Vida De Uma Bruxa Semideusa
2 Felicidade
Notas iniciais
Levantei a sobrancelha direita.
Afinal, quem era esse cara e como sabia meu nome?
- Quem... é você? — Perguntei.
- Sou Rupert Green. Eu que vim lhe buscar. — Disse o cara.
- Rupert Green? Seus pais não são daqui porque né... E como assim você veio me buscar?
- Olha, é uma história bem longa. Vou começar, pode ser muito para a sua cabeça.
- Conte logo a tal história. — Falei cruzando os braços.
- Eu sou um sátiro. Meio homem, meio bode. E vim te buscar. Você é uma bruxa semideusa.
Assim que ele terminou de falar uma alegria descontrolada cresceu dentro de mim. Comecei a dançar e dei um pequeno grito. Ele me olhava com a expressão de ''pelo visto não é tanta coisa assim para a cabeça dela''.
- Você já acreditou? — Perguntou Rup ( vou chamá-lo de Rup, é bem mais fácil) incrédulo.
- Claro que sim! Mas espere. Para eu ser bruxa meu pai ou minha mãe não teriam que ser bruxos? E a minha mãe não é uma deusa... Bem, pelo menos não no sentido literal...
- Sua mãe é bruxa e seu pai é um deus. Não sabemos ao certo quem é seu pai.
- Minha mãe? Joanne Pickerman?
- Sim. E...
- Espera. — Eu precisava testar uma coisa — Você sabe quem é Percy Jackson?
- Claro! Ele salvou o Olimpo! E está em uma missão perigosíssima. Como você o conhece?
- Eu... — Achei melhor não falar sobre o livro — Ei, minha mãe estudou em Hogwarts?
- Sim. — Disse Rup aparentemente já perdendo a paciência.
- Como assim!? Tipo, ela viu os filmes de Harry Potter comigo e nunca disse nada! Não creio nisso! E Harry Potter conhece? — Minha cabeça estava cheia de perguntas — Como você sabe sobre bruxos e Hogwarts?
- Uma pergunta de cada vez, Nick. Já ouvi falar nesse garoto. Alguns sátiros e os deuses sabem sobre eles, assim como determinados bruxos sabem de nós. Agora eu é que pergunto, como sabe do Percy e do tal Harry?
- Existem livros sobre eles. — Falei como se fosse óbvio. — E filmes também.
- Ah, é. Esqueci. — Disse Rup. — Agora nós temos que ir.
- Nós vamos até a minha casa, não é? Minha mãe tem que me explicar tudo!
- Nós não vamos ir até lá. É muito perigoso.
- Eu tenho que saber mais! Como eu nunca mostrei meus poderes antes? Como nada estranho aconteceu a mim antes?
- Eu fui até sua casa te procurar. Expliquei a sua mãe que você está correndo perigo, e ela escreveu — Ele pegou algo do bolso — essa carta, tudo o que você precisa saber está escrito aqui.
Olhei para a pequena carta.
- Não vou ver minha mãe? Ela só deixou esta carta? Preciso falar com ela, pelo menos falar! — Peguei meu celular da minha mochila rapidamente e comecei a discar.
Rup deu um tapa na minha mão fazendo que meu celular caísse. Quando o celular atingiu o chão, Rup começou a pisoteá-lo.
Pouco restava do celular. Ainda não sei como ninguém veio ver o escândalo que estávamos fazendo.
- Esse celular era novo! — Exclamei.
- Semideuses não devem ter celular. E agora que seus poderes estão ativos você irá atrair Gaia.
- Eu sei... Epa! Gaia está atrás de mim?!
- Sim. Nick. — Disse Rup suspirando — Nós precisamos ir agora. Iremos para o aeroporto, o avião nos levará a Nova York. Então iremos ao Acampamento Meio-sangue. Todas as suas perguntas serão respondidas lá, assim como a carta vai responder algumas de suas perguntas.
Eu estava muito feliz em saber que era bruxa semideusa. Você deve estar pensando : ''Nossa você acredita nesse cara que você nem conhece? E ele acabou de destruir seu telefone! Como pode confiar nele?'' Simples. Ser parte deste mundo era o meu sonho mais desesperado. Se eu estivesse de frente ao espelho de Ojesed, com certeza seria isso o que iria aparecer.
Tenho muitas perguntas. Mas Rup parece estar com pressa, e eu também quero ir logo para o acampamento. Queria ver minha mãe e que ela me explicasse pessoalmente, não através de uma carta. Mas se Gaia está interessada em mim não é um bom sinal.
Gaia é bem diferente do idiota do Cronos. Cronos é um vilão idiota, agora, sua mãe, Gaia, é completamente ao contrário dele.
- Vamos então. — Respondi finalmente.
Saímos da escola e fomos correndo até um ponto de ônibus. Tivemos que esperar um pouco.
- Se nós vamos para o aeroporto, temos que ter passagens certo? — Falei.
- Quíron me deu as passagens, não se preocupe. Oh, uma latinha. — Ele pegou uma latinha no chão e guardou em sua mochila. Sátiros...
- Ah sim... Quantas latinhas você come por dia? E como fala português? — Eu tinha muitas perguntas, algumas estúpidas e outras não.
- Não sei... Não conto, mas são deliciosas. — Uma senhora que estava sentada perto de nós o olhou espantada. Segurei o riso.
- E eu já sabia, eu falo muitas línguas. Espero que você saiba falar inglês.
- Claro que sei. Minha mãe é inglesa. Dã. No aeroporto não vão gostar da ideia de uma garota menor de idade e um garoto que também parece ser, pegando um avião para New York.
- Névoa. Névoa sempre resolve nossos problemas com mortais.
- Sei disso. — Respondi lembrando de alguns momento em que os personagens usavam a névoa.
O ônibus que ia para o aeroporto chegou.Não demorou muito para chegarmos lá.
- Posso ler a carta agora? — Perguntei.
- Não. É mais seguro você ler quando estiver no acampamento.
- Ok, Rup — Respondi.
- Rup?
- É, criei um apelido.
- Gostei. — Disse Rup.
Ainda estava me acostumando com Rup. No check-in estranharam nós dois é claro, mas Rup dava estalos fortes com o dedo e os mortais mudavam de ideia.
Com toda essa névoa usada conseguimos entrar no avião sem problemas.
Rup dormiu assim que sentamos em nossas poltronas.
Eu fiquei pensando em quem seria meu pai. Seria Zeus? Ou Poseidon? Gosto do mar... Ou Hades? Se bem que não gosto muito de preto. Hermes até que é legal...
Será que na carta minha mãe fala quem é meu pai?
A curiosidade estava me matando. Rup estava abraçando sua mochila. Tentei abrir a mochila para pegar a carta, mas Rup a segurou com mais força esmagando a contra seu tórax.
É só no acampamento poderei lê-la.
Queria ter tido a chance de ter dito adeus a minha mãe... Ou melhor um tchau, adeus se dá á alguém que você não vai mais ver. Espero que esteja bem... Também espero ter a oportunidade de vê-la de novo.
Quem diria, meu sonho mais improvável se tornou realidade...
Fale com o autor