Vida Nova

4 Capítulo 4


Notas iniciais
Um dos meus capitulos favoritos! Espero que amem também!

Eu não acredito nisso! Como eu fui tão sonsa? Eu estava em um país desconhecido, em uma cidade desconhecida e ainda aprendendo a língua deles...como eu fui me perder?

A senhorita Aubry foi conosco (no carro dela) e chegando lá, compramos o ingresso e entramos em um ônibus para chegar em Stonehenge.

Eu ouvi uma criança conversando animada com os pais e um outro garoto, que eu presumi que fosse seu irmão. Ele olhava para ela com um carinho tão grande, que quase me fez sentir falta das minhas irmãs (QUASE).

Os filhos eram lindos, e não era a toa. A mãe tinha longos cabelos castanhos ondulados, e os olhos verdes. O pai, era mais moreninho e tinha o cabelo preto, jogado para todos os lados. Os olhos eram um tom meio cinza, lindos demais. A menininha tinha os cabelos da mãe, longo e ondulado, o olho cinza como o do pai. Ela aparentava ter uns 7 anos, e era extremamente fofa. Quando eu tiver uma filha, quero que seja como ela, com aquele brilho nos olhos, e a lua crescente no sorriso (leitores de Paula Pimenta entenderão).

Já o garoto, parecia ter uns 20 anos, era forte, mas não demais. Tinha os olhos verdes como o da mãe, e o sorriso lindo da irmã. Seu cabelo era castanho, e assim como o do pai, jogado para todo lado. Ele me pegou olhando e eu notei quando ele sorriu, que este tirava o fôlego de qualquer uma.

—Que cara maravilhoso -comentou Anne-Marie. -E esses olhos? Pelo amor de Deus!

—Bonito mesmo. Puts, repararam no que ele está vestindo? -perguntou Naomi.

Ele tem esse estilo despojado, mas não chegava a ser desarrumado. Vestia uma blusa preta, com uma jaqueta da Grifinória por cima (ele gosta de Harry Potter? E da Grifinória? Ganhou meu coração já). Uma calça jeans escura e um all star preto acompanhava o visual.

—Ai, meninas. Parem de secar o menino, ele vai ficar envergonhado-repreendeu senhorita Aubry, sorrindo.

A partir daí o assunto mudou, começamos a falar sobre nossa aparência. Todas nós, exceto Anne-Marie tínhamos os olhos castanhos (o de Anne era azul). O cabelo e o corpo eram todos diferentes. Senhorita Aubry tem um corpo de bailarina, e o cabelo preto curto e liso. Anne tinha o cabelo preto, que destacavam seu olho, e era mais cheinha (não chegava a ser gorda, e combinava perfeitamente com ela). Já Naomi honrava seu país com sua pele de bebê e tinha os cabelos pretos e lisos, com uma franjinha fofa. Seu corpo me lembrava muito o da Santana, de Glee.

Já eu? O que dizer? Eu sou toda errada. Tenho um corpo desenvolvido demais (coxa, peito e bunda eu infelizmente tinha de sobra), altura é algo que eu não tenho, ao contrário de Anne (que tem 1,72m). Meu cabelo? SCD (sem cor definida). Eu não estou brincando, não! Ele é a mistura de castanho, loiro e ruivo. Ele tem vida própria, e decide sozinho que cor ele prefere puxar, dependendo do dia. O engraçado é que aqui, por estar mais frio, ele está mais claro. Hoje fazia uns 15°C então eu vestia um cachecol, e um gorro. Estava com uma calça jeans quentinha escura, uma regatinha com um casaco um tanto pesado.

Quando chegamos lá, tiramos fotos e tentamos não nos perder no meio da multidão. Quando estava quase na hora de ir, eu disse para as meninas que iria na frente, pois queria tentar achar sinal para ligar para mamãe.

O problema é que eu fui na direção contrária de onde o ônibus estava, e continuei a andar sem saber que estava na direção errada. Depois de uns 20 minutos andando, eu percebi que tinha cometido um erro e não tinha nada de sinal por lá. Voltei, com pressa, já que estava escurecendo.

O problema é que quando eu cheguei no Stonehenge, não havia mais ninguém. Completamente vazio.

Entrei em pânico e tentei ligar para as meninas, mas continuava sem sinal. Gritei "socorro" umas cinco vezes, mas ninguém me ouviu.

Decidi não ficar parada, e fui na direção que eu achava que era certa. Andei por uns 10 minutos, até que avistei um menino vindo em minha direção.

—Oh, Deus, obrigada. Como você me achou? -ele ficou só me olhando — tudo bem com você? Você também está perdido? Eu perdi meu ônibus e eu não sei como sair daqui, você sabe? -ele não disse nada novamente. Me estressei — Desculpa, mas você tem algum problema? Não sabe falar, não? Vai ficar aí me olhando com cara de tacho mesmo? -ele resolveu responder.

—Sorry, I don't speak your language. I didn't understand what you were saying. **

Posso me matar agora? Sério, eu não acredito que eu fiz uma coisa dessas! Como eu pude falar português com um inglês? E pior, NA INGLATERRA. Bati na minha testa com força e me comuniquei com ele, dessa vez em inglês:

—Me desculpa. Sério. Eu estava tão estressada com tudo, que por um instante esqueci que não estava no Brasil. Eu estava perguntando se você também se perdeu -ele riu.

E foi aí que eu notei que e tinha um sorriso lindo, acho que já tinha visto alguma vez. Será que ele já foi no Brasil? Não, acho difícil. Brighton? Pode ser que eu o tenha visto por lá quando passeava com Brownie.

—Eu vim te procurar, na verdade. Sua mãe e suas amigas estavam loucas atrás de você, e como eu já vim aqui várias vezes, eu conheço o lugar e me dispus a te procurar. -ele sorriu. E que sorriso.

—Ah, muito obrigada- pulei em seus braços e o abracei com força -desculpe -murmurei envergonhada, me afastando.

—Ah, imagina -ele sorriu, e eu pude ver uma leve coloração em suas bochechas. Eu o deixei com vergonha, droga.

—Vamos voltar? -apontei para a direção que ele tinha vindo.

—Mas, então, brasileira? Legal- ele comentou, com a mão no bolso, enquanto andava.

—É. Vim aprender um pouco do inglês, e conhecer lugares novos. -dei de ombros -vou ficar aqui até janeiro.

—Ah, que demais! Sempre quis conhecer lugares novos, mas infelizmente o máximo para onde eu fui é Paris.

—Paris?! E você acha isso pouco? Eu estou louca para visitar alguns países vizinhos, mas fica meio difícil com o meu bebê- pensar em Brownie me fez ficar com saudade.

—Bebê? Nossa, quantos anos você tem? Você parece ter 14.

—14? Nossa, eu tenho 18. -ele riu.

—Eu tenho 21, mas sério, você parece mesmo ter bem menos. -eu ri e ele me acompanhou. -Mas e o bebê? Onde ele está? Eu não te vi com bebê nenhum.

—Ah, ele ficou em Brighton -suspirei- Nós estamos morando lá.

—Mentira! Eu moro lá também, mas meus pais queriam visitar meus avós, e então viemos passar o final de semana. Sempre que eu venho para Londres, sinto essa necessidade de voltar aqui. Amo esse lugar. -ele abriu os braços. Fofo.

—É lindo mesmo. Queria ter mais tempo aqui, mas o dever chama -ele riu.

—Chegou em Londres quando? -ele olhou para mim, de lado.

—Ontem, e estou indo embora daqui a pouco. O Brownie ficou com o veterinário, e eu não queria abusar da hospitalidade dele. -mordi meu lábio inferior.

—Brownie? -ele perguntou, confuso.

—Meu cachorro. Meu bebê. -ele fez uma cara de que havia entendido só agora.

—Cachorro? Nenhuma criança a vista? -criança? Do que ele estava falando?

—Criança? Mas do que você...aaaaahh! -eu ri alto -você achou...você achou...

—Desculpe, você disse bebê e eu pensei...-ele abaixou a cabeça. Estava vermelhinho.

—Não, desculpe eu -disse quando consegui parar de rir -No seu lugar eu acharia o mesmo.

Instalou-se aquele silêncio constrangedor, que foi quebrado com um grito de criança.

—James! -uma garotinha pulou no colo do cara ao meu lado. Aaaaahh, ele é o cara lindo do ônibus com a irmã fofa.

—Rachel! Você quase me matou de susto, linda -ele a abraçou.

—Desculpe, Jay. Você achou ela? Oi, eu sou a irmã do James, meu nome é Rachel- ela estendeu a mão, ainda no colo do irmão.

—É um prazer te conhecer, Rachel. Eu sou Helena -eu posso ficar com ela? -Muito obrigada por emprestar o James. Eu estaria perdida até agora se não fosse por ele -ele piscou pra mim. Sorri. Eu não menti.

—Helena? Ah, sua tonta! Como você faz um coisa dessas comigo? -me abraçou e me bateu, Naomi. -Eu quase morri de preocupação, mas me disseram que você deveria estar no ônibus errado.

—Deixa ela respirar -ralhou Anne-Marie. -Como você está?

—Estou ótima, graças ao...-ele tinha saído. Poxa, nem tive como agradecer direito -James.

—Ah, ele é fofo! Ele se ofereceu na hora, e parecia preocupado com você! Como você não agarrou aquele ser lindo e maravilhoso no caminho?

—NAOMI! -gritei -Ele estava me fazendo um favor, e sim, ele foi um amor, mas isso não quer dizer que eu vou sair beijando o cara!

—Se você não quer, tem quem queira -comentou Anne.

—Anne, você também não!

—Meninas, achei vocês. Como você está, querida? -senhorita Aubry interrompeu nossa "discussão".

—Estou ótima, obrigada.

Fomos direto para estação e só chegamos em Brighton 23:30 horas. O doutor Christian havia deixado Brownie por volta das 22:00 horas em casa.

Ele estava tão lindo, havia acabado de tomar banho e cheiroso. Tomei o meu banho, organizei tudo e fui deitar, com Brownie ao meu lado.

**Desculpa, eu não falo a sua lingua. Eu não entendi o que você estava dizendo.