Victim of Love

7 That I’ve been keeping secrets from you


Notas iniciais
Olha quem voltou.... Pois é, não morri, a fic também não morreu e eu juro que vou tentar postar com mais frequência. Amo vocês ♥

Afrodite não estava muito acostumado a pedir conselhos ou se abrir com os amigos. Não por falta de confiança, mas é que no geral eles não entendiam muito bem boa parte das aflições que o pisciano sofria, como A camisinha estourou, e se ela engravidar?, Transar durante a menstruação dela ou não?, TPM! E agora?, Quando é ok para pedir anal?, e a mais recente Não se desespere! Você vai ser pai!, todos parecidíssimos com títulos de filmes de terror ou livros de autoajuda, o que daria no mesmo dado o contexto.

Isso porque, mesmo entre o contingente pan e bissexual dos moradores das Doze Casas, a quantidade de relacionamentos heterossexuais era bem baixa, motivado pelo hábito dos outros onze dourados de transarem entre si e a escassez de mulheres no Santuário, ainda que isso não seja problema nenhum para o heterossexual solitário com cara de boneca.

O fato é que Josina, serva de Aiolos, estava grávida e o pai era o morador da décima segunda casa e o desespero de Afrodite não só com relação à Josina (com quem não queria se casar, como ditava a tradição) ou com o bebê, mas com Aiolos. Afinal de contas tinha engravidado a serva dele e a história dizia que não era agradável vê-lo irritado.

Certo, não existia a certeza de que Aiolos se irritaria com isso. Shaka se irritaria, com certeza (e é por isso que Afrodite nunca teve nada com Umi, a serva de Shaka, não importando o tanto que queria levar aquela japonesinha para a cama), mas com Aiolos existia a possibilidade de ser tudo levado numa boa.

(aqui um parêntese se faz necessário: respeitar uma garota por causa de um homem, normalmente irmão, pai ou namorado, mas, no caso, mestre, não é uma atitude muito legal. Por isso e outras coisas aleatórias que não necessitam ser explanadas no momento, no Santuário, é de conhecimento geral que Afrodite não é um cara para se casar)

— Isso te abalou tanto assim é? – Ikki disse ao entrar no jardim de Peixes, onde Afrodite estava – Eu não imaginava que era verdade.

— É verdade sim – suspirou, dando espaço para que Ikki sentasse ao seu lado, continuando a falar quando o outro já estava acomodado – É a Josina.

— A moçambicana?

— Ela mesma. Eu não sei o que eu faço.

E nem Aiolos sabia. Simultâneo às lamúrias do sueco, o grego lamuriava com Aldebaran sobre o mesmo assunto: a gravidez de sua serva.

— Ela não pode estar grávida! – exclamou em meio à um gole de caipirinha, feita pelo brasileiro – Quer dizer, é o Afrodite! Olhando para ele nem imaginam que ele tem pinto!

— Você sabe que é falta de educação olhar para uma pessoa e imaginar as partes íntimas dela, não sabe? – Aldebaran respondeu calmo, comendo camarão seco – E não é um problema propriamente seu, mas da Josina e do Afrodite. Ela é uma mulher forte, ela sabe se cuidar. E o Afrodite… Bem, em tese só pessoas boas são Cavaleiros de Ouro.

— Deba, sério isso? – Aiolos o olhou irritado. Fora a prova morta por 13 anos de que essa tese era errônea. – Se minha não-existência por mais de uma década não te serve para refutar sua tese, eu só te digo que o Máscara da Morte é um Cavaleiro de Ouro. E o Saga. E o Kanon por tabela. Aquela armadura dourada não exime o Afrodite de fazer idiotice.

Aldebaran se calou, sabendo que idiotice era uma das coisas que cavaleiros dourados mais faziam. Mas isso não significava que Afrodite iria ser um idiota com Josina. Não obrigatoriamente, ao menos. – É, tem razão.

Em Peixes, Ikki gostaria de dar razão a Afrodite, mas não era tarefa fácil entender as razões do outro, condição primeira para dar razão a alguém.

— Afrodite, calma. – disse Ikki, em pé e de braços cruzados, tentando não pisar em uma das milhares roseiras – Ela tá grávida, e daí?

— Eu não posso ser pai. – começou o pisciano, andando de um lado para o outro, nervoso – E eu não quero me casar com ela. Eu tenho tantos objetivos na vida, Ikki. Você deveria entender, você é bi.

— E? – ergueu a sobrancelha – Olha, eu fui abandonado pelo meu pai. Meus irmãos também foram¹, assim como boa parte dos caras daqui. Não acho que deixar a Josina à própria sorte é uma opção.

— Eu sei! Eu só… Não sei.

As reclamações inúteis, repetitivas e sem sentido de Aiolos e Afrodite ecoaram por meses, até que a criança nascesse, uma menina, Noémia e o cavaleiro assumisse suas obrigações de pai (e sendo um pai de verdade, um que nunca teve), ainda que não tenha se casado com Josina. Mas como não é esse o foco da narrativa (ainda que deveras interessante), voltemos o foco para o hexágono amoroso que nos compete sem, no entanto, dar um salto de tempo de tamanha proporção, pulando apenas algumas horas no futuro, permanecendo, ainda assim, no mesmo dia.

Neste momento, que requereu mais do que o normalmente aceitável ao situar o leitor no tempo e espaço, Shura visitava a casa de Virgem.

Shaka não era o melhor anfitrião do mundo por pura falta de prática e nem gostava de praticar, verdade seja dita. Hoje, mais amargo que o normal, recebeu Shura só porque foi vencido pela curiosidade, levando em conta a cara de quem comeu e não gostou que o capricorniano fazia.

Na cozinha e tomando masala chai quente que o indiano tinha acabado de fazer, Shura fez uma careta ante ao gosto forte de especiarias e começou suas lamúrias.

— Shaka, eu conversei com o Máscara da Morte.

Shaka ergueu uma sobrancelha, curioso. Sorveu o chá com calma. Desde quando tinha virado conselheiro amoroso? – E qual foi a conclusão?

— Que ele é hétero. – respondeu nervosamente. – Eu fui lá, falei com ele e fui trouxa.

Bebendo mais chá e ainda calmo, o virginiano tentava tirar alguma conclusão lógica daquilo. Tinha certeza da informação, suas fontes eram confiáveis. – Ele mentiu.

— Como tem tanta certeza? – Shura pôs o masala chai de lado – Você não estava lá.

— Então me conte direitinho.

Shura então se pôs a contar em detalhes sobre como tinha invadido a casa da Máscara da Morte enquanto o mesmo dormia e, apesar das palavras duras que Shura tinha certeza que não demonstravam irritação, perguntou mesmo assim, na lata, se Máscara era gay, sem, no entanto, falar abertamente que tinha interesse.

Não sendo o melhor conselheiro amoroso do mundo por ter uma linda vênus em virgem e ter um excesso de pragmatismo irritante e falta de tato emocional (o que fazia com que Ikki frequentemente dissesse que Shaka tinha a inteligência emocional de um kiwi), Shaka disse umas verdades que precisavam ser ditas, sem se importar com os sentimentos do amigo a sua frente. – Shura, você é muito burro.

— Quê?

— Você fez tudo errado. Eu sei que tá errado – a inteligência emocional de Shaka parava aí; ele sabia que estava errado, mas não conseguia enumerar os itens.

A inteligência emocional de Shura e de Shaka não eram muito diferentes

(mais tarde, quando Shaka contou para Ikki, que fez uma listinha dos erros em um papel de caderno, que foi entregue para Shura depois, que ignorou a lista por estar muito ocupado pensando nos próprios sentimentos, relacionado com o fim da conversa que foi interrompida por essa nota adicional)

— Tá, mas o que tem de errado? E por que acredita que ele está mentindo?

— Shura, meu caro – começou depois de terminar o chá – Minhas fontes são confiáveis. Eu tenho certeza.

— Então o que eu faço? Vou lá de novo?

Shaka se dividiu entre pedir Shura para procurar alguém mais habilitado para conselhos amorosos (como Milo, Aiolia ou Mu) ou jogar outras verdades na cara do amigo. Como não pedia a oportunidade, escolheu a última opção – Por amor de Buda, por que motivo você quer o Máscara da Morte se para namorar o Camus só te falta o pedido?

Shura ergueu uma sobrancelha em dúvida e ficou parado por longos segundos, absorvendo a informação. Mentalmente, fez uma lista de coisas que namorados normalmente faziam e riu. – Não faz sentido, Shaka. Ele gosta do Milo…

— Apesar de não querer nada com ele…

— E se nós namorássemos eu não ficaria falando do Máscara da Morte com ele. – Shura continuou como se não tivesse sido interrompido. – O que você tá falando é loucura.

— Pode ser um relacionamento aberto. Hoje em dia temos dessas modernidades. – Shaka se levantou, levando as xícaras para a pia – E não é como se alguém pudesse mandar em como você e seu namorado devessem se relacionar. – se virou e olhou direto nos olhos de Shura, ainda que com os olhos fechados, e continuou – Eu só digo que o que você tem pelo Máscara é puro tesão. Eu não entendo muito de sentimentos, mas de tesão eu entendo, pode acreditar.

Foi esse o fato que fez com que Shura passasse o resto da noite pensando. Será que eu gosto do Camus e só sinto um puta tesão no Máscara?, Será que o meu relacionamento com o Camus é tipo um namoro? e a mais importante O que será que Camus acharia disso?

E é por isso que vamos mudar o foco da narrativa para um dos três pontos do triângulo Camus x Shura x Máscara da Morte, ponto esse que também era parte de outro triângulo, Máscara da Morte x Mu x Aiolia, triângulo esse que era discutido no momento pelo casal.

— Ettore, eu só tô te dizendo que pode ser uma boa ideia.

Máscara olhou para Mu irritado. Mu só o chamava de Ettore quando queria manipular. De braços cruzados e cara trunfada, não era hoje que a estratégia daria certo – Mu, eu sei o que o Aiolia quer. E não é eu.

— Mas ele é um amor de pessoa. E olha o tamanho dos braços dele.

Olhando de rabo de olho para o namorado e se perguntando mentalmente onde o Mu tinha visto que os braços do Aiolia eram tão sensuais assim se os meus (de Máscara) eram maiores, ao invés de esbravejar, decidiu usar sua veia canceriana e manipular de volta (um pouco) o namorado – Você tá é querendo um ativo. Cansou de mim. – disse choroso.

Mu girou os olhos internamente. Sabia que ia chegar a hora da manipulação. – Você até tenta ser ativo, amor, mas você é horroroso nisso. Eu e um vibrador somos melhores.

— Eu não gosto, o que você queria?

Interrompendo a cena para situar o leitor, estavam ambos na sala de jantar do Templo de Câncer após jantarem spaghetti alla carbonara, momento em que Mu escolheu para perguntar “E aí, amor, vamos chamar o Aiolia para uma suruba?” com estas exatas palavras.

— Que você se esforçasse mais? Sei lá! Poxa!

— Se você quer o Aiolia, eu não sou o suficiente?

Foi a carta que Máscara jogou, na qual Mu ficou sem reação. Longos minutos se passaram em sua cabeça, no que ficou se perguntando se queria Aiolia por Máscara ser ou não suficiente, antes que pudesse formular uma frase inteligível e que não acabasse com seu namoro – Eu amo você, de verdade – se levantou da cadeira, e beijou Máscara, de leve – Eu só acho que seria uma… Mudança de ares. Entende? Como uma fantasia sexual?

— Uma fantasia sexual? – enxugou as falsas lágrimas, irritado – Eu não… Então tudo bem se eu pedir para você usar uma fantasia de couro e um buttplug enorme enquanto fica amarrado na cama e eu te chupo todinho e depois você me come com eu controlando tudo? – Máscara tinha dito a primeira coisa bem louca que tinha vindo na sua cabeça que não envolvia algo mais pesado – Ia ser só “ok, Ettore, vamos passar na loja e comprar as coisas”?

Mu ponderou por um momento, imaginando a cena. Rapidamente ficou excitado e teria uma longa conversa a sós no banheiro de Áries quando chegasse lá – Olha, foi uma ótima ideia, na verdade.

— Mas… – sem palavras, Máscara da Morte descontou a frustração bebendo vinho pela boca da garrafa. Não era possível que Mu era safado a esse ponto. – Qual é seu limite, hein? – disse depois de soltar a garrafa – Tem certeza que é só sexo?

— Absoluta. – volveu Mu, tentando não transparecer o ar de “vitória!!” que sentia – E ainda tem que falar com o Aiolia. Acaba não sendo 100% de certeza. Entende?

Máscara entendia. Fez bico, contrariado, o que despertou ainda mais os interesses particulares de Mu, que o puxou de lado, enchendo de beijinhos, no que passaram a noite juntos em uma sessão de sexo romântica e totalmente diferente das hipóteses discutidas anteriormente.

Notas finais
¹Tô usando aqui a versão do mangá (não só da aparência deles), então o Ikki, Shun, Hyoga, Shiryu e Seiya são irmãos, assim como os outros bronzeados, Jabu, Geki, Ichi, Nachi e Ban. Dentre as poucas coisas do anime que vai ser usado na fic e que vai ser relevante é o cabelo do Mu. Amo muito o cabelo lavanda dele pra aceitar ele loiro azedo. Então, o Afrodite vai ser papai, a fofoca era verdadeira. Apesar de não ser o foco da fic e nem aparecer de novo o fato no decorrer (acho), achei necessário uma ceninha (ou algo assim) pra mostrar um tico do Afrodite no meio disso tudo. Não teve Milo e Camus nesse capítulo, mas valeu, não? Obrigado quem acompanha, quem lê, quem comenta, quem favorita e quem recomendou. Amo todos vocês. Até ♥
Este é o último capítulo disponível... por enquanto! A história ainda não acabou.