Notas iniciais
Mais um capitulo fresquinho saido do forno a poucos segundos direto para voces queridos leitores, o capitulo acabou saindo mais tarde do que eu esperava por culpa das provas do colegio, mas vou tentar postar o proximo ja esse fim de semana se tudo der certo

XV – Will

-Salu Eino – falei vendo o dragão se acordar e se espreguiçando em cima da minha cama, a criaturinha só me encarou e soltou uma fumaça pelo nariz, para os que na sabem salu eino significa bom dia na língua dos dragões

Rubys havia crescido alguns centímetros desde a última noite, ele parecia evoluir junto comigo, e bem, cá entre nós eu havia melhorado bastante, já estava com um vocabulário bem mais amplo da língua draconiana e já estava mais forte se comparado ao meu eu de antes, mas ainda não forte o suficiente, na verdade eu ainda estava bastante longe de recuperar completamente meus poderes.

Tomei meu banho e depois fiquei enrolado na toalha lendo um livro, o conteúdo do livro era bem simples, mitologia grega, o livro se tratava de uma seleção de histórias da mitologia grega, mas não as típicas aventuras efetuadas pelos grandes heróis semi-divinos, mas sim das punições que os deuses lançavam aos pobres mortais, e uma dessas punições era a de Licaão, o homem era um antigo e poderoso rei com cinqüenta filhos. Um dia Licaão resolveu chamar o senhor dos deuses, Zeus, para um jantar amigável, mas suspeitando se o convidado era ou não um ser divino o rei ofereceu-lhe carne humana, Zeus ficou furioso com tamanha afronta e como punição liquidou os cinqüenta filhos, destruiu seu palácio e ainda por cima o jogou uma maldição, e é ai que as coisas começam a ficar interessante. A maldição que Zeus jogou em Licaão forçava o rei a se transformar em uma criatura, um lobisomem, na verdade outro termo que se pode usar para chamar um lobisomem é licantropo que por acaso teve origem com o rei Licaão.

Ninguém realmente sabia como, onde e quando os lobisomens surgiram, nos só sabíamos que eles eram bem antigos, mais antigos do que a Grécia e do que qualquer civilização humana. Existem boatos obscuros sobre a relação de lupinos de humanos, alguns sussurram nas sombras que no passado, bem no passado, antes mesmo da criação de Enoque, os lobisomens precisavam se alimentar, a era glacial estava ai e os alimentos estavam cada dia mais escassos então eles tomaram uma decisão, criar espécies de currais perto de zonas com fontes térmicas para impedir que os animais ali criados pudessem morrer de frio, os lobisomens criaram currais humanos, locais onde eles tratavam os humanos como os humanos hoje tratam as vacas.

Os lupinos pegavam algumas dezenas e humanos e os colocavam para viver em locais cheios de pequenos animais que os lobisomens não comiam e cercados por diversas árvores e grãos, os humanos cresciam e procriavam e quando chegavam a uma certa idade eram mortos e devorados. Todos os lobisomens negam essa história, afirmam com unhas e dentes que jamais fariam algo assim, mas que existe essa teoria, e que ela tem uma boa base real, a tem.

Comi o rápido café da manhã e me vesti para a aula, mas quando saí não fui rumo a escola, ainda tinha alguns assuntos para resolver antes, assuntos urgentes:

-Você vem comigo? – perguntei a Rubys que continuava estirado em cima da cama, o dragão só bufou e voltou a dormir – Vou ver isso como um não

Aquela coisinha entendia que não deveria ficar andando pelo colégio, ele só saia do quarto quando realmente necessário ou quando me acompanhava para a escola de magia, ele não tinha nem sequer um mês de vida, mas já parecia ser mais esperto do que muitas pessoas com algumas décadas de vivência.

Cheguei a sala do diretor, o clima continuava tenso, tudo estava acontecendo rápido demais, novas invasões ao colégio feitas por pessoas que já deveriam estar mortas a um bom tempo, um lobisomem ter atacado um vampiro quando isso pode causar uma guerra iminente, e ainda o retorno bem próximo do vice-diretor, John Winchester. O retorno do exterminador não tinha nada demais se não fosse pelo fato de um dos seus filhos ter virado um lobisomem maluco e a outra ser uma bruxa que treina secretamente para que não seja morta pelo seu próprio povo. As coisas estavam realmente ruins:

-Alguma nova informação? – falei entrando na sala e observando o diretor fazendo a sua mesma rotina diária, bebendo um copo de whisky fitando a janela

-Sim, e isso me preocupa – o homem disse dando um ultimo gole na bebida e se virando na minha direção

-Então é bom que comece a falar

-É sobre os mortos, Jack o estripador, Joana D’Arc, pessoas que já deveriam estar no pós-vida, mas que anseiam em continuar entre nós

-O que soube diretor? Seja direto

-Recebi uma mensagem de John, parece que quando encontraram Zan, o terceiro líder dos the killers, ele estava fazendo um ritual, pode ter algo a ver com nossos mortos e quero que você pergunte a nossa bruxa se isso é possível

-Certo

-Mas não vá ainda, existe algo mais que tenho que falar, recebi mensagens de caçadores sobre certos rituais de sangue acontecendo pelo mundo, seitas neo-pagãs se espalhando loucamente pelo globo quase como uma pandemia

-Como assim rituais de sangue e seitas neo-pagãs? Você está brincando comigo não está? Já parece que não temos problemas suficientes e ainda nos aparece isso

-Os caçadores nunca tiveram problemas com essas pequenas seitas, mas agora elas praticamente explodiram ao redor do mundo e isso é assustadoramente preocupante, se esses rituais e veneração a deuses antigos continuarem podemos ter mais um grande problema

-Você não estaria falando dos deuses estaria?

-Sim, eles mesmos

-Droga! Estamos com uma série de invasões de mortos-vivos, uma guerra iminente e agra essa merda de deuses voltando, isso não pode acontecer, uma guerra entre vampiros e lobisomens é bem menos preocupante do que uma guerra contra os deuses

-Eu sei disso, mas não podemos fazer nada, eles ainda não fizeram nada que machucasse humanos ou monstros então os caçadores não podem se meter, o importante agora é impedir a guerra e já soube que alguns caçadores já foram tentar amenizar os vampiros para que não façam nenhuma besteira, mas não sei se vão conseguir, é bom estarmos prontos para o pior

-Eu vou estar

Saí da sala, estava suando frio, aquelas noticias não eram boas, na verdade eram alarmantes. Deixei minhas coisas na sala de aula e saí para o campus do colégio, precisava tomar um ar para não surtar. Se eu estivesse com meus poderes de volta eu poderia fazer algo, mesmo que pouco.

Sentei em um dos bancos do local e fiquei observando as pessoas ao meu redor, um bando de imbecis que não tinham a mínima idéia de que em poucos dias tudo aquilo poderia acabar e dar lugar a uma guerra sem precedentes, um bando de estúpidos que não tinham noção que desde que as aulas começaram um grupo minúsculo de pessoas lutavam para protegê-los de coisas que nunca sonharam existir. Eu podia xingá-los o quanto quisesse, mas as vezes eu gostaria de ser um deles, de não precisar estar no meio dessa coisa toda, poder apenas caminhar calmamente com minha namorada (ainda não consigo acreditar que escrevi essa parte) em paz por ai.

Bem, falando na Amy era apareceu a alguns metros de distância, ela estava indo em direção ao colégio, mas ao me ver veio até mim e se sentou ao meu lado me dando um selinho:

-Ei Will você soube

-Do que? – Amy ficou com os olhos marejados

-O senhor Bananas morreu – ela realmente parecia que ia chorar

-Quem é “senhor Bananas”?

-O macaco do zoológico, eu sempre ia quando pequena pra lá e adorava ver os macacos, principalmente o senhor Bananas, mas eu soube que ele morreu, não soube do que, mas ele morreu Will – por um momento ela realmente iria chorar, mas então enxugou o rosto – E como você está? – ela perguntou colocando as coisas do lado dela do bando

-Cansado e preocupado – muito preocupado por sinal, e não é por culpa da morte de um macaco

-Você deveria se preocupar tanto, soube que já tem alguns caçadores tentando resolver o problema com os vampiros

-E você acha que eles vão conseguir? Vampiros são orgulhosos demais, não vão parar até terem as cabeças dos culpados, e se não puderem tê-las vão pegar as de todo o resto

-Eles vão conseguir Will, tem que conseguir

Dava para escutar o corpo de Amy tremendo, é claro que ela estava assustada, talvez bem mais do que eu (só não espero que seja por causa do macaco), nós estávamos em uma escola cheia de monstros, uma guerra entre raças e esse colégio iria a loucura e na situação atual dela não poderia deixar ela participar de nenhum tipo de luta. O corpo de Amy ainda não estava normal, ela já não tossia sangue e ficava caindo por aí, não que eu soubesse, mas ainda não podia usar magia e nem se forçar a fazer exercícios demais, ela não podia lutar.

Abracei-a o mais forte que pude e lhe cravei o beijo mais romântico que consegui, ficar com ela parecia acalmar minha cabeça cheia de preocupações, então eu também precisava ajudá-la e acho que meus beijos eram uma boa ajuda.

Ficamos conversando por mais tempo, tentamos fugir o máximo possível de monstros e guerras e conseguimos, por um momento pensei até que fossemos um casal humano comum como podíamos ver ali pelo campus, e a idéia me assustou, eu estava com minha natureza mental cada dia mais humanizada e aquilo não era bom, talvez fosse isso que me impedisse de evoluir meus poderes mais rapidamente, mas como eu já havia deixado bem claro, preferia ficar com ela do que com meus poderes.

Mas havia algo de estranho naquela situação, eu olhava ao redor, encarando cada pessoa daquele campus, tudo parecia normal, as imagens, os sons, os cheiros, tudo normal, mas mesmo assim havia algo estranho ali:

-Ei Amy – levantei do banco ao falar

-O que foi? – ela respondeu me encarando enquanto eu olhava ao redor

-Que horas são?

-CARAMBA!!!!!!!! – Amy deu um pulo do banco ao olhar para o relógio que ela carregava no pulso – Já são 08:30, já deveria ter dado o toque para a aula, mas ainda não ouvi nada

-E ninguém daqui também ouviu – olhei para as janelas e as salas tinham pessoas que também conversavam, mas não parecia nada parecido com uma aula – Algo muito ruim está acontecendo aqui

-O que acha? – Amy já estava ao meu lado e ela estava com o rosto esbanjando uma obvia preocupação

-Uma ilusão

-uma ilusão? Como assim ilusão?

-Essas pessoas, elas não emitem pecados

-Bem, eles podem ser boas pessoas

-Amy, eu olhei todas as pessoas desse colégio, você é uma das pessoas com menos pecados do colégio e mesmo assim eu ainda posso sentir a sua energia, mas esses caras, eles não soltam nenhuma

Senti algo se aproximando e me abaixei, senti algo passando bem próximo da minha cabeça e alguns fios de cabelo caíram no chão:

-Me diga que não fui só eu que senti isso? – encarei Amy e ela concordou com a cabeça e ficou olhando ao redor

Entrei automaticamente em posição de batalha, não havia ninguém perto o suficiente para efetuar um ataque então ele deveria estar usando a ilusão a seu favor. Mais um golpe e rodei para o lado tomando um corte no braço, sangue quente começou a escorrer do meu braço, o corte foi bem profundo, se eu não tivesse rodado para o lado aquele golpe teria acertado meu pulmão e teria rasgado meu peito muito provavelmente.

Minha respiração estava ficando assustadoramente pesada, ninguém ali ao nosso redor se importava com a luta que ocorria só comprovando minha hipótese da ilusão.

Mais um ataque, tentei esquivar, mas o ataque foi rápido demais e tive a perna perfurada, por pouco o golpe não perfurou minha artéria femoral, mas mesmo assim estava ferido, e uma terrível ferida, não estava conseguindo mexer minha perna direito e acabei ficando de joelhos sem poder me locomover.

Olhei redor buscando qualquer pista de onde o maldito estava, mas não conseguia encontrar nada, eu conseguia enxergar a energia vital de Amy, mas não conseguia ver a de mais ninguém, poderia ser um monstro, ou talvez mais um morto-vivo. Foi então que percebi uma energia vibrando atrás de Amy:

-Amy saí daí!!!!!

Tarde demais, uma lâmina se materializou atrás do pescoço de Amy e ia acertá-la em cheia, mas antes da lâmina acertá-la ela se abaixou e deu uma rasteira derrubando o dono da arma, isso foi bastante surpreendente, pelo menos pra mim. Antes que pudesse haver tempo para reagir Amy prendeu a pessoa com uma chave de braço precisa:

-Da pra vir ajudar aqui – ela falou, mas eu não conseguia ainda andar direito, o ferimento estava fechando, mas não rápido o suficiente

-Não consigo – assim que falei uma luz amarela cobriu todo o local e quando ela se apagou Amy ficou tateando o ar como se estivesse atrás de algo

-Ele fugiu – ela disse correndo na minha direção

-Eu não fugi – disse uma voz com um estranho sotaque, deveria ser algum sotaque humano – Somente não poderia me deixar ser pegue em algo tão ridículo quanto uma chave de braço

Aos poucos o ar ao nosso redor começou a tremer e então aos poucos a ilusão começou a sumir revelando um pátio completamente vazio onde antes haviam várias pessoas.

Na nossa frente havia agora apenas uma pessoa, um homem de longos cabelos negros e olhos azuis, ele vestia uma calça marrom comum e não usava blusa alguma mostrando seu peito que era cheio de palavras em uma língua que eu não conhecia, mas que me fizeram tremer ao vê-las, no seu braço direito ele algo que antes deveria ser o braço de uma armadura, mas que estava com algumas marcas de arranhões. O homem segurava uma lança, aquela coisa deveria ter entre dois metros e meio e dois metros e oitenta, a ponta da lança não era algo comum, ela devia ter uns cinqüenta centímetros, mas havia duas pontas que saiam pra os lados também fazendo com que a lança lembrasse uma cruz, e também ao longo da lâmina haviam algumas inscrições na mesma língua das tatuagens no peito:

-Quem é você? – Amy disse me ajudando a levantar, minha perna já estava quase cem por cento recuperada e agora já poderia me mexer

-Desculpem-me a total falta de educação, eu sou Gilles de Montmorency-Laval

-Gilles? O francês companheiro de guerra de Joana D’Arc? – Amy ficou tensa enquanto falava

-Ora a jovenzinha ouviu falar de mim? Bom saber que alguém me conhece nos dias de hoje

-Bom pra você, mas não devia ser bom para as crianças que ti conheciam no passado não é mesmo?

-Vejo que a caçadora sabe bastante sobre mim

-Sim eu sei uma coisa ou outra, como não saber de um dos piores homens da história? Aquele que é conhecido como um dos precursores dos assassinatos em série que pegava crianças e as matava e estuprava para realizar rituais de bruxaria

-Bem não posso negar essa minha parte, fui um homem de muitos feitos garota e alguns deles foram realizados com o auxilio da magia negra, a magia já era mal vista na minha época então tinha que praticar tudo escondido e sozinho, acabei lendo sobre coisas demais, aprendendo coisas demais, incluindo poderosos rituais de sangue

-Você é um monstro maluco, foi por pessoas como você que a magia ficou mal vista!

-A garotinha está com raiva? Seria que você não seria apenas uma caçadora, mas também uma maga? Não se espante, eu posso ver a sua aura mágica, você já completou seu despertar a um tempo razoável, mas vejo também que você fez mais feitiços do que deveria, foi além do que seu próprio corpo agüentava e agora está pagando o preço

Amy engoliu em seco as palavras daquele homem, ele não aprecia ser fraco, e muito menos alguém estúpido, ele daria bastante trabalho:

-Onde esta seu avatar? – Gilles perguntou se aproximando alguns passos – Todo bom mago tem um, uma pena que eles não voltem dos mortos com a gente

-Como você voltou? – falei me preparando para atacar assim que ele levantasse a guarda

-Ora com magia negra, uma magia bem poderosa e perigosa por sinal, mas se bem que usar o termo de volta a vida é meio estranho, eu não estou necessariamente vivo, na verdade eu estou em uma espécie de estado de meia-vida

-Meia-vida?

-Sim, era assim que os magos chamavam as pessoas que eram ressuscitadas e que recebiam não seus corpos originais, mas sim essas cópias, esses corpos parecem humanos, mas o que circula dentro de nós não é sangue, é ectoplasma

-Ectoplasma? – Amy falou se mostrando mais interessada do que deveria –Tipo o mesmo ectoplasma que compõe os fantasmas?

-Esse mesmo, o líquido preto que corre dentro de nós é ectoplasma, mas nossos corpos mortais alteram a cor dessa substancia que era pra ser normalmente transparente como água

-Interessante – Amy falou e eu mandei pra ela um olhar de confusão – Quero dizer, não é bem interessante, é sinistro e ruim, mas é UM POUCO interessante

-Você tem potencial garota sabia disso? Eu posso ver seus poderes e garanto que eles não ficam atrás dos meus que foram aperfeiçoados ao longo de décadas de treino e rituais, você foi abençoada e com o mestre certo pode se tornar a maga mais forte em quinhentos anos, ou talvez do milênio

-Desculpe senhor Gilles, mas se o senhor não percebeu, eu não posso suar meus poderes ainda

-Ora, mas isso é bem simples de se resolver, um pouco de Feé e você ficara novinha em folha

-Como você sabe sobre o pó das fadas? – tentei avançar contra Gilles quando terminei de falar, mas parecia que havia uma barreira invisível entre nós

-Faça me o favor senhorita Winchester e impeça que seu tolo namorado se intrometa na nossa conversa, eu não luto com gente fraca

Parecia que o céu tinha despencado em cima de mim. Fraco? Até mesmo aquele cara me chamava de fraco, até um maldito humano:

-Fraco? Se eu sou tão fraco assim por que não me matou antes? – ainda tentava avançar até ele, mas não conseguiu

-Por pura diversão, eu só estava brincando com vocês para ver do que eram capazes e vamos dizer que a garota ai é bem melhor do que você demônio

Droga ele não estava mentindo, eu mal conseguia acompanhar os ataques dele enquanto Amy conseguiu derrubá-lo facilmente, e ela ainda estava fraca:

-Agora senhor fracote se não quiser ser morto então cale a boca e fique quieto, e então querida vai se aliar a mim ou não?

-Você não pode me curar Gilles, e mesmo que pudesse jamais me aliaria a você

-Isso é uma pena, eu poderia curar você facilmente minha querida, isso eu garanto, mas já que você não quer eu também não irei forçá-la, mas me respondam uma pergunta antes de matá-los

-E qual seria?

-Quem matou Joana? Eu vim aqui visando matá-lo e sei que não foram nenhum de vocês que fizeram isso então é bom me dizerem o nome e assim posso lhes dar uma morte rápida, mas não necessariamente indolor

-Bem acho que você vai ter que me matar se quiser saber sua informação

-Isso é uma pena, mas se essa é sua escolha então eu não posso fazer nada

Gilles avançou com uma velocidade inumana, literalmente inumana, em um piscar de olhos ele já estava na frente de Amy e iria acertá-la com um golpe certeiro, mas então algo veio dos céus e acertou Gilles com um potente vôo rasante direto na cara. Gilles cambaleou para trás, mas ele só estava com um arranhão no rosto próximo da boca:

-Essa foi por pouco – Gilles disse passando a língua no corte – Então ai está o seu avatar

Sombra voava ao redor de Amy na altura do seu rosto e grunhindo. Gilles sorriu como se estivesse satisfeito com aquilo e então voltou a atacar, mas antes dele conseguir acertar o ataque uma lâmina desceu do céu e quase o acertou.

Amy se abaixou e pegou a lâmina do chão, sua adaga negra, e então do céu apareceu Lua que desceu calmamente e ficou voando com calma e leveza, completamente diferente do barulhento e maluco Sombra:

-Dois avatares? – Gilles parecia absurdamente surpreso, mas não com medo e sim animação – Você realmente tem poder garota, muito poder

-Valeu, eu acho

Amy rodou a adaga em mãos, mas ela não ia usá-la, eu sabia disso:

-Essa não seria a arma de Caim seria? – Gilles parecia cada vez mais surpreso

-Você sabe bastante

-Conhecimento é poder, principalmente quando se é um mago, e vamos dizer que eu sabia de muitas coisas quando era vivo

-Por que cedeu a magia negra Gilles?

-Vida eterna garota, ela é muito tentadora e eu li sobre certos métodos que poderiam me tornar imortal, mas agora não passo de um idiota meia-vida

Gilles atacou novamente. Droga, os pássaros não seriam bons os suficientes para enfrentar Gilles e no estado atual de Amy ela não duraria muito, eu tinha que conseguir me mover logo ou então ela morreria.

Um corte, dois cortes, três cortes e então Amy caiu no chão. Ela tentou lutar, mas Gilles era veloz e habilidoso demais para alguém no estado dela e então com poucos golpes ela caiu no chão machucada. Gilles sorriu e passou a língua novamente sobre o seu ferimento e então preparou a lança para um ataque direto no peito de Amy.

Os pássaros tentavam atacar, mas eles também pareciam estar paralisados por aquela força invisível. Eu não poderia fazer nada para ajudá-la, mas naquele momento eu acho que ele não precisaria da minha ajuda, antes que eu pudesse tentar fazer algo uma forte luz cobriu todo o campus e seis figuras apareceram. Um deles vestia um longo manto avermelhado e usava um estranho adorno na cabeça, parecia um chapéu com um desenho de uma pirâmide que soltava luz. O segundo homem vestia um tipo de jaleco que só realçava toda a sua enorme barriga, ele também se utilizava de uma longa barba e seus olhos eram totalmente brancos. O terceiro homem usava uma espécie de manto também, mas dava par se perceber que carregava vários frascos por debaixo da roupa, também possui um forte cheiro de ervas exóticas e pelo rosto parecia ser o mais velho dali, como se tivesse vivido mais do que todos os outros juntos. O quarto homem vestia uma batina lembrando bastante um padre, mas suas roupas eram em alguns tons mais escuros e sinistros e seu rosto todo cheio de cheio de feridas e usava uma barba volumosa que só deixava sua aparência sinistra. A quinta pessoa era uma mulher negra, com os cabelos cobertos por um turbante e usava um longo e volumoso vestido branco e que carregava m boneco em mãos. A sexta e última pessoa vestia um longo manto branco e usava uma barba que batia próxima da sua cintura:

-Gilles – falou o homem de estranho chapéu

-Ora quem diria, Edward Alexander “Aleister” Crowley aqui? E não veio só, quem mais está aí com você? Michel de Nostredame “Nostradamus”? – o velho que parecia ser cego soltou um estranho barulho com a boca – Nicolas Flamel? – o homem que fedia a ervas assentiu com a cabeça e foi com as mãos para dentro do manto, aquele velho era o antepassado de Jacob, bem os dois não se pareciam nem um pouco – Grigoriy Yefimovich Rasputin? – o homem do rosto ferido apenas encarou Gilles com um meio sorriso – Marie Laveau? – a mulher negra encarou Gilles sem esbanjar nenhum tipo de feição – E este último, como não conhecer Merlin não é mesmo?

-Pare de se gabar moleque – disse aquele que deveria ser Merlin, o lendário mago das lendas arturianas que havia lido a não muito tempo – Largue a garota e venha conosco, o mestre nos convoca e ele esta irritado por você ter vindo aqui sem sua permissão

-Por favor Merlin não banque o seguidor fiel para comigo, todos aqui sabem que uma resistência esta se formando contra o “mestre” e que você é um dos líderes do grupo junto de Aleister

-Como ousa indagar tamanha ofensa contra a minha pessoal rapaz? – Merlin parecia irado e sacou uma varinha de dentro da roupa

-Levante a varinha contra mim velho e verei como um desafio, e como pode perceber hoje não estou muito bom para desafios, a não ser que queira encurtar a sua nova vida, todos aqui somos do mesmo tipo, todos aqui aceitamos o chamado, não se finja de melhor

-Se não vier por bem vira por mal Gilles – falou Rasputin

-A garota sabe sobre quem matou Joana, eu tenho que vingá-la e além disso todos vocês já devem ter percebido o potencial dele, se alguém como ela for para o lado inimigo estaremos com problemas, nós temos que matá-la com ou sem a permissão do mestre

Nostradamus tentou falar algo, mas novamente apenas um estranho ruído saiu:

-Tudo deve ser feito com a permissão dele – falou Marie – Se ousar ir contra as ordens dele teremos que levá-lo a força e não ouse me subestimar – a mulher ergue seu boneco e Gilles tremeu

-Eu só queria ajudar o mestre e fazer justiça, não precisa usar seus poderes Marie, eu já estou indo

-É bom mesmo – Crowley falou abrindo algo como um portão em pleno ar apenas passando sua mão – O mestre tem planos para você garota – disse Crowley à Amy – Então é bom que fique viva ate lá, não poderemos te proteger de outro ataque então é bom que se cure logo dos seus problemas, e aqui vai uma ajuda

O homem jogou um pedaço de papel para Amy e então todos entraram no portal, ate mesmo Gilles que entrou mesmo com raiva queimando nos olhos. Assim que o grupo saiu senti meu corpo ficando mais leve e consegui me mover novamente. Corri até Amy acompanhado dos pássaros, ela estava sentada no chão olhando para o papel, ele estava escrito com alguma língua incompreensível pra mim:

-É a mesma língua que tinha na tatuagem de Gilles – ela falou – Algumas letras seguem o mesmo padrão de escrita mesmo estando me outra caligrafia

-O que acha que significa?

-Eu não tenho a mínima idéia, mas acho que conhecemos algumas pessoas que podem saber

Olhei pra ela e fomos andando até a sala do diretor, já havíamos perdido provavelmente um longo tempo de aula, mais alguns minutos não fariam diferença. Quando chegamos lá estava o diretor como sempre, olhando para o campus bebendo whisky, e não deu para deixar de perceber eu ele olhava para o exato local onde a poucos minutos havíamos lutado:

-O que achou da luta? – estava irritado, o desgraçado havia visto e não feito nada para impedir

-Interessantíssima – ele continuava encarando o campus – Aquela ilusão foi de altíssimo nível por sinal, como esperado de um dos grandes magos da história

-Mas por que algo me diz que você poderia ter desfeito ela facilmente?

-Poderia? Não sei se poderia, mas não acho que precisaram da minha ajuda

-Não precisávamos? – peguei o diretor pelo terno e ergui ele do chão, o homem em encarava nos olhos, mas eu não sentia medo – Ela quase morreu ali!

-Mas não morreu senhor Maquiavel, ela foi salva, e não pelo senhor, mas sim por aqueles que deveriam ser seus inimigos, não me culpe por ser fraco e irresponsável rapaz

Larguei ele no chão com o máximo de agressividade permitida no momento, ele estava certo, eu era fraco e irresponsável, mas ele poderia ter feito algo:

-Por que você não ajudou?

-Meu trabalho era outro senhor Maquiavel, ou acha que é fácil impedir que todos os alunos e professores não percebam a sua luta? E estamos falando de vários alunos monstros com super sentidos aqui

Cai em um cadeira sem ter palavras para respondê-lo, ele estava certo, se ninguém ainda havia percebido toda a maluquice que se passava era graças a ele:

-Certo diretor poderia ajudar aqui a decifrar esse papel? – falou Amy cortando o clima da situação

-Até poderia, mas não sou especialista nessa língua – o velho nem precisa olhar para saber do que se tratava – Mas sua mãe é

-Certo, já que estamos nessa situação você não se importaria se fossemos falar com ela não é?

-Nem um pouco, já estão bastante atrasados para as aulas então é melhor fazerem algo de real importância

Ali mesmo na sala do diretor Amy abriu o portal e nos dois fomos para a cidade de Magicka junto dos pássaros. Estava me sentindo terrivelmente inútil naquele momento e Amy percebeu isso enquanto andávamos pela cidade deserta:

-A culpa não foi sua – ela disse pegando minha mão

-Foi sim, foi por eu ser fraco – cai de joelhos, era quase como se o peso invisível tivesse voltado, mas na verdade era apenas a minha consciência

-Não me diga que já se esqueceu do por que ficou nessa situação? – Amy passou na minha frente e ficou me encarando com aqueles olhos verdes

-Não, não esqueci, nunca vou e esquecer e muito menos me arrepender de ter feito aquilo

-Ótimo entao levanta logo desse chão e vamos andando, voce não poder me ajudar ficando desse jeito cabisbaixo e depressivopara sempre, é que quer ser o namorado da grande Amy Winchester?

Não consegui deixar de rir ao escutar aquilo entao amy me deu empurrão me fazendo cair para trás e andou na frente com raiva, como não amar essa garota?

Notas finais
Reviews???