Viagem Pela Highland
9 Highlander Profetizado
Notas iniciais
Mais um cap prontinho preparado especialmente pra vocês.
Bom... Esse cap não foi tão grande quanto os anteriores pois eu estava com um bloqueio de criatividade terrível. ç__ç
Ressaltando aqui a ajuda que eu tive da minha querida amiga Belle, que inquestionavelmente ajudou minha cabeça confusa a encaixar as peças do quebra cabeça que é essa fic. heheh
Belle, um milhão e meio de agradecimentos! ^^
Sooo... O que estão esperando?? kkkk
Apesar da minha "crise", tenho certeza que vcs vão adorar o cap!
Boa leitura.
Naruto não podia acreditar no que seus olhos registravam. A bruxa não tinha morrido como o tinha feito acreditar. Ou ela tinha, e voltou dos mortos. Não sabia que tipo de negro pacto a mulher havia feito com as forças malignas para não falecer depois daquela alta queda.
Alguns minutos antes, ele despertou da névoa confusa que eram os seus sonhos, pois sentiu o cheiro de comida. Não se lembrava de nunca ter estado tão faminto como estava. Abriu seus olhos e logo deu-se conta que todo seu corpo estava meio dolorido. Sua cabeça era um completo caos quando tentava dar sentido ao quarto escuro ao seu redor, somente iluminado por uma lareira com baixas chamas e a longa janela coberta pela metade por uma cortina branca.
Ainda estava no quarto?
Apoiou seus cotovelos nos lençóis limpos abaixo dele, sentando-se pesadamente na cama. Prendeu a respiração quando sentiu a infeliz agonizante pontada de dor vindo de sua perna esquerda. Lançou o lençol que cobria metade de seu corpo nu de lado e direcionou seu olhar para a perna, esperando encontrar o dilacerado buraco enorme causado pela espada inimiga.
A surpresa veio meio segundo depois, quando observou que a ferida estava completamente coberta de uma pasta verde com alguns pedaços de folhas amaçadas.
Unguento.
Apertou seus dentes imaginando que tinha estado vulnerável aos cuidados de uma curandeira. Maldito fosse seu amigo! Maldita fosse a curandeira que tinha retornado quando ele ordenou que partisse. Tinha tentado com toda sua determinação dar uma chance à mulher, mas a maldita tinha voltado quando estava débil e incapaz de se proteger!
Alguma parte em um canto muito profundo dele sussurrava que sua reação era irracional. Que não deveria responder assim a alguém que tivesse cuidado e seus ferimentos e que deveria estar grato. Mas Naruto simplesmente não conseguia achar a ideia relevante. Tinha ficado vulnerável, novamente! Podia ter lhe feito qualquer tipo de coisa, jogado mais qualquer tipo de maldição maléfica. Outra carga que teria que aguentar além da que já tinha. Tudo por culpa de uma mulher a quem tinha confiado... Da maldita bruxa quem tinha confiado...
Sentia a fúria e a promessa de vingança se desatando dentro dele. Uma parte de sua alma, a que o mal já tinha dominado, via aquilo como desafio. Era como um grunhido escuro e sedutor lhe dizendo que a curandeira o tinha desafiado de propósito... Incentivava a ideia de que a mulher achava que ele era um fraco, por isso ela tinha voltado.
A voz... pensamento... Dizia que tinha que revidar de alguma forma. Induzia-o a abraçar a explicação e se vingar por tamanha ousadia.
Se a curandeira fez... Quem não fará? Dizia a voz gotejando maldade desafiadora.
Tolo... Insinuava a escuridão dentro de si. Não deixe por conta própria. Faça alguma coisa...
Naruto sentou na beirada da cama colocando seus dois pés descalços no chão. Entendia perfeitamente o que estava acontecendo com ele. Sua maldição estava tentando controlá-lo novamente. Tentava conduzi-lo por uma estrada que não queria traçar. Um longo caminho de maldade, sofrimento, raiva e violência.
Aquele mesmo fraco pensamento que dizia que estava tendo reações irracionais, suplicava para que ele retomasse o controle, mas, oh Deus... Era tão malditamente difícil.
Não podia resistir. Sim... Não podia.
A escuridão era forte demais para ele.
Mas... Deveria, não é mesmo? Tinha que se segurar... proteger ao povo... seus amigos...
Amigos?
A podre risada veio borbulhando de sua mente até que Naruto cedeu à voz e estava rindo também com o mesmo tom de veneno. Segurou os lados de sua cabeça fortemente com os dedos, puxando seus longos cabelos loiros tentando desfazer-se da agonia de seus escuros pensamentos.
Sasuke... Ele era seu amigo certo? A questão era tão fraca e inaudível quanto a resposta. Novamente, a risada grotesca ecoava maldosamente por sua mente.
Não tem amigos... Não sabia se o pensamento vinha dele ou de sua parte amaldiçoada. Por Deus! Não sabia nem mesmo se ele era por completo sua parte amaldiçoada.
Não se importam... Sussurrava algo em sua alma. Ninguém se importa...
Cale-se... O baixo e frágil pensamento tentou perfurar a bruma vermelha de maldade que invadia todo seu corpo e sua cabeça.
Ouça a verdade... Sussurrava a voz escura em seus pensamentos. Ele deixou que a mulher voltasse... Quer desafiá-lo... Sabe que não suporta que fique indefeso...
Naruto queria argumentar, mas a névoa negativa parecia se fazer cada vez mais forte. Não tinha como negar... Sasuke sabia que não suportaria estar vulnerável ao redor de uma mulher... Não podia tê-lo colocado nessa posição.
Era seu amigo, não era?
Já não podia ter certeza.
Flexionou seus punhos, abrindo e fechando sentindo toda a ira percorrer seu corpo. Não conseguia achar nenhuma coisa boa com que pudesse se focar. Alguma parte
de seu interior sabia que Sasuke o amava como irmão, mas Naruto simplesmente não conseguia ter conhecimento dessa parte. Tinham-no traído... Novamente... Igualmente a bruxa que o tinha amaldiçoado... Igualmente a sua mãe que o tinha abandonado... Mas... ela não teria um motivo para abandoná-lo?
Não! O grunhido soou forte dentro dele soltando faíscas de determinação maldosa por todas as células do seu corpo.
Sem motivos. Morrer!
Todos deviam morrer por tê-lo traído!
Naruto sorriu, mas não era um sorriso natural. Era macabro... Sombrio...
Não era ele. Ou era?
Oh... sim...
Pensou levantando-se da cama, mal sentindo sua perna gritando em protesto.
Aquilo era ele. E estava com tanta sede de vingança.
Um brilho maldoso ressaltou em seus olhos. O que não daria para matar alguém agora?
Sim. Matar! Matar! A pensamento alegre invadia sua cabeça como nada o tinha feito antes.
Queria tanto...
Passos do lado de fora do quarto interromperam seus pensamentos. Naruto aguçou mais seus sentidos e ouviu que as leves passadas vinham em direção ao quarto, até que finalmente parou.
Seria ele tão sortudo assim? Pensou com o mesmo sorriso bestial em seu rosto.
Ocultou-se na parte mais escura do quarto, onde a lareira nem o sol faziam um bom trabalho em iluminar, e esperou pacientemente.
Estava ansioso.
Ouviu o barulho da porta sendo aberta, seguidos de passos leves que entravam dentro do quarto.
A bruma vermelha de ódio cobria toda sua visão. Não podia enxergar nada que sua maldade não quisesse que ele visse, e pra ele estava tudo bem.
Inclinou a cabeça, pegando a sombra da leve silhueta da mulher que tinha entrado. Conhecia aquela sombra. Tinha certeza...
Curandeira! Mate-a! Desafiou-me!
O violento pensamento foi o único que pôde registrar antes de seu corpo criar vida própria e segundos depois estar com o firme aperto em torno do pescoço da mulher enquanto a pressionava contra a parede.
“Disse, que se voltasse, morreria, mulher.” Lembrava de ter dito antes de ataca-la.
Não tinha olhado seu rosto. Não importava. Iria morrer e era só.
Ela se debatia inutilmente contra o seu inquebrável aperto tentando salvar sua vida. Logo que percebeu que ele não iria soltá-la, direcionou seus sensíveis, mas firmes punhos, contra seu peito nu. Ela era forte pra uma mulher, mas seus socos eram tão inúteis quanto sua escassa tentativa de se separar dele.
Naruto teria rido, se um inquietante pensamento não o tivesse atingido.
Alguma coisa parecia errada.
A mulher curandeira não era mais baixa?
Logo que a ideia se formou em sua cabeça, sentiu o forte impacto contra seu nariz seguido do estalo do que se parecia de alguma coisa quebrando e logo a maldita dor que fazia seus olhos arderem.
Infernos! A mulher o tinha golpeado?!
Soltou-a no mesmo instante jogando um monte de maldições levando sua mão ao nariz. Sentiu o úmido e quente líquido escorrendo de seu nariz para sua mão, percebendo abismado, enquanto olhava seus dedos repletos de sangue, que a mulher realmente o tinha golpeado.
Observou enquanto a mulher se rastejava sobre seu traseiro tentando afastar-se dele. Naruto estava imóvel, ainda pasmado com a garra da curandeira. Nunca teria pensado que a mesma curandeira que horas atrás tinha corrido dele como se o diabo a perseguisse, teria batido nele a ponto de tirar-lhe sangue.
Fincou seus pés no chão atônito pela reação da mulher enquanto internamente ele achava interessante a situação. Uma presa muito fácil não era divertido. E ele estava curioso para saber seu próximo passo. A violenta promessa de sangue revolvia-se dentro dele, pedindo desesperadamente por vingança, mas Naruto controlou-se.
Logo... Prometeu a si mesmo voltando sua atenção à curandeira.
A mulher tinha chegado o mais distante que pôde dele, e estabilizou-se enquanto apoiava suas costas na porta.
Oh... Sim... Estava certo... Não era a mesma curandeira de antes. Não tinha uma visão muito boa por causa da carência de iluminação e por visualizar tudo vermelho, mas seus negros e longos cabelos diziam o bastante. De fato, não era a mesma mulher que antes.
Podia jurar ter visto um pequeno sorriso vitorioso nos lábios da mulher ao contemplar seu nariz sangrando, mas não se fixou nesse detalhe.
Tinha a perguntado quem ela era um pouco mais tarde. Depois de ameaçadores passos que cortavam a distância entre os dois, uma sensação de reconhecimento o invadiu.
“Você... Conheço você.” Tinha lhe dito quando reconheceu finalmente a mulher.
Era a bruxa! A que tinha morrido!
Infernos! Era a maldita asquerosa bruxa!
Matar!
Matar!
Matar!
Incitou o grunhido perverso em seus pensamentos controlando seu corpo e mente.
Sim... Tinha que matar. Além do mais... Era uma bruxa. Não mereciam viver. Elas só sujavam e corrompiam todos a quem tocavam, exatamente como tinham feito com ele.
Aproximou-se com lentos e poderosos passos ameaçadores para onde a mulher jazia. A ofuscante bruma escarlate ainda se alastrava por sua visão, lhe dando uma imagem imprecisa da mulher.
Mais um passo.
Deveria sentir sua perna queimando de dor e protesto, mas sua intenção de fazer mal à bruxa adormecia toda a dor.
Queria sangue, violência. Não pararia enquanto não tivesse isso.
Deu o último passo que o deixava a menos de um braço dela. Ia fazer.
Ergueu novamente seu braço direito, pronto para agarrar novamente o pescoço da mulher quando ela ergueu desafiadoramente sua cabeça. Olhava diretamente nos seus olhos. Desafiando-o.
Naruto prendeu a respiração enrijeceu-se na mesma posição ao observar com clareza seus olhos.
Oh... seus malditos olhos. Tão claros e intensos que mais uma vez penetravam no fundo se sua alma. Podia enxergar seu reflexo nos orbes de cada olho, e o que viu o assustou.
Deus! Aquele realmente era ele?
No que tinha se transformado em todo esse tempo? Um maldito amaldiçoado que arrancava cabeça de bruxas?
Mas era o único jeito, não? Elas sempre diziam que não podiam ajudá-lo quando ele encontrava alguma e ameaçava-a de morte se não retirassem sua maldição. Sempre mentiam! Tinha certeza.
Seus pensamentos voltaram à bruxa a sua frente.
Franziu o cenho quando pensou que ela não parecia uma bruxa realmente. Desde a última vez que a tinha visto, ela estava suja, com uma roupa masculina pregada ao seu corpo por causa da umidade da água.
Seu corpo... Só o ligeiro pensamento sobre isso o deixava tentado a descobrir se os seios da moça eram tão fartos como tinha visto.
Moça? Infernos, não era moça. Era uma bruxa. Do mesmo tipo de quem lhe jogou a maldição.
Mas ela tinha feito algum truque com a região de seus olhos. Eles não estavam podres como tinha percebido antes. Será que a bruxas tinham desenvolvido um novo tipo de magia que ocultava sua alma escura?
Maldição! O que estava dizendo? Eram impossível. Tinha que acabar de uma vez por todas com aquilo.
A vontade violenta por sangue se revolvia em seu corpo.
Chega de hesitações.
Agachou mais o seu corpo e seu braço, pronto para estrangulá-la. Uma parte dele não queria fazer isso, mas não conseguia evitar.
Subitamente o braço da mulher fez um rápido movimento e Naruto sentiu que algo era lançado para seu rosto.
Magia? Infernos!
Levou seus dois braços para se proteger do feitiço quando somente sentiu o impacto de algo batendo em um deles e caindo no chão com um som oco.
Olhou para o piso e entendeu que a mulher tinha lhe lançado uma pequena terrina de água.
É claro que não ia lhe surtir efeito. A mulher tinha algum retardo mental?
Seja qual fosse a intenção dela, não funcionou. Voltou seu olhar furioso, ainda enxergando tudo vermelho. Ficou mais que surpreso ao descobrir que ela tinha desaparecido de lá.
Infernos. A mulher o tinha distraído com a maldita terrina!
Girou seu corpo de costas para a porta e o único que pôde constatar foi o grunhido furioso da mulher antes que ela girasse uma pesada cadeira com seus magros braços e acertasse em cheio seu peito.
Mas que diabos!?
A força do impacto fez a cadeira se estilhaçar e Naruto dar alguns passos para trás até que suas costas batiam na porta.
Levou seu olhar mais que surpreso para a mulher, se perguntando de diabos ela tinha arrumado tanta força. Passou uma mão pelo seu peito sentindo-o arder.
– Seu maldito, filho de uma cadela! – Gritou a mulher soltando fogo pelos olhos à uma distância de três metros dele.
Seus punhos estavam cerrados tão apertados que por um momento ele se perguntou o por que de tanta raiva. Tudo bem que qualquer um estaria furioso no lugar dela, mas ninguém, nunca, tinha gritado com ele tão furiosamente.
– Você sabe – Gritava ela agarrando um pote que ele suspeitava que tivesse unguento e lançando-o em direção à ele. Ele desviou inclinando a cabeça enquanto ouvia o pote se desfazer em pedaços na porta. – O maldito trabalho que EU tive – Sinalizou apontando pra si mesma depois pegando outro objeto lançando-o novamente em sua cabeça. – Pra salvar o seu rabo! – Seu último grito foi mais forte
A mulher estava furiosa!
Inclinou novamente sua cabeça para desviar-se de seu ataque. Nunca tinha visto tanta raiva assim a não ser dele mesmo. Sentiu que alguma parte dele ficava alegre e excitada pela reação da mulher. Bruxa.
Não moveu um músculo, analisando seu próximo movimento.
Ela pegou uma perna de cadeira que tinha sido separado do restante dos destroços e segurou fortemente a madeira com as duas mãos. Como se fosse uma arma.
Ia bater nele?
O pensamento o divertiu.
– E sabe o que? – Questionou ela, ainda com o forte tom ousado e raivoso em sua voz. – Eu não sou feia, seu imbeciu insensível. Você... – Apontou o pedaço de madeira pra ele ameaçadoramente. – Não pode sair ofendendo assim as mulheres.
– Ofender! – Exclamou ele sem poder se segurar. – Se sente ofendida?! – Riu sarcasticamente achando graça. – Não pode se ofender quando nem mesmo uma mulher é, a não ser a bruxa que demostra! – Grunhiu dando espaço para irritação.
– O QUE! – Respondeu a mulher em um grito com o brilho meio louco em seus olhos. – Agora está dizendo que eu não sou mulher! – Sua voz se fazia mais tensa e irritada a cada momento.
– Mas é claro que não – Respondeu ele afastando-se da porta. – Seres horrendos como você não deveriam existir. – A frase saiu mais como um cuspe do que qualquer outra coisa.
Por um momento pensou ter visto certa fragilidade nos olhos da mulher, mas desapareceu tão rápido como tinha surgido.
– Ah... – Disse ela com vários tons abaixo soando fria e perigosa. – Eu vou te matar! – Declarou a morena avançando em sua direção com o pedaço de madeira erguido como se fosse uma espada.
Ela sabia que aquilo não era lâmina, certo? Realmente, Naruto duvidava. Tinha comprovado pessoalmente que ela sabia lutar muito bem com uma espada, e provavelmente ela pensava que podia fazer o mesmo com o pedaço de madeira.
A mulher tinha um brilho de raiva e de humilhação nos olhos que o deixou hesitante. Por que ela se sentia humilhada se só tinha lhe dito a verdade?
A morena correu em sua direção com mais ódio que Naruto tivesse visto em sua vida. Seus passos rápidos ecoavam pelo piso e segundos depois ele estava sendo agredido violentamente pela pesada madeira nas mãos da mulher.
– Seu... Insensível... Idiota... Porco... Imbeciu– A medida que as palavras saíam de sua boca, a madeira descia fortemente para as laterais de sua cabeça, revezando o local da pancada.
Teria sido doloroso se Naruto não tivesse erguidos seus braços para se defender dela. A mulher era louca!
Podia sentir que seus braços já iam ficando ardidos a pelos violentos golpes.
Em alguma parte, ele se divertia com toda a demonstração de violência e raiva. Enquanto se esquivava e se defendia dos golpes, sua mente ia clareando. Como se ele ficasse mais lúcido a cada momento.
A forte paulada em sua barriga chamou sua atenção de volta.
A mulher tinha visto que não obteria resultado atacando sua cabeça e pulou para o estômago?
Oh... sim. Não era de se surpreender, mas mesmo assim, o fazia. Quanta garra uma simples mulher podia ter?
É bruxa! Tolo. Pegue-a agora. Repreendeu-se mentalmente.
A madeira desceu mais uma vez para sua barriga com clara intenção de dor, mas Naruto segurou-a na metade do caminho e arrancou-a da mão da bruxa.
A mulher ofegou assustada pela rápida reação dele e deu um passo para trás. Naruto acompanhou seu passo no mesmo instante e em sincronia. A morena levantou o punho direito e lançou-o em seu rosto.
Ela também sabia brigar? Com punhos?
A cada instante que se passava, Naruto ficava mais incrédulo.
Segurou o punho dela a distância de uma piscada de seu olho. Não tinha previsto que o murro viria tão rápido.
Maldito fosse, estava subestimando a mulher novamente!
Soltou seu punho e agarrou quase na mesma hora seu fino e delicado pulso. Ela deu outro daqueles suspiros assustados e Naruto sorriu ante a reação. Gostava de vê-la fazendo isso.
A morena se alavancou para trás tentando libertar-se mas ele era muito forte para ela.
Puxou-a contra si enquanto agarrava seu outro braço para imobilizá-la. Sentiu quando o corpo dela chocava-se contra o seu e percebeu que todo o corpo da mulher ficava rígido como pedra. Ele abaixou seu olhar para encontrar com o rosto dela mas não conseguiu ver nada além de sua negra cabeleira. A mulher estava completamente imóvel e respirando forte enquanto encarava seu peito.
Naruto duvidou por um instante da reação dela, mas logo compreendeu o porque da solidez do corpo feminino.
Ele estava completamente nu.
E ela estava próxima o bastante para sentir sua masculinidade pressionada contra seu ventre.
Logo que se deu conta do fato, sentiu seu sangue descendo diretamente para sua virilha.
Naruto engoliu seco.
Desde quando ficava com uma ereção tão rápida assim?
A mulher tencionou-se mais ainda sobre seu aperto mostrando que tinha percebido claramente sua masculinidade ativa.
Naruto ouviu também um ligeiro gemido que era emitido do fundo da garganta da mulher e se excitou mais ainda.
Infernos! Isso não estava certo!
– Oh cara... – Ouviu-a dizer, gemer, enquanto sentia a respiração dela saindo rápida e quente em seu peito. – Vou me arrepender... – Murmurou sacudindo a cabeça em negação.
O rápido movimento de seu joelho deu uma boa ideia sobre a sua dolorosa intenção. Antes de ela conseguir lhe dar o fatal golpe na virilha, Naruto enroscou sua perna com a dela imobilizando-a. Ela tentou acertá-lo mais uma vez trocando o golpe de perna, mas o movimento fez os dois caírem desajeitadamente pelo chão enquanto rolavam um por cima do outro, enquanto um corpo tentando ganhar vantagem sobre o outro.
Ela conseguiu ficar por cima dele suas vezes, mas logo Naruto a submetia sobre seu peso frustrando seus tentativas.
– Cretino, porco, parvo do inferno! — Gritava quando ela conseguiu ter uma terceira vantagem por cima dele. – Maldito mal agradecido. É um belo de um mimado! Filho de quenga! – Grunhia lhe dando fortes tapas em seu peito que ecoava por todo o quarto.
A mulher gritava vários tipos de palavras que ele nunca tinha ouvido falar, mas desconfiava que fossem insultos. Naruto impulsionou-se com sua perna boa para o lado e a derrubou de cima dele. Em seguida, sujeitou-a por baixo de seu corpo sentado na barriga dela e agarrado seus dois pulsos por cima de sua cabeça.
Já tinham estado nessa posição antes. Se lembrava claramente dos movimentos da garota para se libertar. Assim, posicionou-se melhor, com seus joelhos no chão, um de cada lado da cintura da mulher e enroscando suas pernas com as dela, não deixando espaço para nenhum tipo de movimento.
Tateou o chão com sua mão livre até que encontrou um pedaço de madeira quebrado e ergueu sua ponta sobre a fina garganta da jovem.
A mulher parou de se mover e se calou no mesmo instante. Só o que se pôde ouvir depois foram pesadas respirações dos dois em busca de ar.
Naruto aproximou seu rosto da mulher e estudou-a de perto. A pele pálida e sedosa da bruxa incitava-o a acariciar para comprovar se eram tão lisa como parecia. Sua boca, com macios lábios carnudos e avermelhados, estavam ligeiramente abertos. Parecia um um maldito prato suculento que o chamava cada vez mais para provar seu sabor. Infernos! No que estava pensando? Isso não estava indo bem!
Direcionou seu olhar para as orbes peroladas da morena e mais uma infeliz vez, sentiu que poderia se perder por lá. Sentiu novamente sua alma exposta e indefesa, totalmente aberta e fragilizada só pelo seu olhar cinza.
Cinza?
Só nesse momento percebeu que toda a bruma vermelha tinha desaparecido de sua mente como se nunca tivesse passado por lá. Enxergava perfeitamente agora, sem o maldito tom escarlate ofuscando sua visão em busca de sangue.
Soltou um suspiro pesado mais ainda assim não negligenciou seu aperto sobre a mulher. Procurou sua maldição dentro de sua mente suspeitado que esse mal tramasse alguma coisa, mas surpreendeu-se por encontrar somente um vulto vermelho escuro com vários e pegajosos tentáculos negros encolhido em um canto de sua cabeça. Era como se fosse um expectador curioso que tivesse somente assistindo a uma peça. E não era só isso. Podia sentir que sua parte escura estava... Maravilhado?
Não dizia sua opinião e também não interferia nos pensamentos de Naruto com sua maldade.
O súbito alívio que sentiu naquele momento foi indescritível. Seu mal, sua besta, tinha finalmente se calado? Mas não tinha feito nada... Ele não tinha...
– Pretende ficar até quando aí em cima? – A voz irritada da mulher furou seus pensamentos, direcionando sua atenção para ela novamente.
Naruto pressionou a ponta quebrada da madeira em sua garganta, calando-a. Observou o rosto da bruxa e novamente seus olhos. Tentou não se distrair pela profundeza deles quando juntava as peças. Será que tinha sido a bruxa?
Logo que o pensamento veio-lhe a cabeça, ele soube de imediato que estava certo.
Deuses! Tinha sido ela! Tinha certeza. Mas... com? Não a tinha visto fazer nenhum tipo de movimento que insinuasse uso de magia. Como ela teria feito seu mal se recolher e observar extasiado como se fosse um cãozinho quando vê um osso?
– O que fez? – Sua pergunta saiu mais como um grunhido raivoso acusador.
– Do que você tá falando? – Perguntou ela fazendo careta.
– Não brinque comigo bruxa, me diga o que fez! – Sua voz estava mais alta e mais exigente que antes.
– Se me chamar de bruxa mais uma vez...
– O que? – Interrompeu seu falatório pressionando com mais força a madeira em sua garganta.
– Maldito seja, vou arrancar suas bolas se fizer isso de novo! – A mulher gritou furiosamente como se sua ameaça o atingisse.
Logo que suas palavras foram lançadas, Naruto ouviu a gargalhada pesada e grotesca do canto de sua mente. Tencionou-se por completo, preparando seu corpo e sua vontade para indubitável invasão por parte de sua maldição. Exceto que... segundos depois, nada lhe aconteceu. Franziu o cenho sem entender. Procurou mais uma vez a parte maligna de sua alma e a encontrou-a no mesmo lugar, com a mesma posição de antes.
Estava a tanto tempo maldito que agora estava ouvido coisas?
Não duvidava.
Mas nada poderia contrariar o fato de que o mal dentro dele estava momentaneamente quieto. Somente espreitando. Observando curiosamente qual seria o próximo movimento da bruxa.
Poderia ser...?
– Nome. – Exigiu bruscamente aproximando sua face da dela, até que podia sentir as quentes e rápidas lufadas de ar sobre seu rosto.
– Eu... eu... uh... – Parou e soltou o ar preso em seus pulmões sobre sua respiração trêmula. — Perto demais... – Engoliu seco ressaltando a curta distância de suas cabeças.
– Agora! – Trovejou Naruto de forma seca e direta, fazendo a mulher tremer ante seu tom exigente.
Por um momento pensou que ela não fosse responder pelas linhas irritadas que tinham se formado na testa da bruxa. Estreitou seu olhar sobre ela, dando a entender que não estava ali para brincadeiras, até que finalmente ela cedeu.
– Hinata – Murmurou mal humorada.
– Muito bem, Hinata. – Disse testando seu nome em seus lábios e odiando o modo como o nome era dito tão bem por ele. – Irá tirar minha maldição. – Declarou sem dar espaços para dúvidas.
– O que? – Rebateu evidentemente sem entendê-lo.
A morena movimentou as pernas tentado se libertar, mas Naruto se manteve firme.
– Retirará a maldição. – Repetiu mais forte que antes.
– Não vou retirar nada! – Movimentou seu corpo debaixo dele de um lado para o outro em tentativas frustrados pelo peso dele. – Pelo amor de Deus! Você é maluco!
– O fará ou a matarei aqui e agora. – Grunhiu mais ameaçador e mortal que nunca.
Ela provavelmente viu em seus olhos que ele definitivamente cumpriria com sua palavra, pois as próximas palavras que lhe disse, selaram seu destino.
– Ok. Maldição. Tirar. Ok. – Respondeu nervosamente ainda sob a mira da ponta quebrada da madeira.
Naruto não teve tempo de se sentir aliviado pois logo depois das palavras de Hinata, a porta do quarto explodiu aberta, um instante mais tarde, um Sasuke muito irritado acompanhado de um Kiba apreensivo, pulavam dentro do espaço e olhavam em direção à eles.
Maldito inferno!
Foi a única coisa que conseguiu pensar antes que os dois malditamente fortes guerreiros se jogarem em cima dele, retirando-o de perto da bruxa.
*****
– Limpe direito! – O grito soou a não menos de um metro de distância enquanto o pequeno pedaço de pano úmido era jogado em seu peito.
– Pelo amor de Deus, mulher! Já limpei três vezes! – Jiraya reclamou mais uma vez enquanto pegava o pano antes que caísse no chão.
– Ainda está manchado! – Apontou sua afilhada para o móvel da sala com mais do que mal humor em sua expressão.
Respirou profundamente questionando-se seriamente em chamar sua afilhada de louca compulsiva por limpeza, mas pensou melhor e fechou a boca. Ela odiava ser chamada de louca. Se pelo menos insinuasse essa palavra em qualquer sentido, ela, literalmente, jogava qualquer objeto próximo o bastante, nele. Ele já estava acostumado com esse tipo de reação dela, é claro. Ainda que sua afilhada fosse violenta, era também um doce de pessoa.
– Certo, certo. – Respondeu desistindo de bater boca. – Está vendo? – Disse quando passava o pano pela terceira vez na madeira polida da sala. – Limpando... Limpando... Limpaaaaando... – Deixava a palavra soar a cada passada que dava na madeira.
– Bom. – Elogiou ela. – Muito bom. – Disse mais uma vez com um sorriso vitorioso entre os lábios. – Vou até compensá-lo com chá. – Comentou como se chá fosse tudo que merecesse por seu esforço.
Jiraya sacudiu a cabeça e também sorriu. Observou enquanto sua afilhada saía da sala e ia em direção à cozinha. Logo que ela sumiu de vista, parou de passar o pano no móvel.
Tinha derrubado vinho na madeira no dia anterior, só que tinha esquecido de limpar. Estava tão distraído e sonolento que só foi para sua cama e dormiu.
Despertou algumas horas depois com o grito histérico e aborrecido da mulher e soube que tinha feito uma grande cagada ao não limpar imediatamente o vinho sobre o móvel.
Por isso estava ali naquele momento.
Com certeza serviria como lição que ele nunca mais ia esquecer.
Minutos depois, o cheiro de chá invadia toda a pequena moradia e Jiraya soube que tinha que voltar ao serviço.
Ergueu o pano novamente para a madeira e passou repetidas vezes o tecido por lá.
Segundos depois, podia perceber a silhueta baixa de sua afilhada vindo da cozinha com a bandeja de madeira e com o chá com dois copos em cima.
Observou o sorriso visível nos lábios e nos olhos dela e também abriu seu sorriso. Estava mais feliz do que podia dizer, só de ver novamente que sua afilhada sorria mais uma vez. Ela estava assim desde o momento que ele tinha chegado em casa após salvar a jovem Hinata de suas feridas. Jiraya tinha lhe dito que Hinata havia seguido para o clã Uchiha logo depois de despertar.
Sabia que ela não iria questioná-lo sobre sua declaração, pois ele tinha o poder muito conveniente de falar com a natureza. Então ele só pediu a localização da Hyuuga para um antigo carvalho e foi como os ventos sussurrassem o caminho exato que a morena estava seguindo.
Desde então, parecia que uma enorme carga tinha sido tirada dos ombros de sua afilhada. Ela sorria novamente. Até mesmo soltava algumas piadas. Era mais feliz e alegre do que tinha visto em anos!
– Jiraya... – Seu nome sendo sussurrado com uma nota de desespero e seguido do forte impacto da bandeja caída no chão o tirou de seus devaneios.
Girou seu corpo rapidamente em direção a porta pronto para atacar qualquer ameaça, mas não tinha nada lá.
– Jira... – O som se quebrou e ele se virou em direção a sua afilhada que estava de joelhos no chão, somente sendo erguida pela força de suas próprias mãos.
Jiraya correu para o seu lado e segurou seu corpo um segundo antes de ela desabar mole. Girou o corpo inerte da druida sobre seus braços e constatou preocupantemente que ela jazia gelada e imóvel. Sua boca estava levemente aberta e um pouco roxa. Seus olhos azul estavam abertos e vidrados no nada.
– Hey, ei... hell cat – Chamou-a pelo seu apelido, o que ela mais odiava, enquanto a sacudia inutilmente tentando obter algum tipo de reação. – Fala comigo! – Disse com um tom tenso em sua voz.
Deu leves tapas no rosto de sua afilhada mas nada que fazia obtinha alguma resposta.
Colocou seu ouvido próximo ao peito da mulher e como tinha suspeitado, seu coração tinha parado de bater.
– Droga, vamos! – A sacudiu mais uma vez aflito. – Acorda! Maldição! – Bravejou voltando a dar tapas mais fortes em seu rosto.
Tinha visto aquilo acontecer somente uma única vez, e foi quando ela teve a visão que o livro tinha sido roubado da casa de Hinata. Nunca tinha estado mais apavorado em toda sua vida. Ela tinha parado de respirar por menos de dez segundos, e ele já estava em pânico. Quando tinha voltado a normalidade, ela não tinha se lembrado de quase ter morrido, somente disse que teve a visão do livro sendo levado.
– Pelo amor de Deus! – Voltou a sacudi-la mais violentamente.
Nunca a tinha visto tão malditamente fria!
– Vamos, não faça isso comigo, hell cat. – Implorou com a voz que beirava o desespero.
Segundos dando espaço a segundos foram se passando e não conseguia despertá-la. Continuou a sacudi-la no intuito desesperado de acordá-la e ainda assim, ela permanecia imóvel
Subitamente, a druida começou a tossir fortemente voltando a vida.
Jiraya soltou fortemente o ar que não sabia que estava preso até aquele momento, sentindo o doloroso aperto de alívio no peito. Segurou sua afilhada com cuidado, enquanto ela ainda tremia fortemente pela tosse.
– Francamente, mulher. Não pode me dar esses tipos de susto. – Repreendeu-a ainda abalado. – Quase morro de preocupação!
Sentiu a druida começar a tremer ritmicamente em seus braços, logo depois, soluços a acompanharam. O que estava acontecendo?
– Hell cat... você... – Parou no mesmo instante que viu grossas gotas de lágrimas descendo pelo seus olhos e espalhando-se pelo seu rosto. – Deus... O que aconteceu? – Questionou com o cenho franzido em preocupação.
– Ele... ele... – Mal conseguia falar uma palavra antes que o soluço do choro a impedisse. – Morrer... – Soluçou mais uma vez com outra camada de lágrimas descendo por suas bochechas.
– Respire. – Demandou com a voz calma. – Devagar... Respire... – Aconselhou tento um mal pressentimento.
– Ele... Tinha uma flecha e... Oh, Deus... – Gemeu entre sua voz chorosa enquanto os soluços a invadiam novamente.
– Calma. O que aconteceu? – Perguntou mais tenso que antes. Nunca tinha visto nada assim dela. E essa reação toda estava o deixando profundamente alerta.
– Ele morre. Não conseguimos salvá-lo. Ele se vai! – Ela estava gritando agora.
– Pelo amor de Deus. Quem se vai? – Questionou com a incômoda suspeita crescendo dentro dele.
– Ele vai morrer, Jiraya. Eu vi! Naruto... Ele vai morrer. – Confirmou, quando mais uma onda de soluços e lagrimas se juntavam para demonstrar sua tristeza.
Jiraya engoliu seco não querendo acreditar em que sua afilhada lhe falava.
Não podia ser! Naruto não podia morrer! Ele não podia!
Mas ele ia...
Porque... Infelizmente, durante todo esse tempo com sua afilhada, ela nunca malditamente tinha errado uma visão sequer.
Notas finais
Você não vai esquecer de comentar né?
Vai, comenta sim! Não custa nada! Saibam que eu adoro quando vocês dão piti nos comentários dizendo que vão me matar se eu não postar rápido. hahaha
Enfim... O que acharam???
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