Viajantes Errantes
5 Antes de dormir, apague o fogo
Rumi, Meilin, Sota e Toya, após conhecerem os pais da Meilin, ficarem bêbados e fazerem coisas constrangedoras, caminhavam silenciosamente para a próxima vila.
Meilin evitava Sota, porque depois que seus pais acharam que ele era seu namorado, estava com vergonha. Rumi desprezava-o, e ele se torturava pensando em uma maneira de se desculpar. Já Toya se perguntava o que tinha acontecido no dia anterior.
- Hum... – como Meilin não aguentava o silêncio desconcertante, puxou conversa com Toya. – Ei, príncipe inútil!
- Fala.
- Nós demos um show ontem!
Toya parou e olhou assustado para ela.
- Meilin... O que aconteceu ontem? – perguntou, preocupado.
- Você subiu na mesa, cantou e dançou! – riu Meilin. – E depois eu me juntei a você.
Toya ficou vermelho e tentou se imaginar.
- Você até que dança bem – disse Meilin, de forma um pouco doce.
- Ah, é? – era a primeira vez que Toya era elogiado, então ficou sem graça.
- Mas canta mal pra dedéu – completou Meilin, maldosa.
- Sua... – Toya ficou irritado – PLEBÉIA!
- Pelo menos sei cantar! Príncipe inútil!
Os dois começaram a discutir. Rumi e Sota pararam. Sota queria se desculpar, mas não sabia como. Shin, numa tentativa de ajuda-lo, fez com que ele tropeçasse. Só que isso fez com que ele caísse em cima de Rumi. Toya parou de discutir e tampou os olhos de Meilin com a mão.
- O que você tá fazendo? – perguntou Meilin, brava.
- Você é muito nova pra ver isso – resmungou Toya.
- Ah! Senhorita Rumi!
Rumi ergueu uma sobrancelha e apertou os punhos.
- MORRA, SEU PROTÓTIPO DE SAMURAI! – Rumi começou a correr atrás de Sota, que tentava se esquivar das shurikens. – TARADO! PERVERTIDO! SEM VERGONHA!
- Senhorita Rumi! Perdoe-me, por favor! Ai! – uma shuriken passou de raspão. – Senhorita Rumi, você está tentando me matar de verdade?
- O que você acha, seu SAFADO?! – Rumi continuou a correr atrás de Sota até ouvir um grito de Meilin.
- Mei? – chamou.
- Senhorita Meilin!
Quando os dois olharam, viram Meilin cercada por uns vinte homens, enquanto outros dois seguravam o príncipe.
Rumi sacou duas espadas curtas e voou em cima dos que seguravam Toya. Pulando alto, ela pisou no ombro de cada um, derrubando os dois.
- Deite, Toya! – mandou ela, irritada.
Toya deitou. Sota correu para ajudar Meilin, mas ela não precisou. Assim que o primeiro tentou atacá-la, ela se esquivou e o fez tropeçar no pé dela. Agarrou-o ainda no ar pelos cabelos e o girou, nocauteando todos ao seu redor.
- Vão encarar?! – gritou Meilin, vitoriosa.
- Meilin, atrás de você! – avisou Toya.
Um assassino havia aparecido do nada atrás de Meilin. Sota atirou a katana, que rodou no ar e acertou-o em cheio.
Rumi amarrou-os em uma árvore, e então fugiram para uma floresta ali perto. Lá, Meilin acendeu uma fogueira, Rumi montou as barracas e Sota saiu com Shin para procurar comida.
Assim que Sota retornou com frutas e peixes, eles sentaram à fogueira para comer.
- Bem, parece que o príncipe inútil realmente está em perigo – brincou Meilin, quebrando o silêncio.
- É e por assassinos contratados – observou Rumi, absorta em seus pensamentos.
- Isso é ruim? – perguntou Toya. – Quero dizer, não é a primeira vez.
- Essas são tropas enviadas apenas para analisar o alvo. O que virá depois será muito pior – explicou Sota enquanto acariciava Shin.
- E geralmente, pessoas muito fortes se tornam assassinos ao invés de guarda-costas...
- Como assim? – perguntou Toya.
- Proteger pessoas é difícil – enfatizou Meilin.
- É, parece que precisamos de uma noiva – resmungou Rumi. – E rápido. Vamos mudar a nossa rota para cidades que tenham famílias ricas com filhas.
- Espere, não estávamos na rota certa? – perguntou Toya, irritado.
- É que queríamos ver se seríamos atacados – disse Meilin.
- Acho melhor dormimos para partir amanhã cedo – sugeriu Sota.
- Boa ideia. Inútil, vigie o fogo – ordenou Rumi, e foi dormir.
- Eu? Mas estou com sono! – reclamou Toya.
- Meu turno é depois do seu – sorriu Meilin. – Conto com você, Toya! – e também se retirou.
- Espera...
- Boa noite, senhor. Shin vai te ajudar – disse Sota, bocejando. Caiu no sono rapidamente.
- Ela me chamou de Toya...
Toya tentou se manter acordado pensando em tudo o que havia acontecido desde o início de sua jornada. Viajava em seus pensamentos, lembrando-se do grupo bêbado no bar, de Meilin tentando ensiná-lo a pescar e das duas chamando-o de inútil. Agora, já parecia um apelido carinhoso entre amigos.
Toya despertou de seus pensamentos com Shin latindo. O vento havia espalhado alguns pedaços de madeira mal apagados e tudo em volta estava pegando fogo.
- Rumi! Mei! – gritou enquanto Shin ia acordar Sota.
- INÚTIL! — gritou Rumi. – O que você fez?!
- Nada... Eu juro.
- Rumi – chamou Meilin –, seus explosivos... Estão na barraca!
- Se o fogo chegar lá, estamos perdidos – disse Sota.
- Já sei! – Toya saiu correndo radiante, crente que havia tido uma boa ideia. Pegou o cantil de Rumi e jogou no fogo.
- Você é mongol?! – gritou Rumi, vendo o fogo crescer um pouco mais.
- O que a gente vai fazer? – perguntou Meilin. – Está se espalhando muito rápido!
- Precisamos bater no fogo – disse Rumi. – Ele não existe sem oxigênio.
- Nós vamos morrer! — Toya estava quase chorando, e pensando “eu sou um inútil mesmo”.
- Mei, Toya – gritou Rumi –, joguem terra no fogo, em grandes quantidades. Sota, pegue esse chicote, me ajude a bater no fogo.
- Tá – concordou Sota. – Mas antes... – abriu seu cantil e jogou a água em cima de Rumi.
- O QUE VOCÊ TÁ FAZENDO?!
- Você cheira a pólvora. Não quero que exploda!
- Explodir? Eu só ando com inúteis mesmo!
- Senhorita Rumi... – Sota falou baixo.
Os três começaram a seguir as ordens de Rumi incansavelmente. Demoraram uma hora para controlar o fogo, e mais uma para apagá-lo. Ofegantes, arrumaram as coisas. O cavalo fugira com a comida e o dinheiro.
- Merda! – gritou Rumi, com raiva.
Meilin olhou para Toya e riu.
- O príncipe inútil agora parece um mero camponês!
O rosto de Toya estava sujo de cinzas e sua roupa estava queimada, dando-o um aspecto diferente.
- Ah, verdade. Pelo menos assim chamarei menos atenção.
Meilin e Toya riram.
- Vamos, o incêndio deve ter atraído os assassinos, temos que nos mover rápido – comandou Rumi.
- Ei, Sota – chamou Meilin.
Sota estava chateado e caminhou lentamente até ela, seguido por Shin.
- Sim?
- Não fique pra baixo, deixa ela se acalmar – sussurrou Meilin.
Toya, ao ver Meilin falando com Sota, desejou que fosse com ele. Pela primeira vez, sentiu ciúmes.
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