Viagem Pela Highland
10 Highlander Confuso
Notas iniciais
Eu ia postar o cap antes de ontem, só que no sábado que tive uma competição (Meu vôlei lindo, que eu não abro mão por nada) e cheguei tarde em casa. Ontem, domingo, fui pra praia com a família e cheguei morta. Caí na cama e só acordei hj de manhã pra ir pro curso. Enfim... Só deu pra postar agora. Mil perdões! rs
Voltando...
Yooooo minaa! kkkkkk
Cap novoo! >,< hehehe. As coisas estão ficando interessante na fic. hehehe. To adorando escrever os pensamentos do Naruto, e principalmente seu lado do mal! xD
hehehe
Aaah, sim! Tenho que avisar, pessoal. Nem sempre vou conseguir postar nos dias previstos. Como hj, dois dias de atraso. ¬¬ sorry. Mas é que eu top lotada de coisas pra fazer todos os dias.
Bah.. Não vou prender vcs!
Boa leitura!
Sasuke lutava enquanto tentava controlar os braços de Naruto por trás de suas costas. O loiro tinha uma força animalesca que não podia ser comparada com nada que tivesse visto em seus vinte e sete longos anos.
Mas ele não era um completo parvo. Firmou seu aperto nos braços de seu amigo quando sentiu que ele estava quase escapando.
Maldição! Naruto estava suado como o inferno, grunhia maldições e xingamentos, dizendo coisas incoerentes sobre bruxa enquanto tentava se soltar, dificultando o controle dele.
Alguns minutos antes, estava rondando seu castelo fiscalizando a troca de guardas. Tinha acabado de avistar Kiba próximo a escadaria flertando com uma moça.
Não tinha se surpreendido, é claro. Aproximou-se do guerreiro quando ele dispensou a moça. Segundos depois, tinham ouvido gritos furiosos vindos do andar de cima. Do quarto de Naruto. Não demorou à compreender que a voz exaltada era de Hinata e correram a toda velocidade para o cômodo, temendo o pior. Pelo jeito dos gritos furiosos e barulhos que vinham do quarto, tinha certeza que Naruto tinha despertado em um péssimo humor e descontentou na pobre moça.
Infernos! Não podia deixar que Naruto fizesse mal à curandeira.
Um metro e meio de distância do quarto e Sasuke ouviu o grunhido furioso de Naruto dizendo “A Matarei aqui e agora”. E não pensou duas vezes. Jogou seu ombro contra a porta e soube o exato momento que ela tinha despencado ruidosamente pelo chão. Provavelmente já estava aberta, mas com toda sua preocupação pela mulher, não tinha conseguido pensar na possibilidade.
O choque veio logo depois que viu Hinata estendida no chão por Naruto nu que sentava em cima dela, imobilizando-a com a ponta quebrada de um pedaço de madeira ameaçadoramente apontada para sua garganta.
Maldito inferno! Ia matá-la!
Naruto tinha dito algo sobre matar a curandeira que se aproximasse dele, mas Sasuke não tinha ideia que seu amigo levasse a ameaça a diante.
Realmente, o guerreiro estava sendo consumido. E doía mais do que podia admitir pra si mesmo a ideia de perder mais alguém.
Principalmente a grande dor no traseiro que era Naruto. O loiro tinha ficado um completo cabeça dura depois da maldição. Era agressivo, violento, com seu constante mal humor que rivalizava o dele mesmo, e a sede de sangue que sentia por suas vítimas. Mas ainda assim, era um irmão para ele.
Sabia que seu amigo não gostava de matar.
Pelo menos, não antes.
Agora, não tinha certeza de nada. Só sabia que não podia deixar que Naruto matasse Hinata.
Com esse pensamento, correu o mais rápido que pôde e jogou seu corpo contra o do loiro, afastando-o de Hinata. Tinham rolado pelo chão até que Sasuke finalmente prendeu seus braços. Naruto se debatia muito, soltava grunhidos enquanto tentava dar cotoveladas em Sasuke para se soltar.
– Maldição, Naruto! O que pensa que está fazendo? – Sua voz saiu forte e autoritária.
– Deixe-me! – Conseguiu ouvir a resposta raivosa.
Com sua incrível velocidade e força, Naruto soltou-se dos braços de Sasuke e pulou de pé.
Sasuke olhou para o seu amigo, e percebeu que o loiro o encarava furiosamente. Seu corpo estava suado e pegajoso. Tinha toda sua longa cabeleira loura solta e bagunçada por sua cabeça. Seus olhos tinham a íris com um ligeiro traço vermelho brasa, em um fraco tom, quase deixando o azul vívidos dos olhos dele mortos.
Infernos! Isso não era bom.
– Acalme-se, meu amigo. – Disse Sasuke levantando as mãos, em um gesto de quem tenta acalmar um animal ferido.
– Amigo? – Riu sem humor. – Me traiu! – Acusou Naruto, agachando-se perigosamente.
– Nunca o trai. – Respondeu Sasuke. – Jamais o faria! – Retrucou.
– Trouxe uma curandeira. – Sua voz saiu forte, e mais acusatória que antes. – Não uma. Duas! – Sasuke podia jurar estar ouvindo uma segunda voz, mais sombria e não natural, através das palavras de Naruto.
Nunca tinha ouvido a segunda voz. Naruto conversava com ele de vez em quando sobre a carga de sua maldição. Sempre lhe dissera que a maldade dentro de si não era mais que perigosas e insistentes vontades e pensamentos que lhe surgiam quando estava exaltado. Naruto afirmava que era uma árdua batalha para tentar controlar a maldição, que cada vez se fazia mais difícil. Sasuke tinha até mesmo lhe perguntava se a parte amaldiçoada falava com ele, mas Naruto sempre negava. Dizia que o máximo que acontecia, era o pensamento de matar que lhe surgia da raiva e violência.
Sasuke tinha certeza que a voz que acabara de ouvir através de Naruto não era dele. O que significava...
Tragou fortemente.
Não! Maldição! Seu amigo não podia estar perdido!
– Naruto... – Tentou chamar Kiba atrás de Naruto.
A risada borbulhante e grotesca estourou através da boca de Naruto, como se tivessem contado a melhor piada de todas.
No mesmo instante que a risada ressonava, Naruto girou seu corpo tão rápido e desumanamente que Sasuke teria julgado impossível se não tivesse visto com os próprios olhos. No mesmo segundo, tinha cortado a distância entre Kiba e ele. Naruto tinha sua mão esquerda elevada, com perigosas unhas alongadas que prometiam dor e sofrimento para sua vítima.
Um suspiro surpreso e abafado foi lançado de perto da porta.
Naruto parou seus movimentos na mesma hora e olhou diretamente para Hinata. Ela estava de pé, com suas costas apoiada na porta, com uma mão na maçaneta e outra na lateral do pescoço.
– Oh minha santa mãe da merda... – Ouviu-a dizer.
Naruto abaixou seu braço e inclinou a cabeça para o lado analisando-a cuidadosamente. Parecia que todo o lugar tinha parado de respirar, esperando a próxima reação dele.
O loiro sorriu maliciosamente para Hinata.
– Oh meu... Porra. – Bravejou a morena de olhos arregalados quando Naruto deu um passo em sua direção.
Sasuke percebeu o exato momento em que Hinata abrira a porta velozmente e se metia em uma corrida frenética pra fora do quarto.
– Não! – O grunhido agonizado saiu de Naruto assim que Hinata tinha se posto para fora do quarto.
Naruto começou a andar rapidamente em direção à porta, mas cometeu o erro de dar as costas para Sasuke.
Logo que viu sua chance, o moreno agarrou novamente aos fortes braços de Naruto por trás das costas, imobilizando-o no lugar.
– Deixe-a, Naruto! – Tenteou dialogar.
Mas Naruto não ouvia. Parecia uma besta que tinha sido apanhada em uma armadilha e novamente lutava para se libertar. O controle que Sasuke tinha sobre Naruto parecia não ser o bastante. De modo que Kiba percebeu isso e veio a sua ajuda. O guerreiro deu um jeito de inclinar Naruto, o atingindo na parte de trás de seus joelhos. Logo, Sasuke e Kiba empurravam o empurravam fazendo-o cair de peito no chão e, novamente, o imobilizando-o.
– Não! – Ouviu o forte grunhido de negação. Dessa vez, somente a voz de Naruto era ouvida. – A mulher! Deixe-me! – Se debatia furiosamente tentando se reerguer.
– Não vai matá-la, Naruto! – Gritou Sasuke. – Infernos! É uma mulher!
– Bruxa! – A palavra soou como um palavrão. – Vai fugir! – Soltou uma maldição quando tentava inutilmente se desprender.
Naruto podia ser forte, Mas Sasuke e Kiba também eram.
– Pelos céus! – Kiba disse em tom consternado. – Ele acha que ela é uma bruxa!
– Deixe-me, maldito seja! – Amaldiçoou tentando se levantar impulsionando seus joelhos e forçando as pernas. – Vai fugir! Pegue-a!
– Naruto! – Sasuke desceu uma das pernas de Naruto com a própria.
No mesmo instante percebeu a grande mancha de sangue úmida que a rodeava.
Naruto estava perdendo sangue.
Muito sangue.
– Escute-me! – Falou em um tom que não deixava escolhas. – Sabe que eu não vou te soltar até que se controle. Será que está mesmo deixando sua desgraçada parte malévola te dominar!? — Sasuke não deu tempo do loiro responder. — Seu parvo! – Insultou-o firmando seu aperto sobre os braços presos às costas de Naruto. – Pensei que fosse mais forte que isso!
– Cale-se! – Gritou Naruto de volta. Seu corpo todo tremia como se estivesse em convulsão, mas ele ainda não tinha parado de se rebatar tentando se libertar. – Tem que pegá-la!
– Mandarei Kiba atrás dela assim que você parar de lutar. – Respondeu de modo persuasivo.
– Tenho que... Ela não pode ir! – Naruto parecia estar à beira do desespero. – Sasuke, ela não pode ir! – Afirmou mais uma vez movendo seu corpo freneticamente. – Ela não... – Sua voz se quebrou quase em um soluço. – Não deixe... – O som saiu baixo enquanto Naruto ainda tinha seu rosto pressionado contra o chão, mas finalmente tinha parado de lutar.
Sasuke nunca tinha ouvido tal som desesperado na voz de seu amigo. A preocupação alagou toda sua mente enquanto distinguia a forte e irregular respiração de Naruto contra o chão.
Ele estava tão aflito e desesperado que Sasuke tinha certeza que algo estava errado. Não parecia que seu amigo quisesse matar a mulher. Não entendia bem o que estava se passando, mas sabia que se Naruto a quisesse morta, ele teria encontrado somente o cadáver de Hinata assim que entraram no quarto.
Ela tinha alguma coisa que fez Naruto se desesperar de modo que não queria a perder de vista.
A moça não iria fugir.
– Kiba. – Chamou o guerreiro que lhe respondeu com um olhar. – Vá atrás de Hinata.
– Tem certeza? – Questionou com o cenho franzido, ainda segurando os braços de Naruto. – Ele pode...
– Vá. – Ordenou sem mais delongas.
Kiba formou uma linha com a boca, claramente hesitante em relação ao deixa-lo sozinho com Naruto. Soltou lentamente os braços do guerreiro, testando para ver se o loiro reagia, e quando viu que Naruto permanecia imóvel, levantou-se e caminhou diretamente para fora do quarto.
Sasuke suspirou profundamente ainda com seu amigo aprisionado pelos braços.
Não queria que aquilo ficasse daquele jeito.
– Me levantarei, mas tem que prometer não atacar, ou tentar ir atrás da mulher.
Naruto por um momento não respondeu, fez até mesmo Sasuke pensar que tinha desmaiado, mas alguns hesitantes segundos depois, concordou com a cabeça.
Sasuke soltou cuidadosamente os braços de Naruto e aliviou a pressão por clima dele. Levantou-se rapidamente e se pôs ao lado do loiro estendendo o braço para ajudá-lo a se reerguer.
Naruto apoiou suas duas mãos sobre o chão e desgrudou seu rosto da pedra fria. Ainda olhava para baixo, pensando em algo que Sasuke não fazia ideia. Finalmente percebeu a mão estendida do moreno e a aceitou-a relutantemente. Ele se levantou com certa dificuldade enquanto grunhia de dor. Parecia que só agora podia sentir a perna.
– Maldição... – Resmungou o loiro soltando a mão de Sasuke e mancando em direção à cama.
Sasuke observou toda a trajetória do amigo se questionando se ele iria ou não sair correndo atrás de Hinata. Naruto não parecia querer ficar no quarto. Pôde perceber isso no momento em que o loiro sentou-se na cama e subiu seu olhar direto para a porta fechada, encarando-a com intensidade.
O moreno deu um passo em direção à cama e ouviu o estalo seco sobre seu pé. Olhou para baixo e foi ciente que tinha acabado de quebrar no meio o pedaço de madeira que Naruto tinha usado como arma para ameaçar Hinata. Moveu seu olhar para o quarto, estudando-o e registrando os detalhes. Compreendeu assustado que a madeira em seus pés pertencia à cadeira estraçalhada próxima à porta. Engoliu seco com a possibilidade de Naruto tê-la usado em Hinata. Mas não podia ter certeza. A mulher não era nada que já tivesse visto antes. Ela tinha fogo no olhar e na alma.
Além do mais, Hinata não parecia estar machucada quando saiu do quarto, o que ele era grato.
Mas se Naruto não tinha uado nela, então...
Girou seu olhos novamente para seu amigo que ainda encarava a porta em silêncio. Sasuke o estudou rapidamente e percebeu logo de cara as gritante e grandes marcas vermelhas no peitoral nu de Naruto.
Arregalou os olhos incrédulo com somente o pensamento daquele delicada mulher agredindo um forte guerreiro com uma cadeira. Ela realmente tinha feito aquilo?
Olhou para a porta e de imediato percebeu a sujeira de unguento no meio da madeira. Havia cacos do objeto que carregava o medicamento espalhado por todo o chão próximo à porta.
– Machucou a mulher? – Perguntou em tom neutro, querendo aplacar suas dúvidas.
– Deveria. – Disse serrando fortemente seus dentes. – Mas ela fez isso antes. — Bufou, olhando para o pedaço de madeira nos pés de Sasuke.
– Foi ela que...? – Estendeu a pergunta enquanto elevava a sobrancelha e olhava sugestivamente para a cadeira estraçalhada e a sujeira feita pelos objetos quebrados.
– Sim. – Respondeu voltando seu olhar para a porta.
Observou o rosto do amigo incomodado pela a grossa cascata de sangue seco em seu nariz.
– E... – Sinalizou com os dedos para seu próprio nariz, questionando-o.
Sasuke viu o ligeiro rastro de um sorriso no canto dos lábios de Naruto. Mas desapareceu tão rápido como tinha surgido, o deixando confuso.
– Tenho que ir atrás dela, Sasuke. – Comentou Naruto sério, mudando de assunto. – Não posso deixá-la fugir.
– Ela não vai fugir. – Afirmou caminhando na direção de Naruto e sentando na cama, também encarando a porta. – Também não vou deixar que a mate. – Sua voz era firme e forte.
Naruto voltou seu olhar para Sasuke e ele pôde perceber que os olhos do loiro já tinham voltado a cor normal. Mas ainda estavam meio febris.
– Se ela cumprir sua parte, talvez a deixe viver. – Respondeu Naruto secamente. – Por que a protege? – A raiva e o escarnio eram aparentes em sua voz. – Sabe o que ela representa! Como pôde, depois de todo o desastre que aconteceu comigo, colocar uma delas no mesmo local que eu!? – Naruto o olhava como se o tivesse traído.
– Do que você está falando!? Queria que te deixasse morrer? – Sasuke se alterou, aumentando sua voz. – É tão egoísta que prefere morrer do que ser tratado por uma curandeira?
– Curandeira? – Disse a palavra sarcasticamente, acompanhada de um riso forçado. – Foi isso que ela te disse? – Questionou-o com o semblante frio.
– Do que está falando, Naruto? – Sasuke franziu o cenho. – A mulher é uma...
– Bruxa! Maldito seja! Ela é uma bruxa! – Naruto tentou se levantar, mas Sasuke agarrou um de seus braços o forçando a permanecer no mesmo lugar.
– Sente-se. Se der mais um passo é provável que perca aperna. – Repreendeu-o apontando para a ferida.
Naruto olhou para a perna esfolada e respirou profundamente. Seus lábios estavam pressionados em uma fina linha de frustração, mas não tentou lutar.
– Agora me responda. O que quis dizer com “bruxa”? – Questionou dando ênfase na palavra.
– Exatamente o que ela representa. – A expressão de nojo e fúria transpareciam em sua face. – Ela é uma bruxa. Das piores. Suja e corrompida. E ainda por cima inglesa!
Sasuke olhou para o amigo como se tivesse crescido chifres em sua cabeça.
Do que ele estava falando?
– Vi seus olhos, Sasuke! – Tentou convencê-lo. – Depois da batalha, segui o garoto inglês que tinha fugido pela floresta. Depois do eterno e entediante tempo o caçando, encontrei-o com a bruxa. Na hora pensei que fosse outro guerreiro que o inglês tinha como aliado, pois a mulher ia vestida de homem.
A cada palavra Sasuke ficava mais cético, suspeitando seriamente se seu amigo tinha perdido a cabeça.
– Lutei contra o garoto inglês e acabei me distraindo. – Disse com uma careta, envergonhado. – Ela me apunhalou na cabeça com um tronco de árvore. Quando dei por mim, estava sozinho, no meio da mata. – Parou para tomar uma forte baforada de ar e soltou-a lentamente. – Levantei e persegui o rastro dos dois, mas só consegui encontrar a mulher. Ela estava com a espada do inglês, assim, lutamos.
– Você lutou com uma mulher!? – Sasuke quase gritou, levantando-se da cama.
Queria dar crédito a estranha história de Naruto, mas o fato de ter lutado de espada contra uma mulher, confirmava que seu amigo estava perdendo a sanidade e tendo delírios.
– Infernos, eu não sabia que era mulher! – Gritou Naruto irritado. – Se soubesse que o era, jamais teria lutado!
Sasuke respirou profundamente tentando decidir o que fazer com o loiro. A loucura causada pela maldição tinha finalmente atingido sua mente. Os danos eram notáveis. Ele disse que tinha lutado com uma mulher! Com espada!
Mas Sasuke queria acreditar em Naruto.
Não conseguia aceitar que estivesse louco. Então só acenou com a cabeça, pedindo para Naruto continuar.
Naruto olhou mal humorado para o moreno e prosseguiu.
– Ela até mesmo conseguiu me desarmar... – Murmurou sem vontade. – Tinha a subestimado demais. Logo depois, desarmei-a e a imobilizei. – Completou antes do Sasuke tentar comentar. – Sasuke, ela estava com o cordão.
– Cordão? – Questionou não entendendo.
– Sim. O cordão. O que veio com a carta de minha mãe.
Sasuke enrugou a testa.
– Mas você não estava com ele?
– Sim. Mas ela tinha o cordão! Não sei o motivo! – Disse frustrado jogando para trás mechas de cabelos que caiam em seus olhos. – Ela aproveitou o momento em que eu olhava para o cordão, e fugiu. A persegui até que ela escorregou e caiu dentro do rio. A água a levou, e ela desapareceu na cachoeira.
O moreno olhou para Naruto, relembrando o momento em que seu amigo tinha voltado para o castelo. Ele estava muito quente, todo ensopado e delirando de febre. Teria sido por isso que tinha chegado todo molhado?
Impossível. Não deveria considerar a história de Naruto. Hinata não era uma bruxa.
Ou era?
Naruto tinha estado muito ruim, quando saíra do quarto e o deixara a sós com Hinata. Sasuke estava quase certo que seu amigo morreria pela devastação em sua perna.
Lembrou-se do momento em que Hinata tinha concordado em salvar seu amigo.
Tinha estranhado o porquê da mulher lutar tanto para ele sair de lá.
Ela queria fazer algum tipo de magia com Naruto de modo que ninguém visse?
Engoliu o crescente caroço incômodo em sua garganta.
Não era possível.
– Naruto, você chegou a entrar na cachoeira? – Perguntou temendo pela resposta.
O loiro suspirou pesadamente e concordou com a cabeça.
– A água fez que a roupa que ela usava, grudar ao seu corpo. Quando percebi que era mulher entrei na água para salvá-la. – Riu sem humor, mas continuou. – Cheguei perto o suficiente dela e vi seus olhos... O contorno deles estavam completamente negros. Podres.
Sasuke sentou-se novamente na cama e olhou para o chão. Não podia ser...
– Nesse momento, ela caiu no rio e a água a levou para a cachoeira. Vi quando caiu. Até mesmo procurei-a depois. Mas não encontrei seu corpo. – Completou com a voz enfadonha.
– Naruto. Hinata não pode ser uma bruxa. Não tem sentido! – Negou não querendo acreditar em seu amigo. – Os seus olhos não estavam podres quando a encontrei na aldeia!
– É claro que tem sentido! – Grunhiu olhando nos olhos de Sasuke. – Ela voltou pra me matar! Não sei que tipo de magia fez em seus olhos. Isso só prova o quanto ela é poderosa.
– Acorde, inferno! Se ela o quisesse morto, já estaria morto! – Explodiu Sasuke. – Mas está aí, vivo, não é mesmo?
– Do que está falando! Você a colocou perto de mim! Uma bruxa! Quando estava inconsciente! – Perfurou-o com os olhos acusadores.
– É isso que não faz sentido! Ela cuidou de você incansavelmente por cinco dias! Mal saía do quarto. Até mesmo à noite. Comprovei quando a peguei dormindo na cadeira, ao seu lado. Se ela quisesse te matar, teria feito isso à tempos! Oportunidade foi o que ela mais teve! – Sasuke respirou rapidamente para encontrar o fôlego. – Ela tratou de suas feridas, e vou te dizer, o fez muito bem.
Naruto parou cético diante das informações que Sasuke lhe concedia. Viu sua testa formar um v quando o loiro processava ainda sem acreditar. Sasuke podia jurar que sua expressão seria a mesma se dissesse que viu um cavalo voador ou um animal falante.
– Ela... cuidou de mim? – Disse as palavras lentamente, como se Sasuke fosse algum tipo de retardado.
– Sim. Ela o fez. – Concordou Sasuke com a cabeça. – Estaria morto se não fosse por suas notáveis habilidades como curandeira. – Voltou seu olhar para a perna do guerreiro e franziu o cenho. – Sua perna estava se curando perfeitamente. Mas agora tem o maldito buraco aberto nela novamente. – Disse repreendo-o.
Naruto ficou em silêncio novamente durante um comprido minuto. Sasuke também não entendia o que estava acontecendo ali, mas tinha quase certeza que Naruto tinha se confundido quando disse que a mulher era uma bruxa em trajes de homem e que lutava com espada.
Naruto repentinamente prendeu a respiração como se tivesse descoberto a resposta de toda aquela confusão.
Sasuke o encarou, e no mesmo instante percebeu que não iria gostar do que seu amigo tinha concluído. A expressão do loiro era mais aflita e raivosa que antes. Seus dentes estavam a amostra e seu olhar perdido no chão.
– Ela me salvou... Para me amaldiçoar novamente! – Declarou apertando suas duas mãos em punho.
– Sente algo diferente? – Sasuke tentou mostrar a razão para Naruto. Definitivamente não podia acreditar que Hinata fosse uma bruxa.
O loiro franziu o cenho e pressionou os lábios juntos. Subitamente sua expressão mudou novamente para irritada frustração.
– Eu... – Respirou profundamente. – Não. – Disse encostando os cotovelos no joelho e apoiando sua cabeça com as mãos.
– Está vendo! Não é uma bruxa, Naruto! – Tentou convencê-lo mais uma vez.
– Ela é! – Afirmou Naruto, mais fraco dessa vez. – Tem que ser.
– Como pode saber? – A irritação estava começando a preenche-lo. Por que Naruto tinha sempre que ser tão cabeça dura?
– Ela... Fez alguma coisa comigo... – Murmurou irritado. – Com a maldição...
– O que está dizendo...? – Sua voz soava cansada.
– Eu não sei, infernos, mas ela fez! – Grunhiu Naruto elevando sua cabeça ao mesmo nível da de Sasuke. – Eu só senti isso! Ela definitivamente pode tirar a maldição.
Dessa vez, a voz do loiro lhe chegou esperançosa. Mais do que tinha ficado em muito tempo e Sasuke sabia que não podia simplesmente dizer o contrário.
Podia ver o brilho confiante em seus olhos azuis febris e tinha certeza que Naruto não ia desistir até que a maldição fosse retirada ou que Hinata morresse.
****
Hinata trancou a porta atrás de si com um forte baque que ressonou por todo o local, se calando um segundo depois. Conseguia somente ouvir suas pesadas respirações rápidas e sem fôlego.
Mas que merda tinha acontecido!?
Sua cabeça estava uma maré de confusão com lembranças de alguns segundos atrás. Tentava processar inutilmente todo o ocorrido, mas não conseguia se concentrar tempo o suficiente para formar uma linha de pensamento coerente.
Mais uma vez, tinha sido ameaçada!
Sem contar que o bastardo a chamara de homem!
Soltou um grito fino frustrado. O som chegou aos seus ouvidos ao mesmo tempo e ela se surpreendeu ao ouvir o grito tão gay saindo de sua boca. Se ainda estivesse em seu século teria rido de sua reação.
Olhou para o vestido que estava usando e engoliu seco ao reparar que estava toda suja de sangue da perna do guerreiro.
Não pense nisso, Hinata!
Mas não era tão simples assim. Ainda mais ao relembrar a rigidez da coisa dele sobre ela.
Mordeu o lábio inferior para reprimir um gemido.
Sem mais delongas, percorreu o quarto rapidamente com suas ágeis pernas e agarrou sua bolsa preta que estava em cima da grande cama do quarto que Sasuke havia lhe oferecido tão gentilmente.
Gentil é uma ova! Vou cair fora antes que eu fique louca! Ou pior. Antes que aquele loiro lindo e insano me encontre de novo! Pensava no mesmo momento em que agarrava a bolsa e corria em direção à porta.
Já tinha feito a parte dela ali. Sua consciência estava limpa. O resto que se danasse.
Abriu a porta num impulso e se pôs para fora dela. Andou pelo corredor rapidamente agarrando a bolsa ao peito e girou seus pés em uma esquina, batendo diretamente contra uma sólida parede humana.
Com um passo para trás, afastou-se e ergueu seu olhar para o alto guerreiro.
Kiba.
– Oh, desculpa... – Resmungou nervosamente. – Com licença. – Completou na mesma frase tentando esquivar-se do guerreiro.
Kiba deu um passo para o mesmo lado em que ela tinha andado, impedindo sua passagem.
– Perdoe-me, mas... – Olhou sua bolsa com o cenho franzido. – Para onde está indo?
– Qualquer lugar longe daquele psicopata! – Argumentou rápido demais. – E, ai de você, se tentar me impedir! – A irritação era mais que clara em sua voz.
Kiba fez um “o quê?” com os olhos, e Hinata reprimiu a vontade de revirar os mesmos.
Hinata bufou nada elegante e tentou mais uma vez passar por Kiba. Mas novamente, ele se pôs na sua frente.
– Reconsidere. – Tentou convencê-la. – Naruto não atacou-a por mal. – Explicou de modo persuasivo.
– Não me atacou por mal?! – Exclamou sem poder se conter. – Você está de sacanagem, não é? – Não deu tempo de Kiba responder. – Ele tentou me matar! ME MATAR! – Enfatizou as palavras. – E não fez por mal?
Sem falar que tinha sido a segunda, terceira...? Mas que droga! Nem mesmo se lembrava de quantas vezes Naruto tinha tentado matá-la.
– Digamos que Naruto não acorda sempre com bom humor. – Tentou suavizar seu tom, tornando mais complacente.
– Mal humor? – Riu sarcástica. – Sério? – Bufou mais uma vez e novamente tentou passar por ele, tendo sua tentativa frustrada, novamente. – Vou te dizer uma coisa. Eu sou mil vezes rabugenta e irritadiça quando estou de TPM e nem por isso eu saio tentando matar ninguém!
– TPM? – Disse como se a palavra fosse de outro mundo. Sacudiu a cabeça desfazendo-se de tentar entender a sigla. — Não estou tentando justificar suas ações. Até por que não têm desculpas atacar à uma mulher. – Disse como se falasse com um animal louco e faminto. – Mas, por favor, entenda. Naruto passou por um inferno atrás do outro. Não deveria te dizer isso, mas mesmo assim, direi. Ele não suporta a ideia estar indefeso ante uma mulher, por conta de seu passado. – baixou a voz, como se estivesse contando algum segredo.
– Oh, pelo amor de Deus! Vai me dizer que ele é daqueles tipos que não aceitam ajuda de mulher? Porque vou te dizer. Isso enche a porra do saco. – Concordou com a cabeça, reforçando a ideia. — E, meu amigo, eu já estou por aqui – Sinalizou com a mão um pouco a cima da testa. – de saco cheio de caras que se acham os fodões. – Parou para tomar ar, e logo continuou. – Portanto, saia do maldito caminho ates que eu o tire a chutes. – Ela chegou até mesmo a fazer uma posição de ataque para provar que não estava brincando.
Eita coragem! Hinata pensou internamente.
Kiba abriu e fechou a boca umas três vezes com os olhos meio esbugalhados sem saber o que dizer diante da reação da morena.
Ela podia sentir o sangue correr quente por suas veias, bombeando e ecoando por seus ouvidos. Estava muito nervosa. E sim. Estava com medo. Só um insano não teria medo de um cara que tem o dobro da sua altura e que a ameaça de morte tantas vezes que ela nem mesmo podia contar. Kiba não parecia que ia ataca-la, mas não podia dizer a mesma coisa de Naruto. O loiro agia de forma estranha dos demais. A tratava como se fosse uma ameaça quando ela não tinha feito nada pra ele.
A única explicação é que fosse louco.
Oooh desperdício... choramingou a vadia interior.
Sim, eu sei. Hinata concordou.
– Hinata. Faremos um acordo, certo? – Perguntou ele, dando um passo para trás com os braços elevados, dizendo que não representava nenhuma ameaça.
– Errado. – Discordou, também se afastando.
– Só ouça-me alguns minutos. Contarei o que puder para que possa ser mais complacente com Naruto. – Continuou, abaixando os braços. — Se quiser ir depois de ouvir tudo que eu tenho a lhe dizer, não vou impedi-la.
Hinata estudou o rosto de Kiba tentando descobrir alguma mentira ali. Depois de algum tempo sem detectar nada além de honestidade, deu um suspiro pesado e relaxou-se por completo.
– Promete? — Perguntou para ter certeza.
– Dou minha palavra de guerreiro. – Disse mortalmente sério.
Isso valia de alguma coisa, certo?
– Tudo bem. Comece. – Incitou Hinata cruzando os braços.
– Não aqui. As paredes tem audição mais apurada do que parece. – Olhou para as pedras de mal humor.
– Vamos para o quarto, então.
Kiba pareceu incômodo com a ideia e Hinata rolou os olhos novamente. Deu as costas para o guerreiro e caminhou em direção do quarto, ouvindo os passos segundos depois de Kiba.
Não iria ficar MESMO naquele lugar. Queria fugir do castelo o mais rápido possível, mas sabia que Kiba não iria deixar. Poderia brigar com ele, mas não queria arrumar um alvoroço no castelo. Além do mais, provavelmente iria sair perdendo, dado que Kiba tinha uma longa espada agarrada às suas costas.
Tinha que ouvir o que quer que ele queria dizer. Depois, só cairia fora daquele lugar louco e arrumaria um modo de voltar para casa.
E que Deus a ajudasse!
*****
Naruto se encontrava sentado em sua cama algumas horas depois de Sasuke deixar o quarto. Já estava escurecendo. Podia sentir a leve brisa fria da noite que acariciava sua pele como se fosse uma amante em potencial, arrepiando os pelos de seus braços. Seus olhos estavam abertos enquanto encaram o teto sobre sua cabeça tentando decidir se partia da cama para encontrar a bruxa que estava em algum lugar do castelo, correndo o grande risco de abrir mais sua ferida a ponto de ver o branco do osso e assim perder a perna. Ou esperar pacientemente a boa vontade de Sasuke para trazer a mulher até ele.
Sasuke tinha saído do quarto dizendo que ia confrontar a bruxa, Hinata, em busca de informações que comprovasse realmente que ela era um feiticeira do mal. Naruto tinha até tentado impedir, alegando incansavelmente que ela era o que ele dizia ser, mas o moreno fora inflexível sobre o assunto. Lhe dissera que não permitiria que Hinata saísse do castelo e que ele deveria descansar enquanto isso.
Naruto olhou para a perna ferida que estava estendida sobre a cama e percebeu algumas linhas de sangue que saía dela e sujava o lençol branco. Aquilo não estava bom. A ferida descansava aberta, inchada e irritada por toda movimentação de antes. Se ele pensava que antes lhe doía como um inferno incômodo, agora, era dez vezes pior, pois a perna estava descansada e seu sangue tinha esfriado.
Só tinha conseguido limpar o sangue se seu nariz, pois se tentasse se mover demais, tudo lhe doía.
A cada batida de seu coração, o ferimento respondia com a afiada e agonizante dor paralisante que impedia de mover os músculos do local. Ele estava tão quente como nunca pensou que tivesse ficado antes, mas parecia que seu peito estava congelado de frio. Ergueu um de seus braços, o estudando. Logo seu olhar foi para os dedos de sua mão que tremiam incontrolavelmente sobre o ar. Abaixou o braço descansando ao lado do corpo e respirou fundo. Até mesmo respirar era difícil.
Com um grande esforço tentou arrumar os travesseiros que mal acomodavam suas costas. Um segundo depois, foi recompensado com a aguda dor lhe proporcionada pelo leve movimento que veio diretamente do centro da ferida lhe tirando o fôlego. Abriu a boca e respirou forte seguidas vezes refreando a maldita vontade de gritar.
Sasuke disse que aquilo estava curando?
Sentiu a tremedeira interna se espalhar ao longo de seu corpo puxou o lençol do seu lado cobrindo seu peito nu e um pouco a cima de sua coxa. Deixando a ferida exposta.
Os segundos se passavam incrivelmente lentos enquanto observava a noite cada vez mais escura.
Onde diabos estava Sasuke e a bruxa?
Encostou sua cabeça na fria pedra que se encontrava depois dos travesseiros e fechou os olhos. Não adiantaria de nada ficar se remoendo contando os minutos até alguém aparecer com notícias. O que ele podia fazer pra ajudar a si mesmo era estancar o sangue de sua perna, mas parecia tão impossível naquele momento quanto levantar e saltitar sobre a perna esfolada.
Pensamentos iam e vinham e ele mal conseguia registrar detalhes de cada um. Conseguiu identificar um onde Sasuke lhe dizia que a bruxa cuidara dele por cinco dias, que tinha salvado sua vida e sua perna...
Por que uma bruxa faria algo assim sem obter nada em troca? Ela não tinha amaldiçoando-o novamente. Sabia disso. Não sentia nada mais além do antigo mal que agora se encontrava tranquilo em um canto de sua mente e alma. Então... Por quê...?
“E assim permanecerá, até que encontre sua salvação e a morte pela sua absorção”
Então era isso? Tinha encontrado finalmente a bruxa que iria dar fim a besta maléfica dentro de si?
Vozes... Múrmuros... Uma porta se abrindo...?
Naruto pensava que estava perdido para sempre, e talvez estivesse. Mas talvez, somente talvez, Hinata pudesse fazer algum tipo de magia que o salvasse...? Queria tanto agarrar-se a esse pensamento...
Outra lembrança alagou sua mente. Desta vez, via-se tendo um sonho ruim. Um pesadelo. Tinha sangue, morte e dor. De repente uma voz melodiosa. Oh sim... A voz. Ela tinha cantado pra ele.
A lembrança sumiu e deu lugar à uma cena quente, onde duas pessoas se beijavam ardentemente sobre sua cama, em seu quarto e...
Seu quarto?
Aquele era ele?
Estava tão fraco. Novamente. Os pensamentos não conseguiam mais se formar adequadamente. Não sabia mais distinguir a cama que estava em que estava da névoa tentadora que o chamava. Sentia sua mente ficando nublada e andando incrivelmente perto da borda da inconsciência. Tão tentador...
– Não durma! – A ordem forte e estridente da voz feminina o despertou tão abruptamente que sentia que seu coração ia sair pela boca.
Abriu os olhos no mesmo instante procurando pela ameaça e a primeira coisa que pôde perceber, foi Hinata, a não menos de um metro de sua cama. Estava com seus cabelos arrumados em um grosso coque no alto de sua cabeça e seu vestido era diferente do anterior, mas mesmo assim, se adequava perfeitamente ao luxuoso corpo da bruxa.
Logo ao seu lado, Kiba e Sasuke estavam posicionados com os olhos alertas e preocupados.
Finalmente tinham chegado!
– Não estava dormindo. – Respondeu em tom seco, sem poder evitar, enquanto fitava-a em seus olhos.
– Não era isso que pareceu – Retrucou a mulher, no mesmo tom.
– Pouco me importa o que pareceu. – Cortou-a apoiando um de seus braços sobre o coxão de linho.
Viu a mulher abrir a boca pra dizer alguma coisa, mas Sasuke apoiou uma mão em seu ombro, fazendo-a apertar seus lábios um contra o outro controlando sua resposta em um franzir de cenho.
Uma sensação de raiva se instalou sobre ele ao perceber a naturalidade em que Sasuke a tocava.
Mas o que...?
– Naruto, não estamos aqui pra isso. – Sasuke interrompeu seu pensamento. Deu um passo para frente e continuou. — Está pálido como a morte, e sei que não vai durar muito tempo se não deixar que cuidemos disso.
– Cuidemos? – Enfatizou a palavra erguendo uma sobrancelha. – Vá direto ao ponto. – Ladrou ainda olhando a mão do moreno sobre os ombros de Hinata.
Sasuke respirou fundo e encarou Naruto.
– Hinata concordou em curar sua perna se não a atacasse novamente. – Sua voz saiu séria. Um claro aviso de que Naruto não deveria questionar suas palavras.
Hinata fez uma careta com as palavras de Sasuke. Parecia querer questionar, mas ainda assim, manteve-se de boca fechada.
Sasuke abaixou sua mão do ombro da morena e parecia que Naruto podia respirar mais uma vez. A onda de raiva que ele não tinha percebido que se instalara em sua mente, evaporou-se tão rápido como tinha aparecido, o deixando confuso.
O que a maldição estava pretendendo?
O pensamento o fez enrugar a testa.
A raiva tinha ido embora, mesmo assim, parecia continuar.
Grunhiu internamente, frustrado. Sua maldita parte negra estava o deixando louco! Tinha que se desfazer dela o mais rápido possível!
– Tudo bem. – Disse por fim, surpreendendo a todos no quarto.
Até mesmo a mulher tinha a expressão descrente estampada em seu rosto.
– Graças à Deus. – Ouviu Sasuke murmurar.
– Mas – Impôs alto – Quero todos para fora. Menos, é claro, a... Curandeira – Disse a palavra como se fosse a resposta final de uma piada.
– Mas é claro que não! – Kiba exclamou como tom alterado. – Ela não vai ficar sozinha com você novamente. – O tom acusatório era mais que evidente em sua voz.
– Naruto, isso está fora de questão. – Sasuke respondeu logo depois. – Ela não vai ficar sozinha.
Mas que infernos? Estavam todos do lado da bruxa?
E o que? Ele ainda não era um monstro!
Olhou para a morena, sabendo que tinham que ficar a sós se quisesse arrancar alguma coisa dela a respeito de sua maldição.
Logo pensou em algo que rezava que desse certo.
Bufou audivelmente fazendo Hinata inclinar a sobrancelha.
– É claro que não. A curandeira tem medo de ficar sozinha comigo, não é mesmo, Hinata? – Disse seu nome de modo provocativo e desafiador.
– Medo? – A palavra saiu da boca da mulher como se fosse o nome de um inseto asqueroso. – Não tenho medo de nada! Principalmente de você! – Respondeu com o mesmo tom desafiador em sua voz.
Seus olhos ardiam de raiva e da pontada de alguma coisa a mais...
Oh, sim... Ela tinha medo dele. Não muito, mas tinha.
Naruto elevou uma sobrancelha e continuou a fitá-la. Logo olhou para Sasuke e Kiba, depois novamente para ela.
– Hinata...
– Não. – Ela interrompeu Sasuke encarando Naruto com a mesma intensidade. – Não tenho medo dele. Sei me defender muito bem. – Comentou lançando um olhar vitorioso sobre a vermelhidão de seu peito. – e ele está certo. É melhor vocês saírem.
– Hinata — Dessa vez foi Kiba quem começou a falar. – Não precisa fazer isso. – Disse tocando o braço da jovem como se tivesse todo o direito.
Naruto cerrou os dentes e por pouco não pulou no guerreiro e quebrou todos os dedos de sua mão. Teria certeza que faria tudo rindo, se pudesse se levantar.
Petrificou-se com a direção de seus pensamentos. O que estava acontecendo com ele? Questionou-se confuso.
– Não, é sério. Está tudo bem. – Convenceu Hinata batendo de leve sobre a mão do guerreiro para afirmar sua palavra.
A respiração de Naruto ficou presa enquanto sentia o grunhido querendo brotar de sua garganta.
Matar. O sussurro provocativamente tentador brotou do fundo de sua mente.
Quebrar! Dedos! Matar!
Naruto respirou fundo e fechou os olhos, enquanto tentava controlar a raiva e os sussurros do canto escuro de sua mente.
– Além do mais, eu não consigo trabalhar com muitas pessoas ao redor. – Ouviu a voz de Hinata.
– Está certa disso? – Questionou Sasuke, hesitante.
– Mas é claro. – Respondeu com certeza falsa em sua voz.
– Se quiser, eu posso ficar. – A voz de Kiba ressonou pelo quarto fazendo Naruto apertar suas duas mãos em forma de punho.
A cada segundo ficava mais difícil para ele controlar a vontade de matar Kiba. Por que o guerreiro só não malditamente saía do quarto?!
– Não. Podem ir. – O som da voz dela parecia um balsamo para seu ânimo cada vez que a ouvia. – Eu cuido das coisas por aqui. Grito se precisar de... Ajuda. – A palavra saiu controlada, como se ela quisesse dizer outra coisa.
– Estaremos por perto. – Sasuke disse alguns segundos depois.
Por um momento não ouviu nada além das fortes respirações dos guerreiros e a suave e confiante presença da pequena bruxa. Os segundos foram se prolongando até que os passos se distanciando ecoavam cada vez mais fraco pelo quarto. Logo a porta foi fechada e Naruto soltou o ar que não sabia que estava prendendo.
Sentiu toda a pesada carga da raiva o abandonar novamente e abriu os olhos. Hinata estava no mesmo lugar que antes e o encarava hesitante de qual seria seu próximo passo.
Naruto sorriu fracamente e tentou mais uma vez arrumar sua posição na cama.
Gemeu pela dor avassaladora que fez seu corpo ficar mole e tombar. Abriu a boca para amaldiçoar quando sentiu que finos, mas firmes braços ajudavam a se posicionar melhor sobre a cama. Segurou um dos braços da mulher fortemente, pronto para interroga-la sobre a maldição quando sentiu a fria lâmina da adaga descansar em seu pescoço.
Arregalou os olhos e olhou diretamente as orbes cinzas da mulher que se encontravam tão próximos dos seus, quanto sua boca vermelha e carnuda, à distância de uma respiração.
Engoliu seco pensando em como seria tê-los grudados aos seus.
– Se tentar alguma gracinha como... me atacar novamente. – Disse ela lentamente. – Eu te faço em pedaços. – Apertou seu agarre sobre a adaga para enfatizar. – Por isso, é bom que me solte. – Olhou sugestivamente para o braço que ele estava agarrando.
Naruto soltou lentamente o braço da mulher e manteve seu rosto neutro. Viu como ela respirava forte e pôde sentir a quente baforada próximo ao seu rosto.
Iria ser uma longa noite.
Notas finais
Comenteeem! please!
Mesmo eu demorando pra responder alguns reviews, eu juro que eu leio todos, e devoro cada palavras e "pitis" que vocês dão! kkk Me amarro demais!
Teve uma que até me ameaçou com um tijolo pq eu terminei o cap anterior tenso.( Eh Vesper, to falando de você!) KKKKKKKKKKKKKK RIII DEMAAAAAIS! E Amei, é claro!
Esses tipos de review só demostram o quanto a pessoa tá gostando da fic, e eu me alegro profundamente com isso.
Então... Comentem, sim?
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