Vida de Um Escritor
1 Capítulo 1 - Pinceladas de Sentimentos!
Notas iniciais
Capitulo 1 – Pinceladas de Sentimentos!
O Que é Ser Escritor?
“Tem dias que a inspiração bate na porta, entra rápido e se senta com você no sofá, apenas para alguns instantes de prosa.
Tem dias que ela entra sem pedir licença, lhe tira da cama e lhe coloca para criar com ela até raiar o dia.
Em outros ela apenas lhe diz um “Olá!” e em segundos some, como um forte vento errante numa manhã primaveril.
Ah, mas tem outros dias que ela simplesmente ignora nossa existência e nossa necessidade dela, e desaparece por horas, meses, anos…
Atire então a primeira pedra aquele que escreve há anos e nunca passou por essas fases, elas são um mal necessário para nós, e quanto mais precisamos, menos temos.
Lidar com a inspiração é lidar com uma mulher, suas nuances, seus rompantes, seus carinhos, suas crises, suas lágrimas, e o mais gratificante… Seus sorrisos.
Há quem diga que escrever é fácil, que criar é simples, que por num papel é rápido, há quem reclame que somos frescos, que somos preguiçosos e cheios de manias desnecessárias, que temos costumes estranhos e sem nexo.
Dizem também que para escrever bem não é preciso inspiração, nem paixão, nem mesmo amor, basta fazer o enredo e pronto!
Não sabem eles quanto gostaríamos que assim fosse, que tudo se resumisse em criar e escrever, mas aquele que escreve sem sua amada amante— porque à inspiração é uma amante cheia de vontades— nada mais é que mais um nesse mundo de pessoas sem intensidade em suas frases, em seus parágrafos, em suas páginas.
Aprendi cedo que se não te prendes a perder horas com tuas criações, jamais prenderás de amor e fascínio teu público.
Para muitos escrever é fácil, alguns quilos de palavras aqui, um toque de drama ali, alguns acordes de romance pra cá, uma pitada de prazer acolá; não se deram conta ainda que não é apenas disso que um texto precisa, ele necessita mais do que esse monte de coisas para surtir efeito satisfatório, nada disso cativa os leitores e não haverá o toque de verdade nas sensações do livro.
Então temos uma diferença gritante entre: “Os Que Escrevem” e “Os Que São Escritos”.
Escritores de alma são escritos, cada novo romance, drama, comédia, ação, terror, suspense, eles são escritos pelas palavras que compõe uma página, escritores de alma, não fazem enredos perfeitos, não planejam tudo para sair milimetricamente correto, eles se deixam levar, e vai surgindo…
… Com a inspiração de lado, e uma xícara de café para as madrugadas criativas, uma taça de vinho para noites solitárias e romanticamente piegas, um copo de suco para manhãs de primavera, e até mesmo uma xícara de chocolate quente para o frio das tardes de inverno.
É assim que funciona um escritor escrito, ele faz seu ambiente ficar o mais aconchegante possível para deixar seus dedos coordenarem e suas emoções aflorarem em cada cena.
Esses são os que arrancam todas as sensações de seus leitores, porque foram as suas próprias emoções e sensações depositadas naquelas folhas, com amor, carinho, lágrimas, dores e gritos angustiados. Vibrar com finais marcantes e românticos, chorar com as mortes necessárias e nem sempre previstas, reler sua obra e sorrir abertamente por estar completamente diferente do que imaginou, e perceber que ficou melhor ainda.
Ser escritor é dedicar sua vida para cada novo conto, é deixar–se levar sem pensar, só sentir.
Mas então temos o que parece–me febre em nossa atualidade, os escritores que escrevem, e apenas escrevem, e escrevem mais, e passam uma falsa emoção, uma falsa verdade, uma falsa sensação de intensidade, mas que nada há ali de fato, apenas palavras muito bem agrupadas, que dão origem às modas adolescentes e sem coerência de fato.
Nada contra clichês muito bem escritos, são sempre bem–vindos, mas há um limite, imitação demais cansa, e modinhas em excesso acabam viciando o novo público para pouca poesia existente ali, e se perdem de grandes obras, grandes autores, muitas vezes esquecidos ou nunca conhecidos, porque ousam mais do que os outros.
Este escritor mais se preocupa com seu número de vendas, seu status, se aproveitam da falta de informação e da ingenuidade de muitos, são estes escritores que jamais se deixarão escrever por suas obras, eles jamais as deixarão lhes dominar os sentidos, pois, com certeza, notarão o quanto é cansativo e desgastante, e que não cumprirão os prazos, dormirão mal, esquecerão de fazer à barba, de se depilar, esquecerão o que é vida social, e se dedicarão completamente ao que possuem em mãos, sem roteiro, sem tabus, sem saber o que esperar.
Escrever algo batido é fácil, pois sabe que vai agradar, é permanecer na zona de conforto. Corajoso é o poeta que se aventura em campos desconhecidos, aquele que ousa em novas paisagens, é o que não tem medo de perder um pouco em quantidade, para ganhar em qualidade.
Escrever dependendo apenas do racional não tem consciência do que é sorrir e chorar, gritar em desespero junto com seus personagens, não saberão como é brigar com as pessoas que fazem parte da trama por não fazerem aquilo que deveriam fazer, não verão as cenas se criando sozinhas bem em sua frente.
Mas não sabem que iludem almas que leem buscando emoções reais e quase palpáveis, e apenas encontrarão o vazio de palavras regadas de falsas sensações e uma esperança vã.
Não digo aqui que escritores que escrevem não podem se tornar escritos, também não digo que os escritos não podem se tornar os que escrevem, mas é tão difícil, não impossível, mas quase.
Talvez nunca tenham escrito sobre nós escritores por trás das páginas e das telas, mas acho que é a hora de mostrar o que guardamos e o que aguardamos de nossa vida, não somos máquinas de escrever, nem mesmo os escritores que escrevem, abrirei as portas da minha vida pra que descubram, nem sempre o que colocamos em livros é o que somos na vida real, não somos tão poéticos fora desse universo tão incerto que é escrever.
Sou Aquarius, e lhes levarei para dias de tormenta e glória na realidade de quem vive para criar.”
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Terminou sua postagem no blog— criado apenas para retratar o que passa um escritor— e encarou sua cama vazia, suspirou e levantou frustrado, acabou por esbarrar no gato que dormia gostosamente no tapete da porta do quarto.
— Ainda levo uma queda por tua causa Alaska. — riu e se abaixou para pegar o animal de longos pelos brancos e olhos azuis— Sem ela e sem ele nossa casa fica vazia né, amigão? — suspirou e saiu com ele para cozinha.
— Nos resta superar, acho que não somos bons como pessoas sociais. — depositou–o no balcão e este apenas lhe encarava como se entendesse o que falava — Admito que não é exatamente da vida de casado que sinto falta, e sim do meu filho. Mas sei que sem Natasha, Hyoga jamais ficará comigo. — parou de cortar o peixe e se escorou com o semblante cansado na pia.
— Fala a verdade Alaska, sou um marido deplorável e um pai pior ainda! Num resumo, sou um fracasso! — o felino apenas abaixou a cabeça como se concordasse. O ruivo apenas prosseguiu com seu jantar e sua mente aturdida de lembranças confusas.
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DO OUTRO LADO DA CIDADE
— Já disse que não tenho prazo para entregar, e já avisei que quanto mais vierem aqui para me pentelharem, mais devagar entregarei. — um loiro furioso gritava dentro de sua sala de estar.
— Poupe–nos Milo Nickos, você um escritor de quinta categoria, de romances clichês e frases roubadas de livros de autoajuda, agora quer dar uma de poderoso chefão? Faça o que faz de melhor… Minta e coloque qualquer merda nessa nova merda que está escrevendo. — Saori à editora rebatia revoltada.
— Cansei de apenas escrever Saori, cansei de não sentir emoção em meus livros, cansei de ser mais um, quero algo novo, quero me sentir melhor com o que faço. – sentou–se no sofá do luxuoso apartamento no centro de Barcelona.
— Agora lascou, vai dar uma de escritor poético arrependido por ter escrito o que esse bando de adolescente idiota quer ler? Vai pra merda Milo, tudo que você tem foram esses otários que te deram. Deixe de pensar feito esses pobretões sem fama e pense grande, escreva o que querem ler e pronto, ai você compensa sua autoestima ferida com terapia no melhor analista do país. – o encarou de pé, o mirando de cima como se fosse superior.
— Estou cansado Saori, não sou uma máquina de escrever, sou apenas um escritor que precisa seguir seus instintos de vez em quando. — se sentia derrotado.
— Foda–se você e suas crises existenciais, quero o novo livro em uma semana, e se você não o entregar darei todo seu prestígio pra outro idiota da sarjeta que precise de dinheiro e consiga fazer coisas piegas e simples de se ler. – saiu sem se despedir batendo com força à porta, deixando pra trás um grego desolado.
— Maldita vida, maldita vontade de sair da merda, maldita súbita vontade de escrever algo que preste. – levantou estressado e triste indo pro quarto ver algo para se distrair.
Depois de procurar por coisas novas na internet viu algo que lhe chamou a atenção.
— “Vida de um Escritor!”? O que é isso? – sua curiosidade lhe fez abrir o novo blog, e nas primeiras frases sentiu como se o blogueiro lhe compreendesse melhor que todo o universo.
Em minutos parecia que lia sua vida, da pior maneira.
— Escritor de modinhas… Status… Número de vendas… Aproveitador… – repetia dolorido com lágrimas nos olhos – Sou tudo isso não é Cerberus? – o rottweiler adulto aparecia em seu lado com cara de tristeza igual ao dono.
Sentia–se dentro da alma do escritor e parecia que ele estava na sua, falava com tanta propriedade das vertentes de autores, que chegava a machucar.
— Parece que nos conhecemos Cerberus, ele sabe o que eu sou, ele me acusa de ser esse escritor que escreve e ele é o que é escrito, como pode esse estranho saber como me sinto? – terminou e sussurrou abraçando o cachorro que subia na cama folgadamente – Aquarius!
— Faço questão de acompanhar esse homem, ou talvez seja uma mulher, não sei, mas é um ser humano único, que tem tanto para me ensinar como profissional… Profissional? Eu sou uma imitação barata isso sim, sou um lixo ambicioso e imbecil. – largou o notebook de lado e suspirou apertando o animal.
— Não sei o que dói mais Cerb… Ser um alguém tão vadio profissionalmente, ou permanecer com o maldito sonho de ser feliz com o que escolhi para ser. – uma lágrima escorreu e ouviu batidas na porta que atrapalharam seu momento tão íntimo, o cão levantou rapidamente seguindo seu dono até lá, como um bom guardião – Quieto Cerberus! – ordenou e este sentou atento para quem era assim que Milo abriu passagem.
— O que merda fazem aqui? – levantou as mãos pro ar revoltado com os céus – O que pago todo mês para ficarem longe de mim não é o suficiente para fingirem que não existo? – saiu de perto deles indo pro centro da sala com o companheiro sempre colado.
— Nossa! Quanto amor filhinho, não é assim que deve tratar sua mãe e seu pai, sem nós o mundo jamais teria conhecido seu talento, e você nunca teria nem nascido para ser o queridinho mundial. – uma loira vestida de forma vulgar adentrava com seus saltos barulhentos e em seu encalço um homem grisalho e mal arrumado.
— Cale–se Freya, minha paciência anda curta, fale logo o que quer e suma da minha frente, temos uma merda de um acordo. – gritou prestes a esganar sua genitora.
— Cuidado como fala com sua mãe. – o senhor moreno o encarava revoltado.
— Dominado, fica na tua que tu só sabe obedecer à megera ai. – apontou com nojo.
— AINDA SOU SEU PAI SEU MOLEQUE. – queria matar o loiro, mas o cachorro ao lado não permitiria e já mostrava os dentes.
— Não tive escolha na hora de nascer, Zeus me condenou por vidas passadas. – rebateu.
— Oras, cale a boca Docrates, você veio para dirigir e não para falar. – rosnou a morena e este abaixou a cabeça.
— Quanto querem para sumirem? – estava quase implorando para desaparecerem.
— Seu pai fez umas dívidas de jogos e precisamos pagar antes que tentem matá–lo, não que esse imprestável sirva pra algo, mas ainda é meu marido e sabe me satisfazer na cama. – riu maliciosa.
— Argh, não fala, pelos Deuses, que nojo. Ok, ok, mas de uma próxima, manda um e–mail que eu juro, deposito, só não quero ter que lembrar da cara de vocês. – correu ate o móvel e pegou uma caneta e o talão, preencheu e entregou – Agora sumam, morram, viagem, to nem ai, só fiquem longe de mim. – olhava com asco pra eles, que apenas riam satisfeitos com o valor.
— Filho divino, isso ajuda e muito, mas não pense que ficaremos sem ver você por muito tempo, adoramos nosso filhinho lindo. – ria venenosa e saiu puxando o pai do escritor. Este apenas suspirou e trancou a porta voltando pro quarto.
— Esse foi um daqueles dias que você pensa que não pode piorar e ai aparece a cereja do bolo. – suspirou e voltou pra cama com Cerberus pegando o computador e encarando para saber se deveria ou não mandar mensagem para o blogueiro – Se bem não fizer, mal não fará.
“Olá caro escritor,
Não sei ao certo como encontrei seu blog, mas preciso lhe dizer, veio no momento certo, ou talvez errado, ainda não sei, pelo visto somos tão opostos, mas suas palavras não apenas me deixaram pensativo, mas elas me fizeram sentir uma dor terrível. Sou um dos escritores “modinha”, e no dia de hoje especificamente, eu me arrependo amargamente disso. Sou o que escreve, mas sou um que está louco para ser escrito. Anseio que em seu blog você ensine como se faz para se livrar dessa maldição de quem apenas escreve por dinheiro. Preciso aprender!
Foi um prazer, e mesmo imaginando que terá muitos comentários e que provavelmente não dará atenção para esse, quis deixar meu incentivo e dizer que você é brilhante.
Aguardo ansioso outra postagem.
Abraços Scorpion.”
— Ta bom Cerb? – percebeu o cachorro dormindo e riu – Ok, vou enviar sem sua aprovação. – brincou e enviou, mergulhando em um mar de lembranças dolorosas.
Continua…
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