Vida Nova
5 Capítulo 5
Notas iniciais
A semana inteira Brownie mal desgrudou de mim. Tadinho, deve ter ficado com medo de eu o abandonar! O tempo começou a esfriar, o que me motivou a fazer umas comprinhas para o inverno que logo se aproximava.
Fiquei com o tal de James e a irmã fofa dele na cabeça por uma grande quantidade de tempo. Não sei, tinha algo naquela dupla que me intrigava.
Brownie passou a ir uma vez por semana na casa de nosso veterinário (que graças a Deus é aqui perto) e se divertia muito com a Husky dele.
Nesse tempo que eles passavam juntos (aproximadamente três horas) eu aproveitava para estudar com as meninas. Ele mal nos deixava estudar, pois queria passear.
Falei com meus pais sobre meu plano de ficar mais seis meses para o Brownie ter uma filhotinha e eles não gostaram muito da ideia, não. Disseram que já imaginavam que eu queria ficar, mas não para ter dois cães.
—Filha, o Brownie até que cabe aqui em casa, mas dois? Você vai estudar, escrever e ainda ter dois bebês para cuidar? Tem certeza que é uma boa ideia?
—Mãe, eu quero muito! Eu estou escrevendo um novo livro, e como essa viagem está sendo mágica, estou tendo muito mais inspiração. Já escrevi até a metade, e acredito que consigo terminar antes de voltar. Aí eu uso o dinheiro para ir para os Estados Unidos, e estudar jornalismo por um ano.
—Não, calma aí, mocinha -falou papai, me olhando como se eu estivesse enlouquecido -Você quer se transferir de universidade? E ir morar em outro país?
—Eu falei com a mulher da agência, e ela conseguiu um super desconto para eu fazer faculdade na Inglaterra. Eu ainda tenho um dinheiro extra, e estou ganhando ainda mais por mês. Aí eu continuo com a faculdade aqui, e depois de seis meses eu passo um tempo no Brasil. E aí sim, me mudo para os Estados Unidos. Ela conseguiu um valor muito bom para eu estudar em Nova York, e ainda em uma casa que grande o suficiente para dois Husky. Se eu tiver dinheiro suficiente para isso, eu acho que eu vou.
— Como assim a senhorita acha que vai? Eu ainda sou sua mãe e preciso ser consultada na hora de uma decisão desse tipo! Não é porque você está morando sozinha que não precisa falar com a gente antes. Somos seus pais!
—Eu sei, desculpe. É que eu acabei me acostumando a fazer tudo sozinha, e tomar minhas próprias decisões. Eu não pensei que vocês achariam ruim. A Luana, da agência, conseguiu um bom estágio para mim nos EUA, o que melhora meu currículo e me ajuda a pagar as contas. -ouvi alguém fungando. Desviei os olhos de minhas mãos e olhei para tela do computador para ver minha mãe enxugando as lágrimas.
—Nossa bebê cresceu! Ela não precisa mais de nós! -meu pai a abraçou.
—Não, mãe, é claro que eu preciso. Só que de uma forma diferente. Eu não preciso mais que você faça comida para mim, ou lave minha roupa, eu preciso que você me apoie com as minhas decisões. Você apoia essa? Vai ser bom para o meu currículo, é um lugar novo, uma cultura nova. Eu vou aperfeiçoar meu inglês, e ainda tem um espaço bom para os cachorros. Sem contar o clima que é bom para quantidade de pelos dos cachorros!
—Você vai ser uma ótima mãe- sorri sem graça- Nós te apoiamos filha, mas não esqueça que depende muito de quanto de dinheiro você tem guardado, e quanto você vai ganhar. Lembre-se que ser escritora é você não saber quanto você ganhará por mês, então guarde o máximo que você conseguir- disse meu pai.
Agradeci os conselhos, e com energia dobrada escrevi mais dois capítulos.
—Helena, oi? Tem alguém aí? -me cutucou Naomi.
—Desculpa, estava me lembrando de uma coisa. Voltando ao inglês...-e estudamos por mais meia hora.
Busquei Brownie, e aproveitei que ele estava bem cansado para o levar para casa e fui fazer compras no supermercado. Eu estava na prateleira de doces, tentando alcançar meu chocolate favorito, quando alguém o pegou e deu em minha mão.
—Ah, obrigada -agradeci em inglês, guardando o chocolate em meu carrinho.
Olhei para ver quem era, e vi um homem com cabelos espetados e olhos cinzas.
—Não há de quê.
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