Victim of Love

2 I don't wanna break my heart over you


Notas iniciais
Oi :3 Obrigado pelos reviews lindos ♥ Espero que gostem do capítulo, aproveitem! Edit: eu tinha programado o capítulo, mas o Nyah deu bug e o publicou (percebi depois de receber um review), então fica assim mesmo e daqui pra frente vai ser a cada 15 dias, ok?

Aiolia era um cara um tanto excessivamente sensível, mas não aparentava.

Então quando ouviu Milo pedindo ajuda com Camus e oferecendo ajuda com Mu, ficou tensionado a aceitar de imediato. O que o segurou, talvez, foi a falta de confiança que tinha com relação ao combo Milo + assuntos amorosos.

— Milo... Eu não preciso de ajuda com o Mu.

Milo olhou Aiolia de lado, ligeiramente irritado. Não que a ajuda do leonino fosse imprescindível, mas seria legal ter alguém para contar os avanços e retrocessos e poder se abrir. – Certeza?

Antes que Aiolia pudesse afirmar sua negativa (afinal, se fosse tentar um avanço romântico com Mu dificilmente pediria ou aceitaria ajuda de alguém), Shaka entrou em Leão, aparentando uma animação excessiva para alguém como ele.

Digo, Shaka sorria e estava de olhos abertos, o que era indício de uma felicidade que não era nada comum no Cavaleiro de Virgem.

Mais preocupados com o estado de espírito de Shaka que com seu futuro amoroso, Aiolia explicitou a dúvida que também passava pela cabeça de Milo – Aconteceu alguma coisa, Sha?

Aparentando desavergonhança, mas queimando por dentro, Shaka respondeu – Eu queria saber se você não tem um pote daquele creme para me emprestar. O meu acabou.

Aiolia anuiu em concordância. O tal creme era um lubrificante potente e o único que Aiolia gostava de usar. Ele havia emprestado para Shaka certa ocasião, quando o Cavaleiro de Fênix foi passivo pela primeira vez e não se deu muito bem com o lubrificante que Shaka normalmente usava.

Verdade seja dita, Shaka não gostava de espalhar sua intimidade por aí, mas Aiolia era seu melhor amigo e invariavelmente sabia de quase todos os fatos de sua vida amorosa e a recíproca era verdadeira: Shaka também sabia dos pormenores amorosos de Aiolia, então acabou sendo natural os dois trocarem confidências.

O que não incluía Milo, Shaka adicionou mentalmente. Sabia que Milo curtia a outra fruta, já que era fato notório e indiscutível que o escorpiano gostava de Camus, mas ele provavelmente falaria (muito) sobre relacionamentos e responsabilidade. Girou os olhos. Milo não era tão importante assim.

O que era uma injustiça, Shaka pensou, se maldizendo por não estimar tanto o escorpiano. Dado ao fato de que Milo teve uma reação igual à de Mu e Aiolia quando o virginiano virou purpurina entre as Salas Gêmeas e que Shaka considerava Mu e Aiolia seus melhores amigos... Shaka se sentia ligeiramente mal por não colocar o escorpiano na conta.

Deu de ombros. Não é como se a lista de “melhores amigos” de Milo passasse do nome de Camus.

— Sha, por que não convence o Aiolia a ir dar em cima do Mu?

Shaka olhou para Milo de lado, surpreso. Quanta pouca vergonha. – Não se convence ninguém de nada com relação a relacionamentos, Milo. Um não é um não e nada diferente disso.

Aiolia riu. Dado a pequena história que Milo havia contado, respeitar o “não” de Camus era a última coisa que ele estava fazendo. – Ele não parece ser do tipo que ouve “nãos”, Sha.

— Ele anda tendo problemas? – disse, se sentando na cama de Aiolia e pegando o lubrificante na gaveta do criado mudo – Eu levo isso, se não se importa, Aiolia.

— À vontade – respondeu e continuou – Ele anda dando em cima do Camus, mas o francês não corresponde e já deu uns foras expressos.

— Não é bem assim... – Milo começou, tentando se explicar. Não ia levar um sabão de Shaka, mas nem em um milhão de anos – Eu sei que ele quer, ele só não tá querendo.

Percebendo o quão ridículo soava suas palavras e suas atitudes em voz alta, Milo suspirou fundo. Será que investir em Camus era tão errado assim?

— Você tem noção do quão ridículo você soa, certo? – Shaka disse, sorrindo de lado e se levantando da cama. Não podia demorar, tinha certa pessoa à sua espera – De qualquer forma, te recomendo ter uma conversa sincera com o Camus. E, se ele continuar na negativa, trate de respeitá-lo, ouviu?

Achando delicioso conseguir dar um sabão em Milo, que em um âmbito geral era certinho demais e caxias demais, Shaka voltou para casa.

— Ele me parecia bastante feliz – Aiolia disse depois de minutos de silêncio, em que ficou observando a careta de desgosto de Milo – Sexo faz coisas, se quer saber.

— Eu não tenho a intenção de fazer algo de errado com o Camus – Milo disse, passando a mão nervosamente pelos cabelos espessos – Eu só não quero desistir dele. Só isso.

Aiolia devolveu à Milo um olhar indignado. Não tinha muita diferença entre “desrespeitar as negativas de Camus” e “não desistir de Camus” neste caso. Só que Milo sabia ser muito idiota e teimoso às vezes e Aiolia percebeu que, mais do que ajuda para se abrir com Mu (que, se tivesse seu espaço pessoal desrespeitado responderia com uma violência certeira), precisava ajudar o Camus ao ajudar o Milo. Suspirou. Não era muito bom em fazer isso.

Enquanto isso, Mu provava que Máscara da Morte não era nenhum pouquinho hétero.

Muito pelo contrário, ele era o melhor bottom que já tinha provado.

Sentado na cama do canceriano, suspirou fundo. Os lençóis já estavam trocados, a camisinha no lixo e estava tudo limpo, assim como Máscara fazia questão toda vez que terminavam. Chegava a ser chato essa mania (que Mu, sinceramente, esperava ver em Shaka, não em Máscara da Morte), mas toda a potência passiva de Máscara da Morte compensa.

Ah, se compensa.

Fato é que, apesar de o único Cavaleiro de Ouro hétero ser, ironicamente, Afrodite, poucas pessoas sabiam que Máscara da Morte também era gay. E um passivo dos poderosos.

Isso porque a vida sexual e pessoal do canceriano era escondida a base de sete chaves e as pessoas que tinham acesso a ela e em especial à cama era contado nos dedos de uma mão.

Mais exatamente, além do próprio Mu, Afrodite (que não acessava a cama, se é que me entende),Saga e Shun. Só que esse último Mu não conseguia enxergar como topper do Máscara da Morte, então preferia acreditar que o italiano trocava as posições conforme o amante.

Falando nele, ele entrou no quarto, já de banho tomado e carregando seu mau humor habitual.

— O que foi? Cansou?

Máscara o olhou de lado e riu. Cansaço era a última coisa que sentia.

Recapitulando essa ciranda e desenhando para que fiquem bem amarradinhos todos os fios dessa trama, temos o seguinte:

Milo ama Camus, que transa com Shura, que ama Máscara da Morte, que transa com Mu, que é amado por Aiolia, que não é amado (e nem transa) com ninguém.

Ignorando a última parte da coisa, em que dá uma conotação negativa à Aiolia, mesmo o leonino se encontrando na mesma situação que Milo, era imprescindível que todos os mal entendidos se desfizessem para que as coisas pudessem se desenrolar com facilidade.

Tendo isso em mente, depois da sessão de sexo com Ikki, que agora dormia, Shaka decidiu dar ouvidos ao tédio em que sua vida se encontrava e dar um jeito nisso.

Por que, além de ser confidente do Aiolia, também era do Mu. E Ikki era do Shura e não havia segredos entre Shaka e Ikki.

À mão de todas as informações pertinentes ao caso e decidido a fazer sua boa ação do dia (quiçá, do ano), Shaka subiu para Capricórnio.

Shura não estava ciente das inclinações de cupido e velha fofoqueira de Shaka, então não esperava que o mesmo chegasse à sua casa no meio da noite. Não era best friend forever do virginiano e o mesmo nem costumava o visitar, então estranhou um pouco. – Olá, Shaka. Em que posso ser útil?

De bom humor pelo sexo e rindo da formalidade exagerada de Shura e da presença de Camus na sala, Shaka respondeu – Eu só queria conversar.

— Tá certo... Entra. – Shura abriu caminho, no que o virginiano entrou e se sentou ao lado de Camus. – Você não costuma vir aqui muito.

— Mea culpa. Mas, acredite em mim, te tenho em grande estima – Shaka respondeu, se recostando no sofá. – Você também, Camus.

Camus arqueou as sobrancelhas. Shaka estava estranho, devia ter fumado maconha. Ou transado muito – A recíproca é verdadeira.

O que se passou nas últimas horas no Templo de Virgem não tinha um efeito muito diferente de maconha em Shaka. Era, quem sabe, até mais poderoso. Isso não era segredo.

— O que aconteceu, Shaka? – Shura perguntou.

Neste momento, Shaka emudeceu parcialmente. Vendo a idiotice que faria por ser detentor de todas as informações que ocorriam com relação aos três não-casais não resolvidos, idiotice essa movida a euforia pós-sexo, Shaka recobrou a compostura e mudou de assunto. – Só vim fazer uma visita.

Mesmo achando estranho, tanto Shura quanto Camus aceitaram a afirmação. Até porque, por mais bizarro que parecesse, era de conhecimento geral que o indiano entrava em um estado bem parecido com bebedeira e outras coisas mais nos minutos pós-sexo.

Isso porque certa vez todo esse êxtase levou Shaka a pintar as pontas do cabelo de cor de rosa e se embebedar com drinks de morango, isso na adolescência. Tal dia acabou virando o maior vexame bêbado do virginiano (e o único até então), mas memorável e público o suficiente para que todos os dourados o reconhecesse (e não estranhassem quaisquer de suas atitudes) quando no pós-sexo.

No entanto, Shura havia decidido por tentar se aproximar romanticamente de um extremamente fechado Máscara da Morte e talvez Shaka pudesse ser fonte de informações, se desse sorte.

— Shaka, você sabe se o Máscara da Morte curte outros caras?

— Até onde sei, ele anda tendo um caso com o Mu. Mas o Mu pediu segredo. Parece que o Máscara da Morte não gosta que contem – respondeu sério, a despeito de estar fazendo fofoca – Por quê?

Dentro de Shura um aspirador de pó metafórico sugou toda a poeira que se juntava em seu coração capricorniano, dando nova cor e vida ao lugar. Shura sorriu, mesmo que parecesse apenas uma carranca típica, mas menor, mudança insuficiente para que Shaka ou Camus percebessem.

— Por nada.

Mas, no geral, deu novos ares de esperança a um espanhol ressequido.

— Então, querem vinho?

O que se rolou na Casa de Capricórnio naquela noite ficou conhecido por anos como “aquela noite”, assim mesmo, de forma bem vaga, mas que todos sabiam a qual noite se referiam. No geral, os três beberam (muito) vinho, acordando em uma ressaca daquelas e nus, não tendo, no entanto, rolado qualquer tipo de contato sexual. O que aconteceu e ficou gravado foi uma sessão de strip poker e outra de verdade ou desafio, vídeo esse guardado a sete chaves por Shura e descoberto tempos depois por um motivo ainda relevante ao plot e que não será revelado no momento.

O fato é que todos os três faltaram nos treinos da manhã, movidos pela ressaca. Shura e Camus não tinham ninguém a quem deviam satisfação pelo atraso, mas Shaka tinha um marido muito ciumento e que, ao ver que acordara sozinho e que Shaka não compareceu ao treinamento, teve o nível de irritação e ciúmes subir de forma colossal.

Mesmo com as reclamações e gritos raivosos de Ikki, Shaka o respondia com calma e com aquele ar superior que lhe era característico. Estava com a cabeça doendo e feliz por ter mantido a integridade de seus cabelos e corpo, então não levaria a mal o ataque de ciúmes de Ikki.

— Não rolou nada, Ikki... – Shaka disse, massageando as têmporas – Tem até gravado. Ficamos os três nus jogando strip poker e verdade ou desafio. Só.

— Só? – o japonês quase gritou, irritado – Os três ficaram nus e não rolou nada?

— É. – respondeu simples – Os dois andam transando e eu sou casado com você, óbvio que não rolaria nada.

Para Ikki, no entanto, não era tão simples, então isso não acalmou seus nervos – Vocês ficaram nus, Shaka.

A Shaka coube explicar que via Camus e Shura, assim como os outros dourados, nus desde que eram crianças em uma freqüência quase diária, então não havia, certamente, qualquer conotação sexual nisso.

Novamente não teve o efeito esperado em Ikki, de dissipar o ciúmes totalmente. Shaka sabia disso. Assim como sabia o que costumava melhorar o humor do leonino.

Chupando o lóbulo da orelha de Ikki, Shaka decidiu que mais tarde se trancaria em casa e se resignaria a ser louco sozinho. Por que agora experimentaria de novo aquela droga que Ikki continha.

Notas finais
Curtiram? :D Quem me conhece sabe que meu otp é MdM x Aiolia, então não resisti e tive que por um hint :x Não me batam pelo ooc - principalmente no Shaka bêbado de êxtase e no MdM e seu uke power. Foi sem querer, eu juro! Beijos e até o próximo! ♥ Revisado em 11/01/17