Victorian Love
1 Capítulo I
Rose Weasley acordou cedo. Penteou o cabelo com capricho e beliscou as bochechas para dar-lhes um pouco de cor. Hoje era o dia em que Albus Potter, seu primo, voltava de Cambridge, e ela estava feliz o bastante para se arrumar mais um pouco do que era de costume.
Quando a senhora Weasley passou pela porta do quarto de sua filha e a viu em frente à penteadeira, não pôde deixar de abrir um sorriso satisfeito. Ela e sua amiga de longa data, a senhora Potter, vinham conspirando há tempos por um casamento entre os filhos.
Descendo as escadas para tomar o café da manhã, Rose ouviu a mãe, impaciente, acordar Hugo e mandá-lo se juntar ao resto da família. Seu pai estava sentado na cabeceira da mesa, aproveitando a ausência da esposa para poder comer do que quisesse, do modo que quisesse, sem ser repreendido.
— Bom dia, Rosie. Ansiosa para rever Albus?
Ela lhe deu um beijo na testa.
— O senhor não poderia estar mais certo, papai. Sinto muito a falta de Albus desde que ele decidiu estudar direito em Cambridge, e venho ansiando por vê-lo novamente há tempos. — disse-lhe — Mas minha ansiedade não é nada comparada à de Lily, que vem falando incansavelmente no irmão há cerca de um mês.
Assim que Rose terminou de falar, sua mãe desceu as escadas.
— Minha querida cunhada não anda muito diferente. Nem o seu jantar de noivado foi tão planejado quanto este que acontecerá hoje à noite. Ela está se preocupando com os mínimos detalhes para que tudo saia perfeito. E certamente obterá sucesso. — então olhou de esguelha para a filha — Já sabe que vestido vai usar, Rose? Escolha um bem bonito, por favor. Esse jantar é muito importante.
A garota riu um pouco.
— Desculpe a pergunta, mamãe, mas a senhora e tia Ginny não estariam armando nada em relação à mim e Albus, ou estão?
Hermione Weasley se fez de ofendida.
— Você sabe que eu e sua tia seríamos incapazes de fazer tal coisa. — então riu, nervosa — Nem sei sobre que tipo de armação você está falando.
— Mãe, a senhora é, sinceramente, a mulher mais brilhante que eu conheço, mas quando se trata de mentiras, espero que saiba que não é muito promissora. E, com armações, me refiro à colocar-nos lado a lado na mesa, fazer comentários sugestivos, ou sei-lá-o-quê.
A senhora Weasley ruborizou levemente. Às vezes, se esquecia do quanto a filha era atrevida. Foi, então, a vez do senhor Weasley de falar algo.
— Rosie, longe de mim querer que algum marmanjo a leve embora, mas, em todos esses anos, não a vi encantada por nenhum rapaz. Certamente poderia casar-se com qualquer um deles, afinal, você e minha sobrinha são as duas moças mais belas da região. Ao que parece, o problema real está neles, não estou certo?
— Receio que você não possa estar mais enganado. Os rapazes da região não tem nada de errado, bem, pelo menos sua grande maioria. — respondeu — O problema sou eu, que não acredito ser capaz de ter alguém em tão alta conta, a ponto de dividir minha vida e decisões com ele. Além de que, como Shakespeare disse, ser sábio e amar excede a capacidade do homem.
Sua mãe estava prestes a retrucar, quando uma risada veio do alto da escada. Era Hugo, com o cabelo desgrenhado e alguns botões do colete colocados errados.
— Por Deus, Rose! Shakespeare às oito da manhã?! Como consegue? — desdenhou.
— Alcançar a lucidez antes do meio-dia não é para todos, meu caro irmão. — retrucou, ao que Hugo respondeu com uma careta, antes de começar a atacar a comida, ocupado demais para irritar a irmã.
Nesse ínterim, uma das empregadas, Jane, chegou com uma carta para o senhor Weasley e outra para sua filha. Os dois agradeceram, e ela se retirou. "É dos Potter.", anunciou Ronald Weasley. Rose esperou que o pai lhes dissesse o conteúdo da carta para poder retirar-se do cômodo, o fez, porém, apenas por educação, pois estava mais do que ansiosa para descobrir as novidades da carta de sua prima, Dominique, que morava na França.
— O trem de Albus se atrasou. Ele chegará apenas à noite, perto da hora do jantar, e não poderemos buscá-lo na estação. — disse, finalmente.
— É uma pena. — pronunciou-se a senhora Weasley — Teremos de esperar até o jantar para revê-lo, então. Mas fico feliz que o trem tenha se atrasado apenas algumas horas. Por vezes, esses atrasos duram mais de um dia, e Ginny ficaria arrasada se tivesse de desmarcar o jantar. De quem é a carta que recebeu, Rose querida?
— Dominique. — informou com satisfação, vendo o nariz da mãe se franzir levemente.
Apesar de sua reação, a qual já estava acostumada, Rose não se sentiu ofendida. Sabia que a mãe gostava de Dominique, apenas não a julgava a mais sensata das criaturas. Também sabia que a mãe desaprovava a quantidade de irreverência e, por vezes, petulância presentes no caráter da sobrinha, mas, tendo uma filha tão geniosa quanto tinha e igualmente petulante, não se importava tanto quanto algumas damas da sociedade o faziam.
— Com licença. — falou Rose, antes de se levantar e sair para os jardins.
Abriu o envelope com exasperação. Adorava trocar cartas com todas as primas que moravam fora da região, e com Lily também, é claro. Mas, de todas elas, as de Dominique eram as mais bem-humoradas e mordazes, suas favoritas. De todas as primas, a loira era a que tinha o gênio mais parecido com o de Rose. O mesmo não podia se dizer de Lily, que apesar de ser muito estimada, era incapaz de pensar mal de alguém.
"Querida Rose,
É com grande pesar que lhe informo de um grande mal que se abateu por minha amada Paris: chapéus. Eles estão por todos os lugares, estimada prima, e todos são enormes, além de que têm as mais estranhas colorações. Victoire retornou de sua ida à cidade com mais de cinco modelos (todos horríveis) e teve a audácia de me oferecer um! Eu recusei, é lógico.
Como estão as coisas por Londres? Mande um abraço para o tio Ronald e para a tia Hermione por mim, está bem?E, se Hugo estiver acordado, o que seria um milagre, diga à ele que comprei-lhe um presente. Comprei um para você também, é claro. Pretendo entregá-los quando vier à Londres, e, não comente com ninguém, mas ouvi mamãe e papai falando sobre visitá-los ainda neste mês. Estou tão animada!
Pensando em quanto os correios demoram, talvez Albus já esteja em Londres quando esta carta chegar. Se for o caso, diga que estou com saudades e bagunce o cabelo dele por mim, peça que ele desista de ser advogado, também. Quem sabe dessa vez ele me ouve?
Sabe, eu provavelmente não deveria te contar isso, mas Albus está te trazendo uma surpresinha de Cambridge. Eu não disse nada.
Nunca use os chapéus de Paris. Sinceramente,
Dominique Weasley."
Rose voltou para casa, ainda pensando na surpresa de Albus. E no vestido que usaria no jantar. Vestido que ela, aliás, havia se esquecido de comprar.
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