Victim of Love

4 Every day it’s getting higher


Notas iniciais
Olá! Desculpem a pequena demora. Foi feito com todo carinho!

Milo realmente estava irado com Camus. Como o francês ousava ter aventuras sexuais com pessoas diversas quando o tinha ali, cheio de amor para dar? E tinha Shura e Shaka, dois fura-olhos filhos de uma puta que ficam com Camus mesmo sabendo que um amigo era a fim! E Shaka era compromissado, como tinha coragem de trair Ikki assim?

Movido pela raiva e ciúmes cegos, Milo não tinha parado para pensar que a história poderia não ser bem assim e que, mesmo que fosse, Camus tinha o direito de transar com quem quisesse, quando quisesse e com quantas pessoas quisesse que isso não lhe dizia respeito.

Isso não entrava na cabeça do escorpiano, a ideia de que pessoas não são objetos e não se pertencem, ideia essa que Camus levava para a vida.

De qualquer forma, o grego queria se vingar, então desceu para Virgem e aproveitou a ausência de Shaka para ter um papo esclarecedor com Ikki.

— O que você quer, Milo? – volveu Ikki, desconfiado, se encostando em uma pilastra.

Milo riu de lado, irônico – Fiquei sabendo de algumas coisas sobre o Shaka noite passada.

— É, ele me disse. Passou a noite jogando conversa fora e bebendo nu com o Shura e o Camus.

Milo arqueou uma sobrancelha. Será que Ikki entendeu mesmo a situação? Que o marido dele tinha passado a noite com dois outros caras? Nus? – Você entendeu que o Shaka passou a noite, nu, com dois outros caras, não é?

Como tinha ficado sabendo da parte dos nus agora, Milo teve ainda mais certeza de que o tal bacanal rolou.

Ikki suspirou. Já tinha tido sua cota de drama, antes e depois do sexo – Ele mesmo me disse. Disse que foi strip poker e verdade ou desafio. E que estavam os três bêbados.

— E você não fica com ciúme, cara? – volveu Milo, estupefato – Atena sabe o que ele não fez com o Camus e o Shura!

— Ele me garantiu que não rolou nada sexual – volveu irritado. Não queria tocar nesse assunto e mal tinha terminado a DR com o indiano e já vinha Milo enfiando o bedelho – Eu fico enciumado, claro que fico. Mas ele é meu marido, não posso ficar fazendo tempestade em copo d’água. Tenho que confiar nele. Além do mais, porque você veio fazer intriga? Que eu saiba você não tem nada com nenhum dos três.

Nesse momento dois pensamentos ficaram dividindo a mente do escorpiano:

a) Que Ikki tinha amadurecido muito com o casamento, levando em conta que, tempos atrás, quando ainda namorava Shaka, a mesma situação seria motivo de brigas eternas e

b) Que aparentemente ninguém nesse mundo era sensato para perceber uma traição. Era todo mundo trouxa.

Milo não percebia que ao menos 80% do Santuário não compartilhava desse modo de vida possessivo e enciumado (mesmo que menos de 10% de fato fossem borboletas livres como Camus), mas fato é que ele se sentiu como um idiota ao receber um esporro de Ikki. Ainda mais quando Ikki estava errado. Para Milo, ao menos.

O caso é que Ikki não tinha muita paciência para as loucuras de Milo, ainda mais quando, se desse ouvidos, colocaria seu casamento em risco. Era melhor não.

— Então você não vai fazer nada?

— É, não vou fazer nada – volveu o leonino, impaciente – Era só isso?

Irritado, Milo franziu o cenho e desceu as escadarias sem dizer muita coisa. Precisava descontar as frustrações com sexo e hoje Aiolia não teria coragem de recusar.

Aiolia esse que já se encontrava em Leão, bebendo e enfiando a cara no sorvete.

— Eu levei um fora do Mu – começou Aiolia, quando viu Milo entrando – Estou descontando a frustração em cerveja e sorvete de chocolate.

Milo riu. Aiolia devia estar muito apaixonado para reagir assim. – Você é melhor que isso, cara.

— Ele inventou que estava namorando, acredita? Ao invés de dizer “não” na cara.

— Inventou? – estranhou. Mu não era dado a mentiras, ainda mais quando podia magoar outra pessoa. – O que ele te disse?

— Que estava namorando o Máscara – Aiolia respondeu depois de tomar um gole de cerveja e uma boa colherada do sorvete e continuou, de boca ainda meio cheia – Tipo, o Máscara da Morte. Todo mundo sabe que o Máscara é hétero.

Milo piscou. Poderia ser verdade. Não imaginava como alguém recusaria transar com Aiolia, que era mó gostoso. A única alternativa era ser compromissado. É. Era verdade. – Olha, eu não acho que é mentira não. E se o Máscara só está no armário, cara?

— O Máscara da Morte não tem cara de gay.

— E gay tem cara? Tu também não tem cara de gay e é todo glitterizado. – Milo se sentou ao lado de Aiolia no sofá e continuou, tirando a colher das mãos de Aiolia e tomando sorvete – E o Afrodite é todo montado no look com trejeitos mais femininos que os da maioria das amazonas daqui e é hétero, por mais impressionante que seja.

Às vezes Milo tem rompantes de sabedoria.

— Acha mesmo que ele não mentiu?

— Acho. Não é do feitio do Mu, cara.

— Tenho que pedir desculpas então – Aiolia suspirou enquanto bebia mais cerveja. Engolir o orgulho era difícil, mas por Mu o faria – Mas vem cá, o que você veio fazer aqui?

— Sexo. – respondeu simplesmente – Eu fiquei irritado com o Ikki, que não ouve a voz da razão, e vim até você em busca de sexo.

— Caralho, Milo, tu não sabe ouvir um “não” não?

— Não.

Aiolia bufou. Estava a um ponto de concordar, mas primeiro tiraria aquilo a limpo – O que aconteceu entre você e o Ikki?

— Não é entre eu e Ikki. É que o Ikki não quer ouvir a voz da razão e eu fiquei puto e quero sexo. E nós dois já transamos milhares de vezes, não vejo problema.

Se estapeando mentalmente e buscando paciência na cerveja, o leonino continuou – Maçãzinha do meu viver, não foi isso que eu perguntei e você sabe disso.

Fazendo careta para o apelido e tomando mais sorvete, Milo disse – Então, eu fui lá em Aquário mais cedo e o Camus disse que ele passou a noite bebendo com o Shura e o Shaka.

— Tá, e daí?

— Ele, o Shura e o Shaka. Bebendo em Capricórnio. Nus. Passaram a noite e o Camus me recusou um beijo.

— E...? – para não mandar Milo para o raio que o parta por causa de tanta idiotice, Aiolia bebeu mais cerveja – Isso não diz nada.

— Você é um idiota, Olia.

— E você, paranóico.

Milo bufou, tentando concluir o raciocínio – Ele fez um bacanal com os outros dois, tenho certeza disso. Eu fui contar para o Ikki e ele não me ouviu.

— Calma, calma lá. – volveu Aiolia, rindo de quão ridículo Milo soava – O Camus te disse abertamente que isso rolou para você ir fazer intriga no casamento alheio?

— Dizer ele não disse com palavras, mas você conhece o Camus.

— Eu conheço o Camus e o Camus não tá a fim de você. Desencana, Milo. – continuou, preocupado – Mas o Ikki não acreditou em você, não é?

— É, ele disse que desconfiar assim arruína casamentos e que Shaka mesmo o contou e disse que não rolou nada.

Aiolia sorriu. Ikki tinha amadurecido muito. – Então desencana do Camus e deixa pra lá, cara.

— Eu amo o Camus, não dá pra desencanar! – Milo estava estupefato. Como alguém desencanava assim de outra pessoa? Não era só estalar os dedos e puff, não amo mais! – Tem todo um sentimento, não dá pra desgostar de uma hora pra outra!

— Mas MILO! O Camus não te quer! Cadê teu orgulho, cara?

— Como se você pudesse falar! Fica todo igual cachorrinho pra cima do Mu!

Isso doeu bem no fundo do orgulho de Aiolia – Eu estou, é?

— Não desistir do amor não é vergonha nenhuma – amenizou – Mas sim, está.

— O que eu faço, Milo?

Milo tomou o resto do sorvete antes de responder – Para não ser trouxa ou para lutar por seu amor?

Aiolia demorou a responder, já que estava considerando alguns fatores. Primeiro que lutar por seu amor não era trouxisse, segundo que não queria “não ser trouxa” da maneira que Milo via as coisas e os relacionamentos amorosos. Terceiro que sabia muito bem o que significava deixar de ser trouxa nesse conceito específico, então ficou em dúvida no que responderia. – Olha, eu... – disse, eloquente.

— Qual é, Aiolia! Eu sei que você entendeu o que eu disse.

Uma das coisas que o leonino nunca entenderia na vida é como Milo conseguia ser tão grudento, ciumento, possessivo e paranóico e ainda assim viver fazendo sexo por diversão. Não custava tentar.

Esse foi o momento em que a câmera voltou para a casa de Capricórnio, levando em consideração que Milo e Aiolia começaram a fazer certas coisas dignas de filmes adultos e à narrativa falta habilidade suficiente para que a cena seja bem descrita. O importante é saber que, enquanto Shura vomitava todo seu conteúdo estomacal no vaso, Milo e Aiolia gemiam o nome um do outro pela tarde toda, variando as posições indefinidamente.

Nesses momentos Shura odiava beber. Ainda mais quando, para completar, estava de ressaca emocional.

Era como se levar aquele fora tão bem dado e surpreendentemente educado de Máscara da Morte fez seu coração doer de tal maneira que afetou o nível da ressaca: a dor de cabeça estava colossal, somando com náuseas e gosto de meia velha na boca.

— Nunca mais bebo.

— Bebe sim, você é idiota.

Shura tirou a cabeça de dentro do vaso sanitário e olhou para trás. Era Camus, que se escorava no batente da porta, de braços cruzados e cara de poucos amigos.

— Milo veio me atazanar hoje novamente.

— Daí precisa transar? Sinto muito, hoje não tenho condições. – Shura respondeu simples. Não precisava de meias palavras com Camus – Como você vê, estou tendo uma tarde de rei.

— Não foi para isso que vim – Camus suspirou, cansado – O Milo está crente que nós dois e o Shaka fizemos maior bacanal noite passada e está agindo como um namorado traído. Eu não aguento mais, nem nunca tivemos nada e... Não adianta expressar “nãos”, eu não queria ter que partir para a violência, mas o Milo não está ajudando.

Shura ficou em pé com certa dificuldade e se limpou na pia antes de responder – Ele fez algo, não fez?

— Me beijou a força, acredita?

— Oh. – Shura entendia a mágoa de Camus. Também não aceitaria atitudes como as que Milo está tomando – E aí?

— Ele saiu magoado e dizendo que esperava isso de mim, por causa do Surtr.

— Mas você não teve nada com o Surtr, teve?

— Não tive, mas parece que para ele, sim.

O capricorniano estava embasbacado. Não sabia como ajudar o amigo, só podia ouvir. Nunca tinha sofrido uma situação parecida e se perguntava se Milo tinha noção que agir assim só afastaria o Camus dele. –Foi por isso que você aceitou ir pra Sibéria?

Camus riu de lado. Nunca o tinham perguntado isso – Mais ou menos. Na época eu estava com medo, eu estava começando a gostar dele e ele já tinha me dito isso. Eu fiquei apavorado.

— Com razão, o Milo é um louco – Shura saiu do banheiro e foi em direção à cozinha, no que Camus o seguiu. Ambos sentaram em volta da mesa e se passou alguns minutos antes que o espanhol cortasse o silêncio – Quer minha ajuda?

— Não sei como você ajudaria, Shura. Eu também não quero tomar medidas extremas, só quero que o Milo pare! E tem o Shaka, eu tenho certeza que o Milo desceu as escadarias para fazer inferno.

— Acha mesmo que ele faria isso?

— Pior que eu acho! Para você ver o nível que o Milo se encontra no meu caderninho.

Shura demorou uns minutos para entender que o tal caderninho não existia de verdade e que era uma metáfora – O que você vai fazer?

— O que ele quer – Camus sorriu, maléfico – Vamos transar e depois vou jogar ele fora como chiclete.

— Acha que ele vai se dar por satisfeito?

— Vai sim. Por que vai achar que venceu.

Notas finais
Vou dizer uma coisa para vocês. Eu não tenho nada pensado pro final da fic e meu máximo de planejamento é o capítulo seguinte, então as coisas tão tomando um rumo que eu nunca imaginei LOL. Tô todo embananado na quadrilha amorosa aqui. Espero que estejam gostando, até o próximo ♥ Revisado em 11/01/17