Viagem Pela Highland

13 Highlander Desejoso


Notas iniciais
"Puta que pariu, até que enfim!"
É isso que vcs estão pensando, né?

Caraaa, não tem desculpas pro que eu fiz. MAIS DE UM MÊS SEM ESCREVER É SACANAGEM. Eu sei.
Sinto muito pessoal. Não fiz de propósito. Como vcs estão cientes, fico muito ocupada o dia inteiro.
Bah ¬¬

Poxinhaaaaaa! Como no cap anterior, eu ia escrever mais. Só que acabaria demorando mais ainda, e eu sei que muitos de vcs querem saber o que vai acontecer na fic. rs
Bom...

Aproveitem a leitura...

Oh, sim... Esse cap não é bem um hentai, mas dá pro gasto. Acho... rs

Boa leitura.

\"\"


Os raios solares da manhã deliciosamente aconchegante banhavam sua pele como um manto suave que a aquecia até sua alma. Seus olhos estavam abertos encarando o céu azulado, com ela jazendo sentada em uma pedra, apoiando-se em seus braços enquanto sua cabeça ficava inclinada para trás, em regozijo.

Deus, quanto tempo fazia, novamente, que não tinha presenciado o nascer do sol? Meses? Anos?

Realmente, não sabia. Sempre tinha estado tão ocupada pelo estudo que nunca mais tinha aproveitado o doce prazer que era sentir o sol quente logo de manhã. Tudo parecia ser ainda mais mágico nas Highland’s. Não podia se cansar de tanta beleza que aquele fascinante lugar emanava.

Gritos e risadas infantis ecoavam em algum lugar próximo a ela.

Abriu um ligeiro sorriso sabendo exatamente onde as crianças se encontravam. Ela tinha acordado cedo essa manhã para poder dar uma boa caminhada e respirar um pouco de ar puro. Andou um pouco em volta do castelo e não demorou muito para ser atraída pelas vozes das crianças, garotinhos que não tinham mais de treze anos, que brincavam com espadas de madeira enquanto jogavam desafios descarados uns aos outros, gabando-se de quem era o melhor. Tinha muita vontade de assistir a “luta de espadas” dos meninos mas não queria chamar atenção para si mesma, então, somente sentou-se próxima a um grande carvalho de modo que não pudessem vê-la.

A luta, ou treinamento, ou o que quer que fosse do que aquelas crianças estavam brincando, percorreu por vários minutos. Hinata tinha rido horrores internamente quando os meninos derrubavam a espada de madeira do oponente enquanto dizia alguma coisa, como se tivesse se gabando, e o outro saía frustrado da vida e xingando alguma maldição enquanto saía batendo o pé.

Eles tinham pose de guerreiro mas atitudes completamente infantis.


- Quem é o próximo? – Gritou um dos garotos, o moreno que tinha vencido todos os outros.


Um momento se passou, e nenhum dos meninos disse nada. O garoto olhou todos os outros cinco meninos em volta, mas nenhum deles ousou desafiá-lo.

Humph, fala sério... Ele nem é tão bom assim! Pensou interiormente inclinando a cabeça pro lado.

Todos os outros evitavam o olhar do moreno, como se tivessem medo de encará-lo uma última vez, e Hinata logo concluiu que o garoto devia ser o “líder” deles.


- Vocês são todos uns covardes! Suas donzelas! – Riu arrogantemente o menino, enquanto escarrava profundamente e cuspia no chão


Hinata novamente teve que tapar a boca com uma mão para não rir alto. Achava impressionante como uma criança daquelas pudesse ter seu nível de porcaria. Homens sempre seriam homens, afinal.

E, pelo amor de Deus, ninguém ia desafiar o moleque?

Como se tivesse ouvido seu pensamento, um menino saiu do meio do mato, não muito longe de onde ela estava e andou em direção aos outros.

Como ela não tinha o visto ali?


- Eu. – Disse o menino de cabelos castanho claro sorrindo sardonicamente. – Eu sou o próximo. – Declarou, apoiando sua espada de madeira em um dos ombros.


Naquele momento, estabeleceu um silêncio ensurdecedor em todo o campo, enquanto os outros garotos davam a volta para encarar o novo desafiador.


- Quem é o tolo...? – Dizia o garoto moreno, quando girou seu olhar. – Oh... Você.


Hinata franziu o cenho com o tom do menino. O que era aquilo? Ela podia jurar que não tinha ouvido mais que escárnio e desprezo na voz do campeão.

Hinata percebeu imediatamente quando o garoto de cabelo castanho apertava o cabo de sua espada com mais força, como se também tivesse percebido o tom repulsivo do outro.


- Sim. Sou eu – Respondeu soando firme, dando outro passo para frente. – Vamos, Brock, lute comigo! – Segurou sua espada fora dos ombros e apontou para o garoto moreno, Brock,.


- Kaleb, o filho da rameira! – Anunciou Brock, como se fosse a resposta final de uma piada quando finalmente reconheceu seu novo oponente.


Todos os outros meninos riram, achando engraçado enquanto abriam uma roda onde quem ficava no centro eram Brock e Kaleb.

Isso não estava bom. “Rameira?” Tinha lido contos antigos o suficiente para saber que rameira eram como se fossem as prostitutas de seu tempo.

Hinata podia perceber a tensão impregnada no ar aumentar a medida que os garotos circulavam entre si, como se um estudasse o outro.


- Não ofenda minha mãe, bastardo! Não sabe de nada! – Gritou Kaleb, alterado.


- Não sei, é? – Riu novamente Brock. – O que precisa saber, quando todos já o tem conhecimento que sua mãe vivia pendurada nos homens como se fosse uma verdadeira...


Hinata não tinha visto o soco de Kaleb chegar. Nem mesmo tinha percebido o momento em que o garoto tinha soltado a espada e substituindo-as por punhos. Só se deu conta, quanto ele avançou como uma incrível velocidade para o rosto de Brock, acertando-lhe um soco em cheio no canto da boca fazendo-o girar a cabeça e cair de bunda pelo impacto.


- Eu disse para não falar mal da minha...


Brock levantou-se quase no mesmo instante e pulou no pescoço de Kaleb, jogando a espada de lado. Os dois tinham caído no chão e rolavam incansavelmente de um lado para o outro enquanto grunhiam, xingavam e se socavam.

Merda! Aquilo não estava nenhum pouco bem!

Levantou-se da pedra e começou a andar rápido em direção aos garotos que cada vez mais se afastavam.

Brock chutou forte o peito de Kaleb e pôs alguma distância sobre ambos dando tempo de levantar.


- Nunca vai ser um de nós, seu maldito! – Gritou alguém do grupo de garotos.


Hinata distinguiu a sombra do braço de outro menino arremessando algo quando, um segundo mais tarde, a cabeça de Kaleb girou num ângulo de noventa graus e seu corpo caía fortemente chão, de bruços.

Os outros meninos riram empolgados murmurando algo como: “bem feito”, e, “ele mereceu”

A risada de Brock foi amais alta de todas.


- Levante! Ou é que já desistiu? – Gargalhou mais uma vez o garoto, aproximando-se de Kaleb que ainda estava estendido no chão, imóvel.


Maldição!

Começou a correr, mas era atrasada pelos galhos mortos de arvores que prendiam no seu vestido a fazendo tropeçar.

Ela não tinha percebido que estava tão longe deles.

E, maldição novamente, por que Kaleb não se movia?


- Ei! – Gritou Brock quando chegou próximo o suficiente. – Levanta! – Chutou a barriga do garoto no chão, que ainda não tinha se movido. Brock empurrou com o pé o corpo de Kaleb até que virou-o. Fez uma careta de desgosto e abriu a boca. – Isso não tem graça, levante-se! – Chutou uma das pernas de Kaleb, com menos força.


A medida que ela chegava mais próximo, podia perceber a o rosto cada vez mais pálido de Brock, e teve que engolir um pressentimento ruim.

Tropeçou mais uma vez em um galho e dessa vez, quase caiu.


- Tem alguém vindo! – Disse um dos meninos, assustado.


- Vão pegar a gente! – Sussurrou outro.


- Corram! – Gritou outro menino, puxando o braço de Brock quando o garoto não se moveu.


- Eu... Eu... – Gaguejou o moreno. – Não queria... Ele...


- Vamos, rápido! – Puxou mais uma vez o garoto.


Dessa vez, Brock correu, sumindo em uma curva próximo ao castelo.

Hinata gritou para que parassem, mas foi em vão. Xingou mentalmente por não ser tão rápida com o maldito vestido e derrapou quando chegou ao lado do corpo mole de Kaleb.

Oh, caramba. Tinham-lhe acertado uma pedra!

Grande parte de seu rosto estava revestido do vermelho gritante do sangue que jorrava da ferida em sua testa.

Agachou ao lado do garoto e tentou pensar no que ia fazer.


- Droga... – Murmurou pra si mesma, rasgando um pedaço do lindo, mas pouco útil da saia do vestido e pressionando na testa de Kaleb. – Hey... – Deu leves tapinhas na bochecha do menino. – Hey... Kaleb...


O garoto abriu os olhos sonolentamente e a fitou. Hinata quase prendeu a respiração ao dar uma boa analisada no menino. Tinha o rosto bronzeado, traços firmes e nariz bem formado. Mas não foi isso que olhe chamou a atenção. Seus olhos eram a coisa mais incrível que já tinha visto. O olho direito era de um azul tão profundo e forte que ela julgaria impossível ser real no século dela, e o outro, era verde mato, tão vividamente atento quanto ao outro olho.


- Eu morri...? – Perguntou um pouco grogue.


- Graças a Deus, não. – Respondeu tocando com a mão em sua testa. Frio.


- Está... Certa disso...? – Seus olhos ainda estavam meio nublados, mas, afortunadamente ele não tentava se mover.


- Sim. – Acenou com a cabeça, dando ênfase.


Kaleb abriu e fechou a boca, somente para abri-la novamente.


- Parece um anjo. – Disse depois de um tempo.


Hinata não pôde evitar e sorriu.


- Muito obrigada. – Sorriu mais uma vez.


De fato, era um milhão de vezes melhor ser chamada de anjo, do que de bruxa.

O garoto arregalou os olhos, parecendo só agora voltar a si, e seu rosto corou adoravelmente.


- Eu... Sinto muito, moça. – Disse, sentando no chão.


- Não sinta. Agora, não se mecha. Isso na sua testa não está bom.


Kaleb franziu o cenho e olhou para mão de Hinata que ainda segurava o tecido no ferimento. Seus olhos adquiriram uma luz especial de entendimento e mudaram subitamente para raiva mal contida.


- Aqueles desgraçados. – Grunhiu levantando-se.


- Espera, droga. Fica quieto. Não levanta!


- Covardes! – Grunhia sem lhe dar ouvido. – Eu com certeza o ganharia pela espada dessa vez!


- Sim, você ganharia. Agora pare de andar! – Hinata levantou e foi em sua direção quando Kaleb somente a ignorou e continuou murmurando e praguejando.


- Estorvo! É isso que todos eles são! – Chutou uma pequena pedra no chão. – Só me lançaram a pedra por que sabiam que eu iria ganhar dessa vez!


- Deixe-me dar uma olhada em sua ferida! – Hinata tocou seu ombro para lhe chamar a atenção.


O garoto deu um leve pulo com seu toque. Parecia que tinha esquecido totalmente da sua presença.


- Oh... – Olhou para ela e Hinata franziu o cenho. Seu rosto estava muito pálido. Logo depois o garoto franziu o cenho e olhou para o chão, desviando de seu olhar. – Não devia estar na floresta, moça. Ainda mais sozinha.


Ela estava na floresta?

Olhou ao seu redor e se deu conta, tardiamente, que tinha adentrado um pouco dentro da mata inconscientemente.


- Mas eu não estou sozinha, estou? – Perguntou na tentativa de fazê-lo olhar para ela.


O garoto se meche como se tivesse desconfortável, mas não lhe respondeu nada.


- Deixe-me ver sua ferida... – Levantou a mão para a testa coberta de cabelo úmido do menino.


Kaleb deu um passo para trás.


- Não precisa olhar, moça. – Disse ainda com a cabeça baixa. – Não é nada.


- Você está sangrando! É claro que é alguma coisa! Não quero que ninguém sangre ao do meu lado. – Completou aproximando um passo.


Novamente, ele recuou. Hinata percebeu o exato momento que ele tinha feito suas duas mãos em punho, como se estivesse com raiva.

O que ela tinha dito para irritá-lo?


- Sinto muito, moça. Então não irei mais perturbá-la com a minha presença e meu sangue ao seu lado. – Sua voz tinha caído vários tons para frieza e indiferença.


Kaleb girou o tronco novamente mas antes que pudesse dar um passo, Hinata se pôs em seu caminho. Ele levantou seus olhos e cruzou com o dela.

Novamente, Hinata estava maravilhada pelas íris desiguais do garoto.


- Não quis dizer isso. – Argumentou ela.


Ele desviou seu olhar rapidamente, não deixando-a olhar em seus olhos.


- Vá, moça. Não é obrigada a me tratar com gentilezas. – A amargura era como veneno no que dizia – Além do mais... – Abaixou e pegou sua espada de madeira. – Tenho que treinar. – Com outro giro, afastou-se dela e caminhou diretamente para uma árvore com o tronco um bocado surrado. Segurou a espada de madeira com as duas mãos e desajeitadamente, surrou o tronco de um lado para o outro.

Aquilo não era um treinamento.

Ele era um completo desastre.

Então, Hinata teve uma ideia. Olhou para o chão, caçando o outro objeto que a ajudaria a cuidar do menino. Encontrou o que estava procurando à dez passos de distância e foi busca-lo.

A espada de madeira que Brock tinha deixado cair era muito leve comparado com qual estava acostumada, mas ia servir.


- Vamos fazer um acordo, então. – Disse em bom tom para que o garoto a ouvisse.


Ele não voltou para olhá-la, mas a leve hesitação que ele deu num intervalo de ataque à arvore com sua espada, lhe disse que ele estava a escutando.


- Se conseguir derrubar a espada da minha mão, eu vou embora.


Ele parou de atacar a árvore e girou lentamente o corpo em direção à ela, a olhando como se tivesse crescido chifres em sua cabeça.


- Se eu conseguir derrubar a sua, me deixará cuidar da sua ferida. – Finalizou, elevando a sobrancelha arrogantemente em modo de desafio.


- Do que está falando, mulher! Não brinque comigo. – Respondeu irritado. – Não sou tão fraco a ponto de não conseguir desarmar alguém! Ainda por cima, uma mulher!


Ah, sim. Mulher.

Essa coisa de “Eu posso fazer porque eu sou macho e você não porque é mulher” a irritava até a medula!


- Ah, mas eu posso lutar com espadas, garoto. – Hinata manteve sua voz neutra, mas ao mesmo tempo, sarcástica. – A pergunta é: Você pode?


Raiva piscou no olhar dele e Hinata desconfiou que tivesse acertado em um ponto fraco.


- Posso fazer o mesmo que todos os outros podem! – Kaleb gritou de volta, segurando com força a espada.


- Então, venha. – Provocou-o apontando a espada em sua direção.


- Não vou lutar contra uma mulher.


Hinata bufou e girou os olhos.


- Então não me veja como uma.


Ele fez um “o que?” com os olhos.


- Visualize o seu amigo, Brock, no meu lugar.


- Ele não é meu amigo. – Parecia que Hinata tinha proferido o palavrão mais vil, ante a resposta agressiva do garoto.


Okay, isso estava indo bem.


- Imagine que sou ele... – Continuou Hinata. – Estou te desafiando... Falando mal da sua mãe... – Okay, golpe baixo, ela sabia. Mas não tinha mais nada que pudesse fazer para o menino brigar com ela de boa vontade.


- Não toque no nome da minha mãe. – Ele deu um passo inconsciente em sua direção.


- Venha me parar, então.


Quando o garoto não se moveu, só ficou parado lá com muita raiva para uma criança, Hinata continuou. Mesmo se sentindo mal pelo que ia falar.


- Como ele a chamou mesmo? – O garoto ficou ainda mais pálido e ao mesmo tempo suas orelhas iam ficando vermelhas. Seus traços eram ferozes e seus olhos agora eram duas frestas de irritação e raiva.


- Não se atreva...


- Tinham dito que era uma ramei...


Não precisou completar a palavra, o garoto já tinha pulado pra cima dela com a espada elevada, bem a cima do ombro. Kaleb juntou duas mãos no cabo da espada, segurando-a a cima da cabeça e lançando-a em Hinata.

Hinata desviou sem dificuldade da madeira e com sua própria espada, deu um forte solavanco na arma do menino. O impacto fez com que ele levasse um susto e quase tropeçasse sobre os próprios pés. Mas logo se recompôs e voltou a atacar Hinata, dessa vez pela lateral. A morena bloqueou o ataque usando a sua espada em forma de escudo. Girou a madeira em sua mão e deu uma forte pancada com o pedaço de madeira na de Kaleb.

A espada do garoto voou quase três metros, mas Hinata ainda não se deteve. Com suas ágeis pernas, bandou o pé de apoio dele o fazendo cair de costas no chão. Quase no mesmo instante, tinha sua arma de madeira apontada para a garganta do garoto.

Ele estava totalmente boquiaberto com o resultado do pequeno confronto, mas ainda tinha aquele traço de raiva e desgosto em seus olhos.


- Só para deixar claro... – Hinata jogou sua espada de madeira de lado e estendeu sua mão para o menino. – Não acho que sua mãe seja uma rameira.


Kaleb olhou desconfiado para sua mão e depois para ela, parecendo esperar que ela de algum jeito, o sacaneasse.


- E aqueles garotos que falaram mal dela, são um bando de crianças mimadas que se acham os donos do mundo. Agora vêm. – Balançou sua mão na frente dele. – Minha mão está ficando dormente.


Ele ainda olhava para ela desconfiado, mas pegou sua mão hesitantemente.


- Não acha que ela é uma rameira? – Questionou-a com cuidado.


- Ela é?


- Mas é claro que não! – A resposta foi rápida e acusatória.


- Então não acho que seja. – Hinata respondeu com um sorriso.


Olhou-a com receio por um momento, mas logo abriu um tímido sorriso enquanto suas bochechas coravam.


- Agora, vêm. – Puxou a mão do garoto e começou a rebocá-lo para próximo do castelo.


- Espera... O que a moça está fazendo...? – Perguntou resistindo.


- Você perdeu, lembra? De acordo com o desafio, você vai me deixar cuidar disso na sua cabeça.


- Eu nem sequer aceitei o desafio... – Murmurou o menino.


Hinata sorriu. Realmente, o garoto não tinha aceitado.

Andaram em silêncio durante alguns segundos e Hinata percebeu em sua visão periférica que o menino não tinha parado de olhar para ela um instante sequer como se ela fosse de outro mundo.


- Se continuar me olhando assim... Vou achar que tem algo preso na minha testa – Comunicou sem olhar para ele.


O menino prendeu a respiração dando-se conta que tinha sido pego e murmurou um pedido de desculpa.

Hinata sorriu cada vez mais encantada com ele. O garoto era uma graça.


- Não me acha... Repugnante? – Perguntou o garoto, do nada.


Hinata parou no mesmo instante e olhou para o menino que tinha sua expressão perdida.

Hã? Repugnante? Pelo amor de Deus! Quem ensinava esses tipos de palavras pra meninos daquela época?


- Como assim? – Foi a vez de Hinata olhar para ele como se tivesse crescido chifres em sua cabeça.


- Eu... – O garoto suspirou derrotado. – É que não viu meus olhos, moça? – Kaleb perguntou tristonho.


- Mas é claro que os vi. – Bufou.


- Então sabe que sou... Diferente...


Parecia que o garoto não conseguia continuar sua frase.


- Sim. Você é diferente. – Hinata concordou.


Kaleb ficou com uma infeliz expressão em seu rosto e Hinata se sentiu compelida a continuar a falação.


- São os mais impressionantes olhos que eu já vi em toda minha vida.


Bem... Tirando Os olhos de Naruto que ela poderia ter jurado que tinham mudado do azul puro e ofuscante para aquele vermelho. Sim, lembrava-se agora. Uns dias atrás, quando Sasuke e Kiba tinham explodido pela porta do quarto de Naruto. Ele tinha estado por cima dela, exigindo que tirasse uma certa maldição que ela desconhecia.

Sasuke tinha se lançado por cima de Naruto afastando-o dela, e logo quando viu que podia ser livre, levantou numa rápida corrida até a porta. Cometeu o erro de voltar seu olhar para Naruto, quando estava prestes a atacar Kiba com algo afiado que tinha em suas mãos quando percebeu seus olhos... Vermelhos como brasa.

Deus... Só a lembrança a arrepiava.

Desde aquele dia, tinha dito pra si mesma, que aquilo não fora nada mais que efeito da luz. Mas a partir do momento em que você é lançada para o século dezesseis por um livro mágico filho da puta, você podia acreditar em muito mais coisa, não é mesmo?


- Não acha que eu sou uma... Aberração? – Disse a palavra com desgosto.


- Aberração? – Ela mesma repetiu sem acreditar. – Por que acharia isso?


- Meus olhos tem duas cores! – Declarou, como se não fosse óbvio.


- É, eu vi isso. Um verde e outro azul. – Sua voz soou sonhadora. – Queria ter os olhos assim.


- Por que iria querer algo assim? – Perguntou como se ela tivesse dito que queria ter os olhos de um alienígena.


- E por quê, não? — Hinata rebateu. – Deixa eu te dizer uma coisa, garoto. – Ela pôs uma mãos na própria cintura, pronta para dar uma lição de moral.


Ele franziu o cenho mas continuou escutando.


- Não há nada melhor do que ser diferente. Não há nada mais gratificante do que fazer algo que ninguém espera de você, deixá-los completamente de boca aberta, quando você prova que é bem mais do que eles pensam. E em relação aos seus olhos, são realmente lindos. Não se convença do contrário, okay? Vê os meus olhos? – Apontou para seu rosto.


O garoto acenou fracamente com a cabeça, ainda hesitante.


- Bom, eu não sou muito fã deles. Parecem tão sem vida e inanimados quando comparados a alguém que tem olhos azul ou verde. E, olha que afortunado, você tem os dois! – Hinata riu.


O menino corou levemente.


- Então... Não me acha uma aberração...?


- Definitivamente, não.


O garoto olhou para o chão, pensando em suas palavras. Um segundo mais tarde, um lindo largo e brilhante sorriso abria em sua boca quando ele subiu seu olhar para ela.

Hinata não pôde evitar e sorriu junto com o garoto.


- Vêm. – Ela estendeu sua mão para ele.


O menino a olhou e inchou o peito. Estendeu o braço, como faria um cavalheiro e aguardou.

Hinata sorriu novamente e segurou pelo antebraço do garoto enquanto andavam em direção ao castelo.


- Aquilo que fez... – Comentou o garoto. – Com a espada... Foi incrível.


- Tive bons professores.


Ante a expressão surpresa do menino Hinata completou.


- Meu... Er... Primo... Me ensinou a lutar com espada.


Och, mentira. Mas o que mais ela poderia falar? Naquele século, mulheres não tinham aulas de esgrima!


- Por que ele fez isso? – Seu tom era de recriminação.


- Por que eu pedi. – Mentiu novamente.


Um momento de silencio se passou, e Hinata olhou para o garoto que caminhava pensativamente ao seu lado. Ele parou abruptamente e a olhou como se tivesse descoberto que a terra era redonda e não quadrada.


- É isso! – Exclamou sorridente.


- O que? – Perguntou confusa.


- Me treine!


- O que?


- Me treine! Assim eu posso vencer Brock em um desafio e fazê-lo parar de espalhar rumores de minha mãe! – Respondeu como se fosse tão simples como parecia.


- Se você quer que ele pare de falar mal de sua mãe, tem que contar ao Sasuke... O rei! – Argumentou.


- Não. Isso tem que ser resolvido de homem para homem!


Hinata quis gritar para ele que ele era somente um menino, mas aqueles olhos brilhantes e confiantes a desarmaram por completo. O garoto claramente ficava irritado quando falavam mal de sua mãe. Mas é claro, quem não ficaria? Ela com certeza ficaria louca e decapitaria o filho da puta que sequer ousasse pensar mal de sua mãe.

Como ela poderia dizer não?

Bom, aí era que estava. Ela não podia.


***


Fixou seu olhar na porta de madeira que somente o encarava de volta com o mortal silencio que ecoava insuportavelmente pelo quarto. Podia ouvir o canto dos pássaros e leves gritos infantis misturados com risadas. Também distinguia o tão conhecido tilintar causado pelo impacto de uma espada com outra. Os guerreiros sem sombra de dúvida estavam treinando no campo com o notável intuito de aperfeiçoar suas habilidades em batalha. Não que fossem ruins. Muito pelo contrário.

Particularmente, Naruto se orgulhava de lutar ao lado de cada um dos guerreiros que faziam jus ao clã Uchiha. Mas estava irritado por somente ouvir os sons de fora, sem poder se mover.

Oh, sim. Tinha sido proibido de se mover por ordens que provinham diretamente de Hinata.

Por todos os infernos! Desde quando obedecia à ela?

Uma vaga lembrança da ameaça de castrá-lo veio-lhe a mente. Realmente, Hinata o tinha ameaçado na noite anterior dizendo que se movesse sequer um centímetro a cama de sua perna ferida, iria fazer um lindo cordão de seus testículos.

Era uma completa louca! Pensou, franzindo o cenho.

Respirou profundamente e mais uma vez, focou-se na porta fechada, somente recebendo em troca o infeliz silêncio.

Onde malditamente estava a mulher? Grunhiu mentalmente. Já tinha amanhecido à mais de duas horas e nenhum sinal dela.

Imaginou por um momento a possibilidade da morena ter fugido mas logo descartou a ideia.

Sasuke nunca permitiria. Pelo menos, isso esperava. Seu amigo tinha muita tolerância com a mulher e o mais incômodo, era que também lhe dava muita liberdade. Parecia que Hinata tinha enfeitiçado a todos com a sua beleza.

Maldita fosse!

Um súbito grunhido de puro ódio cresceu dentro de seu peito ao pensar nos guerreiros muito próximos dela. A mera imagem que lhe projetava sua mente o fazia arder de fúria e querer estrangular a todos. Ninguém podia chegar muito próximo ao que era dele.

Uma risada masculina em algum canto do castelo chamou sua atenção.

No mesmo instante, reconheceu a quem pertencia.

Kiba.

Teve que segurar a lateral da cama para não enfiar as unhas em sua própria mão de tanta raiva que se abateu sobre ele. Era completamente assombroso a forma que só o pensamento no guerreiro o punha em um estado tão deplorável de ódio, mas não conseguia se importar. Kiba era o que sempre estava mais próximo de Hinata. Sempre era o primeiro a aparecer quando ela lhe pedia ajuda, olhando-a com aquele maldito ar de desejo e o sorriso que fazia mulheres caírem aos seus pés. Tinha percebido isso da última vez que o guerreiro apareceu em seu quarto, dois dias antes, perguntando se Hinata precisava de algo. Naruto manteve a todo momento seu olhar aguçado no homem enquanto ele sorria descaradamente para Hinata, quando ela recusou qualquer tipo de ajuda.

Não soube dizer o que denunciou sua intenção de matar guerreiro quando Kiba olhou para seu rosto e ficou pálido como papel. Tinha balbuciado uma rápida despedida e logo tinha se afastado.

Quando pensava sobre isso, se perguntou se realmente teria tentado matar ao homem. Logo depois, concluiu que sem sombra de dúvida teria feito e ainda cantaria sobre o seu corpo mutilado.

Sentiu um prazeroso sorriso lhe invadindo a cara e rapidamente se desfez de tais pensamentos. Não devia ter toda essa áurea de morte quando pensava no guerreiro em questão. O homem não tinha lhe feito nada, não era mesmo?

Novamente a risada do guerreiro ecoou em um lugar mais distante.

Naruto ouviu o “crack” quando a madeira da cama estalou em suas mãos sendo reduzida à míseras gretas em seus dedos.

Amaldiçoou enquanto jogava as lascas no chão e mais uma vez respirava profundamente.

Estava perdendo a cabeça!

Olhou para sua perna e analisou sua ferida.

Tinha se curado bem. Agora não era mais do que uma linha de espessura mediana irritada em sua perna.

Lembrou-se da expressão incrédula de Hinata quando comprovou-o da última vez e riu pensando em como sua boca tinha formado um perfeito “o” pelo seu assombro. Ela não tinha a mínima ideia da maldição que ele levava e teria que mudar isso.

Jogou sua perna boa para fora da cama e logo fez o mesmo com a outra perna ruim. Sentiu uma pontada aguda de dor de onde vinha a lesão, mas não era nada comparado ao sofrimento de quando a perna tinha estado infeccionada.

Ergueu-se da cama jogando o lençol que cobria sua nudez de lado e, ignorando qualquer rastro de dor, caminhou em direção à terrina de água. Lavou suas mãos e seguiu para seu rosto, apreciando como a água fria o fazia ficar atento. Em seguida, jogou sua cabeça para trás e o movimentou-a de um lado para o outro, até ouvir os estalos que amenizavam a rigidez daquela região.

Apoiou suas mãos em um móvel qualquer e olhou para o nada.

Tinha que fazer com que a mulher lhe tirasse a maldição.

Franziu o cenho como uma nova e inquietante revelação que se deu conta. Desde que acordara, não tinha referido nenhum sequer pensamento ao nome bruxa quando pensava em Hinata. Talvez fosse por causa da região de seus olhos que não estavam mais negros como a noite.

Mas, por todos os infernos, não era motivo para deixar de vê-la como realmente era!

Bufou irritado consigo mesmo. Tinha que parar de pensar tanto na mulher, mas tudo se tornava tão malditamente difícil quando cada grama do seu corpo se esquentava só com a perfeita imagem dela e suas tão sedutoras curvas.

Fez uma desdenhosa careta ao perceber, novamente, a direção de seus pensamentos. Era provável que tinha ficado tanto tempo naquele quarto que agora estava se voltando louco.

Mancando suavemente, andou até o lugar que tinha jogado seu Kilt da última vez, ao lado da cama. Agachou-se forçando a visão para tentar encontrar suas vestimentas e deu-se por vencido quando não encontrou nada ali. Caminhou mais alguns momentos pelo quarto até descobrir que suas roupas estavam limpas e dobradas em ao lado da lareira, por cima de um móvel.

Franziu o cenho por perceber que nem tinha se dado conta que alguma das servas tinha entrado no quarto e recolhido suas roupas, quanto menos voltado a entrar e depositando-as ali.

Vestiu-se o mais rápido que pôde e logo pôs-se fora do maldito quarto. Não aguentava mais ficar preso à aquela cama como se fosse um moribundo!

Fechou a porta quando saiu de lá e começou sua caminhada pelo corredor. A todo momento, percebia pessoas andando às pressas de um lado à outro com coisas na mão. Parecia que algum evento iria acontecer muito em breve.

Desceu as escadas como se fosse um ancião, tentando não gemer de dor a cada degrau que tinha que forçar a perna. Era irritante como aquela ferida o incomodava tão constantemente. Passou pelo grande hall rapidamente, não querendo chamar atenção. Somente viu algumas das serventes da cozinha cochicharem algo e olharem para ele assustadas. Naruto grunhiu de irritação para as mulheres e observou com desgosto como elas ficavam pálidas e com os olhos arregalados.

Tinha momentos que odiava esse maldito medo que causava nas pessoas. Deixou o pensamento de lado quando passou pela porta de entrada do castelo e seguiu para fora.

O sol lhe banhou como se fosse uma segunda pele de seda quente quase o fazendo gemer de satisfação.

Pela terceira vez, a risada de Kiba ecoou em algum lugar. Só que dessa vez, estava mais próximo que antes. Acompanhou o som com alguns passos até que pôde distinguir três formas não muito longe posicionadas no alto da escadaria que era a saída do castelo para a aldeia. Não demorou para dar-se conta que as três pessoas à sua frente era nada menos que Kiba, um garoto que aparentava ter treze anos com a cabeça enfaixada por um pano branco e, adivinhe só? Hinata, que conversava alegremente com o guerreiro.

A mulher sorria despreocupadamente perto de Kiba, encostando uma mão em seu braço enquanto dizia algo e apontava para faixa na cabeça do garoto. O menino rapidamente separou-se dos dois, mas Naruto não lhe prestou atenção.

Hinata estava tão malditamente desejável aquela manhã, com aquele sol banhando seus cabelos negros como a noite, que se estendiam soltos por todo caminho de suas costas...

Por um momento, imaginou-se agarrando aqueles cabelos. Faria um bolo em sua mão e a puxaria pra si, tomaria sua boca em um delicioso frenesi de desejo descontrolado. Provaria daquele tão viciante sabor que tinha sua língua e...

Kiba cobriu a mão da mulher com a sua e sorriu sugestivamente, em um claro gesto desinibido.

Ouviu o grunhido sugestivo que vinha de dentro de seu peito, clamando silenciosamente que empurrasse o guerreiro escada abaixo. Seria tão lindo ver como o homem se arrebentando degrau por degrau até chegar no final, não?

Oh... sim... Seria...

Deu um passo em direção aos dois e parou subitamente tratando de fechar os olhos para interromper a visão. Apertou suas mãos em punhos até que podia sentir os nódulos dos dedos ficando dormentes.

Maldito inferno! Tinha que se livrar dessa obsessão de fazer mal ao homem.

Antes que pudesse mudar de ideia, girou sobre seus pés e entrou novamente no castelo, respirando pesadamente.

Não era da sua conta com quem a mulher conversava e a quem tocava! Voltou seu olhar e analisou ao redor dela, enquanto percebia com um questionável desgosto que vários outros guerreiros a olhavam desejosamente.

Cerrou os dentes amaldiçoando-se audivelmente. Em seguida, golpeou um objeto que fazia enfeite ao castelo, ouvindo a tapeçaria estalar com um baque gritante ao cair no chão e agarrou-se na parede para manter o equilíbrio. Duas serventes o olharam assustadas e fizeram sinal da crus, murmurando alguma coisa sobre livrar o mundo dos demônios e seus olhos perversos. Naruto não ficou ali para ouvir as tolices que as mulheres balbuciavam e caminhou direto para a cozinha.

Logo que entrou no local, a cozinheira que estava sentada em uma cadeira e apoiada no balcão cortando alguma verdura, olhou em seus olhos e pulou tão forte de seu acento quase caiu no chão. Ela levantou gaguejando algumas insanidades que não entendia enquanto dava desajeitados passos afastando-se dele.


- Cale-se, mulher! – A ordem saiu mais ameaçadora do que pretendia.


Ela tapou a boca com a mão ainda murmurando alguma coisa enquanto soluçava. Não demorou para perceber que ela estava chorando com os olhos que demostravam tanto pavor que Naruto se perguntou o que diabos estava acontecendo.

Sem perder tempo para pedir explicação, foi direto para o canto esquerdo da cozinha, onde uma grande terrina de água jazia e olhou seu reflexo.

O que viu ali o fez amaldiçoar mais uma vez.

Parecia que podia ver a sombra da besta em seus olhos que estavam vermelhos feito lava.

***


Hinata passou pelo grande hall e caminhou diretamente para cozinha sem nem mesmo olhar para os lados. Tinha levado mais tempo do que pretendia para explicar para Kiba o infeliz “acidente” que o tão jovem Kaleb sofreu ao “escorregar” no lodo e bater a cabeça em uma rocha. Que sorte o garoto teve ao encontrar-se com ela, não?

Ela pensava seriamente em começar uma carreira profissional no mundo dos astros. Quem sabe que rumo sua vida levaria com ela atuando tão bem assim? O guerreiro tinha acreditado nela sem nem mesmo pestanejar! Bom, ou ela era uma excelente atriz, ou, a mais óbvia resposta, Kiba ainda queria muito entrar em suas calcinhas para ficar se preocupando com assuntos que não se relacionassem à isso.

Bufou desanimada. Definitivamente, ela não era uma boa atriz.

E seu estômago revoltado pela fome deixava seu humor tão perturbado que achou que poderia grunhir. Antes que desse tempo que sua barriga começasse a dar uma de Shrek, localizou uma criada que se agarrava fortemente à cadeira. Parecia ter por base dos trinta anos, seus cabelos eram uma singela cor de dourado e castanho escuro. Os olhos da mulher iam de um canto para outro, nervosamente, como se tivesse tomado umas boas doses de cafeína e sofresse as consequências de ficar bem ligada. Hinata quase sorriu com o pensamento. Somente não o fez, pois a mulher estava mortalmente pálida a ponto de parecer desmaiar.


- A senhora está bem? – Perguntou Hinata, tocando o braço dela.


A mulher quebrou o seu estranho transe e jogou sua cabeça para trás, soltando o maior e mais aterrorizado grito que Hinata já tinha ouvido.


- Oh Meu Deus! – Gritou Hinata por cima do berro na mulher. – Shhh, shhhh, tudo bem, está tudo bem...


Mas ela não parava de gritar. Hinata viu pelo canto do olho algumas criadas que vieram correndo para ver o que estava acontecendo, mas não lhe pregou atenção.


- Por favor, pare de gritar... – Tentou acalmá-la segurando suas geladas mãos mas parecia que ela não podia ouvi-la.


Hinata cerrou os dentes e tapou os ouvidos.

Puta que pariu, a mulher ia estourar seus tímpanos! Parecia que nada que ela dissesse iria conseguir capturar a atenção dela!

Sua mão foi mais rápida do que sua mente e antes que pudesse perceber, o rosto da mulher estava com uma perfeita e avermelhada marca de cinco dedos.

Ouch... Soube que tinha lhe dado uma boa bifa na fuça quando sua mão começou a pinicar.

Bem, pelo menos a mulher finalmente tinha se calado.

Ela girou o rosto lentamente até que pôde se encontrar com os olhos de Hinata e a encarou-a totalmente perplexa. Ela abriu a boca para falar alguma coisa, mas ao invés de palavras, soluços romperam através dela. Segundos depois, Hinata estava novamente estava muito inclinada a lhe dar outro tapa para que calasse o choro que parecia ser interminável.

A morena respirou profundamente e decidiu que não ia fazer bem à saúde mental da mulher que lhe desse outra bofetada.


- Shhh, shhh... Tudo bem... tudo bem... – Hinata falou com uma voz caridosa enquanto apalpava as costas da mulher em um gesto de consolo. – Tive que fazê-lo. Não parava de gritar... – Explicou ela e logo depois emendou – Sinto muito por isso.


A mulher soluçou algumas vezes e fez um breve gesto de assentimento com a cabeça.


- Qual o seu nome?


- Matilde — Murmurou ela depois de um longo intervalo da pergunta de Hinata.


- Matilde... — Hinata dizia calmamente. — Quer me falar o que te deixou tão apavorada?

A criada lhe olhou nervosamente através de algumas mechas que caíam pelo seu rosto. Subitamente, o corpo dela se pôs a tremer intensamente e Hinata teve a impressão que ela ia volta a chorar.

Oh Deus. Dai-me paciência!


- Ele... Ele.... — Sua voz saiu quebrada e com um traço de desespero. — Eram os olhos do diabo, senhora... — Os olhos de Matilde se encheram de lágrimas novamente enquanto ela sacodia a cabeça negativamente como se tentasse esquecer algo doloroso. — Que Deus nos proteja... Deus....Sim... Deus nos protegerá. — Novamente os olhos dela percorriam de um canto a outro da cozinha com um brilho de insanidade. Pelo modo que estava assustada, Hinata não se surpreenderia se algo passasse na cabeça da mulher, como, esperar que o próprio diabo saísse das paredes com um tridente e lhe dissesse: Vem pra mim que eu quero sua alma.

Ou seu corpo.

Ou o dois juntos.

Vai lá se saber o que o coisa ruim gosta!?

E novamente, a mulher abriu o berreiro.

Hinata bufou e se afastou enquanto via outras criadas se juntarem a Matilda curiosas e ao mesmo tempo assustadas.

Olhos do diabo?

Fez uma careta ao pensar nas palavras. Uma grande parte dela negava arduamente a ideia de que o diabo tinha se manifestado de alguma maneira através dos olhos de alguém, mas desde que tinha sido enviada para algum lugar da Escócia antiga por um, adivinha o que...? Um livro mágico! Surpresa, surpresa! Ela realmente estava considerando a ideia do mal se proliferando por aí.

Oh, cara! O que ela estava dizendo agora?

Fez outra careta e gemeu de desgosto. Aquele lugar a estava deixando louca!

Comeu tudo que seu estômago pôde sustentar depois dessa revelação e caminhou miseravelmente até o quarto de Naruto com uma tigela de sopa fresca.

Naruto.

Uma intensa e cruel sensação de ar em seu estômago a invadiu. Engoliu seco e tentou não pensar nisso. Provavelmente era indigestão.

Ou não. Murmurou sua vaca passando a língua nos dentes.

Hinata sacodiu a cabeça negativamente caminhando diretamente pelo corredor até que esteve de frente para a porta do guerreiro. Encarou a madeira por longos segundos e depois empurrou a porta com a mão livre.

Um alto grunhido ecoou quando ela se pôs dentro do quarto, a assustando a ponto de quase fazer cair a sopa. Logo quando conseguiu equilibrar o maldito prato sentiu um tapa em sua mão, fazendo voar o alimento pela parede enquanto ouvia o estalo dele sendo espatifado pelo chão.

Não teve tempo de nem sequer amaldiçoar. Repentinamente, seu corpo tinha sido imprensado contra a parede enquanto sua boca era tomada ferozmente por um beijo tão ardente que ela ficara desnorteada. Hinata sentiu o cheiro de pinheiro, maravilhosamente misturado com a pureza de alguém que tinha acabado de tomar banho.

Oh santa mãe da merda! Naruto a estava beijando!

Ele estava húmido tão Hinata podia sentir gotas de água caindo do cabelo do guerreiro diretamente em seu rosto, enquanto o grande, duro e sólido corpo dele espremia o seu.

Outro grunhido saiu da garganta do loiro mas dessa vez era algo mais parecido como um gemido exigente. Hinata nem sequer hesitou ao lhe devolver o beijo a mesma altura que o guerreiro tinha lhe dado. Enredou seus dedos através dos cabelos de Naruto, o atraindo gulosamente para si mesma. Teve que ficar na ponta dos pés para ter um melhor acesso à sua boca.

Ela estava quente como o inferno, sua respiração era pesada e a cada erótico segundo queria mais. Sem desgrudar seus lábios, Naruto a segurou pela cintura e levantou-a ainda pressionando-a contra a parede, até que suas cabeças estavam no mesmo nível.

Como se fosse automático, as penas de Hinata se fecharam em volta de Naruto, até que ela pôde sentir o membro duro e inchado do homem pressionando exatamente no seu centro através do tecido do vestido. Gemeu incapaz de se conter e mexeu-se sobre sua virilidade apreciando a deliciosa fricção que era causada.

Ato seguido, moveu uma mão do cabelo dele, passando pelo pescoço, peito, indo diretamente para sua barriga e deslizando para...

Nham.. Nham... Sua vadia interior lambeu os lábios enquanto sorria com seu batom vermelho puta e batia palmas alegremente.

Oh, bendito e louvado seja o banho que ele tomou!

Show time, baby! Cantarolou a muito pervertida, soltando seus cabelos e rindo alegremente.

Naruto estava completamente nu.


***


Era tudo pura intensidade, suas línguas faziam uma guerra deliciosa ao mesmo tempo em que ele mordiscava e chupava seus lábios. Tinha se voltando tão pouco civilizado como uma tormenta de meia noite... Convertendo-se no tipo de beijo que era a causa que todos os homens perdessem o sentido de si mesmos, e, por Deus, a cada incitante segundo que a espremia contra si, esquecia do por que tinha que resistir à doce tentação.

Naruto tinha planejado gritar com a mulher, exigir que não conversasse, olhasse ou sequer pensasse no maldito Kiba enquanto ainda tinha que lhe tirar a maldição. Sabia que era uma desculpa estúpida e esfarrapada, mas não se importava. Ele não conseguia se conter. Era puro extinto que o fazia querer afastar à maldita mulher do olhar não só do muito desgraçado que era o Kiba, mas sim de todos os desgraçados guerreiros que olhavam para Hinata como se ela fosse um tipo de carne suculenta quando eles se passavam por leões famintos.

Teve que tomar um banho para tentar esfriar sua cabeça que não estava funcionando bem, e logo quando terminou, ouviu passos à distância caminhando para seu quarto. As passadas leves e despreocupadas lhe deram a exata certeza que era Hinata.

A mesma Hinata que conversava alegremente com Kiba enquanto o maldito flertava descaradamente.

Somente o mero pensamento o colocou em total fúria novamente, o fazendo soltar um grunhido de raiva. Ouviu a porta se fechar e no mesmo instante escutou outra coisa.

Minha!

Não sabia se era a voz dele ou da maldição que tinha gritado em sua mente, mas ele sentiu o inesgotável impulso de declarar ao pé da letra a afirmação.

Seu corpo tinha se movido sozinho. Quando percebeu, tinha dominado a mulher, segurando-a entre seu corpo e a parede e reivindicando sua boca duramente.

Teria que ter parado, mas Hinata lhe respondeu tão avidamente que não conseguiu mais pensar. Ela tinha afundado seus dedos em seus cabelos com igual força a que ela a tinha beijado. Naruto gemeu, o som surdo saindo de sua garganta.

Oh, Deus. Tinha que se afastar! Não podia ficar próximo dela. Esse desejo irracional não era normal. Tinha que afastá-la de si, imediatamente.

Ele até mesmo levou suas mãos para a cintura da mulher, mas ao invés de se separar dela, a levantou para que pudesse beijá-la melhor.

Estava perdendo o controle.

Pensou um segundo antes dela envolver suas pernas ao redor dele. Naruto pensou ser impossível ficar mais duro e dolorido do que já estava, mas foi exatamente o que aconteceu. Tinha ficado ereto como uma pedra, louco por estar dentro do calor de Hinata.

Minha!

Oh sim, era dele. E mataria, lenta e dolorosamente o desafortunado maldito que lhe pusesse o olho em cima.

Minha! Marcar! Marcar!

Dessa vez o pensamento não era dele. Conseguiu distinguir claramente a súplica desesperada da maldição quando ela lhe afundava as garras de seus grotescos tentáculos por sua mente.

Marcar! Minha!

Naruto não parou para pensar sobre a possessividade que o mal tinha criado dentro dele. Separou sua boca da de Hinata que ofegava tanto quanto ele e de dirigiu para o seu pescoço. Lambeu e mordiscou, saboreando seu incrível sabor e cheiro de jasmim. Ela jogou sua cabeça para trás, murmurando algo que não entendeu, e nem tentou entender. A mordeu forte ali mesmo, para que os guerreiros vissem que ela estava fora do alcance enquanto estivesse com ele, e desceu mais ainda sua boca até que se encontravam beijando e lambendo o vulto de seus seios através da malha do vestido. Sentiu como ficavam rígidos em suas mãos e sabia que não podia parar até que tivesse os provado. Em menos de três passos, a tinha jogado na cama e logo em seguida cobriu seu corpo com o dela, novamente. Seus dedos seguraram a borda do pano que cobria o seio de Hinata e tentou abri-lo. A pano parecia não querer ceder, como se o maldito gostasse de onde estava. Mas é claro, quem não gostaria?

Já sem paciência, rasgou o tecido até que todo o bendito e glorioso corpo da mulher lhe estava à amostra.

Que Deus o ajudasse, pensou olhando o corpo desnudo de Hinata. Ela não usava nada mais do que um pano entre suas pernas, ocultando sua feminilidade e o tentando perigosamente perto da borda de perder o controle. O tecido protegia exatamente o lugar em que mais queria estar naquele momento. Parecia um presente que lhe seduzia a desembrulhar. Seus seios vantajosos eram dois bicos rosados apontando diretamente para ele, erguidos orgulhosamente o fazendo perceber que eram os seios mais atraentes que tivesse visto em sua vida.

Ela era todo um festim para os olhos.

Eram um pouco maiores que o que permitia abranger a mão de Naruto e ele não pode esperar um segundo para prova-los. Sugou uma das pontas e a rodeou com a língua em uma intensidade e quente, umidade. Hinata gemeu. Jogou para trás a cabeça e se arqueou para ele, fechando seus dedos ao redor de seu cabelo e atraindo-o mais para ela. Ele seguiu lambendo-a com gozo, e em poucos instantes passou ao outro mamilo e repetiu as caricias.

Seu sangue lhe fervia a ponto de estar em ebulição. Queria mais, muito mais.


- Naruto... – Hinata gemeu seu nome ofegantemente. – Eu quero... preciso... – Não completou a frase, e sim, abriu suas pernas fazendo que ele se encaixasse perfeitamente contra o vértice delas. Ela esfregou-se contra ele e Naruto reprimiu o primitivo grunhido de prazer que criara e sua garganta. Sua ereção estava tão dolorida que quase a sentia ficar dormente.

Queria a essa mulher, mais que qualquer coisa.

Bruxa.

A palavra surgiu em sua cabeça como um banho de água fria. Todo seu corpo tencionou-se como se tivesse levado um choque. Afastou seu rosto dos seios dela enquanto se sustentava em seus braços encarando os olhos dela que ainda estavam meio embriagados de prazer.

O que estava fazendo?! Não podia se deitar com ela. Ela tinha que lhe tirar a maldição.

Malditos infernos! Ela era uma bruxa! Era a pior das coisas que odiava!

Em sua raiva sem sentido de Kiba e de todos os outros, tinha se esquecido que só permitia que ela ficasse próxima o bastante para lhe tirar o mal.

Como pôde esquecer sequer um segundo do negrume que habitava em seu ser?

O que, pelos malditos sete infernos, estava acontecendo com ele?

Notas finais
"Sooo faaaar awaaaaaaaaaaaaaay" Refrão da música So Far Away - Avenged Sevenfold. kkkk Estava pensando nela agora, tive que escrever isso. hahaha

Bem, meu amados leitores (ou os que ainda sobraram deles), Sei que vcs estão irritados pela demora e até ficaram se perguntando se eu abandonei.
Nope.
Estou meu comprometendo a não abandonar essa fic. Vou terminá-la mais cedo ou mais tarde. rs
Só não posso prometer muita coisa cobre a demora... Aí já são outros quinhentos. Mas vou tentar dar uma melhorada nisso, okay?

Então, please, me digam o que acharam desse cap, sim?
Não consigo mais enviar mensagens dizendo que atualizei a fic, pois o Nyah não deixa. ¬¬ (Nyah, seu viado. u__u) Então eu estou respondendo os reviews somente quando for postar outro novo cap.
Então, o que está esperando??? Deixa seu review! hahaha =P