Viajantes Errantes
1 Um início estranho
Notas iniciais
Beijinhos!
Vivis
Am... Sem comentários por enquanto...
...
Tais
- Aquela é a vítima – sussurrou Mei.
- Tem certeza? – sussurrou de volta Rumi.
- Você vai ver. Roubar pessoas é moleza!
Rumi só tinha concordado com a ideia porque estava morrendo de fome. Mas, agora duvidava se podia confiar nas habilidades de ladra de Meilin. Sua animada parceira de baixa estatura, chinesa, que usava dois coques e roupas típicas de seu país natal, possuía habilidades incríveis de luta. Enquanto Meilin preferia usar os punhos, Rumi tinha paixão por explosivos e armas, de forma que se vestia com roupas justas com diversos compartimentos, todos ocupados por armas, usava cores militares e carregava lanças e espada nas costas. Era alta e tinha longos cabelos castanhos.
- Pois bem, escute a mestra. Primeiro: aproxime-se discretamente da vítima.
- Hum – concorda Rumi. “Pergunto-me se ela sabe o que é ser discreta”, pensou, com certa preocupação.
- Segundo: Mescle-se com a multidão, se torne sombra da vítima.
“Isso não vai dar certo”, pensou Rumi, já desanimada e rindo baixinho nervosamente.
- Eu sei que é difícil. Mas controle-se. Agora, terceiro: roube-o sutilmente e suma na multidão – concluiu Mei com um tom de segurança – Agora veja a mestra em ação.
Meilin deu uma cambalhota para fora da carroça de palha em que se escondiam, assustando as pessoas. Depois, saiu marchando, assobiando alto na direção do alvo. Assim que estava ao lado dele, o encarou.
- Só falta ela... – começou a lamentar Rumi.
- Atacar! – gritou Mei, roubando a bolsa de dinheiro do homem.
Meilin saiu correndo derrubando a multidão. Parou de frente para a carroça.
- Corra, Rumi! Corra pela sua vida! Ele percebeu! – e Meilin saiu correndo.
Rumi ficou de pé. Com palha presa no cabelo, ela encarava Meilin incrédula.
- Rápido Rumi, o plano deu errado!
- Jura? Nem percebi!
Os guardas cercaram a carroça. Rumi suspirou, e tirou calmamente uma granada do bolso.
- Bye bye, bitches!
Ela jogou a granada e saiu correndo atrás de Meilin.
- Meilin! Por aí não, a guarda imperial está conduzindo o príncipe! – gritou Rumi enquanto jogava bombas de fumaça.
- Quem?!
- O príncipe, mulher!
- O seu primo?
- O príncipe, coisa!
- Legal, será que o seu primo nos dá comida?
Rumi desistiu. Quando viu a condução imperial, parou de correr para observar. Meilin derrubou todas as pessoas que estavam à sua frente. Entrou no meio do desfile, ainda correndo, e acertou um soldado.
- Rumi! Soldados imperiais! Corra!
Rumi saltou, pousando atrás de Meilin. Os soldados fizeram um circulo à sua volta, e começaram a discutir entre si.
- Ei, a senhora não deu ordem de prender essas duas? – disse um deles ao comandante.
- Sim, elas são aquelas garotas – disse o superior encarregado.
- Meilin, que tal sermos presas? – perguntou Rumi, interessada no que a imperatriz poderia querer com elas.
- Credo! O que você tem em mente? – sussurrou Meilin.
- Comida.
- Tá, eu aceito. Pode prender a gente.
- Não é que a comida daqui é boa?! – riu Meilin.
Rumi estava deitada num monte de palha, brincando com a sua faca.
- Não disse? – brincou.
Ouviram passos ao longo do corredor. Meilin assumiu uma expressão séria e sentou no canto da cela. Rumi manteve-se na mesma posição.
Um homem muito bonito, com vestimentas de general, parou à frente da cela acompanhado por soldados.
- Senhoritas, – disse e abriu a cela – sigam-me. O imperador deseja vê-las.
Meilin olhou para Rumi, que se levantou lentamente. Ela ajeitou o cabelo e fez sinal para que Meilin se levantasse.
- Estávamos esperando – disse Rumi, confiante.
Os soldados as guiaram até a sala do trono do imperador. O imperador e a imperatriz tinham suas feições escondidas por uma cortina.
Rumi e Meilin se ajoelharam logo atrás dos soldados.
- Aqui estão elas, meu senhor.
- Muito bem – disse o imperador.
- Vocês são Rumi e Meilin, suponho – perguntou a imperatriz.
- Sim – respondeu Rumi, firme.
Meilin manteve-se quieta. Era melhor deixar Rumi lidar com eles.
- Nós estamos interessados em seus serviços como guarda-costas. – disse o imperador – Meu filho vem sendo ameaçado de morte por ser o herdeiro primordial.
- Ah, fala sério?! Vocês têm um exército e não conseguem protegê-lo? – Meilin foi encarada por todos – Ih, foi mal. Escapuliu.
Rumi suspirou.
- É bem trabalhoso o que nos pede. Não ficará barato.
- Sim, sabemos disso, – continuou o imperador – mas é como sua amiga disse. Então queremos que vocês cuidem dele até que ele arrume uma esposa e tenha um filho.
- O general se encarregará de entregar-lhes o pagamento mensal – concluiu a imperatriz.
“Gao, gatinho”, pensou Meilin. “Finalmente dinheiro”, pensou Rumi.
- Certo, quanto vamos receber?
O imperador respondeu.
- Holy shit! – gritou Meilin.
- Contratadas! – disse Rumi, tapando a boca de Meilin.
O imperador riu.
- Muito bem. Dirijam-se ao portão principal. Toya estará lá. Vocês precisam viajar em busca de uma mulher para ele.
- Entendido! – disseram as duas.
Meilin e Rumi foram levadas até o portão principal. Lá, viram uma carruagem.
- Meu senhor, chegou a hora – disse o general.
- Mais cinco minutinhos – disse a voz vinda da carruagem.
Rumi e Meilin se entreolharam, entediadas. Os outros soldados trouxeram dois cavalos e mais uma carruagem.
- Não precisamos disso tudo – disse Rumi.
- Como? – perguntou o general.
- Apenas um cavalo é o suficiente! – exclamou Meilin.
Os soldados olhavam para elas, confusos.
- Cavalos são caros e carruagens são muito chamativas – completou Rumi. – Queremos apenas um cavalo para carregar as coisas do príncipe.
Eles estavam boquiabertos. Meilin escolheu um cavalo branco com manchas pretas, que já era um cavalo de carga.
- Espere, estão sugerindo que ele ande? – perguntou o general.
Rumi levantou uma sobrancelha como resposta. A porta da carruagem se abriu. De lá saiu um rapaz, alto, ruivo e de olhos azuis. Ele se espreguiçava e bocejava. Meilin olhou para ele.
- Príncipe, – disse o general — essas são as suas guarda-costas...
- WTF? Ele é estrangeiro! – gritou Meilin.
- Você também – rebateu Rumi.
O príncipe olhou para elas com desprezo.
- Essas duas? E eu pensando que ia me dar bem.
- Estar na hora de ir, príncipe... A pé...
- A pé? Está brincando, né? – reclamou.
No minuto seguinte, Rumi, Meilin e Toya estavam fora do castelo. Sem carruagem, apenas um cavalo carregando a bolsa do príncipe, que reclamava o tempo todo.
- Velho! Você é um saco! – gritou Meilin, irritada.
- Como ousa falar assim comigo? B-a-i-x-i-n-h-a!
- Príncipe inútil!
- Plebéia!
- Pelo menos não preciso de ninguém para me proteger!
- Não preciso, posso pagar por isso!
Rumi assistia a discussão.
- Calados! Vamos para a próxima cidade.
- Aye, sir! – disse Meilin em posição de sentido.
- Vem logo, príncipe inútil...
- Você também?! – disse Toya.
- Se não quiser ser morto, – disse Rumi, de forma ameaçadora – fique perto da gente.
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