Viajantes Errantes

6 Um inimigo estranho


Toya e seus guarda-costas – Rumi, Meilin e Sota –, depois do incêndio, estavam sem dinheiro e mantimentos. Já próximos da próxima vila, eles discutiam o que fazer.

- Tô com fome! – chorou Meilin.

- Precisamos arrumar um emprego – disse Rumi, suspirando.

Toya se empolgou.

- Vamos roubar?

- Senhor! – exclamou Sota, pasmo.

- Não – rugiu Rumi para Toya.

- Ah... Eu tenho treinado tanto com Shin, já estamos prontos! – disse ele com um tom confiante.

Sota encarou Shin, que ganiu pedindo desculpas.

- Vamos vender as roupas do Toya! – riu Meilin.

- O quê!? – gritou ele.

- Realmente, devem valer uma grana boa – observou Rumi.

- Loucas, e o que eu irei usar? – perguntou Toya, esperto.

Rumi colocou a mão em seu ombro e disse, séria:

- Roupas de PLEBEU.

- Mas a roupa está queimada, não deve valer muito agora – observou Sota.

- Ah, tô com fome – continuou a chorar Meilin.

- Alto lá! – gritou uma voz masculina.

De cima de uma árvore, um homem com roupas estranhas, cabelo e olhos cinzas, pulou no meio da estrada que trilhavam.

- Sou Kura e vim para matar o príncipe – falou ele, rindo maleficamente.

- Todos, exceto Rumi, fizeram expressão de surpresa. Rumi o encarou inexpressiva.

- Kura? Não era pra ser Kuro? Sua mãe sabia escrever? – disse ela, irônica.

- Sua... – Kura os examinou. – Meu deus!

Eles o encararam, confusos.

- Duas beldades! Duas lindas – exclamou ele.

- Como é? – perguntou Meilin.

- Não acredito que estão me pagando para ver essas criaturas divinas! Eu amo meu emprego.

- Pagando? – perguntou Toya.

- Sim, sim, sim. Até me distraí com tamanha magnitude dessas duas. Qual é seu nome, princesa? – disse, beijando a mão de Meilin.

- Meilin...

- E você?

- Vá te catar, seu tarado.

- Hum... Nomezinho esquisito. Mas tudo bem, seu corpo compensa isso!

- Corpo? – falou Sota, irritado. – O que você pensa que vai fazer?

- Hum... Deixe-me ver... Eu ia pegar o príncipe aqui, mas estou mudando de planos... Então, eu vou acabar com vocês dois e levar estas belas garotas comigo.

- E como você acha que vai fazer isso? – falou Rumi.

Kura sorriu maleficamente e bateu com a bainha da espada na cabeça de Toya, fazendo-o desmaiar. Quando viu que Meilin, Rumi e Sota estavam prontos para atacar, jogou uma bomba de gás sonífero, conseguindo concretizar o seu plano.

Toya e Sota acordaram só uma hora depois. Gritaram incansavelmente por Rumi e Meilin, até que acharam uma carta no chão. Tinha um endereço e falava que era melhor eles chegarem rápido pelo bem das duas.

- Precisamos ir – falou Toya.

- Mas senhor, é uma cilada. Eles querem pegar você! Eu vou, você espera aqui.

- Mas... E se na verdade eles sabem que você ia pensar nisso e me deixar aqui, e estão planejando tudo para me pegarem aqui desprevenido?

- Como você pensou nisso?

- Sota... Eu preciso ir também! Confie em mim! Prometo não atrapalhar.

- Senhor, meu único receio é falhar com você, mas se essa é sua vontade, tudo bem.

- UÓR, você é tão legal! Tão diferente daquelas duas monstras do mal.

- Verme, ser patético – praguejava Rumi, irritada por conta da fome.

As duas estavam amarradas. Kura estava sentado mais à frente fazendo planos. Ele planejava atraí-los para a casa abandonada em que estava e matá-los. Depois de matar o príncipe, iria se casar com as duas.

- Acalmem-se queridas, logo eles chegarão e depois de matá-los poderemos viver felizes para sempre.

- Irei te espancar até a morte – falou Rumi.

- Tô com fome – chorou Meilin.

- Que adoráveis – riu Kura.

Ouviram-se passos se aproximando, e em pouco tempo Sota e Toya, acompanhados por Shin. Kura se levantou.

- Porra! – Gritou Rumi. — Grande ideia trazer o inútil!

- Bolinho de arroz – murmurou Meilin.

- Senhorita Rumi...

Sota foi atacado antes de terminar, e usou a bainha para se defender. Enquanto isso, Toya correu para libertar as meninas.

- Ahá! Agora irei salvá-las – exclamou Toya, inicialmente animado. – O que é isso?

Kura havia dado um nó complexo. Shin tentou roer a corda, sem sucesso.

- Inútil – rugiu Rumi, — dá comida pra Mei.

Sota lutava com Kura. Kura era muito forte, mas como atacava sempre de forma impulsiva e com muita força, era lento. Sota aproveitou-se disso e se esquivou de um golpe, acertando em seguida o cabo de sua katana na sua barriga. Enquanto Kura se desequilibrava, Sota deu-lhe uma rasteira, derrubando-o. Agora que estava livre dos ataques, encostou a ponta da espada na garganta de Kura.

- Aqui Meilin – Toya deu uma bala para ela. Após comer, Meilin imediatamente arrebentou a corda e a pilastra.

- Não é bolinho, mas serviu! – falou Meilin, agora mais disposta.

Porém, com a quebra da pilastra, a casa começou a desabar.

- Sota, vamos! – gritou Rumi.

Sota ia guardar a espada quando Kura começou a falar.

- Então você também gosta delas – riu ele, malévolo.

- Fique quieto, não deixarei que toque nelas – disse Sota, apertando a ponta da espada contra a garganta de Kura, fazendo-o sangrar.

- O que você tá esperando? – perguntou Rumi.

- Eu vou ficar – disse ele, sério.

Rumi começou a ficar com raiva. Meilin puxou Toya para fora.

- E eles? – perguntou Toya.

- Deixa eles se resolverem – sussurrou ela.

Rumi estava furiosa.

- Vai ficar, é? Quer morrer, por acaso?

- Não posso permitir que ele venha atrás de vocês de novo – respondeu Sota.

Rumi foi pega de surpresa. Ela respirou fundo e caminhou até Sota, pegou no braço dele olhando-o nos olhos.

- E você acha que isso vai nos fazer feliz de alguma forma?

Sota, que estava tenso, relaxou. Kura fugiu nesse momento. Sota baixou os olhos e guardou a espada.

- Senhorita Rumi...

- Vamos logo que isso aqui tá caindo em cima da gente – e correram para fora.

Mal saíram na rua e a casa desabou. Meilin e Toya ficaram aliviados ao vê-los.

- Cadê o assassino das roupas feias? – perguntou Meilin.

- Ele fugiu – respondeu Rumi, estranhamente calma.

- Perdão, senhorita Meilin – falou Sota, ainda desconsolado.

- Perdão pelo que? – ela sorriu. – Vocês salvaram a gente hoje. Precisamos comemorar!

- É – concluiu Rumi, — e até o Inútil aqui merece os parabéns.

- Sério? – perguntou ele com os olhos brilhando.

- Nossos heróis! – gritou Meilin, pulando e agarrando a cabeça dos dois num abraço.

- Esse é o dia mais feliz da minha vida! – disse Toya.

- Exagerado – falou Meilin. Enquanto discutiam, Rumi e Sota conversavam.

- Você ia mesmo se matar só pra acabar com aquele cara?

- Senhorita Rumi... Só de pensar no que aquele cara poderia ter feito com vocês, meu sangue ferve. Da próxima vez ele pode não ser tão “bom”.

- Então... tentaremos não deixar haver uma próxima! – e pela primeira vez, Meilin, Sota e Toya viram Rumi sorrir de verdade.

- Você tá se apegando – sussurrou Meilin.

- Cala a boca!