Viagem Pela Highland

14 Highlander Entretido.


Notas iniciais
Yooo Mina! o
Não me matem, não me matem, não me mateeem! Please!
Eu poderia ter postado antes, mas iria ficar com somente oito mil palavras. Eu queria compensar vcs pelo atraso e escrevi mais um bocadinho. rs E olha que eu ia escrever mais, hein! rs
Realmente sinto muito.
Bom, com certeza vão encontrar alguns erros de digitação. Mas eu fui "tentar" dar uma revisão uma da manha... =S
Maas, vamos lá pessoal!
Boa leitura!

\"\"(N/A: Pessoal, essa imagem aí é pra vocês terem noção de como é o Kaleb. ^^)

Jiraya ofereceu outra xícara de chá para ela.

Como vinha fazendo há um bom tempo, ela mal olhou para ele ou para xícara.

Esta manhã estava sentada e uma de suas cadeiras de balanço, em uma posição fetal por debaixo dos grossos edredons que enrolavam-se em seu colo. Tinha seu olhar perdido na imensidão do vale verde à sua frente, com uma expressão derrotada. Escuras manchas jaziam abaixo de seu olhar, denunciando várias noites mal dormidas.

Jiraya respirou fundo e colocou o chá quente sobre a mesa.

Sua afilhada quase não comia ou bebia desde a última visão que teve em relação a Naruto. Ela não tinha podido lhe explicar com clareza o que tinha visto, pois sempre que tentava, soluços a invadiam e seus olhos enchiam de lágrimas. Ele só havia entendido que Naruto seria morto por uma flecha. Maldita lástima. Jiraya realmente gostava do garoto. Não era culpa dele ter sua mente envenenada pela maldição desperta em seu interior.

Fez uma careta pensando melhor sobre isso. A maldição não era algo que simplesmente morresse da família Yondaime, linhagem do pai de Naruto. Até mesmo o avô e bisavô de Naruto teve a maldição, mas em todo o tempo em que a albergava, ela permanecia adormecida, sem nunca saberem por três gerações atrás que ela existia. Só entenderam que o rumor sobre esse mal era verdadeiro quando o viram sendo acordado pela fúria de Minato.

Respirou, pensando em como sentia saudade do homem.


- Ontem...


A voz abalada e fraca de sua afilhada interrompeu seus pensamentos. Ela nem mesmo piscou quando disse.


- Sim? – Perguntou ele, quando ela não comentou mais nada.


Depois de vários segundos, ela respirou superficialmente audível.


- Quando estava prestes a dormir... – Murmurou ela novamente. – Eu vi... – Seus olhos azuis estavam fixos no horizonte, quando falava. – Novamente...


- O que viu? – Perguntou hesitante e um pouco irritado. Odiava as visões que ela tinha.


Não as visões em si, mas sim o fato dela ficar basicamente morta quando tinha as visões.


- Novamente... – Repetiu mais fraco dessa vez. – Era a mesma visão, mas... diferente... – Ela franziu o cenho, sua primeira ação facial que pode detectar em um longo tempo.


- Como assim, diferente? – Seu tom era confuso e cauteloso.


- Eu vi... A flecha ainda vinha por ele... Mas eu percebi algo que não tinha visto antes.


- O que?


- Ele... – Ela girou seu olhar para Jiraya. – Parecia que sua roupa mudava.


Jiraya franziu o cenho e a olhou questionavelmente.


- Antes ele estava com sua roupa de combate... Quando ele recebia a flecha, minha visão acabava. – Continuou ela, seus olhos beirando o desespero dessa vez. – Ontem, consegui segurar a visão por mais cinco segundos. Eu vi, Jiraya! Tem alguma coisa errada! Ele estava com sua roupa de batalha, com uma espada na mão e lutando ferozmente contra o exército Inglês. A flecha vem de longe, mas quando ela está prestes a acertar seu coração, ele se move como se tivesse recebido um impacto e sua roupa... de algum jeito... Eu não sei... É como se fosse uma capa escura que esbarra nele e some.


- Eu não entendo... – Jiraya quase não podia olhar sua sobrinha de tanta tristeza que ela emanava.


- Você não percebe?! Isso significa alguma coisa! Tem que significar... Por que... ele... ele...- Subitamente ela engasgou. — Oh Deus! – Ela quase gritou quando suas mãos foram para a cabeça, como se tivesse aguentando uma dor insuportável.


- Infernos! – Jiraya correu para perto dela um segundo antes dela desabar da cadeira. Segurou fortemente antes que caísse no chão e girou-a sobre seus braços. – Hey... hey.. Olha para mim... – Pediu enquanto encarava os olhos azulados e sem vida de sua sobrinha. – Oh... maldição...


Estava acontecendo. Ela estava tendo uma visão. O que significava que seu coração tinha parado e que ela poderia morrer se a visão fosse longa demais.


- Vamos hell cat... – Sacudiu-a em seus braços percebendo o momento em que sua pele adquiria uma palidez assustadora.


Segundos mais tarde, sua pele estava fria como gelo e seus olhos sem brilho algum, fixos em algum ponto no alto. Jiraya sacudia e gritava, dando leves tapas em seu rosto mas nada adiantava. Ele tocou em seu pescoço procurando pulsação e recebeu nada em troca.

Deus... E se morresse? E se ficasse tempo de mais tendo a visão que seu coração não tivesse forças para voltar?

O pensamento o assustou como a morte, e fez seus esforços em acordá-la ficarem frenéticos. Ela estava completamente mole e maleável em todo o momento. Cada vez, parecia que sua pele adiquiria um tom mais cinza e seus lábios mais escuros.


- Maldita seja, mulher! – Gritou furiosamente. – Se não despertar agora mesmo vou fazer de sua casa um maldito bordel, ouve-me!? – Sacudiu-a mais uma vez quando não obteve resultado.


O coração de Jiraya baria freneticamente enquanto o suor frio escorregava por sua espinha.

Estava demorando tempo demais. Já podia contar quase dois minutos sem nenhuma maldita resposta!

Deus! Não queria ter que enterrá-la também. Não aguentaria isso.

Com outra tentativa, tentou mais uma vez despertá-la.


– E vou trazer Naruto para ser um dos meus principais clientes! Infernos, acorde! Eu juro por Deus mulher, Naruto vai ser o homem mais pervertido da face da terra! – Gritava inutilmente. No exato momento em que pegou o copo de chá de cima da mesinha para jogar no rosto dela em uma desesperada tentativa de despertá-la ela se mecheu. – Vai ter tantas mulheres que vai ter que enfileira-las e chama-las por números! Juro que vou deixa-lo ter cinco de uma vez só!


Sua sobrinha abriu a boca em busca de ar. Tossiu desesperadamente por vários instantes.


- Se transformar... Minha casa.... Em um bordel... – Dizia entre difíceis respirações. – Vou pintar cada quarto... Com o vermelho... Do seu sangue... – Tossiu mais uma vez apoiando suas mãos no chão.


Jiraya tentou rir, mas teve tudo arruinado por um soluço que saiu de sua garganta sem querer.


- Se me deixar tão preocupado de novo... – Sua voz soou rouca e chorosa. – Te mato de verdade, escutou? – Fechou os olhos tentando evitar as lágrimas de saírem.


Estava ficando velho para levar aquele tipo de susto e sair com o coração ileso.


Ela bufou e sorriu desanimada.


- O que você viu? – Perguntou com uma tentativa de disfarçar seu tom ainda melancólico.


Ela franziu o cenho e coçou a cabeça como se tentasse desvendar um mistério.


- Foi... Estranho...


- Diga-me.


- Eu vi... Uma mulher... Ela era diferente...


- Como assim? – Deus, estava cansado de tanto mistério.


- Seu cabelo era... Jiraya, já ouviu falar de alguém vivo que tenha cabelo rosa? – Perguntou confusa.


Jiraya engoliu seco com a última palavra de dela.


- Tenho certeza do que vi... – Murmurou ela, sem dar tempo de Jiraya responder. – Ela... Socou-o. E, sabe o que? Nunca vi uma mulher agredir um homem do modo em que ela agrediu ao Lorde Sasuke. Provavelmente quebrou um dente do pobre homem dado pelo modo em que ele grunhiu de dor – Disse ela novamente, só que dessa vez, um ligeiro sorriso natural apareceu em sua boca.


- Ela estava com... Lorde Sasuke? – Perguntou cautelosamente.


- Sim. Sabe o que mais? Naruto e Hinata estavam lá também. Um segundo depois da garota bater no Lorde, Naruto saiu de uma porta, junto de Hinata.


Jiraya estava completamente de boca aberta. Não pela agressão. Entendia muito bem que com o decorrer do tempo as mulheres se tornaram completamente independentes e algumas, violentas. Estava espantado por quem tinha agredido Sasuke. Tinha visto uma mulher de cabelo estranho no século XXI. Primeiro tinha pensado que fosse efeito da luz. Não existia mais aquela linhagem de sangue. A família Haruno tinha sido completamente dizimada, pelo que sabia, por isso tinha tratado de esquecer do assunto.

Não era possível que existisse uma Haruno no séc. XXI!


- Jiraya? – Perguntou sua afilhada.


- Sim?


- Naruto estava nessa visão, Jiraya. Ele estava vivo! – Exclamou ela, sorrindo. – Há esperança. Minha visão... Eu errei na minha primeira visão... É a única explicação...


Jiraya via o quanto ela lutava para acreditar naquilo e acabou não dizendo que a visão que ela acabara de ter, poderia acontecer antes de Naruto morrer com a flecha.

Mas uma coisa ainda não se encaixava nessa história. Ele tinha muitas dúvidas e nenhuma certeza.

Primeiro: A garota também veio do futuro?

Segundo: Alguém tinha sobrevivido do assassinato da família que tinha o poder desconhecido no sague? Se fosse uma mulher, poderia ser a mulher de quem sua afilhada falava, então ninguém viria do futuro para o século dezesseis. Mas se fosse homem o sobrevivente... Então a rosada do futuro teria sangue Haruno em suas veias?

E terceiro: Somente Hinata poderia vir para o passado, pois o livro só reconheceria ela como destinada a cumprir sua missão. Então, por que meio, se a mulher rosada realmente fosse a do futuro, veio para o passado?

Coçou a cabeça cansado e sentou no chão aflito, ao lado de sua afilhada.


- Quando Hinata saiu de trás da porta... – Ela interrompeu seus pensamentos, olhando para o céu. – Foi estranho... Seu rosto estava nublado... Como se sua presença ali fosse incerta. – Murmurou com a voz tremente.


- O que isso significa? – Jiraya perguntou sem ter ideia do que ela estava falando.


Ela franziu o cenho e fechou os olhos como se tentasse não pensar em uma resposta dolorosa.

Odiava quando ela evitava um confronto direto desse jeito. Ela só fazia isso quando queria evitar profetizar um acontecimento ruim.

Maldição.

Hinata estaria em perigo? Trouxe-a do futuro para morrer no passado?

Primeiro Naruto, e agora Hinata estava em perigo também?

Deus, aquilo não estava bom.



***


Ela sentiu o exato momento em que o corpo dele ficou duro como pedra e soube que algo ia mal.


- Naruto? – A pergunta saiu mais como um gemido de súplica, mas não pôde evitar. Estava tão embriagada pela doce sucção e lambidas que Naruto dirigia aos seus mamilos que sua voz saiu grogue. – Está tudo bem? — Encostou sua palma no amplo e musculoso peito do guerreiro esperando que lhe respondesse.


Naruto reagiu como se seu toque o queimasse, se jogando subitamente para trás e se afastando dela com uma maldição. No mesmo instante, Hinata sentiu a perda do calor sobre seu corpo quase nu e cobriu-se com o lençol que estava a lado da cabeceira da cama. Abriu a boca para chamar seu nome mais uma vez mas percebeu que ele tinha virado de costas para ela.

Oh, Deus... Que bunda.

Totalmente apalpável e comestível. Concordou sua vadia interior.

Será que podemos apertar? Foi a vez da vaca em sua mente perguntar.

Queria muito apertar. Sua vadia fez um bico mimado.

Eu também. Concordou a vaca.

Eu também. Hinata admitiu, seguindo com o olhar faminto os luxuosos e perfeitos músculos de suas costas em sincronia com os fortes e poderosos braços e pernas.


- Naru..to? – Ele ignorou seu chamado e começou a se vestir com o Kilt que ela nem mesmo sabia que estava ali. – O que você...


- Cale-se! – Seu grito ecoou pelo quarto com uma mistura de raiva e agonia.


- O que aconteceu? – Perguntou Hinata confusa e ainda com muita tensão sexual mal contida. – Sua perna está doendo? Oh, droga! Como pude me esquecer de sua perna!? – Se chutou mentalmente saindo da cama e andando em direção à ele. – Deixe-me vê-la...


- Não finja que se preocupa, mulher. – Seu olhar puro de irritação a fez dar um passo para trás. – Fez algo comigo! – Acusou-a com mais cortante que uma adaga.


Hinata abriu a boca para questionar ainda desentendida, quando olhou a cara de desgosto que Naruto fazia quando olhava para ela.

O que? O cachorro se arrependia de ter começado algo com ela?

Ou ele seriamente achava que ela era uma bruxa de verdade que tinha jogado um feitiço para ele deseja-la?

Mas que filho da puta! Nem sequer admitia que a desejava.


- Se eu me lembro bem — Respondeu-o com a voz fria e mal humorada. – Foi você quem fez algo comigo quando chupava meu seios e tentava me montar como se eu fosse sua maldita égua! – Gritou mais que irritada jogando furiosamente os fios de cabelos que caiam em seu rosto e se cobria mais firme ainda com o lençol.


Ele arregalou os olhos como se ela tivesse dito uma blasfêmia e abriu a boca parta rebater. Exceto que ele ainda estava tão espantado que só saíam falhas tentativas de “eh.. eh.. eh..”


- Agrh! Maldito idiota! – Bateu fortemente com seu punho fechado na parede sólida de seu peito.


Foi idiota de se fazer, é claro.

No mesmo instante, sentiu uma pontada de dor na ligação de seu punho e soltou um gemido abafado de dor.

Mas que infernos! Tinha torcido o punho só por tentar bater no muito bastardo e ele ainda continuava com aquela cara de idiota com quem se pergunta “O que a louca está fazendo dessa vez?”

Hinata fechou sua expressão e deu longas passadas para fora do quarto. Nem sequer olhou para o loiro sem coração quando saiu de lá. Assim que esteve no corredor, correu como se o diabo a perseguisse para o seu quarto.

Era uma maldita sorte que ainda estivesse enrolada com o lençol e não com os seios pulando ao ar livre por aí. E é claro, de quem seria a culpa? Do Naruto?

Não!

Seria dela!

Culpa dela por te se jogado tão rápido nos braços do guerreiro.

Correu tão rápido que em menos de trinta segundos já estava em seu quarto respirando dificultosamente. Se jogou em sua cama e se aconchegou mais ainda no lençol. Sua mente estava um completo caos e seu coração não parava de retumbar em seus ouvidos.

Se sentia como uma maldita adolescente que teve seu primeiro beijo recusado pelo garoto que gostava. Estava patética.

Só percebeu o quão estupidamente patética estava quando ouviu o primeiro soluço de seu choro silencioso.

Oh caramba... Desde quando tinha se tornado tão sensível?

Maldito fosse aquele guerreiro!


***


Kaleb atacou mais uma vez a massacrada árvore em que vinha treinando desde que segurou pela primeira vez sua espada de madeira. Ele queria ficar forte. Queria ser tão habilidoso quanto o Lorde do castelo e seu fiel amigo Naruto eram. Ele já tinha onze anos e sabia que já era um homem que tinha que conseguir respeito e admiração por seus próprios atos. De que maneira faria isso, senão vencendo o melhor?

Segurou mais uma vez a espada com suas duas firmes mão cheias de calo e treinou por mais duas horas seguidas, golpeando de um lado a outro o tronco careca de musgo, até que estava arfando por ar. Os joelhos tremeram e ele não pôde sustentar o próprio peso por muito mais tempo. Cedeu sobre as pernas e caiu no chão tentando não se machucar mais do que já estava ferido.

Ainda sem poder respirar normalmente, abriu uma de suas palmas e gemeu em protesto.

Que fraco era!

Suas mãos estavam tão dormentes que mal conseguia abri-las. Rachaduras percorriam por várias aberturas em suas palmas e onde quer que estivessem, uma onda considerável de sangue saíam delas. Estavam completamente esfoladas e massacradas.

Fez uma careta quando sentiu que estava aquietando-se e começou a sentir a incômoda ardência nas feridas abertas. Devia ter deixado as feridas dos dias que vinha treinando incansavelmente sarar adequadamente, mas estava tão afoito pela ideia da vitória que somente tinha ignorado.

Não que a dor fosse fazer muita diferença.

Um guerreiro não reclama da dor.

Ele só a aceita e segue de cabeça erguida.

Sorriu com o pensamento. Mal podia esperar para começar seu treinamento com Hinata, a moça do castelo que o tratara tão bem como ninguém tinha feito. Devia se sentir envergonhado por pedir que uma mulher o ajudasse, mas ela era muito habilidosa para simplesmente deixa-la de lado sem tentar aprender algo.

Sim. Ele não reclamaria. Todo esse treinamento surtiria um efeito num futuro muito próximo, o qual Brock perderia o desafio que Kaleb o faria. Ele finalmente iria cessar o falatório desonroso que inventara sobre sua mãe e, por fim, a memória dela descansaria em paz.

Seu sorriso desapareceu lentamente quando sua garganta foi fechando-se até que sentia difícil respirar. Tossiu para dissimular um soluço e abriu a boca sugando o ar.

Deus, como era difícil pensar em sua mãe sem que tivesse vontade de chorar como um menino! Nunca a conhecera de verdade, mas a anciã que cuidava dele dizia muito bem dela. Falava-lhe que era muito carinhosa, atenta, irritada de natureza e amorosa em relação ao próximo e uma excelente cozinheira. Sempre procurava ajudar a quem necessitasse. Dizem que esse foi um dos principais motivos pelo qual morreu.

A anciã que cuidava dele, nunca contava toda a história realmente. Mas ele nunca desistia de tentar saber como sua mãe morreu.

Não. Não morreu.

Foi assassinada.

A velha senhora disse-lhe que sua mãe era uma curandeira renomada, conhecida por vários outros clãs e muito solicitada por todos. Ele tinha três semanas de vida quando tudo aconteceu. Sua mãe tinha sido designada para cuidar dos feridos de guerra do clã aliado dos Uchiha. Como ele ainda era muito novo e precisava do leite materno, teve que ser levado junto dela. Enquanto ela curava os feridos, ele ficava com uma das servas e ao cair a noite ia para o colo de sua mãe.

Na terceira noite, quando ela emendava a perna de um dos guerreiros, a tenda em qual estava foi invadida por um homem que sangrava gravemente pela cabeça. A anciã dizia que o moribundo tinha o crânio aberta e agia como louco. Ele tinha uma espada em sua mão e gritava como um homem possuído para que o salvassem da agonia dolorosa em sua cabeça. Sua mãe bem que tentou acalmá-lo quando fazia gestos com a mão como se quisesse amansar uma fera, mas parecia que o homem tinha entendido errado o movimento.

Ele vira o gesto como ameaça e a atacou impiedosamente com sua arma afiada e letal.

Naquele exato momento, um dos guerreiros tinha entrado na tenda estranhando a movimentação barulhenta que vinha dali.

Ele salvou sua mãe temporariamente, mas não foi sem um preço.

E teve sua cabeça arrancada do corpo.

A anciã lhe disse um dia que o homem decapitado tinha uma esposa e um menino com um ano de vida. Só podia imaginar como deve ter sido pra família do homem, Hidan, se não lhe falhava a memória, aguentar o sofrimento da notícia trágica.

O homem que tinha invadido a tenda, por mais que tivesse ferido, era extremamente habilidoso com sua Claymore (N/A: espada escocesa). Logo que ouviu o farfalhar da tenta se movendo, girou sua lâmina em um só movimento para Hidan.

O guerreiro tinha sido pego de surpresa mas não lutaria ao lado dos Uchiha se não fosse habilidoso. No único movimento que podia fazer, sacou uma adaga e bloqueou o ataque. A pequena arma voou de sua mão pelo impacto e Hidan avançou para a agressão física. Gritou para sua mãe sair da tenda e deu um forte murro no queixo do ferido.

O homem cambaleou para trás um pouco desnorteado e Hidan teve tempo de se preparar armando-se de sua espada. Tarde demais, ele percebeu que o homem não cambaleava se afastando por estar desnorteado, e sim por que ia atrás de sua mãe que saia da tenda.

Kaleb podia imaginar o que se passou na mente de Hidan no momento em que viu o homem louco elevar a arma para sua mãe.

Ela iria morrer.

Ele gritou o nome de sua mãe, que Kaleb sempre achara tão simples e lindo, Ino. Ela tinha tropeçado e caído nos lençóis sujos de sangue dos feridos. Tinha ficado ali, olhando como a morte vinha por ela em questões de segundos.

Um momento mais tarde, uma Claymore tinha sido lançada aos seus pés e ela não perdeu tempo para questionar a sorte.

Conseguiu pegar a espada e se defender do furioso e insano ataque do homem.

Ele grunhiu mais louco e frustrado do que já estava e num rápido movimento rodou com sua espada ao vulto que estava atrás dele.

O que sua mãe viu seguir provavelmente a deixou em choque.

Com um baque surdo, a cabeça de Hidan foi cortada de seu corpo e caiu no chão.

A anciã dizia que Hidan e sua mãe tinham sido amigos inseparáveis desde crianças. Muitos na vila até brincavam com os dois dizendo que iam acabar se casando. Mas isso foi antes de Hidan se apaixonar e se casar. O mesmo servia para sua mãe que apaixonou-se por um homem que ele nunca tinha ouvido falar.

Então, sim. Ele realmente podia imaginar o que tinha se passado na cabeça de Hidan quando jogou sua Claymore para Ino.

Ele sabia que ela iria se defender com o que pudesse, por isso jogou para ela sua única arma que salvaria um dos dois. Sabia também que Hidan tinha o conhecimento que se fizesse isso, ficaria vulnerável. Mas ganharia tempo para Ino fugir quando chamasse a atenção do homem.

Logo que sua mãe tinha se defendido, ele correu para prender as costas do homem. Com certeza tinha feito sons com seus pesados passos, e foi aí que o louco deu um giro mortal com a arma e arrancou sua cabeça.

Depois disso, a anciã sempre lhe enrolava para contar o restante da história.

Nunca soube com detalhes o que aconteceu a seguir. O que a velha mulher tinha lhe contado foi que sua mãe gritou de pavor quando viu seu amigo morto e acabou sendo apunhalada no abdômen.

Outros guerreiros chegaram na tenda e deram fim ao louco.

Sua mãe respirou por mais um agonizante dia e morreu por perda de sangue. No tempo em que estava viva, contou em detalhes o que aconteceu na tenda.

Quando estava prestes a morrer, chamou a criada e pediu para que cuidasse de seu bebê até seu pai voltar da guerra. Quando ia dizer o nome dele, sua força desfaleceu e ela se foi.

Kaleb encarou suas mãos que agora eram uma mistura de sujeira, sangue e lágrimas que caíam de seus olhos.

Maldito fosse! Ele não devia chorar! Já era um homem! Precisava ser forte.

A anciã que cuidou dele há algum tempo atrás, morreu porque ele não tinha conseguido conter a tristeza e as lágrimas na noite de seu aniversário de dez verões. Ao invés de ser um dia feliz, ele só podia lembrar em como queria ter sua mãe e seu pai por perto.

Ele adorava a anciã, Marta, é claro. Mas ela era uma serva do castelo. Tinha obrigações lá dentro e só voltava para casa à noite, horário que ele estava dormindo. Muitas vezes, não voltava. Ficava no castelo.

Ele não gostava do castelo. Sempre que olhava para aquelas enormes torres tinha vontade de vomitar. Somente o pensamento de estar no alto de uma delas já o punha doente. Por isso preferia ficar no casebre da vila em que Marta morava.

Naquela noite, ele tinha imaginado que Marta ficaria no castelo.

Devia ter imaginado melhor. Ela não iria deixar a comemoração de mais um ano de seu nascimento passar em branco, não é?

Ela entrou no seu quarto enquanto ele chorava frustrado e desconsolado pela solidão que sentia sem seus pais. Ela disse que estava tudo bem, que já ia passar.

Aquelas palavras só conseguiram deixa-lo mais frustrado e furioso do que já estava.

Nada iria passar! Sua mãe não iria voltar e ele nunca conheceria seu pai. Os meninos nunca o veriam como alguém normal por causa de seus olhos e todos sempre o encarariam com desprezo!


— Trouxe um bolo. – Ela disse quando ele não lhe deu atenção. — Não é muito grande, mas tenho certeza que sua mãe se orgulharia do bolo que fiz.


Naquele momento de raiva, ele explodiu. Pulou da cama como uma criança mimada e empurrou o bolo das mãos dela gritando que ela não era e nunca seria sua mãe.

No mesmo momento em que fez isso, se arrependeu.

Nunca deveria ter dito aquilo.

Ainda mais para uma mulher de idade como Matilde, que mesmo quando o olhava nos olhos, não lhe direcionava desprezo. Mas sim, uma curiosidade e um pouco de hesitação.

Mas ele não podia voltar no passado, não é mesmo?

Ele nem sequer se desculpou quando a mulher saía triste e ferida sentimentalmente do quarto. O orgulho estava muito presente nele naquele momento.

Quando levantou de manhã para pedir perdão pelo seu comportamento terrível da noite anterior, estranhou que não sentisse o cheiro de pão na cozinha quando caminhava para lá.

Foi até o quarto da anciã e bateu humildemente na porta, se perguntando como iria começar com suas desculpas.

Imploraria se fosse preciso.

Depois de uma sequência de batidas na porta e sem respostas, entrou no quarto e comprovou que a mulher jazia dormindo quietamente sobre os lençóis.

Ele sorriu triste observando como ele tinha sorte em tê-la por perto e lembrando do quanto a magoou. Andou para o lado da cama passou suas mãos pelo cabelo da anciã.


- Eu te amo, Marta. – sussurrou próximo do ouvido dela e depositou um beijo em sua testa.


Sentiu a frieza da pele dela formigar em sus lábios e imediatamente soube que tinha algo de errado.


- Marta? – Chamou hesitante.


Esperou a resposta por alguns segundos mas somente o silencio ecoava pelo quarto.

Talvez estivesse muito cansada e não tivesse escutado da primeira vez.

Com u pressentimento ruim, ele tentou novamente.


– Marta...? – Repetiu sacudindo levemente os ombros dela.


Ela estava dura como pedra. Sua expressão era algo frio e sombrio. Kaleb engoliu o doloroso caroço em sua garganta e reprimiu as lágrimas que aneaçava sair de seus olhos. Aproximou sua pequena mão do nariz de sua avó e comprovou que não respirava.


– Vó Marta...? – Sacudiu com mais força em quanto sua visão ia nublando e sua voz ficava histérica. – Vovó! Acorda! Vó! – Estava gritando agora. Não conseguia mais distinguir o rosto da velha mulher. Seus olhos eram uma cascata de lágrimas desesperadas e sua voz estava grossa e alucinada. – N... Nã... Não... Nã... – Seus soluços o faziam engasgar enquanto o grito de agonia brotava em seu peito. – Eu... Sinto... Vovó... – Não conseguia mais falar. Seu nariz tinha entupido, sua voz tinha engrossado, o choro quase não deixava-o respirar e seu coração parecia querer sair do peito.

Ele tinha feito aquilo.

“Aberração”

“Monstro”

As vozes das pessoas da aldeia retumbaram nos seus ouvidos.

Sim, ele era tudo aquilo. Não pelos seus olhos, mas sim pelo que tinha feito à anciã.

Ele tinha sido um completo irresponsável por fazer aquilo com a pessoa que o tinha criado e nada podia mudar esse fato. Ele não tinha família. Nunca tinha conhecido seu pai e o pouco que sabia não lhe ajudava muito. Do que tinha conhecimento, era que seu pai tinha permanecido todo o período de gravidez da sua mãe na guerra que durou oito meses. Quando finalmente tinha terminado, ninguém nunca viera o procurar.

Seu pai deveria ter sabido que ele tinha nascido com defeito em seus olhos e somente ignorou sua existência. Não o surpreendia, é claro.

Mas, Deus, como aquilo doía.

Seus pensamentos foram abruptamente interrompidos por uma lamentação dolorosa de uma criança. A voz era suave e chorosa. Seus suaves gemidos engasgados numa sequência baixa de soluços o inquietou. Sem parar para pensar no que estava fazendo, limpou suas mãos sujas na calça e apanhou sua espada de madeira, prendendo no cinto improvisado que tinha feito com uns cipós da floresta. Seguiu o som da voz feminina até que estava próximo do castelo, de frente para a aldeia e ao lado do campo de batalha dos guerreiros do castelo. A menina estava não muito longe dele. Ela estava encolhida no chão segurando uma de suas pernas, ao lado de uma pedra que era metade do tamanho dela e na sombra de uma árvore. Aproximou-se o mais cautelosamente possível para não assusta-la, mas logo que reconheceu a silhueta feminina que desde sempre fazia seu coração palpitar com força, prendeu o ar. Seus cabelos loiros caiam em graciosos cachos por cima de seus ombros, esparramando-se pela metade de suas costas e braços que envolviam uma de suas canelas. Só precisava disso para saber quem era.

Sophie.

Por que sua doce Sophie estava chorando?

Apertou suas mãos em punhos muito irritado enquanto olhava para os lados procurando o bastardo que lhe tinha feito mal. Depois de uma rápida examinada, não viu ninguém. Olhou novamente ao redor, dessa vez para saber se tinha alguém olhando para ele. As pessoas da vila não gostavam de deixar seus filhos brincarem com ele e não queria pôr Sophie em problemas. Satisfeito ao perceber que ninguém lhe prestava atenção, aproximou-se dela tentando regular sua respiração. Sempre tinha olhado-a de longe, observando como era uma menina linda e feliz. Era muito bondosa e curiosa sobre tudo.

Era tão o contrário de seu irritante irmão Brock. Sophie o fascinava e fazia querer falar com ela.

Nunca teve coragem para fazer isso. Ela sempre estava rodeada de outras meninas da vila que o viam como se fosse um leproso, tinha medo de se aproximar muito e fazer vergonha para ela.

Mas ninguém estava vendo agora, o que significava que podia finalmente falar com ela.

Repentinamente, suas mãos ficaram suadas e seu corpo nervoso.

E se ela o chamasse de aberração como todos os outros?

Bem, era mais que certo que isso fosse acontecer, mas queria muito falar com ela. Não podia ser tão difícil, além do mais, ela tinha oito verões. Quão ruim podia ser que mais uma criança da vila o odiasse somente por existir?

Resolvido, só parou de andar até que esteve de frente para ela. Sophie permanecia de cabeça baixa, mas parecia que tinha percebido que alguém se aproximara, pois seus soluços pararam.


- Vai daqui! — A voz rouca e melancólica pelas lágrimas quase lhe partem o coração, mas não estava preparado para ir sem nem mesmo falar com ela.


- Uma dama não deveria chorar desse modo. — Murmurou Kaleb um momento antes de se repreender mentalmente. Não devia começar uma conversa agradável assim.


- Eu não estou chorando. — Rebateu ela, ainda de cabeça baixa e sem olhá-lo. – E eu não sou uma dama. – Fungou.


Se ela não tivesse parecido tão infeliz naquele momento, teria sorrido com a negativa.


- Mas eu podia jurar que ouvi alguma coisa parecida à um choro... — Disse sem poder se controlar.


Amaldiçoou-se mais uma vez por sua estupidez. Não devia comentar sobre isso se ela não gostava.

Ela ficou em silêncio alguns segundos e logo depois seu corpo tinha começado a tremer enquanto longos soluços saiam da boca feminina.

Oh, Deus! Tinha feito com que chorasse! Tolo!


- Eu lamen... – Tentou se desculpar.


- Não posso... evitar. — chorava enquanto dizia as palavras.

A mão de Kaleb voou involuntariamente para o ombro dela como forma de consolo mas ele parou a um sopro de encostá-la. — Não pode mais voar e não consigo alcançar sua casa... — Ela segurou sua perna direita com mais força enquanto escondia seu rosto choroso no joelho.

Kaleb percebeu que entre os dedos que a menina segurava a perna, sulcos de sangue os umedeciam. Arregalou os olhos e ajoelhou-se a sua frente.


- Está sangrando! — Declarou um pouco assustado por ela.


Tirou o pedaço de pano limpo do bolço que deveria ser trocado pelo que já estava em sua cabeça em algumas horas, e, sem pedir permissão, moveu carinhosamente a mão da garota que tampava o sangramento na canela e começou a envolver a ferida cuidadosamente. Sophie permaneceu quieta em todo o processo e ele começou a temer que estivesse sendo descortês.

Praguejou mentalmente.

Mas é claro que estava sendo! Nem sequer perguntou se ele poderia enfaixar sua perna!


- Terminei. — Anunciou evitando o máximo possível que ela visse seus olhos enquanto olhava para o chão.


Subitamente, as mãos pequenas da menina envolveram sua bochecha e levantaram seu rosto no mesmo nível que o dela.

Ele estava tão estupefato pela ação que não percebeu que estava olhando para aqueles olhos tão intensos e castanhos que ela tinha.

Eram lindos!

Ela suspirou audivelmente e sua boca abriu com surpresa.

Oh, não. Ela tinha visto seus olhos!

Engoliu seco e fechou os olhos, se preparando para ouvir da boca dela o segundo nome tão odiado por ele que o chamavam.

"Aberração "


- São de verdade? – A pergunta saiu assombrosamente empolgada.


Kaleb engoliu mais uma vez seco sem saber como interpretar a pergunta de Sophie. Respirou profundamente pela boca e abriu os olhos hesitantemente. As mãos dela continuavam segurando seu rosto no lugar e ele se surpreendeu ao ter o conhecimento de como o toque dela era quente e aconchegante. Os olhos dela, ainda avermelhados pelas lágrimas, estavam fixos nos seus, analisando-os com sincera e pura curiosidade.

Ele não via repulsa ali. Nem medo ou hesitação. Somente algo parecido com ansiedade e... Fascinação?

Algo no fundo de seu coração se aqueceu naquele momento.

Ela não achava seus olhos bonitos, não é? Seria impossível.

Repentinamente, lembrou da mulher que o tinha ajudado. Hinata. Ela lhe dissera que seus olhos eram bonitos.


- Então? – Ela perguntou sem desgrudar seu olhar.


- O... que? – Sua voz saiu hesitante.


- Seus olhos. São de verdade mesmo? – Inclinou ligeiramente sua cabeça para o lado. – Meu irmão disse que tinha um menino na aldeia que tinha olhos diferentes. É claro que eu não o acreditei. Ele sempre fala mentiras. E me faz chorar. Mas creio que não era mentira porque posso ver seus olhos agora.


- Ele que a fez chorar? – Grunhiu a pergunta, irritado, formando punhos em suas mãos. Se ele tivesse a machucado, não iria perdoá-lo.


Sophie fungou e soltou seu rosto, usando suas pequenas mãos para limpar os olhos e as marcas de choro em seu rosto.


- Não. – Voltou a chorar escondendo os olhos nas mãos.


Alívio o inundou instantaneamente, mas logo uma onda de preocupação o preencheu. Por que ela não parava de chorar?


- O que aconteceu? Talvez eu possa ajudar. – Sentou ao lado dela, sem saber o que fazer. Não gostava de vê-la chorar. Odiava, realmente.


- Mas você é um menino! – Outro soluço misturado com uma tosse chorosa.


- Sim... – Declarou mais preocupado que nunca.


Não estava aparente que era homem? Será que ela pensava que ele era mulher?


- Mas... – Soluço – Vai machuca-lo também...


- Quem...? Não vou machucar ninguém. Juro-lhe isso! Não sou um monstro. – Falou rápido demais.


Por favor, não pense que eu sou um monstro. Orou mentalmente.


- Promete? – Murmurou ela, tirando as mãos dos olhos e encarando-o com as lágrimas escorrendo por eles.


- Dou minha palavra de... Futuro guerreiro. – Prometeu.


Ela não riu dele.

O que só o deixou com um profundo respeito por ela.

Sophie acenou confirmando que aceitava sua palavra e limpou novamente seus olhos. Depois, retirou de trás dela uma bagunça de panos enrolado em um pequeno... pássaro?


- Eles laçaram uma pedra nele... – Sua voz estava baixa e a ponto de voltar a chorar. – Apostavam quem ia acertá-lo. Aquele meninos... – Ela olhou para longe, para o grupo de garotos que algumas horas antes tinham lhe acertado uma pedra na cabeça. Surpreendeu-se por não encontrar Brock no meio deles. – Correram quando eu disse que ia contar para meu irmão o que estavam fazendo. – Murmurou passando um dedo na cabeça do pássaro que soltou um gemido doloroso.


- Brock não estava com eles? – Perguntou duvidoso.


- Mas é claro que não! – Bufou como se a ideia fosse absurda. – Brock adora os animais. Principalmente as aves. Nunca permitiria uma crueldade assim.


Kaleb queria discutir sobre isso, mas achou melhor deixar a pequena Sophie com o puro pensamento que seu irmão era uma pessoa boa.


- Eles te machucaram? – Perguntou, apontando para sua ferida. – Não precisa ter medo de dizer. Os farei pagar se tocaram em você.


Ela olhou para ele em silencio e suas bochechas coraram adoravelmente. Sacudiu a cabeça em negação um momento depois e voltou a falar.


- Ele está com a asa quebrada e não pode voar. Tentei colocá-lo de volta no ninho e caí.


- Por isso está chorando? – Perguntou compreensivamente.


- Não. – Fungou mais uma vez, deixando-o confuso com a negativa. – Quando eu cai, machuquei mais o passarinho... e... matei duas... formigas – Parecia que ela estava lutando para não chorar.


Kaleb abriu a boca sem saber o que dizer para consolá-la.

Espera. Ela estava chorando por ter matado duas formigas? Deus, que absurdo era! A menina era uma santa.

Ela era muto boa comparado a ele. Só podia imaginar como ela iria reagiur se contassem que tinha matado à anciã que cuidava dele.

Iria odiá-lo, certamente.


- Tenho certeza que... As formigas sabem que você lamenta muito... – Murmurou, tendo fazer com que se sentisse melhor. – E não sou como os outros garotos. – Emendou. – Nunca machucaria alguém indefeso. – De propósito. Emendou mentalmente.


Ela olhou para Kaleb com seus intensos olhos castanhos, decidindo se podia ou não confiar nele.


- Me dê – Estendeu sua mão para a ave ferida. – Colocarei-a de volta no ninho.


Sophie mordeu o lábio inferior e olhou sua mão, ainda hesitante. Ofegou espantada ao analisar a mão dele e encarou-o assustada.


- Sua mão... – Viu que o queixo da menina começou a tremer enquanto falava. – Machucaram você também? Por isso tem a cabeça enfaixada? – Os olhos ainda chorosos dela se acumularam de lágrimas.


- Eu... Também caí. – Mentiu. – Escorreguei enquanto treinava e caí de encontro com um pedra.


- Oh... – Ela parecia não acreditar.


- Vê, não são só as moças que caem. – Deu a ela um sorriso cumplice e uma piscada.


Sophie sorriu um pouco envergonhada e acenou positivamente com a cabeça secando seus olhos. Estendeu o braço e depositou a ave enrolada pelo pano na mão de Kaleb.


- Quero que fique sentada enquanto eu o coloco no ninho. Não precisa forçar sua perna ferida sem necessidade. – Enrolou a ave de modo que não se machucasse com os movimentos que ia fazer na escalada e devolveu-o para ela. – Quando estiver na metade do tronco, dê-me o pássaro. – Falou dando-lhe as costas e iniciando sua escalada na árvore.


Sophie corou novamente e sentou na pedra em que ela tinha se machucado ao cair, observando Kaleb na jornada de devolver o animal ao seu lar com olhos que brilhavam de admiração.

****


Ele não conseguia aquietar seus pensamentos. Sempre que tentava, falhava miseravelmente com a lembrança dos suculentos e generosos seios de Hinata em sua boca.

Deus, como ela tinha um gosto bom. Quanto mais pensava nela, mais parecia ser incapaz de não fazê-lo.

O que estava de errado com ele? Estava agindo de maneira irracional, guiado por sua cabeça de baixo para uma mulher que nem pelos sete infernos podia ter. O que aconteceria se sua consciência naquele momento não tivesse clareado e lembrado que ela era uma bruxa?

Sem sombra de dúvidas tê-la-ia tomado e tinha certeza que desfrutaria de cada segundo. O sangue correu diretamente para sua virilha o deixando duro e inchado.

Maldição! Não podia nem sequer pensar na mulher que já se colocava nesse estado deplorável de desejo insano. Tinha até mesmo culpado-a de ter feito alguma coisa com ele, como jogar-lhe algum tipo de feitiço que o tinha deixado encantado por ela, mas sabia melhor. Hinata era a tentação carnal mais pura e pecaminosa que algum dia sonhou em existir. Cada segundo que ficava ao redor dela só podia pensar em guardá-la pra si e escondê-la dos olhares desejosos dos outros guerreiros.

Queria montá-la duro e ao mesmo tempo suave. Queria provar o suco doce de suas dobras quentes e úmidas e se perder. Penetrá-la até o fundo de sua inconciencia e ficar rodeado pelo calor que só uma mulher podia dar ao homem. Queria beijá-la em quanto fazia isso e apreciar enquanto ela gritava seu norme no momento em que se derramasse dentro dela...

Oh... Maldito fosse! Todo o seu sangue estava fervendo e seu membro mais dolorido que jamais esteve.


- Está com a cara mais assustadora que eu já vi em toda minha vida. – Murmurou o guerreiro que estava sentado ao seu lado.


Demorou alguns segundos para Naruto dar-se conta que estava no campo de treinamento dos guerreiros sentado em uma grande pedra enquanto Gaara lhe fazia companhia. Ele tinha ido ali para clarear um pouco a mente e esquecer o que tinha acontecido no quarto horas antes com Hinata. Ele tinha perdido o controle de si com a mulher e não tinha certeza que não faria novamente se ela estivesse por perto. Ele mal tinha percebido o momento em que Gaara tinha revogado o assento ao seu lado. Tinha estado tão perdido na fútil tentativa de não pensar na mulher que se tivesse sido atacado de surpresa por um inimigo naquele momento, estaria em sérias desvantagens.

Naruto não respondeu ao comentário do guerreiro. Não queria entrar no assunto que explicava sua expressão.


- Me pergunto o que tanto o incomoda... – Murmurou mais uma vez o ruivo.


Naruto olhou para o guerreiro e mandou uma silenciosa mensagem de “cale-se ou morra.”

Gaara o lembrava muito de si mesmo. O homem sempre se mantinha distante dos outros, nunca tentava agradar a ninguém, era frio algumas vezes principalmente com as moças do povoado e sempre tinha esse ar de morte pairando sobre seus olhos. Nem sempre tinha sido assim. Se fosse comparar o antigo Gaara com esse de agora nunca diria que era a mesma pessoa. Houve um tempo em que o homem era mais relaxado e feliz. Mas mudou seu comportamento abruptamente após a guerra que matou vários de nossos companheiros. Não o culpava. Muito dos guerreiros nunca mais foram os mesmos depois que voltaram da guerra. Essas coisas mudam as pessoas. Na maioria das vezes, para pior.


- Nada me incomoda. – Respondeu finalmente, desviando do olhar do guerreiro.


- Já mentiu de maneira mais efetiva, antes. – Respondeu sem alterar sua expressão.


- E você já foi menos curioso.


- Tem razão. – Concordou Gaara na mesma posição. – Mas as coisas estão mudando por aqui. Com a chegada dela, nada será o mesmo. – Afirmou olhando para o alto do castelo.


- O que você quer dizer? – A pergunta saiu como um grunhido feroz e furioso.


Ninguém tinha o direiro de falar, bem ou mal, de Hinata a não ser ele.


- O que acha que eu quero dizer? – Perguntou e ao mesmo tempo respondeu. – Lady Karin. Futura esposa e senhora do castelo. – Concluiu Gaara voltando seu olhar para longe do campo de batalha.


Oh, era sobre Lady Karin, então. Soltou o ar que não sabia que tinha prendido se sentindo mais...


- Aliviado? – Questionou Gaara.


- O quê? – Gaara não podia ler mentes, maldição!


- Sua face. Parece que tirou um grande peso de cima. – Comentou enquanto fazia uma breve pausa. Logo depois continuou. – Pensou que eu falava de quem?


Naruto tinha se esquecido do quando Gaara podia ser uma dor no traseiro quando queria. O homem era um grande observador. O que lhe dava mais dor de cabeça.


- De ninguém. – Mentiu e voltou a olhar alguns dos guerreiros que ainda estavam no campo de treinamento.


Ele devia se distrair um pouco. Talvez Gaara quisesse praticar com ele? Sua perna estava bem e ele tinha certeza que conseguia empunhar o peso de sua espada quase sem nenhum esforço.


- Sei... – Resmungou sem lhe dar atenção. – Parece que Kiba encontrou algo para se fixar.


À menção do nome do guerreiro, todo o corpo de Naruto reagiu tenso. Bolinhas vermelhas piscavam em sua visão e ele teve que controlar sua vontade esmagadora de bater em alguém.

Naruto procurou o homem pelos guerreiros do campo mas não o encontrou em lugar nenhum.


- Do que você está falando? – Sua voz era tudo, menos controlada.


- A curandeira que salvou sua vida. – Continuou ele. – Muitos dos homens a acham muito formosa. Alguns até mesmo fazem aposta de quem vai tê-la. Kiba está em vantagem. Muitos apostaram nele.


Naruto subitamente levantou da pedra e levou sua mão diretamente para espada.

O cretino estava apostando que ia tê-la como se ela fosse uma maldita égua!

Ia matar o desgraçado. Fazê-lo em pedaços. Sim. Era uma boa ideia. Ia gostar quando gritasse.


- Pelo amor de Deus, Naruto! – Exclamou Gaara levantando os braços. – É uma brincadeira! – Mesmo dizendo isso, a expressão do ruivo continuava não inalterada como se fosse esculpida em uma pedra.


Maldito fosse o humor retorcido do homem! Ele quase nunca fazia uma brincadeira, e quando fazia, não tinha como saber se era de fato uma piada.

Mas não podia negar que pela segunda vez se sentiu mais aliviado que nunca.

Até mesmo sua visão já estava clareando da bruma escarlate que a invadira.


- Se fizer isso novamente, te mato. – Repreendeu e amaldiçoou logo depois.


Gaara riu da situação e acenou com a cabeça como se tivesse chegado a uma conclusão.


- Como imaginei. – Comentou. – A deseja também.


- Nã seja tolo. É claro que não o faço. – A mentira saiu tão amarga em sua boca que lutou para reprimir uma careta. – E o que quer dizer com “também”? Deseja à bruxa?


- Não é uma bruxa. Só um verdadeiro tolo insinuaria isso. – Provocou Gaara.


- Responda a pergunta. – Cortou-o friamente.


Gaara o olhou por longos instantes medindo as respostas do loiro às suas provocações.

Naruto pensou que se ele dissesse que também a desejava, o mataria ali mesmo.

Algo maléfico dentro dele se revirou feliz com a ideia.


- Não. Faz tempo que não desejo a nenhuma mulher e creio que ficarei assim por mais alguns anos.


Talvez tenha sido a tristeza na voz do homem que tenha feito com que Naruto acreditasse em sua palavra, mas nada negava que Gaara tinha acabado de se salvar de uma morte certeira e irracional.

Deus, ele estava uma bagunça. Não deveria querer matar ninguém sem um maldito motivo plausível! Ainda mais outro companheiro de guerra. Respirou profundamente tratando de acalmar seus sentimentos violentos de raiva e ódio. Ele estava cansado de sentir essas coisas, mas parecia impossível de impedir. Era mais forte que ele.


- Largue a espada, Naruto. — Gaara olhou para ele a apontou com a cabeça para a arma.


Naruto olhou para a mão que segurava ameaçadoramente a espada fora da bainha e amaldiçoou enquanto guardava a arma.


- Sinto muito. — Murmurou envergonhado, voltando a sentar ao lado do guerreiro.


Gaara aceitou as desculpas com um descontraído aceno de cabeça, como se fosse um condenado entendedor do mundo.

As vezes o dava nos nervos.

Mas, desde quando alguma coisa não o deixava nervoso? Sempre tentando controlar a maldade dentro dele... Sempre tendo cuidado para não matar nenhum aliado no campo de batalha quando sentia que estava à beira de perder o controle...

Exceto com ela.

Parecia que sua maldição esquecia completamente o objetivo sangrento de morte quando se tratava dela. Ficava manso como um maldito gatinho!

Fez uma careta irritada com o pensamento.


- Oh... Aquele não é Kaleb? – Gaara olhou para longe.


Naruto seguiu o olhar de Gaara e logo localizou Kaleb subindo em uma árvore muito alta e perigosa. Havia uma menina do povoado sentada em uma pedra, olhando espectativamente a escalada do garot pelo tronco.

Naruto sentia uma simpatia pelo garoto logo quando soube que ele tinha sido órfão desde o dia do seu nascimento. Ainda mais o fato do menino ser considerado algo diferente na aldeia por seus olhos diferentes, fez com que se identificasse muio com ele.

Os dois eram diferentes e órfãos.

A única coisa que o irritava em toda a situação do garoto, era a de que todos sempre se afastavam dele. Tratando-o como se fosse uma doença.

E ele só era uma criança!

Naruto teve sorte por ter sido trago para o castelo ainda quando era bebê. Tinha tido Sasuke para infernizar desde quando era pequeno. O lordezinho sempre queria vencê-lo em tudo que fazia, e na maioria das vezes conseguia, deixando Naruto tão irritado que não estava satisfeito até que revertia o quadro.

Mas Kaleb não tinha ninguém. Pelo menos, não mais.

Nunca tinha falado com o garoto, mas sentia um profundo respeito por ele. Principalmente de como aguentava as especulações e insinuações do povoado sempre de cabeça erguida.


- O que ele está fazendo? – Perguntou Naruto curioso quando a menina levantou da pedra e deu algo na mão de Kaleb que ainda subia na árvore.


- Não sei. – Respondeu o ruivo. – Mas é bom que esteja fazendo amizades, não é mesmo?


Gaara não desprendeu o olhar do menino e por um momento, Naruto se perguntou se o guerreiro estava falando com ele ou com Kaleb.


***


Hinata rolou mais uma vez entre os lençóis da cama.

Já estava ali durante duas horas sem poder dormir ou relaxar. Tudo por causa dos seus pensamentos que insistiam em lembrar de Naruto e o delicioso festim que fizera em seus seios. Podia imaginar tão fodidamente bem se ele tivesse continuado com seu maravilhoso trabalho... Sua roupa seria arrancada...

Rasgaríamos as dele também! Lembrou sua pervertida.

Sim. Ela rasgaria as dele também. Faria-a em farrapos e deixaria a pecaminosa pele do guerreiro completamente nua só para ela.

E lamberia tudo! Disse a pervertida. Pedaço por pedaço... Até que chegasse lá, e...

Hinata teve que conter um gemido ao imaginar as partes bem dotadas do homem.

Mas poderia tortura-lo um pouco não? Deixá-lo beeeem louco de luxúria. Apontou sua parte maliciosa e vingativa.

Isso! Concordou a vadia batendo palmas animadas com aquelas unhas vermelho sangue. Seguraríamos ele pelas bolas, literalmente!

Todas suas personalidades nada sutis e sem vergonha concordaram com aquilo.

Qual será seu gosto? Perguntou a vadia.

Deve ser tããão bom... Gemeu a pervertida.

Hinata também gemeu.

Puta merda! Se não parasse esses pensamentos ia começar a subir pelas paredes!

Burra! Mil vezes burra!

Grunhiu socando as almofadas macias em quanto estas abafavam o som.

As vezes se odiava! Como ela podia ter esses pensamentos ferrados e pervertidos quando o canalha quase tinha feito com que sofresse um ataque cardíaco sexual, e parasse na melhor parte?

Parou de bater e olhou para o alto teto do quarto, dando longas respirações.

Estava fazendo papel de ridícula!

Mas realmente era difícil não pensar no que poderia ter acontecido se Naruto não fosse tão malditamente bipolar.

Deus, ela só atraía homens problemáticos!

E, sabe o que mais? Ela precisava de chocolate!

Com um pulo, saltou da cama e apanhou a bolsa preta que estava em cima de uma mesinha no canto do quarto. Abriu-a e despejou todo o seu conteúdo ali mesmo.

Vários objetos caíram de lá, caneta, alguns papés, um celular quase descarregado, batom, agenda, lápis de olho, carteira, creme de cabelo, um pendrive, algumas moedas, escova de dente, pente, uns plásticos de bala, base, uma foto dela e de Sakura, pílulas para cólica e dor de cabeça e mais algumas tralhas mas nada de chocolate.

Quase chorou por lembrar que até mesmo já tinha comido suas barras de cereal que eram banhadas em chocolate.

Não tinha nada lá!

Voltou para a cama e se sentou pensativa. O que ela ia fazer agora?

Tinha ajudado Naruto a se curar e não havia mais nada que a predesse lá. Mas ela não tinha a mínima ideia de como ia voltar para casa. Ela não tinha outro livro mágico em suas mãos que poderia enviá-la de volta para casa!

Então... Como...?

Uma onda de pânico a atingiu e suas pernas ficaram moles. Deus Graças à Deus que tivesse sentada na cama, por que se não, teria caído.

Ela não tinha nem a ligeira ideia de como voltar para o século XXI!

Tentou não pensar na possibilidade de ficar presa naquele ano com todos aqueles guerreiros que exalavam testosterona até mesmo pelos pensamentos, por que... Oh, cara... Ela não era santa. Graças à sua maravilhosa amiga Sakura.

E nem virgem. Isso, graças à sua curiosidade idiota.

E... Do que ela estava falando?

Oh, sim. Ela definitivamente não podia ficar presa nesse século! Ainda mais tendo Naruto como um farol ambulante de “me devore”.

Hinata levantou-se da cama, decidida dessa vez. Tinha que encontrar um jeito de sair dali.

Rapidamente, tomou um banho e trocou o vestido por um lindo e formoso de cor vermelho bem escuro. As camadas de algodão que davam volume por baixo da saia do vestido, mal deixavam-na se mover. Levantou a primeira saia e arrancou com suas próprias mãos as de baixo, até que todas tinham sido rasgadas da roupa e só sobrava a primeira. Soltou o tecido, sentindo-o cair por suas longas pernas e assentiu satisfeita com o trabalho. Deu uma rápida penteada no cabelo e o prendeu num rabo de cavalo com uma tira feita do pano rasgado. Não tinha conseguido prender toda sua franja, assim, alguns fiapos ficaram soltos por sua testa.

Tocou no seu pescoço sentindo o cordão com a pedra verde pendurada ali e deu um suspiro lembrando de quando o tinha colocado, no sofá de sua sala.

De certo modo, ele o tinha salvado da primeira vez, quando Naruto se distraiu com o objeto lhe dando a oportunidade de fugir.

Sacudiu a cabeça e tentou esquecer. Ela iria em bora dali, nada disso iria importar quando tivesse no conforto de seu lar.

Sentiu uma sensação ruim no pé do estomago com o pensamento de seu apartamento. Parecia que seu lar não era mais lá, exceto aqui mesmo.

Colocou uma sapatinha confortável em quanto juntava suas coisas novamente na bolsa e saía do quarto.

Nada de olhar para trás! Lembrou a si mesma quando lhe bateu uma sensação de ansiedade.

Andou lentamente pelos corredores do castelo, fazendo um esforço tremendo para nã parar no quarto do loiro.

Talvez ele tivesse que saber que ela estava indo?

Foda-se. Ela não precisava avisar nada a ninguém! Maldita fosse!

Naruto nem ao menos se importava com ela. Provavelmente só queria uma parceira de cama então ele que fosse procurar outra!

Mais irritada do que já estava, andou para fora do castelo, tentando não quebrar nada com o pensamento de outra mulher na cama de Naruto.


***


Kaleb finalmente tinha conseguido alcançar o ninho do passarinho.

Segurou em um galho para estabilizar o seu equilíbrio em quanto se desenrolava a ave do pano e a depositava em seu lar. Percebeu que lá tinham alguns ovinhos e sorriu se dando conta que os pequenos não iriam crescer sem uma mãe.

Ninguém merecia aquele destino.

Logo depois, voltou a escalar a árvore, dessa vez, descendo cuidadosamente pois o tronco ia coberto de musgos.

Em todo o momento, estava ciente das palmadinhas e risadas alegres de Sophie lá de baixo em quanto o assistia. Ela parecia orgulhosa dele e ele estava mais que satisfeito com isso.

Depois que alcançou o chão, Sophie veio ao seu encontro com os braços abertos, pegando-o despreparado quando ela os envolveu ao redor dele em um abraço quente.


- Você o salvou! – Ele dizia animadamente. – Ajudou-o assim como disse!


Ele ainda estava tão atônito pela ação dela que só conseguiu gaguejar de início.

O quanto mais ela poderia o surpreender?


- Eu disse que ajudaria. – Murmurou sem saber o que fazer com as mãos. – E quem o salvou foi você. – Emendou, querendo abraça-la também.


- É verdade! – Ela riu, apertando-o mais forte ainda.


Kaleb desconfiou que sua risada fosse o som mais bonito que tivesse ouvido em toda sua vida. E ele era o responsável por aquilo! Ele!

Novamente, algo aqueceu dentro dele enquanto um sorriso se formava em seus lábios.

Aquela sensação era tão boa...

Sem perceber, envolveu seus braços ao redor dela e fechou os olhos. Sentiu o calor de Sophie atavés de sua roupa e pensou que queria protegê-la para sempre de todo o mal. Queria sempre que só sorrisse assim para ele.

Ele não se importava com que os aldeões falam dele. Somente o que ela pensava era importante. E só por saber que ela não tinha medo dele era um alívio tão grande que queria chorar.

Ele nunca foi abraçado por um amigo antes, e se sentia tão feliz por seu primeiro abraço ser de alguém tão especial para ele como Sophie, que ficava difícil de respirar.


- Não chora... – Murmurou Sophie escondendo seu rosto no peito dele. – Por que... – Soluço. – Eu choro também. – Ela se soltou seus braços dele e levou suas mãos para o rosto.


Kaleb não percebeu que estava chorando até que ela falou. Limpou rapidamente as lágrimas de seus olhos e se amaldiçoou. Estava parecendo uma moça chorando sem motivos!


- Não estou chorando. – Disse rápido demais. – Por que está chorando...? – Perguntou observando os soluços dela.


- Por que você estava chorando! – Mais choro.


Kaleb quase entrou em desespero por vê-la chorar novamente. Ainda mais por causa dele.


- Me desculpe... Eu não queria...


- Eu não gosto que você chore. – Mais soluços. – Sua mão está doendo muito? – Ela fungou e abaixou as mãos.


- Eu... Não...


Ela estava chorando por ele? Não por causa dele? O conhecimento o deixão tão abalado que só pôde ficar ali, olhando como se fosse um estúpido.


- Sophie! – Alguém gritou de longe.


Kaleb e Sophie olharam em direção da voz.


- Mamãe... – Sophie sussurrou olhando para a mulher.


- Desgraçado! – A mulher gritou para Kaleb quando já estava bem próxima.


Kaleb deu um passo para trás ante a demostração de fúria da mãe de Sophie. Será que ela entraria em problemas por sua causa?

Ele não soube o que o atingiu no rosto até que sua cabeça seu um brusco giro para direita e sua visão ficou meio turvada enquanto ele caía de bunda no chão.

Seu rosto ardia dolorosamente quando se deu conta que tinha levado uma forte bofetada no rosto.


- Não! Mamãe! – Ouviu o grito agudo e assustado de Sophie.


- Nunca mais encoste na minha filha novamente, aberração! — A mulher gritou agachando-se e lhe dando outro forte tapa em seu rosto.


Novamente, sua mente se turvou, enquanto as bordas de sua visão inclinavam e escureciam com a palpitação dolorosa do ferimento em sua cabeça e a ardência incômoda das bofetadas.


***


Naruto quase não podia acreditar noq eu estava vendo.

Em um momento, Kaleb estava abraçado com a menina e no outro, estava no chão quase desmaiado pela agressão de uma mulher que havia chegado gritando e chamando-o de desgraçado.


- Mas o que...? — Naruto pulou da pedra sentindo a incômoda dor em sua perna e indo em direção à mulher,


- Oh, infernos, Temari! – Gaara acompanhou-o rapidamente.


Temari... Naruto tinha ouvido falar desse nome. Se não estava equivocado, era a irmã de criação de Gaara.

Irmã do guerreiro ou não, não podia evitar o desejo de dar uma boa surra na mulher por ter tocado o garoto.

A mulher abaixou e deu outro tapa em Kaleb ao mesmo tempo que o insultava de aberração e com a menina tentando segurá-la.

Mais uma vez, uma vontade enlouquecedora de castigá-la o invadiu, mas parou quando ouviu o grito furioso e ultrajado de alguém.

Os dois olharam em direção ao dono do grito e Naruto prendeu a respiração.

Por um momento, toda sua mente ficou em branco, somente contemplando como Hinata parecia uma ninfa naquele vestido vinho escuro e cabelos amarrados como se estivesse preparada para luta.

Tão malditamente excitante!

Logo outro grito cortou dela e ele só pôde acompanhar enquanto ela proporcionava uma corrida mortal com fogo nos olhos à mulher que tinha agredido Kaleb.

Deus, ela parecia preparada para matar alguém!


- O que... – Gaara gaguejou ao seu lado caminhando para interferir Hinata.


Um grunhido ameaçador brotou da garganta de Naruto no mesmo momento que segurava o braço do guerreiro o impedindo de dar mais um passo.

Gaara olhou para ele e se assustou. O que quer que tivesse visto em sua face, o fez parar imediatamente e engolir seco.

Naruto o soltou e ignorou-o por completo, observando Hinata agarrar furiosamente os cabelos loiros de Temari como se fosse uma Deusa da vingança e jogá-la no chão, afastando-a de Kaleb. No segundo seguinte, ela estava por cima da mulher dando-lhe um tapa tão forte no rosto que ele pôde ouvir o estalo e o grito de dor da loira.


- Você... – Bofetada. – Nunca mais... – Bofetada. – Toque... — Bofetada.


- Deus, vai matá-la! – Gritou Gaara preocupado tentando decidir se ficava ou contrariava Naruto.


- Talvez. – Respondeu Naruto com um ligeiro sorriso em seus lábios.


Matar... Sim... A citação escura e malévola vindo se sua mente o deixou atento.

O estranho é que a força escura na voz nem sequer tentou controla-lo. A maldição só assistia excitado em quanto Hinata dava uma boa lição em Temari. Parecia que quase podia vê-lo no fundo de sua mente, sentado de pernas cruzadas e apostando aos montes na morena.


- Em um fio... – Continuava Hinata, revezando as bofetadas entre o lado direiro e esquerdo do rosto da loira. – De cabelo – Bofetada. – Dele... – Bofetada — Ou te encho de porrada! – Mais uma bofetada, bem mais forte dessa vez fazendo a cabeça de Temari cair para trás.


Naruto jurou que podia ver sangue saindo da boca de Temari.


- Infernos! – Gaara gritou e saiu correndo para separar as mulheres.


No momento em que Gaara segurou o braço de Hinata, toda visão de Naruto inflamou vermelha. Seu sangue ferveu no mesmo instante e ele sentiu como a maldade se revestia dentro dele, mais furiosa do que nunca e pronta para fatiar o homem que ousou tocar no que era seu.

Matar... Mutilar... Matar!

Não precisava repetir. Com um grunhido mortal, Naruto desembainhou sua Claymore e avançou para Gaara com a pior intenção possível.


***


Hinata estava tão cegada pela raiva que estava da vadia que tinha batido em Kaleb que quase não percebeu o momento que a muito cachorra tinha desmaiado. Só se deu conta do fato quando sentiu uma forte e grande mão segurando o seu braço que já descia para outro round de tapas. Ele retirou-a de cima da mulher em quanto segurava seus braços um pouco forte demais.


- Já chega! – A voz do homem a despertou de sua fúria, mas não podia fazê-la calar.


- Você viu o que ela fez!? – Gritou Hinata com mãos em forma de punho.


Ela olhou para onde Kaleb estava e se surpreendeu por encontrar uma menina loira que chorava ao lado dele. O garoto estava acordado, mas parecia um pouco tonto e abalado em quanto acenava alguma coisa para a menina e punha uma mão na cabeleira da garota em uma forma de consolo.

Estava pronta para dar seu discurso do “por que eu tenho que dar uma surra na vadia” para Gaara, quando ouviu o estrondo de um grunhido animalesco. Quase no mesmo instante, olhou para o lado e viu Naruto andando para ela como se fosse o diabo em pessoa.

Seu olhos... Deus, não tinha imaginado! A íris dos seus olhos eram tão vermelhas quanto lava, queimando de fúria ardente e espessa.

Lembrou do que Matilda lhe disse.

“Eram os olhos do diabo, senhora...”


- Oh... Merda...


Naruto estava puto! Na verdade, estava muito, muito puto. Será que ela tinha batido em sua amante?

Yeeaah! Porrada nas vadias! Concordou sua vaca vestida de líder de torcida e acenando alegremente com seus pompons vermelhos.

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Seu apoio é fundamental. Torne-se um herói!

Silêncio! Hinata não podia pensar direito. O que estava acontecendo ali?


- Maldição! – Viu Gaara desembainhar sua espada e por um momento não entendeu nada. – Afaste-se! – O ruivo gritou para ela enquanto a afastava com uma mão.


Hinata tropeçou para trás e por pouco não caiu. O mesmo grunhido de antes voltou, dessa vez mais louco ainda. Hinata percebeu que som vinha diretamente de Naruto e a deixou de boca aberta. Nunca tinha visto ele de forma tão vil e assustadora.

E, maldita fosse ela, isso era excitante.

Oh, caramba, ela só podia ter pego uma doença!

Naruto levantou sua espada e desceu-a tão rápido que ela julgado impossível se não tivesse presenciado pessoalmente. Levou a mão à boca para abafar o grito que brotou lá quando Naruto por pouco não parte Gaara em dois. O ruivo protegeu-se no último segundo com sua arma, mas ela saiu voando de sua mão pelo impacto e o ruivo tropeçou para trás.

Naruto olhou sem nenhuma hesitação para o guerreiro e novamente elevou sua espada em uma só mão, como se não pesasse uma folha.

Ela ouviu o grito assustado de alguém chamando pelo Naruto, mas ainda estava longe. Oh, caramba. Se não fizesse nada o guerreiro muito bonito e agradável iria morrer.


- Naruto! – Ela gritou dessa vez. – Por favor, não faça isso! – Tentou novamente, mas ele não parecia ser capaz de ouvi-la.


Hinata olhou para o chão orando silenciosamente para achar uma pedra para chamar a atenção de Naruto. Não muito distante dela, encontrou a espada de Gaara que jazia solitária e brilhante.

Depois, tudo aconteceu muito rápido para ela sequer registrar.

Ela ouviu o grito apavorado de Kaleb quando avançou para Naruto que já descia sua Claymore em direção à Gaara. Registrou outro grito de Sasuke um pouco distante dela e vários outros gritos assustados de homens de todo o lado.

Em um segundo ela tinha pego a arma do chão, e no outro, tinha bloqueado a mira certeira de Naruto o impedindo de abrir Gaara no meio, fazendo a espada novamente voar pelo impacto.

O loiro soltou outro daqueles grunhidos frustrado e jogou sua própria arma no chão, avançado para cima dela e a derrubando. Ela caiu de bunda no chão, e tentou se levantar, somente não o fez porque ela sentiu o perigo muito próximo dela para sequer respirar. A tira do seu cabelo tinha arrebentado com a queda e ela mal podia ver direito com a franja grudada em sua testa e cainda sobre seus olhos. Levantou a cabeça, muito ciente que todo o lugar tinha ficado mortalmente silencioso e se deparou com enormes garras à milímetros de seu rosto.

Oh, deus, aquilo eram garras! Garras de verdade!

Tentou não se desesperar e soltou o ar lentamente, quase fazendo um bico e ouvindo o próprio som de “uuuuuuh” enquanto tratava de respirar.

Engoliu seco e com muito cuidado para não se mover e furar um olho com as garras, olhou para Naruto.

Sua expressão era feroz e desumana.

Seus cabelos estavam desgrenhados e soltos numa bagunça, seu lábios, contraídos ameaçadoramente em quanto brancos caninos sobressaíam de sua boca muito próximos dela, sincronizado com suas enormes mãos com garras que estavam um de cada lado do rosto dela. Ela podia ouvir o constante rugido baixo que vinha do fundo da garganta dele, como se fosse um predador à espera do movimento de sua presa. Seus olhos não tinha diminuído um tom sequer daquele vermelho vívido e gritante mas ela jurava que em algum lugar dali brilhava um certo reconhecimento.

O coração de Hinata batia acelerado como um louco. Parecia que todo o lugar não ousava respirar perto deles de tanto medo.

Hinata também estava com medo, mas ela tinha a impressão muito forte que se demostrasse o seu medo nada de bom iria acontecer. Respirou fundo e soltou o ar em uma lufada tremente e insegura.

Não ia demostrar medo.


- O que você pensa que está fazendo? – Ela se surpreendeu pelo forte tom de repreensão em sua voz.


Parecia que ela não tinha siudo a única. Uma sobrancelha de Naruto tremeu como se não tivesse entendido seu tom.

A única coisa que ela podia pensar era: Oh, Deus, que eu não morra.


- Eu falei com você, Naruto! – Disse mais forte dessa vez, sem nenhum pouco sequer do seu medo diluído, mas sem deixa-lo saber do fato. – Atacando as pessoas do nada! Você sabia que isso é falta de educação? – Ela repreendeu-o mais uma vez e se surpreendeu de como o loiro parecia um pouco envergonhado.


Seus olhos ainda brilhavam vermelho, mas o grunhido perigoso tinha parado de soar de sua garganta.

Bom.


- Não devia machucar ninguém quando bem entender, sabe? – Ela perguntou ganhando tempo.


Ele inclinou sua cabeça para o lado em um gesto de entendimento e aflição.


- Nem ameaçar ninguém com suas... – Engoliu seco, hesitante. – Garras...


Ele percebeu sua hesitação e olhou-a desconfiado, sem se mover do lugar.

Com uma mão apoiada no chão, Hinata levantou a outra lentamente. Naruto grunhiu nervoso e aproximou seus rosto do dela ameaçando com o olhar.


- Tudo bem... – Sua voz era calma e controlada. Era exatamente o contrário de como ela se sentia. – Já acabou...


Disse em uma voz materna encostando sua mão em uma das garras de Naruto e afastando-a lentamente dali. Automaticamente, a outra mão do guerreiro caiu de seu rosto e ele sentou em suas pernas, esperando...

Respirou lentamente e fechou os olhos. Disse para si mesma que ela estava indo bem e que se continuasse tudo iria dar certo. Mas seu coração batia tão forte e acelerado que ela desconfiou que fosse explodir para fora do peito.

Com uma nova onda de coragem, ela abriu os olhos e abriu a boca para falar.

Ela pigarreou tentando desfazer o caroço que tinha crescido em sua garganta e lembrou que ainda tinha a mão dele agarrada à sua.

Olhou para lá e percebeu o extraordinário momento que as unhas voltavam lentamente ao tamanho normal, como se voltassem a esconderem-se dentro de seus dedos. Por um louco instante, associou aquilo com o Wolverine e suas garras fodonas. Rapidamente, deleteu a informação inútil de sua mente.

Abriu a boca espantada e olhou para o rosto de Naruto.

Ele somente estava lá, com seus olhos passando do vermelho para azul como se nunca tivessem trocado de cor e a olhando como se fosse um tipo de enigma difícil. Seus caninos tinham sumido, sua expressão era uma completa confusão mas ele não parava de encará-la como se fosse um bicho de quatro cabeças.

Ele era ele novamente. Com aquele olhar arrogante e filho da puta de “o que essa louca fez?”

Graças a Deus!

E, maldito fosse!

Ela engoliu uma lufada de ar, finalmente deixando todo medo que tinha sentido sair dela.


- Seu filho da cadela! — Levantou sua mão e deu um forte tapa no rosto do homem, enquanto o rosto dele se movia um centímetro e som da bofetada estalava no ar – Pode imaginar o maldito susto de morte que me deu!? Desgraçado!


Tentou bater nele novamente mas foi segurada por sua grande e quente mão.

Naruto a olhava estupefato e descrente, como se não entendesse o motivo dela ter lhe batido.

Ela lhe bateu de punho fechado em seu peito mais duas vezes antes que começasse a chorar assustada demais para fazer outra coisa além de apoiar a cabeça em seu peito e soluçar como se fosse uma criança, enquanto ele a segurava sem saber o que fazer.

Depois Hinata não soube mais de nada, exceto que estava prestes a desmaiar. Logo em seguida, sua mente escorregou para inconsciência.


***



Sakura se levantou do sofá pela quinta vez em um gesto frustrado, praguejando com todos os tipos de nome que conhecia. Olhou novamente para o livro no sofá e soltou uma risada nervosa enquanto coçava a cabeça e respirava rápido demais.
Quase não tinha conseguido voltar a ler o livro depois que seu pai a ligara. Ela tinha perdido totalmente o ânimo para qualquer coisa, até mesmo comer. Mas ela sabia que não podia deixar o homem interferir na sua vida novamente. Assim, tinha feito seu almoço e o comeu mesmo sem sentir tanta fome. Logo depois, voltou para o livro de Hinata somente para ficar apreensiva e nervosa. Pensou pela quinquagésima vez no que leu e novamente seu estômago se revirou como se estivesse pronto para jogar tudo para fora.

A segunda mulher na pintura impossivelmente real de tão perfeita, tinha os cabelos tão rosa como os decentes do Clã Haruno, o verdadeiro clã de sua prometida”

Oh Deus. O que isso significava?

Ela lembrava da foto que tinha tirado com Hinata há muito tempo atrás, quando tinham se conhecido. Ela mesma imprimiu e deu para sua amiga guardar como recordação. Que o homem, Sasuke, tivesse visto a imagem e alegado que ela tinha os mesmos cabelos do tal Clã Haruno a assustava até a medula. O nome dela era Sakura Jordan e não Sakura Haruno!

Outra onda de náuseas a atingiu, zombando de sua frustração. Ela sempre soube que era diferente de sua família e seus cabelos rosas só afirmavam o fato. Mas... Descendente de um Clã morto do século XVI?

Não... Não... Não descendente... Talvez...?

Engoliu seco com a insana ideia que brotou em sua cabeça. Talvez ela tivesse sido jogada no século XXI por engano?


- Não... não... não.... – Gemeu andando de um lado para o outro como uma doente.


Não era possível. Se fosse assim, existiriam relatos de pessoas que viajavam no tempo, certo?

E não existia nada!

Exceto o bizarro acidente de Hinata.

Então... Não que ela estivesse sequer pensando em relevar a ideia, se ela fosse de outro século, seus pais não eram seus pais, afinal.

Ou, o mais provável, seu verdadeiro pai, ou mãe, a jogou para a adoção.

Fez uma careta desgostosa sentindo que o pensamento não parecia ser aceitável.

Oh, pelo amor de Deus, ela não era de outro século!

Ou talvez seja... A vozinha sarcástica em sua mente riu dela.

Ela não queria considerar isso. Ela já se achava incomum demais somente sendo ela, imagine só se fosse verdade que seu lugar era em 1578?

Tentou imaginar os prós e os contras que iria acarretar.

Bom... Lá não tinha internet. Sem celular, energia, pizzas, McDonald’s, TV, filmes, shoppings, saltos, carros ou aviões. Ia morrer de tédio e depressão em um lugar daqueles!

Pelo menos tinha o salve do ar puro e silencioso de antigamente.

Uh-uh.. Ela ainda ganharia de brinde um verdadeiro aperitivos para os olhos que seriam as belas vistas daqueles guerreiros viris com suas longas espadas e seus looongos...

Oh droga...

Ela seriamente estava em dúvida de qual dos séculos seria mais vantajoso de abrir mão.

Mordeu o lábio inferior e respirou fundo. Ela tinha que saber qual rumo a história iria tomar.

Ela precisava saber mais... Dela — Do Clã Haruno. Se corrigiu mentalmente.

Agarrou o livro surrado e andou em direção à janela do apartamento. Sentou seu trazeiro no chão próximo das cortinas e voltou a ler, mais ansiosa do que já estava.


Kaleb, o filho da rameira!”


— Mas que pivete filho da puta! – Sakura xingou consternada com o que o menino, Brock, dissera. – Você tinha que dar uma boa sova no rabo desse garoto, Hina! – Exclamou como se sua amiga pudesse ouvir.


Continuou a leitura ávida por saber mais.

Não ofenda minha mãe, bastardo! Não sabe de nada!”

Droga...

Sakura estava com suas palmas coçando para bater em alguma coisa. Estalava os dedos a cada segundo, mas ficou bastante satisfeita quando Kaleb acertou o pivete com um bom soco.


- Esse é dos meus. – Concordou orgulhosa do menino.


Mas logo seu sorriso foi morrendo quando lia os acontecimentos seguintes.

Oh, caramba. Tinham-lhe acertado uma pedra!

Grande parte de seu rosto estava revestido do vermelho gritante do sangue que jorrava da ferida em sua testa.”

Oh, merda. Não me foda! Praguejou se acomodando inquieta no chão.

Por favor... que não esteja morto... Suplicou sentindo uma pontada no peito e com seus olhos quase inundados de lágrimas.

Alguns momentos mais tarde, o alívio de saber que o menino tinha aberto os olhos foi tao intenso que ela teve que fechar os olhos para não espernear doida para agredir os moleques que tinham machucado Kaleb.

Ela continuou lendo por vários minutos, devorando avidamente cada palavra. A cada segundo, suas emoções mudavam drasticamente com o decorrer da história, passando de raiva, para frustração, excitação, carinho e mais raiva. Estava tão envolvida com o rumo que as coisas estavam levando, que quando percebeu que tinha lido todas as páginas em que as letras foram reveladas, soltou um palavrão com o restante em branco.

Sua cabeça estava um completo caos.

Viu seu nome ser citado no livro por um cara que nem sequer era desse século.

Mas o que a surpreendeu espantosamente, foi o fato de Jiraya ter tido um pensamento similar ao dela.

Logo esqueceu toda a questão de sua vida quando o homem revelou em seus pensamentos que Hinata podia estar em perigo.

Trouxe-a do futuro para morrer no passado?”

A preocupação a alagou logo ali.

Sakura engoliu seco e grunhiu de frustração. Ela não era capaz de fazer nada que pudesse ajudar Hinata no século em que estava. Mesmo se pudesse, Sakura tinha uma fodida certeza que sua amiga estava apaixonada.

E não era só uma paixãozinha de colegial.

A rosada temia que pudesse ser algo mais sério.

Hinata nunca chorou por homem nenhum! E só naquele dia, ela tinha chorado duas vezes por Naruto.

Seu semblante endureceu e ela coçou a cabeça mais tensa e amedrontada por sua amiga. Aquele loiro “oh, tão gostoso” não era confiável. Pelo amor de Deus, o homem tinha um tipo de maldição que o deixava totalmente fora de si e enlouquecido por matar. Era completamente instável e insensível.

Ela não o odiava. Entendia que ele tentava não ser a besta sangrenta e insaciável que a maldade dele o tornava, mas ele, definitivamente entrava na lista dos “Homens fora do limite para um lance”

Suspirou pesadamente e se esparramou no sofá pensando em que merda iria fazer até as próximas palavras aparecerem magicamente nas folhas do livro.

Suas opções eram:

Morrer de tédio... Ela não queria morrer.

Tomar um banho de água fria pra aliviar os músculos... Estava com uma preguiça filha da puta para se levantar do sofá.

Se entupir de chocolate e Coca-Cola... Claro, depois é só se matar na academia, retardada. Pensou logo em seguida.

Ou, ela podia pensar no por que de seu pai nunca ter dito que ela tinha sido adotada. Ela sabia que ele a odiava, que jeito melhor de se vingar do que dizer que ela tinha sido abandonada por seus pais verdadeiros e que ele e sua mulher tiveram pena e a adotou?

Sua mãe adotiva...

Franziu o cenho só agora dando-se conta da descoberta que tinha feito.

Se sua mãe adotiva não tinha dado a luz à Sakura, então ela não tinha morrido por sua causa.

Prendeu a respiração e arregalou os olhos.

Talvez ela não tivesse sido culpada da morte de sua mãe!

Mas isso não explicava o ódio mortal de seu pai por ela. A rosada sempre tinha pensado que toda aquela raiva era por que o homem a culpava, mas se ela não tivesse tido culpa nenhuma nisso, então... Por quê...?

O cortante barulho do telefone a fez pular assustada. Levantou-se rapidamente e olhou para o aparelho que tocava na mesinha de Hinata. Uma estranha sensação pesada se alojou em seu estômago e ela se perguntou o que teria causado. Poderia ter comido demais da última vez?

Apanhou o telefone no quarto toque e o levou à orelha.


- Pois não? – Perguntou alisando sua barriga para aliviar o mal estar.


- Sakura. – Não foi uma pergunta.


Repentinamente, sua garganta fechou-se e parecia impossível de respirar. Suas mãos ficaram frias e ela pôde sentir sua testa umedecer pelo suor.

Como ele tinha conseguido o número do telefone de Hinata?

Ela não ousou responder. Nem mesmo sabia se podia dizer alguma coisa. O caroço que ela estava lutando para engolir quase não deixava espaço para soltar sequer um pio. Segurou o telefone com mais força e desejou que fosse capaz de desliga-lo.

Mas ela estava tremendo tanto que mal podia se mover.

Permaneceu em silêncio, ouvindo a pesada e rápida respiração de seu pai adotivo.


- Por favor, não desligue. – Disse a voz cansada através da linha. – Sei que fiz merda atrás de merda em todo o tempo que tentei cuidar de você, e, que Deus me ajude, não sabe como me arrependo...


- O que... Você quer? – Sua voz se quebrou no meio da pergunta, enquanto ela sentia uma lágrima correndo por sua bochecha.


Como ela ainda podia se assustar tanto com aquele homem?


- Quero conversar com você. Tentar me desculpar adequadamente por toda crueldade que você sofreu quando estava bêbado. Deus, eu fui um monstro de pai pra você, criança. Eu realmente o sinto. – A cada letra que ele dizia, Sakura forçava sua mão para tampar a boca e abafar o som do choro.


Quantas vezes desejou ouvi-lo pedir desculpas? Quantas vezes sonhou que um dia ele pudesse ficar são e perceber o tanto que era malvado com ela, que se arrependesse?

Vezes demais para contar.

Mas ele não era seu pai.

Por que, depois de tanto tempo, ele resolveu procura-la?

Afastou o telefone da orelha e sugou o ar tremulamente se esforçando ao máximo para tranquilizar sua respiração em quanto o soltava e voltava a sugar. Depois de quase um minuto, ela voltou ao telefone, surpresa que ainda pudesse ouvir a respiração do homem através da linha.

Ele disse que queria conversar com ela, certo? Queria se desculpar.

Não que fizesse alguma diferença depois de tanto tempo. Nada do que ele dissesse poderia apagar o passado.

Ele não era seu pai. Tinha certeza disso.

E outra coisa que também não tinha dúvida, era que somente ele poderia explicar qual era origem dela.

Soltou uma lufada decidida de ar e apertou o telefone em sua mão.

Sabia o que tinha que fazer, e que Deus a ajudasse, ela ia.


- Onde e quando? – Dessa vez, sua voz nem sequer tremeu.


***


Sasuke olhou toda a cena se desenrolar como se não estivesse acontecendo na sua frente. Não podia acredir no que seus olhos viam.

Logo que tinha recebido o chamado de um dos guerreiros dizendo que Hinata agredia uma mulher da aldeia, saltou do acento em que estava em quanto arruma algumas papeladas burocráticas e foi de encontro ao lado de fora. Imagine a sua surpresa quando se deparou com um Naruto que era todo fúria e maldade, completamente à mercê da maldição que tinha fincado suas garras em sua alma. O pior de tudo, era que ele nunca o tinha visto em um pior estado. As unhas dele tinham crescido quase dez centímetros, quase cinco centímetros a mais da última vez que o vira passar por esse mal e dessa vez, as garras eram incomparavelmente afiadas e mais letais. Viu como o corpo todo de Naruto pareceu ficar maior a medida em que se perdia mais e mais para a escuridão.

Ele ainda estava longe quando gritou inutilmente tentando chamar a atenção de Naruto, mas parecia que o loiro já estava longe.

Alguns guerreiros saíram correndo do campo de treinamento em direção à Naruto quando ouviram o grito de dele, mas não ousaram se aproximar demais.

O que Sasuke mais temia tinha acabado de acontecer. Seu amigo tinha se perdido. E iria matar um de seus mais fiéis guerreiros com a lâmina letal em sua mão.

O moreno sabia que isso eventualmente aconteceria, mas queria desesperadamente se agarrar ao mínimo de esperança que existisse. Queria acreditar que Naruto poderia vencer a infeliz maldade que crescia e alastrava tudo dentro dele como uma praga. Mas devia ter sabido melhor. Aquilo era muito forte para qualquer um suportar, e, por Deus, seu amigo já tinha suportado tanto! Até mesmo pensou que pudesse trancafiar o loiro para contê-lo em seus piores momentos, mas sabia que Naruto iria preferir morrer do que perder sua liberdade.

Sasuke sabia o que tinha que fazer.

Ele sabia que tinha que acabar com o sofrimento de Naruto e também tinha a certeza isso o destruiria por completo. Naruto sempre fora o mais próximo que teve de uma família depois da morte de seus pais e irmão e agora teria que mata-o. A ideia causava o pior tipo de sensação possível dentro dele e ele não tinha nenhuma confiança de que pudesse fazer isso.

Ele desembainhou sua espada e começou a correr para o centro de toda a confusão.

Tinha certeza que não conseguiria evitar Naruto de matar Gaara e isso caiu como uma pedra em seu estômago.

Enquanto fazia sua corrida frenética gritava o nome dele uma vez ou outra mas já era tarde. Naruto levantara sua Claymore sem um pingo de hesitação e a descera sobre Gaara com um brilho meio louco e divertido em seus olhos que brilhavam à vermelho desumano. Estava tão centrado em Naruto que não percebeu Hinata movendo-se para o loiro até que ela já estava lá.

Seu único aviso do que ela iria fazer, foi o grito do menino da aldeia, Kaleb, que olhava tudo acontecer com horror vívido em seu olhar. Parecia que o garoto estava tendo algum tipo de Déjà vu e não pudesse crer em seus olhos.

A bile lhe subiu a garganta enquanto via a cena se desenrolar segundo por segundo à sua frente como se o tempo transcorresse em uma lentidão insuportável.

Hinata tinha parado o ataque de Naruto coma espada de Garra.

Logo quando viu o que a mulher fez, sua mente só era capaz de tagarelar “impossível, impossível, impossível...”

Mas de fato ela fizera a ação.

Logo em seguida, a espada voou violentamente da mão dela por causa do impacto e pousou de bico entre uma mulher desmaiada no chão e duas crianças.

Naruto soltou um grunhido desumano quando girou sobre seu corpo e empurrou Hinata. Logo depois, pousou em cima dela com suas garras prontas para fatiar seu rosto.

Oh deus. Ia matá-la também!

O terrível pressentimento de morte o invadiu e por pouco não tropeçou quando perdeu o equilíbrio de suas pernas. Parecia que podia prever detalhadamente os próximos acontecimentos: Naruto levantaria suas garras... Hinata gritaria de terror... Seu rosto seria estraçalhado enquanto o guerreiro gargalharia com diversão...

Naruto iria matar uma mulher inocente.

Exceto que...

Ele permaneceu imóvel. Como se tivesse sido petrificado um segundo antes de um trágico acidente.

Sasuke tinha cabado de alcança-lo e também ficou imóvel, com medo de que se fizesse algum barulho, Naruto enlouquecesse e terminasse o que tinha começado.

Olhou rapidamente ao redor e comprovou que vários de seus guerreiros tinham pensado a mesma coisa que ele e jaziam tão parados que mal ousavam respirar.

Naruto ainda estava lá, olhando expectativamente para Hinata em quanto seu rosto era uma máscara de ira e algum brilho de reconhecimento para a mulher.

Ouviu que Hinata começava a balbuciar alguma coisa, distraindo Naruto e aproveitou a chance para se aproximar. Viu que Kiba também se movia silenciosamente de esgueira, também diminuindo a distância entre ele e Naruto. Acenou para o guerreiro e os dois deram mais um passo para o loiro.

O esporro de repreensão que Hinata dera no loiro, deixou toda sua coluna rígida pela tensão. Prendeu o ar, pronto para pular em Naruto à qualquer ligeiro movimento que fizesse para atacá-la, mas ele permanecia imóvel. Somente tinha inclinado sua cabeça para o lado como se a estudasse e compreendesse suas palavras.

Deus, a mulher era louca! Será que não compreendia o risco que estava correndo? Ela não entendia que Naruto não era ele mesmo?

Engoliu seco e fez um sinal para Kiba não se mover.

Ouviu o grunhido ameaçador de Naruto e deu mais um passo em direção à ele.

Estava à quatro passos de distância e sabia que se continuasse, talvez Naruto o percebesse. Achava um verdadeiro milagre que já não tivesse percebido. Mas seu amigo amaldiçoado parecia tão focado em Hinata que Sasuke tinha certeza que se o atacasse agora, o pegaria de surpresa.

Mas mesmo assim, esperou.

A mulher, de algum jeito, parecia poder conter a situação.

Era muito arriscado confiar nessa observação, mas não queria machucar nem a jovem nem ao Naruto quando o afastasse dela.

Lentamente, Hinata confortou Naruto, dizendo que tudo estava bem, enquanto abaixava as mãos dele, distanciando do rosto dela. Ele grunhiu novamente e Sasuke engoliu seco pela segunda vez.

Vários segundos se passaram depois daquilo e todo o lugar ainda não se atrevia a fazer um movimento.

Estava pronto para enviar um sinal silencioso para Kiba se aproximar e ajuda-lo à afastá-lo de Hinata, quando percebeu algo que o deixou de boca aberta.

As unhas de Naruto estavam voltando ao tamanho Normal, assim como seus olhos clareavam e seus dentes caninos entravam para dentro da boca. Sua expressão passou a ser hesitante e seguiu até que se podia ver seus olhos aderirem o ar de confusão e surpresa. Ainda olhava para Hinata quando a mulher levantou o olhar para o loiro e lhe deu uma forte bofetada na cara.

Sasuke engasgou incrédulo pelo brusco movimento dela e tudo que pôde pensar era que Naruto ficaria louco mais uma vez e a mataria. Mas ele somente ficou tão surpreso quanto ele, e a olhava cético enquanto ela o xingava e tentava lhe dar outra bofetada.

Naruto segurou sua mão antes que ela lhe acertasse e Sasuke percebeu aliviado, que ele ainda era ele mesmo. Ela tentava agredi-lo inutilmente batendo em seu peito, mas logo desistiu. Ele ouviu a mulher começar a chorar com fortes soluços enquanto descarregava sua frustração e o susto que tomara. Ela tinha o rosto escondido em Naruto quando o silêncio se fez dela e seu corpo ficasse mole. Em todo momento, Naruto a segurava, abraçando-a confuso e... Assustado?

Ele olhou para Sasuke com olhos questionadores e logo voltou seu olhar para a mulher desmaiada em seus braços.

O moreno percebeu que seu amigo em todo instante tremia exageradamente.


- Eu... – A voz de Naruto saiu rouca e um pouco grogue. – Eu a machuquei? – Perguntou o loiro para Sasuke.


Sasuke olhou para Naruto, ainda sem acreditar em como tinha recuperado a consciência tão rápido. Estava mais espantado ainda, por não ter atacado a morena em seus braços. Ele a olhava com a expressão aflita e torturada, como se não suportasse a ideia de feri-la.

Ele fez um gesto negativo com a cabeça e Naruto soltou o ar que saía tremente de seus pulmões.

Parecia que tinha tirado o peso do mundo em suas costas e somente agora podia respirar.

O loiro embalou a mulher cuidadosamente em seus braços e a levantou como se seu peso não fosse nada. Ele não deixava de olhá-la por um segundo e começou à andar em direção ao castelo.


- Naruto – Chamou Sasuke vendo como o loiro parava e girava para ele.


- Sasuke... – Gaara o interrompeu, levantando-se do chão e limpando algumnas folhas que ficaram presas. – Deixe-o ir.


Sasuke olhou para o ruivo e franziu o cenho. Esperava que Gaara pelo menos ficasse com raiva por Naruto ter explodido com ele, em vez disso, só podia ver compreensão nos olhos verde dele.

O moreno passou seu olhar novamente para Naruto e acenou permitindo sua saída.

Naruto gesticulou com a cabeça agradecendo e olhou para Gaara.


- Sinto-o por ter te ataca...


- Não sinta. – Cortou Gaara andando em direção à sua espada fincada no chão e recolhendo-a. Embanhou a arma e voltou para Naruto, colocando uma mão em seu ombro e dando um leve aperto de compreensão. – Vá cuidar de sua mulher. Ela não parece bem.


Sasuke elevou uma sobrancelha questionadora mas resolveu ficar em silêncio. Observou Gaara se afastar e percebeu que Naruto parecia estar tendo uma batalha interna, em quanto olhava o ruivo ir em direção à mulher no chão e às crianças.


- Vá, Naruto. – Disse chamando sua atenção.


Ele acenou novamente com a cabeça e olhou em quanto Naruto entrava no castelo em silêncio.

Depois que o loiro sumiu de vista, uma confusão de falatórios explodiu ao redor. Todos queriam saber o que tinha acontecido e especulavam sobre Naruto e a mulher. Kiba aproximou-se dele com o senho franzido e foi direto ao centro de todas as questões.


- Mas que infernos aconteceu aqui?! – Perguntou tão cético quanto Sasuke se sentia.


Sasuke soltou uma forte lufada de ar e estalou o pescoço para os lados. Ele também gostaria muito de saber o que tinha sido aquilo tudo.

Estava feliz por não ter havido nenhum acidente que envolvesse sangue e se sentia aliviado que só um inferno por não ter precisado atacar Naruto.

Tudo o que sabia era que Hinata de algum impossível jeito, conseguiu controla-lo em seu pior momento e que ela não a atacou no processo.

E o que tinha sido o assunto de “sua mulher?”

Respirou profundamente outra vez e olhou para o guerreiro ao seu lado.


- Eu realmente gostaria de saber. – Disse, quando um guarda da torre se aproximou e fez um rápida reverência.


- Lorde Sasuke. – O homem esperou o aceno dele para continuar.


- Sim? – Perguntou quando uma massa de gritos felizes rompeu da aldeia.


Qual era o motivo de tanta felicidade?


- Sua noiva, Meu Lorde. Lady Karin Field acaba de chegar.


Parou por vários segundos tentando processar o que o homem lhe dissera. Um pouco depois do que pareceu um século, murmurou.


- Abram os portões. – Naquele momento, ele se perguntou se sua voz alguma vez tinha soado mais anestesiada e infeliz em sua vida.


O guarda rapidamente sumiu de sua vista e Sasuke fechou os olhos pensando em como seu dia cada vez ficava mais problemático.

Olhou para o povoado observando como as pessoas saltavam felizes e emitiam gritos de alegria em quanto um pouco distante dali, uma formosa carruagem aparecia em uma curva da aldeia. Por um segundo, ele queria que a mulher que saísse daquela carruagem fosse a mesma mulher de cabelos rosados da imagem que tinha visto entre as coisas de Hinata.

Um minuto mais tarde a consciência lhe bateu como se fosse uma grande pedrada na cabeça.

Malditos infernos!

Ele realmente ia se casar com Lady Karin Field.

Notas finais
Sooo??? Gostaram?
Eu realmente sou uma granda fdp por parar nas melhores partes, né? kkkkkkkkkk
Já é de mim. Fazer o que?? rsrs

Please, comentem! Seus comentários me animam de vdd quando eu estou com crise de criatividade. rs

Tenho certeza que demorarei um pouco pra fazer o próx cap, mas não me odeiem. rs
Até mais!

Não esquece do review hein! =P