Vida De Uma Bruxa Semideusa
1 Desconhecido
Notas iniciais
A ponta do lápis quebrou, fazendo um crack bem alto na sala silenciosa.
– Nicole, pare de fazer barulho! Não admito interrupções na minha aula.
– Desculpe. Professor Jonathan, por favor me chame de Nick, não de Nicole. — Falei enquanto todos da sala olhavam para mim.
– Só atenderei seu pedido quando atender os meus. Eu disse claramente para não fazer anotações agora, e pelo barulho que ouvi vindo da sua carteira percebi que está escrevendo. Bem, — Ele se virou para a turma — vamos continuar...
Parei de prestar atenção novamente.
O professor Jonathan ensina história, ele é realmente chato. Eu gostava dessa matéria até que esse ano botaram ele para ensinar. Droga.
Discreta e silenciosamente apontei meu lápis e continuei meu desenho. Estava desenhando Percy e Annabeth da série Percy Jackson e os Olimpianos. Há meses faço desenhos de personagens de livros que gosto, evolui bastante. Antes sempre fazia os olhos desalinhados e com tamanho desproporcional, agora nem tanto.
Fico pensando que destino o autor dará a este casal agora que caíram no lugar mais sombrio do Mundo Inferior. Gosto bastante dos dois não quero que morram.
Gosto tanto de certos personagens que queria que eles realmente existissem, queria viver aventuras que nem as deles por mais perigosas que sejam. Personagens como: Harry, Rony, Hermione (de Harry Potter), Percy, Annabeth e muitos outros.
Lá no fundo eu acredito que eles são reais. Eu até diria que tenho esperança, por mais que seja pequena, de que eles são reais e que estão em algum lugar do mundo vivendo suas aventuras. E eu aqui, nessa aula tediosa de história.
Quando digo aos meus amigos, que não leem livros, que eu gostaria que tudo isso fosse real eles me olham assustados e normalmente dizem:
– Você está maluca? Seria um caos, não se teria sossego. Seria horrível.
Eu sei, eu sei. Seria perigoso, porém seria uma aventura e sempre há um final feliz, ou mais ou menos feliz. Apesar de todas as pessoas que perdem suas vidas. Ninguém entende isso.
Que ótimo, não consigo desenhar o braço do Percy numa grossura aceitável.
Ah, desculpe. Não me apresentei direito ainda.
Meu nome é Nicole Pickerman (só um sobrenome mesmo), mas me chame de Nick. Tenho 13 anos, sou brasileira. Você deve estar se perguntando: ''Brasileira com um sobrenome desses?'' Pois então vou explicar. Minha mãe é inglesa e veio para o Brasil, segundo ela porque não estava feliz lá, em 1996. Não, eu não sei quem é meu pai, já tentei perguntar para minha mãe mas ela não dá uma resposta plausível. Ela sempre diz algo assim: ''Era um homem que conheci.'' Só isso.Um dia hei de descobrir quem ele é.
Adoro desenhar e ler. Como deve ter percebido sou viciada em sagas, li muitas, mas as que eu mais amo são Percy Jackson e Harry Potter. Tenho alguns amigos, infelizmente nem um gosta de ler. Fazer o quê, nunca se pode ter tudo o que quer.
Ouvi a porta da sala se abir. Não me dei o trabalho de ver quem era, continuei prestando atenção no desenho que estava fazendo. Até que ouvi meu nome ser citado na conversa do professor e a pessoa que havia acabado de entrar.
Levantei a cabeça.
– Nicole, uma pessoa veio te buscar. Está liberada. — Anunciou meu professor quando viu que levantei a cabeça.
Como assim ''uma pessoa''? A única pessoa possível para me buscar mais cedo da escola é minha mãe.
Mesmo assim recolhi meu material e guardei na mochila de qualquer jeito. Deu um rápido tchau para meus amigos.
Quando eu estava chegando a porta alguns meninos começaram a dizer:
– Sortuda!
– Me leva junto não quero mais ficar aqui!
Típico. Revirei os olhos e fechei a porta.
Desci as escadas e fui para a entrada do colégio.
Não vi minha mãe. Não havia ninguém lá, a não ser um cara espinhento de calça jeans que estava andando de um lado para o outro desengonçadamente. Isso me lembrou um sátiro.
Minha mãe deve ter ido ao banheiro ou algo do tipo, vou ficar aqui então.
Finalmente o cara espinhento notou minha presença e disse:
– Finalmente nos encontramos Nick Pickerman!
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