Viagem Pela Highland
4 Highlander Surpreso
Notas iniciais
Aí está mais um cap prontinho só pra vcs.
Caraaa, quanto mais eu escrevia mais eu achava que estava faltando alguma coisa e isso me irritava profundamente ò.Ó
Enfim, TMP é um saco mesmo, então, perdoem-me se tiver algum erro de digitação, pq é sério. Eu estava com um humor de cão quando eu acabei esse cap. rs
Bjs bjs espero que gostem! ^^
Naruto estava completamente atônito com as habilidades do inglês. Nunca antes tinha enfrentado alguém cujo a performance chegasse ao menos perto da sua.
Estava surpreso.
Como poderia imaginar que este pequeno garoto de roupas tão imundas que mal se distinguia na noite, possuísse uma destreza tão boa com a espada a ponto de derrubar a sua?
Tinha o subestimado. Mas não faria isso novamente.
O inglês era rápido. Por mais que tivesse pouca altura, sabia muito bem como usá-la a seu favor e isso o impressionava. Eram poucos os ingleses baixos e ranzinzos que tinham capacidade suficiente para manejar seu corpo em forma de arma. E esse, por incrível que pareça, o era.
Naruto viu como os olhos do jovem brilharam de excitação quando tinha derrubado sua espada. O irritante sorriso nos seus lábios diziam que já tinha ganho a luta somente por desarmá-lo.
Que tolo era.
Uma batalha nuca termina, até que você mate seu inimigo.
Jogou-lhe um sorriso de escárnio e satisfez-se quando viu que o garoto enrugava a testa.
Tinha cantarolado sua vitória cedo demais e iria se arrepender por isso.
Naruto jogou a cabeça para trás e agachou-se rapidamente com uma de suas pernas esticadas. Mal deu tempo de o garoto registrar o que lhe tinha ocorrido e Naruto já estava bandando-lhe as pernas. O inglês caiu com um baque silencioso e Naruto aproveitou a chance para pegar sua espada no momento em que girava pelo chão. Dois segundos depois, estava por cima do inglês, com sua afiada lâmina direcionada para o pescoço muito fino que ele tinha.
Quando o garoto deu-se conta do que tinha lhe acontecido arregalou os olhos e paralisou-se. Depois de três respirações soltou sua espada lentamente.
Naruto não se moveu. Continuou a mirar sua garganta com a afiada folha, esperando pelo próximo movimento. Era tolice. Tinha a perfeita chance de matar ao garoto naquele exato momento. Mas queria ver do que mais o menino era capaz.
O inglês percebendo que Naruto não fazia nada, tentou livrar-se sacudindo as pernas e elevou os braços para golpear-lhe.
Era inútil.
Naruto estava ancorado em cima do garoto, sentado em sua barriga.
Os infrutíferos chutes não lhe causariam mal pois mal os alcançava.
Segurou seus finos pulsos com uma mão e aproximou mais sua espada de sua garganta.
O garoto sacudia-se torpemente tentando livra-se de seu peso. Só depois de alguns segundos percebeu que gastava energia inutilmente e então parou.
Naruto levou seus olhos ao rosto do garoto e enrugou o nariz.
Seu rosto estava imundo de terra. Não conseguia distinguir a cor de sua pele, mas desconfiava que a tivesse pálida.
O inglês fazia estranhas caretas, como se ainda não tivesse acreditado que havia perdido a luta.
Pensou no ar de superioridade que o homem sentiu quando derrubou sua espada. Com certeza estava acostumado a ser o melhor entre todos.
Podia jurar que também tinha dito algo em relação a ser pai.
Realmente, o garoto não tinha semblante paterno.
– Luta bem para um inglês, garoto. – Disse Naruto olhando-lhe nos olhos. Era incrível que seus orbes parecessem ainda mais claro que antes. Mas também, não devia surpreender-se.
Estava amanhecendo.
– Garoto? – Sua pergunta soou como um grito. – Mas que porra vocês andam fumando? – Grunhiu irritado.
Aí estava novamente. Não consegui entender metade das palavras que o garoto falava.
– Nunca ouvi falar desse charuto, Inglês. – Acusou-lhe Naruto
O garoto fez “o que” com os olhos e Naruto respirou fundo. Realmente, o menino era lesado?
– Charuto Porra. Nunca ouvi um charuto com esse nome. – Explicou-lhe. Não entendia por que estava lhe dando explicações. Era perda de tempo. O garoto iria morrer.
O inglês olhou para ele por um instante incrédulo. Logo depois, se engasgou e começou a tremer. Naruto enrugou a testa se perguntando se o jovem tinha alguma enfermidade.
Por meros momentos, ele sentiu pena. Era absurdo, mas não queria matar alguém que já estivesse morrendo. Era mais absurdo ainda porque sabia que não deveria se importar com a enfermidade de um inglês.
Mas o fazia.
Não demorou muito para Naruto perceber que o jovem não estava tendo nenhum ataque, e sim, estava quase contorcendo-se de rir.
– O que é tão engraçado? – Grunhiu irritado. Acaso o inglês estava rindo dele?
– Você. – Disse entre risos, confirmando sua suspeita. – Pelo amor de Deus, o cachimbo da porra? – o jovem inglês jogou sua cabeça para trás e explodiu em fortes gargalhadas. (N/A – A Hinata fez uma piada em relação ao Naruto não entender o que ela estava dizendo. Naruto pensou que “porra” Fosse a marca do charuto.)
Naruto estava, novamente, atônito. Esse jovem moço estava ousando rir as suas custas?
Com um grunhido animalesco, encostou sua espada no pescoço do infeliz até que as risadas do mesmo subitamente morreram.
Foi consciente da fina linha de sangue que saia onde sua espada apoiava.
Bom. Assim era bem melhor.
– Está me machucando. – Pronunciou o inglês em tom acusador.
– Esta é a ideia. – Respondeu aproximando sua cara do rosto de seu inimigo. – É hora de morrer, moço. – Completou, inclinando sua espada em pé, para uma morte mais limpa.
O pensamento de morte causou-lhe arrepio.
O que inferno lhe acontecia?
Antes de dar a oportunidade de hesitar mais um instante, posicionou sua espada adequadamente na garganta do inglês.
Ouviu quando o garoto prendia o ar e franziu o cenho.
Disposto a fazer o que tinha que ser feito, encarou a sua garganta.
Paralisou-se imediatamente com que acabava de ver.
O rastro de sangue tinha crescido consideravelmente mas não foi isso que o deixou petrificado.
Bem no início de onde começava o pescoço do inglês, uma fina gargantilha jazia com a delicada pedra azul turquesa. Sua corrente era meticulosamente desenhada e delicada, envolvendo perfeitamente a garganta do inglês e realçando-se com a pequena pedra quase cristalina cortada pela metade.
Reconhecia aquela peça.
Uma onda de raiva ameaçou espalhar-se pelo seu corpo um segundo mais tarde de se dar conta do que era.
O que um maldito inglês fazia com a gargantilha de sua mãe?
Apertou os pulsos do garoto enquanto tentava achar a razão através daquilo, mas era difícil.
A peça tinha sido o único objeto com ele desde que ele foi encontrado, envolto por vários panos em uma cesta, pelo clã Uchiha. Ninguém nunca soube de onde ele tinha vindo ou quem era sua família. Ele só tinha sido abandonado lá, como se não o quisessem.
Por mais que tentasse odiar por todos anos em que tinha vivido, quem quer que seja que o tenha o abandonado lá, não conseguia. Sempre seguia o pensamento que deviam ter um bom motivo para o terem deixado lá, deixando com ele somente uma rápida carta de sua mãe e a gargantilha bem desenhada.
O que quer que tivesse acontecido a deixou com afoita o suficiente para escrever somente algumas palavras no papel.
“Eu te amo, meu filho. Nunca se esqueça.”
Naruto saiu imediatamente da pesada memória. Sempre que lembrava dela tinha vontade de quebrar alguma coisa.
Provavelmente quebrasse. Os pulsos do maldito inglês.
O que voltava a questão principal. Como o inglês conseguiu o cordão de sua mãe? Pelo que se lembrava, a gargantilha estava guardada dentro de uma pequena caixa, em baixo do piso de madeira de seu quarto, junto com a carta.
Encarou ao pescoço do homem e inclinou-se mais para perto.
Estranhamente, sentiu algo macio e volumoso perto dos braços, mas não deu muita atenção. Estava muito focado em tentar descobrir algo mais importante.
Por que um inglês, homem usaria colar de mulher?
– Porque sou mulher, idiota!
Mal teve tempo para perceber que tinha falado seus pensamentos alto e muito menos para pensar no que o garoto disse.
O inglês, de algum modo, trancou suas pernas ao redor do pescoço de Naruto e com um forte giro, o jogou de lado, alguns centímetros distante.
Tinha ficado perdido em pensamentos novamente e pagou por isso.
Tolo!
Como podia baixar a guarda em frente a um inimigo?
Não era um maldito novato. Infernos!
Era um perito em matança e o mais temido de todos!
Tinha anos de experiência em batalhas e em táticas de luta. Até mesmo, anos atrás, quando o mal nele ainda podia ser controlado, ensinava jovens moços a lutar com espadas. E sua primeira regra era: Nunca abaixar a guarda perante um inimigo.
E era exatamente o que havia feito.
Não estava disposto a cometer esse erro novamente.
Rolou sobre o corpo e ergueu-se de pé em um salto.
Não podia haver mais hesitações. Acabaria com isso de uma vez por todas e depois iria procurar ao outro soldado inglês.
Naruto girou seu corpo por completo pronto para finalizar o que havia começado e tirar a vida do garoto, exceto que...
Procurou por todo o lugar com os olhos e soube o que tinha ocorrido.
O maldito havia desaparecido.
– Maldição! – Amaldiçoou erguendo sua espada e aguçando os ouvidos.
O inglês podia ataca-lo de qualquer lugar. Estava cercado de altas arvores que parecia que alcançavam o céu, mas por sorte, já estava claro o suficiente para ver um atacante.
Aguardou silenciosamente o iminente ataque mais frustrado que havia ficado em anos. Nunca antes lhe tinha acontecido nada parecido. Estava cometendo erros de principiantes, e isso acabaria lhe resultando por ser fatal.
Esperou mais um tempo e logo deu-se conta que o inglês não estava por perto.
A luz do amanhecer refletiu sobre algo próximo a ele.
Andou com passos longos e firmes até a espada que estava depositada no chão perto de uma pedras e logo deu-se conta.
O maldito havia fugido.
Rugiu ao céus frustrado por ter deixado que fugisse de novo.
Isso não podia virar um costume. Iria pessoalmente cuidar disso.
Consumido em ira, correu pela floresta a procura do inglês.
****
Sakura estava mais irritada e preocupada do que alguma vez tinha se lembrado de estar.
Seu encontro com o policial bonito, não chegou nem perto de dar certo.
O homem tinha um estranho fetiche por mãos e a todo o momento do “encontro” deles o americano elogiava de como suas mãos eram finas, como suas unhas eram bonitas e como tinha vontade de beijar cada dedo longo de suas mãos. Só faltava dizer que também tinha vontade de fazer coisas pervertidas com suas unhas.
Sakura respirou fundo.
Ela tinha sabido que não iria dar certo.
Desde que pôs os olhos no policial, pensou em fazer uma seninha de flerte e interesse para que Hinata visse que ela não estava abalada pelo caso de Trevor, quando a verdade, era que ainda gostava um pouco do infeliz.
Queria vê-lo preso por assediar sua amiga, é claro, mesmo assim, só o fato de pensar em Trevor fazendo algo desse tipo, deixava um gosto amargo em sua boca, mas odiava preocupar a sua amiga.
Sakura sabia que o plano não tinha saído exatamente como ela queria pois Hinata ainda desconfiava que ela gostasse ao menos um pouco de Trevor.
Era deplorável essa queda maluca dela por caras mais velhos, por isso saiu com o policial bonito que tinha só dois anos a mais que ela.
Nem mesmo lembrava o nome do cara.
Que piada.
No final, o encontro de Sakura tinha passado como um borrão. O infeliz nem ao menos olhava para ela. Nem mesmo tentou conhece-la. A suas mãos eram o mais interessante no suposto encontro.
Isso a deixava irritada.
A causa de sua preocupação, era Hinata. Ela não tinha aparecido na faculdade e Sakura sabia que ela tinha um importante trabalho para entregar. Sua amiga não faltaria assim a toa.
O que levava Sakura a pensar que tinha acontecido algo.
Não tinha conseguido ligar para ela ou enviar mensagens. Sempre que ligava, caia na caixa postal. Deixou vários recados, mesmo assim, não tinha nenhuma resposta.
Ao final da aula, sua preocupação já levava a melhor sobre ela. Não pôde se concentrar na matéria dada pelo professor, pois a cada cinco minutos estava tentando contatar Hinata.
Trinta minutos depois de sair da faculdade já estava de pé em frente ao apartamento de sua amiga.
Iria matá-la se estivesse dormindo.
Bateu na porta três vezes e aguardou a resposta.
O corredor de seu andar estava muito silencioso e quase escuro. Da última vez que tinha vindo visitar Hinata, não lembrava de ser tão quieto assim.
Com certeza estava paranoica, mas toda aquela calmaria só a fezia ficar mais nervosa.
Deu mais algumas batidas na porta. Mais forte dessa vez. Não conseguia parar de pensar que tinha alguma coisa muito errada acontecendo.
Soltou uma trêmula baforada de ar.
Não ia ficar esperando Hinata responder.
Abriu sua bolsa e agarrou a cópia da chave do apartamento de sua amiga. Tinha a feito um dia quando veio visitar Hinata e a gênio não estava em casa.
Esperou-a por mais de três horas no condomínio, e quando ela finalmente chegou, disse que aquilo jamais aconteceria novamente.
A solução foi fazer uma cópia de sua chave.
Sakura abriu a porta, mais que surpresa ao descobrir que a porta não estava trancada. Estava pronta para gritar com Hinata por fazê-la se preocupar sem nem mesmo ligar e por deixar a porta aberta, mas o apartamento estava vazio.
O ensurdecedor silêncio estava por todo o cômodo.
As luzes estavam acesas e o sofá desarrumado. As paredes de cor creme ressaltavam a claridade e a beleza do lugar, dando uma impressão aconchegante para qualquer um.
Se Sakura não estivesse tão preocupada, teria rido de si mesma.
Andou pelo local até a porta do quarto de Hinata. Antes estava tão irritada que disse que iria gritar com sua amiga se estivesse dormindo. Agora, estava secretamente rezando para que estivesse no quarto enrolada em seus lençóis, dormindo.
Abriu a porta e acendeu a luz.
Nada. Sua cama estava arrumada e tudo estava no lugar. Como se ela nunca tivesse entrado ali.
Respirou profundamente e pensou com mais clareza.
Ela provavelmente estaria no banho.
Mas quando chegou ao banheiro o descobriu também vazio.
Olhou para o cesto de roupa e percebeu ali as roupas de Hinata da noite anterior.
Bom. Ela chegou em casa, pelo menos.
Saiu do banheiro e olhou pela pequena mas arrumada sala. Num canto distante, os sapatos de Hinata estavam jogados como se tivessem sido lançado com raiva.
Sakura engoliu seco.
Hinata adorava aqueles saltos. Nunca iria deixá-los jogado de lado.
Sakura andou rapidamente para o sofá antes que caísse de tanta pressão.
Onde sua amiga estava? Por que diabos a porta de seu apartamento estava aberta?
Segurou sua cabeça pensando em qual seria seu próximo passo.
Hinata estava desaparecida e não conseguia se comunicar com ela.
Tinha que ligar para polícia!
Enfiou a mão em sua bolsa e tirou seu celular de lá.
Discou rapidamente o número da polícia e esperou na linha. Uma voz grossa de homem atendeu uns segundos depois.
– Departamento da Polícia de Nova York. Em que posso ajudar?
– A minha amiga. Ela sumiu. Arrume todo seu batalhão e a encontre. – Exigiu Sakura afoita.
– Calma senhora. Por favor, me explique o que aconteceu. – Disse a voz em tom profissional.
– Ela estava comigo ontem a noite. Eu saí com um cara e ela veio para casa. – Disse enquanto se levantava do sofá e caminhava de um lado para o outro. – Ela não foi para a faculdade hoje. – Disse frustrada. – Está desaparecida! – Gritou nervosa.
– Por favor, acalme-se. – Disse a voz.
– Me acalmar? Minha amiga está desaparecida! – Explodiu Sakura.
– Senhora... – Tentou dizer o homem quando Sakura o interrompeu.
– Senhora é sua mãe. Tenho idade suficiente para ser a sua filha, então nada de senhora! – Falou rápido. – Oh pelo amor de Deus, arrumem seu melhor esquadrão e a encontrem.
– Senhorita. – Disse a voz que estava ficando cansada através do telefone. – Já tentou ligar para ela? – Perguntou.
– Mas é claro que sim! Aquela porcaria só cai na caixa postal Acha que sou idiota por acaso? – Disse irritada
– Não. Mas tinha que perguntar. Onde ela mora?
– Eu estou no apartamento dela esse momento. – Respondeu – A porta estava aberta. – Completou rapidamente
– Encontrou sinais de luta ou coisa parecida? – Perguntou com a voz calma.
Sakura sabia que esse “coisa parecida” queria dizer sangue.
Pensar que Hinata pudesse estar ferida fez com que seu sangue gelasse.
– Não. – Respondeu tentando tranquilizar-se. – Eu só encontrei as roupas dela no banheiro e seus sapatos. Não encontrei sua bolsa e não tem sinal de luta. – Disse abaixando a voz quando percebeu o que parecia que estava acontecendo. O policial provavelmente não estava-a levando a sério.
– Senhorita. – Disse tranquilamente – Sua amiga só deve ter saído para algum lugar. Seu celular provavelmente está descarregado.
– Não. Ela sumiu! – Insistiu. – Tem que encontrá-la!
– Só podemos fazer alguma coisa depois de vinte e quatro horas, senhorita. – Explicou o homem. – Antes disso, por favor só aguarde. Com certeza ela aparecerá.
Sakura estava tão irritada quando desligou o telefone que quase o jogou na parede. Inclinou sua cabeça para trás e respirou fundo. Entrar em pânico não ia ajudar nenhum pouco.
Tinha que continuar insistindo.
Sentou no sofá e começou a discar o número da polícia novamente, mas parou quando ouviu que algo caia no chão.
Olhou em direção de onde o som vinha, e descobriu a centímetros de distância, um livro velho e surrado.
O livro devia ter caído do sofá.
Instantaneamente pensou em Hinata.
Parecia que podia ver Hinata segurando o livro em cima do sofá e lendo compulsivamente.
Sua amiga adorava essas coisas estranhas e antigas.
Sakura sorriu mas seu sorriso não chegava aos olhos.
Colocou o celular na mesinha que estava ao lado do sofá e agachou para pegar o livro.
Hinata cuidava tão bem de seus livros que estava impressionada que aquele parecesse tão velho e surrado.
Girou o livro em suas mãos e leu sua capa.
“Viagem pela Highlander”
Sakura prendeu a respiração.
Já tinha ouvido falar daquele livro! Foi um dia embaraçoso.
Hinata e ela tinham acabado de entrar na faculdade e saíram para beber em forma de comemoração. Mesmo não gostando de álcool, as duas disseram que iam fazer um esforço. Beberam e beberam até que estivessem rindo da cara do barmen porque ficava misturando as bebidas de um modo estranho.
Algum tempo depois, elas estavam chorando contando suas tristes histórias de vida.
Sakura lembrava da parte que Hinata contou a ela deque quando era pequena, tinha ganho um livro. Disse que o livro se chamava “Viagem pela Highlander” e que no dia seguinte sua casa tinha sido roubada.
Lembrava de Hinata ficar resmungando que roubaram seu livro e então despencando em lágrimas. Trinta segundo depois estavam rindo novamente pois um homem tinha vindo flertar com elas.
Sakura passou os dedos pela capa do livro sentindo um estranho comichão.
Poderia ser que Hinata tivesse encontrado seu livro?
Sem esperar mais um instante, abriu o livro.
“Viagem pela Highlander – Autor Desconhecido”
Sakura franziu as sobrancelhas e virou a página.
“Há muito tempo atrás, uma maldição foi lançada.”
Olhou novamente para a passagem. Ela gostava de livros que continham histórias de maldições. Sorriu levemente ao pensar em Hinata. Será que ela tinha lido o livro?
Aconchegou-se no sofá e trouxe o livro mais próximo de si.
Teria que esperar Hinata.
Mesmo que ligasse de novo para a polícia, duvidava que fossem ajuda-la em alguma coisa.
Olhou para o livro e pensou que seria uma boa maneira de passar o tempo enquanto esperava sua amiga aparecer.
Voltou sua atenção a frase e continuou lendo.
“Há muito tempo atrás, uma maldição foi lançada.
Um Highlander amaldiçoado por hereditariedade paterna se apaixonou por uma druida.
Naquele tempo, muitas pessoas achavam que magia não existia, e qualquer indício da mesma, era classificado como bruxaria.
Algum tempo depois, a druida anunciou que estava grávida de seu filho.
O guerreiro estava tão feliz que não se deu conta de imediato de como poderia ser perigoso ser pai de uma criança de mãe druida. [...]
Foram perseguidos por toda Escócia acusados de serem aliados de satã.
O guerreiro jamais iria deixar que tocassem sua mulher e seu filho, mas sabia que sua maldição seria passada para a criança, assim como foi passada para ele quando nasceu.
Com toda sua paixão e ferocidade conseguiu esconder sua mulher grávida enquanto lutava pela vida de ambos.
O homem foi levado e condenado.
A mulher, tinha escondido-se, chorando silenciosamente pela perda de seu amado, mas sabia que tinha que proteger seu filho. Mesmo que este estivesse amaldiçoado como o pai a carregar o mal.
Só havia uma maneira de salvar a criança.
Teria que abandoná-lo.”
“Mal sabiam que alguns anos depois, uma jovem estudante do séc. XXI voltaria no tempo para salvar a criança que agora convertida em um homem, albergava um mal incontrolável.”
– Isso sim, é uma introdução foda. – Murmurou pra si mesma. – Hinata com certeza deve ter adorado o livro. – Disse através de um sussurro. – Se ela leu.
Folheou a página e continuou a ler.
“A jovem atravessou a porta e a trancou atrás de si. Não podia acreditar que finalmente tinha encontrado ao livro que tinha lhe sido arrebatado durante tanto tempo.
Apoiou-se na porta e chorou. Todos os seus sentimentos estavam à deriva naquele momento. [...]
Com um forte chute, jogou seus saltos de lado e agarrou a bolsa que continha o livro. [...]
Terminado o banho, jogou suas roupas no cesto e correu para o sofá junto de sua bolsa. Finalmente poderia saber por que o livro era tão importante para ela.”
Sakura lia cada passagem sem acreditar. Olhou para os saltos de Hinata que estavam jogados no canto de qualquer maneira e depois pensou nas suas roupas no cesto. Era maluquice, ela sabia, mas podia jurar que o livro falava de sua amiga.
Continuou lendo apressadamente.
“Era um torvelinho de cores e de luzes. A pressão causada pelo ensurdecedor barulho era demais para a jovem aguentar. Levou suas mãos aos ouvidos na esperança de abafar o som.
[...]
Colocou seu celular cada vez mais alto tentando inutilmente alcançar área de serviço para seu aparelho.
– Ah, qual é! – Gritou a garota. – Não faz isso comigo! – Elevou o celular mais alto – Vamos! Vamos! – Disse impaciente.
Depois de mais alguns minutos, desistiu.
Não iria conseguir ligar para a sua amiga Sakura.”
Sakura engasgou ao ler seu nome.
– Mas que porra é essa? – Falou enquanto olhava abismada para o livro.
Não estava enganada. Aquela história ali dentro, falava de sua amiga!
******
Naruto estava bem próximo de seu inimigo agora. Tinha o encontrado alguns metros à frente correndo como se dependesse de sua vida.
Exceto que dependia.
Mas era uma corrida sem propósito.
Naruto ia matar ao inglês logo depois, pegaria ao outro.
Pensou no outro garoto que tinha desaparecido. Seria muito difícil de encontra-lo a essa altura. Muito tempo tinha se passado desde a última vez que se viram, e tinha quase certeza que o garoto já estava longe há algum tempo.
Correu mais rápido entre os galhos, cortando-os algumas vezes com sua espada para que não o atrapalhassem.
Estava totalmente claro agora, e Naruto podia ver perfeitamente ao inglês a sua frente.
O jovem era muito baixo para um guerreiro, como já sabia, mas alguma coisa no modo como ele corria o fez pensar.
Não corria feito homem.
Será que o garoto tinha certas preferencias ao conceito sexual?
Pensou sobre isso e logo descartou a ideia. Parecia errado.
Pulou sobre um grande tronco a frente e continuou a correr.
O inglês ouviu o som que fez ao pular a madeira e olhou para trás girando o seu corpo.
O sol clareava toda a floresta perfeitamente agora.
Algo chamou a atenção de Naruto para o corpo do jovem.
Foi como se ele tivesse levado um soco no estômago.
Podia distinguir dois certos volumes onde deveria estar o peito do homem.
Era impossível que o garoto tivesse aquilo tudo de peitoral! Ele nem ao menos era corpulento!
Parou sua corrida abruptamente quando o flash de memória do que o jovem lhe falou veio-lhe a mente.
“Por que sou mulher, idiota!”
Deus, será que era realmente mulher?
Não sabia o que pensar.
Como podia uma mulher se vestiria daquela maneira? Por Deus! Estava de calças!
A sua roupa de cima era estranha e larga, quase ocultando os supostos seios de mulher. Naruto desconfiava que a vestimenta fosse branca, mas era difícil perceber pela sujeira da terra.
Queria gritar para o inglês, ou melhor, inglesa? Parar, mas não sabia como dizer.
Tinha atacado a uma mulher então?
Impossível.
Não era mulher.
Não podia ser.
Nenhuma mulher lutava com espadas.
Ainda mais daquele jeito!
Olhou a pessoa que tinha a frente e percebeu que se afastava mais através d sua desesperada corrida.
Maldição! Não podia se distrair!
Voltou a correr como nunca havia corrido antes.
Não tinha certeza do sexo da pessoa a sua frente, e não sabia se realmente importava. Era um inglês.
Naruto viu quando o jovem pegou uma trilha perigosa.
Era conhecida por desabamentos e por várias pessoas desaparecidas.
Ele não ia deixar o inglês escapar entre suas mãos!
Acelerou mais ainda sua velocidade. Suas pernas queimavam pela corrida, e era incrível que ainda não tivesse caído pela dilacerante dor em sua perna esquerda. Possivelmente estava infeccionada. Se não cuidasse logo disso, poderia perder a perna.
Estava poucos passos de distância do inglês agora. O jovem tinha uma incrível velocidade, tinha que admitir. E era muito corajoso.
Com mais algumas rápidas pernadas estaria ao seu...
Sua mente ficou em branco quando viu o inglês escorregar e começar a descer rolando junto com um monte de terra em direção ao rio que ficava abaixo.
Naruto amaldiçoou mentalmente e contornou a parte cedida de terra. O garoto provavelmente tinha caído no rio, mas isso não seria o bastante para matá-lo.
Somente se a correnteza o levasse.
Só de pensar nessa ideia, Naruto revoltou-se.
O inglês era dele! Somente ele tinha o direito de matá-lo.
Correu rapidamente em volta de uma enorme pedra que daria na beirada do rio.
Dobrou em uma curva e agachou ao passar por uma arvore caída. Parou bem em frente a parte mais rasa do rio mas não entrou na água. Buscou o garoto com os olhos e o encontrou depois de alguns segundos mais a frente.
A queda dentro da água tinha feito seus cabelos correrem soltos. Estava todo molhado e sua roupa grudava ao redor do corpo. Naruto percebeu que estava certo, e que seu traje da parte de cima era realmente branco, infelizmente não foi só isso que ele se deu conta.
A estranha roupa colava em todo seu corpo. Exibindo suas curvas e moldando perfeitamente os fartos seios.
Uma onda de desejo e calor subiu por todo o seu corpo.
Não deveria existir tal perfeição, nunca. O corpo da mulher era extremamente desejável e incrivelmente sedutor. Dava-lhe agua na boca.
Mulher...?
O choque ao perceber que realmente era uma mulher o deixou desnorteado.
Tinha lutado contra uma mulher! Uma mulher!
A água do rio estava muito agitada. Estava basicamente um pouco abaixo do quadril da moça, ameaçando leva-la junto com a correnteza.
Naruto não podia deixar que isso acontecesse. Estava tudo tão malditamente errado. Nunca antes tinha lutado contra uma mulher. Surpreendia-se mais ainda ao dar-se conta o quão bem lutava. Mas, por Deus, não ia matar uma mulher sem motivos.
Subitamente pensou no fato de ela ser inglesa. Mas logo esqueceu-se disso.
Iria salvá-la. Querendo ou não.
Entrou na água dando pesadas passadas em direção a mulher. A correnteza estava forte. Mas forte do que tinha pensado. Se a moça caísse provavelmente iria ser levada pela força da água e cairia na cachoeira que havia a não mais que dez metros a sua frente.
A mulher girou a cabeça em direção a Naruto ao ouvi-lo e ele prendeu o ar.
Por todos os infernos!
Toda a sujeira do rosto da jovem havia sido levado pela água. Só o que deixava era sua linda e suave pele do seu rosto perfeitamente esculpido.
Parecia celestial. Seus olhos, principalmente.
Um forte instinto de proteção cresceu dentro dele. Nunca havia visto algo mais belo em toda sua existência!
– Não se aproxime! – Gritou a garota com força dando um passo para trás.
Naruto parou. Não pela ordem da garota, mas por perceber as manchas negras envolta dos olhos da jovem.
Todo seu desejo que pensava que tinha pela mulher havia desaparecido naquele momento.
Por mais linda e celestial que podia parecer, ela não era só isso.
Ela era uma bruxa!
Notas finais
Eu estava ansiosa pra publicar logo o cap, mas sempre eu tinha que acrescentar mais alguma coisa.
não sei quando vou postar o próx cap, mas espero que seja em breve. (antes ou dentro de uma semana)
Please, comentem! ^^
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