Notas iniciais
Mais um capitulo saindo do forno para meus queridos leitores :)

XIV – Drake

Toquei na cicatriz, mesmo a ferida já tendo fechado tocar naquela coisa ainda me lembrava daquela dor, o maldito quase arrancou meu peito inteiro com um único ataque, se não fosse pelas doses de sangue humano que estava tomando constantemente eu poderia até ter morrido, mas não importava agora, aquilo já estava no passado e era bom que fiasse ali.

Todos estavam tensos naquela manhã, eles sabiam que eu havia feito uma fiscalização a pedido do diretor e que eu havia perdido dois dos nossos na noite passada, mas ao menos não sabiam como, eles não faziam perguntas que eu não quisesse.

Bebi um longo gole em uma bolsa de sangue e respirei fundo, havia algo de ruim no ar, algo muito ruim. Vesti a blusa do colégio e andei para fora do dormitório, olhei ao meu redor, tinha alguém ali me observando, mas eu não tinha idéia de onde, era quase como se ele não existisse, mas eu sabia que ele estava ali.

Andei em direção do ginásio do colégio e percebi que aquela sensação de estar sendo observado continuava, fui para trás do ginásio onde o sol não chegava e então vi uma figura aparecendo, um ser encapuzado:

-Obrigado por finalmente ter saído do sol e vindo para um local mais fresco – falou o ser encapuzado com um sotaque francês familiar, somente uma pessoa falava daquele jeito

-Harris, o carrasco – falei e o homem retirou o capuz revelando aquele rosto que parecia mais de um rato do que de um humano – O que o carrasco pessoal do meu senhor Vladimir faz nessas bandas?

-Bem seu pai me pediu para fazer um trabalhinho para ele

-E qual seria?

-Vigiar o filho predileto dele

-Bom saber que meu pai ainda se lembra de mim, mas não vejo motivo algum em ter um protetor comigo, sei me cuidar muito bem

-Será mesmo? – Harris me examinou de cima a baixo, ele era forte, podia lutar comigo de igual pra igual e ganhar se fosse necessário – Ouvimos noticias de vampiros sendo exterminados por grupos de lobisomens

-Tem certeza disso?

-Absoluta, eu fui um dos informantes posto a investigar o caso então garanto que isso é real, o senhor Vladimir mandou uma mensagem para todas as tribos mandando que entregassem os culpados para serem mortos por nós, mas nenhuma tribo se manifestou, todos disseram que não foi culpa deles, claro que nosso senhor não engoliu isso e me pediu para que cuidasse do filho dele que esta em uma academia com lobisomens, e me pediu que lhe relatasse caso algum lobisomem batesse no seu filho, o senhor não teria lutado com um lobisomem teria?

-Não Harris, eu não lutei com nenhum lobisomem – droga se ele descobrisse sobre a luta ele não mediria esforços para matar Michael e avisar meu pai do ocorrido – Mas vejo que você bebeu sangue humano sem permissão? – dava pra sentir o cheiro nele, era bastante recente até, talvez de poucos minutos atrás

-A não meu senhor, não foi sangue humana, foi de uma primata

-Sangue de primata?

-Se o senhor soubesse o que aconteceu comigo desde que cheguei aqui

-Então por que não me conta? Tenho alguns minutos até o começo das aulas

-Bem vamos lá então, cheguei aqui na cidade a poucas horas e decide antes de tudo me alimentar um pouco, sei que só podemos beber sangue humano dentro da Romênia ou com permissão dos superiores, mas tive um momento de fraqueza como todo bom vampiro e fui atrás de algum sangue humano de qualidade, achei uma adolescente andando na rua e acabei cercando ela e jogando ela me um beco escuro, mostrei minhas presas e disse que iria morde-la

-E daí? O que isso tem a ver com primatas? Não me diga que a garota era um macaco e você conseguiu se confundir?

-Não foi isso meu senhor, eu jamais cometeria tal erro, eu me revelei para a garota esperando que ela surtasse ou talvez até chorasse, não tem nada melhor do que ver o medo nos olhos da sua vitima antes de matá-la

Harris merecia o titulo de carrasco mais do que qualquer um, ele era um assassino frio e cruel, um terrível psicopata que torturava todo e qualquer um e muitas vezes não bebia o seu sangue, ele só torturava pelo simples fato de querer ver a pessoa gritar. A única pessoa ao qual o carrasco responde é o meu pai por ter vencido ele a vários décadas atrás e no lugar de matá-lo o fez fazer um juramento de lealdade que Harris tem cumprido até agora:

-Mas para minha surpresa meu senhorzinho a garota não ficou com medo, pelo contrário, ela me abraçou dizendo que poderia virar uma vampira e poderia viver um romance por toda a eternidade com a pessoa que ela amava. Agora me explique que tipo de pessoa gostaria de virar um vampiro? Além de mim claro

Harris havia escolhido se transformar, ele havia torturado um vampiro até ele ficar próximo da morte, o vampiro havia prometido que caso Harris o soltasse ele o transformaria em um vampiro e o carrasco aceitou de bom grado. Após a transformação estar concluída Harris matou o cara que havia o transformado e começou a viver décadas e mais décadas de tortura e destruição, um verdadeiro serial killer:

-Essa é a juventude de hoje – falei encarando aquele louco – Eles não nós temem mais, chegam até a existir garotas que nós adoram e que dariam qualquer coisa para se casar com um de nós

-Nunca mais duvidarei daqueles que disserem que essa geração de hoje está perdida – Harris coçou seu pontudo nariz e fungou – Depois disso fui atrás de qualquer coisa que não fosse humana e acabei chegando a um zoológico, o local ainda estava fechado então aproveitei e abati um dos macacos que havia ali

-Droga Harris precisava realmente ter feito isso?

-Eu não poderia dar o meu máximo se não comece senhorzinho, e sabe que seu pai sempre cobra o máximo de todos, principalmente se for uma missão relacionado ao seu filho

-Sim eu sei – e como eu sei – E pra onde vai agora?

-Vou ficar observando de longe, mas não agora com o sol ai, mesmo usando essas roupas ainda a o risco do sol bater em mim e não vai acabar bem se isso acontecer

-Pegue isso seu imprestável – joguei para ele um dos dois anéis que peguei dos cadáveres dos vampiros

-Um anel real? Aqueles que dizem impedir que você queime no sol?

-Não se faça de idiota para cima de mim Harris, todos sabem sobre os anéis e sabem também que são muito raros então é bom cuidar bem desse daí

-Não se preocupe senhorzinho, eu irei cuidar

O vampiro desapareceu nas sombras e eu fiquei sozinho ali, não deveria ter dado um daqueles anéis para ele, eles davam uma vantagem absurda para um vampiro permitindo que ele andasse no sol, mas quando se era um maníaco psicopata essa vantagem era ainda maior já que agora ele poderia matar que ele quisesse a qualquer hora facilmente.

Mas isso não importava no momento, eu tinha coisas mais sérias para me preocupar como um lobisomem maníaco que havia quase me matado e dado início a uma guerra que estamos tentando evitar a todo custo. Andei até o dormitório, peguei minhas coisas e andei até o colégio. Tive o desprazer de passar pelo local onde havia ocorrido a luta da noite passada e as lembranças começaram a vir na minha cabeça.

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Finalmente a luta havia acabado e eu podia descansar, peguei uma bolsa de sangue do meu bolso e abri, não havia nada melhor do que beber uma boa dose de sangue após uma luta, mas acho que depois daquilo eu precisaria beber bem mais sangue.

Poucos segundos após abrir a bolsa de sangue a criatura avançou pra cima de mim, tentei reagir, mas era difícil fazer algo quando um enorme lobisomem marrom louco rasga o seu peito com um potente ataque. Cambaleie pra trás largando a bolsa de sangue que caiu no chão liberando seu conteúdo que começou a se misturar ao meu.

Estava tonto e só consegui me manter em pé com a ajuda do demônio, ele me segurou pelo braço antes que eu caísse, encarei o lobisomem enquanto sentia meu peito destroçado se regenerando, aquele maldito quase tinha me matado, um pouco mais forte e teria arrancado meu coração e talvez metade de cada um dos meus pulmões e mesmo com minha regeneração ampliada eu poderia ter morrido.

O lobisomem apanhou a bolsa de sangue do chão como se ela fosse tão importante pra mim quanto era pra ele, mas eu era um vampiro, ele não. O lobisomem então apertou a bolsa e todo sangue espirrou para dentro da boca dele, o monstrengo engoliu tudo de uma única vez e então uivou loucamente encarando o céu, os olhos verdes dele brilhavam como se fossem duas bolas de fogo e não vou mentir que por um momento pensei que fosse morrer ali.

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Entrei no prédio do colégio e andei até a minha sala, quando entrei um grupo de sete humanos conversavam animadamente sobre os testes que se aproximavam, pra mim seria simples, pois já tinha estudado tudo aquilo várias vezes antes, mas eu ainda na conseguia ver como aqueles caras que antes eram os mais burros da sala tinham evoluído a tal ponto de não se preocuparem com nada, e não era uma falta de preocupação de alguém que já desistiu de tudo, mas sim de alguém capaz de fazer tudo.

Aquilo não me cheirava bem, tanto no sentido metafórico quanto literal, o perfume dos caras era de baixíssima qualidade, aquilo era o que diziam ser um perfume especial que continha testosterona e outras coisas dentro, pra mim essas historias não passavam de besteira para enganar um bando de marmanjos desesperados, além disso tinha algo misturado ao cheiro ruim do perfume, era algo muito familiar, sangue.

Fiquei encarando aquele grupo, eles realmente tinham cheiro de sangue neles, e era recente, mas pelo que percebi não era sangue humano, devia ser de algum roedor. Depois de ficar encarando o grupo abaixei a cabeça tentando repousar um pouco e acabei vendo os sapatos laranja que usavam, algo me atormentou, era quase como se minha cabeça me dissesse que o curso especial e o sangue de roedores estava conectado de algum jeito.

Outras pessoas começaram a chegar, humanos e monstros, e entre eles estavam o meu pequeno grupo de seguidores, todos se sentaram ao meu redor. Falavam sobre coisas que normalmente me interessavam, mas não hoje, muitas coisas haviam acontecido e não estava com cabeça algum para aquelas conversas.

Depois de um tempo o professor entrou e começou a dar aula, biologia, reino animal, mais especificamente iríamos falar sobre mamíferos:

-Bem que tal começarmos comum animal a escolha de vocês? – falou animadamente o professor Felipe

-Morcegos talvez – falou um dos idiotas que eu chamava de seguidores

-Certo, morcegos então, como vocês devem saber eles são os únicos mamíferos que voam – alguns assentiram com a cabeça – Bom, eles também tem uma péssima visão, mas em contra partida possuem uma audição invejável, a prova disso é o sonar que esses seres conseguem se utilizar para se mover com exatidão mesmo em uma caverna escura

Eu havia escutado histórias sobre vampiros com audições tão boas que eram capazes de tal feito como usar um sonar natural, meu pai e Harris estavam nessas histórias:

-Diferente do que muitos pensam morcegos não bebem sangue, apenas três das várias espécies fazem isso, e se alimentam apenas de pequenas quantias que são normalmente retiradas de cães, gatos ou galinhas, não de seres humanos, mas caso um morcego lhe morda você tomar cuidado, esses seres podem transmitir raiva quando mordem alguém, então qual o próximo animal?

-Um lobo – falou um humano da frente da sala – Ontem era lua cheia e eu tenha certeza que ouvi lobos uivaram ontem a noite

-Bem como vocês devem saber os únicos lobos que vivem por aqui nessas bandas são os do zoológico, e não acho que deveria ser capaz de escutar seus uivos a tamanha distância

-Mas eu garanto ao senhor como os uivos eram tão altos que pareciam vir de algumas poucas dezenas de metros

-Você provavelmente só teve um sonho bem realista, apenas isso, vamos começar essa parte de lobos explicando logo algo bem simples, lobos não uivam para a lua diferente do que muitos pensam, eles uivam quando estão felizes, tristes, quando querem chamar a alcatéia, coisas assim, mas não necessariamente para a lua

O homem estava certo, esse papo de uivar para a lua era coisa de lobisomem e não dos lobos, mas a noite era difícil diferenciá-los então os humanos começaram a atribuir os uivos para os lobos, tolos ignorantes.

O professor continuou sua aula explicando sobre os animais que os alunos sugeriam, foi uma aula interessante, o professor estava de excelente humor e isso tornou a aula descontraída e melhorou o aprendizado de todos. Após o fim da aula entrou em sala o professo de física, ele estava com o rosto carrancudo como sempre e isso desanimou a todos que estavam tão felizes

Após a aula irritante sobre mecânica tocou para o intervalo, meu grupo saiu e fomos passear pelos corredores do colégio. Dava para escutar a barriga dos malditos grunhindo de fome, é isso que acontece quando você mima demais seus lacaios, eles não podiam passar um tempo sem se alimentar e já ficavam visivelmente incomodados. Resolvi então que andaríamos até a sala do diretor, eles ficaram animados, eles sabiam que se eu estava indo para lá era para pegar mais bolsas de sangue.

Entrei na sala do diretor, ele estava conversando com alguém quando entrei, era o maldito Winchester, ele vestia uma roupa qualquer e estava com algumas bandagens:

-Ora senhor Drake – disse o diretor olhando na minha direção, mas o caçador-lobisomem continuou sem me encarar – A que devemos a sua presença?

-Preciso de mais sangue diretor, meus seguidores estão com fome, eles são difíceis de serem silenciados, e sem sangue fica ainda mais difícil, não podemos correr o risco deles abrirem o bico

-Sim isso é verdade, mas o senhor acham que sangue será o suficiente para manter aquele outro calado?

-Fala de Harris? – o diretor me encarou como se aquilo fosse óbvio – Eu o entreguei um dos anéis mágicos, isso deve calá-lo por um tempo, e além disso não acho que ele saiba de tudo

-Ele não sabe, mas se quiser pode descobrir facilmente – ele estava certo, eu não podia subestimar Harris

-Eu sei, não entendo o que deu na cabeça de meu pai para mandar logo ele

-Seu pai, lorde Vladimir, está preocupado, e com razão

-Eu soube dos ataques

-Eu pensei que soubesse, e noite passada ocorreram mais deles – engoli em seco aquela revelação, aquilo não era bom, se meu pai soubesse do que aconteceu ontem comigo então ele surtaria

-Por que acha que os lobisomens finalmente estão se movendo para o ataque?

-Eles não estão – falou alguém surgindo na porta, era o lobisomem estúpido de noite passada que não conseguiu prender nosso adorado caçador da maneira correta – Recebi uma noticia essa manhã da minha alcatéia, não foram eles s atacantes e também nenhum de nossos aliados

-O que isso significa?

-The Killers – o demônio entrou acompanhado da sua namorada

-Acha que eles têm a ver com isso?

-É claro que tem, eles possuem uma equipe de lobisomens bem treinados, um grupo capaz de eliminar alguns poucos vampiros sem dificuldade

-Essa é a teoria que meus aliados sustentam – falou o lobisomem – Os the killers são os únicos que gostariam de ver uma guerra entre duas raças, principalmente entre duas grandes raças que nunca se gostaram

-Sim, mas não é só isso, eles não querem só causar tumulto e ver cabeças rolando, esses malditos sempre tem algo debaixo da manga, eles devem estar planejando algo muito maior pelas sombras e algo me diz que tem a ver com a invasão da biblioteca

Maldita biblioteca, ainda tinha marcas daquele lugar:

-Posso mandar uma mensagem para meu pai – falei tentando cortar o clima, parecia que estávamos em uma reunião de guerra ali, e não duvidava que daqui a pouco tempo estaríamos mesmo – Posso tentar por um pouco de razão na cabeça dele e falar sobre a probabilidade dos the killers serem os mandantes dos ataques

-Desculpem crianças, mas acho que os vampiros não vão escutar – falou alguém na janela e vi que era o maldito Harris

-O que quer dizer carrasco? Por que meu pai não escutaria seu próprio filho e perceberia uma óbvia armação

-Porque não é uma armação jovem mestre, não foram os the killers que atacaram, foram lobisomens comuns

-Impossível! – gritou o lobisomem avançando até perto de Harris

-Não ouse levantar a voz pra mim moleque, eu rasgo sua garganta com um ataque antes que consiga dizer “lua”

-E se fizer isso eu mesmo acabo com você antes que diga “a” – falou o diretor se virando na direção do carrasco

-Foi só uma forma de falar diretor Faust, eu jamais ameaçaria um dos seus alunos, pelo menos não dentro da academia

-Bom saber carrasco, agora fale porque o lorde Vladimir não daria ouvidos a nós

-Simples diretor, o senhor sabe como diferenciar um lobisomem renegado de um comum

-A marca – falou o lobisomem já a alguns passos de distância de Harris – Todo lobisomem carrega a marca da sua alcatéia, só seu clã, mas quando são renegados eles perdem a marca

-Isso pequeno lobo, exatamente, e garanto a todos aqui presentes que os lobisomens que atacaram os vampiros ainda tinham suas marcas

-Não pode ser

-Pode sim, nossos mortos são a prova disso, é bom que seus líderes parem de mentir e entreguem logo os assassinos ou então podem acabar causando uma guerra sem precedentes moleque

-Nós não fizemos nada!

-Então é bom achar quem fez! – Harris pulou para próximo do lobisomem e ficou a milímetros do rosto dele – Garanto que a paciência de lorde Vladimir está para acabar, qualquer novo ataque, por menor que seja, mesmo para um único vampiro, e vamos começar a guerra, poderia até mesmo falar para o meu senhor sobre o ocorrido noite passada e assim começaríamos essa guerra agora

-Mas não vai fazer isso carrasco – nas mãos do diretor havia uma bolsa de sangue – Você vai ficar quieto no seu lugar, aquilo foi um acidente como deve saber, apenas um acidente, e se manter sua boca quieta sobre esse acidente vai poder sair daqui vivo e ainda com esse sangue aqui

Harris encarou o diretor e por um momento pensei que o pior fosse acontecer, mas então o carrasco pegou a bolsa de sangue e saiu sem dizer uma palavras sequer:

-Drake – o diretor me jogou uma mala de viagem cheia de bolsas de sangue – Pegue isso e vá, tente manter a boca daqueles outros calados mesmo que pra isso tenha que me pedir uma mala dessa por dia, agora todos se retirem, tenho uma conversa para terminar com o senhor Winchester e quero terminar essa conversa a sós

Todos nós simplesmente viramos de costas e saímos, não seria bom discutir com aquele homem. Os vampiros já iam fazer perguntas quando ergui a mala e eles sentiram o cheiro de sangue, no mesmo instante todos se calaram e me seguiram de volta para a sala. Todos estavam ansiosos para comer, mas teriam que agüentar até o meio dia, não podia arriscar que ninguém nos visse se alimentando.

Deixei a mala escondida em um local seguro e fui para a aula, não consegui me manter concentrado o resto da aula, fiquei apenas pensando na possível guerra e no quanto eu era um inútil naquela situação, tão inútil quanto fui ontem a noite.

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O lobisomem parecia ter comido fermento para bolo, ele havia aumentando seu tamanho, parecia cinqüenta centímetros mais alto e seu corpo estava mais forte, e completamente regenerado. Se enorme corpo fazia uma sombra imponente graças a luz dos postes mesclados a luz da lua, era simplesmente assustador encarar aquela criatura que parecia ter fogo verde no lugar dos olhos.

O demônio estava do meu lado e pude ver que seu dragão parecia agitado demais, aquilo não era um bom sinal:

-Vou precisar do máximo possível dos seus poderes vampiro – disse o demônio agitado igual seu dragão – Você ainda consegue lutar nesse estado?

-Não vou mentir demônio, não sei se poso usar meu melhor, pelo menos não até essa ferida fechar

-Quanto tempo?

-Alguns minutos no máximo

-Não sei se teremos alguns minutos, não queria ter que usar certas coisas ainda tão cedo, mas acho que é nossa única alternativa, Cali etnys

Uma espada de fogo surgiu nas mãos do demônio e ele avançou, do meu lado então apareceu a jovem caçadora e ela me ofereceu sua adaga negra que me fazia tremer de medo:

-Segure ela – a garota disse me passando a arma – E tente pensar como se estivesse se curando

-Como é?

-Faça logo

Peguei aquela coisa em mãos, a arma era gelada, era quase como segurar uma estaca de gelo, tentei fazer o que a Winchester disse e pensei no meu peito se regenerando. Fiquei tentando pensar nisso enquanto faíscas se espalhavam na minha frente, cada golpe da espada flamejante deveria cremar o lobisomem, mas ele só ficava com os pêlos chamuscados.

Continuei pensando na regeneração e então senti uma força anormal me cobrindo e meu peito parecia estar se regenerando mais rápido do que nunca:

-O que você fez isso garota? – perguntei encarando meu corpo que parecia estar envolto em uma energia negra sobrenatural

-Mágica – a caçadora disse mandando uma piscada e então pegou a adaga de volta, senti meu corpo completamente regenerado e só havia uma grande cicatriz no lugar da ferida

Encarei os dois combatentes, as garras do lobisomem se chocavam com a espada flamejante. O combate parecia que duraria horas daquele jeito, mas então o lobisomem acertou um golpe com tamanha potência que fez a espada de fogo se desfazer. Pensei que o demônio se daria por vencido depois daquilo, mas ele só sorriu:

-É Michael parece que você é mais difícil de ser derrubado do que eu pensei – o demônio mandou um sinal para o dragão que sobrevoava ele a poucos metros de distância – Acho que é sua vez agora vampiro

Concordei com a cabeça e parti para o ataque, cobri meus braços com gelo e tentei um ataque frontal direto no peito da criatura, mas ele estava mais rápido e forte do que antes e com apenas um rápido movimento do braço ele me jogou para trás, por sorte defendi o ataque com meus braços congelados, mas em compensação todo meu gelo se despedaçou. Eu não sabia como uma espada de fogo agüentava vários ataques daqueles e meu gelo se despedaçou com apenas um:

-Cali etnys! – o demônio voltou a atacar com sua espada flamejante, mas durante um dos ataques ele falou novamente – Promu etnys

E então a espada flamejante alterou sua forma e se transformou uma corrente de fogo que rodeou e prendeu o lobisomem, o monstro caiu no chão gritando enquanto seu corpo queimava. Por um momento pensamos que tínhamos ganho a luta, mas então o lobisomem começou a se retorcer tentando se libertar da corrente, mas ele não conseguiu, precisava de mais do que fora bruta para fugir dali.

A criatura então começou a uivar, uivava alto enquanto encarava a lua cheia, ele estava se debatendo loucamente, mas não era mais para se libertar, algo estava acontecendo com ele. O demônio desfez suas chamas, mas o lobisomem continuavam a se debater. Em poucos segundos aquela figura enorme começou a encolher, seus pêlos queimados começaram a cair, seu corpo diminuía em altura e em largura, seus enormes músculos encolhiam e em pouco tempo aquela figura sinistra se reduziu ao um humano medíocre caído no chão, nu e desacordado.

O demônio pegou sua blusa e jogou em cima do caçador para impedir a visão de certas partes desagradáveis. O demônio então pegou o Winchester maluco e colocou-o apoiado no ombro:

-Ei vampiro você está bem? – o demônio perguntou já saindo dali

-Estou seu desgraçado – eu não estava nem um pouco bem, eu tinha tomado uma surra de um lobo de baixo nível qualquer, ele havia me massacrado e quase me matou, por pura sorte eu escapei, que droga

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Ao fim de todas as aulas peguei minha mala com sangue e andei para o dormitório dos monstros. Não perdi tempo, assim que entrei no quarto abri uma das bolsas de sangue e comecei a beber, mesmo me alimentando regularmente eu ainda era absurdamente fraco, eu tinha que melhorar isso, não podia mais me deixar vencer por ninguém, principalmente por outro lobisomem, nós não podíamos mais correr riscos, a guerra que eu tanto queria impedir já estava praticamente do nosso lado somente esperado um deslize de algum lado para que ela tivesse início.

Notas finais
Reviews???