Vida Interrompida (HIATUS)
3 2. Achada
Notas iniciais
Muuuuuito obrigada à todos que comentaram nos capítulos anteriores! Isso me animou bastante! ahuahuahuha.
Espero que gostem do capítulo!
Boa leitura!
Capítulo 2: Achada
"Eu estou caindo, não consigo encontrar outra maneira. E eu não quero ouvir o som de perder o que nunca encontrei."
Down — Jason Walker
Eu me olhei no espelho, e suspirei ao ver minha cara de cansaço. Passei a mão pelos cabelos e terminei de fazer a minha higiene matinal.
Ao sair do quarto senti o cheiro das panquecas da minha mãe. Sorri. Ao menos eu começaria bem o meu dia. Desci as escadas rapidamente e, ao chegar na cozinha, encontrei Anna já à mesa tomando o café-da-manhã. Ela me olhou com aqueles olhos grandes dela, mas hoje pareciam levemente assustados.
– Bom dia. – falei, colocando minha mochila em um canto e me sentando à mesa também.
– Bom dia, querido. – minha mãe disse, dando um beijo em minha testa e colocando as panquecas em um prato para mim. – Está bem? Parece cansado.
– Deve ser por causa do jogo de ontem. – falei dando de ombros.
Ela apenas assentiu e voltou a arrumar a cozinha, cantarolando. Comi minhas panquecas, olhando para Anna pelo canto dos olhos. Ela me observava atentamente, e eu arqueei uma sobrancelha, confuso.
– O que foi? – murmurei.
Anna desviou o olhar do meu e engoliu em seco, balançando a cabeça e voltando a comer suas panquecas rapidamente.
Estranha. Como sempre.
Logo terminei de comer e Anna também. Fomos todos para o carro e minha mãe nos deixou em nossos respectivos colégios. Dei um beijo em seu rosto de despedida, mas antes que eu pudesse sair do carro, ela me segurou pelo pulso. Parei e a olhei, e ela suspirou.
– Se passar mal me ligue, ok? – falou.
– Eu estou bem, mãe.
– É que eu estou com um mau pressentimento... Se algo acontecer, me ligue. Promete?
Revirei os olhos e ri, assentindo. Ela sorriu levemente e me deixou ir. Vi ela ir embora com o carro e entrei no colégio. O campus já estava cheio, e eu olhei em meu relógio de pulso e vi que ainda faltavam 15 minutos para o sinal tocar. Procurei com os olhos por Henrie e os outros caras do time, e logo senti um toque em meu ombro. Eu me virei e vi Kate. Ela me olhava com uma expressão assustada.
– Você soube o que aconteceu?! – falou rapidamente, antes que eu sequer pensasse em falar algo.
– Acabei de chegar. – respondi. – O que aconteceu? Você não parece be...
Ela me interrompeu.
– A Holly está desaparecida desde ontem! – falou afoita. – Ela não voltou para casa, e a família dela está enlouquecendo atrás dela e...
Kate parecia prestes a ter uma síncope ali na minha frente, e eu a segurei pelos ombros, ficando nervoso.
– Fica calma, Kate! – pedi. – Não adiante ficar nervosa, ok?
– Como você não quer que eu fique nervosa?! A Holly desapareceu!
– Vocês nem eram amigas... – falei, olhando para ela confuso. – Por que todo esse desespero? Ela deve ter ido para a casa de alguém e esqueceu de avisar.
Kate se desvencilhou de mim quase com violência, e eu dei um passo para trás. Ela me olhou, com a expressão raivosa, e eu engoli em seco.
– Você nem se importa, não é?! – falou com a voz aumentando três oitavas. – Ela estava te esperando! Você a deixou lá, plantada sozinha!
– Agora está insinuando que a culpa é minha?! – perguntei surpreso. – Kate...
– Não estou insinuando. Estou afirmando. – falou com a voz dura. – Se você não tivesse prometido algo que não pretendeu cumprir, ela não estaria desaparecida. A culpa é sua sim.
Abri a boca para falar algo, mas nada saía.
– O que está acontecendo aqui? – ouvi Jake perguntar, se colocando ao meu lado. – Vocês estão bem?
– Estou ótima. – Kate murmurou me lançando um último olhar e indo embora.
Suspirei, passando a mão pelos cabelos. Senti a mão de Jake em meu ombro e o olhei.
– Quer me contar o que está acontecendo? – perguntou. – Aliás, já soube daquela menina...
– É, foi por isso que eu e Kate discutimos. – o interrompi.
– Como assim?
Contei rapidamente o que havia acontecido no dia anterior – sobre a Holly, seu pedido, e sobre eu ter deixado ela sozinha sem avisar que não iria -, explicando então o motivo da raiva de Kate. Jake me olhava com as sobrancelhas arqueadas, em claro sinal de surpresa.
– Você é mesmo um idiota, cara. – falou ao fim da explicação. – Como você deixou a garota lá sozinha?
– Tínhamos ganhado o jogo, iríamos comemorar. E como eu iria avisar a ela que não iria? Eu não tenho o telefone dela, nem nada assim!
Jake bufou, cruzando os braços e me lançando um olhar cortante. Mas que droga, agora todo mundo irá ficar contra mim?!
– Você sabe que terá que dar depoimento à polícia, né? – falou de repente.
– O quê? Por quê?
– Como por quê? Aparentemente você foi a última pessoa a falar com ela, e ela tinha marcado um encontro com você ontem à noite. Você não foi vê-la, e ela está sumida desde então. A polícia vai cair em cima de você, cara.
Passei as mãos no rosto, murmurando uma reza para Deus, os anjos, o céu e sei lá o quê. Ouvi Jake gritar para alguém atrás de mim, e logo Henrie, e os outros caras do time, veio até nós. Cumprimentei a todos, forçando um sorriso e animação. Ainda tive que aturar Henrie falando sobre o “Caso Holly” como “aquela garota estranha sumiu”.
Logo o sinal indicando o início das aulas soou, e eu quase levantei os braços para o céu agradecendo. Pendurei minha mochila no ombro e fui para a primeira aula.
(...)
Estávamos no refeitório, na hora do intervalo, e Henrie e os outros se vangloriavam sobre a vitória do jogo. Comi a comida da minha bandeja em silêncio, e pelo canto dos olhos vi Kate me olhando com os olhos crispados no outro lado da mesa.
Revirei os olhos, largando os biscoitos que havia pegado na bandeja. Eu me encostei melhor na cadeira e cruzei os braços a encarando.
– Até quando vai me olhar com essa cara? – perguntei.
– Até ela ser encontrada, e reze para que ela esteja bem, caso contrário você vai ficar roxo por uma semana. – falou ameaçadoramente.
Eu sabia que ela não estava brincando. Apesar de não ser exatamente amiga de Holly, Kate parecia gostar da garota. E Kate é o tipo de pessoa que se preocupa com qualquer um, não importa se ela nunca viu a pessoa antes. Isso tinha seu lado positivo e negativo.
O lado negativo: eu vou ter que aturar sua raiva direcionada a mim até a garota ser achada. E Kate com raiva é a pior coisa que tem.
Suspirei, cansado, e Kate pegou sua bandeja e ficou de pé. Suas amigas logo terminaram de comer e fizeram o mesmo, e elas saíram do refeitório.
Olhei para o lado e vi que Jake me observava com uma cara de desgosto também. Bufei.
– Até você?! – perguntei.
– Ok, tudo bem, me desculpe. – falou, levantando os braços em rendição. – Mas que o que você fez foi mancada, foi.
– Mas...
– Sem “mas”. – me interrompeu. – Já terminou de comer? Eu tenho que ir à diretoria para entregar um atestado. Vem comigo?
Assenti e fiquei de pé, pegando minha bandeja. Nós nos despedimos dos outros caras do time e de Henrie, que ainda se vangloriava por ter feito quatro cestas, e saímos do refeitório.
Logo estávamos na diretoria e Jake entregou seu atestado médico, devido a uma falta dele na semana anterior. Quando voltávamos para o refeitório, o sinal soou novamente, e nos dirigimos para a aula de Matemática. Fazíamos dupla nessa aula.
O professor Richard entrou na sala já nos mandando abrir o livro, e ouvi um suspiro coletivo. Aquela era a pior aula, com o pior professor. Enquanto Richard escrevia no quadro, senti Jake me cutucar levemente com o cotovelo. Só então notei que ele me empurrava uma folha com algo escrito. Eu a peguei disfarçadamente para o professor não ver, e li:
“Isso está me matando de curiosidade: o que será que aquela menina, a Holly, queria falar contigo?”.
Parei para pensar...
Realmente, o que será que ela queria?
Escrevi de volta:
“Eu não faço a mínima ideia. Ela era meio estranha... Estudamos com ela no jardim de infância, lembra? Ela sempre tentava se aproximar de mim, sei lá.”
Empurrei a folha de volta para Jake, que a escondeu atrás do livro aberto para ler. O professor Richard pegava seu material dentro de sua maleta preta, e toda a turma conversava baixinho para não incomodá-lo. Jake logo escrevia algo na folha rapidamente, e a empurrou para mim.
“Sim, eu lembro dela. Ela era magrela e cabeçuda. (risos) Confesso que eu estou meio mexido com essa história toda... Ela não tinha amigos, estava sempre sozinha. Aconteceu algo com ela, e eu me sinto meio culpado.”
“Culpado por quê?”
“Porque eu ajudei Henrie a humilhá-la. Porque eu sempre via o olhar de tristeza dela para a gente, ela sempre abaixava a cabeça... Ela era uma garota, cara. Acho que isso não se faz.”
“Ela deve estar bem.” – escrevi de volta, engolindo em seco.
Jake leu o que eu escrevi, e bufou levemente. Ele não gostou do que eu disse, é claro. Jake é como Kate: compassivo, amigo para todas as horas, se preocupa com qualquer pessoa.
Mas ela devia estar bem.
Eu tinha que acreditar nisso... Ou a culpa iria me corroer.
(...)
– Mãe, eu já cheguei! – gritei assim que entrei em casa. Silêncio. Fui até a cozinha, e não vi ninguém. – Mãe?
Vi um papel colado na geladeira, com um recado dela. Ela havia ido até a Editora para resolver os assuntos de seu próximo livro. Ah, ótimo.
Minha mãe era escritora. Já havia publicado quatro romances, e o seu quinto estava em fase de produção. Era bem conceituada. A grande Samantha Thompson. Subi as escadas praticamente me arrastando, e ao chegar ao corredor que me levaria ao quarto, vi Anna. Estava de pé parada no meio do corredor, e olhava em minha direção. Não para mim, mas além de mim.
Senti um arrepio percorrer a minha espinha, e receosamente olhei para trás. Nada. Olhei de volta para ela, que continuava na mesma posição sem piscar os olhos.
– O que você tem, Anna? – perguntei.
Ela não se moveu.
– Anna, o que aconteceu? – perguntei novamente. – Se sente bem?
Dei três passos em sua direção, e ela pareceu acordar de seu transe. Ela piscou freneticamente, e me olhou com seus olhos assustados, dando um passo para trás.
– Estou... Estou bem. – murmurou.
– Tem certeza?
– Absoluta. – sussurrou, com os olhos focados no chão. – Estou bem.
– Quer que eu prepare algo para você? Está com fome? – perguntei, tentando passar tranquilidade.
Eu não estava tranquilo, é claro. Anna me assustava mais do que ela podia imaginar. Mas ela era a minha irmã mais nova... Eu me preocupava.
Ela apenas negou com a cabeça, e estalou seus dedos. Dei de ombros e fui até a porta do meu quarto, abrindo-a. Eu já me preparava para entrar quando a ouvi me chamar baixinho. Eu me virei para ela.
– O que foi? – perguntei.
Anna me olhou por alguns segundos, antes de desviar o olhar. Eu a olhei ainda mais confuso.
– Anna, o que está acontecendo? – perguntei novamente.
– É que... – ela murmurou. – Houve algo estranho hoje?
– Como assim?
– Algo estranho... – ela disse, parecendo estar agoniada. – Com alguém...?
Pensei um pouco, e o rosto da garota me veio à mente. Holly.
– Sim, uma garota anda desaparecida. – falei a olhando sem entender. – O que você tem?
Anna suspirou, balançando a cabeça. Sem dizer mais nada, me deu as costas e se trancou em seu quarto. Bufei, encostando a testa na porta. Essa garota é, definitivamente, louca.
Tomei um banho, coloquei uma roupa limpa e desci para a cozinha. Preparei algo rápido para eu comer, e aproveitei para fazer para Anna também. Tem dias que aquela menina faz greve de fome, e não fala nada. Segundo ela, ela não “sente necessidade de comer”.
Como eu disse: louca.
Botei o copo com suco e a omelete em uma bandeja para ela, e subi para o seu quarto. Dei três batidas, e a ouvi falar para eu entrar. Entrei, e a vi encolhida em sua cama.
– Eu trouxe algo para você comer. – falei me aproximando da cama.
Ela se sentou, e me olhou com a expressão sonolenta.
– Não sinto fome. – murmurou.
– Vai comer mesmo assim. – falei, sorrindo levemente.
Ela revirou os olhos e se ajeitou. Coloquei a bandeja sobre suas pernas, e me sentei na cama à sua frente, observando-a. Ela me olhou, interrogativa, mas pôs-se a comer. Fiquei o tempo todo a observando, e vi que ela ficou sem graça em me ter ali a olhando.
– Será que um dia eu conseguirei te entender? – perguntei mais para mim mesmo depois de um tempo.
Anna pôs a última garfada de sua comida na boca, terminou de beber seu suco e, ao invés do que eu pensava, respondeu:
– Talvez um dia. – murmurou.
Ficamos nos olhando por alguns segundos. Suspirei, peguei sua bandeja, dei um beijo em sua testa deixando-a surpresa e saí de seu quarto.
(...)
1 semana depois...
Passei por mais um cartaz. Me veio um refluxo, mas logo passou. Ajustei melhor minha mochila no ombro e me pus a andar mais rápido. Minha mãe teve que sair muito cedo, por isso não pode me trazer para a escola. Anna foi sozinha para o colégio dela, e aqui estava eu, andando há uns 15 minutos. Eu realmente estava mal acostumado.
E o bendito do meu carro não terminava de ser consertado nunca.
Bufei, vendo outro cartaz em mais um poste a passar por mim. Desviei o olhar. Aquilo já estava me assombrando.
“DESAPARECIDA” – dizia no cartaz, em letras garrafais. – “HOLLY WALKER”.
Sim, ela ainda não havia aparecido. E sim, parecia que toda a pequena cidade de Salem (do Oregon) estava em polvorosa com isso. Mas isso não é novidade... Em todos esses anos que eu moro aqui (praticamente desde que nasci) qualquer coisa vira notícia por dias ou semanas.
Mas isso, é claro, não é como o caso da Sra. Fitz que atropelou seu marido após descobrir que ele a traiu. Também não é como o caso do Sr. Burns, que de repente apareceu casado – com outro homem – após sua viagem à Las Vegas.
O “Caso Holly”, como estava sendo chamado, não era algo que você visse e risse. Como uma piada. Como algo fora do comum, mas de certa forma, normal...
Havia cartazes por todos os lados. Sua família era sempre vista ansiosa. No colégio não havia outro assunto: todos criavam teorias, outros tiravam sarro.
Eu estava no grupo que tirava sarro. E isso estava irritando, e muito, a mim, Jake e Kate. Porque como eu disse antes: Henrie conseguia ser insuportável quando queria. E egoísta. E Jake e Kate estavam caindo matando em cima de mim, e eu me sentia cada vez pior.
Porque eu percebi que era, sim, minha culpa. Não importa se o que ela fosse me dizer era importante ou não. Eu deixei-a lá sozinha esperando por mim. Eu me sinto um lixo.
Eu tive que dar depoimento. Contei tudo o que Holly me disse, no nosso “encontro” na escola. Contei que a deixei lá, que não compareci. Me liberaram. Não me culparam de nada, mas me acusaram apenas com o olhar.
Foi uma ótima forma de começar meu Sábado, para dizer ao contrário.
Logo cheguei ao colégio. Um grupo de meninas passou por mim, sorrindo sugestivamente, e eu sorri levemente. Fiquei observando elas andando à minha frente, até que senti um braço ser jogado sobre o meu ombro.
– Belas pernas... – Jake murmurou, olhando para o grupo de garotas de antes à nossa frente. – É por isso que eu amo a Primavera, cara.
Revirei os olhos, e ele riu. Nós nos dirigíamos até o gramado, para esperar o sinal tocar. Avistei Kate conversando com algumas meninas, e logo assim que nos viu ela falou algo para as garotas e começou a vir em nossa direção.
– Ela parece estar com o humor melhor hoje. – falei para Jake.
Ele deu de ombros, jogando sua mochila no gramado e se sentando encostado em uma das árvores que havia ali.
– É a Kate, você sabe... – falou. – O mundo pode estar acabando, mas ela vai estar ali com aquele sorriso bobo dela para tentar acalmar os outros. Fora que ela não consegue ficar irritada com ninguém por muito tempo...
– Ei garotos! – ela falou, nos cumprimentando com um beijo no rosto. – O dia está bonito hoje, né? Eu estava pensando se vocês não gostariam de comer algo após a escola. Abriu uma sorveteria nova perto do Riverfront Carousel! – falou animada.
Eu dei de ombros, concordando e me jogando ao lado de Jake, me encostando à árvore também.
– Por mim tudo bem, contanto que isso não seja uma enganação sua para nos arrastar para o carrossel novamente... – Jake falou rindo.
Kate revirou os olhos à nossa frente, colocando as mãos na cintura.
– O carrossel é legal, vocês é que são uns chatos. – falou.
– Kate, aquele lugar é um saco. Carrossel é coisa de criança, e eu fico enjoado quando dou muitas voltas. – Jake reclamou, rindo da cara emburrada de Kate.
– Vamos ou não?
Assentimos e ficamos mais um tempo ali jogando conversa fora. Henrie veio até nós e conversou por um tempo também, até que o sinal soou. Logo cada um foi para a sua aula.
(...)
– Henrie não quis vir? – perguntei à Kate enquanto andávamos até a sorveteria.
– Não. Ele disse que iria treinar um pouco. – falou, e pude vê-la revirar os olhos por trás de seus óculos escuros. – E aproveitar para pegar a Ashley no vestuário.
Jake começou a tossir, não sei com o quê, mas fomos ajuda-lo. Kate quase entrou em pânico quando ele começou a ficar vermelho, e eu só sabia rir. Logo ele voltou ao normal, e olhou para Kate com os olhos arregalados.
– Como assim o Henrie e a Ashley... Eles...? – Jake olhou para Kate procurando por respostas.
Ela suspirou, e voltou a andar. Fomos ao seu lado a acompanhando.
– Ele pensa que eu não sei, mas eu já sei faz tempo. – ela falou.
– E por que não terminou com ele ainda? – Jake perguntou confuso.
– Talvez porque ela goste dele? – respondi irônico.
– É, mas enquanto ela não termina, fica com fama de corna pelo colégio inteiro. – Jake disse.
Lancei um olhar recriminador para ele, e ele deu de ombros, com uma cara de “Mas é verdade!”. Ouvimos Kate bufar e ela revirou os olhos.
– Eu vou dar um jeito nisso, ok? – falou. – Por enquanto eu só quero pensar no sorvete que me espera.
Voltamos a conversar banalidades enquanto caminhávamos até a sorveteria. Logo chegamos ao estabelecimento, e Kate parecia uma criança misturando 4 sabores diferentes num pote enorme. Jake ria, enquanto se lambuzava todo.
Sim, meus amigos são muito normais.
Fomos embora quase uma hora depois. Já estava anoitecendo, e ao olhar no relógio vi que já iria dar 19:00 da noite. Eu e Jake iríamos deixar Kate em casa, em segurança, e a duas quadras da casa dela vimos uma movimentação estranha. A rua geralmente era bem tranquila, e acho que era a que possuía menos casas.
Havia três carros de polícia, uma ambulância e, ao redor das fitas amarelas da perícia que cercava toda a frente de uma das casas, havia uma pequena multidão de pessoas curiosas.
– O que será que aconteceu? – Jake murmurou, esticando o pescoço para tentar ver melhor o que acontecia.
Nós nos aproximamos mais, e notamos que também havia dois carros de emissoras de TV, e em lados opostos duas jornalistas falavam em frente à câmera. Passamos ao lado de uma delas, eu não prestava atenção ao que ela dizia. Eu e Jake tentávamos enxergar o que acontecia dentro da casa, e eu senti Kate agarrar a manga do meu casaco. A olhei, e ela olhava para a frente da casa com os olhos arregalados.
– O que foi? Por que essa cara? – perguntei.
Ela não respondeu nada, continuou com os olhos vidrados à sua frente. As pessoas pareceram ficar mais alvoroçadas, e olhamos curiosos.
Vimos que de dentro da casa dois policiais empurravam um homem. Ele estava nu da cintura para cima, e ria descontroladamente. Em seu peito havia algumas manchas de sangue, e ele tinha as mãos algemadas atrás das costas. Nós nos aproximamos lentamente da multidão, Kate ainda agarrada a mim como uma criança, olhando a tudo parecendo em pânico. Os policiais jogaram o homem dentro de uma das viaturas, e logo dois paramédicos saíram de dentro da casa.
Com uma maca.
Nós nos esticamos mais e nos infiltramos no meio da multidão, tentando ir mais para frente próximo à ambulância. Assim que ficamos ao lado das fitas amarelas, os paramédicos passaram à nossa frente com a maca. Pensei que daria para vermos quem era levado, mas não dava. A grande capa negra cobria todo o seu corpo.
– Alguém morreu. – Jake murmurou engolindo em seco. – Mas quem...?
Fomos levemente empurrados, e vimos que uma das jornalistas caiu em cima do delegado responsável pelo caso. Ele bufou, claramente desconfortável com tudo aquilo, enquanto a mulher praticamente enfiava o microfone em seu rosto.
– Sr. Jones! Sr. Jones! – ela gritava, seguindo-o enquanto ele ia em direção ao seu carro. – O que tem a dizer a respeito de Holly Walker?! O que exatamente aconteceu?!
– Mas o quê... – Kate murmurou, agarrando meu casaco com mais força. – Holly?
O delegado se desvencilhou da jornalista, e um dos policiais lhe deu cobertura até que ele estivesse dentro de seu carro. A multidão se dispersou um pouco, mas boa tarde permaneceu como nós: estáticos. Desviei meu olhar para a ambulância novamente, e os paramédicos levantavam a maca para coloca-la na ambulância. Imaginei o que havia por debaixo da capa negra.
Um corpo, obviamente. De quem?
Senti um arrepio percorrer a minha espinha, e engoli em seco. Minha vista ficou levemente turva, e as luzes vermelhas e azuis das viaturas policiais pareciam que iriam me cegar.
Eu sabia de quem era.
Infelizmente... Eu sabia perfeitamente de quem era o corpo.
Notas finais
COMENTEM BASTANTE! hauhahauaha.
E aí? Gostaram? Achei que ficou bem grandinho, ufa. Bom, vocês dvem estar confusos pelo o que aconteceu com a Holly e tudo mais (apesar de já ter sido claro no Prólogo), mas... Tem mais coisa aí, pessoal. Holly sofreu bastante nesses 7 dias, e logo tudo será esclarecido!
Espero que tenham gostado, e como eu disse ali em cima, comentem! Por favor! Digam o que ficou bom, o que pode melhorar, etc.!
Logo posto o próximo!
Beeeeeeeeijos!
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