Viagem Pela Highland

12 Highlander Prometido


Notas iniciais
Er... Hum... Bem... Sinto muito?
É sério, queridos leitores, sinto muitíssimo mesmo pelo atraso de quase um mês sem publicar nada. Vocês não imaginam como estou ralando e cada dia tá ficando mais complicado de escrever.
Muitas vezes quando eu tenho um tempinho, com no máximo duas horas pra escrever, eu fico tão cansada e desanimada que não faço nada e caio na cama direto.
Enfim, falando do cap agora.
Eu realmente ia escrever bem mais. Só que tenho certeza que também demoraria bem mais se quisesse continuar escrevendo. De modo que parei e postei logo esse cap. (que particularmente, não me pareceu muito bom ¬¬')
Espero que gostem dele e aproveitem bastante a leitura, pq não sei quando vou atualizar novamente.

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A dor era atroz. Vinha diretamente da ferida gritante de sua perna, espalhando-se por todo seu corpo a cada batida de seu coração ecoando como se fossem agonizantes flechas de lava que lambiam o seu sangue. Quase não podia se mover.

Era impressionante como mal tinha percebido a dor quando se perdia deliciado com os doces e embriagantes beijos da bruxa. Seus lábios o tinham atraído desde o primeiro momento, como se fossem feitos de magia que o viciava a cada som de suas línguas batendo e sugando. Não tinha conseguido conter suas mãos. Havia percorrido os luxuosos seios da mulher habilmente com os dedos, fartando-se com a ideia de quão maravilhosos pareciam em suas palmas. Os gemidos dela, a cada beijo, a cada toque, despertou algo muito irracional nele que simplesmente fazia com que não quisesse parar nunca. Quando Hinata havia sentado por cima de seu membro, parecia que estava no céu. Tudo que queria era afundar-se em seu corpo e perder-se ali mesmo. Seria perfeito.

Mas quando ela começou a remexer em cima de sua rigidez, movendo-se tão tentadoramente como um maldito doce pecado, tinha perdido sua mente.

Ele não era mais Naruto, aquele que albergava uma maldição que fazia tremer um exército inteiro dos mais ferozes guerreiros e ela não era mais a representação do mal e odiada bruxa.

Eram só duas pessoas, homem e mulher, que se desejavam tão profundamente que não havia como negar.

Maldito inferno! No que estava pensando? Realmente desejava à mulher? A bruxa?

Não podia ser.

Mas era inegável o fogo que a mulher acendeu dentro dele, como se fosse uma besta esfomeada e ela fosse o último alimento mais suculento de todos.

Não... Não podia pensar nisso. Ela era um ser malévolo. Provavelmente tinha colocado algum tipo de feitiço nele que o fez reagir desse modo.

Mas algo dentro dele dizia que estava errado. Principalmente por ela ter estado tão excitada quanto ele. Ela também o desejava. Tinha certeza.

Tremeu mais uma vez com a insistente dor que o atormentava.

Não tinha conseguido se manter erguido na cama quando Hinata o tinha deixado. Logo que ela se afastou, parecia que todo o inferno tinha se juntado em sua perna, fazendo uma loucura total que o deixara completamente imóvel. Não conseguia sentir os braços, nem as pernas. Sentia um frio paralisante e só não congelava por causa da queimação infernal que lhe vinha da perna. Era incrível como pudesse sentir calor e frio em níveis tão elevados.

As pálpebras pesadas eram irritantes à medida que não consegui-a abri-las. Não lembrava de ter fechado os olhos, mas eram assim que jaziam.

Estava morrendo?

Não! Morrer. Não. Mulher!

O grunhido raivoso e atormentado veio de sua parte negra. Os sussurros pareciam ensurdecedores, como nunca tinham estado antes. O que a maldição queria? Matar a bruxa?

Minha! Não! Morrer! Minha! A ira frustrada no ecoar das palavras era atormentador. Não conseguia entender a maldição. O que diabos queria?

Podia sentir a parte amaldiçoada tomar forma em sua mente, com grossos tentáculos negros e grotescos, que moviam-se rapidamente pelos cantos mais distante de sua cabeça, chicoteando sem um lugar preciso enquanto se movia histericamente de um canto a outro.

Estava bem agitado.

Sentiu repentinamente a constante e exagerada vibração vindo de dentro dele. Parecia que todo o mundo estava tremendo, tudo caindo em um mar de esquecimento e se preparou o melhor que pôde. Um segundo mais tarde, percebeu que era ele que estava quase em convulsão e se assustou.

Devia estar muito perto da morte.

- Não... Não! Abre os olhos! Não dorme! Merda!

Ouviu a voz feminina de Hinata cada vez mais baixa e se concentrou nela como se fosse uma corda para tirá-lo do fundo do poço. Ela ainda estava ali no quarto, com ele?

Sentiu as mãos da mulher sacudir seu peito de leve, claramente tentando despertá-lo e logo depois jogar uma outra maldição.

Tola. Não precisava tentar acordá-lo. Nem dormindo estava. Não ainda.

Um sensação de alívio o alagou.

Não tinha fugido. Mesmo podendo muito bem fazê-lo naquele momento, ainda estava ali, com ele.

Logo, esmagou esse sentimento questionando desde quando tinha ficado tão dependente de alguém. Principalmente de outra bruxa.

Sim. Uma bruxa! Isso que era.

Esperou a sensação de ira de violência lhe reivindicar com sempre fazia, mas não aconteceu. Estranhou a maldição por não reagir de forma exagerada como sempre fazia quando mencionava a palavra bruxa. Naturalmente a essas horas, sua visão teria ficado vermelha, tanto que não poderia distinguir mais nenhuma cor, deveria sentir suas garras crescendo e os caninos aparecerem em sua boca, mas nada disso acontecia.

- Droga! Não desmaie! – Ouviu rápidas passadas dela se distanciando e logo aproximando-se novamente.

Não estava desmaiado. Se fizesse um esforço considerável poderia abrir os olhos, mas estava tão malditamente cansado que até mesmo pensar em fazer isso lhe dava sono. Queria ver o que a bruxa tentaria fazer com ele enquanto pensasse que estava desmaiado.

Tentaria alguma magia? Enfeitiçá-lo-ia com outra maldição?

E, por Deus! Por estava com tanto sono?

- Hey, hey, acorda... – A petição da mulher saía quase de modo implorativo. – Não faz isso. Vai morrer. – A voz era quase frustrada, mas era aparente a preocupação nela.

Ela estava preocupada? Com ele?

Estranho. Será que Sasuke tinha ameaçado a vida da bruxa caso não o salvasse?

Naruto quase teve pena o suficiente para abrir os olhos e aliviar a preocupação da mulher.

Quase.

Era completamente ciente de cada movimento dela, mesmo estando de olhos fechados. Ouvia cada segundo de seus apressados passos pelo quarto, indo de um lado para o outro enquanto distinguia o som de um pote sendo enchido de água, seguidos de algumas fortes e irritadas palavras que nunca tinha ouvido antes mas desconfiava que fossem maldições e insultos.

Pensando melhor sobre isso, deu-se conta que tudo que ela fazia e falava era completamente inesperado se comparado a qualquer mulher que conhecera antes e depois de sua maldição. Talvez porque fosse bruxa. Mas, mesmo assim, nunca tinha se deparado com uma feiticeira tão destacada das demais. Todas elas sempre o temiam. Tentavam fugir quando davam-se conta com quem tinham encontrado. Logo depois, suplicavam por piedade, mas nunca tinha as escutado. Todas eram sujas e corrompidas pelo mal. Não mereciam viver.

Mas Hinata era diferente.

Logo em seu primeiro encontro tinha lutado de igual para igual com ele. Sem ao menos hesitar como faziam outros guerreiros quando olhavam em seus olhos. Tinham medo, é claro.

Exceto ela, a bruxa, que no segundo confronto entre os dois o atacou com uma maldita cadeira quase o deixando sem ar.

- Vai doer, mas tem que ser forte e aguentar. Não morra.

Ouviu-a dizer.

Mas que tola. Do que estava falando? É claro que ele era forte.

E não iria morrer tão facilmente.

Uma crescente cascata de água em sua perna estava sendo derramada e acompanhado pelas trementes e suaves mão de Hinata que tiravam o excesso de sangue.

Aquilo não estava tão ruim... Quase não sentia nad...

A dor esmagadora impossivelmente se intensificou alguns segundos depois. Cada movimento que ela fazia para limpar a ferida parecia um conjunto de adagas envenenadas sendo passadas por sua perna o fazendo tremer. Sua vontade de permanecer acordado ia pondo-se mais fraca a cada instante.

Infernos! Não podia ceder à dor! Tinha que jazer acordado diante dela!

Mais água.

A única coisa que agia como um bálsamo em todo o processo, era a frieza do líquido que acariciava sua ferida levando as impurezas que ainda assim era torturante.

O impiedoso limpar durou por toda eternidade para Naruto.

Sabia que sua respiração estava evidentemente mais rarefeita do que antes e o preocupava. Parecia que tinha crescido um caroço em sua garganta que dificultava cada vez mais a passagem de ar.

Abriu os lábios lentamente e sugou o ar ao seu redor. Esperava que não tivesse sido barulhento e chamasse a atenção da morena. Não queria que ela soubesse que estava acordado, assim, abriu os olhos para verificar.

Sua visão estava escurecida e um pouco oscilada. Demorou mais do que devia até que conseguiu clarear seus olhos e registrar quando Hinata passou delicadamente um tecido seco por sua perna, secando-o.

Quase murmurou uma oração aos céus quando percebeu que quando lhe secava não doía tanto.

Ela mordia seu lábio inferior tentadoramente inconsciente da ação, enquanto sua atenção era completa na perna lesionada.

Colocou o pano sujo de sangue dentro de uma vasilha de água e levantou-se caminhando agilmente em direção ao fogo. Tirou algo que estava a altura da lareira e soprou-o como se estivesse quente.

O que era aquilo?

Ela voltou para a cama e sentou ao lado de sua perna, sem nem mesmo olhar para seu rosto um instante sequer de tão concentrada que estava. Mas uma vez, ele se perguntou o porquê.

Sasuke tinha mesmo a ameaçado?

Outro momento mais tarde a dor cegante o invadiu. Cerrou os dentes, tencionando o maxilar até que pensou que fosse se partir. Ergueu a cabeça com mais dificuldade do que imaginou ser possível para a mulher e percebeu que ela estava o costurando. A agonia era paralisante e por um momento pensou que estivesse perto da morte. Tudo parecia ser mais intenso enquanto ela o remendava.

O quarto parecia mais escuro, podia sentir o forte e delicioso cheiro de jasmim e se perguntou de onde vinha. Poderia se concentrar nisso enquanto era costurado?

Mais dor. Incontavelmente vezes pior que a de antes. Inclinou novamente a cabeça para analisar o que diabos a mulher estava...

Infernos, o que ela estava fazendo?! Nem mesmo tinha feito três pontos sequer! O que ela era? Uma curandeira ou uma perita em tortura enviada do inferno?

Todo o processo de emendação se estendeu tanto que ele poderia imaginar ser impossível. Tinha até mesmo perdido a contagem de quantos pontos estava recebendo na perna quando quase havia desmaiado pela dor.

Já havia recebido ferimentos maiores e mais profundos, mas esse, incomparavelmente era o mais doloroso e irritante de todos. Provavelmente porque havia deixado infeccionar. Sempre que se feria, curava rápido, mas especificamente essa maldita lesão, não curava.

O suspiro cansado e pesado de Hinata chamou sua atenção.

A mulher estava secando as mãos sujas de sangue em algum tecido e parecia que tremia a cada tentativa dela de limpar-se. Seu rosto estava assustadoramente pálido enquanto o suor fazia o modesto trabalho de grudar fiapos de seu cabelo negro em seu rosto.

Parecia que finalmente, depois de três horas, ela havia terminado.

Ela jogou o pano de lado, junto de outros mais e voltou a tenção a sua perna. Parecia medir a eficiência de seu trabalho e Naruto pôde perceber que a mulher se orgulhava do que havia feito. Acompanhou com o olhar uma de suas mãos que tocou tão levemente sua perna ferida e como tinha percebido antes, sentiu como tremia e como estava gelada.

Parecia muito nervosa. Podia ser que nunca tivesse remendado alguém antes?

- Por fim, a tortura terminou. – Murmurou com a voz meio pesada.

Hinata pulou tão alto de sua cama que acabou por chutar sem querer uma das vasilhas que estava no chão. Ela girou seu rosto para ele mais pálida que antes e levou uma mão ao coração, como se tivesse levado o maior susto de sua vida.

- Filho de uma cadela. – Ela disse pregando os olhos em sua direção.

Naruto simplesmente não pode se conter e sorriu. Realmente, achava muito engraçado o modo como ela o insultava.

Espera. Isso não deveria ser engraçado. Maldição!

- Dificilmente.

- Pensei que tivesse desmaiado ou... morto! — Comentou ela tentando recompor a postura. – Eu... – Tossiu limpando a garganta enquanto fechava e abria os olhos com força. – Oh, caramba! Você estava acordado! – Exclamou arregalando os olhos.

- Sim. E sentindo cada maldita agulhada de cada tentativa falha de me costurar corretamente! – Grunhiu mal humorado.

- Er.. – Riu sem graça. – Sinto muito por... qualquer dor desnecessária... – Completou ainda sem jeito.

Naruto bufou sarcasticamente.

- Como se não tivesse feito de propósito! – Olhou-a acusadoramente.

- Hey! – Interrompeu falando mais alto. – Pode parando por aí! Eu fiz o que pude pra te ajudar, okay? Meu único alívio no que estava fazendo naquela hora era o fato de pensar que você estava desmaiado! – Foi baixando o tom, claramente se sentindo culpada. – Eu... realmente sinto muito...

- Tsc...- Estalou a língua se sentindo estranho por saber que a mulher se preocupava por ele. – Esqueça. – Cortou-a bruscamente. – Faça, agora. Retire a maldição. – Chamou-a com dois dedos, esperando que o obedecesse.

Ela olhou para ele franzindo o cenho e elevou uma sobrancelha quase como se dissesse “Me obrigue” e depois bufou alguma coisa que ele entendeu como “bundão” levantando-se da cama e dando-lhe as costas pondo distância entre os dois. Enquanto se afastava, Naruto percebeu algo que cintilava na parte de trás de sua cintura. Não demorou muito para perceber que aquilo não era nada menos que a arma com que o tinha ameaçado.

Maldita fosse! Amaldiçoou consternado, percebendo que tinha esquecido que horas antes a afiada lâminha tinha estado a distância da asa de uma mosca de sua garganta. Como pode se esquecer tão fácil da ameaça? Estava tão mal que não conseguia racionalizar adequadamente?

Possivelmente teria sido a desculpa mais aceitável em suas condições, mas se conhecia melhor. Ele podia estar débil, mas não a ponto de baixar a guarda tão drasticamente para o inimigo.

Mas, maldito fosse ele. Tinha-o feito. Tinha ignorado completamente a arma dela quando sentiu o sutil cheiro de jasmim impregnado em seu quarto. Como podia alguém de uma fragrância tão pura e tentadora?

Tinha que desarmá-la. Já não era bom que a mulher fosse uma bruxa, só piorava sabendo que carregava uma mortal adaga.

Observou-a caminhar em direção ao fogo e mexer com algo de dentro do da tigela. Mesmo não querendo, seus olhos acompanharam cada movimento de seus quadris e quando seu traseiro balançava para lá e para cá como se o provocasse a apertá-lo, chamando sedutoramente para que mordiscasse e beijasse cada precioso centímetro de seu vantajoso traseiro. Ouviu algo parecido com um ronrono deliciado pela ideia de reivindicação total daquela parte vindo de seu interior.

Maldição! Estava fazendo de novo.

Desviou o olhar da tentadora visão e apoiou suas costas nos travesseiros, tentando se acomodar enquanto esperava a mulher terminar fosse lá o que estivesse fazendo.

Desde quando era tão paciente? A pior parte era saber que nunca tinha desejado tão fortemente uma mulher como fazia com ela.

Respirou profundamente com vontade de fechar os olhos.

Não podia dormir. Tinha que se manter alerta. Se dormisse ficaria vulnerável e somente a ideia de algo parecido o repudiava.

Ouviu os passos de Hinata se aproximando e voltou seu olhar para ela. Ela não lhe falou nada, somente sentou ao lado da cama, de frente para ele e começou a passar uma pasta fedida de unguento em sua perna. Quando finalmente terminou de cobrir a ferida com o remédio, tomou uma pesada respiração e elevou seu rosto para o alto com os olhos fechados movendo sua cabeça de um lado para o outro enquanto pescoço estalava.

Parecia cansada. Por quanto tempo tinha cuidado dele?

Não que lhe importasse. É claro que não o fazia.

Mentiroso. O sussurro maléfico brotou em sua cabeça o deixando completamente atônito.

- O que disse? – Questionou a maldição completamente estupefato.

- Não disse nada. – Respondeu Hinata desentendida.

- Não perguntei a você. – Retrucou irritado.

- Humph – Bufou ela. – É claro que não... – Murmurou, obviamente achando que ele estava louco.

Se amaldiçoou mentalmente dando-se finalmente conta que tinha pensado alto. Era raro aquilo acontecer, mas estava tão espantado que não tinha percebido.

Sua parte escura realmente tinha-o chamado de mentiroso?

Não obteve resposta nenhuma da maldição quando a questionou e começou a pensar seriamente se tinha imaginado.

- Beba isso. – Estendeu uma vasilha com um líquido meio esverdeado dentro.

Naruto olhou da Hinata para o pote e novamente para ela. Não iria beber mais nada com o mínimo gosto do chá que tinha bebido antes. Ainda podia sentir a garganta ardendo pelo sabor daquele asqueroso líquido que a mulher o tinha forçado a beber e realmente não queria uma segunda dose.

- Sentirá menos dor e poderá descansar. – Completou ela quando Naruto não disse nada.

- Guarde as justificativas pra si mesma, mulher. Não vou beber mais uma gota sequer de qualquer coisa repugnante que tiver para oferecer. – Respondeu negando com a cabeça enquanto se acomodava entre as almofadas, olhando-a com olhos desafiadores.

Sabia que não deveria provoca-la. Era óbvio que ela não levava bem a um desafio.

- Você vai beber. – Olhou-o séria e ao mesmo tempo furiosa. – Nem que eu tenha que força-lo como da última vez. Você lembra, não é mesmo? – Perguntou com o tom descaradamente inocente e zombeteiro.

- Tente algo parecido e vai se arrepender.

- Bem, eu realmente acho que você não está em condições de fazer ameaças, senhor não-mecha-comigo-senão-eu-te-mordo. – Levantou-se da cama e aproximou-se dele. – Então não seja tão idiota e beba logo.

- Me obrigue, bruxa. – Grunhiu entre dentes.

Parecia que a vontade de atiçar a fúria da mulher era mais forte do que havia pensado. Mas não podia evitar. Realmente gostava de vê-la agressiva.

Um segundo mais tarde, quando viu seus olhos perolados transformarem-se em duas frestas finas de irritação, soube exatamente o que iria acontecer.

Sorriu de satisfação enquanto preparava-se para arrebatar-lhe a adaga da cintura.

****

Sakura sacodiu a cabeça negativamente com um sorriso bobo que aparecia em seu rosto enquanto lia a outra passagem do livro. Aqueles dois eram realmente muito parecidos.

Completamente iguais, seriam as palavras certas. Hinata podia parecer um pouco agressiva, mas ela realmente era uma pessoa gentil que se preocupava com o próximo. Mas tudo fica complicado quando o cabeça dura do Naruto parecia não quere a sua ajuda. Sabia como sua amiga era quando a provocavam tão deliberadamente e por um momento se perguntou se o loiro iria ficar bem. Hinata provavelmente iria fazer algo impensável, novamente, que iria coloca-la em outra situação penosa.

Ou não tão penosa assim. Pensou, enquanto lembrava de toda ousadia de sua amiga enquanto montava no guerreiro como se fosse um cavalinho de pau.

Aquela assanhada.

Soltou uma risada ao pensar na reação de Hinata quando contasse que tinha lido tudo que acontecia com ela e o loiro.

Provavelmente morreria de vergonha. Ainda mais por ela não ser tão ousada como estava sendo com o loiro. Também tinha percebido que ela se irritava rápido demais com ele. Lógico, o cara bem que fazia por merecer umas boas porradas dela, mas sua amiga era bem mais tolerante que isso. O que fazia a pensar no que estava acontecendo. Hinata nunca foi uma pessoa de se socializar muito com homens mas aprendeu a lidar bem com isso. Sempre quando não estava a fim, dava um fora bem dado em quem quer que estivesse lhe azucrinando deixando o cara com o ego completamente deprimido e inflado.

Era diferente com Naruto.

Parecia que ela queria arrumar um motivo pra brigar com ele.

Hinata, Hinata... O que está se passando na sua cabeça de vento, garota? Não sabe que o homem parece ser perigoso? Bem... muito quente, mas... Assustadoramente perigoso.

Respirou fundo ansiosa pelas próximas palavras que iam-se revelando no livro no mesmo instante que as ações eram ocorridas com sua amiga. Era surpreendente como não se cansava de assombrar-se cada vez que lembrava que estava lendo um tipo de livro mágico que contava detalhadamente a louca viagem de sua amiga ao séc. dezesseis.

Desdobrou as pernas do sofá e depositou o livro em cima das almofadas. Tinha que esticar as pernas um pouco. Desde que descobriu que Hinata havia voltado no tempo quando foi absorvida pelo livro, tinha ficado enfurnada em seu apartamento esperando que algo novo acontecesse para que sua amiga pudesse voltar pra casa. Nem mesmo tinha ido à faculdade. Estranhamente, parecia sem importância comparado a magnitude do que tinha descoberto.

Magia realmente existia! E estava presente, ali, naquele momento, enquanto as palavras iam se formando uma atrás da outra descrevendo não só as ações de sua amiga, como também de muitos dos outros guerreiros e até mesmo o senário. Era excitante!

Como seria viver naquela época? Teria se dado bem lá?

Hum... Provavelmente não. Pensou seu subconsciente. Não tinha internet. Eles não faziam a mínima ideia do que era chocolate, e o pior de tudo: Não tinha área pro seu celular! Como iria viver num lugar sem seu precioso celular?

No momento em que pensou nele, o aparelho começou a vibrar loucamente, acompanhado pela música Hero da banda Skillet, fazendo-a dar um salto pelo susto. Logo levantou-se do sofá e agarrou ao celular em cima da mesinha que ficava no meio da sala. Verificou o número e franziu o cenho quando leu “desconhecido”.

Novamente. Maldito fosse! À quase dois meses vinha recebendo esses tipos de ligações que somente eram sons de respirações através da linha quando atendia que nunca a respondiam. Era frustrante. Como podia um infeliz desses gostar de azucriná-la tanto com trote?

Acalme-se. Talvez seja outra pessoa.

Com esse pensamento, pressionou o botão verde do seu celular e o levou ao ouvido.

- Alô? – Perguntou com um tom firme.

Aguardou alguns segundos pela resposta, mas ninguém a respondeu. Era como se tivesse ficado mudo. Somente conseguia distinguir a irregular respiração através da linha.

- Alôôô?? – Estendeu a pergunta mais uma vez.

Nada.

Jogou uma maldição e um bufo de raiva e desligou o telefone. Sabia que não devia ficar estressada por algo tão insignificante como um trote. Francamente! Era idiotice. Mas essas malditas ligações lhe davam nos nervos! Não tinha medo. Não mesmo. Sabia se virar muito bem. Só que era extremamente desconfortável saber que tinha um grande filho da...

Novamente o celular tocou.

Sakura cerrou os dentes um no outro e atendeu a ligação.

- Olha aqui, seu maldito filho mãe! Você não tem nada melhor pra fazer não? Acha engraçado me fazer perder tempo atendendo suas ligações idiotas onde você só fica em silencio como se tivesse engolido um maldito ovo!? Escuta bem, se eu descobrir quem é, pode ter certeza que eu vou te castrar, está me ouvindo? – Sua voz era uma completa mistura de fúria e ameaças que ela realmente estava inclinada a cumprir.

A som da respiração do outro lado da linha interrompeu-se abruptamente, como se tivesse levado um susto, logo depois, voltou um pouco mais pesada.

- Espero que tenha entendido. E não me ligue mais, se não, além de te castrar, faço você engolir suas bolas e te entrego para a polícia!

Estava pronta para afastar o telefone da orelha e desliga-lo um pouco mais aliviada por dizer pelo menos um pouco do que queria fazer com o infeliz que estava lhe mandando trote, quando a grave e cansada voz ressonou através do aparelho, fazendo todo seu ar se extinguir como se tivesse levado uma bolada de golfe no estômago.

- Sakura... – A voz do homem parecia triste e cheia de pesar. – Eu... sinto muito por tudo... Precisamos conversar. Estarei no-...

Ela interrompeu a ligação abruptamente enquanto pressionava com desespero a tecla que finalizaria a chamada. Nem dez segundos depois, seu telefone voltou a tocar e ela fez a única coisa que passou em sua cabeça naquele momento.

Lançou o aparelho fortemente na parede, com uma destreza tão absurda que daria inveja aos lançadores de futebol americano, enquanto o via se despedaçar em dezenas de pedaços se espalhando por todo o apartamento.

Ficou em pé por vários instante, não ouvindo nada mais que sua dificultada e trêmula respiração que saía escassamente por sua boca aberta, ainda chocada e assustada. Suas pernas estavam tão mole quanto gelatina e não conseguiu sustentar seu peso por mais tempo. Enterrou os joelhos no tapete com um baque silencioso e se encolheu ali mesmo, segurando seu rosto com as mãos frias e lutando para não chorar como se fosse uma criança.

Oh Deus... Por quê? Por que aquele homem a ligou? Por que agora?

Um grande caroço depositou-se em sua garganta como se fosse uma pedra. Por que tinha que reagir assim? Era só uma ligação, certo? E ele não sabia onde ela estava.

Por Deus, que soubesse onde estava! Não podia saber!

Não tinha certeza do que aconteceria se visse ao homem de seus pesadelos desde quando era criança à sua frente.

Não podia encontrar e fazer frente com seu pai.

***

Agrh! Mas que inferno! O homem era teimoso como uma mula! Será que o muito idiota não percebia o mal que estava fazendo ao negar tomar os malditos remédios? Por que não conseguia entender que a cada recusa dele era mais um passo para a morte que dava?

Fechou uma de suas mãos em punho e o encarou furiosamente.

Naruto estava sentado na cama, com as costas apoiada em um monte de travesseiros com a cabeça encostada em alguns deles, a encarando como se dissesse te-desafio-a-me-obrigar-a-beber-este-grande-e-fedido-mijo-do-capeta enquanto um sarcástico e irritante sorriso desdenhoso aparecia no canto de seus lábios.

Agrh! Grunhiu novamente em sua mente. Como podia alguém ser tão irritante e tão pecaminosamente tentador como ele? Parecia que fazia questão de irritá-la a cada maldito segundo, e podia jurar que o via se divertir com isso.

Mas o pior era que ele não sabia o quanto estava perto de morrer e ainda assim teimava de uma forma impossível! Parecia até ela em seus dias de TPM!

Deu uma respiração profunda e controlada, enquanto recuperava seu controle. O que realmente queria fazer era força-lo a beber mais uma vez o chá até que não sentisse mais dor nenhuma e adormecesse, mas não podia deixa-lo agitado. Tinha que conservar as energias do homem se não morreria. O que a lembrava...

Ele não havia comido!

- Certo. Não beba então. – Disse distanciando-se dele.

Pelo canto do olho, pôde perceber que ele tinha ficado surpreso por sua reação, como se esperasse outra coisa dela. Ele tinha uma perfeita sobrancelha loira arqueada como se estivesse se questionando o que ela iria fazer naquele momento. Podia que alguns dias atrás tivesse pensado que levantamento de sobrancelha fosse a coisa mais ridícula do mundo, mas naquele momento, tudo que podia pensar era que o homem parecia mais sexy e mais deliciosamente desejável que nunca.

Era quase um pecado que alguém transbordasse tanta tensão sexual nela assim.

- Mas... Terá que comer. – Completou apanhando a sopa que tinha permanecido ali desde cedo.

- Vai me alimentar, inglesa? – Um sorriso profundamente intimidante apareceu em seus lábios.

- A não ser que possa comer sozinho. – Murmurou se perguntando se lhe dava a sopa fria ou se pedia outra, tentando, inutilmente, ignorar aquele sorriso diabolicamente promissor.

— Não seja tola. É claro que posso. – Declarou como se ela fosse algum tipo de retardada.

- Sei... – Murmurou ela, olhando para Naruto como quem não acredita. – Levanta o braço direito, então.

Naruto bufou alguma coisa sobre a estupidez de uma mulher e lego depois olhou para seu braço direito. Franziu o cenho uma... duas... três vezes.... até que finas linhas de umidade apareciam em seus rosto pelo esforço de levantar o braço.

Sua boca se tinha posta em uma fresta frustrada enquanto pressionava um lábio contra o outro.

- Para. Esquece. – Interrompeu ela se sentindo culpada por fazê-lo sofrer sem necessidade.

- Não interfira, mulher. Posso muito bem me alimentar sozinho! – Grunhiu sem olhá-la.

- Sei muito bem que pode. Mas não quero que faça esforço desnecessário.

Ela sabia o quanto ele estava fraco pela perda de sangue, e não era muito legal da parte dela causar-lhe constrangimento por nem sequer conseguir levantar o próprio braço!

- Eu vou pedir para que façam outra sopa. Essa está fria. – Argumentou quando ele lhe olhou de cara feia.

- Nem pense na possibilidade de passar por aquela porta. – Disse com a voz tensa em um tom bestial.

- Mas a comida... – Tentou replicar

- Está perfeita do modo que está! — Cortou-lhe sem deixar espaço para mais discursões.

Maldito guerreiro teimoso!

Tragou o ar lentamente e tentou não xingá-lo. Ela podia muito bem dar as costas para ele e fazer o que bem entendesse. Mas tinha quase certeza que se fizesse isso, ele a perseguiria e arrebentaria todos os pontos da perna. Definitivamente fora de questão! Não tinha trabalhado mais de quatro horas à toa! Se ele quisesse comer a sopa fria, o problema era dele!

Aproximou-se da cama lentamente e se sentou de seu lado. Era ciente que Naruto acompanhava todos os seus movimentos meticulosamente com os olhos. Parecia que podia sentir seu olhar perfurando até o mais profundo de sua alma a deixando um tanto vulnerável, com vontade de encolher os ombros e abaixar a cabeça, como s tivesse feito algo de errado. Engoliu seco enquanto apanhava a talher e enchia com a sopa. Levou cuidadosamente em direção aos lábios de Naruto sem olhá-lo nos olhos. Se fizesse isso, provavelmente erraria a direção da colher e acertá-lo-ia no nariz e ele com certeza não iria gostar de respirar sopa.

Esperou até que ele, hesitantemente, abriu a boca, e o alimentou. Aquilo parecia trabalho de babá, mas estranhamente achou muito excitante alimentar um homem daquele tamanho tendo plena consciência de que ele precisava de seus cuidados. Tentou, inutilmente não olhar para os lábios do homem, lábios que antes tinham estado selados aos seus, em uma dança docemente erótica e provocativa que lhe fazia arrepiar os cabelos da nuca somente por lembrar. Naruto era todo e completamente virilidade, de cabeça aos pés e ela quase morria por voltar exatamente de onde tinha parado com o guerreiro.

Alto lá, Hinata! Não pense nesses tipos de coisa! Recriminou-se mentalmente. Alimente o guerreiro e saia daí o mais rápido possível antes que pule em cima dele!

Pula nele! Incitou a vadia

Morde ela! Pressionou a vaca.

Monta nele e lhe cavalgue até que esqueça de seu nome! Gritou a puta.

Oh caramba... Calem-se. Tentou silenciar os pensamentos nada descentes que vinham acompanhados de imagens muito eróticas pra sua sanidade. Se desse ouvido aos seus desejos, possivelmente fizesse tudo aquilo e muito mais! Como podia esses tipos de pensamentos aparecerem tão repentinamente em sua cabeça?

Repetiu o mesmo ação de alimentá-lo lentamente, tentando absorver cada detalhe de seus lábios, seu queixo forte e a língua sexy que ele punha pra fora uma vez ou outra para umedecer seus lábios, até que a sopa havia finalmente terminado. Afastou o pote, depositando-o ao lado da cama e respirou devagar. Parecia que tudo estava ficando de cabeça para baixo novamente.

Desde quando era tão atenciosa? Ou melhor, desde quando seus pensamentos eram tão desinibidos sem nem mesmo sua vaca interior interferir?

A última coisa que queria era que o homem pensasse que se importava com ele. Porque era malditamente verdade, mas ele não precisava saber disso.

Tinha que se afastar dali. E rápido. Principalmente pelo motivo da habitação ter caído em silêncio novamente, onde, naquele momento, ela só podia ouvir a respiração dele entrecortada com a sua.

Girou ligeiramente sua cabeça e tentou ser discreta ao olhá-lo. Ele se mantinha em uma posição relaxada, seu peitoral desnudo subia e descia com medidas respirações e por um momento ela quis deslizar sua mão pelo seu abdômen para comprovar se eram tão formosamente perfeito como pareciam. Levou seu olhar mais a cima, ainda sem olhá-lo nos olhos e percebeu um sardônico sorriso em sua boca. O homem se sentia como se fosse o dono do mundo e não tivesse com o pé na cova. O cara era um total arrogante! Nem sequer um obrigado tinha lhe dado!

Tudo bem que ele pensava que fosse uma bruxa...

Não, realmente, não estava tudo bem.

Uma bruxa? Ela? Sério? Tinha lido livros de romance medieval o bastante para saber que basicamente, naquela época, qualquer tipo de acontecimento o que não era de uma explicação plausível, era considerado como bruxaria.

Mas... Qual é? Ela não era uma bruxa. E sinceramente achava um absurdo que ele pensasse assim dela. Ele só perdia pontos ao seu ver. Ela torcia interiormente para que ele perdesse tantos pontos com ela o quanto fosse possível. Quem sabe ela perdia o interesse? Queria muito acreditar em algo assim, pois sabia que não poderia ter nenhum tipo de relação saudável com esse homem. Ainda mais pelo fato de eu só conseguisse pensar em devorá-lo inteiro.

Deslizou seu olhar para fora da visão que era Naruto e respirou fundo. Tinha que se afastar. Estava cansada. Um caco total. Sem falar que sua pele estava pegajosa e que parecia que podia sentir o maldito ogro Shrek em sua barriga dado que não parava de roncar de fome. Apoiou uma de suas mãos na cama e impulsionou para baixo até que pôde se levantar. Começou a afastar-se calmamente para não tombar para os lados, pois podia começar a ver pequenos pontinhos pretos em sua visão, quando sentiu uma firme mão ao redor de seu pulso. Girou subitamente e totalmente desequilibrada quando tombava para a cama e se estabilizava com um joelho na cama e a mão livre no peitoral de Naruto.

- Mas que droga você está faz...

Oh caramba... Se interrompeu bruscamente. Parecia que tinha engolido um bolo de carne que tinha se instalado em sua garganta a impedindo de continuar. Ele estava muito perto. A proximidade dos dois era extremamente encabulante, com o membro do homem tão próximo a ela somente sendo separado pelo infeliz tecido do lençol. Sentiu um sutil roçar de alguma coisa em suas costas, mas mal prestou atenção.

Não conseguia evitar que seus olhos se encontrassem no momento que elevou sua cabeça para encará-lo e dar-lhe um bom esporro por puxá-la desse jeito, mas no momento em eu seus olhares se conectaram, parecia que várias ligeiras e finas descargas de energia abrangiam todo seu corpo, começando da sua mão em seu amplo peitoral e do agarre dele em seu pulso até que se espalhava em milhares de centelhas que a aqueciam por dentro e a fazendo respirar mais rapidamente. Sentia o ar ao seu redor ficar rarefeito e seu corpo ficar quente. Suas reações pareciam a de uma garotinha de colegial com o primeiro namorado. Seus rostos estavam muito próximos e mesmo com a escassa luz que tinha da lareira, podia distinguir seu olhar azul hipnotizante que reclamava o seu. Era impossível de desviar e não sabia realmente se o queria. O mar de perdição que era seu olhar a seduzia até a última gota de sua alma e teve que engolir seco ao pensar o quão absurdo aquilo era. Tão absurdo como era agora que parecia estar imaginando coisas como o olhar dele intercalando de azul para uma cor mais profunda... Mais escura... Como se fosse vermelho, numa dança meio macabra com sua íris azulada, somente para depois sumir e reaparecer mais forte como brasas.

O que era aquilo? Só podia ser um truque! Mas... Impossível! Eles estavam no Séc. XVI! Não se vendia lentes de contato no século dezesseis!

Pulou instantaneamente do agarre do loiro e se jogou tão abruptamente para trás que quase caiu da cama ao se afastar. Toda a descarga eletrificada que tinha sentido antes ao simples toque de ambos tinha sumido tão rápido e assustadoramente que quase se sentia vazia. Olhou para sua mão ceticamente questionando-se se tinha ficado louca. Esses tipos de coisas só acontecem em livros!

Mas por um momento, teve dúvida. Ela tinha certeza que havia sentido algo.

Olhou para Naruto hesitantemente com uma sensação indescritível lhe abatendo sobre o estômago. Para sua maior surpresa e espanto, o loiro tinha uma expressão mais perplexa que a sua estampada no rosto enquanto avaliava sua própria mão como se tivessem criado escamas nela.

Parecia que ele também tinha sentido a descarga de energia entre ambos. Oh, Deus... Isso era loucura... E seus olhos... Tinham ficado vermelhos, certo? Mas não era só isso que tinha visto ali naquela hora. Também tinha percebido um desejo tão forte e abrasador quanto o dela naquele enigmáticos olhos que mudavam de cor.

Os olhos dele não mudaram de cor! É cientificamente impossível! Insistiu para si mesma. Mas ainda tinha a bendita lembrança gravada em sua mente. Mas parecia tão sem importância quando pensava em como o queria por inteiro!

Oh, caramba... No que estava se metendo? Mal conhecia o homem e já estava querendo fazer... coisas... com ele.

Uma incômoda e preocupante sensação de borboletas no estômago a atingiu e deixou-a completamente desnorteada, pois tinha certeza que aquela reação não era porque estava com fome.

Oh, não... Borboletas no estômago não...

Com passadas ainda desordenadas, afastou-se o quanto pôde de Naruto, até que finalmente tinha chegado a porta e a abria para sair do quarto.

Basicamente pulou do lado de fora até que ouviu um “Mulher!” sendo exclamado pelo loiro e deu uma rápida parada, olhando para trás.

- Só preciso de um pouco de ar. – Disse, antes de fechar a porta do quarto e sair correndo pelo corredor.

****

Sasuke perambulou pela enésima vez no grande salão estalando os dedos uns nos outros de modo apreensivo. Já tinham se passado mais dois dias desde que Hinata havia concordado novamente em ajudar Naruto, tratando dele até que estivesse totalmente desgastada. A curandeira era muito dedicada em seu trabalho. Antes, não tinha lhe dado crédito. Achava-a muito nova para possuir tais talentos de uma anciã curandeira. Mas a mulher mostrou que era capaz, mesmo dizendo que não tinha muita experiência, tinha salvado o rabo de seu amigo de modo que Sasuke quase chorou de alegria.

Quase.

Naruto estava se recuperando muito bem. Pelos relatórios de Hinata, suas feridas estavam fechando “assustadoramente rápido”, tinha lhe dito a mulher. Ela parecia assustada e um pouco perplexa pela velocidade de cura de seu amigo. Sasuke já estava acostumado a isso. Desde que tinha ganhado sua maldição, Naruto pôde perceber que se curava rápido demais em relação à antes. Tinha tentado convencer a Sasuke que lhe dizia a verdade e quando não acreditou, o loiro fez um profundo corte em sua mão, dizendo que iria prova o que estava dizendo era verdade. Sasuke havia ficado cético de início, se perguntando se Naruto havia ficado louco. Imagina a sua surpresa quando no dia seguinte, Naruto lhe mostrou a mesma mão somente com uma fresta fina, um pouco inflamada, mas quase curada linha que marcava a cicatrização da ferida do dia anterior? Logo chegaram a resposta que a maldição, de algum modo, acelerava seu processo de cura, tanto quando lhe dava uma força sobrenatural e seus olhos ficavam vermelhos quando Naruto se deixava levar.

Esse foi um dos exatos motivos pelo qual ficou em pânico quando Naruto havia chegado com a maldita enorme ferida em sua perna e ela e depois de um tempo, continuava aberta e sangrando. O desespero tinha chegado quando deu-se conta que nenhuma curandeira do povoado concordava em ajudar Naruto. Tinha oferecido riquezas absurdas pra qualquer uma que o salvasse, mas tinham muito medo dele pelo boato que Naruto tinha sido amaldiçoado por uma bruxa. Pensavam que se chegassem perto dele, poderiam sofrer com o mesmo destino. Somente uma mulher, que por muita persuasão e promessas de riquezas inestimáveis concordou hesitantemente em curá-lo. Somente para algumas horas depois sair correndo do quarto gritando assustada e dizendo que seu amigo continha “o mal”. Depois disso o inferno tinha descido a baixo. Não tinha conseguido encontrar uma alma sequer de curandeira nem mesmo em outros clãs, e cada dia que se passava Naruto ficava pior.

Hinata foi como um milagre que havia caído dos céus. Primeiro tinha pensado que fosse uma espiã inglesa com todo seu sotaque que não era da Escócia, mas logo que entendeu que a mulher era uma curandeira, nada mais tinha importado. Foi irresponsável ao coloca-la no mesmo quarto de seu amigo sem nenhuma escolta, sabia disso, mas também tinha plena certeza que se não fizesse o que a mulher pedira, seu amigo não duraria muito mais que aquela noite. Então não tinha tido nada a perder. Graças aos céus que Hinata não fosse uma inimiga. Pelo menos era isso que parecia.

Mas ainda tinha algumas dúvidas sobre ela e de onde ela veio. Pesando sobre isso um momento, não sabia muito sobre ela. Somente que vinha de um clã nomeado Hyuuga, mas que também nunca tinha ouvido falar. A mulher era um completo mistério.

Entretanto, não era por isso que caminhava de um lado para o outro tão apreensivo. Hinata era o menor de seus problemas.

Hoje era o dia em que sua prometida chegaria e o castelo estava um completo caos, tanto quanto a sua cabeça. Sabia que tinha que casar-se e garantir o futuro do clã Uchiha com herdeiros. Mas a ideia de atar-se a uma mulher que tinha uma fama ruim como a de sua prometida lhe irritava. Talvez, fossem somente exageros. Mas sempre tinha dado ouvidos ao seu povo e o que eles necessitavam. Naquela manhã, alguns de seus servos o procuraram e lhe pediram para não casar-se com a mulher que estava a caminho, que ela não seria boa nem para ele, nem para seu povo. No momento, somente o que podia pensar era que a criadagem de seu castelo tinham enlouquecido. Mas depois, analisou-os bem, e o que pôde perceber nos olhos de cada um que vieram falar com ele o deixou receoso. Eram olhos de quem tinha medo. E não só um medo superficial criado por falatórios exagerados sobre alguém. Era mais como se fosse a forma mais pura do medo. E simplesmente não conseguia tirar aqueles olhares de sua cabeça.

Apertou fortemente o maxilar, cerrando os dentes um no outro. Não saber o que podia esperar de sua futura esposa era extremamente frustrante.

Odiava a ideia de que seus criados temessem a futura senhora do castelo, seja ela quem fosse. Não gostava de pensar que veriam sua futura mulher como uma harpia, onde teriam medo, não respeito ou adoração para com ela. Uma boa relação com os senhores do castelo não eram criadas através de intimidação e temor.

Juntou um bocado de ar em seus pulmões e o liberou lentamente. Desde a notícia da chegada dela, Lady Karin Field, sua futura mulher, o castelo tinha estado muito movimentado com os preparativos para recepciona-la. O povoado parecia estar excitado por uma festa, ainda mais pela chegada de sua prometida. Achavam que ele era um homem muito sério, que teve que amadurecer cedo demais desde as mortes de seu pai e seu irmão mais velho causada pela guerra quando ainda tinha doze anos. Não muito tempo depois, sua mãe veio a falecer por uma grave doença que a debilitou de todos os movimentos, até que não podia nem mesmo respirar. Sua sorte era que sua família tinha sido muito amada pelas pessoas da aldeia, trabalhadores e criados do castelo, que o ajudaram a passar por toda a dor de perder todos de uma vez e o mimaram. E é claro, não podia esquecer-se do desmiolado de seu amigo de infância, Naruto, que foi que o mais ajudou a passar por tudo sem ter muitas sequelas em sua alma. Enquanto todos lhe dirigiam olhares de pena, quando cochichavam em um canto “Pobrezinho, perdeu toda família.”, Naruto era a única dor no traseiro que o vinha aporrinhar com comentários “Hey, Lordesinho, pare de se lamentar que isso não resolve. Também estou triste, mas você está digno de pena. Vamos ir à caça de mulheres!”

Sasuke bufou com um sorriso desdenhoso nos lábios. Naruto tinha sido criado desde bebê pelo seu clã como se fosse da família. Tinha acabado de completar onze verões e falava das moças como se fosse um homem experiente. Lembrava que rechaçou os convites de Naruto por muito tempo, preso em sua melancolia sem fim. O loiro, em todo o tempo que tinha passado no castelo, nunca tinha dirigido a palavra a ele. Não queria que ninguém mais tivesse pena dele!

Até que um bendito dia Naruto resolveu lhe socar. Sasuke o tinha insultado lhe dizendo que não passava de um verme que rastejava pelos cantos do castelo e Naruto lhe retrucou dizendo a mesma coisa, perguntando quem naquele momento estava rastejando por aí. Sasuke sabia que esse era ele, e ficou com mais raiva ainda. Tinha virado as costas, e corrido para seu quarto, quando Naruto também passou pela porta e disse que iria bater tanto nele até que virasse homem.

Tinha sido uma briga engraçada. Principalmente pelo fato de serem dois meninos de classes completamente diferentes mas que tinham uma coisa em comum. Eram órfãos.

Depois da luta, lembrava-se de ter chorado. Devia ter sentido vergonha, mas não o fazia. Desde que tinha recebido a notícia da morte de seus parentes não tinha derramado uma lágrima ou esboçado uma reação sequer. Só tinha se sentido vazio.

Mas então, quando tinha descontado sua frustração em seu amigo, viu o quanto se sentia solitário e infeliz por dentro. Queria sua família de volta. Queria irritar seu irmão Itachi com coisas idiotas, dizendo como iria ser melhor que ele um dia. Sentia falta do olhar repreendedor do seu pai quando fazia algo de errado, e do sorriso orgulhoso quando superava suas expectativas. Sentia falta do amor de sua mãe, quando lhe acariciava os cabelos até que dormisse, muitas vezes contando alguma história fantasiosa com final feliz. Sentia tanta falta de todos! E só tinha percebido isso quando brigava com Naruto, quando as lágrimas lhe umedeciam o rosto a medida que batia e apanhava, até o loiro tinha parado de lhe esmurrar, deixando que Sasuke descontasse toda sua raiva nele até que os soluços lhe invadiram e não conseguisse deter o choro. E seu amigo ó tinha ficado ali, ao seu lado, enquanto chorava escandalosamente em seu quarto.

Sasuke tinha pensado que Naruto fosse rir ou zombar da cena que ele fez, mas o loiro só tinha lhe dado um fraco sorriso acolhedor e compreensivo. “Já é o bastante” Tinha lhe dito depois que Sasuke tinha parado de chorar. O moreno tinha pedido para Naruto não dizer a ninguém que o tinha visto chorar, e o loiro só deu de ombros e lhe respondeu que não era da conta de ninguém. Desde então, não ficavam separados. Os dois tinham se ligado fortemente através dos anos, criando um elo mais poderoso do que tinha com seu irmão.

Realmente, tinha que agradecer a Hinata por ter salvo Naruto.

Saiu do grande hall (salão) e caminhou sem pressa até as comodidades de Hinata. Podia pedir para que alguém a chamasse, mas precisava andar um pouco. Estava cedo, o sol tinha acabado de nascer e parecia tão cansado como sempre. Hinata provavelmente tinha acabado de despertar. Ou estaria banhando-se para tomar seu café da manhã e enfurnar-se no quarto de Naruto como fazia a dois dias direto. A mulher era muito dedicada no que lhe concebia e iria lhe dar uma boa recompensa em riquezas.

Bateu em sua porta várias vezes, mas ninguém lhe respondeu. Demorou menos de um segundo ao dar-se conta que estava aberta e entrou no quarto anunciando que estava ali.

Novamente, silêncio.

Provavelmente já tinha ido cuidar de Naruto. Estava pronto para sair de seu quarto quando o brilho de alguma coisa em cima da cama lhe chamou a atenção. Caminhou lentamente em direção ao objeto se repreendendo por sua curiosidade. Não era de seu feitio olhar as coisas de uma mulher. Descobriu que o brilho vinha de algo de dentro da estranha bolsa negra de Hinata e não pôde se conter quando teve um rápido vislumbre do que era. Parecia ser um tipo de papel colorido. Mas não podia vê-lo por completo pois mais de sua metade se encontrava dentro da bolsa.

Que mal faria uma rápida espiada?

Estendeu sua mão até o papel, e o retirou da bolsa com cuidado para não rasga-lo. Se surpreendeu ao descobrir que o papel se tinha diferente de outros. Era firme, não tão frágil, com uma textura surpreendente lisa. Observou a imagem que o estampava e tragou o ar.

Pelos Deuses! Era uma pintura incrivelmente real e perfeita! Para seu total assombro, identificou Hinata logo no mesmo instante, com um braço ao redor do pescoço de outra mulher, enquanto as duas sorriam descaradamente, com evidente cumplicidade para quem quer que estivesse as pintando. As duas eram tão belas que pareciam deusas. Principalmente a segunda mulher. Que tinham os olhos tão verdes como o fundo da imagem, que tinha sido gravado por gramas tão e brilhantes e vivas que pareciam poder saltar das páginas. Aquilo era o trabalho mais bem feito que alguma vez tivesse visto. Ainda mais que a pintura tinha sido feita em miniatura.

Observou mais uma vez a imagem se perguntando se as duas mulheres eram grandes amigadas quando repentinamente se deu conta da cor dos cabelos da segunda mulher.

Tragou o ar tão forte que quase tossiu.

Malditos infernos!

Pensou estupefato sem poder acreditar.

Porque a segunda mulher na pintura impossivelmente real de tão perfeita, tinha os cabelos tão rosa como os decentes do Clã Haruno, o verdadeiro clã de sua prometida.

Notas finais
Então??? O que acharam?
Comentários, sim ou claro? rsrs
Como eu citei antes, amo de paixão todos os comentários deixados em cada cap! ^^
Dando um salve para o pessoal que me deu uma recomendação! o
Eu só tinha visto ontem que tinha aparecido quatro mais e fiquei saltitante! hahaha
Obrigadaaa! >.

Não esqueçam de comentar o que acharam do cap, hein! rs