Vida De Monstro - Livro Dois - A Magia
16 XVI - Amy
Notas iniciais
XVI – Amy
Bem o castelo continuava da mesma forma de sempre, pelo menos da mesma forma que eu lembrava. Andamos até o salão principal onde havia desenhado no chão aquele desenho onde supostamente lutavam o primeiro mago e seu adversário. Era algo tão estranho, era quase como seu eu estivesse lá, vendo aqueles dois trocando golpes flamejantes, destruindo tudo no seu caminho:
-O que os dois fazem aqui? – Morgana apareceu nas nossas costas, ela carregava uma espécie de vidro em mãos com um líquido azul dentro
-O que é isso? – perguntei
-Eu perguntei primeiro, me responda e posso pensar em responder a sua
-Certo senhora mandona, nos precisamos da sua ajuda com uma coisa
-Que tipo de coisa?
-Algo que envolve algumas pessoas que eu acho que a senhora conhecesse
-E quem seriam essas pessoas?
-É melhor conversarmos em um local mais fechado e seguro – Will disse encarando nós duas, e eu tinha que concordar com ele
Subimos as escadas rumo a uma das muitas salas que haviam no castelo, sentamos em uma banco de madeira que parecia bem velho, mais do que os outros que vi antes, e então começamos a contar o que ocorreu mais cedo.
Bem eu poderia dizer que Morgana aceitou tudo aquilo numa boa, que ela entendeu o que dissemos e nos ajudou a resolver a situação, que ela achou tudo bastante normal e simples de resolver, nada demais, só uma besteirinha irrelevante para uma poderosa maga como eu penso que ela é, mas não foi nada disso.
Era possível escutar o corpo dela tremendo, o vidro cheio de líquido azul se remexendo na mesma sintonia que o braço dela tremia, o rosto dela parecia preocupado e uma linha de suor descia pelo seu rosto que agora parecia mais cansado e mais velho do que o habitual:
-Vocês tem certeza do que disseram? – Morgana pousou o frasco em uma mesa antes que pudesse derrubá-lo de tanto tremer
-Eu pareço estar brincando bruxa? – Will falou de um modo mais ignorante do que eu pensei que ele falaria
-Não precisa ser tão ignorante demônio – Morgana disse o encarando com um olhar de raiva, mas que sumiu um segundo depois e deu lugar de novo para aquele olhar de medo que ela estava antes – Eu só queria confirmar a situação, meia-vida não é?
-Foi isso que Gilles disse – falei pegando um papel do bolso – Aqui está o papel que Crowley me deu
Morgana leu o papel e se ela antes já parecia tensa com a situação agora ela parecia ter desabado de vez, ela enrolou o papel enquanto respirava pesadamente e me entregou de volta:
-Se você não tivesse me dito que o próprio Crowley lhe entregou isso eu jamais acreditaria nessa informação
-O que está escrito?
-Um agrupamento de números
-Só isso? Números? – Will parecia surpreso e irritado com aquilo
-Sim, mas ano são números quaisquer, são coordenadas, e o papel também informa para onde as coordenadas levam
-E pra onde seria? – algo me dizia que eu já sabia
-Arcádia – bem, por que será que eu não fiquei surpresa?
-A terra das fadas? – Will se levantou da cadeira – Tem certeza disso?
-Rapaz é o que está escrito ali, se ele está mentindo ou não isso eu não sei até testar
-Testar o que?
-Abrir um portal pra lá
-Está brincando não é? – dessa vez foi minha vez de ficar em pé – Isso é possível?
-Levando em conta a distancia que essas coordenadas indicam eu acho que é possível, mas vai demorar ainda, doze dias
-Doze?
-Que é quando vai ocorrer a lua nova, eu preciso dela para executar esse feitiço, e também vai demorar pra reunir os magos que tenham potencial, esse feitiço é complexo e vou precisar juntar fortes aliados ou pode acontecer certas coisas que você não vai querer saber
-Perfeito, daqui a poucos dias são as provas, e daqui a doze dais as provas já vão ter acabado então não vou sair prejudicada no colégio
-Ótimo então, mas isso não vai mudar nossas aulas da tarde
-Certo, mas se não tiver problemas porque não podemos ter aulas agora e a tarde, fazer logo um intensivo, que tal?
-Pode ser, não vejo problema nenhum, mas como vai o progresso? As dores diminuíram?
-Com certeza – Will falou precipitadamente – Ela na verdade fez algo que nunca pensei que ela faria
-Não foi tão fantástico assim
-Eu já desisti de tentar te convencer do contrario Amy, mas você assumindo ou não aquilo foi incrível, o adversário era muito mais veloz, mas seus reflexos foram assombrosos
-Então acho que isso é um sim – Morgana disse cortando a fala de Will e irritando ele – Mas nada da abertura dos seus pontos de aura?
-Nada, não consigo executar nem o mais simples feitiço do diário
-Entendo, provavelmente ainda vai demorar uns sessenta dias pelos meus cálculos, e os cálculos mais esperançosos, abrir o portal e conseguir o Feé é nossa melhor chance de te curar, e com esses magos antigos de volta nos vamos precisar de você o mais rápido possível
-E como vamos pegar o Feé? – Will falou cortando a fala de Morgana, provavelmente ele fez de propósito
-Não se preocupe senhor Maquiavel, nós vamos pensar em um jeito, agora vamos para a arena, quero te ensinar algumas coisas e pode acabar causando explosões
-Se não se importam eu não vou
-E por que não? Acha que já está com poderes suficientes?
-Não é isso, mas acho que tem um jeito de trazer meus poderes de volta de um jeito mais rápido, mas preciso antes aprender algumas coisas e ver aulas de magia não é uma delas, mas se você tiver algum livro sobre dragões então eu estaria agradecido
-Dragões? É claro, vários até, vou pedir para Phineas levar você até a biblioteca
O ornitorrinco apareceu na sala de aula, ele andava calmamente pela sala balançando seu rabo como se nada interessasse:
-Você poderia levar o senhor Maquiavel para a biblioteca, exatamente para a parte dos dragões? – Phineas encarou Will e então se virou de costas e andou para fora da sala – Siga-o William, ele vai lhe levar para onde quer
Will saiu da sala e após Morgana guardar o frasco com líquido azul nós duas saímos também, mas enquanto Will se aventurava pelo castelo eu saia dele:
-Você ainda não me falou o que havia nos frascos – falei quando já estávamos próximas da saída do castelo
-É um protótipo de fogo grego
-Fogo grego? Você fala do lendário fogo grego que seria capaz de queimar qualquer coisa e nem as águas apagavam?
-Sim, mas ela não tem nada de lendária e diferente do que a maioria dos estudiosos pensa foi sim escrita uma maneira de fazê-la, mas nos magos a confiscamos para que não caísse em mãos errada
-E qual a explicação para o fato dela só ter sido usada poucas vezes? Uma arma tão poderosa deveria ser usada o máximo possível não é?
-E ela foi usada o máximo possível, o problema está em como produzir o fogo grego, é um processo demorado, muito demorado, demora anos para fazer um único frasco como aquele que eu carregava, e só para informar aquele não estava terminado, quando ele está completo a cor dele é verde e não azul, aquele é o penúltimo estagio, quando ele fica daquela cor você deve guardá-lo em altas temperaturas por um certo período de tempo bem longo e depois misturá-lo com algumas coisas, mas isso não é o importante agora, um dia irei ensiná-la a fazer, mas agora a aula é outra
Andamos pela cidade deserta de Magicka, aquele lugar era tão morto, tão triste, que era quase impossível de imaginar que ali um dia foi a cidade da magia, um local cheio de pessoas andando por toda cidade, um local cheio de magos praticando magia livremente sem precisar se esconder, mas agora não era mais assim, tudo por culpa de pessoas ambiciosas que não conseguiram se conter e mancharam a magia com seus feitiços horrendos:
-Você disse que Gilles tinha uma tatuagem não é? – Morgana falou quando já podíamos ver o coliseu na sua totalidade
-Sim, uma enorme tatuagem no peito
-Bem aquilo é um feitiço, alguns magos escrevem palavras mágicas no seu corpo para poderem executar um feitiço mais facilmente, dependendo da complexidade da escrita da tatuagem você nem precisa conjurar o feitiço, a tatuagem faz o trabalho por você
-A tatuagem lembrava a língua da carta
-EÉ claro que lembrava, alguém do nível de Gilles jamais escreveria em outra língua se não aquela
-E que língua era?
-Enoquiano Amy, a língua de Enoque, a língua da cidade de Caim, é uma língua antiga, a mais antiga como acho que você deve saber, poucos são aqueles que ainda a sabem nos dias de hoje, eu poderia contar nos dedos da mãos, ela é uma das línguas mãe da magia e por isso uma das línguas mais poderosas que se pode usar para um feitiço, até onde eu saiba somente uma língua tem mais poder do que ela
-E seria?
-Seu namorado sabe qual é, a língua dos dragões, a primeira língua criada, antes mesmo da raça humana nascer, antes mesmo de qualquer raça nascer, já diziam que os dragões falavam essa língua
-Você sabe alguma coisa nela?
-Quem dera, os livros só a citam, nunca vi um deles que a ensinasse, sei que ela é basicamente escrita com um tipo de runa chamada de runa draconiana, um tipo bem simples de runa, seu alfabeto tem vinte e duas letras se não me engano, mas só sei isso, apenas os dragões e seus escolhidos sabem falá-la
-Então não tem nenhum meio deu aprender?
-Talvez se você encontrar algum dragão que goste de você um dia ele possa te ensinar
-Até pouco tempo atrás eu pensava que os dragões estavam extintos, agora conheço dois deles, talvez eu consiga uma pra mim um dia – assim que falei isso Lua e Sombra piaram no céu, eu mal tinha percebido eles ali – O que acha que pode ter me feito invocar dois avatares?
-Não sei Amy, você invocou forças estranhas naquele momento
-Pensei que fosse pra falar qualquer coisa
-Não – Morgana quase avançou pra cima de mim – É obvio que não, as forças que você invoca moldam o seu avatar junto da sua personalidade, esses dois fatores juntos forjam o ser mágico e você acabou invocando forças opostas, forças que se detestam, e isso pode ter gerado os dois avatares, talvez você tivesse alguma crise de identidade, não saiba que você mesma é e isso acabou gerando dois avatares, mas isso é muito menos provável, ter duvidas sobre si mesmo é normal e nunca aconteceu de alguém gerar mais de um, soube até de um caso de um mago com múltiplas personalidades, mas mesmo ele só gerou um avatar
-Então não teria uma explicação?
-Tem uma, mas essa é tão improvável que seria impossível, e agora não é a hora pra isso, nós já chegamos
Sim nos realmente tínhamos chegado, o coliseu já estava na nossa frente com suas duas estátuas imponentes nos encarando. Andamos pelo seu corredor principal e chegamos ao centro da arena, duas pessoas lutavam no meio da arena enquanto alguém assistia da plateia, Ben e Felícia estavam lutando enquanto Jimmy só observava atento sem perder um único movimento, a concentração dele era assustadora:
-Os jovens poderiam parar por um momento? – Morgana falou e Ben parou seu ataque antes que acertasse Felícia que estava no chão – Foi um belo combate
-Você nem assistiu Morgana – disse Felícia se levantando do chão
-Quem disse que não? Não vemos somente com os olhos e você deveria saber disso melhor do que eu Felícia já que treina tanto as artes psíquicas e das sombras – Felícia só virou o rosto
-O que veio fazer aqui pra parar o meu massacre Morgana? – falou Ben e Felícia o mandou uma linguarada e ele retribuiu, mas parecia mais uma brincadeira entre os dois do que uma real ofensa
-Só dar umas aulas intensivas aqui, alguém se candidata? – os dois balançaram a cabeça negativamente e Jimmy desceu para a arena, tenho certeza que ele ia dizer que sim, mas então Ben o pegou pelo pescoço
-Vamos lá carinha, vamos deixar a diretora dar a sua aula, e boa sorte Amy, esse negocio todo é um saco que bom que eu não preciso mais
-Conhecimento nunca é demais Ben, e sempre tem algo novo para aprender – Morgana falou e Jimmy concordou com ela com a cabeça, mas Ben continuava apertando ele e o levando para longe da arena – Certo agora vamos começar a aula
Eu poderia contestar e dizer pra chamarmos Jimmy, mas Morgana não parecia se importar.
Eu poderia falar o quão irado era ter mais de oito horas de aula de magia, poderia falar o quão perfeito era aprender a manipular a realidade para poder controlar jogos de azar, para poder atravessar paredes, e essa era bem difícil por acaso e Morgana disse que eu poderia acabar explodindo se fizesse isso, muito irado, mas até mesmo magia cansa, principalmente quando você não pode praticá-la e está sem comer desde as sete da manhã:
-Devemos parar agora – disse Morgana – Você parece com fome e com tédio
-Fome sim, tédio não
Andamos para fora do coliseu e fomos de volta para o castelo. Quando chegamos Phineas apareceu carregando uma bandeja nas costas que estava com um bule, duas xícaras, e alguns bolinhos:
-Espero que não tenha sido esforço demais para você – Morgana falou coçando a cabeça do ornitorrinco que soltou um estranho barulho que parecia ser algo feliz – Vamos só comer isso por enquanto, depois vou providenciar algo de verdade, se quiser ficar até mais tarde é claro
-Já estou aqui desde manhã, qual a diferença de ficar até de noite dessa vez?
Estávamos bebendo um excelente chá, eu tinha que perguntar a Morgana depois do que era, e comíamos aqueles bolinhos fantásticos que pareciam ser de coco, creme e chocolate, era realmente gostoso, mas não era muito então não cobria a fome, mas enganou por hora:
-Aonde está o Will Phineas? – perguntei para o ornitorrinco e ele olhou para Morgana que assentiu com a cabeça e então Phineas começou a andar
Segui ele acompanhado de Morgana, andamos por vários corredores, subimos algumas escadas passando por diversas armaduras e então chegamos a uma sala, a porta era enorme e adornada com desenhos de várias árvores e animais:
-Aqui guardamos alguns documentos relativos a animais místicos – falou Morgana abrindo a porta, o local estava sendo iluminado com diversas velas enormes, haviam vários livros de com capas de couros nas estantes e em um canto estava um figura rodeada por vários livros
-Will – falei me aproximando e vendo um dos títulos dos livros, a anatomia dos dragões – Como vai a pesquisa?
-Eu encontrei tudo, menos o que queria – ele fechou o livro chamado de “a grande caçada alada” – O livros falam sobre como são os dragões, como vivem, como se mata um, mas nada sobre sua real cultura, nada sobre sua língua e muito menos sobre sua magia
-Magia de dragão? É disso que está atrás? – Morgana parecia surpresa quando falou – O que você está atrás com esse tipo de magia?
-Ela é poderosa Morgana, se eu ainda consigo lutar de igual pra igual com certas pessoas é graças a ela, mas só falar palavras não é o suficiente, eu preciso saber mais, e ela não é como a magia humana então vocês não podem me ajudar com isso, somente uma criatura pode e eu não quero vê-lo, pelo menos não agora, eu quero pelo menos saber o básico antes de visitar alguém daquele nível
-Você está falando dele? – eu queria dizer o dragão-rei, mas não consegui dizer o nome, era quase como se não fosse permitido falar naquele momento
-Vamos embora Amy, já está de noite, já deveríamos ter voltado – Will pegou os livros e começou a colocá-los nos lugares e quando terminou começou a andar pra fora
-O que está acontecendo com você? Pra que toda essa raiva? – puxei ele pelo braço antes que ele saísse do corredor, ele parecia irritado, mais do que o normal
-Eu não sei, estou perdendo o controle mais rápido, é uma consequência da perda dos poderes, só pode ser isso, quanto mais fraco um demônio menos controle ele tem sobre sua própria mente, muitos enlouquecem, outro viram serial killer, isso é normal para os fracos, mas com meu poder eu controlava perfeitamente minhas emoções, mas agora eu não sei mais se consigo, fico com raiva mais fácil, perco o controle mais fácil, eu tento controlar, mas não dá, cada vez mais eu fico mais animal, mais instintivo, não é só com a raiva, orgulho, luxúria, ganância, todos os pecados estão queimando mais forte do que antes Amy, muito mais forte
Abracei aquele demônio, não posso negar que estava ficando com pena dele, principalmente com aquele rosto tristonho dele que parecia que iria chorar:
-O que eu te disse antes Will? Você não pode ficar assim se quiser ser o meu namorado – ele me encarou e fez um sorriso bem debochado – O que foi tão engraçado assim?
-Nada, nada
-Se fosse nada você não estaria rindo
-Você é muito estressada, eu pensei que eu que estivesse com problemas de controle de sentimentos
-Eu sou estressada?! – certo que acabei gritando mais alto do que queria e dei um bom argumento pra ele me chamar assim, mas eu não era estressada, pelo contrário – Você que tem problemas pra controlar seus próprio corpo e eu sou estressada?
-O meu caso é diferente do seu senhora es-tres-sa-da – bem, eu poderia ter ignorado aquilo, poderia ter, mas aquela soletração lenta dele foi a gota d’água
Pulei em cima dele contudo pensando em bater nele, mas nos dois acabamos rolando pelo chão e quando vi Will estava em cima de mim prendendo meus braços, seus olhos estavam brilhando em um vermelho sanguinário:
-Bem se você não estiver incomodado poderia sair de cima de mim? – perguntei encarando aqueles olhos, mas Will parecia nem me escutar – Ei Will desculpa, eu me estressei, você estava certo sobre eu ser uma estressada agora sai de cima de mim
Mas então ele só me apertou com mais força, dava pra sentir aquela respiração quente e gostosa dele no rosto e numa situação normal eu ate gostaria daquilo, mas algo me dizia que o que estava queimando nos olhos dele não era apenas uma luxúria ou algo do gênero:
-Will você esta me escutando não está? – mas ele não respondeu nada, eu ia entrar em pânico quando Lua apareceu piando pelo ar e pareceu ter acordado Will do transe já que os olhos dele mudaram de cor
-Desculpe Amy, desculpe – ele disse saindo de cima de mim e então começou a suar muito, seu rosto parecia assustado
-Não foi nada demais Will, não aconteceu nada
-Mas ia acontecer, ia acontecer – ele parecia realmente assustado
-O que você ia fazer?
-Você não vai querer saber
-Eu vou sim, o que você ia fazer se Lua não tivesse aparecido? – se Lua impediu Will de fazer o que ele ia fazer agora era a vez de Sombra fazer isso aparecendo ali fazendo barulho e quase derrubando uma armadura, os dois pareciam cansados então pensei em sair logo dali e peguei a chave, não esperei pela resposta dele e sai dali
Eu estava irritada com aquilo droga, ele estava havia me falado tudo, mas mesmo assim parecia me esconder algo. Quando já estava saindo da floresta e indo em direção ao dormitório Will me pegou pelo ombro:
-Dá pra esperar apressada?
-Não, não da Will
-Qual é Amy desculpe por aquilo, eu te falei que podia perder o controle, eu não consigo mais me controlar direito sem o poder do Rubys por perto – droga não precisa fazer essa cara de filhotinho de cachorro mal amado, acabei correndo e abraçando ele de novo por fazer aquela cara
-Droga Will você podia confiar em mim sabia?
-Eu sei, é só que não posso arriscar te machucar Amy, posso dar meus poderes por você, posso matar qualquer um por você, tudo isso é fácil, mas não sei se ia aguentar te machucar e no meu estado atual isso é muito mais provável de acontecer, mesmo sem meus poderes eu ainda sou perigoso para um ser humano comum e sem sua magia você é isso
Ele podia ter parado na parte de não aguentar me machucar, teria sido melhor pra mim e pra ele, acabei dando um golpe nele de jiu-jítsu e fiz ele ir ao chão:
-Eu não sou uma criança Will
-Eu sei – ele falou se levantando com as mãos nas costas – Mas se você parasse de fingir ser fraca eu também não subestimaria mais você, pare de fingir ser o que você não é Amy
-Certo então Will, eu paro de “fingir” que sou fraca e você para de me considerar uma criança
-Não precisava ter feito as aspas com os dedos sabia – eu falei que realmente faço as aspas de vez em quando? Se não falei antes eu agora falei e se falei antes falei de novo então
Bem depois de mais uma conversa nossa sobre nossos problemas pessoais nos abrimos o portal e voltamos para a academia, parecia já fazer parte da rotina do nosso relacionamento falar sobre problemas causados por perda de poderes, por que a gente não podia falar de coisas normais o tempo todo? Por que sempre acontecia algo sem noção e impensável? Será que não dava pra ter um relacionamento comum com um demônio?
Beleza eu já deveria saber que namorar um ser sobrenatural seria estranho, mas toda essa situação não ajuda em nada, se tudo isso não tivesse acontecido a gente poderia ter um namoro como qualquer outro, mas não, o mundo tinha que inventar de enlouquecer logo quando eu conheço ele, eu só posso ter alguma maldição ou muito má sorte.
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