Victim of Love

3 I’m building a wall


Notas iniciais
Olá! Mais um capítulo! Obrigado pelos comentários, favoritos e acompanhamentos, é muito importante pra mim >3< Amo todos vocês! Certas coisas me deixam uma impressão meio ooc, sabem? Então qualquer coisa me desculpem :( Acabou acontecendo sem querer querendo.

Naquela manhã Milo já estava irritadiço por ter sido negado duas vezes. Sua raiva só aumentou ao perceber a ausência do aquariano, então assim que os treinos acabaram tratou de ir procurar Camus, não sem antes tomar banho e vestir sua melhor camisa de linho branco, com os cachos definidos soltos ao vento e seu melhor perfume. Camus não resistiria.

Acontece que, de ressaca, com fome e uma dor de cabeça dos diabos, Camus soube das intenções de Milo assim que abriu a porta e se deparou com todo aquele ser e aquela aura sexy e resistiu. Girou os olhos mentalmente e, cansado, deu abertura para o amigo entrar.

— Por que faltou no treino matutino hoje, Camus? – começou Milo, em um misto de preocupação e ciúmes – Não é muito responsável ficar faltando aos treinos, daqui a pouco, se você continuar bebendo como eu sei que você bebe, vai parecer um tiozão com barriga de chope.

Apesar de não aparentar, Camus não estava com muita paciência, então tratou de cortar o assunto – Vou me cuidar, Milo. Era só isso?

Milo jogou os cabelos para trás e sorriu sexy, em uma tentativa falha de afetar Camus – Eu só vim saber como você estava.

— Com ressaca. Passei a noite com o Shaka lá em Capricórnio.

Como não podia deixar de ser, pessoa ciumenta que era, Milo se corroeu por dentro e já imaginou mil e um bacanais entre os três, o que não tinha acontecido exatamente. Quer dizer, Camus realmente transou com Shura, mas a bebedeira que incluiu Shaka foi sexualmente inocente, mesmo envolvendo os três dourados nus.

Não que o grego vá entender isso. Para ele saber que Camus tinha passado a noite bebendo com alguém era indício suficiente de que tinham feito sexo até o sol raiar.

— Não é muito responsável fazer bacanais em dia de semana, Camus. – Milo começou soltando o verbo, tentando conter os ciúmes que sentia. Era irracional e ele sabia, até porque ele não tinha nenhum tipo de relacionamento com nenhum dos envolvidos – Eu esperava mais de você.

Camus deu um riso de lado. Percebera que Milo estava enciumado e isso o irritava levemente. Se nem namorava o outro e ele já estava com ciúmes de algo que não aconteceu, o quê o grego não faria se estivessem namorando?

Não, não estava disposto.

— Tudo bem.

A resposta seca do amigo deixou Milo pasmo. Era um sinal de que Camus não se importava nenhum pouco com o que Milo pensava (o que era verdade) e que ele estava disposto a ter mais bacanais com Shura e Shaka (o que era mentira).

E, no topo disso, tinha o Ikki. Shaka tinha compromisso e saía tendo bacanais assim pelas Doze Casas? Como ficava Fênix nisso?

Foi assim que, decepcionado e determinado a trazer Camus de volta à razão, Milo o beijou.

O beijo não durou muito, já que Camus detestou a invasão à sua privacidade e começou a congelar os lábios de Milo, que se afastou reclamando. O francês estava muito irritado e não fazia questão de esconder.

— O que pensa que está fazendo, Milo? – volveu Camus, incisivo – Não lembro de ter te dado tanta liberdade.

Estupefato pela reação de Camus e iludido, Milo ficou sem reação. Os lábios estavam dormentes e doíam um pouco, mas nada era comparado à decepção que sentia no momento.

Então era por isso que Camus não o correspondia. Ele tinha um relacionamento às escondidas com Shaka e Shura. É. Fazia todo o sentido do mundo.

— Eu não esperava isso de você, amigo – Milo foi se afastando em direção à porta, dramático – Ou melhor, esperava. Teve aquela história com o Sutrtrtrt, não é?

De irritado Camus passou para confuso. De que diabos Milo estava falando?

— Quê? – eloquente, Camus estreitou os olhos – O quê isso... Como?

Magoado, Milo ficou dividido entre sair de Aquário chorando como uma donzela ou ser agressivo. Como não queria machucar Camus, por mais que no momento quisesse fazê-lo e muito menos derramar lágrimas de desilusão, optou por um terceiro caminho, qual seja abrir a boca no trombone.

Enquanto Milo se iludia e deixava um Camus confuso e de ressaca para trás, Mu se alongava no pátio de casa, feliz e relaxado depois de uma noite sensacional em Câncer.

Ele estava meio alheio aos acontecimentos amorosos que permeavam o Santuário, mas não era como se Mu realmente quisesse se inteirar do assunto. Na verdade, não se importava muito com as coisas que aconteciam que não o envolviam diretamente, então no geral só se mantinha distante e um pouco recluso.

Sua maior dúvida no momento era se era melhor ser passivo com Aldebaran ou ativo com Máscara da Morte e o ariano calculava os pós e contras enquanto se esticava em poses ridiculamente difíceis para meros mortais e extremamente úteis na hora do sexo.

Shaka devia conseguir se alongar assim, Mu pensou e imediatamente afastou o pensamento. Se começasse a pensar em Shaka se alongando ia acabar encasquetando com a idéia de transar com o amigo, que era compromissado, então era melhor cortar o mal pela raiz.

Ia começar a ensinar yoga ao italiano gostoso da quarta casa. É.

Quando Aiolia chegou a Áries, o dono da casa estava plantando bananeira, de braços esticados. O leonino deu de cara com a bunda do ariano e ficou observando as redondezas vestidas com um collant apertado. Logo Mu fez uma ponte, ficando com não a bunda, mas a parte frontal de frente para Aiolia.

Em dúvida se continuava observando ou não, o leonino decidiu ser uma pessoa decente e deixar o outro ciente da sua presença.

— Mu? – Aiolia disse, aproveitando a vista enquanto podia – Tá ocupado?

O ariano sorriu ao ouvir a voz do amigo e ficou de pé com calma, para não se estatelar no chão e nem distender algum músculo – Aiolia! Olá!

O grego se sentiu como quando adolescente, só faltando a tinta vermelha no cabelo. Praticamente paudureceu ao lembrar as posições anteriores de Mu somados ao sorriso do mesmo de agora. O problema era que, agora que estava aqui, não sabia muito bem o que dizer. – Ah, eu... – imediatamente Aiolia se lembrou de Aldebaran e pediu desculpas mentais ao taurino por enfiá-lo despropositadamente em suas investidas amorosas, ainda que ainda não tenha o avisado disso. E também tinha Milo, que se soubesse que Aiolia recusara sua ajuda e requereria a do brasileiro, viraria uma arara – Eu tava pensando em tomar umas cervejas com o Debas em Touro, acompanha?

— Eu não bebo. Você sabe disso.

— Oh. – Aiolia se estapeou mentalmente. Falou sem pensar, de novo, se esquecendo desse pequeno detalhe.

Mu sorriu. Sabia o que o amigo viera fazer. Era um tanto excessivamente evidente e Mu estava longe de ser uma pessoa cega para os sentimentos alheios; só que, no geral, não se importava. Verdade seja dita, se não estivesse namorando o melhor bottom do mundo (surpreendentemente escondido dentro de um italiano ranzinza e em Nárnia), certeza que corresponderia às investidas desconcertadas de Aiolia.

No geral, o tibetano não tinha vocação para enganar as pessoas ou ficar enrolando, então seria direto e cortaria o mal pela raiz – Porque você não é direto e para de enrolar, Aiolia?

Contraditório ao que normalmente se espera de Aiolia ao conhecê-lo, ele era um tanto travado e careta com relação a romances. Isso era um tanto estranho, já que tinha Vênus em leão e não combinava nenhum pouco com o estereótipo do signo ou a pessoa que Aiolia aparentava ser.

Longe de culpar os astros e culpando sua infância e adolescência rebelde e um tanto reclusa, incapaz de ter interações sociais que não fossem permeadas por ofensas e certo nível de violência, Aiolia deu de ombros mentalmente. Já que Mu tinha pedido para ser direto, engoliria parte da ansiedade e do acanhamento e falaria sério.

— Mu, eu estou a fim de você – tendo noção do quão adolescente isso soava quando dito em voz alta, o leonino tratou de completar a frase – Digo, não com relação apenas a sexo, mas eu queria te conhecer melhor, sabe?

Por dentro, Mu ficou se perguntando o quê diabos acontecera com Aiolia. Era como se ele estivesse sob efeito de alguma poção ou qualquer coisa que abrandasse sua personalidade, por que tanta calma e romantismo não combinavam com o amigo que tinha. Por fora, Mu riu um tanto nervoso. Céus.

— Aiolia, eu tenho namorado.

Aiolia piscou repetidamente, tentando absorver a informação. Ok. Os sentimentos de amigo traído superavam o de coração partido, então ao invés de ficar choroso ou que o valha por aparentemente não ter chances com o ariano, Aiolia ficou irritado por não ter sabido antes de uma informação tão importante.

— Como assim você tem namorado e nunca me contou?

— Ele ainda está no armário, eu nem sei se posso te contar quem é.

— Ah, vá, Mu. Isso é desculpa para me dar um fora. – era melhor acreditar nisso, mesmo que na mente de Aiolia fosse difícil conceber alguém que o rejeitasse, do que aceitar que Mu namorava e não tinha aberto o bico ainda sobre o assunto. – Fala sério, Mu.

Mentalmente, Mu perguntou ao namorado se tinha problema contar dos dois para Aiolia, recebendo um Cazzo, fai quello che vuoi, ma solo mi lasci dormire¹ como resposta. – Então, é com o Máscara da Morte.

Erguendo a sobrancelha em dúvida, Aiolia riu com escárnio – Eu não sou idiota, Mu. Você podia me rejeitar como uma pessoa decente.

Mu engoliu o impulso de fazer o grego engolir as próprias palavras na base da porrada e/ou mostrar por a mais b que tinha sido uma pessoa decentíssima ao contar a verdade e rejeitá-lo de forma direta e incontestável, mas resignou-se a fazer uma careta de desgosto – Tudo bem, é mentira. Mas minha resposta é não.

Enquanto Aiolia estava passado e engomado com uma negativa tão incisiva, em uma situação bem parecida com a de Milo no dia anterior, Shura entrava em Câncer. Sabia que o dono da casa estava dormindo, como normalmente fazia depois do almoço, então decidiu por arriscar e visitá-lo, quem sabe confirmar a informação de que ele de fato curte outros caras.

Shura diria que foi uma noite proveitosa, essa última.

De qualquer forma, não encontrou o italiano dormindo como o esperado. Ele estava sentado na cama e com cara de poucos amigos e apertou a carranca ao ver Shura assim, dentro de seu quarto, do nada e sem pedir permissão.

— O que cazzo está fazendo aqui, Shura?

— Perdão, mas é que achei que você estava dormindo.

— O que cazzo você queria fazer comigo dormindo no meu quarto, Shura?

Shura, um idiota social, não percebeu o quão errado suas atitudes soavam. – Ah, eu queria conversar com você.

— E para isso entra no meu quarto enquanto acredita que eu estou dormindo?

— Bem, é. – respondeu simples – Mas você não está dormindo, então tudo bem.

Longe de conseguir enumerar a quantidade de coisas erradas que estavam acontecendo com relação à Shura nesse momento e já irritado por conta de Mu tê-lo acordado para perguntar se podia contar para Aiolia (mesmo que achasse muito fofo o namorado pedir permissão antes de abrir o bico), Máscara da Morte explodiu.

— Não, não está tudo bem, Shura. Pra fora, vai.

Quase gritando e se contendo apenas por motivos de não querer ter que buscar o espanhol no inferno depois, o cosmo de Máscara já se encontrava perigosamente alterado. Shura percebeu e até sabia o motivo, mas não conseguia entender porque se irritar tanto com o fato.

— Só me responde uma coisa primeiro.

— Vai. Pergunta que eu te respondo com o punho nas fuças.

Ao invés de interpretar isso como “não pergunta nada e só sai da minha casa”, que era a mensagem que o italiano queria passar, Shura entendeu como “pode perguntar”, abrindo o bico, fazendo a irritação do italiano atingir níveis estratosféricos.

— Eu queria saber se você é gay.

A única coisa que impediu o encontro do punho de Máscara da Morte com o queixo de Shura foi a estupefação do primeiro, que acreditava piamente que não dava pinta de gay. Não eram muitas as pessoas que sabiam, cacete e não acreditava que fossem contar assim. Caralho, se não tinha dado pinta, como então Shura sabia?

— Quê? Claro que não. – respondeu meio gaguejando. Com sorte Shura acreditaria, mas esse era o menor dos problemas.

— Oh. Tudo bem – imediatamente o cenho de Shura caiu. Decepcionado e decidido a ter um papo com Shaka sobre fofocas, foi falando enquanto saia de dentro do quarto de Máscara – Desculpe a interrupção.

Ok. Então Shura acreditou. Mas agora Máscara da Morte tinha um problema maior. Como Shura sabia? Por que ele desconfiou? Por que, de todos os lugares que o italiano esteve na vida, o armário era o melhor deles, não era?

Ainda mais irritado que o costume, Máscara da Morte desceu as escadarias.

Notas finais
¹"Caralho, faça o quê quiser, só me deixa dormir." Eu não falo italiano, a tradução foi feita no Google. Caso esteja errada, só me avisem para eu corrigir. Espero que tenham gostado! Até o próximo ♥ Revisado em 11/01/17