Viajantes Errantes
7 Problemas - parte 1
Meilin, Sota, Rumi e Toya caminhavam rápido. Não haviam comido bem no dia anterior e precisavam arrumar um jeito de conseguir dinheiro.
– Ali há uma vila! – apontou Meilin e começou a saltitar.
– Finalmente vamos por nosso plano em ação, Shin! – disse Toya e o cachorro uivou animado.
– Acho que não vai ser preciso – exclamou Rumi aliviada. – Uma carruagem real!
– É o general gatinho? – perguntou Meilin, animada.
– Como? – falou Toya. – É o cara do dinheiro!
– Exatamente. Aquela gracinha!
– Ele é velho! — resmungou Toya.
– Mas ainda dá um caldo! — rebateu Meilin com os olhos piscando.
– Meilin! — bradou Toya irritado.
– Ué? Qual o problema com você? — Meilin ficou surpresa com o tom do príncipe.
– Nenhum! – “só ciúmes”, pensou ele — Tomara que ele tenha me trazido umas roupas limpas.
– Um cavalo novo também não seria ruim – falou Rumi. – Sota, você tá quieto hoje...
– Hã? Não é nada, senhorita Rumi – “só um mau pressentimento”, pensou.
O grupo foi se aproximando da carruagem. O general demorou alguns segundos para reconhecer o príncipe Toya naqueles trajes. Examinando-o atentamente limpou a garganta desconfortável.
– Perdão, senhor Toya — se desculpou por não tê-lo reconhecido.
– Tá tudo bem! Trouxe o dinheiro?
– Sim, senhor.
– Escuta... Tem como você deixar um cavalo com a gente? — pediu Toya.
– Providenciarei um imediatamente – disse o general, mandando um soldado buscar o cavalo.
O general pagou um almoço para todos. Meilin ficou toda animada atrás dele, deixando Toya enciumado. Depois de comer, pegaram seus mantimentos e se despediram.
– Ah, já temos que ir? – choramingou Meilin.
– Sim, imediatamente! – disse Toya.
– Ei, desde quando você dá as ordens? – rosnou Rumi.
– Desculpe, mestra.
– Eu acho que devíamos passar a noite na vila – disse Sota para Rumi.
Rumi queria ir para a próxima vila o mais rápido possível. O quanto antes arrumassem uma noiva para Toya, melhor.
– Por quê? – perguntou ela.
Sota baixou a cabeça.
– Um mau pressentimento. Shin também está estranho...
– Sota, podemos ser atacados a qualquer hora, precisamos de uma noiva rápido – disse Rumi, e eles continuaram a viagem.
– Não se preocupe, Sota – disse Meilin, rindo. – Vamos ficar mais atentos...
– Meilin! – gritou Toya.
– Que foi, Príncipe Inútil?!
– PLEBÉIA!
– Isso de novo? Estrangeiro! – rebateu ela.
– Você também!
– Droga.
E começaram a discutir.
Assim que saíram da cidade, caminharam até chegar à entrada da estrada. Lá, Shin travou e deitou, tremendo foi acariciado por Sota que tentava tranquilizá-lo.
– Que foi, Shin? – perguntou Meilin preocupada.
A estrada era entre dois penhascos. Shin gania apavorado. Toya o pegou no colo e fez carinho na sua cabeça.
– Acho melhor voltarmos – disse Sota.
– Deixa disso, ele deve estar com medo de um bicho. E se for Kura, damos conta – respondeu Rumi, teimosa.
– Rumi... – começou Meilin, mas a amiga já entrava no meio do desfiladeiro.
Todos seguiram Rumi em silêncio. Tanto Shin quanto o cavalo se mostravam inquietos e a cada rocha que caía, eles se assustavam. Quando finalmente estavam perto do final, Rumi parou e suspirou.
– Viram, não aconteceu...
Shurikens voaram para cima deles. Meilin empurrou Toya para trás de uma rocha, sendo atingida duas vezes: na cintura e na perna. Sota girou a bainha da espada, impedindo que acertassem o cavalo que ele puxava. Rumi desviou-se de todos.
– Meilin! – gritou Toya, apavorado ao ver o sangue gotejar do ferimento de sua perna.
– Fica aí, Toya! Shin, pegue o cavalo e esconda-o, ou Sota terá problemas – disse Meilin, apoiando-se em uma perna só.
– Senhorita Meilin – Sota entregou o cavalo a Shin que o levou para longe e aproximou-se da menina. Rumi, ao ver Meilin ferida, ficou furiosa.
– Mostre a sua cara, maldito! – gritou ela, sacando as granadas.
Foi então que ouviram uma risada lá do alto. Quando olharam para cima, uma ninja de cabelos verdes saltou do topo do desfiladeiro para próximo deles.
– Eu sou Yomi. Vocês devem ser as guarda-costas do príncipe que Kura me falou – os olhos dela eram cruéis. – Irei matá-las.
– Não se eu matar você antes – disse Rumi lançando suas granadas em Yomi. A inimiga riu e não se mexeu. As explosões fizeram com que ela sumisse na fumaça. Quando pensaram que haviam vencido, Rumi ouviu algo descendo pelo seu lado e instintivamente virou-se para encará-la, sacando duas espadas curtas.
– Não! Senhorita Rumi! – gritou Sota.
Era apenas um boneco. A verdadeira vinha pelo outro lado com duas adagas. Rumi mal teve tempo de se virar, tudo o que viu foi Sota entrar na sua frente segurando uma das adagas com sua katana e recebendo a outra na lateral esquerda do corpo, na abertura do abdômen.
– Maldito, por que entrou na frente?! – rugiu Yomi, enfiando a adaga mais fundo em Sota, que se encolheu de dor.
Rumi o livrou da adaga e puxou-o para si. Afastou-se de Yomi jogando suas facas com a mão direita, segurando Sota com a outra. Uma das facas atingiu o braço de Yomi.
Meilin saltou, pousou ao lado de Yomi e deu-lhe uma joelhada, seguida de dois socos, arremessando-a longe. Yomi levantou-se, soltou uma bomba de fumaça e fugiu.
Toya correu e Meilin caiu em seus braços.
– Meilin! – gritou ele com um nó na garganta. – Louca, você tá ferida!
– Cara, minha perna tá um saco – resmungou ela. – Pega as ervas no cavalo. Vai! Rápido!
– Tô indo, espera aqui – Toya ajeitou-a no chão.
– Acho difícil eu sair daqui... Pegue bandagens e leve para a Rumi também! – falou Meilin.
– Sota? Sota? – Rumi se controlava para não chorar. “Eu não o escutei, como sou estúpida”, pensou.
Assustado com o tom de Rumi, ele respondeu baixinho:
– Tá tudo bem... Vai ficar tudo bem.
Rumi riu da calma dele. “Sempre tão gentil”, pensou. Toya a entregou remédio e bandagens. Ela se apressou e fez o curativo no ferimento de Sota. Toya tentava fazer o de Meilin enquanto discutiam. Nem parecia que havia sido ferida em combate.
– Assim não! Tá frouxo – Meilin instruía Toya, que fazia seu curativo.
– Desculpa, desculpa! — Toya estava nervoso e não conseguia se concentrar.
– Calma, você tá pegando o jeito — sorriu Meilin.
Toya ajudou Rumi a colocar Sota em cima do cavalo e carregou Meilin para fora da estrada.
– Eu tô bem, me põe no chão! – reclamou ela.
– Não, plebéia, fica quieta.
– Você que parece um plebeu me carregando!
– Então que tal começar a agir como uma princesa? – Meilin se calou ao ouvir isso e acabou dormindo nos braços de Toya.
Eles chegaram até uma clareira que parecia segura para passar a noite. Rumi montou rapidamente o acampamento enquanto Toya fazia a fogueira. Os dois trocavam os curativos de Meilin e Sota e lavavam os ferimentos.
– Eu fico de guarda! – falou Toya.
– Mas você tá cansado por ter carregado Meilin. Deixa que eu fico. Foi minha culpa — a mestra de armas estava chateada.
– Rumi! Você só estava preocupada comigo, não se culpe por isso. E não se preocupe, Shin e Shiva vão ficar comigo.
– Shiva? — perguntou Rumi.
– É o nome que Meilin deu ao cavalo! – Rumi riu. – Ela é muito alegre. Sempre quando tudo parece estar perdido, ela sorri e o mundo se ajeita — o príncipe sorria satisfeito.
– Verdade... – dito isso, Rumi entrou na barraca e começou a vigiar Sota e Meilin, que dormiam. Lembrou de como havia sido teimosa, e de Sota que se feriu para protegê-la. E começou a chorar baixinho.
– Senhorita Rumi – falou Sota com certa dificuldade –, está tudo bem?
– Sota...
– Senhorita... – Sota grunhiu de dor. – Você se importaria de deitar-se ao meu lado e segurar minha mão?
Ela atendeu ao pedido sem hesitar. Deitou-se ao lado dele e assistiu-o dormindo até adormecer também.
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