamentos, estava realmente imaginando que tipo de psicopata você era. *brinks* Não se preocupe, também não gosto de tratar as pessoas pelo nick. Sou Kamus Chevalier. Prazer Milo… Espera, você é Milo K. P? Autor de Sonhos de Inverno?
Conhecia todas as obras dele, e gostava, apesar do tema cliché de amor entre adolescentes, tinha um toque gostoso nas frases dele, era bom de ler, uma coisa leve e suave, mas com sentimentos deliciosos.
Scorpion: Infelizmente. rsss Você teve coragem de ler aquilo? Mas, uepa, você foi o autor que se revelou, mudou de assinatura e ainda mandou à editora oficial de modinhas pra puta que pariu? Li livros seus, na verdade quase todos, tanto quando você Assinava como Kamus Moncleaur C. L., quanto o livro que lançou recentemente como Kamus Chevalier apenas, o Mentiras, Lençóis e Sentimentos, foi um dos primeiros. É você né?
Ambos estavam espantados, se conheciam, só não sabia.
Aquarius: Rsss, sim sou eu mesmo, sério que você sabe do que disse aos donos da Editora? Putz, fiz sucesso. rsssss. Me dê uma boa notícia e diga que não leu Almas Devastadas.
— Pelos deuses que ele não tenha lido essa merda. – estava apavorado com aquela possibilidade.
Scorpion: “Tenho em minha alma mil pedaços de quem fui, nela guardo o sorriso morto de alguém, nela há o sentimento adormecido de mil vidas não vividas, guardo em gavetas sem chaves sensações que me dilaceram e me mantém vivo.” eu acho que já li umas três vezes esse. *apaixonado pelo livro*
— Puta merda, ele decorou. Alaska olha que mal eu fiz para humanidade. – abaixou a cabeça desolado.
Aquarius: Como pode gostar desse lixo? Ah, e seu livro ficou lindo, eu amei, mas acho que meu favorito foi o último da saga, Sussurros da Dama da Noite.
— Oh merda, ele leu o pior livro que já escrevi, vou me matar Cerb.
Scorpion: Seu livro não é um lixo, eu chorei do começo ao fim, mas sério que você tem coragem de dizer que gosta dessa coisa que escrevi? Fala sério. rss
Aquarius: “Portas que batem com o vento, suas palavras me chegavam ferinas e feridas, suas mãos que batiam em meu corpo deixavam claro o quanto lhe havia magoado, minha Dama da Noite sucumbia de dor, e os sussurros que lhe deixavam os lábios vermelhos, eram uma adaga que me mataram em vida!” Passei dias com isso na cabeça.
Scorpion: Ok, acho que temos muito em comum, ao menos já gostamos dos livros que achamos piores. rss, fico feliz que tenha gostado.
Aquarius: Verdade, e eu fico por ter gostado dos meus. Apesar de tudo, os fiz com carinho.
Scorpion: Dá pra sentir.
Olhou o relógio e suspirou, amanhã sabia que tinha que trabalhar, mas falar com o rapaz que não sabia como era, apenas conhecia suas obras, era tão especial.
Aquarius: Acredita que apesar de ter lido teus livros, nunca vi imagens suas, ou entrevistas.
Scorpion: Ia dizer o mesmo, no meu caso evito ao máximo exposições, não quero certas pessoas no meu pé, então é por isso que me mantenho longe de holofotes excessivos, até gora não sei como consegui ficar fora da mídia, ao menos minha imagem.
Aquarius: Estou na mesma situação que você, prefiro o anonimato, odeio ser o centro das atenções, e sei que me traria problemas.
Milo não sabia como falar, nem ao menos sabia se já era hora, mas queria tanto ver ele, saber como era, mordeu os lábios, o silêncio pairando no quarto amplo.
Por sua vez o ruivo queria o mesmo, mas não era ousado, e muito menos atirado, esperaria que se conhecessem mais um pouco, como aquariano era cuidadoso, e conversar tão abertamente com Milo já era o suficiente.
Scorpion: Pode parecer estranho, mas como escorpiano sou impulsivo. Posso te ver?
— Nossa, ele é rápido. Que bom. – riu nervoso ajeitando os fios rubros. Esquecendo que estava apenas de boxer.
Aquarius: Pode, só não se decepcione. rss Até porque não quero ter a sensação de que estou falando com um assassino mentiroso.
— Céus ele aceitou. – ajeitou as madeixas douradas e sorriu ligando a câmera rindo do comentário dele.
— Oi… – disse sem graça, corado e parecendo um adolescente, quando finalmente tivera coragem de encarar o rapaz do outro lado, sua boca secou, suas mãos gelaram e um sorriso espantado apareceu, o ruivo nem sabia o que dizer.
— Uou… – fora apenas o que o grego conseguira expressar, os olhos de Kamus mesmo por trás da tela eram tão intensos, de uma cor diferente, os fios vermelhos, a boquinha de coração, e um sorriso tão inocente, céus, ele era um Deus.
— Eu disse para não criar expectativas. – disse baixo virando o rosto, odiava certas vantagens tecnológicas por isso, podia mostrar que era extremamente tímido e antissocial.
— Deveria ter criado expectativas além das que criei Kamus… Ainda assim ficaria sem reação. – confessou degustando da imagem bela do francês, a voz calma, e rouca, ele era um convite ao mundo de Hades.
— Ok, agora chega. – riu manhoso o encarando e mergulhando nos olhos azuis, como eram vivos mesmo pela câmera, tão brilhantes e eletrizantes, assim como a voz forte, grave como uma trovoada, os fios ondulados de cor dourado, caindo sem pudor pelo rosto, eram mais longos que os seus, mas, com certeza, revelavam uma altivez e uma alma selvagem – Seu sotaque… De onde você é? – sua curiosidade falara mais alto que sua habitual descrição.
— Sou grego, e você é francês acertei? – o ruivo concordou – É o único local do mundo que fala com um sotaque tão sexy e com um biquinho lindo. – riu sedutor, queria parar, mas seduzir era tão natural quanto respirar.
— Tentando me encantar, Senhor Kalomiris? – começava a se sentir mais tranquilo na presença virtual dele – Pois lhe digo que estás falhando, non sou facilmente conquistável. – nem sabia o que estava lhe dando, mas ele era tão leve apesar de ter um rosto triste, sua aura ativa lhe contagiava.
— Ah, pena, mas deveria ter imaginado, levando em consideração que tinha mulher e tem um filho, e pela pose fechada e séria, deve ser 100% hetero. – piscou pra ele se ajeitando na cama e rindo suave, não estava realmente flertando com ele, mas ele lhe fazia sentir uma alegria diferente, era bom poder brincar um pouco. Pela webcam, apenas seus rostos e seus pescoços ficavam visíveis.
— Ah, mas estás super enganado, eu fui casado sim, e tenho um filho lindo, que em nada parece comigo, só na chatice, mas sobre ser 100% hetero, estás enganado, poucas pessoas podem se arvorar de dizer isso, a vida tem caminhos estranhos, não somos 100% nada, tudo tão mutável, pode ser que um dia me enamore de um homem, e não terei problema algum. – sua feição estava tão certa do que dizia que deixou o loiro ainda mais encantado. Um sorriso suave adornou seu rosto angelical e Milo suspirou.
— Gosto da sua forma de pensar, ela se parece com a minha, e tem algo que preciso lhe contar, abriu sua vida para seus leitores, principalmente para mim, eu também tenho um filho. – confessou um segredo que nem mesmo seus pais sabiam, e viu o ruivo arregalar os olhos.
— E onde ele está? Por isso disse aquilo sobre não desistir? – sentiu seu peito doer pela face transtornada do grego, queria tocar seu rosto e o acalmar, recriminou–se por tal sentimento infundado.
— Não sei… Não faço a menor ideia de onde está, já passaram dez anos, e eu só o vi uma vez quanto tinha um ano… – mordeu a boca nervoso, aquele assunto lhe machucava demais.
— Eu… Sinto muito. – nem sabia o que dizer – Não tem vontade de procurar por ele? – estava se metendo demais – Desculpe–me, estou sendo indelicado, não tenho porque fazer perguntas. – ouviu a risada gostosa do outro e o encarou pela tela sem entender.
— Espero me acostumar com sua formalidade Ruivo, vou te chamar assim a partir de agora, fui criado numa família grega, discrição, formalidade e gentileza são coisas que não fazem parte de nosso dicionário. – brincou – E pode perguntar o que quiser. – sorriu gentil e verdadeiro.
— Esqueço que os gregos e os italianos são os mais malucos da Europa, são realmente uma grande família extravagante e dada a dramas de novelas. – cutucou notando o escritor relaxar e rir – Bom, posso lhe deixar me chamar assim, mas não se ache demais. – piscou sentindo–se bem demais com ele.
— Ah, nós somos espontâneos, não somos dados as frescuras e aos biquinhos, adoramos um prato cheio, falar palavrões, gritar numa simples conversar, somos realmente dados a dramas, mas ao menos temos uma vida movimentada, sem chás da tarde e passeios de arte com boina. – riu alto arrancando gargalhadas do francês.
— Está bem, já nos cutucamos demais. – deitou–se nos travesseiros dobrando as pernas e apoiando o notebook, revelando uma parte de seu peitoral exposto para ele – Eu gosto da Itália, e sempre quis conhecer sua terra, mas em minhas andanças nunca fui, acho que por não dominar o idioma. – deu de ombros.
— Pensei o mesmo sobre seu País, acho que agora já podemos viajar, é só irmos juntos. – sorriu recostando na cama dando uma visão maior de seu tórax pro ruivo que gelou. Milo sentira o mesmo, parecia tão macia a tez tão alva.
— Gosto da ideia. – sorriu e antes que pudesse falar algo viu uma coisa enorme deitar no colo do loiro, exigindo atenção – Quem é esse? – aproximou o rosto da tela só para ver melhor o animal de porte grande.
— Ah, essa coisa excessivamente folgada é Cerberus, meu bebê, meu melhor amigo e minha única companhia. Cerb diga oi pro Kamus. – ajeitou o note para que o cachorro ficasse bem enquadrado, e este apenas olhava sem entender.
— Oi Cerberus… Deuses ele é lindo, nossa, que sonho. – estava deslumbrado com o animal, que depois de ouvir seu nome lambeu a tela e a câmera.
— Ok, chega de babar meu pc, pelo visto você caiu nas graças do cão feroz. Mentira é uma vaca de tão manso. – limpou o visor e percebeu o ruivo apaixonado por seu oet – Não tem animais? – perguntou curioso.
— Tenho sim, um gato persa, chato, egocêntrico e metido, minha ex não queria cães aqui porque babam muito, então só pude ter ele. – pegou o gatinho e colocou para ele ver – Esse é Alaska. – o felino encarou o computador e tratou de se ajeitar no colo do dono ignorando tudo.
— Oi Alaska, que simpatia. – riu divertido – Lindo, muito lindo. – adorava gatos, e aquele era perfeito.
— Milo… Lo siento, mas meu relógio me informa que devo dormir, amanhã trabalho, e meu chefe não gosta de atrasos. – não queria deixá–lo, estava tão bom falar com ele, ver seu sorriso, ouvir sua voz.
— Hum, admito que não gosto disso, mas entendo, mas quero saber de uma coisa e pedir outra posso? – mordeu seu lábio inferior sensualmente assanhando os fios dourados.
— Pode. – estava hipnotizado pela beleza selvagem dele.
— Te vejo amanhã? Ganho seu whatsapp? – sorriu envergonhado.
— Você é rápido demais… – riu e retirou sua franja do rosto deixando o grego enlouquecido – Sim, nos vemos amanhã, e sim, me adiciona. – digitou o número e sorriu – Boa noite Milo, descanse. – algo lhe impedia de desligar.
— Mèrci. – encarou–o firmemente – Falei certo? – o ruivo abriu um sorriso e concordou – Boa noite Ruivo, descanse e até amanhã. – mandou um beijo estalado para ele, este apenas corou e baixou a cabeça acenando com a mão sem conseguir encarar ele novamente, desligou e guardou o eletrônico.
— Ai, pirei geral agora, acho melhor nem pensar, pela primeira vez na vida sou impulsivo, melhor apreciar o momento, ele é um bom amigo. Alaska fala algo. – exigia alguma lógica que o puxasse para realidade, mas o gato apenas o afofava na barriga – Gatos! – desligou a luz e se ajeitou na cama com o felino em sua cabeça.
Antes que desmaiasse de sono ouviu o celular apitar e fora ler a mensagem.
“Dorme bem Ruivo, te conhecer foi muito bom, espero aprender mais sobre você, o melhor livro que já li são seus olhos vermelhos! Beijos… Milo!
OBS: preferi te mandar um sms, parece menos impessoal.”
— Boa noite Milo… Digo o mesmo. – adormeceu com um sorriso como nunca o tivera em sua vida.
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— Kamus… Você não é somente uma luz no fim do túnel, você é como um anjo, um anjo que sonhei por anos encontrar… Vou te conquistar Ruivo. – jurou e acabou por adormecer com o rosto e o sorriso gentil do escritor em sua mente.
“Se te encontras tão perdido,
Teu pedido é teu amparo,
Te preocupas com futuro,
Mas escondes teu passado.
Ainda sonhas com castelos,
Miras o mar em tempestade,
Sorri do sorriso roubado.
A feição antes triste,
Dá lugar ao prazer,
Coração que tanto mente,
Aprende a se desfazer…
…De suspiros e de paixão,
De encantos, de pura sedução.
Te manténs ainda vivo,
Tua alma acha abrigo
Teus olhos vagueiam com rumo
Tens agora pra onde voltar,
Confirmas quando o olhas,
É nele teu melhor lugar!”
Continua…
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