Victim of Love

6 You say that I could show some emotion


Notas iniciais
Olá! Voltei do hiatus, aeeeee. Vou me esforçar ao máximo para não atrasar as postagens x3x Eu revisei os capítulos de 1 a 5, mas nenhuma mudança drástica foi feita, eu só revisei uns erros de continuidade (grotescos) que tinha, mas fica aqui o recado :p Espero que gostem!

Uns dois dias haviam passado desde o acontecido na casa de Aquário e Milo não havia aparecido mais. Entre arrependido e feliz, Camus ainda afogava as mágoas nos destilados e o escolhido da vez era ouzo.

Os últimos dois dias também foram regados a muito sexo, obrigado, com Shura, que deu o braço a torcer por se recusar a acreditar que Máscara da Morte não é hétero e achar Camus sexy por demais da conta.

Então, nesta tarde tediosa de domingo, enquanto Camus e Shura faziam sexo regado a anis, Milo descontava sua frustração sexual em um saco de areia.

Seus dedos já estavam vermelhos e doloridos, mas ainda não sangravam. Já tinha passado da parte chorosa de quando se descrusheia alguém e agora só restava a raiva. Ficou se perguntando se algum dia a raiva acabaria e entraria o desejo de vingança ou se conseguiria ser amigo do francês novamente. Isso porque se visse as fuças de Camus agora esqueceria do uso do cosmo e partiria a cara ruiva na base da porrada.

Suado, Milo parou com os golpes e levantou um pouco da bermuda larga, franzindo o cenho quando ouviu uma voz conhecida atrás de si.

— O que ele te fez, Mi? – disse Shaka, cruzando os braços e se escorando numa pilastra – O Camus fez alguma coisa?

Era meio óbvio que o fruto da irritação de Milo era Camus e não só porque a fofoca rodou nas 12 Casas, mas por que, além de Milo ser um tanto previsível, o saco de areia tinha uma cabeleira ruiva de tinta guache pintada e uma tentativa um tanto falha de armadura de Aquário em amarelo vivo.

— Não é da sua conta, Shaka. – Milo se virou pegando a toalha e enxugando o rosto – Não quero papo com traíras que nem você.

Legitimamente confuso sobre o que cargas d’água tinha feito, Shaka esqueceu de ver como o amigo estava no meio daquela fofoca toda (isso porque, depois da tarde de bebedeira com Mu e Aiolia, Milo se trancou em casa e não apareceu mais) e resolveu tirar satisfação do seu jeito.

Como o virginiano não era muito dado a aceitar desaforos sem sentido, Shaka abriu os olhos calmamente e pôs a mão no ombro de Milo, olhando nos olhos do outro – Nós precisamos ter uma conversinha – sorriu.

Milo estava irritado, mas não era imbecil. Puxou Shaka pela mão, segurando firme, e sentou-se ao lado dele no banco de pedra ali perto. – Começar se explicando é uma boa ideia, Sha.

— Explicar o quê se eu não sei o quê fiz? – perguntou, cruzando os braços – Sei que você está chateado com o Camus, mas eu não me lembro de ter feito algo.

Verdade seja dita, Shaka se sentia meio de fora dos acontecimentos recentes na vida dos amigos. Descobriu pela boca de Ikki parte das fofocas das 12 casas, que Camus transava ocasionalmente com Shura, que Milo e Camus brigaram, que Afrodite engravidou a serva de Aiolos e que Aldebaran estava ouvindo Maísa tomando pinga e comendo mandioca frita depois que descobriu que Mu tinha partido para outra. Isso sem contar que ele mesmo tinha sido alvo de fofoca, já que aparentemente tinha tido um bacanal regado a álcool com Shura e Camus, uma heresia.

Eles contavam pro Ikki. No Ikki eles confiavam.

(a mente de Shaka havia apagado convenientemente a parte em que o mesmo era confidente dos pormenores amorosos de Mu e Aiolia)

Podia ser mentira, assim como sua parte das fofocas o era. Mas não diminuía sua sensação de inutilidade enquanto amigo.

Enquanto o cérebro de Shaka fervilhava de mágoa, Milo respirava fundo e pensava no que exatamente falar –É verdade que você teve um bacanal com o Shura e o Camus e gravaram tudo?

— Você está chateado por conta disso? – ergueu a sobrancelha, em dúvida. Chegava a ser ridículo – Você nem tem nada com nenhum dos dois, vai ficar com ciúmes? – péssima escolha de palavras, Shaka pensou. Milo só se irritaria mais – Digo... Não houve nada, eu sou casado. Sou fiel ao Ikki. Chega a ser ridículo acreditarem num disparate desse.

— Jura?

— Juro – respondeu irritado – Você me conhece, nem devia ter acreditado, é ridículo.

— Desculpa, eu só... – Milo começou, passando a mão pelos cabelos molhados de suor. Se pensasse bem, não fazia sentido não acreditar na palavra de Shaka, por mais estranho que a situação parecesse. E se Ikki sabia e acreditava no esposo, Milo não tinha nada com isso, até porque não era compromissado com Shaka, com Shura e muito menos com Camus – Eu tava obcecado com o Camus.

— Aaaaaaah, jura? Eu não tinha reparado – Shaka respondeu irônico – Todo mundo sabe disso, Milo. E alguma coisa aconteceu entre vocês. A fofoca que rola é que ele te deu o fora.

— Nós fizemos sexo – disse pausadamente. Tentaria falar exatamente aquilo que aconteceu. Nesses dias sozinho, percebeu que sua paixonite pelo aquariano podia modificar, alterar e influenciar em certo nível suas memórias, então era melhor que Shaka tirasse as conclusões – Foi muito bom, no início eu não acreditei porque ele tava muito receptivo. Depois do sexo ele me mandou sair da cama dele, já que, se era isso que eu queria, eu já consegui e não precisava de mais nada. É, é isso.

Shaka assobiou, incrédulo. – Ele deve ter perdido a paciência, você era insistente, dá pra entender. Mas... Milo, eu tive uma ideia.

Mudando de cena para que possamos manter o suspense em capítulos futuros, neste exato momento Mu estava em cima de Máscara da Morte, que estava de quatro em cima da cama do ariano. Era um momento um tanto sensual e íntimo, que foi interrompido pela entrada de Aiolia no quarto.

— Mu você não sabe... – o leonino estancou na porta, mudo. – Ah... Eu...

O ariano deu um grito agudo, assustado, saindo de repente de dentro do italiano, que urrou de dor.

— Caspeta, Mu!

— Ah, desculpa, eu... Eu assustei. Você tá bem? – Mu ajudou Máscara a se levantar, respirando fundo e se cobrindo com um lençol, ainda meio ereto, tentando não enviar Aiolia para a puta que pariu – Pode esperar lá fora, Olia?

Saindo do estado de pânico em que se encontrava, respondeu – Ah, sim. Eu... Desculpa.

Depois que Aiolia saiu e se sentou vergonhosamente no sofá da sala e ficou esperando cabisbaixo, vermelho igual um pimentão, Mu fechou a porta do quarto só para descobrir que a tranca havia quebrado quando Aiolia abriu a porta com força. Soltando o lençol que o cobria, xingou baixinho em tibetano.

Máscara da Morte suspirou fundo enquanto vestia a roupa.

O tempo de espera de Aiolia foi o mais constrangedor e estranho que já tivera em toda sua vida; apesar da vontade de fugir dali e nunca mais olhar as fuças de Mu e de Máscara da Morte, não podia fazer isso. Quer dizer, poder podia, mas se o fizesse, como os encararia depois? Era melhor ir com tudo agora, aproveitar que já estava passando vexame.

E tinha o fato de que o italiano era realmente gay (e passivo) e vê-lo numa submissão tão estranha, tão impetuosa e forte era tão sexy que Aiolia evitava a ereção com pura força de vontade.

De qualquer forma, antes que Aiolia pudesse paudurecer pensando não só em Mu, como era o habitual, mas também em Máscara, teve os pensamentos interrompidos pelo casal, que saíam do quarto como se nada tivesse acontecido.

— Então, Aiolia. – começou Mu, entre irritado e divertido. Sendo a parte da irritação já sabida, a diversão vinha do fato de que Aiolia parecia tão envergonhado e tão excitado com a cena que vira que era ridículo – A que devo sua oportuna visita?

— Eu…– Aiolia ainda tinha a imagem mental de Máscara da Morte de quatro sendo enrabado pelo ariano e isso era tão bizarro e tão não condizente com a impressão que tinha do italiano de um modo geral que, ao invés de cumprir seu intuito de chegar puxando papo aleatório e então pedir perdão a Mu por ter sido um cuzão, Aiolia se pegou pensando em quantos níveis não conhecia não só Máscara da Morte, mas também Mu e todos os seus outros companheiros de armas, que eram a coisa mais próxima de família que tinha. Também rolou quase uma crise de consciência e identidade, mas Aiolia parou de pensar e voltou para a linha de raciocínio original antes que começasse a se perguntar “Quem eu sou? Eu me conheço de verdade? Como eu sou?” e outras perguntas de conteúdo filosófico pesado por demais para a cabeça simples do grego — Eu tinha vindo aqui para pedir desculpas.

— E agora tem mais desculpas para pedir que de início, giusto?¹ – volveu Máscara da Morte, se sentando devagar demais na poltrona da sala, totalmente alheio aos pensamentos impuros que rodopiaram pelas cabeças de Mu e Aiolia – Só não espalha, capisce?

— Ah, claro – começou Aiolia, recuperado do choque – Qualquer um que ouvir “Olha, eu peguei o Mu enrabando o Máscara da Morte e era a coisa mais sexy que eu vi na minha vida” vai acreditar na hora. – gelou momentaneamente ao perceber o que disse, mas deu de ombros. O que era um peido para quem estava cagado? – Digo… Cara, todo mundo é crente que você é hétero, o máximo de gay que te imaginam é como ativo convicto.

Mu, calado até então, abriu a boca para dizer que o ativo e o passivo igualavam em nível de homossexualidade, que só possuía um (ou é ou não é), mas achou melhor não. Estava muito concentrado em não matar Aiolia para começar uma discussão de nível sociológico.

— Então por que o Shura me perguntou se sou gay? – como gay no armário, Máscara tinha pavor de que o tirassem de lá à força – Certeza que dou pinta.

Nesse momento Mu se dividiu em dois:

O primeiro Mu queria muito informar ao namorado que ele dava pinta, sim, muita. Parecia ser inconsciente, mas ele só dava pinta quando as pessoas em volta já sabiam, como nesse exato momento, em que qualquer um de fora que visse ficaria com uma pulga atrás da orelha de Mas esse cara é gay? Parece.

O segundo Mu, o vencedor enciumado, foi o que se manifestou – O Shura te deu mole? Por que não me contou?

— Por que o Shura não me deu mole, idiota – respondeu esbravejando – Ele perguntou se sou gay e saiu.

— Idiota é você por não enxergar que o Shura tá de quatro por você! – rebateu o ariano, cruzando os braços e se sentando – Além do mais, pode ter sido uma pergunta inocente, para ele não invadir seu espaço pessoal. Não precisa necessariamente de você ter dado pinta ou a informação vazado.

— Eu não quero o Shura de quatro por mim! – Máscara começou – Eu não gosto de ninguém de quatro por mim, eu gosto de ficar de quatro, não é tão difícil entender.

— Não foi isso que eu disse.

— Continuando. – continuou o canceriano como se Mu não o tivesse interrompido – Tudo bem se for uma pergunta inocente, mas quem poderia ter vazado a informação? Não são muitas pessoas que sabem disso.

Em Escorpião, Shaka espirrou.

Aiolia estava se sentindo alheio à conversa, então tratou de voltar os holofotes para si. Não gostava de ser ignorado – Pode ter sido na tal suruba em Capricórnio. O Shaka costuma saber da vida de todo mundo, naquele dia ele tava bêbado de sexo. Se ele sabia, vazaria a informação com certeza. Aquele lá deve ter mercúrio em gêmeos.

Mu se estapeou mentalmente, se sentindo culpado. – Não faz sentido ser o Shaka, ele sabe, mas por que eu contei que estou namorando com o Máscara da Morte. Ele não é de fazer intriga no relacionamento alheio.

— Pro Milo o que o Shaka fez foi intriga – Aiolia deu de ombros – A tal noite lá. A maturidade de Ikki muito me espantou.

— Mumu – Máscara começou, logo se arrependendo de usar o apelido carinhoso e corou. – Mu, o Shaka é fofoqueiro. Lembra de onde vazou a informação de que a Marin e a Shina estavam colando velcro?

— Foi do Seiya, Máscara – respondeu Aiolia, ressabiado. Não gostava de lembrar de quando levou chifre. Shina era gostosa e isso era prova de que Marin tinha bom gosto, mas… É. Não era uma lembrança legal – E o pocotó é tão inocente que conta sem querer, não é por maldade.

— O Seiya ficou sabendo pelo Shaka, Olia – Mu disse enquanto prendia o cabelo em um rabo de cavalo alto, o que excitaria Máscara da Morte se o mesmo não estivesse com as partes traseiras tão doloridas pela interrupção abrupta. Mas o efeito foi devastador em Aiolia, que estava controlando a barraca para que não armasse desde que abriu a porta e se deparou com a cena pornô – O Shaka tava conversando com o Ikki sobre isso depois que vocês já tinham terminado e daí o Shaka esqueceu que o Seiya estava junto – Mu deu ênfase na palavra “esqueceu”, com um tom excessivamente irônico – Daí o Seiya espalhou pelo Santuário inteiro que você levou chifre.

Esse não é um assunto que agrada muito Aiolia e isso não era segredo para ninguém. Na verdade, era justamente o fato de que não era segredo para ninguém que o assunto o desagradava. Se sentia quase James Potter ainda que sua memória não lhe desse certeza se a forma animaga do bruxo tinha galhadas ou não. Aiolia não era muito bom em anatomia animal e muito menos com Harry Potter. Era provável que tinha e isso era ainda mais engraçado porque era um veado. Que tinha chifres. E Aiolia era um viado com chifres.

De qualquer forma, Aiolia julgou que era hora de voltar para casa e dar um jeito na sua cabaninha, que não fez questão de esconder quando se levantou. Os olhares de Mu e Máscara acompanharam a virilha momentaneamente avantajada de Aiolia, Mu agradecendo a Atena pelo leonino não feito nada (mais) idiota.

Então, enquanto Aiolia voltava para Leão para fazer uso dos vídeos pornô que tinha e Mu e Máscara da Morte tentavam consertar o dano na porta e nos fundilhos do italiano, Ikki chegava à Peixes, sendo recebido por um desesperado Afrodite.

Notas finais
¹ Literalmente, “certo?”, em italiano. Mas meio que no sentido de “né?”. Isso de acordo com o tradutor, se estiver errado, só me falar que eu corrijo ² Entende? A cena aí do Ikki e do Afrodite tava programada para esse capítulo mesmo, mas achei melhor deixar para o próximo :p Para quem acompanha, Encontrando o Amor da sua vida em nível extremo (outra fic minha, Aiolia x MdM) vai continuar em hiatus até essa fic aqui terminar (já que Encontrando é daquelas fics "endless" e Victim of Love terá contados 19) Obrigado por acompanhar, ler, ter paciência comigo e não desistirem. Amo todos vocês, não deixem de comentar, juro que não mordo! ♥